Percepções de profissionais de saúde brasileiros acerca da prática do método Baby-Led Weaning (BLW) para alimentação complementar: um estudo exploratório

Felipe Silva Neves Bruna Miranda Romano Angélica Atala Lombelo Campos Camila Almeida Pavam Renata Maria Souza Oliveira Ana Paula Carlos Cândido Michele Pereira NettoSobre os autores

Abstract

Objective:

To describe Brazilian health professionals’ perception about the Baby-Led Weaning (BLW) method use for complementary feeding.

Methods:

Cross-sectional, descriptive study including 458 health professionals graduated in Nursing, Speech Therapy, Medicine, Nutrition or Dentistry and working in Pediatrics, being directly or indirectly involved with pediatric nutrition. We used a convenience non-probability sampling. The questionnaire applied to participants addressed demographic characteristics, academic degree, workplace, knowledge about clinical practice and perceptions about the possible advantages of the BLW method.

Results:

Participants had a mean age of 34.5±8.5 years, 64.6% of them working in Southeast Brazil and 65.3% being nutritionists. Most participants reported being acquainted with the BLW method (82.0%). Regarding clinical practice, 38.3% mentioned having recommended the BLW some times, 37.5% often and 20.5% always. Most participants fully agreed that the BLW method could have advantages for babies, for example, having them more likely to share family meals, facilitating adaptation to food flavors and consistencies, enhancing chewing and favoring the development of motor skills. On the other hand, important disagreements were also expressed regarding the BLW convenience and the possibility to create less concerns or anxiety in parents.

Conclusions:

The BLW method reported as advantageous, but disagreements were also raised, probably because scientific evidences on the suject are scarse. Further investigation is needed so we can better understand the risks and benefits and health care professionals can feel effectively assisted to offer support and advice to parents and caretakers.

Keywords:
Health personnel; Child; Infant; Weaning; Infant nutrition

Resumo

Objetivo:

Descrever as percepções de profissionais de saúde brasileiros acerca do método baby-led weaning (BLW) para alimentação complementar.

Métodos:

Estudo de corte transversal conduzido com 458 profissionais de saúde graduados em Enfermagem, Fonoaudiologia, Medicina, Nutrição ou Odontologia e que atuavam em pediatria, estando direta ou indiretamente envolvidos com nutrição infantil. A amostragem foi não probabilística, de conveniência. O questionário englobou características demográficas, titulação e local de trabalho dos participantes, além do conhecimento, da prática clínica e das percepções sobre possíveis vantagens do BLW.

Resultados:

Os profissionais de saúde tinham idade média de 34,5±8,5 anos, 64,6% atuavam no sudeste do Brasil e 65,3% eram nutricionistas. A maioria relatou conhecer o BLW (82,1%). Quanto à prática clínica, 38,3% mencionaram que costumavam recomendar o BLW às vezes, 37,5%, frequentemente, e 20,5%, sempre. Grande parte declarou que concordava totalmente que o método poderia trazer vantagens, tornando os bebês mais propensos a compartilharem refeições em família, facilitando a adaptação aos sabores e às consistências dos alimentos, potencializando a mastigação e favorecendo o desenvolvimento de habilidades motoras, porém manifestaram-se discordâncias importantes em relação à comodidade/conveniência e ao argumento de gerar menos preocupação ou ansiedade para os pais/cuidadores.

Conclusões:

Em geral, o BLW foi relatado como vantajoso, mas foram evidenciadas discordâncias, que são um provável reflexo da escassez de evidências científicas factuais sobre essa temática. São necessários mais estudos, para a melhor compressão de seus riscos e benefícios. Só assim os profissionais de saúde se sentirão efetivamente respaldados para fornecer suporte ou aconselhamento aos pais/cuidadores.

Palavras-chave:
Profissionais de saúde; Criança; Lactente; Desmame; Nutrição infantil

INTRODUÇÃO

O início da alimentação complementar de bebês envolve diversas dúvidas. Nesse aspecto, profissionais de saúde possuem grandes responsabilidades como geradores de informação, influenciando de maneira direta e/ou indireta as decisões de pais/cuidadores a respeito da alimentação infantil.

O método baby-led weaning (BLW) (em tradução livre, desmame guiado pelo bebê) constitui uma abordagem alternativa para introdução de alimentos sólidos, mas tem sido alvo de questionamentos.11. Cameron SL, Heath A L, Taylor RW. How feasible is baby-led weaning as an approach to infant feeding? A review of the evidence. Nutrients. 2012;4:1575-609. https://doi.org/10.3390/nu4111575
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2. Brown A, Jones SW, Rowan H. Baby-led weaning: the evidence to date. Curr Nutr Rep. 2017;6:148-56. https://doi.org/10.1007/s13668-017-0201-2
https://doi.org/10.1007/s13668-017-0201-...

