Suporte parental percebido, motivação autodeterminada e habilidades de enfrentamento: validação de um modelo de equações estruturais

Perceived parental support, self-determined motivation and coping: validation of a structural equation model

Resumos

Este estudo tem como objetivo investigar as relações de predição entre o Suporte Parental (SP) e as estratégias de enfrentamento (ICE), mediadas pela motivação autodeterminada. Participaram do estudo 126 atletas de futebol de campo com idades entre 13 e 20 anos, de um clube de futebol de campo do Paraná. Os instrumentos utilizados foram: Escala de motivação para o esporte, Inventário de habilidades atléticas de coping, Escala de suporte parental. Para análise estatística, utilizou-se o Modelo de Equações Estruturais. Os resultados evidenciaram bom ajuste do modelo proposto e trajetórias significativas entre todas as variáveis. O SP influenciou forte e positivamente a motivação intrínseca (MI) e média e negativamente a motivação extrínseca (ME). O ICE foi predito positivamente pela MI e negativamente pela ME. Conclui-se que a motivação autodeterminada é determinante para o suporte parental predizer as capacidades psicológicas de enfrentamento no contexto do futebol de campo.

Motivation; Parent-Child Relationship; Athletes; Soccer


The objective of this study was to investigate the relationship between Parental Support (SP) and coping strategies (ICE), mediated by self-determined motivation. A total of 126 soccer athletes took part in study, aged between 13 and 20 years, belonging to a soccer team from Paraná State, Brazil. Data collection instruments were: Sport motivation scale, Athletic Coping Skills Inventory and Parental Support Scale. Statistical analysis was performed through Structural Equation Modeling. Results evidenced a good fit to the proposed model and significant paths between all variables. SP had a strong and positive influence on intrinsic motivation (MI), and medium and negative influence on extrinsic motivation (ME). ICE was predicted positively by MI and negatively by ME. It was concluded that self-determined motivation is crucial for the predictive role of parental support over psychological coping skills in the context of soccer.

Motivation; Parent-Child Relationship; Athletes; Soccer


ARTIGOS ORIGINAIS

Suporte parental percebido, motivação autodeterminada e habilidades de enfrentamento: validação de um modelo de equações estruturais

Perceived parental support, self-determined motivation and coping: validation of a structural equation model

João Ricardo Nickenig VissociI; José Roberto Andrade do Nascimento JuniorII; Leonardo Pestillo de OliveiraIII; José Luiz Lopes VieiraIV; Lenamar Fiorese VieiraIV

IProfessor da Faculdade Ingá. Doutorando no Programa Estudos Pós-Graduados em Psicologia Social da PUC-SP, São Paulo-SP, Brasil

IIDoutorando do Programa de Pós-Graduação em Educação Física Associado UEM/UEL. Maringá-PR, Brasil

IIIProfessor da CESUMAR. Doutorando do Programa em Psicologia Social da PUC-SP, São Paulo-SP, Brasil

IVDoutor. Programa de Pós-Graduação Associado em Educação Física UEM/UEL, Maringá-PR, Brasil

Endereço para correspondência

ABSTRACT

The objective of this study was to investigate the relationship between Parental Support (SP) and coping strategies (ICE), mediated by self-determined motivation. A total of 126 soccer athletes took part in study, aged between 13 and 20 years, belonging to a soccer team from Paraná State, Brazil. Data collection instruments were: Sport motivation scale, Athletic Coping Skills Inventory and Parental Support Scale. Statistical analysis was performed through Structural Equation Modeling. Results evidenced a good fit to the proposed model and significant paths between all variables. SP had a strong and positive influence on intrinsic motivation (MI), and medium and negative influence on extrinsic motivation (ME). ICE was predicted positively by MI and negatively by ME. It was concluded that self-determined motivation is crucial for the predictive role of parental support over psychological coping skills in the context of soccer.

Keywords: Motivation. Parent-Child Relationship. Athletes. Soccer.

RESUMO

Este estudo tem como objetivo investigar as relações de predição entre o Suporte Parental (SP) e as estratégias de enfrentamento (ICE), mediadas pela motivação autodeterminada. Participaram do estudo 126 atletas de futebol de campo com idades entre 13 e 20 anos, de um clube de futebol de campo do Paraná. Os instrumentos utilizados foram: Escala de motivação para o esporte, Inventário de habilidades atléticas de coping, Escala de suporte parental. Para análise estatística, utilizou-se o Modelo de Equações Estruturais. Os resultados evidenciaram bom ajuste do modelo proposto e trajetórias significativas entre todas as variáveis. O SP influenciou forte e positivamente a motivação intrínseca (MI) e média e negativamente a motivação extrínseca (ME). O ICE foi predito positivamente pela MI e negativamente pela ME. Conclui-se que a motivação autodeterminada é determinante para o suporte parental predizer as capacidades psicológicas de enfrentamento no contexto do futebol de campo.

