MÉTODO BABY-LED WEANING (BLW) NO CONTEXTO DA ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR: UMA REVISÃO

Ana Letícia Andries e Arantes Felipe Silva Neves Angélica Atala Lombelo Campos Michele Pereira NettoSobre os autores

RESUMO

Objetivo:

Revisar as constatações científicas a respeito do método baby-led weaning (BLW) no âmbito da alimentação complementar.

Fontes de dados:

Buscas conduzidas na base de dados Sistema Online de Busca e Análise de Literatura Médica (MEDLINE)/PubMed em agosto de 2016 por dois examinadores independentes, sem delimitação de período. Foram utilizados os descritores: “baby-led weaningORbaby-ledOR “BLW”. Critérios de inclusão: estudos originais, disponibilizados em inglês, que abordaram o tema do método BLW. Critérios de exclusão: referências em outros idiomas, artigos de opinião e de revisão da literatura, editoriais e publicações que não discorreram sobre o assunto pretendido. Das 97 referências identificadas, 13 foram incluídas na síntese descritiva.

Síntese dos dados:

Os bebês adeptos ao BLW, quando comparados aos do grupo em conduta alimentar tradicional, foram menos propensos ao excesso de peso, menos exigentes em relação ao alimento e consumiam os mesmos alimentos da família. Os episódios de engasgo não diferiram entre os grupos. As mães que optaram pela implementação do BLW exibiram mais escolaridade, ocupavam um cargo gerencial no trabalho e apresentaram maior probabilidade de terem amamentado até o sexto mês. Foram mencionados preocupações com bagunça nas refeições, desperdício de comida e engasgo/asfixia, mas a maioria recomendava a adoção do método. Os profissionais da saúde demonstraram receio em indicá-lo.

Conclusões:

O BLW foi sugerido pelas mães que o seguiram com seus filhos, todavia relataram-se preocupações, que, somadas ao receio dos profissionais acerca da capacidade dos bebês de se autoalimentarem, refletem escassez de conhecimento sobre o método.

Palavras-chave:
Criança; Desmame; Nutrição infantil; Baby-led weaning

ABSTRACT

Objective:

To review the scientific findings on the baby-led weaning method (BLW) in the context of complementary feeding.

Data sources:

Two independent examiners searched the Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE)/PubMed database in August 2016. No time-period was defined for the publication dates. The following descriptors were used: “baby-led weaning” OR “baby-led” OR “BLW”. Inclusion criteria were: original studies that were available in English, and which addressed the BLW method. Exclusion criteria were: references in other languages, opinion articles and literature reviews, editorials and publications that did not elaborate on the intended subject. Of the 97 references identified, 13 were included in the descriptive synthesis.

Data synthesis:

The BLW group of babies, when compared to the traditional eating group, were less prone to being overweight, less demanding of food, and ate the same foods as the family. The number of choking episodes did not differ between groups. Mothers who opted for the implementation of BLW had higher levels of schooling, held managerial positions at work, and were more likely to have breastfed until the sixth month of the child’s life. Concerns were raised about messes made during meals, wasting food, and choking, but most of the mothers recommended adopting the method. Health professionals were hesitant to indicate this method.

Conclusions:

BLW was recommended by mothers who followed the method with their own children. However, concerns have been reported, which, coupled with professionals’ fears about the inability of infants to self-feed, reflect a lack of knowledge about the method.

Keywords:
Child; Weaning; Infant nutrition; Baby-led weaning

INTRODUÇÃO

A fase que compreende a descontinuidade do aleitamento materno exclusivo e o início da alimentação complementar é repleta de inúmeros questionamentos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza o aleitamento materno exclusivo às crianças com até seis meses de idade, sem que haja ofertas de água, chás ou quaisquer alimentos.11. World Health Organization. Infant and young feeding: model chapter for medical students and allied health professionals. Geneva: WHO; 2009. Somente após esse período, recomenda-se a alimentação complementar.11. World Health Organization. Infant and young feeding: model chapter for medical students and allied health professionals. Geneva: WHO; 2009.,22. Brazil - Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: aleitamento materno e alimentação complementar. 2nd ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2015.

A introdução alimentar estabelecida com preparações em consistência pastosa figura entre as práticas tradicionalmente difundidas, mas tal questão tem sido alvo de debates. Nesse enquadramento, o método baby-led weaning (BLW) - nomeado por Gill Rapley, autora da obra Baby-led weaning: helping your baby to love good food - sugere que bebês a partir do sexto mês têm capacidade motora para guiarem a própria ingestão, e, por isso, os que exibem crescimento e desenvolvimento adequados são aptos a iniciarem o consumo de alimentos em pedaços, sendo desnecessárias alterações substanciais de consistência.33. Rapley G, Murkett T. Baby-led weaning: helping your baby to love good food. Reino Unido: Vermilion; 2008.,44. Rapley G, Forste R, Cameron S, Brown A, Wright C. Baby-led weaning a new frontier. ICAN. 2015;7:77-85.

Segundo o marco teórico-conceitual, esse método oferece oportunidades para as crianças escolherem:

  1. os momentos em que as refeições serão iniciadas;

  2. o que será consumido, entre as opções saudáveis ofertadas pelos indivíduos cuidadores;

  3. o ritmo em que as refeições serão realizadas;

  4. a quantidade que será ingerida em cada uma das refeições.44. Rapley G, Forste R, Cameron S, Brown A, Wright C. Baby-led weaning a new frontier. ICAN. 2015;7:77-85.

Logo, os cuidadores atuam na alimentação em caráter intermediário pelo fato de disponibilizarem alimentos e proporcionarem um ambiente agradável para que os bebês possam exercitar as habilidades motoras e, assim, conhecerem os mais variados alimentos, percebendo o ato de comer em toda a sua essência.33. Rapley G, Murkett T. Baby-led weaning: helping your baby to love good food. Reino Unido: Vermilion; 2008.,44. Rapley G, Forste R, Cameron S, Brown A, Wright C. Baby-led weaning a new frontier. ICAN. 2015;7:77-85.

Em suma, ofertar alimentos em pedaços representa um facilitador para a autoalimentação infantil, sendo esse encorajamento o ponto fundamental do método.44. Rapley G, Forste R, Cameron S, Brown A, Wright C. Baby-led weaning a new frontier. ICAN. 2015;7:77-85. Todavia, não há consenso sobre a segurança dessa prática, nem ao menos em relação aos potenciais reflexos no comportamento alimentar e no crescimento/desenvolvimento. Ademais, as referências são escassas, e tampouco são encontradas publicações no idioma português.

Portanto, este estudo propõe-se a revisar as constatações científicas presentes na literatura a respeito do BLW no âmbito da alimentação complementar e, desse modo, estabelecer um corpo de conhecimento abrangente sobre o tema.

