Anemia em adolescentes segundo maturação sexual

Anemia among adolescents according to sexual maturation

Resumos

OBJETIVO: Verificar a prevalência de anemia em adolescentes (hemoglobina<12g/dL) em diferentes estágios de maturação sexual. MÉTADOS: Foi realizado estudo transversal com todos os adolescentes de quinta a oitava série em escola particular de São Paulo, por meio de dosagem de hemoglobina sangüínea (Hemocue®) e auto-avaliação para maturação sexual (fotos 5 estágios de Tanner), bem como indicadores sociais. Utilizou-se teste ''t'' de Student e teste não-paramétrico de Kruskal-Wallis para comparação de médias e Qui-quadrado para associação entre variáveis (p<0,05). RESULTADOS: Participaram desta pesquisa 118 alunos, sendo 66,9% do sexo feminino, com idade média 12,2±1,13 anos e 33,1% do masculino, com 12,0±1,18 anos. O nível médio de hemoglobina foi 13,2±1,08g/dL para meninas e 13,3±1,21g/dL para meninos (p>0,05). Observou-se aparente aumento do nível médio de hemoglobina com o desenvolvimento do adolescente. Detectou-se anemia em 11,0% dos adolescentes, a maioria na fase púbere, classificada como ''prevalência leve'' segundo a World Health Organization. Não foi encontrada associação entre indicadores sociais e anemia. CONCLUSÃO: O estudo apontou baixa prevalência de anemia, mas acima do esperado entre púberes de escola particular e indica tendência de aumento dos níveis de hemoglobina com o desenvolvimento sexual dos adolescentes. Devem ser realizados novos estudos de prevalência de anemia para se determinar sua causa entre adolescentes de diferentes níveis socioeconômicos.

anemia; hemoglobin levels; puberty; sexual maturation; adolescence


OBJECTIVE: To assess the prevalence of anemia (hemoglobin level <12g/dL) in adolescents, according to their sexual maturation stage. METHODS: A cross-sectional study was conducted with all adolescents enrolled in 5th - 8th grades in a private school in the city of São Paulo. Their hemoglobin level was measured (using Hemocue®) and sexual development was self-evaluated (with the aid of pictures of the maturation stages proposed by Tanner). The social indicators evaluated were the per capita family income and maternal schooling. Student t test and non-parametric Kruskal-Wallis test were used for mean comparison and Chi-square-test for associations (p<0.05). RESULTS: We analyzed 118 students, of which 66.9% were females (aged 12.2±1.13 years) and 33.1% were males (aged 12.0±1.18 years). The mean hemoglobin level was 13.2±1.08 g/dL for females and 13.3±1.21 g/dL for males, with no significant difference. An apparent increase in the mean hemoglobin level was verified along with sexual development of the adolescents. Anemia was detected in 11% of them, most in the pubertal stage, which is classified by the World Health Organization as ''mild prevalence''. No association was found between social indicators and anemia prevalence. CONCLUSION: This study showed low prevalence of anemia at rates higher than expected during puberty in a private school and indicates a trend for increased hemoglobin levels in connection with sexual development of adolescents. Further studies on anemia prevalence should be carried out to establish the factors associated with this disease, having adolescents from different socioeconomic levels as subjects.

anemia; hemoglobin levels; puberty; sexual maturation; adolescence


ORIGINAL ORIGINAL

Anemia em adolescentes segundo maturação sexual

Anemia among adolescents according to sexual maturation

Bianca Assunção IulianoI; Maria Fernanda Petroli FrutuosoII; Ana Maria Dianezi GambardellaIII

IDepartamento Nutrição, Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, Brasil. Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/CNPq. E-mail: biaiuliano@yahoo.com.br

IIDoutoranda, Departamento Nutrição, Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, Brasil

IIIDepartamento de Nutrição, Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, Av. Dr. Arnaldo, 715, 2º andar, 01246-904, São Paulo, SP, Brasil. Correspondência para/Correspondence to: A.M.D. GAMBARDELLA. E-mail: gambarde@usp.br

RESUMO

OBJETIVO: Verificar a prevalência de anemia em adolescentes (hemoglobina<12g/dL) em diferentes estágios de maturação sexual.

