PROCESSO DE FORMAÇÃO ESPORTIVA: DA IDENTIFICAÇÃO AO DESENVOLVIMENTO DE TALENTOS ESPORTIVOS

SPORTING FORMATION PROCESS: FROM THE IDENTIFICATION TO THE DEVELOPMENT OF SPORTING TALENTS

Alexandra Folle Juarez Vieira do Nascimento Amândio Braga dos Santos Graça Sobre os autores

RESUMO

O objetivo do estudo foi realizar uma revisão sistemática de artigos originais que abordam o processo de identificação e desenvolvimento de talentos esportivos. Para sua operacionalização foi realizada uma busca em bases indexadoras, com a utilização de equações de pesquisa. A análise dos 42 artigos, que atenderam aos critérios de inclusão no estudo, revelou a atualidade da temática, principalmente no cenário internacional. As pesquisas têm sido desenvolvidas por meio de delineamentos quantitativos e qualitativos, com predominância de desenhos retrospectivos. Além disso, a produção científica selecionada demonstrou maior preocupação dos investigadores em desvendar os fatores e os estágios de desenvolvimento da carreira esportiva, em detrimento dos fatores de identificação de talentos, evidenciando uma tendência no panorama científico em priorizar a investigação em torno dos fatores de treinamento e das influências sociais que contribuem para o processo de formação esportiva.

Palavras-chave:
Revisão Sistemática; Talento; Carreira

ABSTRACT

The aim of this study was to accomplish a systematic review of the original articles wich focus the process of recognition and development of sporting talent. In the methodological process, searches have been done in databases indexing articles, using the predetermined keywords arrangement. The analysis of the 42 articles that fulfilled the study selection criteria, have revealed the present use of the thematic, mostly at the international scene. The researches have been developed by quantitative and qualitative designs, with prevalence of the retrospectives outlines. Moreover, the selected scientific production has evidenced a main concern of the researchers in discovering the factors and stages of the sporting career development related to the talented identification factors, evidencing a tendency on the scientific outlook in prioritizing the investigation around the training factors and the social influences that contributes to the sporting formation process.

Keywords:
Sistematic review; Talent; Career

INTRODUÇÃO

A pesquisa no âmbito da formação de talentos esportivos evoluiu consideravelmente nos últimos anos, passando de um foco na identificação para uma ênfase no desenvolvimento atlético. A abordagem de identificação está baseada na noção de que há um reservatório de talento inato e utiliza-se da avaliação de pré-requisitos para identificar uma provável obtenção de excelência esportiva. Por sua vez, a abordagem de desenvolvimento enfatiza a aquisição de habilidades motoras e psicológicas, centrando-se na quantidade e na qualidade do processo de formação necessárias para se alcançar um alto nível de desempenho (HENRIKSEN, 2010HENRIKSEN, K.; STAMBULOVA, N.; ROESSLER, K. K. Holistic approach to athletic talent development environments: a successful sailing milieu., Psychology of Sport and Exercise New York, v. 11, no. 3, p. 212-222, 2010.).

O campo de investigação do desenvolvimento de talentos esportivos tem buscado identificar os avanços ocorridos nos estágios e nas transições vivenciadas pelos atletas ao longo de suas carreiras esportivas (ALFERMANN; STAMBULOVA, 2007ALFERMANN, D.; STAMBULOVA, N. Career transitions and career termination. In: TENENBAUM, G.; EKLUND, R. C. Handbook of sport psychology. Hoboken: John Wiley & Sons, 2007. p. 712-733.). Nesse sentido, a literatura tem apresentado dois modelos de investigação no intuito de esclarecer melhor esse processo: os modelos de estágios e os modelos de transição da carreira esportiva. Os modelos de estágios estão pautados em classificações que visam elucidar as principais características do processo de formação esportiva e como os fatores de treinamento e as influências sociais interferem nesse fenômeno. Apesar da diferença no número e na nomenclatura dos estágios entre as propostas apresentadas por cada autor, são encontradas características similares entre eles.

O primeiro estágio da carreira esportiva apresenta como fatores de treinamento a predominância da busca por uma prática lúdica e gratificante e a experimentação de diferentes modalidades esportivas por crianças e adolescentes. Além de influências sociais pautadas predominantemente no apoio emocional e informativo fornecido por familiares, sem cobranças em torno da excelência esportiva. Em um segundo estágio, os fatores de treinamento envolvem quantidades similares de jogo e de prática deliberada, nas quais o divertimento passa gradativamente a ser substituído pelo comprometimento. As influências sociais continuam pautadas, principalmente, na família, porém com um incremento no que tange ao apoio concreto (auxílio financeiro) para a prática esportiva (BLOOM, 1985BLOOM, B. S. Generalizations about talent development. In: BLOOM, B. S. Developing talent in youth people. New York: Ballantine Books, 1985. p. 507-549.; SALMELA, 1994SALMELA, J. H. Stages and transitions across sports careers. Psycho-social issues and interventions in elite sports. In: HACKFORT, D. E. (Ed.). Psycho-social issues and interventions in elite sports. Frankfurt: Lang, 1994. p. 11-28.; CÔTÉ, 1999CÔTÉ, J. The influence of the family in the development of talent in sport. Sport Psychologist, Champaign, v. 13, no. 4, p. 395-417, dec. 1999.; DURAND-BUSH; SALMELA, 2002DURAND-BUSH, N.; SALMELA, J. H. The development and maintenance of expert athletic performance: perceptions of world and Olympic champions. Journal of Applied Sport Psychology, Indianapolis, v. 14, no. 3, p. 154-171, 2002.).

No terceiro estágio, a prática esportiva visa estreitamente o aperfeiçoamento e o alcance do mais alto nível de excelência, com quantidade enorme de prática deliberada, fazendo com que as demais atividades da vida diária passem a assumir importância secundária. As influências sociais da família tornam-se fundamentais para facilitar a participação nesse nível esportivo e auxiliar os atletas a lidarem eficazmente com possíveis retrocessos (BLOOM, 1985BLOOM, B. S. Generalizations about talent development. In: BLOOM, B. S. Developing talent in youth people. New York: Ballantine Books, 1985. p. 507-549.; SALMELA, 1994SALMELA, J. H. Stages and transitions across sports careers. Psycho-social issues and interventions in elite sports. In: HACKFORT, D. E. (Ed.). Psycho-social issues and interventions in elite sports. Frankfurt: Lang, 1994. p. 11-28.; CÔTÉ, 1999CÔTÉ, J. The influence of the family in the development of talent in sport. Sport Psychologist, Champaign, v. 13, no. 4, p. 395-417, dec. 1999.; DURAND-BUSH; SALMELA, 2002DURAND-BUSH, N.; SALMELA, J. H. The development and maintenance of expert athletic performance: perceptions of world and Olympic champions. Journal of Applied Sport Psychology, Indianapolis, v. 14, no. 3, p. 154-171, 2002.). Além desses estágios, uma quarta etapa de desenvolvimento de talentos esportivos visa a manutenção do auge esportivo e a constante busca pelo máximo desempenho esportivo (CÔTÉ, 1999; DURAND-BUSH; SALMELA, 2002).

