Síndrome do burnout entre jovens nadadores: frequências de sentimentos independentes do gênero e da categoria de competição

Burnout among young swimmers: frequencies feelings independent of gender and category of competition

Marlene Salvina Fernandes da Costa Saulo Fernandes Melo de Oliveira Breno Quintella Farah Fernando José de Sá Pereira Guimarães Marcos André Moura dos Santos Sobre os autores

Resumos

Para verificar a prevalência da síndrome do Burnout em nadadores e comparar as possíveis diferenças nas dimensões do burnout, entre gêneros e categorias de competição, 102 atletas de natação (65 masculinos e 37 femininos; 14 a 19 anos), foram divididos conforme suas respectivas categorias. Os sentimentos do Burnout foram analisados pelo Athlete Burnout Questionnaire. O teste Qui-quadrado foi utilizado para comparar a proporção de atletas expostos ao Burnout Total, exaustão física e emocional (EFE), reduzido senso de realização esportiva (RSRE) e desvalorização da modalidade esportiva (DME), em relação ao gênero e categoria de competição. A análise demonstrou uma exposição de 24.5% ao Burnout total, 35.3 % à EFE, 64.7% ao RSRE e 22.5 % à DME. Não houve diferenças entre gênero e as categorias de competição (p > 0.05). A amostra avaliada demonstrou estar exposta às dimensões de sentimentos do burnout; todavia, estes eventos parecem ocorrer independente do gênero e das categorias de competição.

Natação; Atletas; Treinamento físico


To verify the prevalence of burnout syndrome in swimmers and compare the differences in dimensions of burnout among gender and categories of competition, 102 competitive swimmers (65 males and 37 females, 14-19 years), was divided according to their respective competition categories. Feelings related to burnout were analyzed by the Athlete Burnout Questionnaire - ABQ. The chi-square test was used to compare the proportion of athletes exposed to Burnout Total, physical and emotional exhaustion (EFE), reduced sense of accomplishment sports (RSRE) and devaluation of sport (DME) in relation gender and category of competition, with P≤0.05. The analysis showed an exposure of 24.5 % burnout total EFE 35.3 %, 64.7 % and 22.5 % RSRE to the DME. No differences were found between gender and competition categories (p > 0.05). The swimmers evaluated showed exposure to dimensions of feelings of burnout, however, these events seem to occur regardless of gender and categories of competition.

Swimming; Athletes; Sports


INTRODUÇÃO

O processo competitivo nas diferentes modalidades esportivas é caracterizado por fatores que demandam dos atletas elevados níveis de estresse físico e emocional. Assim, o treinamento e o envolvimento intensivo em esportes, muitas vezes são apontados como um fator ambiental, em que, as demandas específicas de determinadas modalidades esportivas são sobrepostas às associações entre fatores psicológicos e o desempenho esportivo (OMMUNDSEN et al., 2005OMMUNDSEN, Y.; ROBERTS, G. C.; LEMYRE, P. N.; MILLER, B. W. Peer relationships in adolescent competitive soccer: associations to perceived motivational climate, achievement goals and perfectionism. Journal of Sports Science, London, Reino Unido, v. 23, n. 9, p. 977-89, 2005.). Notadamente, quanto maior o nível de competição, mais semelhantes se tornam os atletas em termos de capacidade e nível de treinamento, e perante capacidades que se tornam bastante semelhantes, os fatores psicológicos assumem grande importância no resultado final de uma competição (KIMBROUGH; DEBOLT; BALKIN, 2007KIMBROUGH, S.; DEBOLT, L.; BALKIN, R. Use of the athletic coping skills inventory for prediction of performance in collegiate baseball. The Sport Journal, Alabama, v. 10, n. 1, p. 1-18, 2007.).

