VARIÁVEIS ENVOLVIDAS NO GERENCIAMENTO DE CONFLITOS DO TIPO BULLYING EM ESCOLAS: UMA ANÁLISE DE REDE BAYESIANA

Mariá Romanio Bitencourt Tatiana Sayuri Hizukuri Marcos Rogério Bitencourt Ana Carolina Jacinto Alarcão Elias César Araújo de Carvalho Luciano de Andrade Sandra Marisa Pelloso Maria Dalva de Barros Carvalho Sobre os autores

ABSTRACT

Objective:

To analyze the management of bullying by the managers of elementary schools.

Methods:

Descriptive, exploratory research carried out through semi-structured interviews with 17 school counselors from a city in the South of Brazil, randomly selected from different geographical sectors. The interviews were recorded with participants’ consent and, after transcription and checking, were discarded. The interviews covered the following subjects: sociodemographic characterization of subjects, school functioning, comprehension, recognition and management of bullying cases by counselors. Data analysis was performed using the Bayesian network associated with content analysis.

Results:

The majority of subjects were females, between 30 and 50 years old. Fifteen subjects were graduated in pedagogy, and all had postgraduate degrees. Most of them worked as counselor for less than three years. Only two subjects, between 30 and 50 years old, understood the term bullying. Case recognition was lower in this age group. Having a degree influenced positively the recognition of bullying. The higher the number of students in the school, the lower the recognition of cases by managers. All subjects managed cases by addressing children, families, staff, and involving professionals and support groups.

Conclusions:

The understanding and recognition of bullying was given by a few interviewees. All managers reported similar management actions in the cases. Given the scarcity of studies on bullying management in schools, more studies in this area could improve the approach of cases and contribute to their reduction.

Keywords:
Bullying; Schools; Violence; Children

RESUMO

Objetivo:

Analisar o gerenciamento de conflitos do tipo bullying pelos gestores de escolas de ensino fundamental.

Métodos:

Pesquisa descritiva e exploratória realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com 17 orientadores de escolas escolhidas aleatoriamente de um município do Sul do Brasil, contemplando os diversos setores geográficos locais. As entrevistas foram gravadas mediante consentimento, e, após transcrição e conferência pelos sujeitos, descartadas. As entrevistas abordam: caracterização sociodemográfica dos sujeitos, funcionamento da escola e compreensão, reconhecimento e gerenciamento dos casos de bullying pelos orientadores. A análise dos dados foi feita com base na rede bayesiana associada à análise de conteúdo.

Resultados:

A maioria dos sujeitos era do sexo feminino e tinha entre 30 e 50 anos. Quinze sujeitos eram formados em pedagogia, e todos possuíam pós-graduação. A maioria atuava na função de orientador havia menos de três anos. A compreensão do termo bullying deu-se apenas por dois sujeitos, com idade entre 30 e 50 anos. Já o reconhecimento dos casos foi menor nessa faixa etária. Ter feito pós-graduação influenciou positivamente o reconhecimento de bullying. Quanto maior o número de alunos na escola, menor o reconhecimento dos casos pelos gestores. Todos os sujeitos gerenciaram os casos abordando as crianças, famílias e equipe e envolvendo profissionais e núcleos de apoio.

Conclusões:

A compreensão e o reconhecimento do bullying deram-se por poucos entrevistados. Todos os gestores relataram ações de gerenciamento semelhantes diante dos casos. Tendo em vista a escassez de estudos sobre gestão de bullying na escola, mais estudos nessa área poderiam melhorar a abordagem dos casos, contribuindo para sua redução.

