ANATOMIA E VASCULARIZAÇÃO DAS FLORES ESTAMINADAS E PISTILADAS DE SMILAX FLUMINENSIS STEUDEL (SMILACACEAE)1 1 Parte da Tese de Doutorado da primeira autora apresentada ao Programa de Pós-graduação em Ciências Biológicas na Área de Botânica do Museu Nacional - UFRJ.

FLORAL ANATOMY AND VASCULAR TISSUE IN SMILAX FLUMINENSIS STEUDEL (SMILACACEAE)

Rosangela Cristina Occhi Sampaio de Souza Karen Lucia Gama De Toni Regina Helena Potsch Andreata Cecília Gonçalves Costa Sobre os autores

RESUMO

São apresentados dados sobre a anatomia das flores estaminadas e pistiladas de Smilax fluminensis, objetivando fornecer subsídios que auxiliem na delimitação da espécie. As características anatômicas do pedicelo e das tépalas são semelhantes nas flores estaminadas e pistiladas. As flores estaminadas têm seis estames, dois dentre eles têm dois feixes colaterais, enquanto os outros quatro são vascularizados por um só feixe; as anteras são bisporangiadas, introrsas e de deiscência rimosa. As flores pistiladas possuem seis estaminódios, não vascularizados; o gineceu é sincárpico, tricarpelar com um rudimento seminal (óvulo) por lóculo; os três estigmas são sésseis e sulcados, com epiderme papilosa na face adaxial; cada carpelo apresenta dois feixes vasculares, o dorsal e o ventral, que vascularizam, respectivamente, o estigma e o rudimento seminal. Nectários e osmóforos ocorrem em ambas as flores. Nectários estão presentes no ápice das tépalas, estames, estaminódios e na surperfície adaxial dos estigmas. Além dos nectários, ocorrem osmóforos na base das tépalas nas flores estaminadas e pistiladas. As características analisadas, tais como a presença de número variável de estames (seis-sete) nas flores estaminadas, sugerem que, no curso da evolução, tenha havido redução no número de estames em S. fluminensis.

Palavras-chave:
anatomia floral; vascularização; androceu; gineceu

ABSTRACT

Anatomy of staminate and pistillate flowers from Smilax fluminensis L. is presented with objective to supply data to identify the species. Pedicel and tepals are anatomically similar in both flowers. The staminate flowers have six stamens. Two of them present two collateral bundles, while the other four have only one. Anthers are bisporangiated, introrse, with longitudinal dehiscent aperture. Nectaries and osmophorous are found in both flowers. Nectaries are present on the apex of the tepals, stamens and the adaxial surface of the stigma; osmophorous occur on tepals and in the basis of filament. Pistillate flowers have six staminodies that haven’t vascular tissues. Gynoecium is syncarp, tricarpellate and presents one ovule per loculus. Three sessile and sulcated stigmas are present. Each carpel presents a dorsal and ventral vascular bundles that supply stigma and ovule, respectively. The occasional difference in the number of the stamens (six-seven) and the fact that two of them are supplied by two vascular bundles, suggest a reduction of the stamens during evolution.

Key-words:
flower anatomy; vascular tissue; gynoecium; androecium

Texto completo disponível apenas em PDF.