3. Arantes AL, Neves FS, Campos AA, Pereira Netto M. The baby-led weaning method (BLW) in the context of complementary feeding: a review. Rev Paul Pediatr. 2018;36:353-63. https://doi.org/10.1590/1984-0462/;2018;36;3;00001
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4. D’Auria E, Bergamini M, Staiano A, Banderali G, Pendezza E, Penagini F, et al. Baby-led weaning: what a systematic review of the literature adds on. Ital J Pediatr. 2018;44:49. https://doi.org/10.1186/s13052-018-0487-8
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-55. Rapley G, Forste R, Cameron S, Brown A, Wright C. Baby-led weaning a new frontier? ICAN. 2015;7:77-85. https://doi.org/10.1177/1941406415575931
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Ele sugere que bebês a partir do sexto mês de vida têm capacidade motora para guiarem a própria ingestão66. Rapley G, Murkett T. Baby-led weaning: helping your baby to love good food. Oxford: Vermilion; 2008. (equilíbrio postural para sentar-se com pouco ou nenhum auxílio, além de estabilidade para alcançar, agarrar e conduzir os alimentos à boca)11. Cameron SL, Heath A L, Taylor RW. How feasible is baby-led weaning as an approach to infant feeding? A review of the evidence. Nutrients. 2012;4:1575-609. https://doi.org/10.3390/nu4111575
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,66. Rapley G, Murkett T. Baby-led weaning: helping your baby to love good food. Oxford: Vermilion; 2008.

7. Naylor A, Morrow A, editors. Developmental readiness of normal full term infants to progress from exclusive breastfeeding to the introduction of complementary foods. Reviews of the relevant literature concerning infant immunologic, gastrointestinal, oral motor and maternal reproductive and lactational development. Washington, D.C.: Academy for Educational Development; 2001.

8. Carruth BR, Ziegler PJ, Gordon A, Hendricks K. Developmental milestones and self-feeding behaviors in infants and toddlers. J Am Diet Assoc. 2004;104:S51-6. https://doi.org/10.1016/j.jada.2003.10.019
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-99. Wright CM, Cameron K, Tsiaka M, Parkinson KN. Is baby-led weaning feasible? When do babies first reach out for and eat finger foods? Matern Child Nutr. 2011;7:27-33. https://doi.org/10.1111/j.1740-8709.2010.00274.x
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e, por isso, desde que exibam crescimento e desenvolvimento adequados, são aptos a iniciarem o consumo de alimentos em pedaços, tiras ou bastões, em vez de papas ou purês por meio de colher.66. Rapley G, Murkett T. Baby-led weaning: helping your baby to love good food. Oxford: Vermilion; 2008.,1010. Rapley G. Baby-led weaning: the theory and evidence behind the approach. J Health Visit. 2015;3:144-51. https://doi.org/10.12968/johv.2015.3.3.144
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Em suma, no BLW, os pais/cuidadores atuam na alimentação em caráter intermediário, pois os próprios bebês detêm a liderança não só do que e do quanto é ingerido, como também da velocidade com que realizam as refeições.66. Rapley G, Murkett T. Baby-led weaning: helping your baby to love good food. Oxford: Vermilion; 2008.,1010. Rapley G. Baby-led weaning: the theory and evidence behind the approach. J Health Visit. 2015;3:144-51. https://doi.org/10.12968/johv.2015.3.3.144
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Entretanto, apesar de o método estar se difundindo em meio à população mundial, particularmente no Reino Unido, na Nova Zelândia e no Canadá,11. Cameron SL, Heath A L, Taylor RW. How feasible is baby-led weaning as an approach to infant feeding? A review of the evidence. Nutrients. 2012;4:1575-609. https://doi.org/10.3390/nu4111575
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,22. Brown A, Jones SW, Rowan H. Baby-led weaning: the evidence to date. Curr Nutr Rep. 2017;6:148-56. https://doi.org/10.1007/s13668-017-0201-2
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,44. D’Auria E, Bergamini M, Staiano A, Banderali G, Pendezza E, Penagini F, et al. Baby-led weaning: what a systematic review of the literature adds on. Ital J Pediatr. 2018;44:49. https://doi.org/10.1186/s13052-018-0487-8
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,1111. D’Andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. https://doi.org/10.3148/cjdpr-2015-045
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ainda não há um corpo de evidências robusto sobre essa prática. Ademais, até onde se tem conhecimento, constam da literatura apenas três trabalhos originais abordando as percepções de profissionais de saúde, com neozelandeses (clínicos gerais, consultores de lactação, enfermeiras, nutricionistas, parteiras, pediatras e terapeutas de linguagem),1212. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals’ and mothers’ knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2:e001542. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2012-001542
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canadenses (consultores de lactação, enfermeiras, fisioterapeutas, médicos, nutricionistas e terapeutas ocupacionais)1111. D’Andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. https://doi.org/10.3148/cjdpr-2015-045
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e espanhóis (pediatras),1313. Rubio AM, Vallejo MD, Jaime BE. How do primary care paediatricians guide complementary feeding in Spain? Rev Pediatr Aten Primaria. 2018;20:35-44. https://doi.org/10.4321/s1139-76322011000100001
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cujos resultados demonstraram que o BLW era motivo de incerteza entre os profissionais de saúde que atuavam em pediatria (ou subárea afim). Grande parte não se sentia plenamente convicta em recomendá-lo por causa da preocupação com o risco de asfixia e por desconfiar que o método poderia impactar negativamente no consumo energético e no aporte de ferro.33. Arantes AL, Neves FS, Campos AA, Pereira Netto M. The baby-led weaning method (BLW) in the context of complementary feeding: a review. Rev Paul Pediatr. 2018;36:353-63. https://doi.org/10.1590/1984-0462/;2018;36;3;00001
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,1111. D’Andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. https://doi.org/10.3148/cjdpr-2015-045
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12. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals’ and mothers’ knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2:e001542. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2012-001542
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-1313. Rubio AM, Vallejo MD, Jaime BE. How do primary care paediatricians guide complementary feeding in Spain? Rev Pediatr Aten Primaria. 2018;20:35-44. https://doi.org/10.4321/s1139-76322011000100001
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Portanto, uma vez que a temática é inédita no Brasil, este estudo exploratório propôs-se a descrever as percepções de profissionais de saúde brasileiros acerca da prática do método BLW para alimentação complementar.