MÉTODO

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura formulada por intermédio de procedimentos ordenados, com o intuito de identificar, selecionar e analisar de maneira crítica as referências pertinentes ao assunto.

Visando auxiliar a estruturação do presente estudo, adotou-se um protocolo composto destes quesitos:55. Whittemore R, Knafl K. The integrative review: update methodology. J Adv Nurs. 2005;52:546-53.,66. Mendes KD, Silveira RC, Galvão CM. Integrative literature review: a research method to incorporate evidence in health care and nursing. Texto Contexto Enferm. 2008;17:758-64. reconhecimento do tema e elaboração da pergunta norteadora; definição de critérios para a inclusão e exclusão das referências; buscas eletrônicas na literatura; seleção e categorização das referências identificadas, efetuando-se as avaliações de títulos e resumos; condução da etapa de elegibilidade, realizando as avaliações dos textos completos; leituras críticas para a determinação das informações a serem extraídas; e, enfim, síntese descritiva do conteúdo.

Base de dados, buscas eletrônicas e leituras críticas

Os critérios metodológicos e o diagrama de fluxo foram adaptados da recomendação Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyse (PRISMA), conforme as descrições contidas nos tópicos a seguir:77. Galvão TF, Pansani TS, Harrad D. Principais itens para relatar revisões sistemáticas e meta-análises: a recomendação PRISMA. Epidemiol Serv Saúde. 2015;24:35-42.

  1. base de dados: por meio de buscas preliminares conduzidas durante a etapa de reconhecimento do tema, verificou-se que as referências de interesse eram escassas e estavam duplicadas. Por isso, optou-se unicamente pelo Sistema Online de Busca e Análise de Literatura Médica (MEDLINE)/PubMed, o qual é tido como notória fonte de informação científica em saúde;

  2. descritores de assunto e operador booleano: “baby-led weaningORbaby-ledOR “BLW”. Segundo o mecanismo Medical Subject Headings (MeSH), essas terminologias não constam de vocabulário controlado, porém julgou-se fundamental utilizá-las, dado que as referências de interesse mencionavam ao menos um desses termos no título e/ou entre as palavras-chave. O acréscimo de outros possíveis descritores, por exemplo, “weaning”, “complementary feeding” e “infant nutrition” não seria vantajoso à triagem e, sim, problematizaria as etapas de seleção e elegibilidade;

  3. critérios de inclusão: estudos originais disponibilizados no idioma inglês provenientes de pesquisas quantitativas ou qualitativas, que abordaram o tema do método BLW na perspectiva do comportamento alimentar infantil e/ou do crescimento/desenvolvimento, bem como perante os conhecimentos e/ou as condutas das mães e dos profissionais da saúde;

  4. critérios de exclusão: referências em outros idiomas que não a língua inglesa, artigos de revisão da literatura, artigos de opinião, editoriais e publicações que não discorreram especificamente sobre o assunto pretendido;

  5. buscas eletrônicas: realizadas por dois examinadores independentes, em agosto de 2016, sem delimitação de período. As discordâncias no decurso das etapas de seleção e elegibilidade foram solucionadas prioritariamente em consenso. Diante da persistência de controvérsias, um terceiro examinador manifestava o seu parecer;

  6. leituras críticas: os estudos elegíveis foram submetidos às leituras críticas, pareadas e independentes, por intermédio de checklists do Critical Appraisal Skills Program (CASP),88. Critical Appraisal Skills Programme [homepage on the Internet]. CASP Checklists [cited 2016 Sep 2]. Available from: http://www.casp-uk.net/
    http://www.casp-uk.net/...
    ,99. Ângelo BH, Pontes CM, Leal LP, Gomes MS, Silva TA, Vasconcelos MG. Breastfeeding support provided by grandmothers: an integrative review. Rev Bras Saúde Mater Infant. 2015;15:161-70. sendo contemplados os respectivos critérios: primeiramente, clareza na identificação dos objetivos; em segundo lugar, adequação metodológica (recrutamento dos participantes e coleta de dados); em terceiro, relação pesquisador-participante e aspectos éticos; em quarto, análise de dados, resultados e contribuições da pesquisa.

Constituição das referências

A Figura 1 ilustra o diagrama de fluxo acerca das etapas de identificação, seleção, elegibilidade e inclusão das referências. Os examinadores avaliaram os títulos das 97 publicações obtidas na base de dados e, então, descartaram 64 arquivos. Posteriormente, foram efetuadas as verificações de 30 resumos, sendo excluídas 15 referências, entre as quais 14 se voltavam à abordagem da alimentação complementar sob outra ótica que não a do BLW, e uma consistia em artigo de revisão da literatura. É relevante esclarecer que, das 33 publicações admitidas na triagem por títulos, três não possuíam resumo e, por isso, foram encaminhadas diretamente à etapa de elegibilidade.

Figura 1:
Diagrama de fluxo acerca das etapas de identificação, seleção, elegibilidade e inclusão das referências.

Ao final, foram realizadas avaliações minuciosas dos textos completos, no entanto um dos arquivos estava indisponível, um era artigo de opinião, dois eram editoriais e um foi redigido em alemão. As 13 referências remanescentes foram submetidas às leituras críticas e todas cumpriram ao menos 80% dos quesitos observados nos checklists, não acarretando novas exclusões.

