Caracterização física de uma classe de solo do ecossistema do tabuleiro costeiro

Physical characterization of a soil class of the "tabuleiro costeiro" ecosystem

Resumos

Embora haja grande potencial dos tabuleiros costeiros do nordeste brasileiro para exploração agrícola, relacionado à topografia favorável à mecanização e proximidade de grandes centros consumidores, a má distribuição das chuvas, associada aos horizontes coesos situados próximos à superfície e presentes em muitas classes de solo deste ecossistema, promove, com freqüência, sérios problemas no suprimento de água para as plantas. Este trabalho foi realizado com o objetivo de avaliar a influência de algumas características físicas, especialmente das camadas coesas no desenvolvimento de citros, a fim de fornecer subsídios para a geração de tecnologias adaptadas a este ecossistema e capazes de permitir o suprimento adequado de água para as plantas pelo maior período de tempo possível. Para isso, foram feitas avaliações físicas e químicas do solo, com ênfase nas características responsáveis pelas alterações dos fatores físicos de crescimento (potencial de água, aeração e resistência do solo à penetração) e das condições climáticas. Os resultados obtidos permitiram concluir que a presença de camadas adensadas extensas e próximas à superfície do solo, associada ao regime climático característico da unidade geoambiental estudada, é uma indicação de que deverão ocorrer grandes alterações nos fatores físicos de crescimento, na redistribuição da água no solo e no sistema radicular dos citros que, nessas circunstâncias, deverá ficar restrito a um pequeno volume de solo próximo à superfície do solo.

camadas coesas; citros; déficit hídrico; tabuleiro


In spite of the great potential of the "tabuleiros costeiros" of the Brazilian northeast for agricultural production in terms of favourable relief for mechanization and proximity of the big consumer centres, the bad rainfall distribution together with hardened soil horizons near the soil surface in many soil classes of this ecosystem, often promote serious problems of water supply to the plants. This work was carried out in an Aquic Kandiustalf with the objective of evaluating the influence of some soil physical characteristics, mainly those of the hardened layers, on the growth of citrus, in order to generate new technologies, appropriate for this ecosystem and that could be able to garantee an adequate water supply to plants for a greater period. For this, soil physical and chemical characteristics, with emphasis on those responsible for the changes of the physical growth parameters (soil water potential, soil aeration, soil resistence to penetration), were evaluated; the climate conditions were also characterized. According to the results it could be concluded that the presence of extensive hardened layers near the soil surface, together with the region's climate regime, are evidences that great changes will occur in the physical factors of growth, with reflections on soil water redistribution and citrus rooting system, which under these circunstances will remain limited to a small volume of soil near the soil surface.

hardened layers; citrus; water deficit; tabuleiros


CARACTERIZAÇÃO FÍSICA DE UMA CLASSE DE SOLO DO ECOSSISTEMA DO TABULEIRO COSTEIRO1 1 Parte da tese de doutoramento do primeiro autor, ESALQ/USP.

F.L.D. CINTRA2; P.L. LIBARDI3

2EMBRAPA-Tabuleiros Costeiros, C.P. 44, CEP: 49025-040 - Aracaju, SE.

3Depto. de Física e Meteorologia-ESALQ-USP, C.P.9, CEP: 13418-900 - Piracicaba, SP.

RESUMO: Embora haja grande potencial dos tabuleiros costeiros do nordeste brasileiro para exploração agrícola, relacionado à topografia favorável à mecanização e proximidade de grandes centros consumidores, a má distribuição das chuvas, associada aos horizontes coesos situados próximos à superfície e presentes em muitas classes de solo deste ecossistema, promove, com freqüência, sérios problemas no suprimento de água para as plantas. Este trabalho foi realizado com o objetivo de avaliar a influência de algumas características físicas, especialmente das camadas coesas no desenvolvimento de citros, a fim de fornecer subsídios para a geração de tecnologias adaptadas a este ecossistema e capazes de permitir o suprimento adequado de água para as plantas pelo maior período de tempo possível. Para isso, foram feitas avaliações físicas e químicas do solo, com ênfase nas características responsáveis pelas alterações dos fatores físicos de crescimento (potencial de água, aeração e resistência do solo à penetração) e das condições climáticas. Os resultados obtidos permitiram concluir que a presença de camadas adensadas extensas e próximas à superfície do solo, associada ao regime climático característico da unidade geoambiental estudada, é uma indicação de que deverão ocorrer grandes alterações nos fatores físicos de crescimento, na redistribuição da água no solo e no sistema radicular dos citros que, nessas circunstâncias, deverá ficar restrito a um pequeno volume de solo próximo à superfície do solo.