Palavras-chave:
Bullying; Escola; Violência; Criança

INTRODUÇÃO

O aumento da prevalência de episódios de bullying em diferentes culturas e suas consequências para os envolvidos o transformaram em um problema de saúde pública.11. Jones SN, Waite R, Clements PT. An evolutionary concept analysis of school violence: from bullying to death. J Forensic Nurs. 2012;8:4-12. https://doi.org/10.1111/j.1939-3938.2011.01121.x
https://doi.org/https://doi.org/10.1111/...
,22. Rech RR, Halpern R, Tedesco A, Santos DF. Prevalence and characteristics of victims and perpetrators of bullying. J Pediatr (Rio J). 2013;89:164-70. http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2013.03.006
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De acordo com os dados da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2016 o Brasil apresentou taxa de 43% de ocorrência de bullying entre crianças e jovens. Países desenvolvidos também exibem percentuais elevados, como a Alemanha (35,7%), Noruega (40,4%) e Espanha (39,8%).33. Organização das Nações Unidas [homepage on the Internet]. Pesquisa da ONU mostra que metade das crianças e jovens do mundo já sofreu bullying. São Paulo: ONU Brasil; 2016 [cited 2018 Jul 9]. Available from: Available from: https://nacoesunidas.org/pesquisa-da-onu-mostra-que-metade-das-criancas-e-jovens-do-mundo-ja-sofreu-bullying/
https://nacoesunidas.org/pesquisa-da-onu...
O bullying é a forma mais comum de violência no contexto escolar.44. Menesini E, Salmivalli C. Bullying in schools: the state of knowledge and effective interventions. Psychol Health Med. 2017;22 (Suppl 1):1-14. https://doi.org/10.1080/13548506.2017.1279740
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Nos Estados Unidos, sua prevalência é de 20% entre os estudantes do ensino médio;55. Eaton DK, Kann L, Kinchen S, Shanklin S, Flint KH, Hawkins J, et al. Youth risk behavior surveillance - United States, 2011. MMWR Surveill Summ. 2012;61:1-162. e na Irlanda, de 11,8% entre estudantes de 12 a 18 anos e de 22,4% entre estudantes de quatro a 13 anos.66. Foody M, Murphy H, Downers P, Norman JO. Anti-bullying procedures for schools in Ireland: principals’ responses and perceptions. Pastor Care Educ. 2018;36:126-40. https://doi.org/10.1080/02643944.2018.1453859
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O clima escolar, o processo de ensino-aprendizagem, a saúde e o desenvolvimento de crianças e adolescentes são afetados pelo bullying,11. Jones SN, Waite R, Clements PT. An evolutionary concept analysis of school violence: from bullying to death. J Forensic Nurs. 2012;8:4-12. https://doi.org/10.1111/j.1939-3938.2011.01121.x
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,22. Rech RR, Halpern R, Tedesco A, Santos DF. Prevalence and characteristics of victims and perpetrators of bullying. J Pediatr (Rio J). 2013;89:164-70. http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2013.03.006
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podendo causar danos físicos, psicológicos, sociais ou educacionais77. Gladden RM, Vivolo-Kantor AM, Hamburger ME, Lumpkin CD. Bullying surveillance among youths: uniform definitions for public health and recommended data elements. Washington, D.C.: Centers for Disease Control and Prevention; 2014. que afetam vítimas, agressores e observadores.88. Wolke D, Lereya ST. Long-term effects of bullying. Arch Dis Child. 2015;100:879-85. http://dx.doi.org/10.1136/archdischild-2014-306667
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Esses danos decorrentes da violência são uma realidade preocupante nas nossas escolas, pelas sequelas imediatas e futuras que podem provocar.99. Silva D, Tavares E, Silva ES, Duarte J, Cabral L, Martins C. Victims and aggressors - bullying manifestations in students from 6th to the 9th grade schooling. Rev Port Enferm Saude Mental. 2017;5:57-62. http://dx.doi.org/10.19131/rpesm.0168
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Diante disso, os profissionais da escola devem estar familiarizados com esse conflito para que possam abordar agressores, vítimas e observadores, além das famílias e dos outros profissionais da escola. O gerenciamento adequado desses casos pelos educadores é fator importante para redução dos casos de bullying nas escolas.1010. Burger C, Strohmeier D, Sproeber N, Bauman S, Rigby K. How teachers respond to school bullying: an examination of self-reported intervention strategy use, moderator effects, and concurrent use of multiple strategies. Teach Teach Educ. 2015;51:191-202. https://doi.org/10.1016/j.tate.2015.07.004
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Na literatura, há estudos sobre bullying que abordam o conhecimento dos professores sobre o tema,1111. Silva EM, Rosa EC. Do teachers know what is bullying? A teacher training issue. Psicol Escolar Educ. 2013;17:329-38. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-85572013000200015
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a ocorrência de suicídio entre vítimas,1212. Klomek AB, Snir A, Apter A, Carli V, Wasserman C, Hadlaczky G, et al. Association between victimization by bullying and direct self-injurious behavior among adolescence in Europe: a ten-country study. Eur Child Adolesc Psychiatry. 2016;25:1183-93. https://doi.org/10.1007/s00787-016-0840-7
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o cyberbullying1313. Modecki KL, Minchin J, Harbaugh AG, Guerra NG, Runions KC. Bullying prevalence across contexts: a meta-analysis measuring cyber and traditional bullying. J Adolesc Health. 2014;55:602-11. https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.2014.06.007
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e os observadores de bullying.1414. Rivers I, Noret N. Potential suicide ideation and its association with observing bullying at school. J Adolesc Health. 2013;53 (Suppl 1):S32-6. https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.2012.10.279
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Até onde se sabe, não foram encontrados trabalhos que abrangem os gestores de escolas nem as variáveis envolvidas na identificação e na administração dos casos de bullying de primeira a quinta série do ensino fundamental.

