Prevalência de marcadores de hepatite B e hepatite C em alcoólicos com e sem cirrose hepática clinicamente evidente

Nós avaliamos a freqüência de marcadores sorológicos das hepatites B e C em 365 alcoolistas, determinando pelo método ELISA, a presença de HBsAg, anti-HBc, anti-HBs e anti-HCV. Cinqüenta deles eram cirróticos e 315 não tinham evidências de cirrose hepática; nestes últimos determinamos HBsAg em todos, anti-HBc e anti-HBs em 130, e anti-HCV em 210. Entre os alcoolistas as freqüências de HBsAg (1,9%), anti-HBc (28,3%) e anti-HCV (3,8%) foram maiores (p<0,001) do que entre os controles (N=17.059), 0,4%, 4,0% e 0,4% respectivamente. A freqüência de HBsAg+ no grupo de alcoolistas sem cirrose (0,95%) foi semelhante a do grupo controle (0,4%) e menores (p<0,001) do que no grupo cirrótico (8,0%); a de anti-HBc+ nos alcoolistas sem cirrose (28,5%) foi semelhante a dos cirróticos (28,0%) e maiores (p<0,001) do que nos controles (4,0%); a de anti-HBs+ em alcoolistas não cirróticos (20,8%) foi semelhante a dos cirróticos (10,0%). A de anti-HCV+ nos alcoolistas não cirróticos (3,3%) foi semelhante a dos cirróticos (6,0%) e maiores (p<0,001) do que no grupo controle (0,4%). Concluímos que: a) alcoolistas não cirróticos e cirróticos têm freqüências de infecção pelos vírus B e C da hepatite semelhantes entre si, e maiores do que não alcoolistas; b) alcoolistas sem cirrose tiveram freqüência de infecção ativa pelo vírus B (HBsAg+) semelhantes aos controles, enquanto entre aqueles que evoluíram para cirrose esta freqüência foi significativamente maior, o que sugere que o VHB possa estar implicado na patogênese da cirrose de alguns indivíduos alcoólicos.


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