Resumo
Este trabalho analisa 373 produções acadêmico-científicas sobre o tema da emigração brasileira, realizadas na área das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, entre 1980 e 2024. Interessa-nos saber como e com quais informações pesquisas publicadas em língua portuguesa vêm contribuindo para suprir lacunas sobre a temática do movimento diaspórico a partir do Brasil, seus modos de produção, desenvolvimento e publicização. De caráter interdisciplinar, abordagem qualitativa e natureza exploratória, utilizamos como recurso teórico-metodológico o conceito de Comunicação Científica (CC), bem como a aplicação de análise de conteúdo e entrevistas fechadas com os principais autores dos estudos. Os resultados apontaram para duas questões principais, de modo a favorecer o processo migratório - com o conhecimento gerado sobre o tema da emigração brasileira; e o saber - revelando dinâmicas, fragilidades e potencialidades de ampliação e fortalecimento da pesquisa.
Palavras-chave:
comunicação científica; estudos migratórios; emigração brasileira; pesquisas
Abstract
This paper analyzes 373 academic and scientific publications about Brazilian emigration topic, conducted within the fields of Human and Applied Social Sciences, between 1980 and 2024. Our aim is to understand how and with what information research has been published in Portuguese, contributing to filling gaps about the theme of the diasporic movement from Brazil, as well as its modes of production, development, and dissemination. In an interdisciplinary way, with a qualitative approach and exploratory nature, we employ the concept of Scientific Communication (SC) as a theoretical-methodological framework, along with content analysis and interviews with key authors of the studies. The results support two main objectives: first, to enhance understanding of the migratory process - specifically, the knowledge generated on the topic of Brazilian emigration; and second, to promote knowledge itself - by revealing the dynamics, fragilities, and potential for expansion and strengthening of research in this area.
Keywords:
scientific communication; Migration Studies; Brazilian emigration; research
Introdução
Historicamente, o Brasil sempre foi reconhecido como um país de imigração. A chamada “grande corrente migratória”, no fim do século XIX e início do XX - quando entraram no país cerca de 4,5 milhões de pessoas vindas da Europa, Japão e países árabes, principalmente - foi um dos grandes marcos da entrada de estrangeiros no país. A partir de 1980, no entanto, o Brasil passa a ser considerado um país de emigração, com a saída de cidadãos para os Estados Unidos, países da Europa e Japão, em sua maioria.
Não que, antes, os brasileiros não emigrassem. Pelo contrário. Sabe-se que os deslocamentos são uma constante forma de organização social e uma característica intrínseca da humanidade ao longo do tempo, em qualquer parte do mundo. No entanto, foi a partir de 1980 que começaram a ser registrados fluxos mais sistematizados de pessoas do Brasil para o exterior, com destaque, uma década antes, a partir de 1970, para a movimentação de brasileiros rumo ao Paraguai, em busca de terras, impulsionados por incentivos do governo local, no que ficou conhecido como “brasiguaios” (Sprandel, 2010), bem como exilados políticos, a partir de 1964, por conta das perseguições do Regime Militar.
Atualmente, estimativas do Ministério das Relações Exteriores - Itamaraty (2024) dão conta de que existam 4,9 milhões de brasileiros vivendo em outros países do mundo. O número é cerca de três vezes maior que a quantidade de migrantes internacionais que entraram no Brasil, entre 2010 e 2024, que foi de 1.700.686 (OBMigra, MJSP, 2024). Em 2015, o Fundo de População das Nações Unidas - UNFPA chegou a classificar o Brasil em quinto lugar, dentre os países da América Latina, com maior número de pessoas que emigram internacionalmente, atrás apenas do México, da região triangular norte da América Central (Guatemala, Honduras e El Salvador), Colômbia e Porto Rico (CEM, UPM, 2018).
Apesar de todo esse cenário e relevância do tema, observam-se lacunas no conhecimento empírico sobre a emigração brasileira, em termos quantitativos e qualitativos. Estudiosos do assunto, como Firmeza (2007), Faria (2012), Milanez (2013), Patarra (1996), Sales (1992), Escudero e Brum (2023), são unânimes em afirmar que faltam dados e informações organizadas, não só para a compreensão da realidade dessa população (perfil, características, motivos do deslocamento, formas de integração no país de destino, manutenção de vínculos, questões de cidadania, xenofobia etc.), mas, também, para fomentar políticas públicas de caráter transnacional, ou seja, tanto no Brasil (país de origem), como nos países de destinos, que atendam as demandas e necessidades desses cidadãos.
A própria OIM - Organização Internacional das Migrações (2022) reconhece que há necessidade de aprofundamento nos estudos sobre emigração brasileira, bem como urgência de mapeamento de dados, quantitativos e qualitativos, que registrem e reflitam a realidade vivida por essas pessoas. E coloca que: “a academia e seus pesquisadores - desde que apoiados e com projetos direcionados - têm condições de assumir um protagonismo na produção de esforços inovadores, tanto no desenvolvimento de tecnologias para a produção de informações, como na reflexão sobre os dados produzidos” (OIM, 2022, p. 16).