Enquanto os modelos descritivos de estágios dividem as carreiras esportivas em etapas e descrevem as alterações nos aspectos da experiência esportiva e no ambiente social destas, os modelos de transição focam nos fatores que influenciam o enfrentamento, as necessidades e as consequências de uma transição. Nestes modelos, os processos de sobrevivência dos atletas na carreira esportiva incluem todos os recursos e as estratégias que os atletas utilizam para se ajustarem às demandas de cada transição (ALFERMANN; STAMBULOVA, 2007ALFERMANN, D.; STAMBULOVA, N. Career transitions and career termination. In: TENENBAUM, G.; EKLUND, R. C. Handbook of sport psychology. Hoboken: John Wiley & Sons, 2007. p. 712-733.).

Nesta perspectiva, as classificações apresentadas compreendem que, apesar de cada carreira atlética ser individual e única, elas podem demonstrar padrões comuns no processo de formação esportiva. Para tanto, reconhecendo a importância de elucidar melhor tal fenômeno e buscando ampliar o referencial teórico para aumentar o nível de compreensão desse campo de investigação, o presente estudo objetivou realizar uma revisão sistemática dos artigos originais que abordam o processo de identificação e desenvolvimento de talentos esportivos.

PROCEDIMENTOS METODÓGICOS

O delineamento da presente revisão sistemática seguiu os procedimentos indicados por Saur-Amaral (2011), os quais definem critérios específicos para a elaboração deste tipo de estudo. As equações de pesquisa utilizadas foram: Career AND Sport*, Talent AND Sport*, "Formação esportiva", Carreira AND esporte*, Talento AND esporte*. O operador booleano (and) e os facilitadores de pesquisa ("" *) foram usados para combinar os descritores e facilitar o resultado quanto às fontes de informação obtidas. Nas bases de dados Ebsco (Academic Search Complete, Medline, Sportdiscus), Scopus e Web of knowledge foram aplicadas as duas equações em inglês, com o intuito de evidenciar o panorama internacional relacionado à temática da pesquisa. Nas bases Scielo e Lilacs, além das equações em língua inglesa foram aplicadas as equações em português, na tentativa de se ampliar a abrangência dos periódicos brasileiros relevantes na área.

O âmbito da pesquisa envolveu ainda os campos de pesquisa - "abstract" e "title", esse último em caso de ausência do primeiro; e as áreas temáticas/assunto - "Sport sciences", "Sport psychology", "Career development", "Talent development" e "Athletic development".Além disso, parestudados, os quais são apresentados a a seleção automática e manual dos estudos definiram-se os seguintes critérios de inclusão:

- Artigos publicados de 1990 a 2012: foi durante a década de 1990 que a atenção sobre o processo de formação esportiva direcionou-se para uma perspectiva em torno do tempo de vida de envolvimento esportivo - desenvolvimento de talentos e desenvolvimento de carreira (WYLLEMAN; ALFERMANN; LAVALLE, 2004WYLLEMAN, P.; ALFERMANN, D.; LAVALLEE, D. Career transitions in sport: European perspectives., Psychology of Sport and Exercise Copenhagen, v. 5, no. 1, p. 7-20, Jan. 2004.);

- Artigos originais publicados em periódicos: fontes de informação reconhecidas pela comunidade acadêmica (avaliação duplo-cego e por pares);

- Estudos relacionados às temáticas: identificação de talentos, fatores de desenvolvimento, estágios e transições de desenvolvimento do talento esportivo;

- Estudos realizados com atletas das categorias de formação;

- Estudos realizados com atletas da categoria adulta, mas que analisaram o percurso formativo destes nas categorias de formação (estudos retrospectivos).

De modo similar, a eliminação automática e manual, dos estudos encontrados, pautou-se nos seguintes critérios de exclusão: artigos sem texto integral; escritos em outras línguas que não português, inglês ou espanhol; publicados em livros, conferências, anais de evento; artigos de revisão e de opinião, resenhas críticas, ensaios teóricos; artigos que avaliavam somente o estágio atual da carreira esportiva de atletas adultos; artigos que abordavam as transições da carreira esportiva enquanto aposentadoria do esporte.

O Quadro 1 apresenta um resumo do número de documentos encontrados por meio da utilização das equações de pesquisa nas bases de dados e selecionados a partir dos critérios de inclusão e exclusão definidos para o estudo.

Quadro 1
Número de documentos encontrados nas bases de dados selecionadas.

A eliminação automática realizada nas bases de dados registrou 151 documentos, sendo que desses 28 estavam duplicados nas bases de dados. No entanto, a partir da leitura dos resumos e textos completos, a eliminação manual excluiu outros estudos que não atendiam aos critérios selecionados para o estudo: fora da temática (estresse, identidade critérios atlética, prestação de serviços, potência aeróbia, lesões); não atendiam aos de inclusão (aposentadoria, fase adulta, construção e validação de instrumentos); estudos não classificados como artigos originais (ensaios teóricos, artigos de revisão ou opinião, ensaios críticos).

Por fim, enfatiza-se que os seguintes critérios foram adotados para garantir qualidade e validade metodológica da presente revisão (SAUR-AMARAL, 2011SAUR-AMARAL, I. Revisão sistemática da literatura com apoio de Endnote X4 e NVIVO 9. Aveiro: GOVCOPP, 2011.): a pesquisa foi validada de forma independente por dois investigadores, utilizando-se as equações e os critérios destacados anteriormente; os critérios de inclusão e exclusão foram aplicados com rigor pelos dois investigadores; todos os passos da pesquisa foram registrados; e a aplicação dos critérios justificada.