Descritores: camadas coesas, citros, déficit hídrico, tabuleiro

PHYSICAL CHARACTERIZATION OF A SOIL CLASS OF THE "TABULEIRO COSTEIRO" ECOSYSTEM

ABSTRACT: In spite of the great potential of the "tabuleiros costeiros" of the Brazilian northeast for agricultural production in terms of favourable relief for mechanization and proximity of the big consumer centres, the bad rainfall distribution together with hardened soil horizons near the soil surface in many soil classes of this ecosystem, often promote serious problems of water supply to the plants. This work was carried out in an Aquic Kandiustalf with the objective of evaluating the influence of some soil physical characteristics, mainly those of the hardened layers, on the growth of citrus, in order to generate new technologies, appropriate for this ecosystem and that could be able to garantee an adequate water supply to plants for a greater period. For this, soil physical and chemical characteristics, with emphasis on those responsible for the changes of the physical growth parameters (soil water potential, soil aeration, soil resistence to penetration), were evaluated; the climate conditions were also characterized. According to the results it could be concluded that the presence of extensive hardened layers near the soil surface, together with the region's climate regime, are evidences that great changes will occur in the physical factors of growth, with reflections on soil water redistribution and citrus rooting system, which under these circunstances will remain limited to a small volume of soil near the soil surface.

Key Words: hardened layers, citrus, water deficit, "tabuleiros"

INTRODUÇÃO

Na faixa sedimentar costeira do Brasil é possível distinguir quatro unidades de paisagem: baixada litorânea, superfícies terciárias dos baixos platôs costeiros, também denominadas tabuleiros costeiros ou simplesmente tabuleiros, superfícies terciárias muito dissecadas e bacia cretácia (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária-EMBRAPA/Superintendência de desenvolvimento do Nordeste-SUDENE, 1975). No Zoneamento Agroecológico do Nordeste (Silva et al., 1993), os tabuleiros costeiros são identificados como uma grande unidade de paisagem composta por várias unidades geoambientais as quais, por definição, "são entidades espaciais onde o material de origem, a vegetação natural, o modelado, a natureza e a distribuição dos solos, em função da topografia, constituem um conjunto homogêneo, cuja variabilidade é mínima de acordo com a escala cartográfica"

A unidade de paisagem dos tabuleiros costeiros acompanha todo o litoral do Nordeste do Brasil, em área estimada de 8,42 milhões de hectares, apresentando como característica comum a todas as dezessete unidades geoambientais que a compõem, topografia plana a suave ondulada, raramente excedendo 3%, baixa fertilidade natural e elevada profundidade dos solos (EMBRAPA/Centro de Pesquisa Agropecuária dos Tabuleiros Costeiros - CPATC, 1994). As diferenças entre as unidades geoambientais estão, em geral, relacionadas às variações na altitude, precipitação pluvial, drenagem e, principalmente, no grau de entalhamento do solo. O ecossistema de tabuleiro, relacionado ao estudo, faz parte da unidade geoambiental identificada como "L7" no zoneamento agroecológico do Nordeste (Silva et al., 1993), a qual inclui a região que vai do extremo sul da Bahia até o norte do Estado de Sergipe onde predominam tabuleiros dissecados com topos planos ou arredondados.