MÉTODO

O estudo é de corte transversal e abrangeu profissionais de saúde brasileiros graduados em Enfermagem, Fonoaudiologia, Medicina, Nutrição ou Odontologia que atuavam em pediatria (ou subárea afim) e que estavam direta ou indiretamente envolvidos com nutrição infantil.

A amostragem foi não probabilística, de conveniência, realizada mediante bola de neve exponencial, com adaptações.1414. Lee J, Spratling R. Recruiting mothers of children with developmental disabilities: adaptations of the snowball sampling technique using social media. J Pediatr Health Care. 2019;33:107-10. https://doi.org/10.1016/j.pedhc.2018.09.011
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Optou-se por essa técnica em razão da complexidade de acesso aos profissionais de saúde por parte dos pesquisadores.

Os participantes foram, então, recrutados por meio dos respectivos procedimentos:

  • Identificaram-se grupos ou organizações/instituições de profissionais de saúde atuantes em pediatria (ou subárea afim), com o intuito de acessar aqueles que cumpriam com as características do estudo.

  • Fizeram-se publicizações em redes sociais virtuais e contatos por e-mail e/ou aplicativos de mensagens, sendo expedidos convites nominais para participação e esclarecimentos acerca dos objetivos, critérios de inclusão e padrões de sigilo do estudo.

  • No encerramento do questionário, solicitaram-se aos profissionais de saúde: a indicação de dois ou mais indivíduos da mesma rede de trabalho, mas que não se limitassem apenas a contatos muito próximos, para que também pudessem ser convidados a participar da pesquisa; e o compartilhamento da mensagem do estudo, que incluía um link da web para o questionário.

Essas estratégias foram efetuadas sistematicamente até que não surtissem mais efeitos sobre o tamanho da amostra. A coleta de dados transcorreu de outubro de 2018 a julho de 2019.

Dos 498 profissionais de saúde que aceitaram participar do estudo, excluíram-se os que exibiam estas características:

  • Aqueles que não estavam direta ou indiretamente envolvidos com nutrição infantil (n=19).

  • Aqueles com tempo de experiência profissional em pediatria (ou subárea afim) inferior a um ano (n=11).

  • E aqueles que não realizaram o preenchimento do questionário em sua totalidade (n=10).

Assim, contemplaram-se 458 participantes.

O questionário foi gerenciado por meio do aplicativo Formulários Google (www.google.com/forms/about), sendo autoadministrado pelos profissionais de saúde, com preenchimento on-line limitado a 30 dias, a contar da data de emissão dos convites nominais. O arquivo englobou características demográficas, titulação e local de trabalho dos participantes, além do conhecimento, da prática clínica e das percepções sobre possíveis vantagens do BLW. Esta última seção foi constituída de 10 afirmativas (Quadro 1) e cinco categorias de resposta em escala Likert — concordava totalmente, concordava parcialmente, era indiferente (não sabia, não possuía experiência ou não tinha posição claramente definida), discordava parcialmente e discordava totalmente —, cujo conteúdo foi inspirado no estudo de Rubio et al.,1313. Rubio AM, Vallejo MD, Jaime BE. How do primary care paediatricians guide complementary feeding in Spain? Rev Pediatr Aten Primaria. 2018;20:35-44. https://doi.org/10.4321/s1139-76322011000100001
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com adaptações fundamentadas em Arantes et al.,33. Arantes AL, Neves FS, Campos AA, Pereira Netto M. The baby-led weaning method (BLW) in the context of complementary feeding: a review. Rev Paul Pediatr. 2018;36:353-63. https://doi.org/10.1590/1984-0462/;2018;36;3;00001
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D’Andrea et al.1111. D’Andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. https://doi.org/10.3148/cjdpr-2015-045
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e Cameron et al.1212. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals’ and mothers’ knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2:e001542. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2012-001542
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Quadro 1
Seção do questionário destinada à abordagem das percepções dos profissionais de saúde sobre possíveis benefícios do método baby-led weaning. Brasil, 2018/2019.

É válido ressaltar que o questionário foi projetado por dois pesquisadores e, depois, submetido a um painel avaliativo composto de quatro especialistas. A revisão crítica pautou a relevância de conteúdo, a clareza/complexidade de entendimento, a exaustividade, a ausência de viés e, consequentemente, a possibilidade de sucesso. Ademais, a fim de avaliar o ordenamento ideal das afirmativas, a compreensão da estrutura de respostas e o tempo médio para a conclusão do preenchimento, realizaram-se dois pré-testes.

O estudo recebeu a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa institucional (Certificado de Apresentação de Apreciação Ética — CAEE: 96134918.5.0000.5147; número do protocolo 3.191.683) e foi realizado em conformidade com as diretrizes estabelecidas na Declaração de Helsinki, requisitando-se, obrigatoriamente, a anuência dos participantes em termo de consentimento livre e esclarecido.

Todos os resultados foram demonstrados por meio de frequências absolutas (n) e relativas (%). Para isso, utilizou-se o software IBM Statistical Package for the Social Sciences (versão 20.0, ©IBM Corp., Estados Unidos).

