Revista de Sociologia e Política, Volume: 19 Supplement 1, Published: 2011
  • Editorial

    Lacerda, Gustavo Biscaia de
  • Apresentação Dossiê China

    Cepik, Marco
  • Brazil and China in the New World Order Dossiê China

    Cunha, André Moreira

    Abstract in Portuguese:

    A ascensão chinesa à condição de potência econômica e política em nível global tem estado no centro dos debates acadêmicos e políticos. Neste trabalho analisamos alguns impactos desse evento marcante sobre o Brasil. Investigamos o comércio bilateral e os padrões de convergência cíclica entre as duas economias, considerando uma análise mais ampla da competitividade externa da economia brasileira. A partir deste pano de fundo, objetiva-se mapear alguns dos possíveis impactos para o Brasil da ascensão da China à condição de potência global. A ênfase recai sobre a dimensão econômica, especialmente o comércio internacional. Parte-se da perspectiva de que o processo de crescimento e internacionalização da economia chinesa está gerando estímulos capazes de condicionar as possibilidades de desenvolvimento do Brasil ao longo das próximas décadas. Os argumentos estão estruturados em três seções: (i) procura-se apresentar uma visão panorâmica da ascensão chinesa, tomando-se como pano de fundo a dinâmica da "grande divergência"; (ii) faz-se um apanhado da situação contemporânea da economia chinesa; (iii) a análise dos efeitos de sua crescente internacionalização sobre a economia mundial, com ênfase para os casos da América do Sul e Brasil. Concluímos explorando algumas implicações normativas dos nossos resultados.

    Abstract in French:

    L'ascension chinoise à la condition de puissance économique et politique à l'échelle mondiale, est dans le centre des débats académiques et politiques. Dans ce travail, nous analysons quelques impacts de cet événement important, au Brésil. Nous vérifions le commerce bilatéral et les modèles de convergence cyclique entre les deux économies, en considérant une analyse plus large de la compétitivité extérieure de l'économie brésilienne. A partir de ce contexte, on vise à établir quelques uns des impacts possibles de l'ascension de la Chine à la condition de puissance mondiale, sur le Brésil. L'accent est mis sur la dimension économique, spécialement le commerce international. On part de la perspective selon laquelle, le processus de croissance et internationalisation de l'économie chinoise produit des stimulations capables de rendre possible le développement brésilien dans les prochaines décennies. Les arguments sont structurés en trois sections : (i) on cherche à représenter une vision panoramique de l'ascension chinoise, en prennant comme contexte la dynamique de la « grande divergence » ; (ii) on fait un résumé de la situation contemporaine de l'économie chinoise ; et (iii) on fait l'analyse des effets de la croissante internationalisation chinoise sur l'économie mondiale, en soulignant les cas de l'Amérique du Sud et du Brésil. Nous concluons en vérifiant quelques implications normatives de nos résultats.

    Abstract in English:

    China's rise to the role of global economic and political power has been at the center of recent academic and political debates. In this paper we analyze the impact that this has had on Brazil. We look at bi-lateral trade and standards of cyclical convergence for the two economies, considering a broader analysis of the foreign competitiveness of the Brazilian economy. On this basis, we seek to map out the impact that China's rise to the position of global power may have on Brazil. We place emphasis on economic dimensions, international trade in particular. Our premises conceive of the process of growth and internationalization of the Chinese economy as generating a stimulus capable of influencing the potentials of Brazilian development over the next few decades. Our arguments fall into three sections: (i) an attempt at presenting a panoramic view of Chinese ascendance, against the backdrop of the dynamics of "major divergence"; (ii) an overview of the current situation of the Chinese economy; (iii) analysis of the effects of its increasing internationalization on the world economy, with emphasis on the specific cases of South America and Brazil. We conclude by exploring some of the normative implications of our results.
  • Brazil-China relations: what should we expect? Dossiê China

    Becard, Danielly Silva Ramos

    Abstract in Portuguese:

    O artigo trata das relações recentes mantidas entre o Brasil e a República Popular da China (RPC). Objetiva-se apontar os resultados alcançados e os desafios remanescentes nas relações econômico-comerciais e na cooperação bilateral sino-brasileira nas últimas duas décadas (1990-2010). Utiliza-se a hipótese de que as relações entre Brasil e China apresentaram avanços durante o período graças, em especial, à maior liberdade de ação promovida pela interdependência crescente do sistema internacional; embora tais avanços tenham sido limitados devido, sobretudo, (i) às instabilidades internas no Brasil e na China e (ii) à falta de planejamento sistemático da parceria sino-brasileira. Para verificar a hipótese foi examinada a evolução histórica das relações sino-brasileiras, destacando as três primeiras fases das relações bilaterais, referentes à (i) gestação das relações (1949-1974); (ii) fixação das bases das relações (1974-1990); (iii) crise nas relações bilaterais (1990-1993). Em seguida, foram apresentadas as duas últimas fases das relações sino-brasileiras; (iv) o estabelecimento da parceria estratégica (1993-2003) e (v) a maturação das relações bilaterais sino-brasileiras (2003 aos dias atuais). Concluímos que, por um lado, os processos de abertura e globalização no início dos anos 1990 permitiram um aumento de laços entre Brasil e China e, por outro, crises de legitimidade chinesa no plano internacional e mudanças na política externa brasileira levaram a fortes impasses nas relações; por sua vez, enquanto o Brasil hesitou entre uma política externa cooperativa e desenvolvimentista e uma política externa neoliberal e autolimitada à exploração de aspectos econômicos, e submissa a forças hegemônicas internacionais, a China reforçou o pragmatismo de seu comportamento internacional, ampliando o perfil logístico de sua política externa e a busca por oportunidades já no início dos anos 2000.

    Abstract in French:

    L'article traite des relations récentes entretenues entre le Brésil et la République Populaire de La Chine (RPC). L'objectif, c'est de montrer les résultats obtenus et les défis qui subsistent dans les relations économiques, commerciales et dans la coopération bilatérale sino-brésilienne pendant les dernières décénnies (1990-2010). On utilise l'hypothèse selon laquelle, les relations entre le Brésil et la Chine ont présenté des progrès pendant cette période, particulièrement à cause d'une plus grande liberté d'action promue par l'interdépendance croissante du système international ; malgré les limitations de ces progrès, dues surtout, (i) aux instabilités internes du Brésil et de la Chine, et (ii) au manque de planification systématique du partenariat sino-brésilien. Pour vérifier l'hypothèse, l'évolution historique des relations sino-brésiliennes a été examinée, étant soulignées les trois premières phases des relations bilatérales, qui font référence à (i) la période de développement des relations (1949-1974), à (ii) l'établissement des bases des relations (1974-1990), et à (iii) la crise des relations bilatérales (1990-1993). En suite, les deux dernières phases des relations sino-brésiliennes ont été présentées ; (iv) l'établissement d'un partenariat stratégique (1993-2003) et (v) la maturation des relations bilatérales sino-brésiliennes (à partir de 2003, jusqu'à aujourd'hui). Nous concluons que, d'un côté, les processus d'ouverture et de mondialisation au début des années 1990, ont permis un resserrement des liens entre le Brésil et la Chine; d'un autre côté, les crises de légitimité chinoise dans le plan international et les changements dans la politique extérieure brésilienne, ont conduit à des fortes impasses dans les relations. A son tour, pendant que le Brésil hésitait entre une politique extérieure de coopération et développement, et une politique extérieure néolibérale et autolimitée à l'exploitation des aspects économiques, et soumise à des forces hégémoniques internationales, la Chine a renforcé le pragmatisme de son comportement international, en intensifiant le profil logistique de sa politique extérieure et la recherche d'opportunités déjà au début des années 2000.

    Abstract in English:

    This article looks at recent relations established between Brazil and the People's Republic of China (PRC). Our goal is to draw attention to the results that have been obtained as well as the challenges that remain in Sino-Brazilian economic and commercial relations, as they have unfolded over the last two decades (1990-2010). Our hypothesis is that relations between Brazil and China have moved ahead during this period, particularly due to the greater freedom of action promoted by the growing interdependence of the international system. Nonetheless, progress has been limited, largely because of (i) internal instabilities in Brazil and China and (ii) the lack of systematic planning in the Brazil-China partnership. In order to verify this hypothesis, we have examined the historical evolution of Sino-Brazilian relations, highlighting the first three phases of bilateral relations, which we classify as follows: (i) relations management (1949 -1974), (ii) establishing the fundaments (1974-1990); (iii) crisis in bilateral relations (1990-1993). Next, we look at the last two phases of Sino-Brazilian relations, (iv) the establishment of strategic partnerships (1993-2003) and (v) maturity of Sino-Brazilian relations (2003 to the present day). We conclude that, if on the one hand the processes of opening and globalization at the beginning of the 1990s allowed for intensified relations between Brazil and China, on the other hand, Chinese crises of legitimacy at the international level and changes in Brazilian foreign policy created many knots in these relations. While Brazil oscilated between a cooperative, developmentalist foreign policy and a neo-liberal one limited to economic interest and submissive to internationally hegemonic forces, China reinforced its pragmatic international behavior, thus widening the logistic profile of its foreign policy and its search for opportunities, beginning in the early 2000s.
  • The chinese continental economy and its gravitating effect Dossiê China

    Pautasso, Diego

    Abstract in Portuguese:

    O presente artigo aborda o desenvolvimento nacional e a inserção internacional da China. O objetivo é discutir como a formação de uma economia continental na China tem se transformado num fator de projeção desse país no sistema internacional, analisando como a formação de uma economia continental produz uma espécie de efeito gravitacional favorecendo a formulação da estratégia internacional chinesa nesta conjuntura de transição sistêmica. O artigo desenvolve-se discutindo com análises recorrentes sobre o processo de desenvolvimento e de inserção da internacional da China. O argumento central defendido no artigo é que o desenvolvimento da economia continental e a ampliação da capacidade econômica tornam-se um instrumento da política externa chinesa. Em outras palavras, a China tende a criar um forte efeito gravitacional em escala global e utilizar-se disso como parte de sua estratégia internacional. O artigo organiza-se da seguinte forma: na primeira parte, discorremos sobre a evolução recente do desenvolvimento chinês, centrando foco nos desafios da formação de uma economia de dimensões continentais; na segunda, abordamos como o incremento da capacidade econômica chinesa implica num crescente efeito gravitacional do país em escala global; por fim, argumentamos que a diplomacia da China utiliza-se dessas prerrogativas (capacidade econômica) para desencadear uma estratégia internacional que permita ao país, nesse quadro de transição sistêmica, ampliar seu espaço de atuação internacional buscando as linhas de menor resistência.

    Abstract in French:

    L'article aborde le développement national et l'insertion internationale de la Chine. L'objectif, c'est de discuter comment la formation d'une économie continentale en Chine devient un facteur de projection de ce pays dans le système international, en analysant la manière dont la formation d'une économie continentale produit une espèce d'effet gravitationnel qui favorise la formulation de la stratégie internationale chinoise dans cette conjoncture de transition systémique. L'article est développé par la discussion, avec des analyses récurrentes, sur le processus de développement et d'insertion internationale de la Chine. Le principal argument soutenu dans l'article est celui selon lequel, le développement de l'économie continentale et l'agrandissement de la capacité économique, deviennent un instrument de la politique extérieure chinoise. Autrement dit, la Chine tend à créer un fort effet gravitationnel à l'échelle mondiale, et à l'utiliser comme partie de sa stratégie internationale. Voici comment l'article est organisé: dans la première partie, nous examinons l'évolution récente du développement chinois, en soulignant les défis de la formation d'une économie avec des dimensions continentales ; dans la deuxième partie, nous traitons du développement de la capacité chinoise et comment celle-ci implique un effet gravitationnel croissant du pays à l'échelle mondial ; ultimement, nous argumentons que la diplomatie de la Chine utilise ces prérogatives (la capacité économique), pour déclencher une stratégie internationale qui permet au pays, dans ce cadre de transition systémique, d'élargir son espace de performance internationale, en cherchant les lignes de moindre résistance.

