Tradução da escala de desejo de aceitação social de Marlowe & Crowne para a língua portuguesa

Translation into Portuguese of the Marlowe-Crowne social desirability scale

Resumos

O desejo de aceitação social (social desirability) pode enviesar os parâmetros medidos por auto-relato. Os objetivos do trabalho foram: a) traduzir para a língua portuguesa a Marlowe-Crowne Social Desirability Scale, que quantifica o desejo de aceitação social e; b) analisar sua precisão. A versão da escala foi obtida por meio de tradução e retrotradução. Foi feito o teste-reteste, no qual o instrumento foi aplicado duas vezes, com intervalo de um mês, em estudantes de Nutrição (n = 57). O teste pareado de Wilcoxon verificou se havia diferença entre as duas aplicações. O coeficiente de correlação de Spearman entre as duas aplicações foi calculado. Foi obtida pontuação de 13, 6 ± 4,4 (mediana 13) na primeira aplicação e de 13,4 ± 5,3 (mediana 13) na segunda aplicação. Não houve diferença significativa entre as médias das duas aplicações (z = 1,66; p = 0,10) e a correlação entre elas foi de 0,82 (p = 0,0000001). A pontuação foi semelhante à de estudantes de países desenvolvidos, sugerindo que a tradução não alterou o sentido original da escala. A precisão foi alta e compatível com a obtida na versão original. Estes resultados indicam que a versão final da escala é adequada e precisa.

Desejo de aceitação social; escalas; precisão; psicometria


Social desirability can bias the parameters measured by self-report. The aims of this study were: a) to translate into Portuguese the Marlowe-Crowne Social Desirability Scale, which quantifies social desirability and; b) to evaluate its precision. The version was obtained through a process of translation and back translation. A test-retest was conducted, in which the scale was administered twice, with one-month interval, to Dietetics students (n = 57). A Wilcoxon matched pairs test verified if there was difference between the two applications. The Spearman correlation coefficient between the applications was calculated. The scores obtained were 13.6 ± 4.4 (median 13) in the first application, and 13.4 ± 5.3 (median 13) in the second application. There was no difference between the means of the two applications (z = 1.66; p = 0.10) and correlation between them was 0.82 (p = 0.0000001). The score obtained was similar to those obtained by students in developed countries, which suggests that translation did not modify the scale's original meaning. Precision was high and compatible with that one obtained with the original version. These results indicate that the Brazilian version of the Marlowe-Crowne Social Desirability Scale is precise and adequate.

Social desirability; scales; precision; psychometrics


ARTIGO ORIGINAL

Tradução da escala de desejo de aceitação social de Marlowe & Crowne para a língua portuguesa

Translation into Portuguese of the Marlowe-Crowne social desirability scale

Fernanda Baeza ScagliusiI; Táki Athanássios CordásII; Viviane Ozores PolacowIII; Desire CoelhoIV; Marle AlvarengaV; Sonia Tucunduva PhilippiVI; Antonio Herbert Lancha JrVII

INutricionista, Coordenadora científica de nutrição/bulimia do Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

IICoordenador do Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

IIINutricionista, Mestranda pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo

IVBacharel em Esporte pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo

VNutricionista do Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

VIProfessora livre-docente do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo

VIIProfessor titular do Departamento de Biodinâmica do Movimento do Corpo Humano da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo

Endereço para correspondência

RESUMO

O desejo de aceitação social (social desirability) pode enviesar os parâmetros medidos por auto-relato. Os objetivos do trabalho foram: a) traduzir para a língua portuguesa a Marlowe-Crowne Social Desirability Scale, que quantifica o desejo de aceitação social e; b) analisar sua precisão. A versão da escala foi obtida por meio de tradução e retrotradução. Foi feito o teste-reteste, no qual o instrumento foi aplicado duas vezes, com intervalo de um mês, em estudantes de Nutrição (n = 57). O teste pareado de Wilcoxon verificou se havia diferença entre as duas aplicações. O coeficiente de correlação de Spearman entre as duas aplicações foi calculado. Foi obtida pontuação de 13, 6 ± 4,4 (mediana 13) na primeira aplicação e de 13,4 ± 5,3 (mediana 13) na segunda aplicação. Não houve diferença significativa entre as médias das duas aplicações (z = 1,66; p = 0,10) e a correlação entre elas foi de 0,82 (p = 0,0000001). A pontuação foi semelhante à de estudantes de países desenvolvidos, sugerindo que a tradução não alterou o sentido original da escala. A precisão foi alta e compatível com a obtida na versão original. Estes resultados indicam que a versão final da escala é adequada e precisa.

Palavras-chave: Desejo de aceitação social, escalas, precisão, psicometria.

ABSTRACT

Social desirability can bias the parameters measured by self-report. The aims of this study were: a) to translate into Portuguese the Marlowe-Crowne Social Desirability Scale, which quantifies social desirability and; b) to evaluate its precision. The version was obtained through a process of translation and back translation. A test-retest was conducted, in which the scale was administered twice, with one-month interval, to Dietetics students (n = 57). A Wilcoxon matched pairs test verified if there was difference between the two applications. The Spearman correlation coefficient between the applications was calculated. The scores obtained were 13.6 ± 4.4 (median 13) in the first application, and 13.4 ± 5.3 (median 13) in the second application. There was no difference between the means of the two applications (z = 1.66; p = 0.10) and correlation between them was 0.82 (p = 0.0000001). The score obtained was similar to those obtained by students in developed countries, which suggests that translation did not modify the scale's original meaning. Precision was high and compatible with that one obtained with the original version. These results indicate that the Brazilian version of the Marlowe-Crowne Social Desirability Scale is precise and adequate.

Keywords: Social desirability, scales, precision, psychometrics.

Introdução

Grande parte das pesquisas biomédicas depende do auto-relato dos indivíduos para a obtenção de informações, como prática de atividade física (Aadahl e Jorgensen, 2003), consumo alimentar (Subar et al., 2003), violência doméstica (Webster e Holt, 2004), uso de drogas (O'Farrell et al., 2003) e sintomas psiquiátricos, como transtornos de personalidade (Tenney et al., 2003), transtornos alimentares (Field et al., 2004) e depressão (Zimmerman et al., 2004). A fidedignidade do relato é essencial no estudo de quadros psiquiátricos, nos quais os exames complementares pouco contribuem. Em tais pesquisas, o efeito do desejo de aceitação social (social desirability) nas respostas é uma fonte de preocupação (Bardwell et al., 2001; Kim e Hill, 2003; Smith et al., 2002). O desejo de aceitação social foi definido como a propensão de um indivíduo a fornecer a resposta que ele considera mais desejada e aceita pela sociedade, independentemente dela ser verdadeira (Ballard e Crino, 1988). Geralmente, indivíduos com alto desejo de aceitação social sub-relatam comportamentos que são vistos como não desejáveis, como comportamentos anti-sociais, fenômenos psicóticos, uso de drogas ilícitas (Kim e Hill, 2003) e consumo de alimentos doces e ricos em lipídeos (Taren et al., 1999). Já foi encontrado r2 de 0,194 (p = 0,01) entre o desejo de aceitação social e a seção do Medical Outcomes Study Inventory destinada à saúde física e mental (Bardwell et al., 2001).

Para medir quantitativamente tal construto, foi criada a Marlowe-Crowne Social Desirability Scale (Crowne e Marlowe, 1960). Contrariamente à Edwards Social Desirability Scale (Edwards, 1957), construída anteriormente, que foi baseada no Minnesota Multiphasic Personality Inventory, o questionário de Marlowe e Crowne era independente de psicopatologias. Desta forma, uma alta pontuação na Marlowe-Crowne Social Desirability Scale não implica necessariamente a presença de uma psicopatologia. Tal escala era constituída de comportamentos desejados pela sociedade, porém com improvável ocorrência, e comportamentos indesejados, porém bastante comuns.