Sendo assim, os fatores físicos, técnicos, táticos e psicológicos, observados de forma isolada ou conjuntamente, são componentes determinantes e intervenientes para um bom desempenho esportivo (KISS et al., 2004KISS, M.; BOHME, M. T.; MANSOLO, A. C.; DEGAKI, E.; REGAZZINI, M. Desempenho e talento esportivos. Revista paulista de educação física, São Paulo, v. 18, n. esp., p. 89-100, 2004.). Tal fato, talvez, seja a explicação para um alto índice de desistência (dropout) e esgotamento (burnout) em algumas modalidades esportivas (KISS et al., 2004KISS, M.; BOHME, M. T.; MANSOLO, A. C.; DEGAKI, E.; REGAZZINI, M. Desempenho e talento esportivos. Revista paulista de educação física, São Paulo, v. 18, n. esp., p. 89-100, 2004.). Neste cenário, a síndrome de burnout entendida no âmbito esportivo como um conjunto de sintomas que e está fundamentada nas três dimensões: "exaustão física e emocional", "desvalorização esportiva" e "baixo senso de realização esportiva" tem sido identificada em algumas modalidades esportivas (CRESSWELL; EKLUND, 2005CRESSWELL, S. L.; EKLUND, R. C. Motivation and burnout among top amateur rugby players. Medicine and Science in Sports and Exerccise, Indianápolis, v. 37, n. 3, p. 469-477, Mar. 2005.; DIAS; TEIXEIRA, 2007DIAS, M. H.; TEIXEIRA, M. A. P. Estudo exploratório sobre o abandono do esporte em jovens tenistas. Revista Brasileira de Psicologia do Esporte, Butantã, v. 1, n. 1, p. 1-18, 2007.; GUSTAFSSON et al., 2008GUSTAFSSON, H.; HASSMÉN, P.; KENTTÄ, G.; JOHANSSON, M. A qualitative analysis of burnout in elite Swedish athletes. Psychology of Sport and Exercise, Vittel, v. 9, n. 6, p. 800-816, 2008.; RAEDEKE; SMITH, 2001RAEDEKE, T. D.; SMITH, A. L. Development and preliminary validation of an athlete burnout measure. Journal of Sport & Exercise Psychology, Leeds, v. 23, n. 4, p. 281-306, 2001.).

Cresswell e Eklund (2005)CRESSWELL, S. L.; EKLUND, R. C. Motivation and burnout among top amateur rugby players. Medicine and Science in Sports and Exerccise, Indianápolis, v. 37, n. 3, p. 469-477, Mar. 2005., encontraram associações negativas entre as percepções de apoio social e o burnout, de modo que quem recebia mais apoio de seus companheiros de esporte apresentava menor burnout (CRESSWELL; EKLUND, 2005CRESSWELL, S. L.; EKLUND, R. C. Motivation and burnout among top amateur rugby players. Medicine and Science in Sports and Exerccise, Indianápolis, v. 37, n. 3, p. 469-477, Mar. 2005.).

Outro estudo com jovens tenistas brasileiros (14,40 ± 2,01 anos) encontrou correlações significativas e negativas entre a variável denominada pensamentos de abandono e o número de horas semanais de treino (DIAS; TEIXEIRA, 2007DIAS, M. H.; TEIXEIRA, M. A. P. Estudo exploratório sobre o abandono do esporte em jovens tenistas. Revista Brasileira de Psicologia do Esporte, Butantã, v. 1, n. 1, p. 1-18, 2007.).

Para Chiminazzo e Montagner (2009)CHIMINAZZO, J. G. C.; MONTAGNER, P. C. Síndrome de burnout e esporte: a visão dos técnicos de tênis de campo. Revista da Educação Física/UEM, Maringá, v. 20, n. 2, p. 217-223, 2009., as implicações da síndrome no treinamento esportivo, apontam que a queda de rendimento pode ser um sintoma de burnout. Pires et al. (2012)PIRES, D.; A.; SANTIAGO, M.; SAMULSKI, D.; COSTA, V. A Síndrome de Burnout no esporte brasileiro. Revista da Educação Física / UEM, Maringá, v. 23, n. 1, p. 131-139, 2012., destaca que os atletas de modalidades individuais especialmente, tênis, natação e ginástica artística apresentam maior possibilidade de incidência do burnout em relação aos seus pares competidores de modalidades coletivas.

Todavia, embora amplamente discutidos e em menor extensão, sistematicamente investigados, o papel exato das relações entre o envolvimento em modalidades esportivas e as manifestações do burnout, ainda não estão totalmente esclarecidas (GOODGER et al., 2007GOODGER, K.; GORELY, T.; LAVALLEE, D.; HARWOOD, C. Burnout in sport: A systematic review. The Sport Psychologist, Leeds, v. 21, n. 2, p. 127-151, 2007.).

