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Paixões de transferência

Resumos

Este trabalho tem por objetivo iniciar a reflexão sobre a função da transferência como operadora incontornável da apreensão e da compreensão da doença, em seu sentido mais amplo, e da psicopatologia em particular. Mais que um “dispositivo” da técnica psicanalítica, a transferência se constitui como verdadeiro paradigma da experiência que revela a imbricação inevitável do sofrimento de dois seres em relação. É a elaboração desta experiência que permite a constituição do conhecimento psicopatológico.

Destaca-se aqui como, muito antes da formulação deste conceito, a sensibilidade de Freud à sua experiência transferencial, com relação aos seus objetos de estudo e a suas relações pessoais e profissionais, constituiu-se como um vetor determinante de seu percurso da neurologia à psicanálise, uma dimensão pouco considerada na história da psicanálise bem como na do próprio conceito de transferência. A elaboração dessa experiência foi um operador fundamental que permitiu a Freud compreender e efetuar as teorizações e transformações que instrumentaram sua passagem da pesquisa neuro-fisiológica e da clínica médica clássica ao desenvolvimento da psicanálise, enquanto método terapêutico e corpo teórico.

Transferência; técnica psicanalítica; história da psicanálise; hipnose


Este trabajo tiene por objetivo iniciar la reflexión acerca de la función de la transferencia como operadora incontornable de la aprehensión y de la comprensión de la enfermedad, en su sentido más amplio, y de la psicopatología, en particular. Más que un “dispositivo” de la técnica psicoanalítica, la transferencia se constituye como un verdadero paradigma de la experiencia que revela la imbricación de lo sufrimiento de dos seres en relación. Es la elaboración de esta experiencia lo que permite la constitución del conocimiento psicopatológico.

Sobresalle aquí como, mucho antes de la formulación de este concepto, la sensibilidad de Freud con respecto a la suya experiencia transferencial, relativa a sus objetos de estudio y a sus relaciones personales y profesionales, se ha constituido como un vetor determinante de su trayecto de la neurología hasta la psicoanálisis, una dimensión poco considerada en la historia del psicoanálisis, así como en la del propio concepto de transferencia. La elaboración de esa experiencia fue un operador fundamental que ha permitido a Freud comprender y efectuar las teorizaciones y transformaciones que han instrumentado su pasaje de la pesquisa neuro-fisiológica y de la clínica médica clásica al desenvolvimiento del psicoanálisis, como método terapéutico y cuerpo teórico

Transferencia; técnica psicoanalítica; historia del psicoanálisis; hipnosis


Cet article vise à amorcer la réflexion sur la fonction du transfert en tant qu’opérateur incontournable de l’appréhension et de la compréhension de la maladie, au sens le plus étendu, et de la psychopathologie en particulier. Beaucoup plus qu’un “dispositif” de la technique psychanalytique, le transfert se constitue comme un véritable paradigme de l’expérience révélatrice de l’intrication inévitable de la souffrance de deux êtres en relation. C’est l’élaboration de cette expérience qui permet la constitution de la connaissance psychopathologique.

Il s’agit ici de souligner comment, avant même la formulation de ce concept, la sensibilité de Freud à son expérience transférentielle, par rapport à ses objets d’étude et à ses rapports personnels et professionnels, est devenue un vecteur déterminant de son parcours de la neurologie vers la psychanalyse. Cette dimension est bien peu prise en compte dans l’histoire de la psychanalyse aussi bien que dans celle du concept de transfert. L’élaboration de cette expérience a été un opérateur fondamental qui a permis à Freud d’effectuer les théorisations et transformations qui ont instrumenté son passage de la recherche neuro-physiologige et de la clinique médicale classique vers le développement de la psychanalyse, en tant que méthode thérapeutique et corpus théorique.

Transfert; technique psychanalytique; histoire de la psychanalyse; hypnose


This paper aims to stimulate the reasoning about the transfer as fundamental concept for the seizure and the understanding of the illness, in its spreader sense, and of the psychopathology particularly. Much more than a “device” of the psychoanalytical technique, the transfer constitutes itself as a real paradigm for the revealing experience of the unavoidable fusion of the relationship of two humans beings’ suffering. It’s the elaboration of this experience that permits the creation of the psychopathological knowledge.

It is here about underlining how, even before the formulation of this concept, Freud’s sensitivity to his transferential experience, in relation to his study objects and to his personal and professional relationships, became an essential carrier that enabled his passage from the neurology toward the psychoanalysis. This dimension is very little taken in account in the history of the psychoanalysis as well as in that one of the transfer concept. The elaboration of this experience was a fundamental element that allowed Freud to theorize and transform his reasoning that brought about his passage from the neuro-physiologic research and the classical internal medicine toward the development of the psychoanalysis, as a therapeutic method and a theoretical corpus.

Transference; psychoanalytical technique; psychoanalytical history; hypnosis


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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Jan-Apr 2000
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