Palavras-chave: Motivação. Relações pais-filho. Atletas. Futebol.

INTRODUÇÃO

O futebol é o esporte mais tradicional e popular do Brasil. Um indicador é que quase toda escola brasileira tem um campo de futebol ou uma quadra esportiva, além de ser fortemente notado na área econômica (DANTAS; BOENTE, 2010), já que somente nos últimos seis anos o Brasil exportou para o exterior 6.648 jogadores. Outro fator é o caso de um atleta extremamente talentoso, como Neymar, adquirir o valor monetário de mais de 100 milhões de reais com apenas 20 anos de idade (SOARES et al., 2011). Portanto, a busca de características que expliquem ou ajudem a compreender o processo de desenvolvimento de talentos no esporte, principalmente no futebol, tem sido um ponto de interesse no campo científico.

Uma das estratégias utilizadas para compreender e aperfeiçoar a formação esportiva é estudar os atributos pessoais dos atletas relacionados ao contexto do esporte e que podem influenciar na capacidade do atleta de lidar com o ambiente esportivo. Apesar de existirem pesquisas relacionando as variáveis suporte parental, motivação e habilidades de enfrentamento, há uma lacuna na área de investigação sobre a influência da percepção do apoio parental sobre a capacidade do atleta de lidar com o esporte, sendo mediada pela motivação autodeterminada, visto que não foram encontrados estudos que analisaram modelos explicativos com essas variáveis. Assim, o presente estudo pretende explorar tal lacuna, contribuindo, assim, para avanços científicos a respeito dos atributos pessoais dos atletas que podem influenciar a carreira de atletas de futebol.

Esta pesquisa está baseada na Teoria da Autodeterminação, que define a motivação do comportamento humano como sendo regulada por três necessidades psicológicas básicas interdependentes: a autonomia, a competência e o relacionamento. Especificamente, a competência refere-se à capacidade do indivíduo para interagir eficientemente com o ambiente durante a execução de tarefas desafiadoras; a autonomia diz respeito ao nível de independência e de controle de escolha percebido por um indivíduo; e o relacionamento refere-se à extensão em que o sujeito percebe o seu sentido de conectividade com os outros a partir do mesmo ambiente (EDMUNDS; NTOUMANIS; DUDA, 2007; MILNE et al., 2008; DECI; RYAN, 2012). Nesse sentido, o comportamento é regulado pela satisfação dessas necessidades e facilita ou debilita a motivação, resultando em dois comportamentos de regulação: um comportamento percebido como independente e pertencente ao indivíduo, com ações já iniciadas e reguladas por si mesmas (motivação intrínseca) e um comportamento intensamente regulado por mecanismos externos, tais como o controle dos pais ou recompensas financeiras (motivação extrínseca) (RYAN; DECI, 2000; FERNANDES; VASCONCELOS-RAPOSO, 2005).

Diretamente sobre a relação hipotética entre as variáveis ​​(o suporte parental, a autodeterminação e as habilidades de enfrentamento) que compõem o modelo proposto para o estudo, a literatura aponta que a autodeterminação tem sido explicada pela qualidade da relação pai-filho e mãe-filho (ULRICH-FRENCH; SMITH, 2009), assim como as ações dos pais estão envolvidas com a motivação intrínseca e o desenvolvimento da percepção de competência (BABKES; WEISS, 1999; GOULD et al., 2008). Quanto à relação com as habilidades de enfrentamento, a motivação autodeterminada (motivação intrínseca) desenvolve habilidades orientadas para a tarefa, enquanto a motivação não autodeterminada (motivação extrínseca) inibe essas habilidades (AMIOT; GAUDREAU; BLANCHARD, 2004; GAUDREAU; ANTL, 2008), além do que a autodeterminação tem sido associada com habilidades atléticas positivas (orientação para a tarefa) (KNEE; ZUCKERMAN, 1998; SKINNER; EDGE, 2002; KNEE et al., 2002).