Recentemente, Pires et al. (2012)PIRES, D.; A.; SANTIAGO, M.; SAMULSKI, D.; COSTA, V. A Síndrome de Burnout no esporte brasileiro. Revista da Educação Física / UEM, Maringá, v. 23, n. 1, p. 131-139, 2012., em um estudo de revisão sistemática, descreve que a literatura nacional ainda apresenta escassez de estudos comparativos que investiguem possíveis diferenças relacionadas ao tipo de esporte (atletas de esportes coletivos vs individuais), ao gênero (atletas homens vs mulheres) e ao nível de excelência esportiva (atletas experts vs iniciantes).

Neste contexto, este estudo tem como objetivos: a) verificar a prevalência da síndrome do Burnout em jovens atletas de natação e, b) comparar as possíveis diferenças nas dimensões de sentimentos do burnout entre os gêneros e as categorias de competição.

MATERIAIS E MÉTODOS

Amostra

Foram avaliados 102 atletas de natação (65 masculinos e 37 femininos) na faixa etária entre 14 e 19 anos, vinculados a Federação Aquática Pernambucana (FAP) e a Federação Aquática Mineira (FAM), divididos conforme suas respectivas categorias (infantil: 13 a 14 anos; Juvenil: 15 a 16 anos; Junior: 17 a 19 anos). Foram estabelecidos como critérios de inclusão dos participantes na pesquisa: estar vinculado às federações de natação; apresentar interesse na participação do estudo e estar envolvido em treinamento regular a mais de dois anos. Nenhum dos voluntários submetidos às avaliações foi excluído do estudo.

Um consentimento por escrito, assinado pelo responsável previamente ao início das coletas e a própria aceitação dos atletas foram requisitos para participação na pesquisa. Todos os procedimentos foram aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade de Pernambuco (UPE) e seguiu as normas estabelecidas pela Comissão Nacional de Ética e Pesquisa (CONEP). Resolução No. 196/96 (BRASIL, 2014BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. Comissão Nacional de Ética e Pesquisa. Resolução N. 196/96. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/bioetica/res19696.htm>. Acesso em: 22 out. 2014.
http://www.ufrgs.br/bioetica/res19696.ht...
), sobre pesquisa envolvendo seres humanos CEP/UPE: 048/09.

INSTRUMENTO E PROCEDIMENTOS

Para avaliação dos sentimentos relativos ao Burnout foi utilizado o Athlete Burnout Questionnaire - ABQ (RAEDEKE; SMITH, 2001RAEDEKE, T. D.; SMITH, A. L. Development and preliminary validation of an athlete burnout measure. Journal of Sport & Exercise Psychology, Leeds, v. 23, n. 4, p. 281-306, 2001.). Este questionário foi previamente validado por Pires, Brandão e Silva (2006)PIRES, D. A.; BRANDÃO, M. R. F.; SILVA, C. B. D. Validação do questionário de burnout para atletas. Revista da Educação Física/UEM, Maringá, v. 17, n. 1, p. 27-36, 2006. em atletas brasileiros de diferentes modalidades esportivas e demonstrou validade de construto e consistência interna aceitável, obtida no teste-reteste (r: 0,85 e 0,91), originando o Questionário de Burnout para Atletas (QBA) (PIRES; BRANDÃO; SILVA, 2006PIRES, D. A.; BRANDÃO, M. R. F.; SILVA, C. B. D. Validação do questionário de burnout para atletas. Revista da Educação Física/UEM, Maringá, v. 17, n. 1, p. 27-36, 2006.). Os resultados confirmaram tanto a validade de construto (o instrumento representa com exatidão o conceito de interesse) quanto à confiabilidade (o instrumento mede efetivamente o que se propõe a medir) do QBA. Todos os itens propostos pelo instrumento original, de acordo com as subescalas foram mantidos.