O mapeamento e o armazenamento dos textos selecionados foram realizados nosoftware Endnote (X5), enquanto a análise dos artigos ocorreu com o auxílio do software QSR NVivo (versão 9,2). Nesse sentido, destaca-se que a análise dos dados ocorreu por meio da técnica de análise de conteúdo, proposta por Bardin (2002BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2002.). As categorias e subcategorias elencadas para a análise dos estudos empíricos foram definidas a priori a partir de temas previamente estudados, os quais são apresentados no Quadro 2:

Quadro 2
Categorias e subcategorias de análise.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A apreciação preliminar das 42 produções científicas selecionadas para o estudo revelou a atualidade da temática abordada, uma vez que 24 textos dos artigos foram divulgados nos anos de 2010 a 2012, sendo apenas seis publicados na década de 1990 e 14 entre os anos 2000 a 2009. Além disso, evidencia-se uma incipiência de obras nacionais (10 textos) em comparação com as internacionais (32 textos), com enfoque nessa abordagem investigativa.

Os estudos foram desenvolvidos, predominantemente, com atletas de modalidades coletivas (17), seguidos de atletas de modalidades individuais (14) e, por último, com atletas de ambos os grupos esportivos (11). A grande maioria das investigações tem sido desenvolvida apenas com atletas (28) e poucas têm buscado a colaboração de outros sujeitos influentes no processo de formação esportiva para melhor compreender esse fenômeno: atletas e familiares (04); treinadores (03); atletas, treinadores e dirigentes; atletas, familiares, treinadores e dirigentes (02 cada); atletas e treinadores; atletas e colegas de escola; atletas e ex-atletas (01 cada). Essas informações demonstram a carência de investigações que visam a ampliação do olhar sobre o desenvolvimento de talentos, tendo a colaboração de diferentes sujeitos influentes nesse processo.

No que se refere aos tipos de estudo analisados, observou-se que 23 investigações foram delineadas por meio de abordagens quantitativas, enquanto 17 estudos privilegiaram delineamentos qualitativos. No entanto, apenas duas pesquisas foram desenvolvidas com o intuito de privilegiar ambas as abordagens. Além disso, verificou-se que os autores têm preconizado desenhos de pesquisas retrospectivas para melhor compreender o desenvolvimento de talentos esportivos, principalmente quando se trata de analisar os estágios e as transições da carreira esportiva. Alfermann e Stambulova (2007ALFERMANN, D.; STAMBULOVA, N. Career transitions and career termination. In: TENENBAUM, G.; EKLUND, R. C. Handbook of sport psychology. Hoboken: John Wiley & Sons, 2007. p. 712-733.) indicam que metodologicamente os desenhos longitudinais são importantes para a compreensão do fenômeno do desenvolvimento. No entanto, as análises retrospectivas e transversais realmente têm dominado a literatura nessa área.

A entrevista foi o instrumento de coleta de dados mais utilizado pelos pesquisadores para investigar o processo de formação de talentos esportivos (14), seguida do questionário (12) e de uma combinação de técnicas de coleta de dados (entrevista, diário de campo, ensaio escrito, observação, documentos, bateria de testes, formulário, questionário - 11). Além disso, alguns autores utilizaram-se somente da análise documental (03), do grupo focal, das baterias de testes físicos ou das medidas antropométricas (01 estudo cada). Côté, Ericsson e Law (2005CÔTÉ, J.; ERICSSON, K. A.; LAW, M. P. Tracing the development of athletes using retrospective interview methods: a proposed interview and validation procedure for reported information. Journal of Applied Sport Psychology, Indianápolis, v. 17, no.1, p. 1-19, 2005.) corroboram que a entrevista vem sendo utilizada com o objetivo de se avaliar retrospectivamente como o desenvolvimento de atletas ocorre, sendo este procedimento concebido sob o pressuposto de que quando os indivíduos respondem perguntas, com base na recordação de suas experiências passadas, acabam sendo mais precisos e confiáveis do que quando são convidados a deduzir e reconstruir respostas a perguntas gerais.

Por fim, a análise dos dados dos estudos tem abrangido tanto testes estatísticos (24) quanto técnicas de análise pautadas em categorias - análise de conteúdo, análise temática, discurso do sujeito coletivo, técnica de espelho (19).

Processo de identificação de talentos esportivos

A revisão dos estudos focados na identificação de talentos esportivos revelou uma preocupação em torno dos fatores positivos apresentados pelos atletas no momento de sua detecção e seleção, tanto para a prática de esportes individuais quanto coletivos (HOARE; WARRHOARE, D. G.; WARR, C. R. Talent identification and women's soccer: an Australian experience., Journal of Sports Sciences London, v. 18, no. 9, p. 751-758, 2000., 2000; et al., 2004; et al., 2005; HOYO; CORRALES; PÁEZHOYO, L. M.; CORRALES, B. S.; PÁEZ, L. C. Determinación del somatotipo en jugadores infantiles de voleibol: validez como criterio de selección de jóvenes talentos deportivos. Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano, Florianópolis, v. 10, n. 3, p. 255-260, 2008., 2008; et al., 2010; HENRIKSEN, STAMBULOVA, ROESSLERHENRIKSEN, K.; STAMBULOVA, N.; ROESSLER, K. K. Riding the wave of an expert: a successful talent development environment in Kayaking., Sport Psychologist Champaign, v. 25, n. 3, p. 341-362, 2011., 2011; MASSUÇA; FRAGOSOMASSUÇA, L.; FRAGOSO, I. Do talento ao alto rendimento: indicadores de acesso à excelência no handebol., Revista Brasileira de Educação Física e Esporte São Paulo, v. 24, n. 4, p. 483-491, out./dez. 2010., 2010; et al., 2011). Apenas um estudo evidenciou uma reflexão em torno de fatores negativos que dificultam a seleção de jovens atletas ( et al., 2011).

Os aspectos positivos apresentados pelos atletas, que chamam a atenção de treinadores e dirigentes, no momento da identificação de talentos que mais se destacaram foram os fatores físicos (velocidade, agilidade, coordenação, força, impulsão, potência aeróbia, flexibilidade e equilíbrio); psicológicos (motivação, disciplina, concentração, humildade, honestidade, controle emocional e da ansiedade, capacidade de trabalho e sacrifício, capacidade de aprendizagem, autoeficácia e autoconfiança); antropométricos (massa corporal e percentual de gordura, estatura e envergadura); técnicos (recepção, passe, drible, finalização, finta, domínio de marcação, estilos) e táticos (inteligência e leitura de jogo, tomada de decisão, habilidade perceptiva). Os menos encontrados na literatura foram os fatores psicossociais (coletividade, comunicação, respeito, liderança, relacionamentos interpessoais).