    Abstract in English:

    The present article looks at national development and China's international positioning. Our goal is to discuss how the formation of a continental economy in China has become a factor of that country's projection within the international system, analyzing how the formation of a continental economy produces a sort of gravitational effect that favors the formulation of a Chinese international strategy within this conjuncture of systemic transition. We discuss several recurrent analyses of the China's development and international position. Our central arguments is that the development of a continental economy and the widening economic capacity that has accompanied it have become a key instrument of Chinese foreign policy. In other words, China tends to have a strong gravitational effect at the global level which it uses as part of its international strategy. We organize the text in the following manner: first, we discuss the recent evolution of Chinese development, focusing on the challenges of forming an economy of continental dimension; second, we look at how growing Chinese economic abilities imply an increasing gravitational effect on the country at a global level and finally, we argue that Chinese diplomacy uses these prerogatives (economic capacity) to unleash an international strategy that, within this situation of systemic transition, allows the country to widen the scope of its international performance by searching for the routes of lesser resistance.
  • China in South America and the geopolitical implications of the Pacific Consensus Dossiê China

    Vadell, Javier

    Abstract in Portuguese:

    O artigo analisa as implicações políticas da crescente interdependência econômica entre a República Popular da China (RPC) e os países da América do Sul. Apresentam-se dados sobre o comércio e investimento da RPC na sub-região e destacam-se os avanços diplomáticos em matéria de cooperação bilateral no decorrer do século XXI. Parte-se da questão de se estaríamos perante um padrão de relacionamento que poderia constituir uma renovada relação de cooperação Sul-Sul ou, pelo contrário, um novo tipo de relacionamento Norte-Sul. A nossa hipótese é que a evolução e a dinâmica desse relacionamento se assemelham mais a um sistema ou padrão Norte-Sul com características bem particulares. Denominamos esse padrão de relacionamento de Consenso do Pacífico (CP). Embora no curto prazo o fator China estimule o crescimento da sub-região, o CP traz implicações diferenciadas para o desenvolvimento dos países que possuem um setor industrial importante - ex. Brasil e Argentina - e aqueles que não o possuem - ex. Chile e Peru, que inclusive assinaram tratados de livre comércio com o gigante asiático. O artigo conclui com algumas considerações a respeito das conseqüências que o CP tem no processo de integração sul-americana.

    Abstract in French:

    L'article analyse les implications politiques de la croissante interdépendance économique entre la République Populaire de la Chine (RPC) et les pays de l'Amérique du Sud. Des données sur le commerce et l'investissement de la RPC dans la sous-région sont présentées, et les progrès diplomatiques en matière de coopération bilatéral dans le XXI siècle sont soulignés. Premièrement, nous cherchons à savoir si nous sommes devant un modèle de relation qui pourrait constituer une relation renouvelée de coopération Sud-Sud, ou bien, un nouveau type de relation Nord-Sud. Selon notre hypothèse, l'évolution et la dynamique de cette relation ressemblent plutôt à un système ou à un modèle Nord-Sud aves des caractéristiques bien particulières. Nous appelons ce modèle de relation, le Consensus du Pacifique (CP). Malgré que le facteur Chine stimule, à court terme, la croissance de la sous-région, le CP a des implications différenciées pour le développement des pays qui détiennent un secteur industriel important - ex. Le Brésil et l'Argentine - et ceux qui n'en ont pas - ex. le Chili et le Pérou, qui ont même signé des traités de libre commerce avec le géant asiatique. L'article est conclu avec quelques observations sur les conséquences du CP dans le processus d'intégration sud-américaine.

    Abstract in English:

    This article analyzes the political implications of the increasing interdependence of the People's Republic of China (PRC) and South American countries. We present data on PRC investment and trade in the region and highlight several points of diplomatic progress in terms of bi-lateral cooperation for the 21st century. Our starting point is the issue of whether we face a relationship that could constitute a new form of South-South cooperation or whether it is more representative of the typical North-South pattern or system - albeit one with its own peculiarities. We refer to this relationship pattern as Pacific Consensus (PC). Although short term, the China factor may stimulate growth in the region, it also has different implications for the development of countries with an important industrial sector - such as Brazil and Argentina - and those that do not - such as Chile and Peru - which have all signed free trade agreements with the Asiatic giant. We conclude with some considerations regarding the consequences that the PC has in terms of Latin American integration.
  • The politics of Chinese space cooperation: strategic context and international scope Dossiê China

    Cepik, Marco

    Abstract in Portuguese:

    O artigo explica as políticas de cooperação internacional da República Popular da China relacionadas às atividades no campo espacial. Em primeiro lugar, dada a estrutura de poder tripolar no sistema internacional e a dependência crescente de todos os países em relação ao espaço, explica-se que as razões chinesas para a cooperação espacial são a busca de segurança, desenvolvimento econômico e legitimidade. Em seguida, demonstra-se o estágio atual de desenvolvimento do programa espacial chinês, particularmente nos campos de satélites de imagem, navegação, comunicação e retransmissão de dados, bem como nas áreas de satélites micro e nano. Dados os incentivos estruturais, os objetivos estratégicos e o nível atual de desenvolvimento tecnológico, é possível interpretar corretamente as iniciativas multilaterais da China no contexto global, junto ao Comitê das Nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço Exterior (Cpous), bem como no contexto regional, com a recentemente estabelecida Organização de Cooperação Espacial da Ásia-Pacífico (Apsco). Do mesmo modo, é possível compreender o significado, potencialidade e limites práticos da cooperação bilateral chinesa com o Brasil e a África do Sul, potências regionais fora da Ásia. Conclui-se que a política de cooperação espacial chinesa visa a aumentar a influência internacional de Beijing sem gerar reações exageradas das outras grandes potências, postergando uma eventual militarização do espaço e procurando construir parcerias com potências regionais ainda incipientes no espaço, mas tendo em vista o futuro e as expectativas quanto ao impacto da digitalização.

    Abstract in French:

    L'article explique les politiques de coopération internationale de la République Populaire de la Chine, liées aux activités dans le domaine spatial. Premièrement, en ayant la structure de pouvoir tripolaire dans le système international et la dépendance croissante de tous les pays par rapport à l'espace, on explique que les raisons chinoises pour la coopération spatiale seraient la quête de sécurité, le développement économique et la légitimité. En suite, on révèle le stade actuel de développement du programme spatial chinois, particulièrement dans les domaines des satellites d'image, de la navigation, de la communication et de la retransmission de données, bien comme dans les domaines des satellites micro et nano. En ayant les stimulations structurelles, les objectifs stratégiques et le niveau actuel de développement technologique, il est possible d'interpréter correctement les initiatives multilatérales de la Chine dans le contexte mondial, avec le Comité des Nations Unies pour l'Utilisation Pacifique de l'Espace Extra-Atmosphérique (Copous), bien comme dans le contexte régional, avec la récente Organisation de Coopération Spatiale d'Asie-Pacifique (Apsco). De la même manière, il est possible de comprendre le significat, la potentialité et les limites pratiques de la coopération bilatérale chinoise avec le Brésil et l'Afrique du Sud, des puissances régionales hors de l'Asie. On conclut que la politique de coopération spatiale chinoise vise à augmenter l'influence internationale de Beijing sans produire des réactions excessives des autres puissances, reportant ainsi, une eventuelle militarisation de l'espace et cherchant à construire des partenariats avec des puissances régionales encore débutantes dans l'espace, mais ayant en vue l'avenir et les expectatives par rapport à l'impact de la numérisation.

    Abstract in English:

    This article explains the People's Republic of China's policies of international cooperation for space exploration activities. In the first place, given the tri-polar power structure of the international system and the increasing dependence that all countries have on the use of outer space, we can explain Chinese motivation for spatial cooperation as unfolding from the search for security, economic development and legitimacy. Next, we demonstrate the Chinese spatial program's current state of development, with particular attention to image, navigation, communication and data transmission satellites, as well as micro and nanosatellites. Given structural incentives, strategic goals and the current level of technological development, we seek to provide a correct interpretation of China's multi-lateral agreements at the global level, within the context of the United Nations' Committee for Peaceful Use of Outer Space (CPOUS) and within a regional context, with the recently established Asian Pacific Space Cooperation Organization (APSCO). Similarly, we are able to understand the meaning, potential and practical limitations of Chinese bilateral cooperation with Brazil and South Africa, regional powers located outside of Asia. We conclude that Chinese space cooperation is meant to increase Beijing's international influence without generating exaggerated reactions from other major powers. Thus, China attempts to postpone the militarization of space, seeking partnerships with regional powers who are still newcomers to the field, while keeping the future and expectations linked to the impact of digitalization into account.
  • Relations between China and Latin America: short or long duration? Dossiê China

    Ferchen, Matt

    Abstract in Portuguese:

