Estudo de pacientes com anemia hemolítica crônica no Rio de Janeiro: prevalência de anticorpos IgG anti-parvovirus humano B19 e desenvolvimento de crise aplástica transitória

A prevalência de anticorpos anti-parvovirus humano B19 foi determinada em soros de 165 pacientes portadores de anemia hemolítica crônica, atendidos no Instituto Estadual de Hematologia (IEHE), Rio de Janeiro, durante o ano de 1994. Esta amostra representa cerca de 10% dos pacientes portadores de anemia hemolítica crônica atendidos no IEHE. A maioria destes pacientes (140) são portadores de anemia falciforme. Anticorpos IgG anti-parvovirus humano B19 foram detectados em 32,1% dos pacientes. Nenhuma diferença estatisticamente significante foi verificada entre a prevalência de anticorpos em pacientes do sexo masculino (27,8%) e feminino (35,5%). Anticorpos IgG anti-parvovirus humano B19 foram mais freqüentes em pacientes na faixa etária acima (37,8%) que abaixo (28,2%) de 20 anos de idade, embora esta diferença não tenha significado estatístico (p > 0,05). A prevalência de anticorpos IgG anti-B19 demonstrou que 67,9% dos pacientes incluídos no estudo eram ainda suscetíveis à infecção aguda pelo parvovirus humano B19. Com o objetivo de detectar infecção aguda por este vírus, o seguimento de pacientes continuou até fevereiro de 1996. Durante este período, 4 pacientes apresentaram crise de aplasia transitória devido ao parvovirus humano B19 conforme confirmado pela detecção de anticorpos IgM específicos. Todos 4 pacientes estavam na faixa etária abaixo de 20 anos, sendo que 3 tinham menos de 10 anos de idade. Três destes pacientes eram portadores de anemia falciforme. Em 3 dos 4 pacientes, a infecção aguda por B19 ocorreu durante a primavera de 1994.


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