A importância social e econômica desse ecossistema nos Estados da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará é refletida pelas grandes concentrações urbanas, pela diversidade de explorações agrícolas com grande potencialidade para produção de alimentos, pela ampla infra-estrutura de transporte rodoviário e de terminais marítimos para escoamento da produção e por abrigar grande parte da mata atlântica ainda existente no País. Apesar dessa importância e da existência de grande mercado potencial e demanda reprimida por produtos agrícolas, a atividade agropecuária tem sido inviabilizada pelas baixas produções e alta relação custo/benefício proporcionada pelas culturas. O meio físico, representado principalmente pelas camadas coesas, posicionadas em geral nos horizontes de transição AB ou BA das principais classes de solo, e o clima, representado pela má distribuição das chuvas, as quais estão concentradas em cerca de 80% num período entre cinco e seis meses contínuos, têm sido considerados os principais fatores responsáveis pelas baixas produtividades das espécies cultivadas nesse ecossistema.

Apesar de aparentemente uniforme, esse ecossistema apresenta grande diversidade de classes de solo, estando entre as mais importantes, os Latossolos Amarelos, os Podzólicos Amarelos e os Podzólicos Acinzentados. Em estudo visando elucidar os principais processos envolvidos na formação dos solos de tabuleiro, Demattê et al. (1996) ressaltam que a formação dos solos nesse ecossistema está diretamente relacionado às condições de drenagem e que, apesar do relevo, em geral plano a suave ondulado, ocorrem microrelevos com tamanho e formas variáveis caracterizados pela drenagem permanentemente imperfeita. Nestas áreas situam-se os Podzólicos Acinzentados, objeto do presente estudo, e os Podzólicos Amarelos com fragipã, duripã e lamelas de concentração de ferro, formações cuja ocorrência é dependente da drenagem do solo.

A citricultura praticada nos tabuleiros tem sido feita, em grande parte, com base na pressuposição da existência de solos profundos, bem drenados e com características físicas favoráveis ao desenvolvimento de muitas culturas. Hoje, acredita-se que nos tabuleiros onde coexistem camadas coesas e longos períodos de déficits hídricos, as vantagens relacionadas à profundidade do solo e à drenagem deixam de existir devido à restrição que as zonas coesas impõem ao desenvolvimento das raízes, reduzindo a profundidade efetiva do solo, além da formação de zonas temporárias de encharcamento na estação chuvosa e de ressecamento na estação seca. O objetivo deste trabalho foi o de caracterizar uma das classes de solo de tabuleiro mais explorada no Estado de Sergipe e avaliar o seu potencial para uso agrícola com base nas características físicas que lhe são inerentes e a influência dessas características no suprimento de água para os citros.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado no Campo Experimental de Umbaúba (CEU), Sergipe, da EMBRAPA-Tabuleiros Costeiros, cujas coordenadas geográficas são 11º 22' 37" de latitude sul, 37º 40' 26" de longitude oeste e altitude média de 109 m, em uma quadra de observação de porta-enxertos de citros. A estação experimental situa-se na região Tabuleiro Sul do Estado de Sergipe da qual fazem parte também os municípios de Salgado, Boquim, Pedrinhas, Arauá, Santa Luzia do Itanhy, Indiaroba e Cristinápolis os quais, junto com Umbaúba, representam o principal polo de produção de citros do Estado. Na TABELA 1 são apresentados os dados meteorológicos em uma série de onze anos onde é possível observar que os valores médios para temperatura, umidade relativa do ar e precipitação pluvial nesse período foram de 24oC, 81% e 1318 mm, respectivamente Os registros pluviométricos (média anual) obtidos no local da experimentação entre 1994 e 1996 foram de 1312, 1039 e 1295 mm.

Classificação do solo, descrição da área e análise morfológica do perfil : Para identificação da classe de solo da área experimental, foi aberta trincheira para classificação do solo e descrição morfológica do perfil, além da coleta de amostras, por horizonte, para a caracterização química e

física do solo. Para coleta das amostras de solo com estrutura indeformada, visando a elaboração da curva de retenção de água e a determinação da densidade do solo, e deformadas, para a obtenção da densidade de partículas e da distribuição do tamanho das partículas do solo, foi aberta uma trincheira e a retirada das amostras feita com base nos horizontes previamente definidos. A determinação da distri-buição do tamanho das partículas (granulometria) e da densidade de partículas foi feita pelos métodos do densímetro e do picnômetro, repectivamente, com base na metodologia descrita no manual de métodos de análise físicas da EMBRAPA (EMBRAPA/Serviço Nacional de Levantamento e Conservação do Solo - SNLCS, 1979).