RESULTADOS

A Tabela 1 exibe as características demográficas, a titulação e o local de trabalho dos profissionais de saúde. A amostra (n=458) apresentou idade média de 34,5±8,5 anos, 96,5% era do sexo feminino e 64,6% atuava na Região Sudeste do Brasil. Do total, 10,5% era graduado em Enfermagem, 10,3% em Fonoaudiologia, 12,7% em Medicina, 65,3% em Nutrição e 1,3% em Odontologia. Além disso, 30,1% tinha entre seis e dez anos de experiência profissional; 45,2, 15,3, 30,8 e 12,4% havia cursado ou ainda estava cursando, respectivamente, especialização lato sensu em Pediatria (ou subárea afim), especialização lato sensu em Saúde da Família (ou subárea afim), mestrado (profissional ou acadêmico) e doutorado. Grande parte desempenhava atividades profissionais em consultório, ambulatório ou atendimento domiciliar (77,9%), em serviço particular (57,4%).

Tabela 1
Características demográficas, titulação e local de trabalho dos profissionais de saúde. Brasil, 2018/2019.

A Tabela 2 revela os dados de conhecimento e prática clínica dos profissionais de saúde acerca do BLW. A maioria relatou conhecer o BLW (82,1%), tendo como principais fontes de informação algum curso, palestra, encontro profissional ou seminário/simpósio/congresso (36,2%) e a literatura científica (32,2%). Quanto à prática clínica, 38,3% mencionou que costumava recomendá-lo às vezes; 37,5%, frequentemente; e 20,5%, sempre.

Tabela 2
Conhecimento e prática clínica dos profissionais de saúde acerca do método baby-led weaning, segundo o curso de graduação. Brasil, 2018/2019.

Aqueles que nunca recomendavam o BLW (3,7%) apontaram os seguintes motivos:

  • Receio que o método refletisse em aporte nutricional (energético e/ou de micronutrientes) insuficiente para os bebês.

  • Escassez de evidências científicas.

  • Não possuir conhecimento satisfatório.

Não houve relatos de preocupação com o risco de asfixia. Ademais, 78,7% dos participantes já haviam presenciado o BLW em ação e pouco mais da metade (51,1%) alegou que atendia alguma família que seguia esse método para alimentação complementar.

A Figura 1 ilustra as percepções dos profissionais de saúde sobre possíveis vantagens do BLW. Grande parte declarou que concordava totalmente que o método poderia:

  • Tornar os bebês mais propensos a compartilharem refeições em família (afirmativa A, 65,7%).

  • Facilitar a adaptação aos sabores e às consistências dos alimentos (afirmativa B, 77,7%).

  • Potencializar a mastigação (afirmativa C, 80,3%).

  • Favorecer o desenvolvimento de habilidades motoras (afirmativa D, 88,3%).

  • Favorecer a autorregulação da saciedade e promover menor exigência alimentar (afirmativa F, 65,4%).

Figura 1
Representação gráfica das percepções dos profissionais de saúde sobre possíveis benefícios do método baby-led weaning. Brasil, 2018/2019. (A) Afirmativa A: o método BLW pode tornar os bebês mais propensos a compartilharem os momentos de refeição em família. (B) Afirmativa B: o método BLW pode facilitar a adaptação dos bebês aos sabores e às consistências dos alimentos. (C) Afirmativa C: o método BLW pode potencializar a mastigação dos bebês. (D) Afirmativa D: o método BLW pode favorecer o desenvolvimento de habilidades motoras dos bebês. (E) Afirmativa E: o método BLW pode prevenir o excesso de peso dos bebês. (F) Afirmativa F: o método BLW pode favorecer a autorregulação da saciedade e promover menor exigência alimentar dos bebês. (G) Afirmativa G: o método BLW geralmente não resulta em ganho de peso insuficiente para os bebês. (H) Afirmativa H: o método BLW geralmente não resulta em carência de alguns nutrientes para os bebês. (I) Afirmativa I: o método BLW pode ser muito cômodo/conveniente, pois não há a necessidade de preparar comidas especiais para os bebês. (J) Afirmativa J: o método BLW pode gerar menos preocupação ou ansiedade para os pais/cuidadores.

Porém constataram-se frequências importantes de concordância parcial e/ou discordância em relação aos demais parâmetros, especialmente a afirmativa I (“o método BLW pode ser muito cômodo/conveniente, pois não há a necessidade de preparar comidas especiais para os bebês”), com discordância de 36,2%, e a afirmativa J (“o método BLW pode gerar menos preocupação ou ansiedade para os pais/cuidadores”), com discordância de 48,6%.

DISCUSSÃO

Este estudo demonstrou que a maioria dos profissionais de saúde brasileiros conhecia o BLW e costumava recomendá-lo frequentemente ou às vezes. Não houve relatos de preocupação com o risco de asfixia, e pouco mais da metade da amostra atendia alguma família que seguia esse método. Ademais, grande parte declarou que concordava totalmente que o BLW poderia refletir em vantagens para os bebês, contudo manifestaram-se discordâncias importantes em relação à sua comodidade/conveniência e ao argumento de gerar menos preocupação ou ansiedade para os pais/cuidadores.