Assim, o presente artigo1 tem como objetivo principal analisar a produção acadêmico-científica sobre o tema da emigração brasileira, ao longo do tempo. Interessa-nos saber como e com quais informações pesquisas publicadas em língua portuguesa vêm contribuindo para suprir lacunas sobre a temática do movimento diaspórico a partir do Brasil, seus modos de produção, desenvolvimento e publicização. Para isso, fazemos uma análise da produção da área das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, com foco no conceito de Comunicação Científica (CC). Grosso modo, o conceito de CC envolve o registro, a divulgação e o compartilhamento de atividades associadas à realização de pesquisas acadêmico-científicas - desde propostas e ideias de estudos, a resultados, aplicações e interpretações, passando, ainda, por descrições metodológicas, conceitualização teórica, entre outros aspectos. É por meio dela que, não apenas pesquisadores têm acesso ao que está sendo produzido em sua área de conhecimento, o que tende a favorecer a colaboração, a inovação e o desenvolvimento do conhecimento científico (Caribé, 2015; Garvey, 1979; Valerio, Pinheiro, 2008; Targino, 2000; e Meadows, 1999), mas, também, pode-se conhecer melhor diferentes assuntos, contextos e situações.
De caráter interdisciplinar, envolvendo os campos da Comunicação e das Migrações, o trabalho foi realizado em dois momentos. Em um primeiro, com a utilização da técnica de pesquisa Análise de Conteúdo (AC), seguindo a proposta de Bardin (1977), focamos na análise do material de CC publicado a fim de identificar: 1) o fluxo e desenvolvimento da produção; 2) os principais autores; e 3) o tema estudado (dentro da heterogeneidade do assunto). Em um segundo momento, de modo complementar, a partir da identificação dos autores que mais publicaram pesquisas nessa área, fizemos uma entrevista estruturada ou fechada (Fraser, Gondin, 2004) com o intuito de saber: 1) o que o(a) levou a pesquisar sobre o tema; 2) principais desafios do estudo do tema; 3) formas de divulgação do conhecimento científico para além da CC.
Este artigo está dividido em quatro partes, para além desta Introdução e das Considerações finais. Na primeira, discutimos brevemente as relações entre CC dentro do contexto dos estudos migratórios. Na segunda, detalhamos os aspectos metodológicos da pesquisa. Nas terceiras e quarta partes, descrevemos os principais resultados da AC e das entrevistas, respectivamente, analisando e interpretando os dados obtidos.
1. A Comunicação Científica aplicada aos estudos migratórios
“Não se pode escrever inocentemente sobre a imigração e sobre os imigrantes” (Sayad, 1998, p. 21). É assim que o argelino Abdelmaleck Sayad discorre sobre as condições sociais de produção da pesquisa na área das Ciências Humanas e Sociais sobre migrações. Segundo o autor, o migrante é um objeto social dominado politicamente. Como, então, pesquisá-lo sem ajustar os sistemas de interrogações, os conceitos, os instrumentos e preceitos aos limites simbólicos socialmente determinados por esse objeto? “Como fazer uma sociologia do “pequeno” sem que essa sociologia seja pequena?” (Sayad, 1998, p. 22).
A resposta dessa indagação, evidentemente, não é fácil. Envolve desde aspectos relacionados à ausência de uma tradição de estudos, de registros, arquivos e documentos objetivos, de dados sociais rigorosamente coletados, de séries estatísticas precisas, longas e homogêneas sobre processos migratórios, além de infraestrutura para investigações, interesses relacionados a investimentos científicos e conduta ética dos pesquisadores. Soma-se, também, ainda de acordo com Sayad (1998), a questão da interdisciplinaridade e a migração ser considerado um “fato social completo”, ou seja, todo itinerário do migrante, a partir do olhar epistemológico, se dá no “cruzamento das ciências sociais, como um ponto de encontro de inúmeras disciplinas, história, geografia, demografia, economia, direito, sociologia, psicologia (...), antropologia, linguística (...), ciência política etc.” (Sayad, 1998, p. 15).
Há, também, a presença da perspectiva do espaço transnacional. O deslocamento humano não ocorre, apenas, no espaço físico. Mas, também, em um espaço qualificado de sentidos (sociais, políticos, econômicos, culturais) e construído simbolicamente a partir de preceitos amplos como nação, raça e etnia. E tudo isso em uma perspectiva transnacional, ou seja, a compreensão da migração conectada a partir de redes e sujeitos que envolvem ações no local de origem dos migrantes e de destino, em um único campo social (Bourdieu, 2002). Para Schiller, Basch e Blanc-Szanton (1992), nesse campo, os imigrantes desenvolvem e mantêm múltiplas relações - familiares, econômicas, sociais, organizacionais, religiosas e políticas - para além das fronteiras. Em outras palavras: realizam atividades, tomam decisões, preocupam-se, e reconstroem identidades com as quais conectam dois ou mais países. O resultado disso no âmbito da pesquisa e do conhecimento é, no mínimo, uma dispersão de informações e complexidade de sistematização de referenciais teórico-metodológicos.