MÉTADOS: Foi realizado estudo transversal com todos os adolescentes de quinta a oitava série em escola particular de São Paulo, por meio de dosagem de hemoglobina sangüínea (Hemocue®) e auto-avaliação para maturação sexual (fotos 5 estágios de Tanner), bem como indicadores sociais. Utilizou-se teste ''t'' de Student e teste não-paramétrico de Kruskal-Wallis para comparação de médias e Qui-quadrado para associação entre variáveis (p<0,05).

RESULTADOS: Participaram desta pesquisa 118 alunos, sendo 66,9% do sexo feminino, com idade média 12,2±1,13 anos e 33,1% do masculino, com 12,0±1,18 anos. O nível médio de hemoglobina foi 13,2±1,08g/dL para meninas e 13,3±1,21g/dL para meninos (p>0,05). Observou-se aparente aumento do nível médio de hemoglobina com o desenvolvimento do adolescente. Detectou-se anemia em 11,0% dos adolescentes, a maioria na fase púbere, classificada como ''prevalência leve'' segundo a World Health Organization. Não foi encontrada associação entre indicadores sociais e anemia.

CONCLUSÃO: O estudo apontou baixa prevalência de anemia, mas acima do esperado entre púberes de escola particular e indica tendência de aumento dos níveis de hemoglobina com o desenvolvimento sexual dos adolescentes. Devem ser realizados novos estudos de prevalência de anemia para se determinar sua causa entre adolescentes de diferentes níveis socioeconômicos.

Termos de indexação: anemia, níveis de hemoglobina, puberdade, maturação sexual, adolescência.

ABSTRACT

OBJECTIVE: To assess the prevalence of anemia (hemoglobin level <12g/dL) in adolescents, according to their sexual maturation stage.

METHODS: A cross-sectional study was conducted with all adolescents enrolled in 5th - 8th grades in a private school in the city of São Paulo. Their hemoglobin level was measured (using Hemocue®) and sexual development was self-evaluated (with the aid of pictures of the maturation stages proposed by Tanner). The social indicators evaluated were the per capita family income and maternal schooling. Student t test and non-parametric Kruskal-Wallis test were used for mean comparison and Chi-square-test for associations (p<0.05).

RESULTS: We analyzed 118 students, of which 66.9% were females (aged 12.2±1.13 years) and 33.1% were males (aged 12.0±1.18 years). The mean hemoglobin level was 13.2±1.08 g/dL for females and 13.3±1.21 g/dL for males, with no significant difference. An apparent increase in the mean hemoglobin level was verified along with sexual development of the adolescents. Anemia was detected in 11% of them, most in the pubertal stage, which is classified by the World Health Organization as ''mild prevalence''. No association was found between social indicators and anemia prevalence.

CONCLUSION: This study showed low prevalence of anemia at rates higher than expected during puberty in a private school and indicates a trend for increased hemoglobin levels in connection with sexual development of adolescents. Further studies on anemia prevalence should be carried out to establish the factors associated with this disease, having adolescents from different socioeconomic levels as subjects.

Index terms: anemia, hemoglobin levels, puberty, sexual maturation, adolescence.

INTRODUÇÃO

Considerações atualmente apresentadas pela Organização Mundial da Saúde1, indicam que aproximadamente dois bilhões de pessoas, mais de 30% da população mundial, apresentam-se anêmicas, evidenciando a gravidade do problema em saúde pública.

A anemia pode ocorrer pela falta de um ou mais nutrientes no organismo (ferro, cobalamina e/ou ácido fólico), agravada em países em desenvolvimento, pela alta incidência de infecções por helmintos e malária1. No entanto, a deficiência de ferro é o distúrbio nutricional mais comum no mundo e a maior causa de anemia em fases de perda crônica de sangue durante menstruação prolongada, gestações consecutivas, ou de rápido crescimento como infância, gravidez e adolescência2,3.