Diante disso, o presente estudo teve como objetivo validar um modelo explicativo para testar o papel mediador da motivação autodeterminada na relação entre as habilidades de enfrentamento e a percepção de suporte parental, bem como verificar se as variáveis ​​motivacionais predispõem atletas a lidar melhor com o esporte. O estudo partiu da hipótese de que o apoio percebido dos pais deve prever positivamente a motivação autodeterminada no esporte (motivação intrínseca), enquanto estilos de apoio parental de rejeição e a superproteção poderiam prever orientações extrínsecas para o esporte. Além disso, a motivação autodeterminada (motivação intrínseca) para o esporte deve prever positivamente os níveis de confronto no esporte (habilidades de enfrentamento), enquanto a motivação não autodeterminada (motivação extrínseca) deve prever níveis mais baixos de confronto no esporte.

MÉTODOS

Sujeitos

Participaram do estudo 126 atletas de uma equipe da primeira divisão do Campeonato Brasileiro de futebol, com idades variando de 13 a 20 anos. Como critério de seleção da amostra, optou-se por utilizar um critério demográfico e por nível de desenvolvimento atlético. Esse critério foi adotado, devido à estrutura de formação de atletas de futebol de campo do clube pesquisado. Inicialmente, os atletas buscavam as escolas de formação situadas em diferentes cidades do Brasil. De acordo com o desempenho e a avaliação dos profissionais das escolas de formação, os atletas são enviados para um clube específico situado na cidade de Londrina-PR, onde os atletas são profissionalizados pelo clube. Por fim, com o desenvolvimento atlético e a avaliação dos treinadores, os atletas são enviados para o centro de treinamento (na cidade de Curitiba-PR), onde são contratados e profissionalizados como jogadores juniores do clube e passam a participar de competições nacionais e internacionais. Dessa forma, buscando avaliar os atletas vinculados ao clube em todas as esferas do desenvolvimento atlético, buscamos atletas de todas as esferas de formação presentes no clube.

No período da coleta, o clube tinha um total de 25 escolas de futebol distribuídas pelo estado e sua sede principal se localiza na capital (Curitiba-PR). Como critério de seleção, optamos por coletar os dados com os atletas das escolas que se localizavam nas regiões Noroeste e Norte Central, devido à disponibilidade propiciada pelas escolas e pela proximidade do local de realização da pesquisa. Além das escolas, buscaram-se os atletas do centro de treinamento de Londrina-PR e Curitiba-PR. Em um levantamento inicial, o clube apresentou, aproximadamente, 1200 atletas em fase de formação atlética. Todos os atletas das quatro escolas situadas na região noroeste e norte do estado do Paraná participaram do estudo, totalizando 86 atletas. Outros 40 atletas foram selecionados nos centros de treinamento, alcançando, no final, 10% do total de atletas em formação do clube pesquisado. Todos os atletas aceitaram participar da pesquisa por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e, no caso de atletas abaixo de 18 anos, a autorização foi solicitada ao representante legal.

Instrumentos

Motivação Esportiva. A motivação autodeterminada foi avaliada através da Escala de Motivação para o Esporte (BRIÈRE et al., 1995), validado para a língua portuguesa por Bara Filho et al. (2011) para diferentes modalidades esportivas e validado especificamente para o futebol de campo por Costa et al. (2011). A escala é constituída de 28 itens, divididos em sete subescalas, respondida em uma escala Likert de 7 pontos, que varia de 0 (Não corresponde nada) a 7 (Corresponde exatamente). As subescalas são: Amotivação, Motivação extrínseca para regulação externa, Motivação extrínseca para introjeção, Motivação extrínseca para identificação, Motivação intrínseca para atingir objetivos, Motivação intrínseca para experiências estimulantes e Motivação intrínseca para conhecer. Para este estudo, a subescala amotivação não foi utilizada, devido a uma escolha metodológica na construção do modelo. A escala apresentou alfa de Cronbach, variando entre α=0,72 e α=0,91.

Habilidades atléticas de enfrentamento. As habilidades de enfrentamento de estresse (Coping) foram avaliadas pelo Inventário Atlético de Habilidades de Coping (ACSI-28), desenvolvido por Smith et al. (1995) e validado para o Brasil por Coimbra (2011). O inventário é composto de 28 itens e é respondido em uma escala Likert de 4 pontos, que varia de 0 (Quase nunca) até 3 (quase sempre). O instrumento avalia as seguintes competências psicológicas: Rendimento Máximo sobre Pressão, Ausência de Preocupações, Confronto com a Adversidade, Concentração, Formulação de Objetivos, Confiança e Motivação para Realização e Treinabilidade. A escala permite a investigação de um valor global (obtida pela soma das respostas e a divisão pelo número de escalas), chamado Índice de Confronto no Esporte (ICE), variando de 0 a 12. A escala apresentou alfa de Cronbach, variando entre α=0,67 e α=0,81.

