Migração e ruralização da Aids: relatos de vulnerabilidade de comunidades indígenas no México

OBJETIVO: Analisar a vulnerabilidade ao IST/HIV entre mulheres indígenas mexicanas unidas em concubinato com homens que praticam sexo sem proteção. MÉTODOS: Estudo etnográfico realizado nos meses de fevereiro de 2004 e dezembro de 2005 nas localidades rurais de Michoacán e de Oaxaca, México. Essas localidades possuem altos níveis de emigração, pobreza e casos de HIV/Aids. Foram realizadas entrevistas em profundidade com 91 pessoas: migrantes sazonais (24), mulheres indígenas (33), autoridades locais (20) e profissionais de saúde (14). RESULTADOS: A ruralização do HIV pode ser relacionada às práticas de iniciação sexual femininas e sobretudo ao medo do migrante de que sua esposa tenha relações extra-conjugais em sua ausência. A gravidez e a criança são recursos masculinos para controlar suas esposas. CONCLUSÕES: A migração de retorno implica formas de vulnerabilidade para as mulheres indígenas nas localidades estudadas, cuja sexualidade tem caráter marcadamente reprodutivo. É necessário desenvolver políticas de prevenção a IST/HIV dirigidas ao fortalecimento dos direitos sexuais reprodutivos das mulheres e que considerem aspectos da identidade masculina.

Síndrome de imunodeficiência adquirida; Migrantes; População indígena; População rural; Vulnerabilidade em saúde; Antropologia cultural; México


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