Durante os últimos 40 anos, a escala foi amplamente estudada e utilizada, tendo sido, inclusive, traduzida e aplicada em países com diferentes culturas, possuindo versões em chinês (Cuixia et al., 2003), alemão (Borkenau e Ostendorf, 1992) e hindu (Mukherjee, 1967). Dada a importância do desejo de aceitação social como variável de controle em pesquisas que se baseiam no auto-relato, este estudo teve como objetivos a tradução para a língua portuguesa da Marlowe-Crowne Social Desirability Scale e avaliação da precisão da escala.

Métodos

Participantes do estudo

A amostra foi selecionada por conveniência. Ela foi composta por 57 estudantes do terceiro ano do curso de Nutrição, pertencentes ao sexo feminino. A idade variou entre 20 e 36 anos, sendo que a idade média foi 22 ± 3 anos.

Mensuração do desejo de aceitação social

Para desenvolver a escala, Marlowe & Crowne (Crowne e Marlowe, 1960) consultaram inventários de personalidade, visando selecionar os itens a serem incluídos. Para tanto, o item deveria corresponder a um comportamento aprovado socialmente, porém de rara ocorrência. Além disso, qualquer resposta dada ao item não poderia acarretar um comportamento patológico. Dez professores e alunos de psicologia assinalaram para cada um dos 50 itens qual seria a resposta socialmente aceita (falsa ou verdadeira). Dos 47 itens, obteve-se concordância unânime para 36 e 90% de concordância para 11 itens. Esta escala foi novamente administrada a outros dez professores e alunos de psicologia, que tiveram de responder se a resposta falsa ou verdadeira implicava cinco comportamentos diferentes, variando do "perfeitamente ajustado" (correspondente a um ponto) ao "totalmente desajustado" (correspondente a cinco pontos). Os itens obtiveram pontuação média de 2,8, indicando que qualquer uma das respostas possíveis (falsa ou verdadeira) resultava em um comportamento nem mal nem bem ajustado, o que indicava que, de fato, a escala era independente de psicopatologias. O questionário preliminar foi então aplicado a estudantes de psicologia e percebeu-se que 33 itens eram capazes de discriminar entre os graus alto e baixo de desejo de aceitação social. Estes 33 itens constituíram o questionário final.

Por ter sido utilizada e testada por 40 anos, esta escala apresenta propriedades psicométricas muito boas. Sua consistência interna (medida pelo coeficiente Alfa de Cronbach) varia entre 0,72 a 0,96 (Crowne e Marlowe, 1960; Ballard, 1992; Fisher e Fick, 1993; Loo e Thorpe, 2000; Reynolds, 1982) e sua precisão (medida pelo coeficiente de correlação teste-reteste, com intervalo de um mês entre as aplicações) é de 0,89 (Crowne e Marlowe, 1960). Este questionário apresenta correlações menores com medidas de depressão e ansiedade do que a escala de Edwards (1957), o que atesta sua independência da presença de psicopatologias (Tanaka-Matsumi e Kameoka, 1986). Embora não exista um padrão-ouro contra o qual a escala possa ser validada, ela tem sido capaz de discriminar grupos que de fato variam quanto ao grau de desejo de aceitação social, como acusados e vítimas de crimes (Andrews e Meyer, 2003) adolescentes com e sem sintomas de transtornos alimentares (Miotto et al., 2002) e sujeitos que relatam seu consumo alimentar apropriadamente e sujeitos que sub-relatam sua ingestão alimentar (Hebert et al., 1995; Hebert et al., 2001; Hebert et al., 2002).