O questionário (QBA) é composto por 15 itens divididos em três subescalas de afirmações (PIRES; BRANDÃO; SILVA, 2006PIRES, D. A.; BRANDÃO, M. R. F.; SILVA, C. B. D. Validação do questionário de burnout para atletas. Revista da Educação Física/UEM, Maringá, v. 17, n. 1, p. 27-36, 2006.; RAEDEKE; SMITH, 2001RAEDEKE, T. D.; SMITH, A. L. Development and preliminary validation of an athlete burnout measure. Journal of Sport & Exercise Psychology, Leeds, v. 23, n. 4, p. 281-306, 2001.), cada subescala refere-se a um construto relacionado à manifestação de burnout em atletas. As dimensões são: EFE; b) RSRE e c) DME (PIRES; BRANDÃO; SILVA, 2006PIRES, D. A.; BRANDÃO, M. R. F.; SILVA, C. B. D. Validação do questionário de burnout para atletas. Revista da Educação Física/UEM, Maringá, v. 17, n. 1, p. 27-36, 2006.; RAEDEKE; SMITH, 2001RAEDEKE, T. D.; SMITH, A. L. Development and preliminary validation of an athlete burnout measure. Journal of Sport & Exercise Psychology, Leeds, v. 23, n. 4, p. 281-306, 2001.). Todas as respostas são representadas em uma escala do tipo Likert com uma variação entre 1 a 5: (1) "Quase nunca"; (2) "Raramente"; (3) "Algumas vezes"; (4) "Frequentemente" e (5) "Quase sempre". Os resultados são atribuídos a cada subescala, obtidos a partir da média aritmética das respostas dadas aos cinco itens correspondentes a cada dimensão de Burnout, e o valor de Burnout total é calculado pela média aritmética de todos os 15 itens do instrumento. A interpretação dos escores ocorre através da utilização da variação de frequência de sentimentos. Isso significa que, caso um atleta obtenha uma média de 2,8 para a dimensão exaustão física e emocional, considera-se que esse indivíduo apresenta sentimentos relacionados a essa subescala com frequência de "raramente" a "algumas vezes" (PIRES; BRANDÃO; SILVA, 2006PIRES, D. A.; BRANDÃO, M. R. F.; SILVA, C. B. D. Validação do questionário de burnout para atletas. Revista da Educação Física/UEM, Maringá, v. 17, n. 1, p. 27-36, 2006.; RAEDEKE; SMITH, 2001RAEDEKE, T. D.; SMITH, A. L. Development and preliminary validation of an athlete burnout measure. Journal of Sport & Exercise Psychology, Leeds, v. 23, n. 4, p. 281-306, 2001.).

A aplicação do instrumento ocorreu entre os meses de Março/2012 na cidade de Belo Horizonte (MG) e Maio/2012 na cidade do Recife (PE). Como procedimento inicial para aplicação do instrumento, foi realizado um levantamento de atletas vinculados às suas respectivas federações para inclusão no estudo. Após os esclarecimentos e orientações prévias, cada indivíduo respondeu ao questionário individualmente.

Análise Estatística

A análise dos dados foi efetuada no programa Statistical Package for the Social Sciences versão 17. Uma analise exploratória dos dados foi realizada para identificar informações incorretas, como também à presença de outliers. Para este estudo foram estabelecidos os limites de < 2.8 (não expostos) e ≥ 2.8 (expostos) a frequência de sentimentos relativos à síndrome do Burnout. As análises abrangeram a utilização de procedimentos de estatística descritiva (média ± desvio-padrão, distribuição de frequência absoluta e relativa) e estatística inferencial. O teste do Qui-quadrado de Pearson foi utilizado para comparar a proporção de atletas expostos ao Burnout Total, EFE, RSRE e DME em relação ao gênero e categoria de competição. Para verificar a consistência interna do QBA foi utilizado o coeficiente alfa de Cronbach (α). Em todas as análises foi adotado como significante valor de p < 0,05.

RESULTADOS

O valor de consistência interna (Alpha de Cronbach) entre as dimensões do questionário utilizado no presente estudo foi de 0.84. Ao considerarmos o limite mínimo aceito como satisfatório ser de 0.70, considera-se satisfatório o coeficiente de Cronbach obtido pelo instrumento, na população estudada. A análise realizada em toda amostra demonstrou que 24.5% dos sujeitos estavam expostos a Síndrome de Burnout total. Nas diferentes subescalas relativas à frequência de sentimentos, foi verificado que 35.3 % encontrava-se exposto a exaustão física e emocional. Surpreendentemente cerca de 64.7% da amostra indicou exposição ao reduzido senso de realização esportiva. Enquanto que 22.5 % indicaram exposição na subescala desvalorização da modalidade esportiva, conforme mostra a Figura 1.

Figura 1.
Prevalência de nadadores expostos ao Burnout Total (A), exaustão física e emocional (B), reduzido senso de realização esportiva (C) e desvalorização da modalidade esportiva (D). Fonte: Dados coletados pelos autores.

As Tabelas 1 e 2 apresentam as analises comparativas entre os atletas expostos ao Burnout Total e suas respectivas subescalas. Não foram identificadas diferenças significativas entre os gêneros, como também entre e as categorias de competição.