Assim, especificamente sobre as pesquisas acadêmico-científicas na área dos estudos migratórios
... o método científico, em termos gerais, e a capacidade de pesquisar são, antes de qualquer coisa, o exercício de uma profissão, um artesanato, uma arte. E como tal aprende-se a partir da observação, com a tentativa e o erro. (...) são necessárias habilidades especiais, já que todo tipo de pesquisa requer um envolvimento pessoal do pesquisador. A pesquisa exige suas habilidades individuais para a observação e a sistematização; sua capacidade para a análise, a introspecção e a reflexão; sua única, pessoal e peculiar maneira de conseguir, obter, perseguir, processar e interpretar a informação. (Durand, Lussi, 2015, p. 8)
Antes de prosseguirmos, é importante registrar que há múltiplas definições de método científico. Neste trabalho, procuramos utilizar uma ideia contemporânea, que envolve uma abordagem pluralista e não-linear, rigorosa e interpretativa. Significa dizer que, principalmente na área das ciências humanas e sociais, não há um método único ou estruturas universais capazes de serem aplicadas e replicadas. Pelo contrário, envolve uma ampla diversidade de recursos teórico-metodológicos sistemáticos e verificáveis com o objetivo final de compreender complexos processos sociais e humanos, reconhecendo, ainda, a subjetividade como parte do objeto pesquisado. Tal cenário caminha para uma visão integral e holística da realidade empírica, contribuindo para a criação de novos horizontes investigativos (Perovano, Haracemiv, 2024).
Por fim, em particular no caso dos estudos dos fluxos emigratórios brasileiros, é preciso considerar o fato de ser uma ocorrência social “recente”, de somente quase 45 anos, se aceitarmos o marco da década de 1980 como início dos fluxos mais sistematizados, conforme já discorremos na Introdução. Isso impacta na curta trajetória temporal dos estudos, além de os situarem em um complexo contexto de globalização crescente, aceleração das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), desenvolvimento dos meios de transportes, estabelecendo conexões com outros fenômenos estritamente relacionados à mobilidade humana e que se configuram como variáveis da mesma, apesar de não se referirem especificamente aos deslocamentos, mas o implicam em seus percursos enquanto articuladores e multiplicadores da mobilidade (Durand, Lussi, 2015, p. 44-45).
Diante de todas essas dificuldades e procurando entender o papel e as possibilidades da pesquisa acadêmico-científica em ações inovadoras para suprir lacunas sobre a temática da emigração brasileira, avançar na produção de informações e analisar e refletir sobre os dados produzidos, organizados, registrados e divulgados é que introduzimos a questão da Comunicação Científica (CC). Trata-se de um conjunto de atividades associadas à produção, disseminação e uso de dados e informação integral, ou seja, desde o momento em que o pesquisador coloca um problema a ser investigado até o reconhecimento e aceitação dos resultados pela comunidade científica a partir do percurso teórico-metodológicos percorrido. Em outras palavras: é a comunicação da documentação da pesquisa realizada, que envolve revisões, descrições, análises, produções, testes, observações, registros (entre diversos outros elementos), para fins de disseminação da informação e circulação do conhecimento obtido.
Na verdade, a CC pode ser classificada como uma vertente da Comunicação Social, entre tantas outras (ex.: comunicação pública, comunicação intercultural, comunicação para a transformação social, etc.). Sua característica principal, entretanto, é que o “conteúdo informacional é gerado a partir dos processos da ciência, por cientistas, pesquisadores, acadêmicos e outros profissionais do campo das ciências” (Caribé, 2015, p. 90).
De acordo com Garvey (1979, p. 36), são duas as funções principais da CC: 1) dar continuidade ao conhecimento científico, já que possibilita a disseminação desse conhecimento a outros cientistas que podem, a partir daí, desenvolver outras pesquisas, para corroborar ou refutar os resultados de pesquisas anteriores, ou estabelecer novas perspectivas naquele campo de interesse; 2) definir e legitimar novas disciplinas e campos de estudos, institucionalizando o conhecimento e rompendo suas fronteiras.
É consenso entre autores como Caribé (2015), Valerio e Pinheiro (2008), Targino (2000) e Meadows (1999), que a CC é um conceito amplo, genérico e abrangente e envolve termos correlatos, como: difusão científica, popularização da ciência, educação científica, alfabetização científica (ou alfabetização da ciência), comunicação pública da ciência, entre outros. Entretanto, sua importância parece ser inquestionável:
A comunicação científica é indispensável à atividade científica, pois permite somar os esforços individuais dos membros das comunidades científicas. Eles trocam continuamente informações com seus pares, emitindo-as para seus sucessores e/ou adquirindo-as de seus predecessores. É a comunicação científica que favorece ao produto (produção científica) e aos produtores (pesquisadores) a necessária visibilidade e possível credibilidade no meio social em que produto e produtores se inserem. (Targino, 2000, p. 10)
Nesse sentido, a CC se dá por canais formais e informais. Segundo Meadows (1999, p. 7), os meios formais são, em geral, as publicações científicas impressas (e, acrescentamos aqui, nos últimos anos, as eletrônicas e digitais) nos formatos de periódicos científicos (revistas científicas), livros e artigos acadêmicos, dissertações e teses, ou seja, publicações que reúnem comunicações e informações que passaram por um processo de análise e validação entre os pares (outros membros da comunidade científica). Já os meios informais consistem em formas efêmeras de comunicação disponíveis a um público limitado e temporariamente, como, por exemplo, os congressos e colóquios científicos, reuniões de comissões científicas e técnicas, etc.
Referente ao tema da emigração brasileira - e exclusivamente para fins de ilustração -, destacamos aqui dois artigos científicos (considerados neste trabalho como CC formal), que foram produzidos a partir da análise da CC sobre a temática. A ideia é exemplificar, ainda que de modo resumido, como tal procedimento permitiu aos autores uma análise da realidade empírica envolvida.