A adolescência é marcada por intensas mudanças fisiológicas, psicológicas e somáticas, divididas, em fase inicial ou puberdade, entre 10 e 14 anos, caracterizada pelo estirão de crescimento (puberal) e maturação biológica (óssea e sexual), e a final, entre 15 e 19 anos, quando ocorre a desaceleração destes processos até a parada do crescimento4,5.

Estudos com adolescentes observaram hábitos alimentares inadequados, havendo preferência pelo consumo de lanches e de produtos alimentícios com excesso de açúcares e gorduras, em detrimento a alimentos ricos em vitaminas e minerais5,6, comprometendo seu crescimento e aumentando o risco do desenvolvimento de anemia e outras carências nutricionais7, sobretudo na fase púbere. As principais conseqüências da anemia para o organismo são fadiga, retardo do crescimento e do desempenho cognitivo, diminuição da imunidade e da capacidade de trabalho1,3,8, além de afetar o aprendizado e o rendimento escolar da população acometida.

Considerando as necessidades nutricionais para reposição das perdas e desenvolvimento adequado, associadas a freqüentes erros alimentares da população púbere, o presente estudo tem como objetivo detectar a prevalência de anemia em adolescentes nos diferentes estágios de maturação sexual, visando o diagnóstico precoce e orientação nutricional quando necessário.

CASUÍSTICA E MÉTODOS

Esta pesquisa faz parte de um estudo maior intitulado ''Prevalência de anemia ferropriva em púberes em diferentes estágios de maturação sexual'', aprovado pelo Comitê de Ética competente e está de acordo com as normas da resolução 196 de 10/10/1996, do Conselho Nacional de Saúde, que regulamenta as pesquisas envolvendo seres humanos. Trata-se de um estudo transversal, no qual foram avaliados adolescentes de ambos os sexos, matriculados de quinta à oitava série, em escola de ensino fundamental da rede particular do Município de São Paulo. A pesquisa foi apresentada e explicada previamente a todos os alunos (n = 567) e professores da Instituição.

A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas sendo registradas em formulários pré-testados. Informações sobre indicadores sociais foram obtidas por meio de questionário enviado aos pais e os dados restantes com os alunos na própria escola.

A avaliação da maturação sexual, baseada nos caracteres sexuais secundários, ainda que apresentando dificuldades para sua realização devido a fatores culturais, necessidade de local apropriado e profissionais capacitados, é o método mais utilizado em estudos populacionais4.

A auto-avaliação constitui alternativa eficiente para a determinação do estágio de maturação sexual, procedimento validado em diversos grupos de adolescentes norte-americanos, franceses e brasileiros8, que mostraram altos coeficientes de concordância entre auto-avaliação e a avaliação realizada por profissional especializado. Quanto à validade dos resultados obtidos, é importante ressaltar possíveis dificuldades na determinação das diferenças entre os estágios, que são sutis, especialmente nos estágios intermediários para desenvolvimento das mamas e genitais. Para contornar esses aspectos, foram oferecidas descrições detalhadas de cada estágio, apontando as diferenças entre eles, com o intuito de minimizar as possíveis dúvidas do grupo estudado.

Para a auto-avaliação do estágio de maturação sexual foi realizada a comparação entre as fotos das cinco etapas que caracterizam o desenvolvimento sexual do adolescente, conforme critério proposto por Tanner9. As fotos indicam o desenvolvimento dos pêlos pubianos (P1, P2, P3, P4, P5) para ambos os sexos, quanto às suas características, quantidade e distribuição. Para o sexo masculino, considerou-se o estágio de evolução dos genitais (G1, G2, G3, G4, G5) e para o feminino, o desenvolvimento das mamas (M1, M2, M3, M4, M5), avaliados quanto ao tamanho, forma e características. Para análise de dados utilizou-se como critério o menor estágio assinalado pelo adolescente entre os dois indicadores avaliados para cada sexo.

