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Open-access Aplicação do Guia Alimentar para a População Brasileira como instrumento de capacitação para ações intersetoriais: percepções de profissionais em uma metrópole brasileira

Resumo

Objetivo  Analisar as percepções provindas de uma intervenção educativa fundamentada no Guia Alimentar para a População Brasileira, direcionada a servidores públicos que atuam com a população infantil.

Métodos  Estudo qualitativo realizado com nove participantes de uma capacitação profissional, utilizando entrevistas semiestruturadas. As entrevistas ocorreram um ano após a capacitação, em plataforma online, com duração média de 30 minutos. A entrevista foi previamente validada, incluindo perguntas para explorar as percepções sobre a capacitação, a aplicabilidade do Guia e os desafios enfrentados. A análise temática foi realizada em etapas: familiarização com os dados, rotulagem direta, extração e organização dos dados em matrizes, desenvolvimento de temas preliminares e revisão para definição dos temas finais.

Resultados  As entrevistas foram realizadas com 9 pessoas do sexo feminino. A partir da análise dos dados, definiram-se os seguintes temas: Capacitação e enriquecimento profissional; Reflexões produzidas a partir do Guia; e Integração e colaboração intersetorial.

Conclusões  O Guia Alimentar para a População Brasileira promoveu reflexões sobre desafios na implementação de ações para prevenção da obesidade infantil.

Palavras-chave
Colaboração Intersetorial; Guias Alimentares; Entrevista; Capacitação Profissional; Crianças

Abstract

Objective  To analyze perceptions arising from an educational intervention based on the Food Guide for the Brazilian Population, aimed at health, education and social services professionals who work with children.

Methods  This was a qualitative study conducted with nine professional training course participants, using semi-structured interviews. The interviews took place one year after the training, on an online platform, with average duration of 30 minutes. The interview was validated previously, including questions to explore perceptions about the training course, the applicability of the Food Guide and challenges faced. Thematic analysis was performed in stages: familiarization with the data, direct labeling, data extraction and organization into matrices, development of preliminary themes and review to define final themes.

Results  The interviews were conducted with nine female professionals. Based on analysis of the data, the following themes were defined: Training and professional enhancement; Reflections produced by the Guide; and Intersectoral integration and collaboration.

Conclusions  The Food Guide for the Brazilian Population promoted reflections on challenges in implementing actions to prevent childhood obesity.

Keywords
Intersectoral Collaboration; Food Guides; Interview; Professional Training; Children

Resumen

Objetivo  Analizar las percepciones que surgieron de una intervención educativa basada en la Guía Alimentaria para la Población Brasileña, dirigida a servidores públicos que actúan con la población infantil.

Métodos  Estudio cualitativo realizado con nueve participantes de una capacitación profesional, mediante entrevistas semiestructuradas. Las entrevistas se realizaron un año después de la capacitación, en una plataforma online, con una duración promedio de 30 minutos. La entrevista fue previamente validada, incluyendo preguntas para explorar percepciones sobre la capacitación, la aplicabilidad de la Guía y los desafíos enfrentados. El análisis temático se realizó por etapas: familiarización con los datos, etiquetado directo, extracción y organización de datos en matrices, desarrollo de temas preliminares y revisión para definir temas finales.

Resultados  Las entrevistas se realizaron a 9 personas del sexo femenino. A partir del análisis de los datos, se definieron los siguientes temas: Capacitación y enriquecimiento profesional; Reflexiones producidas a partir de la Guía; e Integración y colaboración intersectorial.

Conclusiones  La Guía Alimentaria para la Población Brasileña promovió reflexiones sobre los desafíos en la implementación de acciones para prevenir la obesidad infantil.