  • 1
    Parte da Tese de Doutorado da primeira autora apresentada ao Programa de Pós-graduação em Ciências Biológicas na Área de Botânica do Museu Nacional - UFRJ.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem ao Laboratório de Botânica Estrutural do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas na Área de Botânica do Museu Nacional - UFRJ; à Profa Noêmia Rodrigues e ao técnico Sebastião da Cruz, do Laboratório de Ultraestrutura Celular Hertha Meyer, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro, pelo preparo do material para exame ao microscópio eletrônico de varredura; ao CNPq; à MSc. Dulce Mantuano e ao Dr. André Mantovani pelas sugestões.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • Andreata, R. H. P. 1980. Smilax Linnaeus (Smilacaceae), ensaio para uma revisão das espécies brasileiras. Arquivos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro 24: 179-301.
  • ______. 1997. Revisão das espécies brasileiras do gênero Smilax Linnaeus (Smilacaceae). Pesquisas 47. 243p.
  • APG II. 2003. An update of the Angiosperm Phylogeny group classification for the orders and families of flowering plants. Botanical Journal of the Linnean Society 141(4), 399-436.
  • Arrais, M. G. M. 1989. Aspectos anatômicos de espécies de Bromeliaceae da Serra do Cipó - MG, com especial referência à vascularização. Tese apresentada ao Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. 59p.
  • Bukatsch, F. 1972. Bemerkungen zur Doppelfarburng Astrablau-safranin. Mikrokosmos 61(8): 255.
  • Chamberlain, C. J. 1932. Methods in plant histology. 5ed. The University of Chicago Press. Chicago. 416p.
  • Conran, J. G. 1998. Smilacaceae. In: Kubitzki, K. The families and genera of vascular plants. Flowering Plants. Monocotyledons. Lilianae (except Orchidaceae). Springer-Verlag. Berlin, 477 p.
  • Cotthem, W. R. J. van 1970. Classification of stomatal types. Botanical Journal of the Linnean Society London 63: 235-46. il.
  • Dahlgren, R. M. T.; Clifford, H. T. & Yeo, P. F. 1985. The families of monocotyledons. structure, evolution and taxonomy. 1 ed. Springer-Verlag, Berlim, 520 p.
  • Dickison, W. C. 2000. Integrative plant anatomy. 1 ed., Academic Press. London, 533p.
  • Dop, P. & Gautié, A. 1928. Manual de technique botanique. 1 ed. J. Lamarre. Paris, 594p.
  • Eames, A. J. 1931. The vascular anatomy of the flower with refutation of the theory of carpel polymorphism. American Journal of Botany 18(3): 55-83.
  • ______. 1961. Morphology of angiosperms. 1 ed McGraw-Hill, New York. 478p.
  • Endress, P. K. 1994. Diversity and evolutionary biology of tropical flowers. Cambridge University Press. 511p.
  • Endress, P. K. & Igersheim, A. 1997a. Gynoecium diversity and systematics of the magnoliales and winteroids. Botanical Journal of the Linnean Society 124(3): 213-271.
  • ______. 1997b. Gynoecium diversity and systematics of the Laurales. Botanical Journal of the Linnean Society 125(1): 93-168.
  • ______. 1999. Gynoecium diversity and systematics of the basal Eudicots. Botanical Journal of the Linnean Society 130(4): 305-393.
  • Esau, K.1985. Anatomia vegetal. 3ed. Omega, Barcelona 779 p.
  • Evans, W. E. 1909. On the further development during germination of monocotylous embryos; with special referente to their plumular meristem. Royal Botanic Garden Edinburgh 5(21-25): 1-20.
  • Fahn, A. 1979. Secretory tissues in plants. Academia Press. London, 302p.
  • Gerrits, P. O. & Smid, L. 1983. A new less toxic polymerization system for the embedding of soft tissues in glycol methacrylate and subsequent preparing of serial sections. Journal of Microscopy 132: 81-85.
  • Guaglianone, E. R. & Gattuso, S. 1991. Estudios taxonomicos sobre el genero Smilax (Smilacaceae) I. Boletin de la Sociedad Argentina de Botanica 27(1-2): 105-29.
  • Hayat, M.A. (1981). Principles and techniques of electron microscopy. Biological Applications, 2 ed. Vol. 1. Baltimore, University Park Press.
  • Heywood, V. H. 1978. Flowering plants of the world. 1 ed. Oxford University Press, 335p.
  • Hunt, K. W. 1937. A study of the style and stigma, with to the nature of the carpel. American Journal of Botany 24(5): 288-95.
  • Igersheim, A. & Endress, P. K. 1998. Gynoecium diversity and systematics of the paleoherbs. Botanical Journal of Linnean Society 127(4): 289-370.
  • Jensen, W.A. 1962. Botanical histochemistry. H. H. Friman & Co., San Francisco, 408 p.
  • Johansen, D. A. 1940. Plant microtechnique. 3 ed. Paul B. Hoeber Inc. New York, 790 p.
  • Judd, W. S.; Campbell, C. S.; Kellog, E. A. & Stevens, P. F. 1999. Plant systematics. A phylogenetic approach. Sinauter Associates, Sunderland. 1 ed. Library of Congress Cataloging in Publication Data, 564 p.
  • McLean, R. C. & Ivemey-Cook, W. R. 1952. Textbook of pratical botany. Longmans, Green & Co. London, 476p.
  • Menezes, N. L. 1984. Características anatômicas e a filogenia na família Velloziaceae. Tese de Livre Docência apresentada no Instituto de Biocências da Universidade de São Paulo. Brasil, 82p.
  • ______. 1988. Evolution of the anther in the family Velloziaceae. Boletim de Botânica da Universidade de São Paulo, 10: 33-41.
  • O’Brien, T. P. & McCully, M. E. 1981. The study of plant structure principles and selected methods. Melbourne: Termarcarphipty 345p.
  • Puri, V. 1951. The role of floral anatomy in the solution of morphological problems. The Botanical Review 17(7): 471-553.
  • Sass, J. E. 1951. Botanical microtechique. 2 ed. Iowa Press Building, Iowa, 238 p.
  • Schmid, R. 1972 .Floral bundle fusion and vascular conservatism. Taxon 21(4): 429-46.
  • ______. 1976. Filament histology and anther dehiscence. Botanical Journal of the Linnean Society 73(4): 303-315.
  • Strittmater, C. G. D. 1973. Nueva Técnica de Diafanización. Boletín de la Sociedad Argentina de Botanica, Buenos Aires 15(1): 126-129.
  • Wilson, C. L. 1982. Vestigial structures and the flower. American Journal of Botany 69(8): 1356-1365.
  • Yates, F. T. 1977. Ovule and megagametophyte development in selected species of Smilax Neliha Mtchell Scientific Society 93: 79.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    May-Aug 2005

Histórico

  • Recebido
    Mar 2005
  • Aceito
    Jul 2005
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro Rua Pacheco Leão, 915 - Jardim Botânico, 22460-030 Rio de Janeiro, RJ, Brasil, Tel.: (55 21)3204-2148, Fax: (55 21) 3204-2071 - Rio de Janeiro - RJ - Brazil
E-mail: rodriguesia@jbrj.gov.br