Suporte Parental Percebido. A escala de lembranças sobre práticas parentais foi elaborado por Perris et al. (1980) e validado para o Brasil por Kobarg, Vieira, V. e Vieira, M. (2010). É um questionário composto de 21 itens com uma escala Likert de 4 pontos, variando de 1 (nunca) a 4 (sempre), que avalia o comportamento dos pais percebido pelo filho durante a infância. Os resultados são analisados ​​em três subescalas: apoio emocional, rejeição e superproteção, tanto para o pai quanto para a mãe. A escala apresentou alfa de Cronbach, variando entre α=0,55 e α=0,77. Os valores de α com pontuação inferior a 0,70 foram evidenciados para as subescalas de rejeição paterna e materna, fato que foi considerado posteriormente para exclusão dessas subescalas no modelo final.

Procedimentos

O estudo foi aprovado pelo comitê de ética da Universidade Estadual de Maringá, sob o parecer nº 055/2008. Inicialmente, foi realizado contato com o gestor das escolas de formação esportiva das regiões alvo. Por meio desse contato, foi solicitada a autorização para a realização da pesquisa junto à diretoria do clube de futebol de campo. Após a autorização, os pesquisadores agendaram, com os treinadores de cada escola, as datas para coleta dos dados para que os pais ou responsáveis pelos atletas menores de idade pudessem consentir a participação dos sujeitos do estudo. Para os atletas maiores de idade, o termo de consentimento foi assinado no dia da coleta de dados. Inicialmente, os objetivos, a metodologia e os riscos da pesquisa foram explicados aos sujeitos (e seus responsáveis, quando necessário) e somente após o consentimento é que os testes foram aplicados. A aplicação dos três instrumentos aconteceu no mesmo dia e, em uma semana, individualmente. Após a coleta e tabulação dos dados, os pesquisadores retornaram às escolas para fazer uma devolutiva individual para cada um dos sujeitos.

Análise dos dados

A análise dos dados foi realizada através do teste de normalidade de Kolmogorov-Smirnov e, uma vez que a normalidade foi violada, a estatística descritiva foi apresentada por meio de mediana (Md) e intervalo interquartílico (Q1-Q3).

O modelo hipotético, considerando o efeito de previsão da percepção de suporte parental sobre as habilidades de enfrentamento, mediado pela orientação autodeterminada do atleta (motivação autodeterminada) foi testada através da Modelagem de Equações Estruturais-SEM (Structural Equation Modeling - HOX; BECHGER, 1998; KLINE, 2012), que é um método de análise de dados que tem sido utilizado para compreender diversas características psicológicas no esporte (AMIOT; GAUDREAU; BLANCHARD, 2004; FERNANDES; VASCONCELOS-RAPOSO, 2005; McDONOUGH; CROCKER, 2007; BRUNET; SABISTON, 2008; NTOUMANIS; STANDAGE, 2009).

Os Modelos de Equações Estruturais (SEM) representam a interpretação de uma série de relações hipotéticas de causa e efeito entre variáveis para uma composição de hipóteses, que considera os padrões de dependência estatística. Os relacionamentos dentro desse modelo são descritos pela magnitude do efeito (direto ou indireto) que as variáveis independentes (observadas ou latentes) têm nas variáveis dependentes (observadas ou latentes) (HERSHBERGER; MARCOULIDES; PARRAMORE, 2003). O método SEM foi utilizado para testar as hipóteses delineadas pelo modelo conceitual, no qual a percepção de criação parental interfere no estilo regulatório motivacional dos atletas, que, por sua vez, determina a capacidade e as estratégias do sujeito, ao lidar com o estresse. Para tanto, teorizou-se, a partir da literatura da área, a existência do modelo de três variáveis latentes e uma variável observada. As variáveis latentes foram Suporte Parental (SP), Motivação Intrínseca (MI) e Motivação Extrínseca (ME) e a observada foi o Índice de Confronto no Esporte (ICE).

O modelo de medidas foi testado, seguindo o método de múltiplas etapas (multiple-step) proposto por Bollen (2000). Esse procedimento prevê a adequação das variáveis de medida antes das análises estruturais, utilizando uma sequência de análises fatoriais exploratórias, análise fatorial confirmatória, análise do modelo de equação estrutural e teste de um modelo modificado (HAYDUK; GLASER, 2000). Especificamente, utilizou-se a técnica jigsaw piecewise (quebra-cabeças - BOLLEN, 2000), que envolve o teste dos submodelos para então combiná-los no modelo propriamente dito.