Por sua vez, a revisão apontou como aspectos que acabam atrapalhando a seleção de atletas para o cenário esportivo, alguns fatores antropométricos (acima do peso), físicos (lentidão), psicológicos (falta de empenho, ansiedade em competição) e táticos (ausência de noção de jogo coletivo).

Dentre os estudos relacionados com a identificação de talentos se destacam também as propostas de medidas e meios utilizados para se encontrar crianças e adolescentes para a prática esportiva de alto nível, como no caso do efeito relativo da idade ( et al., 2005; et al., 2009; PENNA; MORAESPENNA, E. M.; MORAES, L. C. C. A. Efeito relativo da idade em atletas brasileiros de futsal de alto nível., Motriz Rio Claro, v. 16, n. 3, p. 658-663, jul./set. 2010., 2010). Os efeitos relativos da idade se referem às diferenças entre os indivíduos, em idades de coortestipicamente usadas no esporte. Estes efeitos geralmente favorecem membros relativamente mais velhos do grupo e são pensados para resultar de diferenças de maturação e de experiência entre os atletas de idade cronológica distinta ( et al., 2009).

Nesse caso, enquanto alguns estudos analisados verificaram diferenças em termos de nível físico e amadurecimento em favor dos atletas nascidos nos primeiros meses do ano, uma das pesquisas constatou que a relação entre a idade relativa e os fatores como altura, peso e habilidades técnicas não têm diferenciado quem é e quem não é selecionado para a prática esportiva de alto nível.

Fatores de desenvolvimento de talentos esportivos

Côté, Baker e AbernethyCÔTÉ, J.; BAKER, J.; ALBERNETHY, B. From play to practice: a developmental framework for the acquisition of expertise in team sports. In: STARKES, J. L.; ERICSSON, K. A. Expert performance in sports: advances in research on sport expertise. Champaign: Human kinetics, 2003. p. 89-113. (2003) evidenciam que os fatores de desenvolvimento de talentos esportivos correspondem aos fatores de treinamento (atividades, jogo deliberado e prática deliberada) e as influências sociais (papel do treinador, dos pais e dos pares) que colaboram para o desenvolvimento de um talento. Os autores descrevem que o jogo deliberado corresponde às experiências intrinsecamente motivantes, imediatamente gratificantes e concebidas para proporcionar divertimento aos atletas, enquanto a prática deliberada é concebida como a exercitação de atividades específicas de treino, nem sempre agradáveis, especialmente planejadas para melhorar a performance de um indivíduo.

As atividades experienciadas nas sessões de treinamento são retratadas nas investigações selecionadas como vivências tanto agradáveis quanto desagradáveis (HODGES; STARKESHODGES, N. J.; STARKES, J. L. Wrestling with the nature of expertise: a sport specific test of Ericsson, Krampe and Tesch-Römer's (1993) theory of deliberate practice. International Journal of Sport Psychology, Rome, v. 27, no. 4, p. 400-424, 1996., 1996; HELSEN; STARKES; HODGESHELSEN, W. F.; STARKES, J. L.; HODGES, N. J. Team sports and the theory of deliberate practice. Journal of Sport and Exercise Psychology, Champaign, v. 20, no. 1, p. 12-34, 1998., 1998; et al., 2009; HENRIKSEN; STAMBULOVA; ROESSLERHENRIKSEN, K.; STAMBULOVA, N.; ROESSLER, K. K. Holistic approach to athletic talent development environments: a successful sailing milieu., Psychology of Sport and Exercise New York, v. 11, no. 3, p. 212-222, 2010., 2010, ). Enquanto a própria natureza das tarefas propostas, principalmente as competitivas, são identificadas como promotoras de motivação e prazer, as atividades de condicionamento físico, desenvolvimento das habilidades técnicas e táticas são definidas como de alta relevância e de apreciação, exigindo muito esforço e concentração. No entanto, quando o aprimoramento dos fundamentos técnicos é desenvolvido por meio de exercícios de forma isolada e repetitiva são percebidos como entediantes, desagradáveis e causadores de pressão.

A vivência de jogo deliberado no desenvolvimento da carreira esportiva foi vislumbrada, principalmente, nos estágios iniciais da prática eportiva a partir de uma prática esportiva variada, sem compromisso e sem treinamento intenso (, 1994; , 1999; PERES; LOVISOLOPERES, L.; LOVISOLO, H. Formação esportiva: teoria e visões do atleta de elite no Brasil. Revista da Educação Física/UEM, Maringá, v. 17, n. 2, p. 211-218, 2. sem. 2006., 2006; et al., 2010; HENRIKSEN, 2010, ; SILVA; FLEITHSILVA, P. V. C.; FLEITH, D. S. Atletas talentosos e o papel desempenhado por suas famílias. Revista Brasileira de Psicologia do Esporte, São Paulo, v. 3, n. 4, p. 42-63, jan./jun. 2010., 2010; et al., 2011; VIANA; ANDRADE; BRANDTVIANA, M. S.; ANDRADE, A.; BRANDT, R. Iniciação esportiva de velejadores brasileiros: um estudo qualitativo diagnóstico. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Florianópolis, v. 33, n. 2, p. 283-301, 2011., 2011; et al., 2012; et al., 2012; et al., 2012). As experiências no ambiente esportivo têm sido consideradas como agradáveis, divertidas, lúdicas, recreativas e prazerosas, enquanto fora do ambiente de treino, a família tem proporcionado experiências motoras e recreativas influentes no processo de formação esportiva e percebidas como de fundamental importância e, por isso, incentivadas também pelos treinadores.

