Resumo
Objetivo: Analisar os atendimentos antirrábicos humanos de profilaxia pós-exposição no Brasil.
Métodos: Estudo descritivo utilizando dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação no Brasil, de 2014 a 2019.
Resultados: Foram notificados 4.033.098 atendimentos antirrábicos, com média de 672.183 ao ano. Houve maior percentual de atendimentos em pessoas do sexo masculino (n = 2.111.369; 52,4%), menores de 19 anos de idade (n = 1.423.433; 35,3%), residentes em área urbana (n = 3.386.589; 88,1%), agredidas por cães (n = 3.281.190; 81,5%) e com mordeduras (n = 3.575.717; 81,9%), principalmente em mãos e pés (n = 1.541.201; 35,3%). A conduta profilática mais frequente foi observação e vacina (n = 1.736.036; 44,2%). A conduta profilática foi adequada em 57,8% (n = 2.169.689) e inadequada em 42,2% (n = 1.582.411) dos casos.
Conclusão: Apesar das condutas profiláticas adequadas, foram observadas indicações inadequadas que, quando insuficientes, podem acarretar casos de raiva humana e, quando desnecessárias, desperdícios, inclusive desabastecimento de imunobiológicos.
Palavras-chave:
Raiva; Profilaxia Pós-Exposição; Vacinas Antirrábicas; Epidemiologia Descritiva; Saúde Pública
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Nota: As condutas adequadas foram classificadas da seguinte forma: contato indireto (dispensa de tratamento); acidentes envolvendo animais silvestres (soro antirrábico + vacina); acidentes leves envolvendo animais domésticos sem suspeita de raiva (observação do animal ou observação + vacina); acidentes leves envolvendo animais domésticos suspeitos de raiva (observação + vacina ou vacina); acidentes leves envolvendo animais domésticos raivosos, desaparecidos ou mortos (vacina); acidentes graves envolvendo animais domésticos sem suspeita de raiva (observação + vacina ou soro antirrábico + vacina); acidentes graves envolvendo animais domésticos suspeitos de raiva (soro antirrábico + vacina); e acidentes graves envolvendo animais domésticos raivosos, desaparecidos ou mortos (soro antirrábico + vacina).