Cameron et al.,1212. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals’ and mothers’ knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2:e001542. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2012-001542
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entrevistando 31 profissionais de saúde neozelandeses (clínicos gerais, consultores de lactação, enfermeiras, nutricionistas, parteiras, pediatras e terapeutas de linguagem), observaram que 41,9% deles haviam ouvido falar sobre o método. Mas, corroborando nosso estudo (82%), D’Andrea et al.,1111. D’Andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. https://doi.org/10.3148/cjdpr-2015-045
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com 33 profissionais de saúde canadenses (consultores de lactação, enfermeiras, fisioterapeutas, médicos, nutricionistas e terapeutas ocupacionais), e Rubio et al.,1313. Rubio AM, Vallejo MD, Jaime BE. How do primary care paediatricians guide complementary feeding in Spain? Rev Pediatr Aten Primaria. 2018;20:35-44. https://doi.org/10.4321/s1139-76322011000100001
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com 579 pediatras espanhóis, constataram, respectivamente, que 81,8 e 79,4% conheciam o BLW. É plausível inferir que a discrepância de Cameron et al.1212. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals’ and mothers’ knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2:e001542. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2012-001542
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tenha sido decorrente da época em que foi realizada a sua coleta de dados, 2010, sendo sua pesquisa relativamente mais antiga que as outras duas, conduzidas em 2014 e 2015. De fato, o método começou a ganhar notoriedade em 2008, com a publicação da obra de Rapley e Murkett intitulada Baby-led weaning: helping your baby to love good food (em tradução livre, Desmame guiado pelo bebê: ajudando seu filho a amar boa comida).66. Rapley G, Murkett T. Baby-led weaning: helping your baby to love good food. Oxford: Vermilion; 2008. Para exemplificar esse crescimento substancial de popularidade, em dezembro de 2016, uma busca no Google (www.google.com) pela nomenclatura baby-led weaning retornou pouco menos de um milhão de resultados;22. Brown A, Jones SW, Rowan H. Baby-led weaning: the evidence to date. Curr Nutr Rep. 2017;6:148-56. https://doi.org/10.1007/s13668-017-0201-2
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já em novembro de 2019, a mesma busca alcançou quase nove milhões de resultados, abrangendo inúmeros sites, blogs e fóruns on-line dedicados ao compartilhamento de experiências sobre o método.

Em nosso estudo, entre as fontes de informação acerca do BLW, relataram-se, sobretudo, algum curso, palestra, encontro profissional ou simpósio/congresso (36%) e a literatura científica (32%). Os profissionais de saúde canadenses alegaram ter tomado conhecimento do método por meio de cursos/treinamentos, pacientes (ou seja, os próprios pais/cuidadores dos bebês) e colegas de profissão.1111. D’Andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. https://doi.org/10.3148/cjdpr-2015-045
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Os pediatras espanhóis também revelaram que suas principais fontes de informação foram algum curso ou palestra (29,2%) e as mães dos bebês (21,2%).1313. Rubio AM, Vallejo MD, Jaime BE. How do primary care paediatricians guide complementary feeding in Spain? Rev Pediatr Aten Primaria. 2018;20:35-44. https://doi.org/10.4321/s1139-76322011000100001
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Por sinal, estudos verificaram que grande parcela de pais/cuidadores foi apresentada ao BLW mediante grupos de pais, amigos ou alguma página da web.1111. D’Andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. https://doi.org/10.3148/cjdpr-2015-045
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,1212. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals’ and mothers’ knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2:e001542. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2012-001542
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,1515. Brow A, Lee M. A descriptive study investigating the use and nature of baby-led weaning in a UK sample of mothers. Matern Child Nutr. 2011;7:34-47. https://doi.org/10.1111/j.1740-8709.2010.00243.x
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Constataram-se, ainda, que mães adeptas ao método, em comparação com aquelas que seguiam a alimentação complementar tradicional (com papas ou purês por meio de colher), recorreram menos ao apoio de pediatras.1212. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals’ and mothers’ knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2:e001542. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2012-001542
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,1515. Brow A, Lee M. A descriptive study investigating the use and nature of baby-led weaning in a UK sample of mothers. Matern Child Nutr. 2011;7:34-47. https://doi.org/10.1111/j.1740-8709.2010.00243.x
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Portanto, tais resultados acentuaram certa escassez de informação sobre o método entre os profissionais de saúde, algo que supostamente vem mudando nos últimos anos, apesar de não existirem levantamentos populacionais atualizados.

Em nosso estudo, pouco mais da metade dos participantes (50,9%) atendia alguma família que seguia o BLW, uma frequência bastante próxima à dos pediatras espanhóis (49,9%),1313. Rubio AM, Vallejo MD, Jaime BE. How do primary care paediatricians guide complementary feeding in Spain? Rev Pediatr Aten Primaria. 2018;20:35-44. https://doi.org/10.4321/s1139-76322011000100001
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o que ressalta, mais uma vez, a popularidade crescente desse método.

Quanto à prática clínica do BLW, maiores frações da nossa amostra costumavam recomendá-lo (38,1%, às vezes; 37,6%, frequentemente; e 20,6%, sempre), em comparação aos pediatras espanhóis (45,3%, às vezes; e 6,6%, sempre).1313. Rubio AM, Vallejo MD, Jaime BE. How do primary care paediatricians guide complementary feeding in Spain? Rev Pediatr Aten Primaria. 2018;20:35-44. https://doi.org/10.4321/s1139-76322011000100001
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Além disso, divergindo da literatura,1111. D’Andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. https://doi.org/10.3148/cjdpr-2015-045
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12. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals’ and mothers’ knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2:e001542. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2012-001542
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-1313. Rubio AM, Vallejo MD, Jaime BE. How do primary care paediatricians guide complementary feeding in Spain? Rev Pediatr Aten Primaria. 2018;20:35-44. https://doi.org/10.4321/s1139-76322011000100001
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os profissionais de saúde brasileiros não manifestaram preocupação com o risco de asfixia. Embora alguns estudos tenham concluído que não havia diferenças nas frequências de episódios de asfixia entre grupos de bebês adeptos ao BLW e à alimentação complementar tradicional,1616. Townsend E, Pitchford NJ. Baby knows best? The impact of weaning style on food preferences and body mass index in early childhood in a case-controlled sample. BMJ Open. 2012;2:e000298. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2011-000298
https://doi.org/10.1136/bmjopen-2011-000...