Contrariamente, as oportunidades de prática deliberada têm aumentado com o avanço dos atletas nos estágios de desenvolvimento, sendo visualizadas como uma prática com carga de treinamento intensa e especializada, em que os atletas aprendem a adiar a gratificação pelos seus esforços e romper com brincadeiras e jogos característicos do jogo deliberado (HODGES; STARKESHODGES, N. J.; STARKES, J. L. Wrestling with the nature of expertise: a sport specific test of Ericsson, Krampe and Tesch-Römer's (1993) theory of deliberate practice. International Journal of Sport Psychology, Rome, v. 27, no. 4, p. 400-424, 1996., 1996; HELSEN; STARKES; HODGESHELSEN, W. F.; STARKES, J. L.; HODGES, N. J. Team sports and the theory of deliberate practice. Journal of Sport and Exercise Psychology, Champaign, v. 20, no. 1, p. 12-34, 1998., 1998; PERES; LOVISOLOPERES, L.; LOVISOLO, H. Formação esportiva: teoria e visões do atleta de elite no Brasil. Revista da Educação Física/UEM, Maringá, v. 17, n. 2, p. 211-218, 2. sem. 2006., 2006; et al., 2010; HENRIKSEN; STAMBULOVA; ROESSLERHENRIKSEN, K.; STAMBULOVA, N.; ROESSLER, K. K. Holistic approach to athletic talent development environments: a successful sailing milieu., Psychology of Sport and Exercise New York, v. 11, no. 3, p. 212-222, 2010., 2010, ; YOUNG; SALMELAYOUNG, B. W.; SALMELA, J. H. Examination of practice activities related to the acquisition of elite performance in Canadian middle distance running., International Journal of Sport Psychology Rome, v. 41, no. 1, p. 73-90, 2010., 2010; et al., 2011; et al., 2011; et al., 2011; et al., 2011; et al., 2012; et al., 2012). Os programas de treinamento investigados têm dado ênfase na aprendizagem dos fundamentos de forma estruturada, sistematizada, rígida, disciplinada, monótona e com foco na repetição, existindo foco na correção dos movimentos (monitoramento), com a realização de exercícios até a exaustão.

Os atletas de alto nível, selecionados para compor equipes nacionais de diferentes países, apresentam maior número de horas acumuladas de prática deliberada na modalidade após os primeiros anos de experiências do que os atletas que não chegaram a elite esportiva, apesar de nos primeiros anos da carreira esportiva terem quantidades similares dessa prática. Além disso, praticantes de modalidades individuais apresentam maior quantidade de prática do que jogadores de esportes coletivos.

As investigações, em torno das influências sociais no processo de formação esportiva, evidenciaram maior participação da familia do que dos colegas de equipe e treinadores no desenvolvimento de talentos esportivos (, 1999; HOLT; MORLEYHOLT, N. L.; MORLEY, D. Gender differences in psychosocial factors associated with athletic success during childhood., Sport Psychologist Champaign, v. 18, no. 2, p. 138-153, 2004., 2004; MORAES; RABELO; SALMELAMORAES, L. C.; RABELO, A. S.; SALMELA, J. H. Papel dos pais no desenvolvimento de jovens futebolistas. Psicologia: Reflexão e Crítica, Porto Alegre, v. 17, n. 2, p. 211-222, 2004., 2004; WUERTH; LEE; ALFERMANWUERTH, S.; LEE, M. J.; ALFERMANN, D. Parental involvement and athletes' career in youth sport., Psychology of Sport and Exercise New York, v. 5, no. 1, p. 21-33, 2004., 2004; et al., 2009; et al., 2010;HENRIKSEN; STAMBULOVA; ROESSLERHENRIKSEN, K.; STAMBULOVA, N.; ROESSLER, K. K. Holistic approach to athletic talent development environments: a successful sailing milieu., Psychology of Sport and Exercise New York, v. 11, no. 3, p. 212-222, 2010., 2010, ; MASSA; UEZU; BÖHMEMASSA, M.; UEZU, R.; BÖHME, M. T. S. Judocas olímpicos brasileiros: fatores de apoio psicossocial para o desenvolvimento do talento esportivo., Revista Brasileira de Educação Física e Esporte São Paulo, v. 24, n. 4, p. 471-481, dez. 2010., 2010; SAGAR; LAVALLEESAGAR, S. S.; LAVALLEE, D. The developmental origins of fear of failure in adolescent athletes: examining parental practices., Psychology of Sport and Exercise New York, v. 11, no. 3, p. 177-187, 2010., 2010; SILVA; FLEITHSILVA, P. V. C.; FLEITH, D. S. Atletas talentosos e o papel desempenhado por suas famílias. Revista Brasileira de Psicologia do Esporte, São Paulo, v. 3, n. 4, p. 42-63, jan./jun. 2010., 2010; et al., 2011; et al., 2011; VIANA; ANDRADE; BRANDTVIANA, M. S.; ANDRADE, A.; BRANDT, R. Iniciação esportiva de velejadores brasileiros: um estudo qualitativo diagnóstico. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Florianópolis, v. 33, n. 2, p. 283-301, 2011., 2011; et al., 2012). O papel da família foi visualizado por meio do apoio fornecido e do nível de envolvimento desta na vida esportiva dos atletas, sendo que o apoio emocional e concreto sobressaíram-se em relação ao apoio informativo.

O apoio emocional é fornecido a partir de estímulos positivos, como incentivo, motivação, valorização e elogios, bem como demonstração de expectativas positivas de desempenho e de interesse em torno da prática esportiva dos jogadores. O apoio concreto advém principalmente do auxílio financeiro para compra de material esportivo, pagamento de mensalidades, registro esportivo, transporte e despesas com viagens. Por sua vez, o apoio informativo é proporcionado por meio de conversas, conselhos e feedbackspositivos sobre a participação e o futuro esportivo.

O apoio informativo dos colegas tem sido fornecido por meio de feedbacks(comunicação avaliativa) positivos e negativos (HOLT; MORLEYHOLT, N. L.; MORLEY, D. Gender differences in psychosocial factors associated with athletic success during childhood., Sport Psychologist Champaign, v. 18, no. 2, p. 138-153, 2004., 2004; et al., 2009; HENRIKSEN; STAMBULOVA; ROESSLERHENRIKSEN, K.; STAMBULOVA, N.; ROESSLER, K. K. Holistic approach to athletic talent development environments: a successful sailing milieu., Psychology of Sport and Exercise New York, v. 11, no. 3, p. 212-222, 2010., 2010, ; MASSA; UEZU; BÖHMEMASSA, M.; UEZU, R.; BÖHME, M. T. S. Judocas olímpicos brasileiros: fatores de apoio psicossocial para o desenvolvimento do talento esportivo., Revista Brasileira de Educação Física e Esporte São Paulo, v. 24, n. 4, p. 471-481, dez. 2010., 2010; et al., 2011; et al., 2011; VIANA; ANDRADE; BRANDTVIANA, M. S.; ANDRADE, A.; BRANDT, R. Iniciação esportiva de velejadores brasileiros: um estudo qualitativo diagnóstico. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Florianópolis, v. 33, n. 2, p. 283-301, 2011., 2011; et al., 2012). A questão avaliativa é vista como negativa quando existem reações imediatas para erros cometidos, com comentários demasiados, repetitivos e intolerantes, enquanto o apoio informativo positivo tem sido proporcionado nas trocas de conhecimento, principalmente quando atletas mais experientes compartilham suas vivências com os iniciantes. O apoio motivacional é fomentado por meio de demonstração de confiança, motivação e incentivos de um para com o outro. Além disso, o grupo de amizade construído no ambiente esportivo tem se revelado forte influente no processo de desenvolvimento dos talentos.

