Azitromicina para tratamento de leishmaniose cutânea em Manaus, AM, Brasil

Para avaliar a eficácia da azitromicina na leishmaniose cutânea, foi realizado ensaio clínico em Manaus, Amazonas, onde o agente etiológico predominante é a Leishmania (Viannia) guyanensis. Incluídos 41 pacientes com lesões de menos de 12 semanas, sem história de tratamento específico nos últimos três meses e com esfregaço positivo para Leishmania sp. Destes, 31 (75,6%) eram masculinos, idade média 30,2 anos. Todos receberam azitromicina 500 mg em dose única oral, diária, por 10 dias. No dia 25º, 16 (39%) pioraram e receberam antimonial pentavalente via intramuscular por 20 dias e, 21 (61%) que apresentaram melhora da lesão ou esta permanecia inalterada no 25º dia, receberam outro ciclo de 10 dias de azitromicina e foram acompanhados mensalmente. Destes, nove (21,9%) apresentaram piora das lesões na avaliação do dia 55 e iniciaram tratamento com antimonial neste dia. Dos 12 que permaneceram no estudo, porque tinham melhorado clinicamente, três optaram por tratamento com antimonial pentavalente no 55º dia e três apresentaram reepitelização completa das lesões nos dias 55º, 65º e 115º. Seis pacientes não retornaram para avaliação final. Análise por tentativa de tratamento foi 22% e cura confirmada em três (7,3%) casos. Estes resultados mostraram que azitromicina tem baixa eficácia para tratar leishmaniose em área onde a Leishmania (Viannia) guyanensis é o agente etiológico predominante.


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