Dessa forma, testou-se, em primeira análise, o modelo das variáveis latentes em separado e depois em conjunto no modelo completo. Posteriormente, após análises de indicadores de modificação, testaram-se outras opções para o modelo, resultando na melhor resposta à pergunta da pesquisa.

Em relação aos parâmetros estatísticos para análise fatorial, optou-se pelo método de estimação Principal Axis, com rotação do tipo Promax. A rotação do tipo promax foi escolhida por apresentar uma solução de rotação com abordagem ortogonal em duas etapas, sendo que, na primeira, o método se aproxima a uma rotação oblíqua. Essa abordagem foi selecionada porque se entende que as variáveis que definiriam as variáveis latentes seriam correlacionáveis, portanto se ajustando ao método oblíquo (KAHN, 2006). Dentre os métodos de rotação, optou-se pelo Promax porque permite que a estimação se adapte ao conjunto de dados, portanto, se os dados forem independentes, a rotação se mantém ortogonal, mas se os dados se correlacionarem, ela terminará com uma aproximação oblíqua.

Para a análise SEM, utilizou-se a Máxima Verossimilhança como método de estimação, utilizado quando a matriz de covariância apresenta uma distribuição multivariada normal. Indicadores de adequação do modelo foram: o RMSEA (Root Mean Square Error of Aproximation-inferior a 0,07, STEIGER, 2007), GFI/AGFI (Goodness of Fit and Ajusted Goodness of Fit-0,90, considerado uma adequação aceitável), CFI (Comparative Fit Index - mínimo de 0,90, HU; BENTLER, 1999), TLI (Tucker-Lewis Index, mínimo de 0,95, SCHERMELLEH-ENGEL; MOOSBURGGER; MULLER, 2003) AIC/BIC (Akaike Information Criteria/Bayesian Information Criteria - menores valores indicam melhor modelo em comparação aos demais, SCHERMELLEH-ENGEL; MOOSBURGGER; MULLER, 2003). Partindo das recomendações de Kline (2012), a interpretação dos coeficientes das trajetórias terá como referência: pouco efeito para valores <0,10, médio efeito para valores até 0,30 e grande efeito para valores >0,50.

O nível de significância adotado foi de 5% (p<0,05) e as análises estatísticas e figuras foram desenvolvidas por meio do software Linguagem R, que é um software livre para estatística. As análises fatoriais exploratórias foram efetuadas através do pacote "psych" (http://cran.r-project.org/web/packages/psych/index.html - REVELLE, 2012). Para análise do SEM, foi utilizado o pacote "SEM" (http://socserv.socsci.mcmaster.ca/jfox/) versão 3.0-0 (April 11, 2012) (FOX et al., 2012).

RESULTADOS

O estilo regulatório motivacional (Figura 1) que predominou foi a motivação intrínseca, com maiores valores encontrados para a motivação intrínseca para experiências estimulantes (Md=5.50; Q1=4.50 e Q3=6.25). Das variáveis ​​extrínsecas, a regulação externa obteve os maiores valores (Md=4.00; Q1=3.00 e Q3=5.25). Portanto, um perfil de motivação autodeterminada foi observado como predominante para os reguladores de motivação para os atletas de futebol de campo.

Quanto à percepção de suporte parental (pai e mãe), o estilo percebido que teve maior pontuação foi o estilo de suporte emocional (Paterno: Md=3.43; Q1=2.89 e Q3=3.71 - Materno: Md=3.57; Q1=3.00 e Q3=3.86), seguido pelo estilo de superproteção (Paterno: Md=2.57; Q1=2.17 e Q3=2.86 - Materno: Md=2.57; Q1=2.29 e Q3=3.00). A percepção de Rejeição obteve menores valores para esses atletas (Paterno: Md=1,29; Q1=1,14 e Q3=1,71 - Materno: Md=1,29; Q1=1,14 e Q3=1,71). Finalmente, o índice de confronto no esporte obteve resultado de médio a alto (Md=8,00; Q1=7,00 e Q3=8,71), referindo-se a um nível satisfatório de habilidades de enfrentamento.

Modelo de Equações Estruturais

Dentre as variáveis avaliadas (motivação autodeterminada, percepção de suporte parental e estratégias de enfrentamento no esporte), realizaram-se análises fatoriais exploratórias iniciais para verificar como as variáveis de adequavam ao modelo. Inicialmente, estimou-se trabalhar com todas as variáveis relacionadas à percepção de suporte parental (Rejeição paterna e materna, Superproteção paterna e materna). No entanto, a avaliação da estrutura fatorial exploratória sugeriu que os indicadores de rejeição e superproteção não estavam bem definidos dentro do modelo de mensuração. Essa inadequação se deu por apresentarem carga fatorial cruzada (apresentação de cargas fatoriais em mais de um fator, não definindo claramente a respectiva variável latente). Optou-se, dessa forma, por manter apenas a variável latente Suporte Parental (SP), que apresentou cargas fatoriais satisfatórias (>0,50) na predição pelas variáveis observadas (Figura 2).