O objetivo deste estudo foi analisar os fatores preditores do bullying e as variáveis envolvidas no conhecimento, reconhecimento e gerenciamento desses conflitos pelos gestores das escolas de um município do Sul do Brasil.

MÉTODO

Pesquisa descritiva e exploratória com gestores (orientadores) de escolas municipais de primeira a quinta série de uma cidade de médio porte e planejada, com área de 487.930 km2, no Estado do Paraná. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sua população é de 417.010 pessoas, sendo aproximadamente 45 mil crianças entre cinco e 14 anos, e seu índice de desenvolvimento humano (IDH) é 0,808.

As 55 escolas municipais foram mapeadas por meio das coordenadas geográficas, utilizando o software de mapeamento geográfico QGIS versão 2.8.3,1515. Sutton T [homepage on the Internet]. Documentation for QGIS 1.8 [cited 2017 May 9]. Available from: Available from: http://docs.qgis.org/
http://docs.qgis.org/...
que selecionou de forma aleatória 20 escolas que representaram diferentes regiões do perímetro urbano da cidade: central, intermediária e periférica.

Foi feito um projeto-piloto para testar o questionário, objetivando verificar se o instrumento de coleta de dados oferecia condições para o alcance dos objetivos propostos. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com as diretoras, supervisoras e orientadoras de duas escolas, visando à escolha do gestor mais próximo e familiarizado com conflitos tipo bullying. O orientador foi o profissional mais apto a responder aos objetivos da pesquisa. As entrevistas com os demais profissionais foram excluídas do estudo.

A coleta de dados deu-se no período de novembro a dezembro de 2017, e as entrevistas aconteceram na escola de atuação dos sujeitos, conforme disponibilidade destes, e duraram cerca de 30 minutos. Participaram 14 escolas, considerando-se o critério de saturação dos dados, totalizando 17 sujeitos. Três escolas possuíam dois orientadores. Vale ressaltar que não houve recusa por parte das outras seis escolas. O critério utilizado apontado anteriormente foi o de saturação de dados. Ou seja, as respostas começaram a se repetir a partir da décima escola pesquisada. Mesmo assim, avançou-se até a 14ª escola, para verificar se apareceriam novos dados, o que não ocorreu. Dessa forma, optou-se por encerrar a coleta de dados.

A entrevista continha informações pessoais dos sujeitos (nome, sexo, idade, tempo de gestão na escola, formação, religião) e questões sobre o funcionamento da escola (número de alunos total e por sala de aula, quantidade de alunos em período integral, funcionamento de entrada e de saída e intervalos). A terceira parte abordava questões acerca do bullying (o que o sujeito compreende a respeito do termo e sua experiência na escola, como reconhece casos, qual é o perfil de criança mais suscetível a sofrer bullying e quais sinais ela apresenta, qual local é o mais propenso para a ocorrência, quais são as consequências para a vítima e como se trabalha a questão com os envolvidos).

Os dados oriundos da entrevista foram gravados mediante consentimento e transcritos na íntegra. Após conferência e validação dos discursos pelos sujeitos, pessoalmente ou via e-mail, a gravação foi inutilizada. Os sujeitos puderam concordar com os discursos ou discordar deles e corrigi-los.