17. Cameron SL, Taylor RW, Heath AL. Parent-led or baby-led? Associations between complementary feeding practices and health-related behaviours in a survey of New Zealand families. BMJ Open. 2013;3:e003946. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2013-003946
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18. Fangupo LJ, Heath AL, Williams SM, Williams LW, Morison BJ, Fleming EA, et al. A baby-led approach to eating solids and risk of choking. Pediatrics. 2016;138:e20160772. https://doi.org/10.1542/peds.2016-0772
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-1919. Brown A. No difference in self-reported frequency of choking between infants introduced to solid foods using a baby-led weaning or traditional spoon-feeding approach. J Hum Nutr Diet. 2018;31:496-504. https://doi.org/10.1111/jhn.12528
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ainda é preciso cautela, sendo necessárias mais evidências robustas acerca disso.44. D’Auria E, Bergamini M, Staiano A, Banderali G, Pendezza E, Penagini F, et al. Baby-led weaning: what a systematic review of the literature adds on. Ital J Pediatr. 2018;44:49. https://doi.org/10.1186/s13052-018-0487-8
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É relevante dizer que os profissionais de saúde neozelandeses e canadenses se mostraram fortemente preocupados com a possibilidade de o método refletir em déficits de energia e ferro, prejudicando, por conseguinte, o crescimento e desenvolvimento dos bebês,1111. D’Andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. https://doi.org/10.3148/cjdpr-2015-045
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,1212. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals’ and mothers’ knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2:e001542. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2012-001542
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porém apenas 5,2 e 1,4% dos pediatras espanhóis citaram, nesta ordem, a baixa contribuição energética e o risco de deficiência de ferro como motivos para não indicá-lo.1313. Rubio AM, Vallejo MD, Jaime BE. How do primary care paediatricians guide complementary feeding in Spain? Rev Pediatr Aten Primaria. 2018;20:35-44. https://doi.org/10.4321/s1139-76322011000100001
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Atentando-se às preocupações mais referidas na literatura, em 2015, pesquisadores propuseram uma versão modificada do BLW, denominada baby-led introduction to solids (BLISS) (em tradução livre, introdução aos sólidos guiada pelo bebê), na qual foram delineadas 12 recomendações, visando à prevenção dos riscos de asfixia, do baixo consumo energético e do déficit de ferro.2020. Cameron SL, Taylor RW, Heath AL. Development and pilot testing of Baby-Led Introduction to SolidS (BLISS) – a version of baby-led weaning modified to address concerns about iron deficiency, growth faltering and choking. BMC Pediatr. 2015;15:99. https://doi.org/10.1186/s12887-015-0422-8
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A propósito, a diferença entre o BLW e o BLISS está restrita a essas instruções, enquanto as principais características se mantêm iguais.2020. Cameron SL, Taylor RW, Heath AL. Development and pilot testing of Baby-Led Introduction to SolidS (BLISS) – a version of baby-led weaning modified to address concerns about iron deficiency, growth faltering and choking. BMC Pediatr. 2015;15:99. https://doi.org/10.1186/s12887-015-0422-8
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,2121. Daniels L, Heath AL, Williams SM, Cameron SL, Fleming EA, Taylor RW, et al. Baby-Led Introduction to SolidS (BLISS) study: a randomised controlled trial of a baby-led approach to complementary feeding. BMC Pediatr. 2015;15:179. https://doi.org/10.1186/s12887-015-0491-8
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Recentemente, ensaios clínicos randomizados controlados observaram que bebês adeptos ao BLISS, comparados com aqueles que seguiam uma alimentação complementar tradicional, não estavam mais suscetíveis a episódios de asfixia,1818. Fangupo LJ, Heath AL, Williams SM, Williams LW, Morison BJ, Fleming EA, et al. A baby-led approach to eating solids and risk of choking. Pediatrics. 2016;138:e20160772. https://doi.org/10.1542/peds.2016-0772
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tampouco a inadequações no consumo de energia e micronutrientes2222. Taylor RW, Williams SM, Fangupo LJ, Wheeler BJ, Taylor BJ, Daniels L, et al. Effect of a baby-led approach to complementary feeding on infant growth and overweight: a randomized clinical trial. JAMA Pediatr. 2017;171:838-46. https://doi.org/10.1001/jamapediatrics.2017.1284
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23. Erickson LW, Taylor RW, Haszard JJ, Fleming EA, Daniels L, Morison BJ, et al. Impact of a modified version of baby-led weaning on infant food and nutrient intakes: the BLISS randomized controlled trial. Nutrients. 2018;10:740. https://doi.org/10.3390/nu10060740
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24. Daniels L, Taylor RW, Williams SM, Gibson RS, Fleming EA, Wheeler BJ, et al. Impact of a modified version of baby-led weaning on iron intake and status: a randomised controlled trial. BMJ Open. 2018;8:e019036. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2017-019036
https://doi.org/10.1136/bmjopen-2017-019...
-2525. Daniels L, Taylor RW, Williams SM, Gibson RS, Samman S, Wheeler BJ, et al. Modified version of baby-led weaning does not result in lower zinc intake or status in infants: a randomized controlled trial. J Acad Nutr Diet. 2018;118:1006-16. https://doi.org/10.1016/j.jand.2018.02.005
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e nos aportes de ferro2424. Daniels L, Taylor RW, Williams SM, Gibson RS, Fleming EA, Wheeler BJ, et al. Impact of a modified version of baby-led weaning on iron intake and status: a randomised controlled trial. BMJ Open. 2018;8:e019036. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2017-019036
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e zinco.2525. Daniels L, Taylor RW, Williams SM, Gibson RS, Samman S, Wheeler BJ, et al. Modified version of baby-led weaning does not result in lower zinc intake or status in infants: a randomized controlled trial. J Acad Nutr Diet. 2018;118:1006-16. https://doi.org/10.1016/j.jand.2018.02.005
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Taylor et al.2222. Taylor RW, Williams SM, Fangupo LJ, Wheeler BJ, Taylor BJ, Daniels L, et al. Effect of a baby-led approach to complementary feeding on infant growth and overweight: a randomized clinical trial. JAMA Pediatr. 2017;171:838-46. https://doi.org/10.1001/jamapediatrics.2017.1284
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também constataram que não havia diferenças nos escores-z do índice de massa corporal para as idades 12 e 24 meses. Apesar disso, não excluíram a chance de haver um aumento potencialmente importante no risco de excesso de peso.