RESULTADOS

A síntese descritiva foi composta de 13 referências1010. Brow A, Lee M. A descriptive study investigating the use and nature of baby-led weaning in a UK sample of mothers. Matern Child Nutr. 2011;7:34-47.,1111. Wright CM, Cameron K, Tsiaka M, Parkinson KN. Is baby-led weaning feasible? When do babies first reach out for and eat finger foods? Matern Child Nutr. 2011;7:27-33.,1212. Brown A, Lee M. Maternal control of child feeding during the weaning period: differences between mothers following a baby-led or standard weaning approach. Matern Child Health J. 2011;15:1265-71.,1313. Townsend E, Pitchford NJ. Baby knows best? The impact of weaning style on food preferences and body mass index in early childhood in a case-controlled sample. BMJ Open. 2012;2:e000298.,1414. Rowan H, Harris C. Baby-led weaning and the family diet. A pilot study. Appetite. 2012;58:1046-9.,1515. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals' and mothers' knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2.,1616. Brown A, Lee M. An exploration of experiences of mothers following a baby-led weaning style: developmental readiness for complementary foods. Matern Child Nutr. 2013;9:233-43.,1717. Cameron SL, Taylor RW, Heath AL. Parent-led or baby-led? Associations between complementary feeding practices and health-related behaviours in a survey of New Zealand families. BMJ Open. 2013;3:e003946.,1818. Brown A, Lee MD. Early influences on child satiety-responsiveness: the role of weaning style. Pediatr Obes. 2015;10:57-66.,1919. Arden MA, Abbott RL. Experiences of baby-led weaning: trust, control and renegotiation. Matern Child Nutr. 2015;11:829-44.,2020. Morison BJ, Taylor RW, Haszard JJ, Schramm CJ, Erickson LW, Fangupo LJ, et al. How different are baby-led weaning and conventional complementary feeding? A cross-sectional study of infants aged 6-8 months. BMJ Open. 2016;6:e010665.,2121. D'andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7.,2222. Brown A. Differences in eating behaviour, well-being and personality between mothers following baby-led vs. traditional weaning styles. Matern Child Nutr. 2016;12:826-37. - 10 provenientes de pesquisas quantitativas1010. Brow A, Lee M. A descriptive study investigating the use and nature of baby-led weaning in a UK sample of mothers. Matern Child Nutr. 2011;7:34-47.,1111. Wright CM, Cameron K, Tsiaka M, Parkinson KN. Is baby-led weaning feasible? When do babies first reach out for and eat finger foods? Matern Child Nutr. 2011;7:27-33.,1212. Brown A, Lee M. Maternal control of child feeding during the weaning period: differences between mothers following a baby-led or standard weaning approach. Matern Child Health J. 2011;15:1265-71.,1313. Townsend E, Pitchford NJ. Baby knows best? The impact of weaning style on food preferences and body mass index in early childhood in a case-controlled sample. BMJ Open. 2012;2:e000298.,1414. Rowan H, Harris C. Baby-led weaning and the family diet. A pilot study. Appetite. 2012;58:1046-9.,1717. Cameron SL, Taylor RW, Heath AL. Parent-led or baby-led? Associations between complementary feeding practices and health-related behaviours in a survey of New Zealand families. BMJ Open. 2013;3:e003946.,1818. Brown A, Lee MD. Early influences on child satiety-responsiveness: the role of weaning style. Pediatr Obes. 2015;10:57-66.,2020. Morison BJ, Taylor RW, Haszard JJ, Schramm CJ, Erickson LW, Fangupo LJ, et al. How different are baby-led weaning and conventional complementary feeding? A cross-sectional study of infants aged 6-8 months. BMJ Open. 2016;6:e010665.,2121. D'andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7.,2222. Brown A. Differences in eating behaviour, well-being and personality between mothers following baby-led vs. traditional weaning styles. Matern Child Nutr. 2016;12:826-37. e 3 com metodologias qualitativas1515. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals' and mothers' knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2.,1616. Brown A, Lee M. An exploration of experiences of mothers following a baby-led weaning style: developmental readiness for complementary foods. Matern Child Nutr. 2013;9:233-43.,1919. Arden MA, Abbott RL. Experiences of baby-led weaning: trust, control and renegotiation. Matern Child Nutr. 2015;11:829-44. -, cujos períodos de publicação oscilaram de 2011 a 2016. No tocante aos delineamentos das quantitativas, sete eram de corte transversal,1010. Brow A, Lee M. A descriptive study investigating the use and nature of baby-led weaning in a UK sample of mothers. Matern Child Nutr. 2011;7:34-47.,1212. Brown A, Lee M. Maternal control of child feeding during the weaning period: differences between mothers following a baby-led or standard weaning approach. Matern Child Health J. 2011;15:1265-71.,1414. Rowan H, Harris C. Baby-led weaning and the family diet. A pilot study. Appetite. 2012;58:1046-9.,1717. Cameron SL, Taylor RW, Heath AL. Parent-led or baby-led? Associations between complementary feeding practices and health-related behaviours in a survey of New Zealand families. BMJ Open. 2013;3:e003946.,2020. Morison BJ, Taylor RW, Haszard JJ, Schramm CJ, Erickson LW, Fangupo LJ, et al. How different are baby-led weaning and conventional complementary feeding? A cross-sectional study of infants aged 6-8 months. BMJ Open. 2016;6:e010665.,2121. D'andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7.,2222. Brown A. Differences in eating behaviour, well-being and personality between mothers following baby-led vs. traditional weaning styles. Matern Child Nutr. 2016;12:826-37. uma era do tipo caso controle1313. Townsend E, Pitchford NJ. Baby knows best? The impact of weaning style on food preferences and body mass index in early childhood in a case-controlled sample. BMJ Open. 2012;2:e000298. e duas eram coortes.1111. Wright CM, Cameron K, Tsiaka M, Parkinson KN. Is baby-led weaning feasible? When do babies first reach out for and eat finger foods? Matern Child Nutr. 2011;7:27-33.,1818. Brown A, Lee MD. Early influences on child satiety-responsiveness: the role of weaning style. Pediatr Obes. 2015;10:57-66. As coletas de dados das qualitativas foram estabelecidas por meio de entrevistas semiestruturadas.1515. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals' and mothers' knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2.,1616. Brown A, Lee M. An exploration of experiences of mothers following a baby-led weaning style: developmental readiness for complementary foods. Matern Child Nutr. 2013;9:233-43.,1919. Arden MA, Abbott RL. Experiences of baby-led weaning: trust, control and renegotiation. Matern Child Nutr. 2015;11:829-44.