Para desenvolver a versão traduzida para o português, com a maior equivalência possível entre os instrumentos aplicados em idiomas diferentes, um processo de tradução e versão foi utilizado. Dois profissionais de saúde, bilíngües (com fluência em português e inglês), traduziram a escala independentemente. As duas traduções foram comparadas e discutidas, concluindo-se uma primeira versão. Esta versão foi retrotraduzida para o inglês e comparada com a versão original, sendo que não foram encontradas alterações de significado. Não foi possível submeter a retrotraduação à avaliação por parte dos seus autores originais, pois a equipe de pesquisa não conseguiu localizá-los. A versão traduzida da escala encontra-se no Anexo 1.

Procedimentos

A colaboração dos sujeitos foi voluntária, sendo que todos foram informados dos objetivos do estudo. Foi solicitado que respondessem da forma mais franca possível. Antes da administração do questionário, os sujeitos assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido. O protocolo da pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética da Escola de Educação Física e Esporte (USP), como parte preliminar de um amplo projeto de pesquisa no qual esta escala será aplicada.

A escala foi administrada às estudantes durante as aulas, permitindo a todas o tempo necessário para o preenchimento. Para testar a precisão, foi utilizado o método do teste-reteste. O instrumento foi aplicado duas vezes, com intervalo de um mês. Cinqüenta estudantes responderam o questionário pela segunda vez. Todos os questionários foram tabulados duas vezes, para minimizar o erro.

Análises estatísticas

Os valores estão apresentados como média ± desvios-padrão e mediana. As análises foram conduzidas pelo software Statistica (Statsoft, 1995). O nível de significância adotado foi p d" 0,05. De acordo com o teste de Kolmogorov-Smirnov, os valores não seguiam a distribuição normal, portanto, optou-se pelo uso de estatísticas não-paramétricas. O teste pareado de Wilcoxon foi utilizado para verificar se havia diferença estatisticamente significativa entre as médias das duas aplicações e a correlação entre as pontuações das duas aplicações foi avaliada pelo coeficiente de correlação de Spearman.

Resultados

Os sujeitos apresentaram pontuação de 13,6 ± 4,4 (mediana 13), na primeira aplicação, e pontuação de 13,4 ± 5,3 (mediana 13), na segunda aplicação. Não houve diferença estatisticamente significativa entre as médias das duas aplicações (z = 1,66; p = 0,10). O coeficiente de correlação teste-reteste foi de 0,82 (p = 0,0000001).

A pontuação média obtida foi inferior ao ponto de corte estabelecido por Marlowe & Crowne. Segundo os autores, valores acima de 17 indicam forte desejo de aceitação social (Crowne e Marlowe, 1960). A maioria dos sujeitos não solicitou auxílio da equipe para responder às questões.

Discussão

A primeira dificuldade encontrada na tradução desta escala se refere à própria tradução do construto em questão social desirability. Segundo o dicionário Michaelis (Weiszflog, 2000), a palavra desirability significa "desejo; vontade de possuir ou gozar; qualidade de ser desejável". Assim, a tradução literal do termo "social desirability" seria desejo social. Entretanto, o termo "desejo social" não especifica o que se deseja. Desta forma, com base nas definições de social desirability empregadas por Crowne e Marlowe (1960) ("tendência de um indivíduo fornecer a resposta que ele considera mais desejada e aceita pela sociedade, independentemente dela ser verdadeira") e Evans (1982) ("propensão a responder de acordo com o que respondedor julga ser socialmente apropriado"), optou-se por traduzir o termo "social desirability" como "desejo de aceitação social", por considerar-se que este último é mais coerente com a definição do construto.

