Propomos, neste artigo, a análise do desenho da Rede Cegonha e da resposta à epidemia do vírus Zika, desde a perspectiva das políticas de saúde para as mulheres no Brasil. Construímos essa análise à luz de uma tríade de fatores que influenciam o desenho das políticas públicas: a mobilização de narrativas transnacionais; a interseccionalidade dos determinantes sociais de saúde e a mobilização da sociedade civil, em particular os movimentos de mulheres e feministas. Por meio de pesquisa em documentos produzidos por autoridades de saúde pública e de entrevistas com mulheres ativistas em saúde, reconstruímos a trajetória das políticas de saúde para as mulheres e discutimos que a dimensão transnacional presente nessas ações e programas ainda é pouco considerada pela literatura quando analisamos o ciclo dessas políticas, sobretudo no que tange às narrativas apresentadas por governos e sociedade civil.
Palavras-chave:
Transnacionalismo; interseccionalidade; direitos reprodutivos; movimentos de mulheres; políticas de saúde
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#PraTodoMundoVer Gráfico com seis linhas referentes às curvas de número de mortes maternas por raça/cor entre 1996 e 2018. As linhas têm as cores azul escuro (para mulheres brancas), laranja (para mulheres pretas), amarela (para mulheres pardas), azul claro (para mulheres indígenas) e verde (para mortes com raça/cor ignorada. Ao longo dos anos, na direção da esquerda para a direita as linhas azul escuro e amarelo avançam em paralelo e as demais curvas se sobrepõem na base do eixo y, perto de zero. A linha verde, ao contrário das outras, tem comportamento de queda