A análise fatorial confirmatória do submodelo obteve bons indicadores de ajustamento (GFI=0,93 e AGFI=0,80, Figura 2); entretanto, os valores de RMSEA (0,22), CFI (0,39) e TLI (0,39) não sugeriram adequação. Todavia, considerando os bons indicadores de adequação, as cargas fatoriais suficientes e a relevância teórica do suporte parental para a motivação autodeterminada dos atletas, decidiu-se manter no modelo final.

A motivação autodeterminada foi dividida em Motivação Intrínseca (MI) e Motivação Extrínseca (ME), seguindo as proposições teóricas do estudo. Por considerações teóricas, a variável observada Amotivação foi retirada do modelo. A análise fatorial exploratória apresentou cargas fatoriais altas (>0,70) para todas as variáveis observadas dos modelos (Figura 2). Os indicadores de adequação para a variável Motivação Intrínseca foram aceitáveis para GFI (0,88), enquanto que AGFI (0,77), CFI (0,88), TLI (0,88) e RMSEA (0,20) não estavam no alcance dos parâmetros aceitos pela literatura. Para a Motivação Extrínseca, valores aceitáveis foram verificados nos indicadores GFI (0,96), AGFI (0,92), CFI (0,96) e TLI (0,94), sendo que apenas RMSEA fugiu do padrão aceito (0,11) (Figura 2). No entanto, por apresentarem padrões bem definidos na análise fatorial exploratória e pelo referencial teórico que sustenta o modelo, as variáveis foram incluídas na análise de modelos de equações estruturais.

Após as análises iniciais, evidenciou-se a configuração de três variáveis latentes (que não são medidas diretamente): Motivação Intrínseca (definida pelas variáveis observadas MI para Atingir objetivos, MI para Experiências estimulantes e MI para conhecer), Motivação Extrínseca (definida pelas variáveis observadas ME para Regulação externa, ME para Introjeção e ME para Identificação) e Suporte Parental (definida pelas variáveis observadas Suporte paterno e Suporte materno). Uma variável era do tipo exógena (que não é predita por nenhuma outra variável; Suporte parental), duas eram endógenas e exógenas (variáveis que são preditas e predizem outras variáveis no modelo: Motivação Intrínseca e Extrínseca).

Diferentes possibilidades de modelos foram testadas, até que fosse encontrado um modelo com caminhos (relações entre variáveis) significativos, com pouca variação de resíduos, com indicadores de ajustamento do modelo suficientemente adequados e que tivessem uma justificativa teórica. Inicialmente, testou-se um modelo que não levava em consideração a interação entre as variáveis Motivação Intrínseca e Extrínseca (Modelo A). No entanto, esse modelo não apresentou indicadores de ajustamento adequados, obtendo os seguintes valores: RMSEA=0,15, GFI=0,88, AGFI=0,78, CFI=0,82, TLI=0,74 (Tabela 1). Contudo, tal modelo já apresentou indícios sobre a relação de predição entre as variáveis, por meio de coeficientes de trajetória (paths) significativos (P<0,01).

Analisando os indicadores de modificação, percebeu-se que uma trajetória entre a ME para MI poderia melhorar o ajuste do modelo (Modelo B). Evidencia-se (Tabela 1) uma melhora no ajustamento do modelo para o Modelo B com RMSEA=0,02, GFI=0,95, AGFI=0,92, CFI=0,99 e TLI=0,99. Por fim, apesar de o modelo já apresentar um ajuste adequado, testamos a possibilidade de uma trajetória direta do SP para o ICE, sem a mediação da Motivação (MI e ME). Todavia, apesar de o modelo apresentar uma leve melhora em relação ao Modelo A (sem trajetória entre ME e MI), houve uma degradação em relação ao Modelo B (com trajetória entre ME e MI), com RMSEA=0,15, GFI=0,88, AGFI=0,78, CFI=0,83 e TLI=0,75.

Ademais, na análise da parcimônia dos modelos, através do Critério Aikike e Bayesiano, pode-se observar que os menores valores foram encontrados para o Modelo B, em relação aos outros modelos. O Modelo B foi então apresentado no estudo (Figura 3), com todos os caminhos com significância estatística (P<0,05), explicando 37,6% da variância do ICE em atletas de futebol de campo.