A análise dos dados foi realizada por meio de análise de conteúdo na modalidade temática conforme Minayo.1616. Minayo MC. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 9th ed. São Paulo: Hucitec; 2006. Com o intuito de aumentar a compreensão das relações entre as variáveis envolvidas no gerenciamento de bullying, foram construídas diversas redes bayesianas (RB) utilizando-se o pacote R Bayesian Networks & Path Analysis (BNPA).1717. Carvalho E, Vissoci JR, Andrade L, Cabrera EP, Nievola JC [homepage on the Internet]. BNPA: Bayesian networks & path analysis. R package version 0.3.2. 2018 [cited 2018 Jun 14]. Available from: Available from: https://sites.google.com/site/bnparp/
https://sites.google.com/site/bnparp/...
Usou-se o método ­bootstrap não paramétrico1818. Friedman N, Halpern JY. Data analysis with Bayesian networks: a bootstrap approach. In: Conference on uncertainty in artificial intelligence. São Francisco: Morgan Kaufmann; 1999. p. 196-205. para estimar a acurácia das RBs.

Após a criação das RBs, um grupo de dois pesquisadores (MDBC, ACJA), doutores, com experiência em pesquisa sobre bullying, avaliou separadamente cada estrutura de RB gerada. Como conceito utilizado para escolha da estrutura de RB que melhor representasse a relação causal deste estudo, foi considerado o grafo com:

  • O maior número de possíveis preditores para a variável de desfecho apresentados pela literatura.

  • O menor número de relacionamentos incorretos.

  • O menor número de variáveis isoladas (sem relacionamento) ou subgrafos sem sentido.

Após a avaliação individual de cada pesquisador, ambos se reuniram para entrar em consenso sobre possíveis discrepâncias. No caso de não haver consenso, um terceiro pesquisador (SMP) opinaria acerca do assunto. Com a estrutura da RB escolhida, foi efetuada uma análise de correlação policórica por meio do pacote do software R polycor,1919. Fox J [homepage on the Internet]. Polycor: polychoric and polyserial correlations. R package version 0.7-5. 2016 [cited 2018 Mar 27]. Avaliable from: Avaliable from: http://CRAN.R-project.org/package=polycor
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para determinar se a relação entre as variáveis era positiva ou negativa.

O banco de dados original foi composto de 14 variáveis e 17 registros. Os nomes das variáveis foram convertidos. A Tabela 1 contém o rótulo original, o novo rótulo e a legenda das variáveis. O conjunto de dados não apresentou dados faltantes. A verificação de multicolinearidade identificou variáveis independentes com mais de 0,90 de correlação com outras variáveis independentes: possuir período integral (PIN), intervalo das faixas etárias em conjunto (INC), entrada e saída comuns às faixas etárias (EEC), religião (REL), sexo (SEX) e gerenciamento de bullying (GBY). Essas variáveis foram removidas, restando oito: idade (IDA), tempo de gestão na escola (TGE), formação pedagógica (FPD), conhecimento de bullying (CBY), ter pós-graduação (PGG), número de alunos total (NAL), número de alunos por sala (NAS) e reconhecimento de bullying (RBY).

Este estudo foi aprovado pelo Comitê Permanente de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Maringá (Parecer nº 2.230.881).

Tabela 1
Conjunto de dados.

RESULTADOS

Participaram do estudo 17 orientadores com idades entre 37 e 63 anos. Eles foram divididos em duas categorias, de 30 a 50 anos (52,9%) e acima de 50 anos. Dezesseis (94,1%) pertenciam ao sexo feminino. A religião católica predominou entre os participantes (52,9%). Quinze sujeitos (88,2%) eram formados em pedagogia, e a maioria estava na orientação da escola havia menos de três anos. Todos os entrevistados possuíam pós-graduação, sendo neuropedagogia, educação especial e gestão escolar as mais prevalentes.

Em 85,7% das escolas estudam entre 100 e 500 alunos. Onze escolas (78,5%) oferecem período integral de ensino. Todas as escolas possuem de 20 a 35 alunos por sala. Os horários de entrada e saída são os mesmos para as diferentes faixas etárias em 12 escolas (85,7%). Já os intervalos são separados por faixas etárias em 13 escolas (92,8%), que agrupam os primeiros e segundos anos em um ambiente e os terceiros, quartos e quintos anos em outro.