O primeiro, de 1992, tem como título “Imigrantes estrangeiros, imigrantes brasileiros: uma revisão bibliográfica e algumas anotações para pesquisa”. Nele, a autora Teresa Sales, a partir de consultas bibliográficas sobre o assunto, procura mostrar como o fluxo de pessoas do Brasil para os Estados Unidos está ligado às demandas do país por trabalhadores temporários. A proposta decorre sobre a questão das migrações "clandestinas" e os conflitos sociais delas decorrentes, além da inserção do migrante no mercado laboral e a identificação do brasileiro a partir de sua recente condição de imigrantes estrangeiros (Sales, 1992).
O segundo, mais recente, é “Migrações e deslocamentos: balanço bibliográfico da produção antropológica brasileira entre 1940 e 2018”, de Bela Feldman-Bianco, Liliana Sanjurjo e Douglas Mansur da Silva. Com base em um balanço de publicações científicas da área da Antropologia ao longo do tempo, com especial atenção aos avanços obtidos entre 2008 e 2018, procura “examinar o estado da arte dessa área de estudos, considerando a sua interdisciplinaridade e destacando a relação entre conjunturas históricas, problemáticas de pesquisa e paradigmas teórico-metodológicos adotados através de tempos e espaços” (Feldman-Bianco; Sanjurjo, Silva, 2020, p. 1).
2. Detalhamento dos aspectos metodológicos do trabalho
Conforme descrevemos anteriormente, o presente trabalho procura aproximar os estudos da Comunicação aos estudos Migratórios, por meio da CC, a fim de entender como e com quais informações pesquisas publicadas em língua portuguesa vêm contribuindo para suprir lacunas sobre a temática do movimento diaspórico a partir do Brasil, seus modos de produção, desenvolvimento e publicização. Assim, recorremos a uma pesquisa de natureza exploratória, de abordagem quantitativa e qualitativa para analisar a produção científica publicada em língua portugesa sobre o assunto.
O primeiro passo foi fazer uma pesquisa manual, via Google Acadêmico, por meio de palavras-chave, a fim de localizar algumas das principais produções. Nosso corpus se concentrou em três tipos de obras classificadas como formais (Meadows, 1999): dissertações e teses, livros acadêmicos e artigos (papers) completos2 publicados em periódicos científicos e/ou anais de congressos da área das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas3 e redigidas em Língua Portuguesa. Os termos para a busca utilizados foram: brasileiros no exterior; emigração brasileira; brasileiros pelo (ou no) mundo; fluxos emigratórios brasileiros; emigração do Brasil e emigrantes brasileiros.
Na sequência, a partir do material selecionado, analisamos a lista das referências bibliográficas utilizadas pelos autores na elaboração dos seus estudos, fazendo buscas pelas obras que nos interessavam e trazendo-as para nosso corpus. Foram feitas, também, pesquisas em bases como Research Gate4, Academia.edu5, Portal de Periódicos Capes6 e Catálogo de Teses e Dissertações Capes7 (utilizando as mesmas palavras-chave). Por fim, foi realizada uma busca no Currículo Lattes8 de 65 autores9 diferentes que, em algum momento, apareceram como tendo publicado, ao menos, um material sobre o tema.
Importante justificar aqui duas opções metodológicas adotadas nessa fase. A primeira foi para a seleção apenas de estudos publicados em Língua Portuguesa. Temos ciência da vasta literatura sobre o tema da emigração brasileira em outros idiomas, especialmente inglês e espanhol, principalmente, por conter pesquisas desenvolvidas a partir de outros países. A segunda é com relação às palavras-chave utilizadas. O foco foi identificar temas gerais estudado (dentro da heterogeneidade do assunto). Evidentemente, se utilizássemos termos que compreendessem brasileiros em países específicos (ex.: “brasileiros nos Estados Unidos”; “emigrantes brasileiros no Japão”; “brasileiro vivendo na Inglaterra”; etc.), teríamos, certamente, outra composição de corpus para análise. No entanto, tanto o idioma como a busca por um tema geral foram recortes conscientes estabelecidos diante da dispersão do material, da não-obrigatoriedade do objetivo deste trabalho de estabelecer um “censo do universo estudado”, do cronograma e demais limitações técnicas da pesquisa. O que, claro, não deixa de ser uma possibilidade para estudos futuros.
Esta primeira etapa durou cerca de cinco meses, sendo realizada entre julho e novembro de 2024. Como resultado, mapeamos 373 materiais diferentes de CC (formal) que têm como foco principal a temática dos brasileiros no exterior, publicadas entre 1980 e 2024. Assim, teve início a análise de conteúdo (AC) sobre este material, seguindo as orientações de Bardin (1977). A AC foi realizada em três etapas, conforme sugerido pela autora, classificadas como “polos cronológicos” (1977, p.95 - Tradução nossa). Foram elas:
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Pré-análise: primeiro contato com o material e com as propostas da pesquisa. No caso deste estudo, foi quando foram mapeadas todas as publicações e finalizadas as leituras utilizadas como recursos teóricos (a maior parte descrita no item anterior deste texto).
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Exploração do material: fase de análise propriamente dita; segundo Bardin (1977, p.101 - Tradução nossa): “não é mais do que a administração sistemática das decisões tomadas”. Para isso, estabelecemos o seguinte protocolo de análise, aplicado em todo o corpus.