O Quadro 1 expõe uma breve descrição de todas as referências mediante os seguintes itens: autoria (ano), título, local do estudo, objetivos, delineamento e amostra. O Quadro 2 contém as 13 citações que discorreram sobre o BLW na perspectiva do comportamento alimentar infantil e/ou do crescimento/desenvolvimento. Oito delas foram originárias do Reino Unido,1010. Brow A, Lee M. A descriptive study investigating the use and nature of baby-led weaning in a UK sample of mothers. Matern Child Nutr. 2011;7:34-47.,1111. Wright CM, Cameron K, Tsiaka M, Parkinson KN. Is baby-led weaning feasible? When do babies first reach out for and eat finger foods? Matern Child Nutr. 2011;7:27-33.,1212. Brown A, Lee M. Maternal control of child feeding during the weaning period: differences between mothers following a baby-led or standard weaning approach. Matern Child Health J. 2011;15:1265-71.,1313. Townsend E, Pitchford NJ. Baby knows best? The impact of weaning style on food preferences and body mass index in early childhood in a case-controlled sample. BMJ Open. 2012;2:e000298.,1616. Brown A, Lee M. An exploration of experiences of mothers following a baby-led weaning style: developmental readiness for complementary foods. Matern Child Nutr. 2013;9:233-43.,1818. Brown A, Lee MD. Early influences on child satiety-responsiveness: the role of weaning style. Pediatr Obes. 2015;10:57-66.,1919. Arden MA, Abbott RL. Experiences of baby-led weaning: trust, control and renegotiation. Matern Child Nutr. 2015;11:829-44.,2222. Brown A. Differences in eating behaviour, well-being and personality between mothers following baby-led vs. traditional weaning styles. Matern Child Nutr. 2016;12:826-37. uma do Reino Unido/dos Estados Unidos,1414. Rowan H, Harris C. Baby-led weaning and the family diet. A pilot study. Appetite. 2012;58:1046-9. três da Nova Zelândia1515. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals' and mothers' knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2.,1717. Cameron SL, Taylor RW, Heath AL. Parent-led or baby-led? Associations between complementary feeding practices and health-related behaviours in a survey of New Zealand families. BMJ Open. 2013;3:e003946.,2020. Morison BJ, Taylor RW, Haszard JJ, Schramm CJ, Erickson LW, Fangupo LJ, et al. How different are baby-led weaning and conventional complementary feeding? A cross-sectional study of infants aged 6-8 months. BMJ Open. 2016;6:e010665. e uma do Canadá.2121. D'andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. O Quadro 3 inclui as 10 referências que abordaram o BLW na perspectiva materna. Seis delas eram procedentes do Reino Unido,1010. Brow A, Lee M. A descriptive study investigating the use and nature of baby-led weaning in a UK sample of mothers. Matern Child Nutr. 2011;7:34-47.,1212. Brown A, Lee M. Maternal control of child feeding during the weaning period: differences between mothers following a baby-led or standard weaning approach. Matern Child Health J. 2011;15:1265-71.,1616. Brown A, Lee M. An exploration of experiences of mothers following a baby-led weaning style: developmental readiness for complementary foods. Matern Child Nutr. 2013;9:233-43.,1818. Brown A, Lee MD. Early influences on child satiety-responsiveness: the role of weaning style. Pediatr Obes. 2015;10:57-66.,1919. Arden MA, Abbott RL. Experiences of baby-led weaning: trust, control and renegotiation. Matern Child Nutr. 2015;11:829-44.,2222. Brown A. Differences in eating behaviour, well-being and personality between mothers following baby-led vs. traditional weaning styles. Matern Child Nutr. 2016;12:826-37. uma do Reino Unido/dos Estados Unidos,1414. Rowan H, Harris C. Baby-led weaning and the family diet. A pilot study. Appetite. 2012;58:1046-9. duas da Nova Zelândia1515. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals' and mothers' knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2.,1717. Cameron SL, Taylor RW, Heath AL. Parent-led or baby-led? Associations between complementary feeding practices and health-related behaviours in a survey of New Zealand families. BMJ Open. 2013;3:e003946. e uma do Canadá.2121. D'andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. Apenas duas citações também discorreram sobre o BLW perante os profissionais da saúde. Uma delas foi originária da Nova Zelândia,1515. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals' and mothers' knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2. e a outra, do Canadá.2121. D'andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7.

Quadro 1:
Breve descrição das referências incluídas no estudo de revisão.
Quadro 2:
O método baby-led weaning na perspectiva do comportamento alimentar infantil e/ou do crescimento/desenvolvimento.
Quadro 3:
O método baby-led weaning na perspectiva materna.

DISCUSSÃO

O método baby-led weaning na perspectiva do comportamento alimentar infantil e/ou do crescimento/desenvolvimento

Brow e Lee1010. Brow A, Lee M. A descriptive study investigating the use and nature of baby-led weaning in a UK sample of mothers. Matern Child Nutr. 2011;7:34-47. foram pioneiras ao caracterizarem formalmente o BLW em estudo com 655 mães de bebês entre 6 e 12 meses de idade, residentes no condado de Swansea, Reino Unido. As pesquisadoras abrangeram informações acerca do desmame e das experiências com refeições durante a introdução alimentar. Entre os seus resultados, destaca-se que a duração do aleitamento materno exclusivo foi substancialmente maior entre as mães que aderiram ao método, fato também relatado em outras investigações.1414. Rowan H, Harris C. Baby-led weaning and the family diet. A pilot study. Appetite. 2012;58:1046-9.,1515. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals' and mothers' knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2.,1616. Brown A, Lee M. An exploration of experiences of mothers following a baby-led weaning style: developmental readiness for complementary foods. Matern Child Nutr. 2013;9:233-43.,1717. Cameron SL, Taylor RW, Heath AL. Parent-led or baby-led? Associations between complementary feeding practices and health-related behaviours in a survey of New Zealand families. BMJ Open. 2013;3:e003946.,2020. Morison BJ, Taylor RW, Haszard JJ, Schramm CJ, Erickson LW, Fangupo LJ, et al. How different are baby-led weaning and conventional complementary feeding? A cross-sectional study of infants aged 6-8 months. BMJ Open. 2016;6:e010665.,2121. D'andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. Na maior parte dos casos, a ingestão de alimentos complementares foi iniciada por volta do sexto mês, estando, assim, em consonância com os preceitos internacionais.

Em longo prazo, a amamentação confere às crianças efeito protetor contra infecções, má oclusão dentária, excesso de peso e diabetes.2323. Schack-Nielsen L, Sorensen TI, Mortensen EL, Michaelsen KF. Late introduction of complementary feeding, rather than duration of breastfeeding, may protect against adult overweight. Am J Clin Nutr. 2010;91:619-27.,2424. Horta BL, Mola CL, Victora CG. Long-term consequences of breastfeeding on cholesterol, obesity, systolic blood pressure and type 2 diabetes: a systematic review and meta-analysis. Acta Paediatr. 2015;104:30-7.,2525. Victora CG, Bahl R, Barros AJ, França GV, Horton S, Krasevec J, et al. Breastfeeding in the 21st century: epidemiology, mechanisms, and lifelong effect. Lancet. 2016;387:475-90.,2626. World Health Organization. Consideration of the evidence on childhood obesity for the Commission on Ending Childhood Obesity: report of the ad hoc working group on science and evidence for ending childhood obesity. Geneva:WHO; 2016. Ressalta-se que nas duas últimas décadas as prevalências mundiais de sobrepeso/obesidade adquiriram características epidemiológicas, acometendo a população infantojuvenil de modo alarmante e posicionando esse tema entre os graves obstáculos da saúde pública a serem enfrentados no século XXI.2626. World Health Organization. Consideration of the evidence on childhood obesity for the Commission on Ending Childhood Obesity: report of the ad hoc working group on science and evidence for ending childhood obesity. Geneva:WHO; 2016.,2727. World Health Organization. Obesity and overweight. Geneva: WHO; 2016.,2828. World Health Organization. Commission on ending childhood obesity. Geneva: WHO; 2016. Em decorrência disso, a carga de enfermidades crônicas não transmissíveis exibe proporções ascendentes em diversos países, inclusive naqueles em desenvolvimento, que são historicamente demarcados por subnutrição e desnutrição.2929. Lobstein T, Jackson-Leach R, Moodie ML, Hall KD, Gortmaker SL, Swinbur BA, et al. Child and adolescent obesity: part of a bigger picture. Lancet. 2015;385:2510-20.,3030. Ng M, Fleming T, Robinson M, Thomson B, Graetz N, Margono C, et al. Global, regional, and national prevalence of overweight and obesity in children and adults during 1980-2013: a systematic analysis for the global burden of disease study 2013. Lancet. 2014;384:766-81. Por esses motivos, condutas precoces - tal como o desempenho adequado da amamentação - têm sido reiteradas como forma de se evitar desfechos nocivos na idade adulta.2323. Schack-Nielsen L, Sorensen TI, Mortensen EL, Michaelsen KF. Late introduction of complementary feeding, rather than duration of breastfeeding, may protect against adult overweight. Am J Clin Nutr. 2010;91:619-27.,2626. World Health Organization. Consideration of the evidence on childhood obesity for the Commission on Ending Childhood Obesity: report of the ad hoc working group on science and evidence for ending childhood obesity. Geneva:WHO; 2016.,2929. Lobstein T, Jackson-Leach R, Moodie ML, Hall KD, Gortmaker SL, Swinbur BA, et al. Child and adolescent obesity: part of a bigger picture. Lancet. 2015;385:2510-20.