Palabras clave
Colaboración Intersectorial; Guías Alimentarias; Entrevista; Capacitación Profesional

Aspectos éticos

Comitê de ética em pesquisa: Universidade Estadual de Campinas

Número do parecer: 4,924,797

Data de aprovação: 25/8/2021

Certificado de apresentação de apreciação ética: 42713521.8.0000.5404

Registro do consentimento livre e esclarecido: Obtido de todos os participantes antes da coleta

Introdução

Nos anos 2010 , transformações globais (1) têm impactado a alimentação das populações (2,3), impulsionando, em todas as faixas etárias, as condições crônicas de saúde, em especial a obesidade, o que desafia o sistema de saúde (4-6). A análise das políticas públicas para a população infantil mostra que o enfrentamento do sobrepeso e da obesidade deve passar por controle da publicidade e acordo com a indústria de alimentos; pela superação do ambiente obesogênico; e pela implementação de medidas que promovam a alimentação escolar saudável, por meio de acesso a alimentos da agricultura familiar e educação alimentar e nutricional (7). A ausência de abordagens integradas e intersetoriais é uma barreira para a melhora do quadro nutricional infantil, o que torna essencial a qualificação profissional para atuar nessa perspectiva (6-8).

O Guia Alimentar para a População Brasileira é um documento essencial na prevenção da obesidade, pois valoriza práticas alimentares culturais e regionais; é também um importante referencial para diversas áreas (9), fortalecendo o planejamento intersetorial (6,10). Seus princípios destacam que “Recomendações sobre alimentação devem estar em sintonia com seu tempo”, enfatizando a necessidade de uma visão ampla sobre saúde e alimentação para mitigar os impactos negativos do sistema alimentar atual no Brasil, visando um modelo mais sustentável. Após dez anos do seu lançamento, O Guia tornou-se um marco nacional e internacional (10,11), propondo um novo paradigma da nutrição que considera a alimentação em sua relação com os sistemas agroalimentares e a cultura, para além da simples ingestão de nutrientes (12-14).

Tratando-se do público infantil, o documento pode pautar, na área da saúde, o atendimento clínico, e desdobrar-se em orientações específicas para essa fase da vida (7,15). No ambiente escolar, os conteúdos do Guia devem ser integrados às práticas pedagógicas e às ações de educação alimentar e nutricional, para fomentar a autonomia e a consciência crítica sobre a alimentação dos escolares, tornando-se um referencial para toda a comunidade, incluindo pais e educadores (16). Os novos parâmetros para compras da alimentação escolar vêm promovendo a aquisição de alimentos in natura e minimamente processados, em detrimento dos ultraprocessados, pois incorporam a classificação NOVA de alimentos do Guia e promovem um padrão de consumo mais saudável entre os escolares (17). E, no que diz respeito à colaboração intersetorial entre as áreas de Educação e Saúde, institucionalizada pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar e pela Política Nacional de Alimentação e Nutrição, é essencial trabalhar conjuntamente para formar hábitos alimentares que respeitem a diversidade e a soberania alimentar (7,18,19).

Este estudo parte da hipótese de que o Guia oferece conteúdos relevantes para diversos profissionais que atuam com o público infantil, podendo aprimorar práticas de trabalho e fomentar reflexões sobre fatores que afetam a promoção de uma alimentação adequada e saudável. Buscou-se analisar as percepções de profissionais da saúde e educação, envolvidos em uma intervenção educativa sobre o conteúdo do Guia, com foco nas práticas diárias, nos facilitadores e desafios na implementação de ações de prevenção da obesidade infantil e em como os profissionais absorveram os conceitos do Guia.

Métodos

Tipo de estudo

Estudo qualitativo que possibilitou compreender as percepções e experiências acumuladas dos participantes, explorando a aplicabilidade do Guia na formação de profissionais de saúde e educação. Alinhando-se à hipótese, aos objetivos e à técnica de coleta, a abordagem teórico-metodológica pragmática permitiu uma exploração livre dos dados, com análise indutiva das falas, para construir os achados apresentados (20,21).