Tabela 1.
Comparação das dimensões do Burnout em relação ao gênero no grupo de atletas expostos.
Tabela 2.
Comparação das dimensões do Burnout em relação às categorias de competição no grupo de atletas expostos.

DISCUSSÃO

O presente estudo teve como objetivo inicial verificar a prevalência da síndrome do burnout em jovens atletas de natação e comparar as possíveis diferenças nas dimensões de sentimentos do burnout entre gêneros e as categorias de competição. Os resultados encontrados no presente estudo, demonstraram que tanto para o Burnout total, quanto em suas três dimensões, foram encontrados individuos que relataram alguma exposição.

No entanto, os estudos que analisam a sindrome do burnout no meio esportivo são relativamente recentes, como descreve Goodger, Wolfenden e Lavallee (2007)GOODGER, K.; WOLFENDEN, L.; LAVALLEE, D. Symptoms and consequences associated with three dimensions of burnout in junior tennis players. International Journal of Sport Psychology, Roma, v. 38, n. 4, p. 342-364, 2007. em um estudo de revisão sistemática sobre o tema, o que dificulta e limita, ao menos em parte, as comparações e ilações que possam ser realizadas. Do mesmo modo, em outro estudo de revisão sistemática Pires et al. (2012)PIRES, D.; A.; SANTIAGO, M.; SAMULSKI, D.; COSTA, V. A Síndrome de Burnout no esporte brasileiro. Revista da Educação Física / UEM, Maringá, v. 23, n. 1, p. 131-139, 2012., destaca que existe uma carência de investigações científicas sobre o Burnout no ambiente esportivo brasileiro. Nesse sentido, a comparação e discussão dos dados do presente estudo serão pautadas com base nos resultados em modalidades que frequentemente têm sido estudadas em relação à esta sindrome. Deste modo, os resultados deste estudo estão de acordo com estudos prévios que têm demonstrado a existência de relações e ocorrência desta sindrome em atletas de diferentes modalidades esportivas (CRESSWELL; EKLUND, 2006bCRESSWELL, S. L.; EKLUND, R. C. The convergent and discriminant validity of burnout measures in sport: a multi-trait/multi-method analysis. Journal of Sports Science, London, v. 24, n. 2, p. 209-20, Feb. 2006b.; GUSTAFSSON et al., 2008GUSTAFSSON, H.; HASSMÉN, P.; KENTTÄ, G.; JOHANSSON, M. A qualitative analysis of burnout in elite Swedish athletes. Psychology of Sport and Exercise, Vittel, v. 9, n. 6, p. 800-816, 2008.).

Em um estudo qualitativo sobre burnout em atletas suecos de elite (n=628; 22 a 26 anos de idade), pertencentes a 58 modalidades esportivas coletivas e individuais, demonstrou que a maioria dos participantes apresentou níveis baixos a moderados da síndrome de Burnout, apontando para a natureza multifatorial do burnout no esporte (GUSTAFSSON et al., 2008GUSTAFSSON, H.; HASSMÉN, P.; KENTTÄ, G.; JOHANSSON, M. A qualitative analysis of burnout in elite Swedish athletes. Psychology of Sport and Exercise, Vittel, v. 9, n. 6, p. 800-816, 2008.). Outro estudo realizado por Cresswell e Eklund (2006a)CRESSWELL, S. L.; EKLUND, R. C. Changes in athlete burnout over a thirty-week "rugby year". Journal of Science and Medicine in Sport, Albert Park, v. 9, n. 1, p. 125-134, 2006a. comparou os escores de burnout ao longo de uma temporada competitiva de 30 semanas, buscando analisar as possíveis variações no burnout e suas dimensões. O estudo analisou três momentos, período pré-competição, durante a competição e pós-competição. Os sentimentos de baixo senso de realização esportiva aumentaram da fase pré-competitiva para a competitiva. Mudanças na exaustão física e emocional ao longo da temporada foram associadas com as posições dos jogadores, sendo que algumas posições sofrem mais em relação a essa dimensão (CRESSWELL; EKLUND, 2006aCRESSWELL, S. L.; EKLUND, R. C. Changes in athlete burnout over a thirty-week "rugby year". Journal of Science and Medicine in Sport, Albert Park, v. 9, n. 1, p. 125-134, 2006a.). De maneira semelhante, Dias e Teixeira (2007)DIAS, M. H.; TEIXEIRA, M. A. P. Estudo exploratório sobre o abandono do esporte em jovens tenistas. Revista Brasileira de Psicologia do Esporte, Butantã, v. 1, n. 1, p. 1-18, 2007. em um estudo realizado com jovens tenistas brasileiros (14,40 ± 2,01 anos) encontrou correlações significativas e negativas entre a variável denominada pensamentos de abandono e o número de horas semanais de treino (DIAS; TEIXEIRA, 2007DIAS, M. H.; TEIXEIRA, M. A. P. Estudo exploratório sobre o abandono do esporte em jovens tenistas. Revista Brasileira de Psicologia do Esporte, Butantã, v. 1, n. 1, p. 1-18, 2007.).