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Tratamento dos resultados, interferência e interpretação: ainda de acordo com Bardin (1977, p.101 - Tradução nossa) - é quando “os resultados brutos são tratados de maneira a serem significativos (‘falantes’) e válidos”, ou seja, o resultado da análise.
3. Os brasileiros no exterior a partir do conteúdo das CC
3.1. Características principais dos formatos
Como já mencionado, foram consideradas para a AC 373 produções acadêmicas com foco principal na temática dos brasileiros no exterior, publicadas entre 1980 e 2024. Dessas, 70 são dissertações e teses apresentadas e defendidas em programas de pós-graduação de universidades brasileiras, 63 são livros (resultados de pesquisas acadêmicas) e 240 artigos completos publicados em livros como capítulos (no caso de coletâneas), totalizando 26, ou em periódicos científicos, no total de 214 (Tabela 1).
Percebe-se, nesse quantitativo Gráfico 1):
- Donec rhoncus
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Recomendamos considerar como marco inicial das pesquisas acadêmicas sobre o tema das emigrações brasileiras o ano de 1990, uma vez que antes desse ano, em 1980 (e durante toda a década), tem-se o registro de somente um livro, intitulado “Memórias das mulheres no exílio”, com histórias de vida de mulheres brasileiras exiladas em diferentes países por conta do regime militar.
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Aumento das produções: do ano inicial com menos quantidade - 1990 com apenas um trabalho - ao primeiro ano com mais quantidade - 2006, com 21 estudos - o crescimento foi 20 vezes maior.
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Constância das produções: em todos os anos, desde 1990, surgiu, pelo menos, 1 trabalho.
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Concentração de trabalhos em 5 anos específicos: 2006 (21), 2007 (21), 2009 (20), 2010 (19), 2013 (21) e 2018 (18).
Sobre a quantidade e o perfil dos autores envolvidos com a produção das pesquisas acadêmicas que têm como foco principal a temática dos brasileiros no exterior, temos que, com relação às dissertações e teses, são 65 diferentes autores verificados entre 1990 e 2024 (isso porque 5 autores fizeram dissertação e tese sobre o mesmo tema; contando apenas uma vez nesta relação). Desses, 22 foram identificados como sendo do sexo masculino e 43, do sexo feminino12.
Já com relação aos livros, do total de 63, 47 são livros autorais, ou seja, escritos por um ou dois autores sobre o mesmo tema; e 16 são coletâneas, isto é, livros organizados por um ou mais autores, reunindo artigos de diversos acadêmicos, sobre variados temas dentro de um mesmo assunto. Dos 47 livros autorais, 39 foram escritos individualmente, 8 foram escritos em dupla e 1 tem como autor uma instituição (Instituto Diáspora Brasil). Já sobre as 16 coletâneas, 4 foram organizadas por instituições e todas governamentais, ligadas ao Estado Brasileiro (2 pela Fundação Alexandre de Gusmão; 1 por essa instituição em parceria com o Ministério das Relações Exteriores; 1 pelo Ministério da Previdência) e 8 por 1 ou mais autores. Importante dizer que, somando todos os livros, autorais e coletâneas, com exceção dos que têm instituições como autores e/ou organizadores (5 no total), temos que 67 autores diferentes estão envolvidos com a publicação de livros sobre a temática, já considerando que um mesmo autor pode ter mais de um livro publicado. Desses, 22 foram identificados como sendo do sexo masculino e 45, do sexo feminino; 10 estão presentes como autores de 2 ou 3 obras (o restante aparece apenas em 1).
Sobre os artigos, do total de 240 mapeados entre 1991 e 2024, 153 têm autoria individual, 60 têm dois autores e 27 têm 3 autores ou mais. O número de autores reflete uma prática das áreas das Ciências Humanas e Sociais que, no geral, admite, até 3 autores por trabalho publicado (no caso específico de periódicos científicos). Ainda sobre os artigos mapeados, 230 autores diferentes estão envolvidos na produção total, sendo 88 identificados como do sexo masculino e 144 identificados como do sexo feminino.
Por fim, se somarmos os autores que escreveram todas as 373 produções acadêmicas que têm como foco principal a temática dos brasileiros no exterior, publicadas entre 1980 e 2024, independentemente do formato, temos a participação de 309 pesquisadores diferentes: 112 identificados como sendo do sexo masculino e 197, do feminino. Fundamental destacar que sobre o quantitativo e o perfil dos autores, temos:
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Entre 1980 e 2024, a temática da emigração brasileira foi estudada, de alguma maneira, por 309 pesquisadores acadêmicos.
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A maior parte das pesquisas, se considerarmos os três formatos analisados (dissertações e teses; livros; artigos), foi produzida por mulheres: 63,7% (sexo feminino) contra 36,2% (sexo masculino). Trataremos dessa questão de gênero mais adiante.
3.2. Características principais do assunto
Todas as 373 produções acadêmicas que têm como foco principal a temática dos brasileiros no exterior, publicadas até 2024 e mapeadas, com exceção dos livros no formato de coletâneas13, foram submetidas a uma análise manual e minuciosa a fim de identificarmos: sobre qual país de destino dos brasileiros as pesquisas tratam; qual o tema principal estudado; e se há uma categoria social observada de forma específica (e qual). Dessa maneira tivemos um total de 357 obras analisadas (o que representa cerca de 90% das produções acadêmicas mapeadas).
