Introdução: A avaliação por pares é um dos pilares do fazer científico, mas a redação de pareceres permanece uma das tarefas menos ensinadas e reconhecidas da academia. Diante da falta de orientações normativas sistemáticas e da heterogeneidade de critérios de avaliação de manuscritos acadêmicos, este artigo resume os principais parâmetros e questões que devem ser levados em conta na redação de pareceres para revistas científicas.
Materiais e métodos: O artigo combina uma abordagem normativa com um componente empírico. Além de mapear os principais tipos de pareceres, ele mapeia os problemas mais recorrentes em pareceres a partir de uma codificação manual de 366 pareceres concedidos à revista DADOS em 2019.
Resultados: O artigo sistematiza ainda a tipologia de pareceres, as modalidades de recomendação editorial e os elementos constitutivos de um bom parecer. Ademais, analisa os problemas mais frequentemente apontados pelos pareceristas, como falhas metodológicas, insuficiências nos dados empíricos, falta de clareza na contribuição original e inconsistências na coerência interna do argumento.
Discussão: Um bom parecer deve apresentar uma leitura fiel do texto, destacar suas contribuições e localizar seus problemas e caminhos de aprimoramento. é essencial zelar pela integridade e imparcialidade do processo, o que envolve transparência quanto a eventuais conflitos de interesse. Se os sistemas de revisão por pares encontram-se hoje em xeque, isso se deve mais aos seus limites estruturais, como a falta de transparência e de estudos sistemáticos, do que por falhas individuais. Daí a importância de mais pesquisas sobre o sistemas de avaliação por pares e seu funcionamento.
Palavras-chave
revisão por pares; fluxo editorial; ética científica; comunicação científica; análise de conteúdo
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