Descrição da intervenção educativa

A intervenção educativa integrou o projeto “Ações Intersetoriais para Prevenção da Obesidade Infantil” – uma parceria entre a Prefeitura de Campinas, o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação da Universidade Estadual de Campinas e o Ministério da Saúde. Foram oferecidas oficinas, totalizando 16 horas de capacitação, divididas em quatro módulos, com atividades adaptadas e validadas para o público infantil e o contexto intersetorial (22,23). O conteúdo foi destinado a profissionais de saúde, educação e assistência social, abordando os conteúdos principais do Guia, com foco na prevenção da obesidade infantil e na promoção de uma alimentação saudável. As atividades, realizadas entre fevereiro e março de 2022, ocorreram de forma híbrida, com encontros virtuais e presenciais semanais, conduzidos por facilitadores e baseados na metodologia crítico-reflexiva (24). A capacitação resultou em um manual técnico do Ministério da Saúde para futuras oficinas e incluiu temas como: centralidade do Guia na educação alimentar e nutricional; princípios do Guia e alimentação saudável; prevenção da obesidade; classificação NOVA; ambiente alimentar e comensalidade; desafios na promoção da saúde infantil; e desenvolvimento de plano de trabalho. Mais detalhes dessa intervenção se encontram na Figura suplementar 1.

Seleção e caracterização da amostra

Amostra intencional composta por profissionais que estiveram presentes na capacitação. O número de participantes variou de 27, no módulo on-line, a 13, no último módulo presencial. Todos os 27 participantes foram convidados a avaliar a intervenção por e-mail e telefone, em pelo menos três ocasiões diferentes, com variação de dia e horário. Ao final, nove profissionais de saúde e educação infantil concederam entrevista; três relataram indisponibilidade; e os demais não responderam ao contato.

Coleta de dados

Foram realizadas entrevistas semiestruturadas para coletar os dados. Desenvolveu-se um roteiro orientado pela pergunta principal da pesquisa. Cada pergunta do roteiro teve seu próprio objetivo, alinhado à pergunta principal, garantindo a sistematização das informações coletadas e suporte para a entrevistadora, para exploração da questão investigada. A entrevistadora foi treinada para atuar como facilitadora, auxiliando o entrevistado a compreender as perguntas e sentir-se à vontade para expressar sua opinião. Adicionalmente, adotou-se uma postura de acolhimento, atenção e cuidado para com os participantes, a fim de facilitar a fluidez das entrevistas.

O roteiro foi validado pela coordenadora do projeto, na qualidade de especialista, segundo os critérios de coerência com os objetivos, clareza das perguntas, relevância dos temas e abrangência (25). As perguntas seguiram uma sequência crescente de complexidade e incluíram questões de seguimento, para aprofundamento dos temas abordados. A Tabela 1 apresenta em detalhes o roteiro elaborado.

Tabela 1
Roteiro semiestruturado utilizado nas entrevistas realizadas com os profissionais que participaram da capacitação. Campinas, 2023

O contato com os participantes ocorreu um ano após a intervenção, possibilitando avaliar os desdobramentos da intervenção e as experiências retidas na memória dos profissionais. As entrevistas, realizadas em março de 2023, duraram em média 30 minutos e foram gravadas via Google Meet.

Análise dos dados

As gravações das entrevistas foram carregadas na plataforma PinPoint para transcrição. Foi necessária uma revisão manual para garantir a fidelidade das transcrições, que foram realizadas palavra por palavra, assegurando máxima precisão.

Dois pesquisadores, treinados por um pesquisador sênior, conduziram de forma independente a análise temática dos dados. O método escolhido permite adaptações a diferentes abordagens teóricas, facilita a síntese e descrição de grandes conjuntos de dados, identifica similaridades e diferenças entre entrevistados, gera percepções inesperadas e possibilita interpretações sociais e psicológicas dos dados (26).

O processo analítico constou das seguintes etapas: familiarização com os dados, que incluiu leitura e releitura das transcrições; criação de códigos, com base na pertinência dos extratos à pergunta de pesquisa; codificação direta das entrevistas transcritas (Tabela suplementar 1); extração e organização dos dados em matrizes conforme os códigos (Tabela suplementar 2); análise preliminar para o desenvolvimento de temas; e subsequente revisão, para se verificar a coerência interna e externa dos temas, culminando na definição dos temas finais que sintetizam o conteúdo das entrevistas (26). Um resumo detalhado das etapas de análise está disponível no material suplementar.