A pontuação obtida foi semelhante à de outras amostras de estudantes, conduzidas em outros países (Crowne e Marlowe, 1960; Strahan e Gerbasi, 1972; Vella-Brodick e White, 1997), o que indica que há correspondência entre os estudantes brasileiros e de países desenvolvidos no tocante ao desejo de aceitação social e, mais ainda, que, provavelmente, a tradução não alterou o sentido original da escala. Entretanto, deve-se considerar que a amostra utilizada neste estudo foi pequena, especialmente em comparação aos estudos supracitados (120 estudantes no estudo de Crowne e Marlowe; 272 estudantes e pessoas da comunidade no estudo de Strahan e Gerbasi; 300 estudantes no estudo de Vella-Brodick e White). Além disso, a escala só foi testada em população saudável, com menores problemas de aceitação.

O coeficiente de correlação entre as duas aplicações foi alto e significativo, além de próximo ao observado originalmente por Crowne e Marlowe (1960), que foi de 0,89. O valor aqui obtido excedeu o ponto de corte estabelecido por Nunnaly (1970) como minimamente preciso, que corresponde a 0,70. Além disso, não foi encontrada diferença entre as médias das duas aplicações. Desta forma, pode-se considerar que a versão traduzida desta escala é precisa.

Embora a validade da escala não tenha sido avaliada nesta pesquisa, há indícios que a versão traduzida é válida. Em estudo anterior conduzido pela nossa equipe de pesquisa (Scagliusi et al., 2003), esta versão da escala foi administrada em mulheres saudáveis, junto com uma bateria de testes, que incluíam questionários sobre imagem corporal e restrição dietética, fome e descontrole alimentar. Dentre todas as variáveis estudadas (que além das citadas anteriormente estavam incluídas escolaridade, idade, índice de massa corporal e massa gorda corporal), o desejo de aceitação social foi a única variável que se correlacionou com o sub-relato da ingestão energética. Este resultado já foi observado várias vezes em países desenvolvidos (Hebert et al., 1995; Hebert et al., 2001; Hebert et al., 2002; Horner et al., 2002; Novotny et al., 2003), o que indica que a versão brasileira da escala pode ter boa validade discriminatória.

Seria interessante aplicar a escala em amostras maiores e, ainda, analisar sua estrutura fatorial, que tem sido alvo de críticas (Loo e Thorpe, 2000). Além disso, com base nesta versão, poderão ser utilizadas as versões curtas do questionário, que além de demandarem menor tempo de preenchimento, parecem ter melhor estrutura fatorial (Ballard, 1992; Loo e Thorpe, 2000).

Assim, a versão brasileira da Marlowe-Crowne Social Desirability Scale foi obtida por meio de um cuidadoso processo de tradução e retrotradução. O desejo de aceitação social, medido por esta escala, poderá ser utilizado como variável de controle em pesquisas que dependem de informações obtidas pelo auto-relato. A precisão da versão traduzida é alta e compatível com aquela apresentada originalmente. Ainda é necessário aplicar a escala em amostras maiores, para que outras avaliações psicométricas possam ser feitas, como, inclusive, uma análise fatorial confirmatória.

Agradecimentos

Os autores agradecem aos alunos do Curso de Nutrição que participaram da pesquisa; à colega Patrícia Berbel pela ajuda na tabulação dos questionários e à CAPES e FAPESP (processos 03/12337-8 e 02/11247-2) pelo apoio financeiro.

Recebido: 24/09/2004 - Aceito: 03/11/2004

Este estudo recebeu auxílio da CAPES e da FAPESP (processos 03/12337-8 e 02/11247-2).

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Anexo 1

  • Endereço para correspondência
    Fernanda Baeza Scagliusi
    Laboratório de Nutrição e Metabolismo Aplicados à Atividade Motora, Departamento de Biodinâmica do Movimento do Corpo Humano, Escola de Educação Física e Esporte, Universidade de São Paulo
    Av. Prof. Mello Moraes, 65
    São Paulo/SP, Brasil. CEP 05508-900
    Telefone: 11 30913096. Fax: 11 38135921
    e-mail:

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    21 Fev 2005
  • Data do Fascículo
    2004

Histórico

  • Aceito
    03 Nov 2004
  • Recebido
    24 Set 2004
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