Sobre a localidade dos emigrantes brasileiros, 58 trabalhos não trataram de nenhum país específico. Dos que sobraram (271), a maior parte aborda os brasileiros nos Estados Unidos (76), e na sequência: em Portugal (54), no Japão (31) e no Paraguai (22), justamente os países com maiores estimativas de presença de brasileiros, conforme dados do Ministério das Relações Exteriores - Itamaraty de 2023 (MRE, 2024)14. Há registros de apenas um estudo em países como Suíça, Uruguai, Irlanda, Holanda e Bélgica; Por fim, 28 estudos se referem a dois ou mais países (como é o caso de estudos comparativos)15.
Com relação ao tema estudado, das 18 categorias estabelecidas, 95 pesquisas se referem às construções e modos de interação das identidades socioculturais transnacionais envolvendo os brasileiros no exterior. A alta quantidade desse tema já era esperada, levando em consideração que nos detemos nos trabalhos das áreas das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. No entanto, outros temas apareceram em quantidades significativas, entre eles: Perfil Sociodemográfico do grupo envolvido (54), Políticas Migratórias brasileiras (38), Trabalho (35), Retorno (23) e Redes migratórias (20). Apenas em 5 publicações, não foi identificado o tema (categoria NI). Característica, aliás, já antecipada por Durand e Lussi (2015, p. 113) no que diz respeito aos estudos da temática universal das migrações internacionais na atualidade.
Já não nos perguntamos simplesmente porque as pessoas migram e porque outros não migram; nem buscamos saber teoricamente por quanto tempo migram (...). Os temas de interesse já não são tanto sobre questões de tempo, natureza e estrutura. Hoje o principal foco está nos problemas e na respectiva busca de soluções. Por um lado, macroprocessos como políticas migratórias, concepção de estado-nação e de cidadania, interdependência entre a circulação de bens, serviços, capitais e pessoas, legislação; por outro lado, significados e micro processos ligados às vivências dos sujeitos migrantes e das comunidades implicadas como educação, geração, identidade e temas afins como interculturalidade e diversidade.
Sabe-se da heterogeneidade da população brasileira que vive no exterior, em termos de raça, sexo, idade, profissão, condições de cidadania, entre muitas outras categorias sociais. Nesse sentido, procuramos identificar, nas produções científicas, a característica principal do grupo estudado. Verifica-se que 70,5% dos trabalhos (252) não se dedicam a pesquisar sobre um perfil específico, sendo classificados como categoria Geral. Os demais se concentram, em maiores quantidades, nas Mulheres (47), nos Descendentes, ou seja, filhos e netos de emigrantes, preferencialmente nascidos no exterior (14) e nos Indocumentados (10). Apenas em 1 pesquisa não foi identificado o grupo envolvido (categoria NI).
Chamamos a atenção nesses resultados para o critério de raça, que não aparece como eixo central nas pesquisas que compõem o corpus. Especula-se que o motivo principal esteja ligado à noção clássica de identidade nacional que, vista de uma perspectiva de emigração (fora do Brasil), tende a se sobrepor às classificações raciais, diluindo distinções que são socialmente relevantes para o contexto brasileiro. Porém, há inúmeras outras hipóteses, incluindo a consideração de desafios metodológicos.
Relevante destacar que, com relação às descobertas explicitadas neste item:
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Chama a atenção a quantidade de estudos sobre perfil sociodemográfico do grupo de brasileiros deslocado (15% do total), o que pode ser visto como uma tentativa interessante de contribuição acadêmica para a conquista de construção de dados sociais rigorosamente coletados, de séries estatísticas precisas, longas e homogêneas, o que é uma carência, além de exercícios metodológicos que podem contribuir, de alguma forma, para a contagem dessa população. No entanto, até o momento, assim como os órgãos oficiais, pelos estudos analisados não é possível ter um número concreto. Já em outros temas, como Retorno, Redes migratórias, PLH, Fronteira, Bens culturais, Relacionamento afetivo, assim como em Identidades socioculturais (o que soma cerca de 50%), é possível verificar a predominância da questão transnacional. Tal percepção pode ser considerada indicativo de que, pelo menos para a academia, a migração, há tempos, não é vista mais como uma ruptura, quebra de vínculos ou anomalia social - aspectos constantemente destacados na bibliografia geral sobre o tema.
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Sobre a categoria social do grupo estudado, tem-se Mulheres em segundo lugar, com 13,1% das pesquisas. De uma maneira mais evidente, destaca-se que a importância numérica pode estar relacionada como a chamada “feminização da migração”, que atinge, também as brasileiras que decidem migrar sozinhas ou como “chefes” de família. A expressão se refere à maior visibilidade da mulher migrante. Importante lembrar que
na atualidade, antes de uma feminização quantitativa das migrações, está ocorrendo uma maior visibilidade das mulheres em decorrência da difusão, embora incipiente, da abordagem de gênero como critério epistêmico que possibilita uma compreensão mais abrangente das migrações internacionais. (...) Enfim, a feminização das migrações (...) diz respeito [também] à mudança de perfil da mulher migrante que, na atualidade, está assumindo um papel protagônico, incentivada ou induzida por razões sócio-econômicas, por mudanças do mercado de trabalho, bem como por transformações ou procura de transformações nas relações de gênero (Marinucci, 2007, p. 7-11).