No tocante às percepções sobre possíveis benefícios do BLW, os aspectos comumente valorizados pelos profissionais de saúde do Brasil, da Nova Zelândia, do Canadá e da Espanha foram o incentivo ao compartilhamento de refeições em família, o estímulo à mastigação e a promoção ao desenvolvimento de habilidades motoras.1111. D’Andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. https://doi.org/10.3148/cjdpr-2015-045
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12. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals’ and mothers’ knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2:e001542. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2012-001542
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-1313. Rubio AM, Vallejo MD, Jaime BE. How do primary care paediatricians guide complementary feeding in Spain? Rev Pediatr Aten Primaria. 2018;20:35-44. https://doi.org/10.4321/s1139-76322011000100001
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Corroborando nosso estudo, os canadenses ainda declararam que o método poderia favorecer a autorregulação da saciedade e promover menor exigência alimentar,1111. D’Andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. https://doi.org/10.3148/cjdpr-2015-045
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entretanto a comodidade/conveniência e o argumento de gerar menos preocupação ou ansiedade para os pais/cuidadores, que representaram os principais alvos de discordância dos profissionais de saúde brasileiros, foram apontados como vantagens pelos neozelandeses e canadenses.1111. D’Andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. https://doi.org/10.3148/cjdpr-2015-045
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,1212. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals’ and mothers’ knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2:e001542. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2012-001542
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Quanto às afirmativas sobre prevenir o excesso de peso e não resultar em carências nutricionais, brasileiros e espanhóis mostraram-se divididos, com frequências importantes de concordância parcial e/ou discordância.1313. Rubio AM, Vallejo MD, Jaime BE. How do primary care paediatricians guide complementary feeding in Spain? Rev Pediatr Aten Primaria. 2018;20:35-44. https://doi.org/10.4321/s1139-76322011000100001
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De modo geral, a literatura dispõe de um corpo de evidências emergente sobre o BLW, porém pequeno. Além do mais, nenhum estudo original foi realizado com bebês e pais/cuidadores brasileiros, o que restringe a extrapolação de certas constatações, pois a prática do método, que envolve o ato de comer em toda a sua essência, resulta de uma série de determinantes socioculturais, mais do que qualquer parâmetro estritamente biológico. Existem muitas questões não totalmente elucidadas: o risco de asfixia, as sensibilizações e reações alérgicas aos alimentos, os efeitos sobre o crescimento e desenvolvimento e a adequação da ingestão de nutrientes (especialmente ferro e vitaminas ou oligoelementos).22. Brown A, Jones SW, Rowan H. Baby-led weaning: the evidence to date. Curr Nutr Rep. 2017;6:148-56. https://doi.org/10.1007/s13668-017-0201-2
https://doi.org/10.1007/s13668-017-0201-...
,44. D’Auria E, Bergamini M, Staiano A, Banderali G, Pendezza E, Penagini F, et al. Baby-led weaning: what a systematic review of the literature adds on. Ital J Pediatr. 2018;44:49. https://doi.org/10.1186/s13052-018-0487-8
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Em 2017, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) pronunciou-se a respeito do BLW por meio de um guia prático de atualização,2626. Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento Científico de Nutrologia. A alimentação complementar e o método BLW (baby-led weaning). Guia prático de atualização. São Paulo: SBP; 2017. no qual enfatizou suas orientações oficiais (revisadas e ampliadas em 2018),2727. Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento Científico de Nutrologia. Manual de alimentação: orientações para alimentação do lactente ao adolescente, na escola, na gestante, na prevenção de doenças e segurança alimentar. 4. ed. São Paulo: SBP; 2018. que preconizam a oferta de papas ou purês no início da alimentação complementar, devendo-se evoluir a consistência de maneira gradual até chegar à alimentação da família, conforme o ritmo de desenvolvimento neuropsicomotor de cada lactente. No documento, a SBP ainda esclareceu: “O lactente pode receber os alimentos amassados oferecidos na colher, mas também deve experimentar com as mãos, explorar as diferentes texturas dos alimentos como parte natural de seu aprendizado sensório motor”.2626. Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento Científico de Nutrologia. A alimentação complementar e o método BLW (baby-led weaning). Guia prático de atualização. São Paulo: SBP; 2017.