Corroborando os achados da pesquisa exploratória de Brow e Lee,1010. Brow A, Lee M. A descriptive study investigating the use and nature of baby-led weaning in a UK sample of mothers. Matern Child Nutr. 2011;7:34-47. estudos posteriores demonstraram que os bebês adeptos ao BLW foram mais propensos a consumir os mesmos alimentos ingeridos pela família e a compartilhar os momentos de refeição.1414. Rowan H, Harris C. Baby-led weaning and the family diet. A pilot study. Appetite. 2012;58:1046-9.,1616. Brown A, Lee M. An exploration of experiences of mothers following a baby-led weaning style: developmental readiness for complementary foods. Matern Child Nutr. 2013;9:233-43.,1717. Cameron SL, Taylor RW, Heath AL. Parent-led or baby-led? Associations between complementary feeding practices and health-related behaviours in a survey of New Zealand families. BMJ Open. 2013;3:e003946.,2121. D'andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. A participação no contexto familiar é de extrema relevância, pois a imitação constitui um dos pilares do aprendizado infantil. A literatura evidencia a pertinência do processo de aprendizagem na formação do comportamento alimentar, cujos estímulos poderão persistir ao longo da infância/adolescência até a vida adulta.3131. Rapley G. Baby-led weaning: transitioning to solid foods at the baby's own pace. Community Pract. 2011;84:20-3.,3231. Rapley G. Baby-led weaning: transitioning to solid foods at the baby's own pace. Community Pract. 2011;84:20-3.,3333. Silva GA, Costa KA, Giugliane ER. Infant feeding: beyond the nutritional aspects. J Pediatr (Rio J). 2016;92:S2-7. Ademais, há relação positiva entre a alimentação em família e a interação de seus membros.3333. Silva GA, Costa KA, Giugliane ER. Infant feeding: beyond the nutritional aspects. J Pediatr (Rio J). 2016;92:S2-7. Logo, a presença da criança no mesmo ambiente em que a família realiza as refeições - em simultaneidade com a oferta de alimentos saudáveis - é de grande valia para auxiliar a implementação/continuidade do método.

Nesse âmbito, Rowan e Harris1414. Rowan H, Harris C. Baby-led weaning and the family diet. A pilot study. Appetite. 2012;58:1046-9. investigaram a provável compatibilidade entre os alimentos ingeridos pelas crianças e suas famílias. Passados três meses desde a introdução do BLW, os bebês consumiram, em média, 57% dos mesmos alimentos ingeridos pelas mães, com similaridades mínima e máxima, nessa ordem, de 44 e 86%. Curiosamente, o participante com a menor equivalência dietética também ingeria os alimentos da família, mas em ocasiões distintas ao longo do dia. Por exemplo, a criança consumia no jantar o que fora ingerido pela mãe no almoço. Esse compartilhamento da rotina possivelmente intensifica a aderência ao método, porque os indivíduos cuidadores têm a oportunidade de poupar tarefas voltadas exclusivamente para o preparo e a oferta de refeições aos bebês, o que torna o processo menos extenuante.

Os alimentos comumente oferecidos às crianças no período inicial do BLW foram frutas e legumes frescos, em detrimento dos produtos industrializados.1010. Brow A, Lee M. A descriptive study investigating the use and nature of baby-led weaning in a UK sample of mothers. Matern Child Nutr. 2011;7:34-47.,1515. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals' and mothers' knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2.,2121. D'andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. De acordo com D’Andrea et al.,2121. D'andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. as proteínas de origem animal compuseram o segundo grupo mais reportado, incluindo-se carnes vermelhas, aves e peixes. Os alimentos eram in natura ou amolecidos, sendo disponibilizados no formato de tiras ou em outros cortes gerenciáveis.1010. Brow A, Lee M. A descriptive study investigating the use and nature of baby-led weaning in a UK sample of mothers. Matern Child Nutr. 2011;7:34-47.,1414. Rowan H, Harris C. Baby-led weaning and the family diet. A pilot study. Appetite. 2012;58:1046-9.,1515. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals' and mothers' knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2.,2121. D'andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7.

Em contraste, Morisson et al.2020. Morison BJ, Taylor RW, Haszard JJ, Schramm CJ, Erickson LW, Fangupo LJ, et al. How different are baby-led weaning and conventional complementary feeding? A cross-sectional study of infants aged 6-8 months. BMJ Open. 2016;6:e010665. afirmaram que os bebês adeptos ao BLW haviam ingerido maiores teores de gordura e menores quantidades de ferro, zinco e vitamina B12. Não foram encontradas diferenças entre os valores energéticos consumidos pelas crianças do método e da conduta tradicional. Apesar disso, em ambos os grupos, 45 e 76% receberam, respectivamente, alimentos adoçados e ricos em sódio.

Rowan e Harris1414. Rowan H, Harris C. Baby-led weaning and the family diet. A pilot study. Appetite. 2012;58:1046-9. também verificaram em crianças do BLW, mesmo que em menor proporção, as ofertas de arroz, pães, torradas, biscoitos, iogurtes, queijos, ovos, manteiga, sopas e massas, porém é consenso que a ingestão frequente de alimentos açucarados, biscoitos e gorduras está associada ao ganho ponderal excessivo e a suas consequências.2626. World Health Organization. Consideration of the evidence on childhood obesity for the Commission on Ending Childhood Obesity: report of the ad hoc working group on science and evidence for ending childhood obesity. Geneva:WHO; 2016.,2929. Lobstein T, Jackson-Leach R, Moodie ML, Hall KD, Gortmaker SL, Swinbur BA, et al. Child and adolescent obesity: part of a bigger picture. Lancet. 2015;385:2510-20.