No entanto, é preciso levar em consideração, ainda, o alto número de pesquisadoras identificadas como sendo do sexo feminino como autoras dos estudos (conforme vimos acima) - o que pode resultar em maior sensibilidade para a questão.
4. A CC para os pesquisadores da temática de emigração brasileira
Com o objetivo de aprofundar, complementar e avançar na interpretação dos resultados da AC realizada neste trabalho, elaboramos uma entrevista estruturada ou fechada, de acordo com a proposta de Fraser e Godin (2004), com questões padronizadas para facilitar a aplicação e o tratamento dos dados.
(...) esta modalidade de entrevista se caracteriza por uma estruturação rígida do roteiro e oferece pouco espaço para a fala espontânea do entrevistado. O roteiro da entrevista é pré-elaborado (...), assim como as questões obedecem a uma seqüência rigorosa. (Fraser, Godin, 2004, p. 143)
A entrevista foi realizada em janeiro de 2025, via Google Forms, contendo as seguintes questões:
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O que o(a) levou a pesquisar sobre o tema?
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Quais os principais desafios do estudo do tema?
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Utiliza outras formas de divulgação dos resultados das pesquisas para além da CC?
O formulário foi disparado para 18 pesquisadores da temática da emigração brasileira identificados, pela na fase da pré-análise da AC, com a maior quantidade de publicações sobre o tema (acima de 4), entre o total de 309 mapeados, independentemente do formato da CC. A exceção foi: 1) a inclusão de todos os autores que tiveram dissertação e tese sobre o assunto, que também foram entrevistados, independentemente da quantidade total16; 2) a exclusão da autora deste artigo, que, no mapeamento, havia aparecido com 10 publicações. Juntos, os autores entrevistados foram responsáveis por publicarem quase 40% do total de obras mapeadas.
Conforme Tabela 4 (abaixo), obtivemos 11 respostas, no período entre 5 de janeiro a 5 de março de 2025. Duas participantes responderam às questões, mas não quiseram ter seu nome divulgado no trabalho; outros 7 foram contatados por e-mail para que respondessem (mais de uma vez), mas não retornaram. Assim os nomes deles também foram omitidos, uma vez que não sabemos se autorizariam ou não a divulgação.
De modo geral, as respostas foram mais ou menos comuns. Sobre a primeira pergunta, o que levou o(a) pesquisador(a) a estudar o tema da emigração brasileira, observamos que grande parte citou sua própria experiência como emigrante, especialmente no Paraguai, nos Estados Unidos e em Portugal. Houve menção ainda ao contato prévio com o tema (em pesquisas de início de carreira), trabalhos com migrantes no Brasil e estudos inspirados e/ou influenciados por colegas professores que já trabalhavam com o assunto.
Com relação à segunda pergunta - principais desafios do estudo da emigração brasileira - com exceção de um pesquisador, todos os outros relataram a ausência de dados estatísticos confiáveis. Outros motivos foram: falta de financiamento, recursos metodológicos utilizados nas pesquisas de abordagem qualitativas limitados e aplicados sem rigor científico, ausência de uma rede de apoio entre os pesquisadores e distanciamento geográfico da realidade (abordar o fenômeno em outro país a partir do Brasil, por exemplo).
Por fim, sobre outras formas de divulgação dos resultados das pesquisas para além da CC, a maioria disse que se utiliza das redes sociais digitais ou de novos formatos de conteúdo, como podcast ou vídeos no YouTube, porém, não de um modo contínuo e/ou que seja prioridade do trabalho. Alguns relataram concessão de entrevistas para veículos jornalísticos de rádio, TV ou impresso, ou ainda, para conteúdo produzido por organizações da sociedade civil (OSC) ligadas ao tema das migrações internacionais, como cartilhas, manuais, brochuras, etc. Foi mencionado, também, a importância da participação em eventos científicos (congressos, simpósios, conferências, etc.) para apresentação e discussão dos trabalhos.
Considerações finais
Neste trabalho, tivemos como objetivo geral analisar a produção acadêmico-científica sobre o tema da emigração brasileira. Procuramos observar como e com quais informações pesquisas publicadas em língua portuguesa vêm contribuindo para suprir lacunas sobre a temática do movimento diaspórico a partir do Brasil, seus modos de produção, desenvolvimento e publicização. Para isso, desenhamos uma pesquisa de abordagem qualitativa e natureza exploratória, procurando reunir um corpus - a partir de critérios pré-definidos - que resultou em 373 produções acadêmicas, publicadas entre 1980 e 2024. Sobre esse material, análise de conteúdo aplicada e entrevistas fechadas elaboradas com os autores dos estudos revelaram, conforme visto no texto, desde características técnicas da produção (formato, fluxos, temas, etc.) a motivações e desafios relacionados ao tema em si e, também, à produção de uma comunicação científica a respeito.
Assim, ressaltamos que a execução do presente trabalho versou sobre duas questões principais, de modo a favorecer o processo migratório e o saber. A primeira se relaciona, diretamente, com o conhecimento sobre o tema da emigração brasileira. Analisar os trabalhos sobre os brasileiros no exterior mapeados se mostrou um interessante exercício a fim de contribuir para uma melhor compreensão do surgimento, desenvolvimento e características desse fluxo como um todo, avançar na busca por novas informações e conhecer mais a fundo recursos teórico-metodológicos ligados aos processos de deslocamento humano, que vem sendo aplicados em diferentes momentos, realidades e perspectivas, de modo, efetivamente, interdisciplinar.