O solo foi classificado como Podzólico Acinzentado eutrófico com fragipã Tb A fraco textura média argilosa fase floresta subperenifólia relevo plano e, nas classificações Americana e da FAO, como Aquic Kandiustalf e Haplic Lixisol, respectivamente. A formação do solo está relacionada a sedimentos arenoargilosos e argilosos do grupo Barreiras do Terciário apresentando declividade entre 0 e 2%.

Descrição morfológica do perfil:

Ap 0 - 0,2 m; 10YR 4/2; franco arenosa; fraca pequena a média blocos subangulares; muitos poros pequenos poucos médios; muito friável; ligeiramente plástica e ligeiramente pegajosa; transição plana e gradual. BA 0,2 - 0,42 m; 10YR 5/3; franco argilo-arenosa; fraca pequena a média blocos subangulares e partes maciças; muitos poros pequenos e poucos médios; frável; plástica e ligeiramente pegajosa; transição plana e gradual. Bt 0,42 - 0,85 m; 10YR 6/3; mosqueados poucos médios e difusos 7,5YR 5/6; argilo-arenosa; fraca pequena a média blocos subangulares e partes maciças; comuns pequenos e poucos médios; friável; plástica e pegajosa; transição plana e gradual. Btx1 0,85 - 1,4 m; 10YR 6/3; mosqueados abundantes grandes distintos 10YR 6/6, 2,5YR 4/4 poucos médios e proeminentes; argilo-arenosa; fraca pequena a média blocos subangulares e partes maciças; comuns pequenos e raros médios; friável com partes firmes; plástica e pegajosa; transição plana e gradual. Btx2 1,4 - 2,0 m(+); coloração variegada 10YR 6/3, 10YR 6/8, 7,5YR 4/4 e 2,5YR 4/6; argilo-arenosa; maciça partes com estrutura fraca pequena blocos subangulares; comuns pequenos; firme muito firme com partes friáveis; plástica e pegajosa.

RAÍZES: Comuns e finas no Ap, poucas e finas no BA e raras e finas nos horizontes Bt, Btx1 e Btx2.

OBSERVAÇÕES: Solo úmido por ocasião da descrição. No horizonte Bt ocorrem mosqueados sem, no entanto indicar a presença de fragipã (possivelmente ocorram fragipãs incipientes). Verificou-se penetração de material escuro ao longo do perfil e de raízes na entrelinha. Não foi observada presença de cerosidade.

Para determinação das curvas de retenção de água foram coletadas dez amostras com estrutura indeformada, por horizonte. A amostragem foi feita utilizando o aparelho de Uhland contendo anéis volumétricos com diâmetro e altura média de 53,7 mm e 59,9 mm, respectivamente, sendo que cada anel era composto de três segmentos iguais e separáveis, tendo sido utilizado o segmento central para aplicação das tensões. Esse cuidado visou a utilização de amostras com pertubação mínima da sua estrutura. Cada uma das dez amostras coletadas foi utilizada para obtenção de cada um dos pontos da curva a qual foi composta pelas tensões de 0,5, 1, 4, 7, 10, 30, 80, 100, 500 e 1500 kPa. Os equipamentos utilizados na determinação foram o funil de placa porosa com o qual foram obtidas as tensões 0,5, 1, 4, 7 e 10 kPa, e as câmaras de pressão de Richards com as quais foram obtidas as tensões 30, 80, 100, 300 e 1500 kPa. Ao final da aplicação das tensões, cujo momento era definido quando constatava-se completo cessamento da drenagem, tanto nos funis como nas câmaras de pressão, as amostras eram secas em estufa a 105º C, por 48 horas, para determinação da massa de sólidos e da água retida. Com essa informação realizava-se, também, o cálculo da densidade do solo a partir da relação massa do solo seco/volume do anel volumétrico.

