Hipertensão portal não cirrótica em adolescente infectado pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)

OBJETIVO:

Alertar o pediatra sobre a ocorrência de hipertensão portal não cirrótica (HPNC) na faixa etária pediátrica, no sentido de evitar as consequências catastróficas dessa doença, como o sangramento de varizes de esôfago.

DESCRIÇÃO DO CASO:

Paciente de 13 anos, infectado pelo HIV por via vertical, recebia esquema antirretroviral com didanosina (ddI) havia 12 anos. Apesar do controle adequado da replicação viral, com carga viral do HIV indetectável havia 12 anos, passou a apresentar diminuição gradativa dos linfócitos TCD4+, trombocitopenia prolongada e fosfatase alcalina elevada. O exame físico detectou esplenomegalia, que desencadeou o processo de investigação e culminou no diagnóstico de fibrose hepática acentuada pela elastografia, por provável toxicidade hepática devido ao uso prolongado de ddI.

COMENTÁRIOS:

Este é o primeiro caso de HPNC em adolescente infectado pelo HIV descrito no Brasil. Embora seja entidade mórbida rara em pacientes soropositivos para o HIV na faixa etária pediátrica, deve ser investigada nos pacientes em uso prolongado de ddI ou que apresentem indicadores clínicos e/ou laboratoriais de hipertensão portal, como esplenomegalia, trombocitopenia e aumento de fosfatase alcalina.

Síndrome de imunodeficiência adquirida; Cirrose hepática; Didanosina; Adolescente


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