A segunda diz respeito ao trabalho científico sobre o tema dos brasileiros no exterior quanto à sua construção e às formas de disseminação e circulação, no que consideramos como Comunicação Científica (CC). A circulação dos resultados de tais pesquisas, através dos muitos canais formais e informais de divulgação e reprodução do saber, atualmente sempre mais disponíveis com o avanço e popularização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), favorece o acesso e o cruzamento de informações. O resultado disso é o conhecimento da própria dinâmica de pesquisa da área, dos temas e dos autores envolvidos, possibilidades de diálogo (materializadas em publicações coletivas, por exemplo) e de futuras colaborações.
Declaração de Disponibilidade de Dados
Os dados de pesquisa estão disponíveis no corpo do documento
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1
Este trabalho integra pesquisa acadêmica maior, intitulada “Brasileiros no exterior: As redes de comunicação na identificação do perfil, condições de vida, formas de organização e de construção das identidades”, registrada no Comitê de Ética de Pesquisa - Plataforma Brasil, sob o CAAE: 67323423.2.0000.5508 e número do parecer: 6.056.881.
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2
Todos os modelos se referem a relatos escritos de pesquisa científica. De maneira prática, o que diferencia cada um é o nível de detalhamento dos procedimentos da pesquisa, as características da linguagem utilizada, o número de autores envolvidos e a quantidade de páginas escritas, além do reconhecimento oficial como “produto final” de determinada etapa da formação do pesquisador, no caso de dissertações e teses. Importante registrar que, como se mostra comum, no Brasil, na área das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, muitos livros e artigos são frutos e desdobramentos de dissertações e teses produzidas. Nesses casos, eles entraram para a contagem por entendermos que o formato propiciou um conteúdo diferente. Exemplos: um recorte, um complemento, um desdobramento, uma outra linguagem, etc.
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3
Seguimos aqui, a classificação do Ministério da Educação (MEC), que considera, no Brasil, 8 principais áreas do conhecimento, sendo que as Ciências Humanas e Sociais Aplicadas estão divididas em 1) Ciências Sociais Aplicadas (compreende: Administração, Ciências Contábeis, Turismo, Arquitetura e Urbanismo, Design, Desenho Industrial, Museologia, Direito, Economia e Ciências Econômicas, Comunicação, Ciências Sociais, Serviço Social); 2) Ciências Humanas (compreende: Filosofia, Sociologia, Antropologia, História, Geografia, Psicologia, Ciência política, Educação e Teologia); e 3) Linguística, letras e artes (MEC, 2024).
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4
https://www.researchgate.net.
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5
https://www.academia.edu.
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6
https://www.periodicos.capes.gov.br.
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7
https://catalogodeteses.capes.gov.br/catalogo-teses.
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8
https://www.lattes.cnpq.br.
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9
O número de 65 corresponde ao total de autores que elaboraram suas dissertações e teses sobre o tema da emigração brasileira. Por serem trabalhos mais aprofundados e, via de regra, que levam mais tempo para serem produzidos (normalmente, 2 e 4 anos, respectivamente), consideramos razoável pensar que são pesquisadores que se dedicam mais ao assunto (e, portanto, podem ter mais publicações a respeito) que autores que, esporadicamente, publicam um artigo em determinado periódico ou anais de congresso - muitas vezes para atender determinada chamada de trabalho ou condição de apresentação.
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10
Importante registrar que, como se mostra comum, no Brasil, na área das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, muitos livros e artigos são frutos e desdobramentos de dissertações e teses produzidas. Nesses casos, eles entraram para a contagem por entendermos que o formato propiciou um conteúdo diferente. Exemplos: um recorte, um complemento, um desdobramento, uma outra linguagem, etc.
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Não conseguimos identificar exatamente, entre os formatos tese e dissertação, 2 trabalhos.
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A identificação do sexo do autor da pesquisa (entre feminino e masculino) foi feita somente a partir do nome.
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As coletâneas de artigos publicadas em formato livro, 16 no total, foram excluídas dessa análise por sua diversidade, uma vez que não seria possível encaixar a totalidade da obra em uma categoria única, já que cada capítulo pode tratar de um país, um tema e uma categoria social específica.
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14
As maiores quantidades de brasileiros, segundo estimativas do MRE (2024) estão: nos Estados Unidos (2.261.284), Portugal (513.000), Paraguai (263.200), Reino Unido (230.000) e Japão (210.471).
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Enfatizamos que, especialmente com relação aos países envolvidos, tal cenário encontrado está relacionado com os critérios de busca utilizados descritos no item 2 (Detalhamento dos aspectos metodológicos do trabalho), o que limita uma compreensão mais ampla da localidade.
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As razões por essa inclusão estão explicadas na nota de rodapé n. 9.
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As linhas em amarelo significam que o(a) pesquisador(a) não respondeu ao formulário disparado e, por isso, os nomes não foram divulgados no trabalho, já que não tínhamos a autorização formal; já as linhas em azul significam que as pesquisadoras não autorizaram a divulgação de seu nome no trabalho.
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Editores de seção
Roberto Marinuccihttps://orcid.org/0000-0002-2042-2628Barbara Marciano Marqueshttps://orcid.org/0000-0003-0835-2441




Elaboração: A autora (2025)
Elaboração: A autora (2025)
Elaboração: A autora (2025)