Após a análise independente, os pesquisadores se reuniram para comparar e consolidar as análises, discutindo o agrupamento final dos temas. As discordâncias foram debatidas entre os autores deste estudo, para se alcançar um consenso. A base de dados completa, com todos os temas e rótulos criados, encontra-se disponível em repositório de dados virtual (27).

Resultados

Todas as nove respondentes eram do sexo feminino, com idade média de 43 anos e servidoras públicas há 11 anos, em média. Dentre elas, cinco eram nutricionistas (uma atuante em equipe de Núcleo de Apoio à Saúde da Família e quatro atuantes na alimentação escolar), uma pediatra, uma socióloga atuante em projetos de hortas escolares, uma terapeuta ocupacional atuante em equipe do Núcleo de Apoio à Saúde da Família e uma diretora de escola infantil municipal.

A partir da análise dos dados, definiram-se os seguintes núcleos temáticos: Capacitação e enriquecimento profissional; Reflexões produzidas a partir do Guia; e Integração e colaboração intersetorial.

A seguir, são apresentados os detalhamentos dos temas oriundos das análises das entrevistas; exemplos de falas das entrevistadas dentro de cada tema encontram-se na Tabela 2.

Tabela 2
Excertos extraídos das falas de entrevistados participantes da intervenção educativa, segundo tema criado. Campinas, 2023

No tema I, as participantes apontaram a metodologia participativa utilizada durante a capacitação como um fator positivo. Igualmente, o Guia como referencial teórico para a capacitação foi citado como ponto positivo, e foi relatado o desconhecimento do material, não só por parte dos profissionais, mas também pela população em geral. As participantes mostraram inquietação sobre alguns produtos infantis amplamente utilizados no dia a dia, considerados “comida para crianças”, mas que, na realidade, são ultraprocessados; o sentimento expressado apontou como a tradução das recomendações do Guia, na prática, ainda não era contemplada por parte das participantes da oficina. A partir das oficinas, verificou-se a necessidade de divulgar materiais advindos do Guia e elencaram-se os conteúdos que mais chamaram a atenção positivamente e agregaram conteúdo teórico, segundo as profissionais, dentro do material utilizado, a saber: a classificação NOVA de alimentos; o custo dos alimentos in natura em comparação aos ultraprocessados; a aplicação do conceito de comensalidade; o desenvolvimento de habilidades culinárias; e a importância da rotulagem nutricional.

Os demais comentários favoráveis à capacitação estiveram relacionados à relevância do tipo de integração gerada, posto que as atividades em grupo permitiram comparar diferentes pontos de vista técnico-profissionais, possibilitando vislumbrar diversas formas de aplicação do conhecimento adquirido. As profissionais relataram que conhecer as experiências e dificuldades dos diferentes locais de trabalho, dentro do mesmo município, possibilita planejar o enfrentamento, seja de forma conjunta no território ou localmente. Foi apontada a necessidade da adoção permanente de estratégias de capacitação diversificadas que envolvam, por exemplo, a melhor compreensão das realidades e contextos de trabalho dos demais servidores do município. Esse conjunto de práticas colaborativas foi visto como essencial para alcançar um público mais amplo, incluindo pais, educadores e a comunidade do território, visando promover uma abordagem integralizada à saúde infantil.

Alguns pontos não favoráveis da capacitação foram citados, como a necessidade de maior tempo para as oficinas, o não aprofundamento de alguns temas, e a pouca adesão dos profissionais à capacitação, sobretudo dos servidores da educação.

As reflexões produzidas pelos entrevistados no tema II foram, provavelmente, originadas em decorrência do referencial teórico principal utilizado, o Guia. Algumas entrevistadas relacionaram aspectos do Guia a suas experiências pessoais e de prática profissional. Por exemplo, algumas participantes apontaram que possuem o hábito de cozinhar o próprio alimento, fato que, por sua vez, se relaciona com o ponto tratado no Guia sobre habilidades culinárias; a importância de ser um indivíduo crítico diante da publicidade e propaganda da indústria de alimentos; e o próprio entendimento do conceito de comensalidade para a promoção de hábitos alimentares saudáveis.