Os adolescentes foram distribuídos em grupos de quatro alunos, de mesmo sexo, e receberam informações sobre adolescência e maturação sexual e, em seguida, explicações sobre a auto-avaliação e o preenchimento do formulário. Este procedimento, empregado em estudo sobre níveis de hemoglobina em adolescentes, apresentou bom resultado10.

Avaliação dos níveis de hemoglobina sangüínea

Na própria escola, colheu-se uma gota de sangue capilar da ponta do dedo por meio de uma punctura de lanceta para determinar a quantidade de hemoglobina sangüínea2,3,11, analisado-a imediatamente em hemoglobinômetro portátil (Hemocue®) pelo método de fotometria sem diluição. Tal método é indicado para estudos populacionais por apresentar precisão na leitura de hemoglobina e resultado confiável, possuir custo relativamente baixo, ser portátil e de fácil manuseio3,11,12.

O ponto de corte determinado para caracterizar o quadro de anemia foi nível de hemoglobina sangüínea abaixo de 12g/dL, para adolescentes de ambos os sexos13,14, independen-temente da idade, pois o objeto do estudo é a idade fisiológica do adolescente, não a cronológica. O resultado foi classificado conforme a World Health Organization3, que considera prevalência normal até 5,0% da população com anemia, 5,0 a 19,9% prevalência leve, 20,0 a 39,9% moderada e, igual ou superior a 40% prevalência severa.

A renda per capita em salários mínimos (SM), classificando como inferior a 0,5 SM, de 0,5 a 1 SM, 1 a 2 SM e acima de 2 SM e a escolaridade materna em anos de estudo de 0 a 3, 4 a 7, 8 a 10 e 11 ou mais anos foram os indicadores sociais verificados. As estratificações foram baseadas em estudo realizado sobre tendência secular da anemia na cidade de São Paulo2.

Para a descrição das variáveis utilizaram-se medidas de tendência central e de dispersão. Aplicou-se o teste ''t'' de Student com o intuito de verificar a diferença entre médias de idade, segundo o sexo e a maturação sexual. A variável hemoglobina não apresentou distribuição normal, sendo utilizado teste não-paramétrico Kruskal-Wallis para avaliar diferenças entre as médias. O teste qui-quadrado foi utilizado para analisar associação de variáveis. Os cálculos estatísticos foram realizados com o auxílio do programa Epi Info 6.0, estabelecido nível de significância inferior a 5%.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram convidados a participar do estudo todos os estudantes (n = 567) do núcleo de quinta a oitava série, dos quais 118 alunos (20,8%) aceitaram participar, sendo 66,9% do sexo feminino e 33,1% do sexo masculino, com idades médias de 12,2±1,13 anos e 12,0±1,18 anos, respectivamente. Acredita-se que a recusa à participação ocorreu por receio da punção digital e/ou desconforto com relação ao estadiamento da maturação sexual.

Proporção semelhante de meninas e de meninos encontrava-se nos estágios II, III e IV de maturação sexual, correspondentes a fase pubertária, sendo o estágio I a fase pré-púbere e o estágio V a pós-púbere (Tabela 1).

Como pode ser observado (Figura 1), o nível médio de hemoglobina sangüínea encontrado foi 13,3. ±1,21g/dL para o sexo masculino e 13,2. ±1,08g/dL para o feminino, sem diferença significativa. Apesar da ausência de significância estatística, observa-se aparente relação entre as fases de maturação sexual e o nível de hemo-globina, tendenciando a aumentar com o desenvolvimento do adolescente.

A menarca foi referida por 70,8%, ocorren-do aos 11,4±0,82 anos de idade, em média. O valor médio de hemoglobina para as adolescentes que já haviam menstruado foi 13,3±1,08g/dL, discretamente superior em relação às demais, que apresentaram 12,9±1,03g/dL, sem significância estatística.