Townsend e Pitchford,1313. Townsend E, Pitchford NJ. Baby knows best? The impact of weaning style on food preferences and body mass index in early childhood in a case-controlled sample. BMJ Open. 2012;2:e000298. em estudo caso controle que avaliou 155 bebês entre 20 e 78 meses de idade, observaram que os adeptos ao BLW exibiram mais preferência por carboidratos, enquanto o grupo submetido à conduta alimentar tradicional teve predileção por alimentos doces. Constatou-se, também, que as crianças aderentes ao método exibiram menor índice de massa corporal (IMC), com classificações próximas à faixa de adequação; aquelas submetidas à conduta tradicional exibiram maior IMC, sendo mais suscetíveis ao excesso de peso.

Brow e Lee,1818. Brown A, Lee MD. Early influences on child satiety-responsiveness: the role of weaning style. Pediatr Obes. 2015;10:57-66. em outra pesquisa com 298 bebês entre 18 e 24 meses de idade, observaram, após um ano de seguimento, que o grupo do BLW foi menos exigente em relação aos alimentos, mais saciedade-sensível e menos propenso ao excesso de peso. As autoras reiteraram que a prática do método propiciava um ambiente protetor para amenizar o risco de obesidade, algo justificado pela prática da alimentação mais saudável.

No tocante à ocorrência de episódios de engasgo, Cameron et al.,1717. Cameron SL, Taylor RW, Heath AL. Parent-led or baby-led? Associations between complementary feeding practices and health-related behaviours in a survey of New Zealand families. BMJ Open. 2013;3:e003946. em uma pesquisa on-line com 199 cuidadoras, não detectaram diferença entre os grupos do BLW e da conduta tradicional. Salienta-se que uma grande parcela de mães manifestou receio com asfixia por engasgo,1616. Brown A, Lee M. An exploration of experiences of mothers following a baby-led weaning style: developmental readiness for complementary foods. Matern Child Nutr. 2013;9:233-43.,1717. Cameron SL, Taylor RW, Heath AL. Parent-led or baby-led? Associations between complementary feeding practices and health-related behaviours in a survey of New Zealand families. BMJ Open. 2013;3:e003946.,2121. D'andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. porém tal complicação é incomum no BLW e pode ser confundida com o “reflexo de gag” (ou reflexo de vômito), especialmente pelo fato de os bebês o apresentarem em região anteriorizada, na base da língua. Assim, o alimento mal mastigado retorna à porção anterior da cavidade oral antes de ser deglutido. Consecutivamente, ou será cuspido, ou será mastigado e engolido.3131. Rapley G. Baby-led weaning: transitioning to solid foods at the baby's own pace. Community Pract. 2011;84:20-3.

D’Andrea et al.2121. D'andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. relataram que apenas três crianças (4,6%) haviam vivenciado algum incidente de engasgo durante a realização do método. Em comentários, as cuidadoras reconheceram as diferenças entre engasgo e sufocação, mas sugeriram que treinamentos de primeiros socorros seriam úteis aos praticantes do BLW. No estudo de Cameron et al.,1515. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals' and mothers' knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2. as mães que citaram engasgos disseram que as crianças lidaram sozinhas com o problema, expulsando o alimento por meio da tosse.

O método baby-led weaning na perspectiva materna

Sobre as razões motivadoras para a implementação do BLW, as mães pesquisadas por Cameron et al.1515. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals' and mothers' knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2. e D’Andrea et al.2121. D'andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. alegaram que o método “fazia sentido”, “parecia lógico” e “era natural”. A maioria recomendava-o por acreditar tratar-se de um procedimento facilitador de hábitos alimentares saudáveis,1515. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals' and mothers' knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2.,1717. Cameron SL, Taylor RW, Heath AL. Parent-led or baby-led? Associations between complementary feeding practices and health-related behaviours in a survey of New Zealand families. BMJ Open. 2013;3:e003946.,2121. D'andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. também contribuindo para o progresso das habilidades motoras finas e para o desenvolvimento oral dos bebês.2121. D'andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. As texturas dos alimentos favorecem a percepção sensorial e geram benefícios relacionados ao crescimento orofacial. À vista disso, a dieta de consistência mais elevada impacta positivamente na qualidade da função mastigatória.3434. Araújo CM. Alimentação complementar e desenvolvimento sensório motor oral [master's thesis]. Recife (PE): UFPE; 2004.,3535. Pires SC. Influência da duração do aleitamento materno na qualidade da função mastigatória em crianças pré-escolares [master's thesis]. Porto Alegre (RS): UFRS; 2012.

As cuidadoras adeptas ao BLW, comparadas às praticantes da conduta tradicional, citaram:

  1. baixo controle sob o volume alimentar ingerido pelas crianças, o que nem sempre foi encarado como positivo;1616. Brown A, Lee M. An exploration of experiences of mothers following a baby-led weaning style: developmental readiness for complementary foods. Matern Child Nutr. 2013;9:233-43.,1919. Arden MA, Abbott RL. Experiences of baby-led weaning: trust, control and renegotiation. Matern Child Nutr. 2015;11:829-44.

  2. níveis significativamente mais baixos de preocupação com o peso dos bebês, com a pressão para comer e com a restrição alimentar;1212. Brown A, Lee M. Maternal control of child feeding during the weaning period: differences between mothers following a baby-led or standard weaning approach. Matern Child Health J. 2011;15:1265-71.,1818. Brown A, Lee MD. Early influences on child satiety-responsiveness: the role of weaning style. Pediatr Obes. 2015;10:57-66.

  3. menor tempo despendido para a vigilância das crianças durante as refeições;1212. Brown A, Lee M. Maternal control of child feeding during the weaning period: differences between mothers following a baby-led or standard weaning approach. Matern Child Health J. 2011;15:1265-71.,1818. Brown A, Lee MD. Early influences on child satiety-responsiveness: the role of weaning style. Pediatr Obes. 2015;10:57-66.,1919. Arden MA, Abbott RL. Experiences of baby-led weaning: trust, control and renegotiation. Matern Child Nutr. 2015;11:829-44.

  4. menos ansiedade;1919. Arden MA, Abbott RL. Experiences of baby-led weaning: trust, control and renegotiation. Matern Child Nutr. 2015;11:829-44.,2222. Brown A. Differences in eating behaviour, well-being and personality between mothers following baby-led vs. traditional weaning styles. Matern Child Nutr. 2016;12:826-37.

  5. elevado grau de confiança diante das capacidades dos bebês para regularem a duração das refeições, bem como para escolherem o tipo e a quantidade de alimento;1919. Arden MA, Abbott RL. Experiences of baby-led weaning: trust, control and renegotiation. Matern Child Nutr. 2015;11:829-44.

  6. menos estresse no decorrer das refeições, sendo mais simples e conveniente seguir o método.1515. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals' and mothers' knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2.,1616. Brown A, Lee M. An exploration of experiences of mothers following a baby-led weaning style: developmental readiness for complementary foods. Matern Child Nutr. 2013;9:233-43.