As profissionais também apontaram questões contextuais, como a relevância dos ambientes alimentares na formação e determinação de hábitos alimentares. Discorreram principalmente sobre a dissimilaridade entre o ambiente alimentar doméstico e o escolar, considerando a variedade das refeições escolares, que muitas vezes não é repetida em casa devido à falta de acesso a alimentos diversos. Destacou-se a influência familiar no estabelecimento de hábitos alimentares, sendo enaltecida a participação ativa da família durante as refeições, com a criação de um ambiente propício para a experimentação de novos alimentos.

A comensalidade foi apontada como agente de inferência direta no momento da refeição e em suas reverberações. A maioria das entrevistadas relatou que sempre abordou essa temática no seu cotidiano de trabalho, apesar de algumas não utilizarem o termo “comensalidade” ou não terem tido conhecimento, previamente à capacitação, da magnitude do conceito de comensalidade. Sugeriu-se o “comer em companhia” como promotor do “comer saudável” e a introdução de novos alimentos para a criança, alinhados com a prática da “degustação pedagógica” durante o período de alimentação na escola, que é a proposta de os educadores se alimentarem juntamente com os alunos como uma forma de educação alimentar e nutricional.

Houve abertura das entrevistadas em utilizar o Guia em seus processos de trabalho. Contudo, informaram a existência de outros materiais corriqueiramente utilizados, como manuais organizados por sociedades médicas. A possibilidade de conflito de interesses, encontrada em materiais de diversas sociedades, foi contraditoriamente citada por profissionais que estão acostumadas a utilizá-los.

A importância da integração e colaboração intersetorial na promoção da alimentação adequada e saudável foi explorada no tema III, com ênfase na contribuição singular de cada setor para uma abordagem mais abrangente no cuidado infantil. Profissionais da saúde e educação reconheceram unanimemente a necessidade de cooperação mútua para alcançar resultados mais eficazes. A comunicação assertiva e encontros regulares entre equipes multiprofissionais foram fatores identificados como fundamentais para o êxito das iniciativas.

As participantes expressaram a importância da intersetorialidade em seu cotidiano de trabalho, uma vez que as políticas públicas são planejadas sob esta ótica; seguindo a mesma lógica, mencionou-se que o público atendido não pode ser tratado de forma fragmentada, trazendo a perspectiva da integralidade do cuidado.

Como resultado positivo da capacitação, as entrevistadas pontuaram avanços na comunicação entre as profissionais. Em particular, pode ser apontada a criação de um grupo no aplicativo WhatsApp entre as próprias integrantes, o que se entendeu como um facilitador de comunicação, tornando-a mais constante e organizada entre essas profissionais da saúde e da educação. É importante que se destaque essa melhoria, dado que, anteriormente à capacitação, essas servidoras – embora atuassem em uma mesma região do município – não se conheciam e não dispunham de um canal eficiente para diálogo. A implementação dessa ferramenta de comunicação contribuiu para o fortalecimento da rede profissional e para o aprimoramento de contato entre o grupo, o que permitiu a organização de novos encontros independentes da capacitação, se tornando um potencial indutor de ações de alimentação e nutrição entre essas servidoras. A importância de um espaço (como o que foi concedido durante a capacitação) e de um líder para organizar os momentos de interação profissional foi mencionada como algo que facilitaria as trocas e atividades para promoção de uma alimentação adequada e saudável, frente à grande demanda que as profissionais já possuem no cotidiano de trabalho.