Detectaram-se 11,0% dos adolescentes com anemia, sendo 69,2% do sexo feminino e a maioria encontrando-se na fase púbere (Figura 2). Observou-se associação entre estágio de maturação sexual e presença de anemia somente para meninas (p=0,027).

Tal prevalência mostrou-se superior à detectada por alguns estudos, como Vigantzky et al.10, em pesquisa semelhante realizada em um Centro de Juventude de São Paulo (8,2%), e Frith-Terhune et al.15 nos Estados Unidos, em estudo baseado no NHANES III com meninas entre 12 e 19 anos (1,8% de americanas mexicanas e 5,2% brancas não-hispânicas). Entretanto, outros autores encontraram prevalências superiores. Jackson & Al-Mousa13 detectaram 30,0% das adolescentes de 14 a 23 anos com anemia, em uma escola secundária no Kuwait, indicando possível associação do nível socioeconômico. Fujimori et al.16 encontraram em São Paulo, 17,6% de adolescentes anêmicas e 29,4% com deficiência de ferro.

Verificou-se que a maioria dos alunos (85,5%) possuía renda familiar per capita superior a 2 SM e apenas um dos adolescentes com anemia encontrava-se na faixa de renda inferior a este valor (entre 1 e 2 SM per capita), sem diferença significante (p=0,858). Quanto à escolaridade materna o resultado foi semelhante, todos os alunos com anemia possuíam mães com 11 anos ou mais de estudos (p=0,895), demonstrando prevalência da doença somente entre famílias de maior renda e escolaridade, apesar de não encontrada evidência estatística.

O método de dosagem de hemoglobina utilizado é eficiente para determinar a presença de anemia, mas insuficiente para determinar a causa da mesma ou identificar estágios caracterizados por depleção dos estoques de ferro no organismo, que podem evoluir para o quadro de anemia persistindo o balanço negativo do mineral. Para detectar os níveis de deficiência de ferro seria necessário dosar a transferrina, protoporfirina e ferritina sérica, sendo classificados em depleção de ferro aqueles que obtivessem resultados abaixo do normal em pelo menos dois destes indicadores17,18.

A ocorrência de anemia na população estudada justifica-se pelo aumento de massa muscular, volume sangüíneo e capacidade respiratória, característicos da puberdade, bem como pelas influências que caracterizam sua alimentação, regrada por modismos e aspectos de beleza magra, ditados pela mídia, amigos e familiares6. Assim, mesmo tendo suas necessidades elevadas, quanto à macro e micronutrientes, compensadas pelo aumento de apetite, nem sempre o adolescente seleciona os alimentos mais adequados à sua nutrição.

A proporção de anemia detectada neste estudo (11%) encontra-se acima do considerado normal pela WHO3, classificada como ''prevalência leve'', justificando a preocupação com a faixa etária estudada.

CONCLUSÃO

Apesar de encontrar tendência de aumento dos valores de hemoglobina sangüínea com o desenvolvimento sexual dos adolescentes, este estudo apontou maior prevalência de anemia nos estágios de maturação sexual caracterizados por mudanças pubertárias mais intensas (II, III e IV), sugerindo a influência da puberdade no surgimento da doença. Foi observada associação entre estágio de maturação sexual e presença de anemia somente para o sexo feminino.

A partir destes resultados recomenda-se a realização de novos estudos de prevalência de anemia conforme o estágio de maturação sexual e nível socioeconômico, bem como consumo alimentar desta população, a fim de determinar fatores relacionados a esta patologia entre adolescentes. Especialmente entre adolescentes do sexo feminino, a orientação alimentar e a fortificação/suplementação de alimentos podem constituir intervenções fundamentais para diminuição da incidência de anemia entre adolescentes e do comprometimento do rendimento escolar e sistema imunológico neste período da vida.

Recebido para publicação em 15 de julho de 2002 e aceito em 13 de junho de 2003.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    30 Abr 2004
  • Data do Fascículo
    Mar 2004

Histórico

  • Aceito
    13 Jun 2003
  • Recebido
    15 Jul 2002
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