Adicionalmente, notaram-se preocupações sucessivas quanto à habilidade dos bebês de guiarem a autoalimentação, além da insegurança com o volume ingerido e o aporte nutricional.1010. Brow A, Lee M. A descriptive study investigating the use and nature of baby-led weaning in a UK sample of mothers. Matern Child Nutr. 2011;7:34-47.,1616. Brown A, Lee M. An exploration of experiences of mothers following a baby-led weaning style: developmental readiness for complementary foods. Matern Child Nutr. 2013;9:233-43.,1717. Cameron SL, Taylor RW, Heath AL. Parent-led or baby-led? Associations between complementary feeding practices and health-related behaviours in a survey of New Zealand families. BMJ Open. 2013;3:e003946.,1919. Arden MA, Abbott RL. Experiences of baby-led weaning: trust, control and renegotiation. Matern Child Nutr. 2015;11:829-44. As quantidades e as frequências em que os alimentos são ofertados devem basear-se na aceitação da criança, que varia conforme as necessidades individuais, a quantidade de leite materno ingerido e a densidade dos alimentos complementares.44. Rapley G, Forste R, Cameron S, Brown A, Wright C. Baby-led weaning a new frontier. ICAN. 2015;7:77-85.,3636. Brazil - Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: crescimento e desenvolvimento. Brasília: Ministério da Saúde; 2012. A implementação do BLW também requer sinais de destreza relativos ao desenvolvimento, incluindo equilíbrio postural para sentar-se com pouco ou nenhum auxílio, bem como estabilidade para alcançar, agarrar e conduzir os alimentos à boca.44. Rapley G, Forste R, Cameron S, Brown A, Wright C. Baby-led weaning a new frontier. ICAN. 2015;7:77-85.,1111. Wright CM, Cameron K, Tsiaka M, Parkinson KN. Is baby-led weaning feasible? When do babies first reach out for and eat finger foods? Matern Child Nutr. 2011;7:27-33.,3131. Rapley G. Baby-led weaning: transitioning to solid foods at the baby's own pace. Community Pract. 2011;84:20-3. Essas aptidões são manifestadas quando a criança possui cerca de seis meses de idade,1717. Cameron SL, Taylor RW, Heath AL. Parent-led or baby-led? Associations between complementary feeding practices and health-related behaviours in a survey of New Zealand families. BMJ Open. 2013;3:e003946.,3636. Brazil - Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: crescimento e desenvolvimento. Brasília: Ministério da Saúde; 2012. corroborando, assim, as recomendações da OMS, que enfatiza o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida e somente após esse período indica a oferta de outros alimentos.11. World Health Organization. Infant and young feeding: model chapter for medical students and allied health professionals. Geneva: WHO; 2009.,22. Brazil - Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: aleitamento materno e alimentação complementar. 2nd ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2015.

Acentua-se que não é aconselhável conduzir o desmame de forma repentina, uma vez que no momento inicial da prática do BLW boa parte das necessidades energéticas e de micronutrientes ainda será suprida por meio da amamentação. Portanto, esse processo deverá acontecer de modo gradativo, conforme os sinais de controle evidenciados pelo bebê.44. Rapley G, Forste R, Cameron S, Brown A, Wright C. Baby-led weaning a new frontier. ICAN. 2015;7:77-85.,3131. Rapley G. Baby-led weaning: transitioning to solid foods at the baby's own pace. Community Pract. 2011;84:20-3.

Wright et al.1111. Wright CM, Cameron K, Tsiaka M, Parkinson KN. Is baby-led weaning feasible? When do babies first reach out for and eat finger foods? Matern Child Nutr. 2011;7:27-33. analisaram o desenvolvimento motor perante a autoalimentação em crianças da coorte intitulada The Gateshead Millennium Baby Study. Os pesquisadores obtiveram os seguintes achados:

  1. entre as cuidadoras que preencheram um diário sobre as primeiras 5 ocasiões em que seus filhos consumiram alimentos sólidos, 40,0% ofereceram alimentos de dedo (aqueles possíveis de ser agarrados pelos bebês) antes dos 6 meses de idade;

  2. 56,0% das crianças haviam estendido as mãos para segurar alimentos antes do 6o mês, mas, ao completarem 8 meses, 36,0% receberam alimentos de dedo somente uma vez por dia e 27,0% foram consideradas incapazes de realizar a autoalimentação;

  3. do total de bebês que tinha contato com os alimentos de dedo, 9,6% os receberam ao menos uma vez por dia quando atingiram 8 meses;

  4. 35,0% das crianças de 8 meses foram descritas como integralmente alimentadas por meio das cuidadoras, não tendo, portanto, a capacidade de guiarem o próprio ato;

  5. em suma, para muitas crianças com 8 meses de idade a autoalimentação ainda não era rotina em suas refeições.

Pode-se inferir que, embora os bebês denotassem interesse e prontidão para se autoalimentarem por volta do sexto mês, as ocasiões concedidas a eles por parte das cuidadoras ainda eram insuficientes. Mais oportunidades naturalmente levariam à obtenção de proficiências para mastigar e deglutir.1111. Wright CM, Cameron K, Tsiaka M, Parkinson KN. Is baby-led weaning feasible? When do babies first reach out for and eat finger foods? Matern Child Nutr. 2011;7:27-33.

Com o passar do tempo, as mães que haviam mencionado temores com episódios de engasgo tornaram-se mais confiantes.1616. Brown A, Lee M. An exploration of experiences of mothers following a baby-led weaning style: developmental readiness for complementary foods. Matern Child Nutr. 2013;9:233-43.,2121. D'andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. A bagunça e o desperdício de comida decorrentes da prática do BLW foram considerados os maiores desafios.1515. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals' and mothers' knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2.,1616. Brown A, Lee M. An exploration of experiences of mothers following a baby-led weaning style: developmental readiness for complementary foods. Matern Child Nutr. 2013;9:233-43.,1919. Arden MA, Abbott RL. Experiences of baby-led weaning: trust, control and renegotiation. Matern Child Nutr. 2015;11:829-44.