Em sintonia com essas recomendações, em 2019, o novo Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos2828. Brazil - Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Promoção da Saúde. Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2019. sinalizou, entre seus 12 passos para a alimentação saudável, que é necessário “oferecer a comida amassada quando a criança começar a comer outros alimentos além do leite materno” e, em seguida: “Deve-se evoluir para alimentos picados em pedaços pequenos, raspados ou desfiados, para que a criança aprenda a mastigá-los. Também podem ser oferecidos alimentos macios em pedaços grandes, para que ela pegue com a mão e leve à boca. Quando já estiver um pouco maior, a criança pode comer a comida da família, cortando-se os pedaços grandes, quando necessário.”2828. Brazil - Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Promoção da Saúde. Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2019.

Esses dois documentos oficiais convergem em suas recomendações. Como ainda não há evidências científicas em quantidade nem em qualidade suficiente para afirmar que o BLW seja a forma mais correta de introdução alimentar, a abordagem tradicional ainda é a prioridade, podendo-se incorporar no BLW o estímulo à exploração, com as mãos, de diferentes alimentos e texturas.2626. Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento Científico de Nutrologia. A alimentação complementar e o método BLW (baby-led weaning). Guia prático de atualização. São Paulo: SBP; 2017.

27. Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento Científico de Nutrologia. Manual de alimentação: orientações para alimentação do lactente ao adolescente, na escola, na gestante, na prevenção de doenças e segurança alimentar. 4. ed. São Paulo: SBP; 2018.
-2828. Brazil - Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Promoção da Saúde. Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2019.

Apesar de este estudo ser o primeiro a descrever as percepções de profissionais de saúde brasileiros acerca da prática do método BLW para alimentação complementar, há algumas limitações:

  • A amostragem não probabilística, realizada por meio de bola de neve, não garante representatividade nem permite estimar o poder estatístico (a amostra final não foi suficientemente diversa, já que mais da metade atuava na Região Sudeste do país e era graduada em Nutrição), porém acentua-se que a análise de dados representativos não figurava como algo fundamental, por causa da natureza exploratória do estudo.

  • A avaliação das percepções de profissionais de saúde envolveu um questionário ainda não validado, mas tal instrumento possui respaldo teórico-científico33. Arantes AL, Neves FS, Campos AA, Pereira Netto M. The baby-led weaning method (BLW) in the context of complementary feeding: a review. Rev Paul Pediatr. 2018;36:353-63. https://doi.org/10.1590/1984-0462/;2018;36;3;00001
    https://doi.org/10.1590/1984-0462/;2018;...
    ,1111. D’Andrea E, Jenkins K, Mathews M, Roebothan B. Baby-led weaning: a preliminary investigation. Can J Diet Pract Res. 2016;77:72-7. https://doi.org/10.3148/cjdpr-2015-045
    https://doi.org/10.3148/cjdpr-2015-045...

    12. Cameron SL, Heath AL, Taylor RW. Healthcare professionals’ and mothers’ knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open. 2012;2:e001542. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2012-001542
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    -1313. Rubio AM, Vallejo MD, Jaime BE. How do primary care paediatricians guide complementary feeding in Spain? Rev Pediatr Aten Primaria. 2018;20:35-44. https://doi.org/10.4321/s1139-76322011000100001
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    e foi elaborado com rigor, contando até mesmo com a revisão crítica de um comitê de especialistas e dois pré-testes.

  • O fato de o questionário ter sido emitido por e-mail e/ou aplicativos de mensagens impede o conhecimento das circunstâncias em que ocorreram o seu preenchimento, entretanto já foi demonstrado que resultados de pesquisa obtidos por meio da web são consistentes com os métodos tradicionais de coleta de dados.2929. Gosling SD, Vazire S, Srivastava S, John OP. Should we trust web-based studies? A comparative analysis of six preconceptions about internet questionnaires. Am Psychol. 2004;59:93-104. https://doi.org/10.1037/0003-066x.59.2.93
    https://doi.org/10.1037/0003-066x.59.2.9...

Em conclusão, embora muitos participantes tenham concordado totalmente que o BLW poderia ser vantajoso (tornando os bebês mais propensos a compartilharem refeições em família, facilitando a adaptação aos sabores e às consistências dos alimentos, potencializando a mastigação, favorecendo o desenvolvimento de habilidades motoras e a autorregulação da saciedade e promovendo menor exigência alimentar), observaram-se frequências importantes de concordância parcial (em relação às afirmativas sobre prevenir o excesso de peso e não resultar em carências nutricionais) e discordância (quanto à comodidade/conveniência e ao argumento de gerar menos preocupação ou ansiedade para os pais/cuidadores), o que é um provável reflexo da escassez de evidências científicas factuais sobre essa temática. Logo, dada a crescente popularidade do BLW, urge a necessidade de mais estudos, para a melhor compreensão de seus riscos e benefícios em diferentes contextos e populações. Só assim os profissionais de saúde que atuam em pediatria (ou subárea afim) poderão escolher o método mais adequado e se sentirão efetivamente respaldados para fornecer suporte ou aconselhamento aos pais/cuidadores.

  • Financiamento
    O estudo não recebeu financiamento.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem à Diretoria de Imagem Institucional e ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o apoio na publicização do estudo; e, especialmente, aos profissionais de saúde participantes.

Referências bibliográficas

  • 1
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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    04 Out 2021
  • Data do Fascículo
    2022

Histórico

  • Recebido
    17 Ago 2020
  • Aceito
    29 Nov 2020
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