Objetivo: Analisar as relações terapêuticas na atenção psicossocial e seu papel para enfrentar a vulnerabilização em que se encontram pessoas envolvidas no fenômeno da porta giratória.
Método: Estudo de caso qualitativo, fundamentado no materialismo histórico-dialético, realizado em serviços de saúde e assistência social do Sul do Brasil, de março a agosto de 2023. Participaram oito usuários maiores de 18 anos, todos com, ao menos, duas internações psiquiátricas no período de 2021 a 2023. A coleta incluiu entrevistas discursivas guiadas, informações do sistema de internação e anotações de campo. Os dados foram analisados, com apoio do NVivo® 14, em etapas: segmentação, qualificação e individuação.
Resultados: As narrativas revelaram múltiplas vulnerabilidades: individuais (transtornos mentais graves, uso problemático de substâncias, baixa adesão terapêutica), sociais (desemprego, rupturas familiares, moradia precária) e programáticas (fragilidades na rede de atenção, acesso limitado à assistência social). Evidenciou-se que experiências de integração entre Centros de Atenção Psicossocial e serviços da assistência social possibilitam alternativas concretas à reinternação, como acesso a benefícios, apoio habitacional, mediação de direitos e fortalecimento comunitário.
Considerações finais: As relações terapêuticas, pautadas pelo acolhimento, corresponsabilização, suporte comunitário e garantia de direitos, constituem tecnologia essencial para a continuidade do cuidado em liberdade e do enfrentamento da vulnerabilização.
Descritores:
Saúde mental; Vulnerabilidade social; Apoio social; Serviço social; Enfermagem psiquiátrica