Após leitura exaustiva dos discursos dos gestores, foram delineadas três categorias indutivas: compreensão, reconhecimento e gerenciamento de bullying.

Compreensão de bullying

Com base nos conceitos e nas ideias presentes nos discursos, foram criadas duas subcategorias dicotômicas:

  • Compreende bullying: inclui os discursos contendo conceitos como violência, repetição e caráter intencional.

  • Não compreende bullying: inclui respostas incompletas envolvendo conflitos de criança, ampla divulgação do tema e banalização do termo.

Reconhecimento dos casos de bullying

O reconhecimento dos casos de bullying pelos gestores baseou-se na observação dos sinais e sintomas das crianças que sofrem tais agressões, do perfil mais acometido e dos locais de maior ocorrência. Os termos obeso e cor da pele foram citados como os perfis de crianças mais suscetíveis a se tornarem vítimas do bullying. O local ou o momento mais propício para a ocorrência foi o recreio. Isolamento, tristeza e baixa autoestima foram os sinais mais notados nas vítimas, e também foram mencionados: mudança de humor, irritação, choro, falta de atenção, faltas escolares, dores frequentes, medo de ir à escola e queda do rendimento escolar.

Para auxiliar na compreensão e no reconhecimento de bullying, foi utilizada a RB. As Tabelas 2 e 3 apresentam os resultados obtidos após a execução do processo de bootstrap durante a criação da estrutura de RB. A coluna De representa a variável de origem, Para aponta a variável de destino, Força indica a probabilidade de que haja um arco entre essas variáveis, e Direção é um parâmetro que deve conter valores acima de 0,50, o que sugere que há suporte para confirmar aquela direção de relacionamento.

Tabela 2
Resultado do processo de bootstrap para compreensão de bullying.
Tabela 3
Resultado do processo de bootstrap para reconhecimento de bullying.

A escolha da estrutura de RB mais adequada considerou o grafo com o maior número de possíveis preditores e com o menor número de relacionamentos incorretos. A categoria gerenciamento dos casos não permitiu o uso do método de RB, pois todos os sujeitos relataram ações de gerenciamento, não havendo variância suficiente para executar os cálculos estatísticos nem de probabilidade exigidos pela metodologia.

A representação gráfica de influência positiva ou negativa deu-se pelas cores azul e vermelha, respectivamente. A espessura da haste está relacionada à intensidade da influência. A Figura 1 representa a RB criada para o relacionamento causal entre as variáveis preditoras da variável de desfecho compreensão de bullying. Nesse caso, a variável IDA apresentou influência positiva, assim como TGE. A variável PGG teve influência negativa sobre CBY.

Figura 1
Rede bayesiana representando o relacionamento causal para compreensão de bullying.

A Figura 2 representa a RB criada para o relacionamento causal entre as variáveis preditoras de RBY. As variáveis TGE, NAS e PGG foram identificadas como influência positiva sobre o reconhecimento da variável IDA, e NAL, como influência negativa sobre a variável RBY.

Figura 2
Rede bayesiana criada para o relacionamento causal entre as variáveis preditoras de reconhecimento de bullying (RBY). As variáveis tempo de gestão na escola (TGE), número de alunos por sala (NAS) e ter pós-graduação (PGG) foram identificadas como influência positiva sobre o reconhecimento; já as variáveis idades entre 30 e 50 anos (IDA) e número de alunos na escola (NAL), como influência negativa sobre a variável RBY.

Gerenciamento de conflitos do tipo bullying

O gerenciamento desse tipo de conflito na escola foi subcategorizado por meio da análise dos discursos em:

  • Abordagem dos envolvidos: vítimas, agressores, observadores, profissionais de apoio, famílias.

  • Discussão multiprofissional: com profissionais da Unidade Básica de Saúde (UBS) e do Centro Municipal de Apoio Especializado (CEMAE), psicólogos.

DISCUSSÃO

Até o momento, de acordo com o nosso conhecimento, este estudo é o primeiro que analisa o gerenciamento por gestores escolares dos conflitos do tipo bullying ocorridos em escolas na faixa etária de 6 a 12 anos. Também é o primeiro a utilizar algoritmos de aprendizagem de estrutura de RB para avaliar a influência causal dos possíveis preditores para conhecimento e reconhecimento dos casos de bullying.