Analisando os coeficientes de trajetórias (Figura 3), pode-se observar que o SP teve um efeito médio (positivo) sobre a MI (0,385) e entre baixo e médio (negativo) sobre ME (-0,182). A motivação, por sua vez, apresentou fortes efeitos sobre o ICE, com direção positiva para MI (1,03) e negativa para ME (-0,713), indicando que MI favorece as estratégias de enfrentamento, enquanto ME dificulta as capacidades de lidar com o estresse no esporte. Todos os caminhos do modelo (Figura 2) foram significativos (P<0,05) e os resíduos com Md=0,04, Q1=-0,53 e Q3=0,45.

DISCUSSÃO

De acordo com a revisão de literatura, este foi o primeiro estudo no Brasil que utilizou o método MEE para explicar a relação entre a percepção de suporte parental e as estratégias de enfrentamento do estresse no esporte, mediadas pela motivação autodeterminada. Além disso, é o primeiro estudo que investiga a relação simultânea dessas variáveis. A autodeterminação se mostrou como um elemento de mediação entre variáveis psicológicas no esporte, visto que já foi utilizada em outros modelos explicativos (FERNADES; VASCONCELOS-RAPOSO, 2005; BOICHÉ; SARRAZIN, 2007), entretanto nenhum que analisasse as relações entre SP e ICE. O ICE é determinado pela MI e ME, que, por sua vez, se desenvolvem através de um ambiente de SP. O papel mediador da motivação autodeterminada foi importante para o funcionamento do modelo, quando comparado com modelos alternativos (Tabela 1), indicando que não adianta apenas o atleta receber (ou ter recebido) suporte parental, pois a maneira como administra suas necessidades básicas interfere (pelo modelo, em 38%) na maneira como se relaciona com o ambiente esportivo (REINBOTH; DUDA, 2006; McDONOUGH; CROCKER, 2007), considerando que o estudo trata da medição de variáveis psicológicas e que a subjetividade de cada atleta influencia no processo de formação esportiva.

Pode-se evidenciar (Figura 3) que o modelo encontrou ajustes adequados em todos os indicadores psicométricos (KLINE, 2012), mesmo com as restrições encontradas na fase de análise dos submodelos de mensuração (Figura 2). Entende-se que os indicadores de adequação para modelos estatísticos são, em geral, descritivos e sofrem influência direta do número de sujeitos, que foi reduzido no caso deste estudo (SCHERMELLEH-ENGEL; MOOSBURGGER; MULLER, 2003). A análise fatorial exploratória e confirmatória realizada inicialmente (Figura 2) permitiu verificar que as variáveis latentes propostas para o modelo apresentavam relevância teórica (evidenciada pelas cargas fatoriais) e indicadores que sugeriam adequação, no que se refere à relevância estatística. Além disso, o método MEE com base no quebra-cabeças (BOLLEN, 2000) permite verificar possíveis erros na confecção do modelo fina, o que não foi o caso (Figura 3).

As análises apresentadas na Figura 2, por se tratar de análises fatoriais de segunda ordem, podem sofrer distorções no ajustamento (KLINE 2012), entretanto optou-se por manter as variáveis latentes no modelo final para verificar adequação do modelo final do estudo, prevendo que possíveis alterações poderiam ser necessárias nos submodelos de verificação. No entanto, isso não foi necessário, visto que a hipótese de validar um modelo explicativo para as variáveis do estudo foi confirmada. Diversos autores (HAYDUK; GLASER, 2000; HU; BENTLER, 1999; KLINE, 2012; SCHERMELLEH-ENGEL; MOOSBURGGER; MULLER, 2003; STEIGER, 2007) propõem diferentes pontos de corte (rules of thumb) para os indicadores de adequação ao modelo, mas todos os resultados encontrados na Figura 3 estão dentro do parâmetros sugeridos na literatura. Além disso, valores semelhantes ou até menores foram aceitos e publicados em pesquisas, utilizando MEE no esporte (AMIOT; GAUDREAU; BLANCHARD, 2004; FERNANDES; VASCONCELOS-RAPOSO, 2005; McDONOUGH; CROCKER, 2007; BRUNET; SABISTON, 2008; NTOUMANIS; STANDAGE, 2009).