De fato, os diferentes resultados encontrados no presente estudo, demonstrados com base na variação percentual entre o Burnout e suas subescalas apontam para o fato de que as sua dimensões podem ser expressas, ou mesmo sentidas, em diferentes periodos, independentes da modalidade estudada, caracterizando assim sua natureza mutifatorial. Neste sentido, relações inversas da síndrome de burnoutestão apoiadas na ideia de que pessoas que percebem as situações estressantes de forma mais positiva e apresentam recursos de enfrentamento cognitivos e comportamentais, lidam melhor com os fatores que poderiam gerar um estresse crônico e, consequentemente, demonstram uma menor propensão em desenvolver o burnout (LAZARUS; FOLKMAN, 1984LAZARUS, R. S.; FOLKMAN, S. Stress, appraisal, and coping. New York: Springer Publishing Company, 1984.; MARQUES et al., 2010MARQUES, R. D. S.; CIPRIANI, M.; MELO, G. F. D.; GIAVONI, A. Os níveis de estresse pré-competitivo de atletas classificados segundo a tipologia dos esquemas de gênero; The athlete's pre-competitive stress level classified into gender schemas typological groups. Motriz: Revista da Educação Física, Rio Claro, v. 16, n. 1, p. 59-68, 2010.; VIEIRA et al., 2013VIEIRA, L. F.; CARRUZO, N. M.; AIZAVA, P. V. S.; RIGONI, P. A. G. Análise da síndrome de "burnout" e das estratégias de "coping" em atletas brasileiros de vôlei de praia. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, São Paulo, v. 27, n. 2, p. 269-276, 2013.).

Ao considerarmos o contexto esportivo, as frequências de sentimentos relacionadas as manifestações da sindrome do Burnout fazem referência a "exaustão física e emocional" que está associada aos treinamentos intensos e às competições. O atleta passa a sentir-se cansado e exausto com frequência. Em relação à "desvalorização esportiva", o atleta passa a sentir aversão pelo treinamento e competições, tendo atitudes negativas em relação ao esporte e desvalorizando-o em comparação a outras atividades de sua vida. Já a dimensão "reduzido senso de realização esportiva" está relacionada ao desempenho das habilidades, sendo que o atleta pode se frustrar por não atingir suas metas pessoais ou seu rendimento estar abaixo de suas expectativas (GOODGER; WOLFENDEN; LAVALLEE, 2007GOODGER, K.; WOLFENDEN, L.; LAVALLEE, D. Symptoms and consequences associated with three dimensions of burnout in junior tennis players. International Journal of Sport Psychology, Roma, v. 38, n. 4, p. 342-364, 2007.; GUSTAFSSON et al., 2008GUSTAFSSON, H.; HASSMÉN, P.; KENTTÄ, G.; JOHANSSON, M. A qualitative analysis of burnout in elite Swedish athletes. Psychology of Sport and Exercise, Vittel, v. 9, n. 6, p. 800-816, 2008.).