Uma grande parcela das cuidadoras havia sido apresentada ao método por meio de grupos de pais, pessoas amigas ou fontes on-line.1010. Brow A, Lee M. A descriptive study investigating the use and nature of baby-led weaning in a UK sample of mothers. Matern Child Nutr. 2011;7:34-47.,1515. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals' and mothers' knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2.,2121. D'andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. De modo geral, as que aderiram ao BLW eram casadas,1010. Brow A, Lee M. A descriptive study investigating the use and nature of baby-led weaning in a UK sample of mothers. Matern Child Nutr. 2011;7:34-47. exibiam mais escolaridade, ocupavam um cargo gerencial no trabalho1010. Brow A, Lee M. A descriptive study investigating the use and nature of baby-led weaning in a UK sample of mothers. Matern Child Nutr. 2011;7:34-47.,1212. Brown A, Lee M. Maternal control of child feeding during the weaning period: differences between mothers following a baby-led or standard weaning approach. Matern Child Health J. 2011;15:1265-71.,2222. Brown A. Differences in eating behaviour, well-being and personality between mothers following baby-led vs. traditional weaning styles. Matern Child Nutr. 2016;12:826-37. - ou então os respectivos parceiros apresentavam essas características1010. Brow A, Lee M. A descriptive study investigating the use and nature of baby-led weaning in a UK sample of mothers. Matern Child Nutr. 2011;7:34-47. - e eram mais prováveis de não terem retornado ao trabalho no período da introdução alimentar de seus filhos.1212. Brown A, Lee M. Maternal control of child feeding during the weaning period: differences between mothers following a baby-led or standard weaning approach. Matern Child Health J. 2011;15:1265-71. Duas investigações não encontraram diferenças quanto à idade materna, ao estado civil nem à renda.1212. Brown A, Lee M. Maternal control of child feeding during the weaning period: differences between mothers following a baby-led or standard weaning approach. Matern Child Health J. 2011;15:1265-71.,2222. Brown A. Differences in eating behaviour, well-being and personality between mothers following baby-led vs. traditional weaning styles. Matern Child Nutr. 2016;12:826-37.

Notaram-se, ainda, que as adeptas à conduta tradicional recorreram com mais frequência ao apoio de profissionais da saúde visando a esclarecimentos acerca da alimentação complementar.1010. Brow A, Lee M. A descriptive study investigating the use and nature of baby-led weaning in a UK sample of mothers. Matern Child Nutr. 2011;7:34-47.,1515. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals' and mothers' knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2.

O método baby-led weaning na perspectiva dos profissionais da saúde

Cameron et al.,1515. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals' and mothers' knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2. entrevistando 31 profissionais da saúde em Dunedin, Nova Zelândia, constataram que menos da metade (41,9%) estava ciente do método. Ademais, uma grande parcela submetida à pesquisa não havia presenciado o BLW em ação e, por isso, exibia determinada resistência para compreender a habilidade da criança de coordenar a mastigação/deglutição de alimentos em pedaços. Não obstante, foram explanadas algumas vantagens decorrentes do uso do método, por exemplo:

  • o compartilhamento de refeições em família;

  • o incentivo a hábitos alimentares saudáveis;

  • o estímulo ao desenvolvimento oral por meio da mastigação;

  • menos estresse dos cuidadores nos momentos das refeições, visto que o processo é inteiramente gerenciado conforme o ritmo do bebê.

D’Andrea et al.,2121. D'andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. em levantamento com 33 profissionais canadenses, notaram que 81,8% estavam cientes do BLW e haviam conhecido essa conduta por meio de outros profissionais da saúde, pacientes ou treinamentos. Mais de 80% dos entrevistados acreditavam que o método poderia promover o progresso de habilidades motoras finas e o desenvolvimento oral das crianças. Até mesmo, conforme mencionado na seção anterior deste artigo (“O método baby-led weaning na perspectiva materna”), o mesmo estudo revelou que uma grande parcela de mães havia se informado sobre o método por meio de fontes on-line, fato que denota a carência de divulgação do BLW entre os profissionais da área pediátrica.

Apesar de considerar a abordagem benéfica, a maioria não se sentia plenamente convicta para recomendá-la, especialmente por conta da preocupação com o risco de asfixia. Além do mais, acreditava-se que a prática do BLW poderia afetar negativamente a ingestão calórica e o aporte de ferro.1515. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals' and mothers' knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2.,2121. D'andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7.

A apreensão evidenciada pelos profissionais da saúde - que impacta na escassez de indicações ao método - é subsequente à ausência de conhecimento teórico-prático. Fora isso, acentua-se que a OMS, tida como referência máxima para a tomada de decisão, permanece aguardando com cautela mais evidências clínicas antes de emitir uma posição efetiva, algo que indubitavelmente dificulta a aderência ao BLW.

Limitações dos estudos revisados

Em termos gerais, os estudos revisados oferecem relevantes subsídios para o entendimento do BLW no contexto da alimentação complementar. Todavia, destacam-se as seguintes limitações:

  1. a inexistência de critérios normatizados para delimitar a proporção de práticas alimentares passivas no BLW resulta em distinções metodológicas na alocação dos participantes entre os grupos do método e os da conduta tradicional;

  2. as informações acerca do aleitamento materno e da alimentação complementar podem ter sido influenciadas pelo viés de memória, quando os dados foram obtidos de maneira retrospectiva;

  3. o predomínio de estudos com delineamento transversal não permite garantir relação de causa e efeito para as associações observadas. Aliás, os trabalhos com amostras pequenas e não probabilísticas exibem limitações inferenciais ainda maiores;

  4. convém salientar que todos os estudos disponíveis na literatura avaliaram exclusivamente as populações da Europa e da América do Norte, o que restringe a extrapolação de certas constatações para os países em desenvolvimento, pois uma série de determinantes socioculturais estão implicados na prática do método;

  5. o uso do ambiente on-line como forma de recrutamento e aplicação de questionários compromete a validade interna e externa dos resultados. Provavelmente, os cuidadores/responsáveis abordados por meio da autosseleção eram mais envolvidos no processo de introdução alimentar das crianças. Ademais, ressalta-se que esse procedimento metodológico tende a eleger amostras com maiores níveis de escolaridade e renda, fato que justifica, em partes, a elevada concentração de participantes com alto grau de instrução e pertencentes à classe média.

Em conclusão, o BLW foi aconselhado pelas mães que o seguiram com seus filhos. Todavia, relataram-se preocupações com a bagunça nas refeições, o desperdício de comida e as possibilidades de engasgo. Tais questões, somadas ao receio dos profissionais da saúde acerca da capacidade dos bebês de se autoalimentarem, refletem a escassez de recomendações e de incentivo para a implementação do método.

Não houve diferenças nas proporções de engasgo entre os que aderiram ao BLW e aqueles submetidos à conduta alimentar tradicional. O método foi associado à maior duração do aleitamento materno exclusivo, à participação infantil nas refeições familiares, à maior autorregulação da saciedade e à menor exigência alimentar dos bebês.

Espera-se que a presente revisão contribua para ampliar os conhecimentos e incitar novas investigações, uma vez que a carência de materiais bibliográficos a respeito dessa temática sugere um vasto campo para pesquisas científicas.

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  • Financiamento: O estudo não recebeu financiamento.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    10 Jul 2018
  • Data do Fascículo
    Jul-Sep 2018

Histórico

  • Recebido
    18 Jan 2017
  • Aceito
    17 Maio 2017
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