Em relação à categoria compreensão, os sujeitos citaram os conceitos que a literatura identifica como bullying: violência, intenção de causar mal e repetição - achados corroborados pelo estudo de Olweus.2020. Olweus D. School bullying: development and some important challenges. Annu Rev Clin Psychol. 2013;9:751-80. https://doi.org/10.1146/annurev-clinpsy-050212-185516
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Isso pode ter ocorrido devido a compreensão do termo estar mais relacionada a valores intrínsecos do sujeito do que com a formação pedagógica ou de pós-graduação na área de gestão escolar, ou ainda ao tempo de atuação como gestor. Lima et al.,2121. Lima RF, Jager ML, Souto DC, Martins CA, Dias AC. The perception of teachers on school bullying. Discip Sci Sér Ciênc Biol Saúde. 2013;14:243-54. em estudo realizado com professores, observaram que estes demonstraram conhecer o termo bullying, porém não se sentiam preparados para gerenciar o problema e revelaram necessidade de capacitação. No presente estudo, os sujeitos relataram ter acesso às capacitações e não expressaram dificuldade de manejo.

O bullying foi descrito como um fenômeno que sempre existiu, mas atualmente, pela maior importância dada ao tema, ocorre a banalização do termo. Os gestores que se encontram na faixa etária de 30 a 50 anos mostraram melhor compreensão dos casos, talvez pela familiaridade com o conceito. Já os sujeitos acima de 50 anos podem ter vivenciado conflitos semelhantes no passado, no entanto estes não eram chamados de bullying nem tinham a importância que têm hoje em dia, dificultando a compreensão.

O tempo de atuação inferior a três anos na gestão escolar teve influência positiva na compreensão de bullying, cabendo ressaltar o fato de esses gestores possuírem bastante tempo de experiência na docência. No estudo de Silva e Rosa,1111. Silva EM, Rosa EC. Do teachers know what is bullying? A teacher training issue. Psicol Escolar Educ. 2013;17:329-38. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-85572013000200015
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apenas um professor entre os seis entrevistados afirmou que o tema bullying foi abordado durante a sua formação docente. Como os participantes do referido estudo já possuíam mais de 20 anos de docência, os autores acreditam que no período da sua formação inicial a discussão sobre o bullying não fazia parte do repertório de conteúdo.

Ter formação em pedagogia ou ter feito pós-graduação em área de gestão escolar não influenciou a compreensão de bullying. Esses dados estão em concordância com o estudo de Bandeira e Hutz,2222. Bandeira CD, Hutz CS. Bullying: prevalence, implications and gender differences. Psicol Esc Educ. 2012;16:35-44. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-85572012000100004
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que identificou que a falta de conhecimento sobre a forma como o bullying se apresenta e se propaga pode contribuir para posturas de omissão diante dos casos por causa do despreparo profissional e da falta de informação sobre como atuar na resolução do problema. Destaca-se a importância de uma reformulação na formação do professor que necessita de maior enfoque sobre violência na escola. A falta de conhecimento das características do bullying escolar pelos professores pode trazer dificuldades no reconhecimento do contexto de vitimização e agressão. Lima et al.2121. Lima RF, Jager ML, Souto DC, Martins CA, Dias AC. The perception of teachers on school bullying. Discip Sci Sér Ciênc Biol Saúde. 2013;14:243-54. acreditam que isso ocorre em razão de falhas na formação continuada a respeito da violência escolar. No presente estudo os sujeitos citaram participar frequentemente de capacitações.