Os desafios na implementação de ações intersetoriais foram evidenciados pela falta de comunicação entre setores, sobrecarga de trabalho em equipes reduzidas, resistência a mudanças necessárias para a educação alimentar e nutricional, além das limitações em recursos humanos adequados e comprometidos. Esses obstáculos dificultam, segundo as entrevistadas, a construção de relações colaborativas e a realização de ações conjuntas, impactando a eficácia das intervenções em saúde e prevenção de doenças. A persistência e a continuidade das ações foram apontadas como essenciais para enfrentar os desafios supracitados.

Apesar dos desafios mencionados, a intersetorialidade foi reconhecida como essencial para oferecer cuidado integral e para a compreensão das necessidades dos pacientes de forma mais ampla. Em síntese, a colaboração intersetorial emergiu como uma abordagem crucial para enfrentar os desafios na promoção da saúde e alimentação saudável, demandando comprometimento, persistência e uma alocação adequada de recursos para seu sucesso.

Discussão

A intervenção educativa fundamentada no Guia teve boa receptividade e observou-se uma abertura para a utilização das diretrizes do Guia, para o compartilhamento de práticas de trabalho e para novas oportunidades de interação intersetorial.

A implementação do Guia contribui para essa organização, ao promover uma abordagem integral de saúde, visando à mudança nos hábitos alimentares e à redução do consumo de ultraprocessados, o que pode ajudar na prevenção e controle da obesidade (28,29). A distribuição de materiais educativos e o treinamento de facilitadores são as formas mais comuns de implementação dos guias alimentares, podendo impactar positivamente a demanda por políticas públicas, à medida que a apropriação das recomendações pela população potencializa a superação de obstáculos sistêmicos. Contudo, a realização desse processo requer o engajamento dos setores de educação e saúde, o que frequentemente se revela desafiador, devido à falta de alinhamento de agendas, conhecimento ou interesse, conforme evidenciado neste estudo (29). A experiência de aplicabilidade do Guia na capacitação de profissionais de duas áreas-chave na promoção da alimentação adequada e saudável é uma contribuição deste estudo. O estímulo de reflexões sobre temáticas não abordadas nas formações tradicionais dos profissionais, que não nutricionistas, pode proporcionar aumento na confiança individual e coletiva para aplicação prática dos conteúdos trabalhados na capacitação (30). Parte da aceitação em adotar o Guia como um material oficial para embasamento das práticas profissionais deve-se ao fato de este ter se revelado como um material de apoio multidisciplinar, que dialoga com diferentes aspectos da alimentação que fazem parte do dia a dia de todos os indivíduos, o que despertou o interesse das participantes. Isso corrobora a afirmação de que o Guia brasileiro cumpre os objetivos e metas esperados de um guia alimentar de qualidade, sendo um material fundamentado em evidências científicas, prático, de fácil compreensão e adaptável a diferentes grupos etários (31,32).

As reflexões produzidas sobre a comensalidade entre as participantes representaram um achado positivo, uma vez que os aspectos abordados nessa dimensão – desde o modo de comer e a presença de companhia à mesa, até o tempo e a atenção destinados à refeição – podem ser considerados determinantes para uma alimentação saudável (33). A adoção do conceito de comensalidade é um dos pontos inovadores do Guia e contribui na mudança de abordagens nutricêntricas e reducionistas para uma forma mais holística e sustentável de trabalhar a alimentação (34,35). Nota-se que as diversas dimensões do Guia, sobretudo aquelas que não tratam diretamente das recomendações dietéticas e nutricionais, são as que mais aproximam as profissionais que não possuem formação em nutrição.

Embora as participantes da capacitação tenham demonstrado disposição para integrar o conteúdo do Guia em seus processos de trabalho, um alerta foi levantado por uma das participantes sobre a tendência dos profissionais de saúde em utilizar materiais de referência de organizações e sociedades de diversas especialidades médicas, que podem apresentar viés devido a parcerias com empresas com conflitos de interesse. Para capacitações futuras, sugere-se uma comparação mais direta entre esses materiais frequentemente produzidos e o conteúdo do Guia, o que poderia fomentar reflexões críticas sobre a influência das indústria de alimentos e farmacêutica na elaboração de materiais e nas práticas de saúde. O conflito de interesse tem sido amplamente discutido na relação entre acadêmicos e o financiamento da produção de evidências científicas, mas pode não ser uma preocupação plenamente reconhecida entre os profissionais de saúde (36). O uso do Guia para abordar essa questão é relevante, pois se trata de um recurso baseado em evidências científicas e isento de interesses econômicos.

