Perspectivas das ciências da biodiversidade no Brasil

A temática da biodiversidade no Brasil alcançou um ponto crítico onde, por um lado, a ciência da biodiversidade aumenta em quantidade e em qualidade, enquanto que por outro, a destruição de habitats nos grandes biomas brasileiros se mantém em taxas alarmantes. Eu defendo que este paradoxo, numa perspectiva científica, tenha dois princípios centrais nos quais cientistas talvez devessem se concentrar. Primeiramente, embora as ciências relacionadas à biodiversidade no Brasil sejam de alto padrão se comparadas com o que é produzido no resto do mundo, o país ainda não detém a ponta do conhecimento em nenhuma destas ciências. E segundo lugar, a riqueza de informações produzida por fortes programas de pesquisa - como o Biota/Fapesp, ao qual este número especial de Scientia Agricola é dedicado - está apenas começando a auxiliar tomadores-de-decisão a aumentar a precisão e a qualidade das decisões referentes ao meio ambiente, mas ainda há muito a ser feito a este respeito. Portanto, eu discuto alguns dos tópicos acerca da biodiversidade que permanecem controvertidos e demandam rápido crescimento científico. Eu proponho que atacando estes temas o Brasil talvez possa vir a alcançar a ponta do conhecimento em médio prazo. Em seguida, discuto como podem ser aprimoradas as vias de comunicação entre cientistas e tomadores-de-decisão e o público em geral, enfatizando como um forte programa educacional - que cubra do jardim de infância à pós-graduação - será imprescindível para solucionar os dois problemas acima e definitivamente romper com o paradoxo conhecimento da biodiversidade vs. destruição da biodiversidade.

biodiversidade; mudanças globais; liderança científica; comunicação científica; educação científica


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