Este fato parece explicar a variação na distribuição de frequências verificada no presente estudo, indicando que o Burnout total em atletas pode não apresentar uma prevalência elevada, uma vez que seu escore é estabelecido pela média aritmética de todas as frequências de sentimentos, e deste modo ocultar a presença desta síndrome. Esta hipótese é reforçada pela variação observada em suas três dimensões quando analisadas isoladamente, no entanto, as frequências de sentimentos podem ser um indicativo de ocorrência da própria síndrome. No presente estudo o reduzido senso de realização esportiva foi o sentimento de maior prevalência. Este fato aponta para uma preocupação relacionada ao abandono da prática esportiva. Neste sentido, Carmo et al. (2010)CARMO, J. V. D. M.; MATOS, F. D. O.; RIBAS, P. R.; MIRANDA, R.; BARA FILHO, M. Motivos de início e abandono da prática esportiva em atletas brasileiros. HU Revista, Juiz de Fora, v. 35, n. 4, p. 257-264, 2010. analisaram os motivos do início e do abandono da prática esportiva, demosntrando que fatores como não conseguir alcançar os resultados desejados ou não concretizar os sonhos como atleta remetem ao reduzido senso de realização esportiva, uma das dimensões do Burnout. Neste cenário, a natação por ser um esporte que se desenvolve em um ambiente diferenciado (meio aquático), sendo a sua prática propícia para o desenvolvimento de um sentimento de solidão e monotonia, tal fato, talvez possa explicar o alto índice de desistência (dropout) e esgotamento (burnout) nessa modalidade (COAKLEY, 1992COAKLEY, J. Burnout among adolescent athletes: a personal failure or social problem? Sociology of sport journal, Toronto v. 9, n. 3, p. 271-285, 1992.; NOCE; DE MOURA SIMIM, 2009NOCE, F.; DE MOURA SIMIM, M. A. Análise dos factores estressantes que interferem no rendimiento do atleta de nataçao no período pré-competitivo. Revista Iberoamericana de Psicología del Ejercicio y el Deporte, Canarias, v. 4, n. 1, p. 45-58, 2009.).

Portanto, verifica-se que dentro destas dimensões, os precursores que determinam a síndrome de burnout podem ser questões físicas e outros fatores estressores como desordens sociais, educacionais, ocupacionais e econômicas, os quais podem influenciar no desempenho esportivo de atletas (LAI; WIGGINS, 2003LAI, C.; WIGGINS, M. Burnout perceptions over time in NCAA division I soccer players. International Sports Journal, Newlands, v. 7, n. 2, p. 120-127, 2003.). Lai e Wiggins (2003)LAI, C.; WIGGINS, M. Burnout perceptions over time in NCAA division I soccer players. International Sports Journal, Newlands, v. 7, n. 2, p. 120-127, 2003., destacam que a síndrome do burnout é multideterminada, ou seja, ela não é desencadeada por apenas um fator, especificamente em relação ao esporte ela, seria o resultado de uma interação recíproca do atleta com diversos os fatores (CHIMINAZZO; MONTAGNER, 2009CHIMINAZZO, J. G. C.; MONTAGNER, P. C. Síndrome de burnout e esporte: a visão dos técnicos de tênis de campo. Revista da Educação Física/UEM, Maringá, v. 20, n. 2, p. 217-223, 2009.). No presente estudo, este fato foi claramente observado, tendo por base as diferenças em termos percentuais entre os sujeitos expostos em cada subescala do Burnout.

Por outro lado, nas análises comparativas entre os gêneros e as categorias de competição, não foram verificadas difeferenças significativas. Assim, parece não existir uma influência entre a ocorrência do Burnout, o genêro e a idade (uma vez que as categorias são definidas pela idade). Estes resultados se constituíram como surpreendentes, e não há explicações concretas acerca das mesmas, visto a especificidade da amostra e modalidade em estudo. Além disso, as pesquisas ainda não são suficientes para a obtenção de dados e análises detalhadas sobre a manifestação da síndrome do Burnout a partir de algumas variáveis demográficas, psicológicas e situacionais referentes ao esporte, como: idade, modalidade (individual ou coletiva), carga de treinamento, tipo de personalidade e percepção de estresse (PIRES et al., 2012PIRES, D.; A.; SANTIAGO, M.; SAMULSKI, D.; COSTA, V. A Síndrome de Burnout no esporte brasileiro. Revista da Educação Física / UEM, Maringá, v. 23, n. 1, p. 131-139, 2012.). Contudo, um outro aspecto, que consideramos como relevante para este estudo, faz referência ao fato de ainda não ter sido investigada a relação do Burnout entre as fases do desenvolvimento maturacional, aspecto que deve ser considerado nestas comparações (MALINA, 2010MALINA, R. M. Early sport specialization: roots, effectiveness, risks. Current Sports Medicine Reports, Indianápolis, v. 9, n. 6, p. 364-371, Nov./Dec. 2010.), uma vez que as categorias são determinadas pela idade e não pelo estágio de maturidade, o que de alguma forma pode anular a influência da idade e do gênero nestas relações.