A criação de um grupo de comunicação permanente, por meio do aplicativo WhatsApp, para a troca de experiências entre as participantes deste estudo, pode ter sido facilitada pela metodologia empregada nas oficinas, que favoreceu a aproximação entre as servidoras. A abordagem dialógica, particularmente a de Paulo Freire, incentiva o diálogo e a reflexão crítica, promovendo um ambiente propício para a construção de vínculos, formação de redes e colaboração contínua entre educadores (25). O grupo formado constituiu um primeiro passo para superar barreiras intersetoriais, considerando as divisões geográficas em grandes cidades, como Campinas, e a ausência de meios que permitam a comunicação entre profissionais de diferentes áreas. Mais pesquisas são necessárias sobre o papel das tecnologias, como aparelhos celulares, para facilitar a colaboração profissional, superando limitações de acesso físico e tempo (37). Conforme ressaltado pelas entrevistadas, é fundamental o investimento em recursos financeiros e humanos para sustentar e maximizar os benefícios da colaboração intersetorial na promoção da saúde (38).

O ponto forte deste artigo inclui seu aspecto de inovação no que diz respeito à utilização do Guia em uma intervenção educativa intersetorial com profissionais que trabalham com a população infantil. O método aplicado gerou espaço para as entrevistadas explicarem suas opiniões e experiências em detalhes, um ano após a experiência vivida da capacitação, permitindo uma compreensão mais profunda dos fenômenos estudados, retenção de conhecimento e avanços nas práticas profissionais.

O primeiro ponto limitante é a ausência ou recusa de muitos participantes da intervenção em conceder a entrevista, o que faz com que os dados apresentados não sejam universais, caracterizando viés de seleção. A segunda limitação é inerente ao método utilizado, pois entrevistas semiestruturadas direcionam intencionalmente os participantes para o que está sendo investigado, e a condução da conversa está sob comando do entrevistador (22,39). Para mitigar esses vieses, treinou-se extensivamente a entrevistadora deste estudo, preparou-se cuidadosamente o roteiro para que permitisse reflexividade e fizeram-se todos os processos analíticos em duplicata (22).

Passados mais de dez anos desde a publicação do Guia, apesar dos diversos recursos, como apostilas, livretos, fôlderes e livros, disponíveis na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, ainda persiste a necessidade de ampliar a divulgação deste documento, especialmente entre profissionais não nutricionistas. Esforços para a abordagem intersetorial e a educação permanente em saúde têm o potencial de enfrentar o problema da obesidade infantil e os múltiplos determinantes que afetam a alimentação e a saúde das crianças (30,38).

Material suplementar

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  • Financiamento
    O trabalho foi realizado com o apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Processo 443256/2020-9).
  • Gestora de pareceristas
    Izabela Fulone
  • Parecerista
    Amanda Nathale Soares
  • Disponibilidade de dados
    Não se aplica.
  • Registro do protocolo
    Não se aplica.
  • Uso de inteligência artificial generativa
    A ferramenta digital Language Tool, uma inteligencia artificial que utiliza técnicas de processamento de linguagem natural (NLP) para análise e correção de textos, foi utilizada para realizar verificação das normas cultas da língua portuguesa em geral e revisão ortográfica, e para sugerir adequações de linguagem nos quesitos objetividade e clareza. Não foi utilizada inteligencia artificial do tipo generativa neste manuscrito.

Editado por

  • Editor chefe
    Jorge Otávio Maia Barreto
  • Editor científico
    Everton Nunes da Silva
  • Editora associada
    Aline Cristine Souza Lopes

Disponibilidade de dados

Não se aplica.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    23 Maio 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    30 Ago 2024
  • Aceito
    20 Nov 2024
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