Prestadores de serviço no campo da saúde mental: o público, o privado e o inefável da loucura

Cristina Maria Douat Loyola Marcus André Vieira

Abordamos nossa própria visão, muitas vezes turva, sobre a realidade dos hospitais psiquiátricos no Brasil. Ela escora-se em um discurso que, por vezes, ofusca-se pelo ideal da desospitalização. Visando uma nova realidade, esquece que a clínica muitas vezes é pesada e resistente, e lastrela nossas pretensões com a presença maciça da impossibilidade. A análise e a discussão foram realizadas a partir de dois registros de dados: notas de diário de campo, realizadas pelos autores quando em função pública de gestão estadual de saúde mental, e dois casos de supervisão clínica em instituição psiquiátrica pública municipal no Rio de Janeiro; todos os dados colhidos em 2004. A análise das anotações nos levou a concluir que podemos contribuir para mudar o estado de coisas encontrado nos dados empíricos e que temos algo afazer para não reproduzir o mesmo passado dos hospitais psiquiátricos. No plano da equipe de profissionais é preciso que ela não se transforme neste agente de horror banalizado que constrange a esperança. Entre o público, o privado e o inefável da loucura é preciso acolher a resposta do sujeito, aquele pequeno elemento que assinala a estranheza e irredutibilidade de alguém que, no caso da loucura, encontrase em ruptura com o coletivo.

Psiquiatria; hospital psiquiátrico; reforma psiquiátrica


Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental Av. Onze de Junho, 1070, conj. 804, 04041-004 São Paulo, SP - Brasil - São Paulo - SP - Brazil
E-mail: secretaria.auppf@gmail.com