O euro e a crise europeia recente vis-à-vis o padrão ouro e a grande depressão: institucionalidades, especificidades e interfaces

GIULIANO CONTENTO DE OLIVEIRA PAULO JOSÉ WHITAKER WOLF Sobre os autores

RESUMO

O artigo busca estabelecer interfaces entre a Grande Depressão dos anos 1930 sob o Padrão Ouro e a Crise Europeia recente sob o Euro. Argumenta-se que, a despeito de suas especificidades, as duas crises revelaram os efeitos potencialmente nocivos, em termos econômicos e sociais, de arranjos institucionais que reduzem consideravelmente a autonomia das políticas monetária, fiscal e cambial dos países participantes, sem, entretanto, serem acompanhados pelo aumento da cooperação liderado por uma potência hegemônica, em âmbito global (no caso da Grande Depressão) ou regional (no caso da Crise Europeia), que não apenas seja capaz, mas que também esteja disposta a exercer as funções de comprador e emprestador de última instância, sobretudo em momentos caracterizados pelo aumento da incerteza, pela deterioração do estado geral das expectativas e pelo aumento da preferência pela liquidez. De fato, tanto os países do centro europeu no passado como os países da periferia europeia no período recente foram efetivamente empurrados em direção a ajustes deflacionários em que a redução de preços e salários foi acompanhada pela redução da produção e do emprego. Assim, na ausência da possibilidade de se restaurar a autonomia de política econômica, a superação da crise pressupõe, tanto antes - sob o padrão ouro - como atualmente - sob o Euro -, ações conjuntas destinadas a assegurar que a responsabilidade do ajuste seja distribuída igualmente entre as economias e que, portanto, algumas delas não sejam beneficiadas à custa de outras nesse processo.

PALAVRAS-CHAVE:
padrão ouro; grande depressão; crise europeia; euro

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