O apoio emocional dos treinadores tem sido fornecido, muitas vezes, por meio de reforço comportamental (punição de erros e recompensa para sucesso), enquanto o apoio informativo tem se consolidado por meio de feedbacksverbais, tanto positivos (motivador) quanto negativos (desmotivador). Essesfeedbacks envolvem comentários sobre o potencial dos talentos enquanto atletas e sobre detalhes específicos dos fundamentos técnico-táticos (HOLT; MORLEYHOLT, N. L.; MORLEY, D. Gender differences in psychosocial factors associated with athletic success during childhood., Sport Psychologist Champaign, v. 18, no. 2, p. 138-153, 2004., 2004;MARTINDALE; COLLINS; ABRAHAM, 2007MARTINDALE, R. J. J.; COLLINS, D.; ABRAHAM, A. Effective talent development: the elite coach perspective in UK sport., Journal of Applied Sport Psychology Indianapolis, v. 19, no. 2, p. 187-206, 2007.; et al., 2009; et al., 2010; HENRIKSEN; STAMBULOVA; ROESSLERHENRIKSEN, K.; STAMBULOVA, N.; ROESSLER, K. K. Holistic approach to athletic talent development environments: a successful sailing milieu., Psychology of Sport and Exercise New York, v. 11, no. 3, p. 212-222, 2010., 2010).

No que se refere aos fatores de desenvolvimento de talentos esportivos, para além dos fatores de treinamento e influências sociais, alguns estudos têm preconizado à analise das habilidades de autorregulação (planejamento, auto-monitorização, avaliação, reflexão, esforço e autoeficácia) que influenciam o sucesso esportivo, identificando-se que atletas que competem em níves mais elevados se distinguem dos demais, especialmente, em relação às suas habilidades reflexivas (JONKER; GEMSER; VISSCHER, 2010JONKER, L.; GEMSER, M. T. E.; VISSCHER, C. Differences in self-regulatory skills among talented athletes: the significance of competitive level and type of sport., Journal of Sports Sciences London, v. 28, no. 8, p. 901-908, 2010., 2011).

Estágios de desenvolvimento de talentos esportivos

Os estudos relacionados aos estágios de desenvolvimento dos talentos esportivos visaram identificar, principalmente, os fatores de treinamento e as influências sociais no processo de formação esportiva das fases de iniciação, especialização e aperfeiçoamento esportivo (, 1994; , 1999; MORAES; RABELO; SALMELAMORAES, L. C.; RABELO, A. S.; SALMELA, J. H. Papel dos pais no desenvolvimento de jovens futebolistas. Psicologia: Reflexão e Crítica, Porto Alegre, v. 17, n. 2, p. 211-222, 2004., 2004; PERES; LOVISOLOPERES, L.; LOVISOLO, H. Formação esportiva: teoria e visões do atleta de elite no Brasil. Revista da Educação Física/UEM, Maringá, v. 17, n. 2, p. 211-218, 2. sem. 2006., 2006; et al., 2010; NUNOMURA; CARRARA; TSUKAMOTONUNOMURA, M.; CARRARA, P. D. S.; TSUKAMOTO, M. H. C. Ginástica artística e especialização precoce: cedo demais para especializar, tarde demais para ser campeão!, Revista Brasileira de Educação Física e Esporte São Paulo, v. 24, n. 3, p. 305-314, jul./set. 2010., 2010; et al., 2011; VIANA; ANDRADE; BRANDTVIANA, M. S.; ANDRADE, A.; BRANDT, R. Iniciação esportiva de velejadores brasileiros: um estudo qualitativo diagnóstico. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Florianópolis, v. 33, n. 2, p. 283-301, 2011., 2011; et al., 2012;LEITE; SAMPAIOLEITE, N. M. C.; SAMPAIO, J. E. Long-term athletic development across different age groups and gender from Portuguese basketball players. International Journal of Sports Science & Coaching, Brentwood, v. 7, no. 2, p. 285-300, 2012., 2012).

O estágio de iniciação esportiva revelou-se como a fase em que crianças e adolescentes buscam se envolver em uma diversidade de modalidades e provas dentro destas. Essa inserção ocorre, muitas vezes, em momentos de lazer com os familiares, objetivando-se desenvolver o gosto pela prática de esportes. No que se refere aos fatores de treinamento, as atividades vivenciadas com familiares e, algumas vezes, nas escolinhas de esportes, apresentam-se voltadas para o desenvolvimento da coordenação e das habilidades motoras básicas a partir de experiências agradáveis e divertidas. Sendo assim, elas têm ofertado maior envolvimento em situações de jogo deliberado em comparação às de prática deliberada.

Os pais têm se destacado como a influência social de maior repercussão nesse período de formação de jovens atletas, uma vez que estes se apresentam como os grandes responsáveis por inserirem as crianças no esporte. No entanto, enquanto alguns incentivam a participação em várias modalidades, outros incentivam desde cedo à especialização em determinado esporte, nesse último caso, modalidades já praticadas por membros da família. Nessa etapa os familiares costumam fornecer apoio emocional (incentivo e motivação) e informativo (conversas sobre a prática esportiva), além do apoio concreto (financeiro) para que os atletas se dediquem à prática esportiva. Contudo, nem todos os familiares demonstram essas posturas, revelando que não possuem o costume de motivar ou orientar o envolvimento dos filhos com o esporte.