    O artigo foca as relações de negócios e investimentos entre China e América Latina na década de 2000. Há três interpretações principais, distintas e relacionadas, sobre esse conjunto de relações: para a primeira, a América Latina, uma região com recursos naturais abundantes, exporta produtos primários para uma China em expansão, mas carente de tais recursos. Sustentam essa interpretação aqueles, incluindo muitos representantes proeminentes do governo, que afirmam as relações econômicas entre China e América Latina serem fundamentalmente complementares, tendo um efeito positivo para ambas as partes. Em contrapartida, outros observadores têm destacado que o que é visto como complementaridade é na verdade apenas uma forma renovada de dependência latino-americana. Esses autores alegam que, apesar da rápida expansão dos negócios e investimentos trazer benefícios no curtoprazo para ambos os lados, essa natureza de relações baseada em commodities reforça os padrões disfuncionais de desenvolvimento da América Latina que muitos países da região há muito tempo renunciaram e têm tentando deixar para trás há mais de meio século. Tomando essa discussão como referência, apresenta-se, em primeiro lugar, uma visão geral das relações de comércio e investimentos entre China e América Latina, destacando o papel importante da demanda chinesa por commodities latino-americanas. Em segundo, descreve-se as diferentes interpretações sobre o que conduz essa relação comercial e quais são as suas conseqüências. Em terceiro, apresenta-se o argumento, por nós defendido, sobre como nós deveríamos entender o que tem conduzido as relações econômicas entre China e América Latina e o que está em jogo. Conclui-se explorando as implicações das nossas descobertas para a idéia de que a China oferece um modelo único de economia política doméstica e internacional.

    Abstract in French:

    L'article met l'accent sur les relations d'affaires et d'investissements entre la Chine et l'Amérique Latine dans les années 2000. Il y a trois interprétations principales, distinguées et liées, sur cet ensemble de relations : pour la première, l'Amérique Latine, une région avec des ressources naturelles abondantes, exporte des produits primaires à une Chine en expansion, mais en manque de ces ressources. En soutenant celle-ci, nous avons ceux, y compris beaucoup de représentants éminents du gouvernement, qui affirment que les relations économiques entre la Chine et l'Amérique Latine sont fondamentalement complémentaires, ayant un effet positif pour toutes les deux. Toutefois, d'autres observateurs soulignent que ce qui est vu comme une complémentarité, n'est en realité qu'une manière renouvelée de dépendance latino-américaine. Ces auteurs disent que, malgré que l'expansion rapide des affaires et investissements apporte des bénéfices à court terme pour les deux côtés, cet espèce de relation basée sur des commodities, renforce les modèles dysfonctionnels de développement de l'Amérique Latine, dont beaucoup de pays de la région ont renoncé il y a déjà longtemps, et essaient d'oublier depuis plus d'un demi-siècle. En prennant cette discussion comme référence, on présente premièrement, une vision générale des relations commerciales et d'investissements entre la Chine et l'Amérique Latine, en soulignant le rôle important de la demande chinoise pour les commodities latino-américaines. Deuxièmement, on décrit les différentes interprétations sur ce qui conduit cette relation commerciale et quelles seraient ses conséquences. Troisièmement, on présente l'argument, soutenu par nous, sur comment nous devrions comprendre ce qui conduit les relations économiques entre la Chine et l'Amérique Latine et ce qui est en jeu. On conclut en vérifiant les implications de nos découvertes avec l'idée selon laquelle, la Chine offre un modèle unique d'économie politique nationale et internationale.

    Abstract in English:

    This article focuses on business relations and investments involving China and Latin America during the decade of the 2000s. There are three major interpretations, different yet interconnected, on this set of relations. According to the first one, Latin America, a region with abundant natural resources, exports primary products to a China in expansion that is experiencing a shortage of the latter. Close to this interpretation is also another one, advocated by prominent members of government, which asserts that economic relations between China and Latin America are fundamentally complementary and have a positive effect on both. In contrast, other observers have emphasized that what is seen as complementarity is in truth little more than a new form of Latin American dependence. These authors argue that, notwithstanding the rapid expansion of businesses and investments bringing short term benefits to both countries, the nature of these relations based on commodities actually reinforces dysfunctional standards of Latin American development which many countries within the region rejected some time ago and from which they have been trying to free themselves for a period now spanning more than half a century. Taking this discussion as our reference point, we present a general view of trade and investment relations between China and Latin America, highlighting the important role played by Chinese demand for Latin American commodities. This is followed by a description of different interpretations on what guides this commercial relationship as well as what consequences it may produce. We conclude by exploring the implications of our findings with regard to the notion that China provides the sole model for domestic and international political economy.
  • The New China and the International System Dossiê China