Um dos diferenciais do método MEE é a importância de um forte respaldo teórico para a elaboração do modelo a ser testado (BOLLEN, 2000). As relações entre um ambiente de suporte parental, a motivação autodeterminada de atletas e a capacidade de elencar estratégias de enfrentamento para lidar com o estresse esportivo têm sido estudadas amplamente (AMIOT; GAUDREAU; BLANCHARD, 2004), assegurando a validade dos construtos teóricos e sua inserção no modelo, mas nunca em um único estudo que investigasse as relações simultâneas.

Um resultado a ser destacado são os valores de predição de trajetória encontrados entre o SP para MI e ME (Figura 3). Com relação a MI, o resultado foi ao encontro da literatura e da hipótese do estudo, entretanto, sobre a ME, ressalta-se o baixo (negativo) coeficiente, resultando no percentual de predição baixo (0,03). Uma possível explicação para esse resultado é o fato de que a ME se desenvolve a partir da relação do sujeito com o ambiente (DECI; RYAN, 2012), portanto atletas que percebem um ambiente de suporte que favorece o desenvolvimento da autonomia estarão inclinados a desenvolver MI (TAYLOR; NTOUMANIS; STANDAGE, 2008). Por outro lado, a ME consta de dimensões que podem se confundir com a MI, como é o caso da ME para identificação (GUAY; MAGEAU: VALLERAND, 2003) e também se refere a outras influências ambientais, como o dinheiro, status, sucesso, metas e não só o ambiente de criação parental, indicando a baixa capacidade de SP explicar a variância de ME (Figura 3).

A habilidade da MI em predizer o ICE positivamente e de a ME predizer negativamente a mesma variável já foi discutida na literatura (AMIOT; GAUDREAU; BLANCHARD, 2004) e vem ao encontro da hipótese do estudo, enfatizando que um ambiente de criação percebido como de suporte favorece o desenvolvimento da MI, que, por sua vez, prevê melhor capacidade de lidar com o estresse do contexto esportivo (ICE). Atletas com foco em fatores motivacionais externos tendem a ter maiores dificuldades em lidar com as demandas do esporte. Entretanto, esse modelo só foi ajustado, quando se estimou a capacidade de a ME predizer a MI (Figura 3), indicando o que foi apontado por Pelletier et al. (2001), Mallet e Hanrahan (2004) e Treasure et al. (2007): a MI depende de boas condições extrínsecas para poder influir nas características psicológicas dos atletas de futebol de campo.

CONCLUSÕES

Este estudo permitiu validar, por meio do método estatístico de Modelos de equações estruturais, o papel mediador da motivação autodeterminada sobre a relação entre Suporte parental e estratégias de enfrentamento de estresse em atletas de futebol de campo. Destaca-se que o suporte parental favorece a Motivação Intrínseca, que, por sua vez, prediz melhores estratégias de enfrentamento de estresse; o oposto se dá pela via da Motivação extrínseca.

Como limitações do estudo, pode-se ressaltar a amostra, que compreendeu atletas de 13 a 20 anos de diferentes níveis de desenvolvimento atlético, fato que pode indicar uma variabilidade grande, no que se refere às demandas do contexto. No entanto, justifica-se que a detecção de talentos já acontece nas primeiras fases do desenvolvimento atlético, portanto estudar atletas de diferentes faixas etárias favorece a amplitude de generalização do modelo. Outra limitação foi a falta de consistência das variáveis latentes, quando analisadas separadamente, mas isso se justifica pela falta de estudos sobre as validades psicométricas dessas escalas para a população de atletas brasileiros e que, apesar dessas limitações, o modelo encontrou fortes indicadores de adequação e ajustamento.

Por fim, o principal diferencial deste artigo é a aplicação do método MEE em estudos na área do esporte no Brasil, principalmente tendo como base uma teoria com respaldo internacional, que é a teoria da autodeterminação. Conclui-se que este estudo tem implicações no conhecimento sobre as capacidades de enfrentar estresse dos atletas e, principalmente, sobre a influência que a criação parental exerce sobre o perfil motivacional, que, por sua vez, determina a capacidade do atleta em lidar com as barreiras e demandas do esporte e, assim, se manter na busca pelo desenvolvimento de seu talento esportivo e de sua carreira atlética.

REFERÊNCIAS

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Recebido em: 30/04/2012

Revisado em: 31/05/2012

Aceito em: 10/08/2012

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  • Endereço para correspondência:
    João Ricardo Nickenig Vissoci
    Rua Bragança, 531, Apto 103 Zona 07
    CEP 87020-220 – Maringá – PR – Fone: 4430287440

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    02 Jun 2014
  • Data do Fascículo
    Set 2013

Histórico

  • Recebido
    30 Abr 2012
  • Aceito
    10 Ago 2012
  • Revisado
    31 Maio 2012
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