A análise do estágio de especialização esportiva revelou uma pequena busca pela manutenção da prática variada de modalidades esportivas e, consequentemente, uma preferência pelo compromisso em apenas um ou no máximo dois esportes. Nesse sentido, a análise dos fatores de treinamento evidenciou que as atividades propostas nesta etapa de preparação esportiva voltaram-se, principalmente, para o desenvolvimento das habilidades específicas da modalidade selecionada, aumentando gradativamente a quantidade de prática deliberada (carga horária de treino diária e semanal, direcionamento para competições, rotina intensa e forte de treinamentos) e diminuindo, consequentemente, os momentos de jogo deliberado (ludicidade, emoção e diversão).

As evidências encontradas revelaram que os pais permanecem vistos como os principais agentes de influência social no processo de formação dos filhos e se tornam mais interessados e envolvidos com a prática esportiva dos filhos. O apoio social deixa de ter tanto caráter informativo e emocional para ser mais concreto (financeiro), no intuito de facilitar a participação esportiva e permitir que os filhos se dediquem cada vez mais ao esporte, diminuindo assim as cobranças em outras áreas.

O estágio de investimento esportivo foi identificado como um período de profissionalização, de dedicação exclusiva a uma modalidade, em que os atletas passam a ter maior comprometimento e dedicação, a participarem de competições de maior expressão e a serem convocados para seleções nacionais. Os fatores de treinamento analisados demonstraram que as atividades desenvolvidas nesse momento de formação visam a excelência esportiva, ocorrendo exclusivamente por meio de experiências de prática deliberada, com carga de treinamento cada vez mais intensa e especializada, além de quantidade enorme de horas de treinamento acumulada (diária, semanal, anual).

Nesse estágio, os atletas apresentam a família, principalmente os irmãos, como influência positiva e grandes incentivadores para o investimento no esporte. Os pais intensificam o apoio informativo, por meio de conselhos e conversas sobre o futuro do filho no esporte, além de fornecerem apoio emocional (motivação para o investimento no esporte) e concreto (ajudas financeiras).

Transições no desenvolvimento de talentos esportivos

As transições ocorridas no desenvolvimento de talentos esportivos podem ser consideradas normativas e não normativas. Enquanto que as primeiras se destacam por serem mais previsíveis, criando uma oportunidade para os atletas se prepararem antecipadamente, as últimas se caracterizam como situações menos previsíveis e consideradas as mais difíceis de enfrentar (ALFERMANN; STAMBULOVAALFERMANN, D.; STAMBULOVA, N. Career transitions and career termination. In: TENENBAUM, G.; EKLUND, R. C. Handbook of sport psychology. Hoboken: John Wiley & Sons, 2007. p. 712-733., 2007).

Os artigos analisados na presente revisão demonstraram que os atletas têm vivenciado diferentes transições durante o desenvolvimento de sua carreira, destacando-se principalmente as normativas (, 1994; WUERTH; LEE; ALFERMANNWUERTH, S.; LEE, M. J.; ALFERMANN, D. Parental involvement and athletes' career in youth sport., Psychology of Sport and Exercise New York, v. 5, no. 1, p. 21-33, 2004., 2004; et al., 2009; PUMMELL; HARWOOD; LAVALLEPUMMELL, B.; HARWOOD, C.; LAVALLEE, D. Jumping to the next level: a qualitative examination of within-career transition in adolescent event riders., Psychology of Sport and Exercise New York, v. 9, no. 4, p. 427-447, 2008., 2008; SAMUEL; TENENBAUMSAMUEL, R. D.; TENENBAUM, G. How do athletes perceive and respond to change-events: an exploratory measurement tool., Psychology of Sport and Exercise New York, v. 12, n. 4, p. 392-406, 2011., 2011; STAMBULOVA; FRANCK; WEIBULLSTAMBULOVA, N.; FRANCK, A.; WEIBULL, F. Assessment of the transition from junior-to-senior sports in Swedish athletes. International, Journal of Sport and Exercise Psychology Oxon, v. 10, n. 2, p. 79-95, 2012., 2012; et al., 2012) em comparação às não normativas (, 1994; , 2011; et al., 2012).

A primeira transição esportiva normativa se caracteriza como a transição para o início da especialização esportiva, a qual ocorre quando os atletas saem das escolinhas e da prática variada de esportes para se especializarem em uma única modalidade. As principais características dessa transição são a falha na correspondência entre as expectativas que os atletas possuem sobre o esporte e a prática da modalidade escolhida, ou seja, entre os seus motivos para praticá-la e o processo de treinamento fornecido nas escolinhas ou equipes esportivas (exemplo: interesse do jovem atleta em jogar versus treino exaustivo dos fundamentos técnicos). Para superarem essa transição, os atletas percebem a necessidade de adquirirem bom nível de condicionamento físico e dominar os fundamentos técnicos específicos da modalidade, apresentando-se bem nas competições disputadas. As consequências para quem consegue lidar positivamente como essa transição é a intensificação da formação na modalidade escolhida, enquanto as consequências para quem lidar negativamente é a orientação para outra modalidade ou outras atividades.

A segunda transição da carreira esportiva encontrada é a transição para o treinamento especializado intensivo, a qual apresenta como característica primordial a vivência de metas esportivas mais elevadas e maiores níveis de concorrência entre os próprios atletas para sobreviverem na modalidade praticada. As necessidades sentidas pelos atletas correspondem à adaptação às novas cargas de treinamento físico e psicológico e ao aprimoramento dos fundamentos técnico-táticos da modalidade. Para tanto, as consequências advindas são, os primeiros grandes resultados em competições, para quem consegue lidar com sucesso com essas demandas ou o abandono do esporte de uma forma geral, para os atletas que não conseguem lidar com essas situações.

As características encontradas para a terceira transição normativa, denominada de transição nos níveis competitivos, envolvem tanto o lado positivo (maior dedicação, esforço) quanto o lado negativo (estresse em tono da carreira e preocupações com questões financeiras) de evoluir nos níveis da carreira esportiva. As necessidades percebidas para esses momentos envolvem dedicação de tempo, sacrifícios e determinação, as quais geram consequências positivas como capacidade de abordar a concorrência de forma mais profissional, aumento da capacidade técnica e da autoconfiança, além da diminuição do nervosismo e da ansiedade. Para os atletas que reagem com sucesso a essas transições, o esporte se torna a parte mais significativa de suas vidas.