    Visentini, Paulo G. Fagundes

    Abstract in Portuguese:

    A chegada da China à periferia em desenvolvimento, com uma agenda política e econômica abrangente, inaugura um novo estágio na projeção internacional chinesa e no próprio sistema mundial. Quais são os objetivos dessa Novíssima China em termos de política internacional? Não são poucos os que identificam nas ações chinesas aspirações ambiciosas de dominação mundial, sucedendo os Estados Unidos como liderança do planeta. Em uma manifestação que beira a sinofobia (como outrora o "perigo amarelo"), argumentam que seu desenvolvimento almeja concentrar a riqueza mundial em suas mãos, quebrando com a economia das demais nações. Tomando como base as relações estabelecidas com o continente africano, defendemos a hipótese de que Pequim inaugura uma nova etapa na grande política internacional e suplanta a fase em que a Nova China lutava para recuperar sua soberania e desenvolvimento, começando a Novíssima China a transformar o próprio sistema mundial. Para tal, argumentamos que a China busca evitar as hegemonias, tanto a dos Estados Unidos como a dela própria, pois nesse último caso, poderia ter a mesma sorte que a Alemanha nas duas guerras mundiais. Não se trata de uma tarefa fácil, pois a China move-se em meio à fluidez diplomática do período posterior à Guerra Fria e ao envelhecimento do capitalismo contemporâneo em seus centros históricos.

    Abstract in French:

    L'arrivée de la Chine à la périphérie en développement, avec un agenda politique et économique varié, inaugure une nouvelle étape dans la projection internationale chinoise et même dans le système mondial. Quels seraient les objectifs de cette Nouvelle Chine par rapport à la politique internationale ? Il y a ceux qui identifient dans les initiatives chinoises, des aspirations ambitieuses de domination mondiale, succédant les États Unis autant que pays en tête de la planète. Avec une manifestation qui tend vers la sinophobie (connue avant comme la « peur jaune »), on argumente que son développement souhaite concentrer la richesse mondiale dans ses mains, en brisant l'économie des autres nations. En ayant comme principe les relations établies avec le continent africain, nous soutenons l'hypothèse selon laquelle, Pékin inaugure une nouvelle étape dans la grande politique internationale et supplante la phase où la Nouvelle Chine luttait pour récupérer sa souveraineté et son développement, et ainsi, la Nouvelle Chine commence à transformer le système mondial lui-même. Pour cela, nous argumentons que la Chine cherche à éviter l'hégémonie, celle des États Unis, et la sienne aussi. Car dans ce cas, elle pourrait avoir le même sort que l'Allemagne dans les deux guerres mondiales. Ce n'est pas une tâche facile, car la Chine se déplace entre la fluidité diplomatique de la période postérieure à la Guerre Froide, et le vieillisement du capitalisme contemporain dans ses centres historiques.

    Abstract in English:

    China has arrived on the periphery of development, bringing with it a wide political and economic agenda. This marks a new phase in China's international projection and in the world system itself. What are the goals of this new New China in terms of international politics? There are many who claim that China entertains ambitions of world dominance, seeking to move into the position the United States has held in terms of planetary leadership. In a manifestation of what comes close to resembling sino-phobia (a new version of the "yellow threat"), there are those who argue that Chinese development seeks to concentrate world wealth, breaking up the economies of other nations of the world. In advancing the hypothesis that Peking has inaugurated a new stage in international politics, substituting the one in which the New China was struggling to regain sovereignty and development, we base our argument on the relationships that China has established with the African continent. The new New China, then, has begun to transform the world system itself. In this sense, we argue, China has sought to avoid hegemonies, whether that of the Unitied States or its own. If this were not so, its fate could turn out to be similar to that of Germany's, in the aftermath of two World Wars. Yet such strategies might not be feasible, since China must act today within the context of post-World War diplomatic fluidity and an aging contemporary capitalism whose historic centers are in rapid decline .
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