Os profissionais acreditam que há mais bullying nas outras escolas do que nas escolas em que atuam. Isso pode ser creditado em função da ampla divulgação do tema na mídia, da falta de informação dos casos em sua própria escola, ou também da dificuldade ou do medo de relatar os casos.2323. Juvonen J, Graham S. Bullying in schools: the power of bullies and the plight of victims. Annu Rev Psychol. 2014;65:159-85. https://doi.org/10.1146/annurev-psych-010213-115030
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Na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2012 realizada com estudantes do nono ano, 7,2% sofreram bullying e 20,5% assumiram praticá-lo.2424. Malta DC, Prado RR, Dias AJ, Mello FC, Silva AI, Costa MR, et al. Bullying and associated factors among Brazilian adolescents: analysis of the National Adolescent School-based Health Survey (PeNSE 2012). Rev Bras Epidemiol. 2014;17 (Suppl 1):131-45. http://dx.doi.org/10.1590/1809-4503201400050011
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A porcentagem de casos não é pequena, ainda que aqui se tenha abordado faixa etária menor. Os gestores que acreditam não existir casos de bullying em suas escolas talvez não compreendam ou não reconheçam a ocorrência dos casos, o que dificulta seu gerenciamento.

Em relação às variáveis envolvidas no perfil de suscetibilidade ao bullying, a obesidade foi a característica mais citada. O mesmo ocorreu no estudo de Juvonen e Graham,2323. Juvonen J, Graham S. Bullying in schools: the power of bullies and the plight of victims. Annu Rev Psychol. 2014;65:159-85. https://doi.org/10.1146/annurev-psych-010213-115030
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que evidenciou a questão como risco aumentado para sofrer bullying.

Outra variável envolvida nos casos de bullying foi a cor da pele. A PeNSE 20122424. Malta DC, Prado RR, Dias AJ, Mello FC, Silva AI, Costa MR, et al. Bullying and associated factors among Brazilian adolescents: analysis of the National Adolescent School-based Health Survey (PeNSE 2012). Rev Bras Epidemiol. 2014;17 (Suppl 1):131-45. http://dx.doi.org/10.1590/1809-4503201400050011
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constatou que alunos da raça negra foram os que mais afirmavam não terem sido bem tratados no último mês e foram também os que mais praticaram bullying.

Alguns sinais e sintomas apresentados pelas vítimas e relatados pelos gestores estão em conformidade com os encontrados por Silva e Costa,2525. Silva AC, Costa AM. The role of psychopedagogists relative to bullying. Rev Psicopedag. 2014;31:56-62. entre os quais se destacaram: mudança de humor, irritação, choro, falta de atenção, faltas escolares e dores frequentes. O mesmo deu-se com o medo de ir à escola, queda do rendimento escolar e baixa autoestima, que também foram apontados por Kim e Kim2626. Kim SK, Kim NS. The role of the pediatrician in youth violence prevention. Korean J Pediatr. 2013;56:1-7. https://doi.org/10.3345/kjp.2013.56.1.1
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em seu artigo de revisão.

Além das vítimas, os agressores demonstram sinais consonantes aos encontrados por Oliveira et al.:2727. Oliveira WA, Silva MA, Silva JL, Mello FC, Prado RR, Malta DC. Associations between the practice of bullying and individual and contextual variables from the aggressors’ perspective. J Pediatr (Rio J). 2016;92:32-9. http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2015.04.003
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sentem-se solitários, não têm amigos, têm mais faltas escolares e sofrem mais violência familiar. Esses dados reforçam a importância da abordagem não somente da vítima, mas até mesmo do agressor e dos observadores, que também sofrem as consequências desse tipo de violência.

A autoestima é fator de proteção emocional e de bem-estar diante das dificuldades na infância e pré-adolescência.2828. Tambelli R, Lagh F, Odorisio F, Notari V. Attachment relationships and internalizing and externalizing problems among Italian adolescents. Child Youth Serv Rev. 2012;34:1465-71. https://doi.org/10.1016/j.childyouth.2012.04.004
https://doi.org/https://doi.org/10.1016/...
No presente estudo, a baixa autoestima foi citada como consequência apresentada pelas crianças vítimas de bullying, o que reforça a necessidade de gerenciamento e prevenção do evento, considerando a formação da personalidade infantil.

Para Silva e Costa,2525. Silva AC, Costa AM. The role of psychopedagogists relative to bullying. Rev Psicopedag. 2014;31:56-62. no Brasil o bullying ocorre com maior frequência na sala de aula, ao contrário das pesquisas internacionais, que apontam maior frequência em intervalos e horários de entrada e saída. No presente estudo o recreio foi citado como o principal momento, por ser menos vigiado pelas autoridades escolares, assim como demonstra o estudo de Majcherová et al.2929. Majcherová K, Hajduová Z, Andrejkovič M. The role of the school in handling the problem of bullying. Aggress Violent Behav. 2014;19:463-5. https://doi.org/10.1016/j.avb.2014.06.003
https://doi.org/https://doi.org/10.1016/...

