O conceito sociológico ‘ideologia de gênero’ foi ressignificado a partir dos anos 1990 e virou instrumento político contra as narrativas feministas e LGBT+. A politização da expressão é um desafio para os estudos de gênero e diversidade sexual, pois gera barreiras em políticas, na agenda de investigação e na ação transnacional junto aos governos, à mídia e a outros agentes sociais. Nessa análise de conteúdo, comparamos o uso da expressão na cobertura dos jornais de maior circulação digital do Brasil (Folha de S. Paulo) e de Portugal (Expresso) entre 2000 e 2019. O que essas coberturas informam sobre o atual estágio da disputa discursiva em torno dessa expressão? Os resultados indicam a consolidação do termo no viés conservador, padrões semelhantes nos discursos e perfis de quem o utiliza, e apontam que as maiores reações políticas acontecem quando o termo está associado aos temas ‘eleições’ e ‘educação’.
Palavras-chave:
ideologia de gênero; democracia; jornalismo; Portugal; Brasil
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Fonte: Elaboração das autoras e autor#PraTodoMundoVer Gráfico com duas categorias analisadas nos resultados dos jornais Expresso e Folha de S. Paulo entre os anos de 2000 e 2019. A primeira é o Tipo de produção dividida em Informativa (65,3% do Expresso e 60,1% da Folha), Opinativa Pessoal (34,7% do Expresso e 37,5% da Folha) e Opinativa do jornal (2,4% da Folha). A segunda categoria é a Rubrica, dividida em Política (51% do Expresso e 49,4% da Folha), Mundo (14,3% do Expresso e 7,3% da Folha), Seção Opinião (32,7% do Expresso e 35,4% da Folha) e Outras rubricas (2% do Expresso e 7,9% da Folha)