A última transição encontrada se caracteriza como uma das mais importantes para a confirmação do atleta como talento esportivo. Nesse sentido, as características da transição para a categoria adulta envolvem o alcance da autorrealização atlética, o início do ápice da carreira e a satisfação com a vida esportiva, os quais exigem um estilo de vida subordinado ao esporte. No entanto, para alcançar esses marcos, os atletas passam a ter maiores exigências de treinamento e maior número de situações estressantes. A necessidade que essa transição impõe é uma assistência técnica e mental, na maioria das vezes realizada por especialistas, concentração elevada e responsabilidade. Para prosseguir na profissão os atletas precisam aprender a criar um estilo pessoal para melhorar seus resultados esportivos, demonstrar alto nível de competência, esforço físico e mental, aprendendo a superar crises interpessoais e a conciliar as metas esportivas com outros objetivos de vida.

A vivência de transições esportivas não normativas, tais como conflitos com companheiros e treinadores, mudança de contrato ou situação financeira, mudança de equipe ou clube, não seleção para algumas competições, períodos de estresse, saturação do esporte e, principalmente, lesões, acaba por gerar crises na carreira dos atletas. Essas últimas foram visualizadas como transições que muitas vezes acabam gerando a retirada prematura do esporte.

Os resultados encontrados na revisão das transições na carreira esportiva corroboram a indicação de Stambulova et al.STAMBULOVA, N.; ALFERMANN, D.; STATLER, T.; CÔTÉ, A. J. Career development and transitions of athletes. International, Journal of Sport and Exercise Psychology Northumria, v. 7, p. 395-412, 2009. (2009) de que uma transição bem sucedida ocorre quando um atleta é capaz de desenvolver e utilizar eficazmente os recursos e as estratégias de enfrentamento necessários para superar as barreiras encontradas. Por sua vez, as crises ocorrem quando o atleta não é capaz de lidar com as demandas de uma transição e acaba necessitando de maior auxílio em sua rede de apoio social ou até mesmo de intervenção psicológica.

Apesar do destaque fornecido para as transições esportivas, as novas abordagens presentes na literatura buscam examinar a carreira esportiva como uma interação recíproca entre o desenvolvimento tanto do domínio atlético quanto do domínio em outras áreas (, 2010). Nesse sentido, Wylleman, Alfermann e LavalleeWYLLEMAN, P.; ALFERMANN, D.; LAVALLEE, D. Career transitions in sport: European perspectives., Psychology of Sport and Exercise Copenhagen, v. 5, no. 1, p. 7-20, Jan. 2004. (2004) apresentam um modelo de transições que não foca apenas nos diferentes domínios da vida esportiva dos atletas, mas nas transições não esportivas que podem afetar o desenvolvimento de uma carreira esportiva. O modelo demonstra que juntamente com as mudanças ocorridas entre os estágios de desenvolvimento e os níveis competitivos, os atletas precisam lidar com transições nos níveis acadêmico-profissional (entrada no Ensino Superior, escolha profissional), psicológico (início da adolescência, da vida adulta) e psicossocial (relacionamentos íntimos, vida social).

As transições não esportivas no desenvolvimento de talentos esportivos se referem às transições acadêmicas e profissionais, que exigem a aprendizagem dos atletas em conciliar a prática esportiva com o estudo e/ou com o trabalho, bem como com as mudanças de escola ou de universidade em função da prática esportiva. As transições psicossociais enfatizam determinadas dificuldades dos atletas em conciliarem esporte e momentos de lazer, esporte e relacionamentos temporários ou estáveis, bem como esporte e contatos sociais com amigos ou familiares.

Por fim, identificou-se que quando os atletas não conseguem lidar sozinhos com essas transições e não possuem um suporte profissional ou interpessoal acabam sofrendo consequências negativas tanto em sua vida esportiva (declínio nos resultados esportivos, saída precoce do esporte) quanto em sua vida pessoal (degradação da personalidade, distúrbios, neuroses, doenças somáticas e psicossomáticas, uso de álcool e drogas).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As evidências encontradas na presente revisão revelam a atualidade da temática em torno do desenvolvimento de talentos esportivos, principalmente no cenário internacional, além de uma preocupação predominante dos investigadores em desvendar os fatores e os estágios da carreira esportiva. A análise dos artigos selecionados evidenciou ainda que tanto delineamentos quantitativos quanto qualitativos têm sido usados para se compreender esse fenômeno, com predominância de desenhos retrospectivos para elaborar um panorama dos estágios e das transições que os atletas percorrem em suas carreiras esportivas.

Embora os estudos selecionados sejam, na maioria dos casos, sugestivos e não conclusivos, as evidências encontradas apontam a dificuldade de se encontrar fatores isolados que induzam a identificação de talentos esportivos, sendo a combinação de vários fatores pessoais (físicos, antropométricos, psicológicos, técnico-táticos) positivos e negativos que acabam por possibilitar a detecção e a seleção de jovens atletas para o processo de formação esportiva.

A análise dos resultados dos estudos empíricos revelou ainda que no primeiro estágio de desenvolvimento, as atividades experienciadas tanto nas escolinhas quanto nos momentos de lazer com a família, em sua maioria, visam prioritariamente desenvolver nas crianças e jovens o gosto pela prática esportiva e o aprimoramento de habilidades básicas.

Os fatores de especialização encontrados têm correspondido ao apoio e ao incentivo recebido pelos atletas, ao desempenho esportivo alcançado no estágio anterior, à motivação pessoal e às relações interpessoais construídas no contexto esportivo. Por sua vez, os fatores de investimento estão relacionados com a motivação pessoal para alcançar a excelência esportiva e com o apoio e o incentivo de agentes sociais próximos.

A apreciação das transições vivenciadas pelos atletas evidencia que enquanto estes passam por transformações no domínio esportivo, experienciam juntamente situações em outras esferas da vida (psicossocial, acadêmico-profissional) que acabam por afetar o desenvolvimento de sua carreira esportiva, necessitando em ambos os casos de recursos e estratégias pessoais e interpessoais para superarem as barreiras encontradas.

A presente revisão revelou assim que os delineamentos da produção científica têm contribuído com informações relevantes para se compreender como o processo de identificação e desenvolvimento de talentos ocorre. Contudo, permite a sugestão de ampliação de investigações dessa natureza, com a utilização de desenhos tanto retrospectivos quanto longitudinais, principalmente na realidade brasileira, para que a comunidade científica e prática da área permaneçam interessadas e atualizadas sobre os avanços no processo de formação esportiva de jovens atletas.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Apr-Jun 2015

Histórico

  • Recebido
    23 Maio 2014
  • Revisado
    25 Ago 2014
  • Aceito
    13 Fev 2015
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