Outra variável envolvida foi a questão do gerenciamento dos casos de bullying. Tal gerenciamento mediante a abordagem em sala de aula foi citado pelos sujeitos da pesquisa e ainda no estudo de Silva e Costa,2525. Silva AC, Costa AM. The role of psychopedagogists relative to bullying. Rev Psicopedag. 2014;31:56-62. no qual foram desenvolvidos trabalhos em sala de aula por meio de textos, histórias em quadrinho, vídeos e palestras sobre o tema.

A melhor maneira de reduzir o bullying após o fato ocorrido dá-se por conversas com a família.2525. Silva AC, Costa AM. The role of psychopedagogists relative to bullying. Rev Psicopedag. 2014;31:56-62. No presente estudo, os gestores disseram utilizar a estratégia como forma de administrar e reduzir os conflitos.

Mais um modo de gerenciamento dos casos de bullying é envolver outros profissionais, como solicitar a presença de assistente social dentro da escola, uma vez que possui contatos diversos com órgãos governamentais e associações.2929. Majcherová K, Hajduová Z, Andrejkovič M. The role of the school in handling the problem of bullying. Aggress Violent Behav. 2014;19:463-5. https://doi.org/10.1016/j.avb.2014.06.003
https://doi.org/https://doi.org/10.1016/...
No município do estudo, as assistentes sociais estão presentes no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e nas UBS, que são serviços que podem auxiliar no manejo e na prevenção dos casos.

Para Silva e Costa,2525. Silva AC, Costa AM. The role of psychopedagogists relative to bullying. Rev Psicopedag. 2014;31:56-62. deve haver parceria entre escola, família e setores da sociedade a fim de reduzir a violência. Além disso, têm de ser promovidas campanhas antibullying para melhorar a identificação dos casos. Os autores também sugerem a presença do psicopedagogo para desenvolver trabalhos com crianças, famílias e escola, sensibilizando-os sobre a importância de sua conduta. No presente estudo, a presença de psicopedagogos atuando no CEMAE foi citada pelos sujeitos como profissionais com quem contam nesses casos.

Não foram citados encaminhamentos específicos para o pediatra, porém, como se trata de uma questão de saúde, esse profissional poderia auxiliar no diagnóstico fazendo parte de uma equipe multidisciplinar, assim como proposto por Kim e Kim.2626. Kim SK, Kim NS. The role of the pediatrician in youth violence prevention. Korean J Pediatr. 2013;56:1-7. https://doi.org/10.3345/kjp.2013.56.1.1
https://doi.org/https://doi.org/10.3345/...

Este estudo apresentou algumas limitações. Uma delas foi o envolvimento somente de gestores de escolas públicas. Para atenuar essa limitação, foram avaliadas escolas de diferentes regiões do município. Notou-se que os entrevistados tiveram dificuldade em admitir o bullying nas escolas em que atuam. A fim de dirimir essa limitação, foi utilizada, além da análise dos discursos, a RB. Por fim, outra limitação foi o fato de o estudo ter sido realizado em um município de médio porte. Todavia, os resultados encontrados tendem a ser comuns em outras populações nas mesmas circunstâncias.

Conclui-se que o bullying ainda é um tema que apresenta dificuldades de compreensão, reconhecimento e manejo pelos profissionais atuantes nas escolas. A abordagem deve ser feita por uma equipe multidisciplinar que envolve professores, orientadores, psicólogos, pediatras, assistentes sociais e órgãos de apoio atuando com as famílias.

A prevenção da violência escolar é uma tarefa árdua que necessita do envolvimento de gestores das áreas da educação e saúde, para evitar maiores consequências, tornando a escola um ambiente mais agradável e seguro.

AGRADECIMENTO

Aos profissionais da secretaria de educação e aos orientadores da escola.

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Financiamento

  • O estudo não recebeu financiamento.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    26 Ago 2020
  • Data do Fascículo
    2021

Histórico

  • Recebido
    08 Mar 2019
  • Aceito
    18 Ago 2019
  • Publicado
    25 Ago 2020
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