Por outro lado, de maneira contraditória, alguns estudos têm descrito que as mulheres apresentam maiores sintomas de estresse (COSTA et al., 2007COSTA, M.; ACCIOLY JÚNIOR, H.; OLIVEIRA, J.; MAIA, E. Estresse: diagnóstico dos policiais militares em uma cidade brasileira. Revista Panamericana de Salud Pública, Washington, v. 21, n. 4, p. 217-222, 2007.; GOMES et al., 2010GOMES, A. R.; MONTENEGRO, N.; PEIXOTO, A. M. B. D. C.; PEIXOTO, A. R. B. D. C. Stress ocupacional no ensino: um estudo com professores dos 3º ciclo e ensino secundário. Psicologia & Sociedade, Florianópolis, v. 22, n. 3, p. 587-597, 2010.). Keller et al. (2005)KELLER, B.; OKASAKI, F. H. A.; DE LIMA, R. F.; COELHO, R. W. Relação dos sintomas de estresse eo tempo de prática no voleibol feminino. Journal of Exercise and Sport Sciences, Curitiba, v. 1, n. 1, p. 6-7, 2005., estudando a relação dos sintomas com o tempo de prática esportiva em atletas de voleibol feminino, detectaram que o tempo de prática teve uma relação direta com a performance, ou seja, quanto mais experientes, menor nível de estresse apresentava a atleta. Em outro estudo com 93 atletas do circuito brasileiro de vôlei de praia,foi verificado que esta também possa ser a explicação de não terem sido encontradas diferenças significativas entre as dimensões do burnout em função das categorias e do tempo de prática esportiva (VIEIRA et al., 2013VIEIRA, L. F.; CARRUZO, N. M.; AIZAVA, P. V. S.; RIGONI, P. A. G. Análise da síndrome de "burnout" e das estratégias de "coping" em atletas brasileiros de vôlei de praia. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, São Paulo, v. 27, n. 2, p. 269-276, 2013.). Para Marques et al. (2010)MARQUES, R. D. S.; CIPRIANI, M.; MELO, G. F. D.; GIAVONI, A. Os níveis de estresse pré-competitivo de atletas classificados segundo a tipologia dos esquemas de gênero; The athlete's pre-competitive stress level classified into gender schemas typological groups. Motriz: Revista da Educação Física, Rio Claro, v. 16, n. 1, p. 59-68, 2010., as diferenças nas percepções das situações estressantes podem estar vinculadas muito mais a diferenças no perfil psicológico das pessoas, como características de personalidade (HILL et al., 2010HILL, A. P.; HALL, H. K.; APPLETON, P. R.; MURRAY, J. J. Perfectionism and burnout in canoe polo and kayak slalom athletes: The mediating influence of validation and growth-seeking. The Sport Psychologist, Leeds, v. 24, n. 1, p. 16-34, 2010.) e de motivação (LONSDALE; HODGE; ROSE, 2009LONSDALE, C.; HODGE, K.; ROSE, E. Athlete burnout in elite sport: a self-determination perspective. Journal of Sports Sciences, London, v. 27, n. 8, p. 785-795, 2009.), do que simplesmente ao gênero. Finalmente, muitos fatores estão envolvidos no burnout, mas três são primários: avaliação negativa do desempenho, críticas ao invés de apoio, feedback inconsistente de treinadores e dirigentes, além do overtraining (MALINA, 2010MALINA, R. M. Early sport specialization: roots, effectiveness, risks. Current Sports Medicine Reports, Indianápolis, v. 9, n. 6, p. 364-371, Nov./Dec. 2010.).

CONCLUSÃO

Os resultados obtidos neste estudo demonstraram a exposição de atletas de natação à Sindrome do burnout e as suas diferentes dimensões de sentimentos; todavia, estes eventos parecem ocorrer independente do gênero e das categorias de competição. Estes achados podem servir como um parâmetro, mas não devem ser generalizados para outras populações devido às especificidades do grupo estudado. Pelo fato da Sindrome do Burnout ser sensível ao treinamento fisico, estudos que considerem o acompanhamento de atletas de natação por diferentes temporadas devem ser realizados, além de serem propostas investigações adicionais que possam verificar aspectos correlacionais entre a síndrome e o desempenho esportivo em diversas categorias (ou seja: de acordo com o tipo de prova na natação; e nadadores de águas abertas).

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Apr-Jun 2014

Histórico

  • Recebido
    16 Mar 2013
  • Revisado
    02 Abr 2014
  • Aceito
    03 Maio 2014
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