A partir dos valores de umidade associados às tensões aplicadas em laboratório, foram obtidos os parâmetros (TABELA 2) da equação proposta por Van Genuchten (1980):

onde q é a umidade volumétrica (m3 m-3), qr a umidade residual (m3 m-3), qs a umidade de saturação (m3 m-3), fm o potencial mátrico (kPa) e a, m e n os parâmetros empíricos da equação. O ajuste das curvas foi feito utilizando programa de computador desenvolvido por Dourado Neto et al. (1990).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os dados climáticos da região sul do Estado de Sergipe que inclui a área experimental, apresentados na TABELA 1, demonstram a existência de condições bastante favoráveis à maioria das culturas tropicais com temperatura média anual ao redor de 24ºC, média das máximas de 29ºC e média das mínimas de 19ºC. Segundo Benvington & Castle (1985), um rítimo mais intenso de crescimento das raízes de citros é, em geral, obtido com temperaturas em torno de 27ºC e mais limitado abaixo de 22ºC. Com base nessa informação, pode-se inferir, baseado nos dados da TABELA 1, que sob condições normais de suprimento de água e manejo da cultura, as temperaturas registradas nesse ecossistema são bastante adequadas à exploração dessa cultura nesse ecossistema.

Os efeitos positivos das condições climáticas para exploração do citros nos tabuleiros, principalmente temperatura, são, no entanto, minimizados pela má distribuição da precipitação pluvial que, associada às características do solo, gera prejuízos ao desenvolvimento dessa cultura apesar do volume total das chuvas, em torno de 1300 mm anuais, se assemelhar bastante ao das principais regiões produtoras de citros do mundo. Na Figura 1 observa-se a existência de dois períodos climáticos bem definidos: uma estação mais chuvosa, entre abril e setembro, e outra menos chuvosa, entre outubro e março, na qual a precipitação pluvial situa-se abaixo das necessidades da cultura, submetendo as plantas a um período de déficit hídrico em torno de seis meses. Lima (1995) adverte que, sob condições de falta de água, muitas alterações químicas, principalmente hormonais, ocorrem na planta cítrica, sendo que a perda das reservas energéticas é a alteração mais importante.

Figura 1
- Distribuição média mensal da precipitação pluvial, série de 11 anos, e entre os meses de dez/95 a nov/96, período de condução do experimento.

O solo estudado foi classificado, com base na Classificação Brasileira, como Podzólico Acinzentado eutrófico com fragipã e como Aquic Kandiustalf (Estados Unidos, 1992) e Haplic Lixisol (Driessen & Dudal, 1991), nas classificações Americana e da FAO, respectivamente. Todas estas classificações prevêem a formação de zonas temporárias de saturação no primeiro metro a partir da superfície do solo durante a estação chuvosa, e a fertilidade natural caracterizada pela baixa capacidade de troca de cátions. A Classificação Americana resume bem o ecossistema trabalhado indicando, na própria denominação, o regime ústico de umidade (ustic), caracterizado pela existência de um período de seca entre 90 e 180 dias, o caráter kândico (Kandic) do solo associado à baixa capacidade de troca de cátions e a condição de saturação (Aquic) que representa a existência de períodos de encharcamento. Essas zonas de saturação são resultantes, provavelmente, da concentração das chuvas em poucos meses do ano associada às camadas de solo coesas, parcialmente impermeáveis. A essas camadas, normalmente situadas nos horizontes de transição, mas podendo estender-se por partes representativas dos horizontes Bt e Bw, são atribuídas grande parte dos problemas de produtividade das espécies nesse ecossistema, especialmente dos citros, pela sensibilidade que essa cultura apresenta, tanto aos baixos suprimentos de água quanto à má aeração do solo. Oliveira (1991) ressalta a vulnerabilidade dos citros às condições de má drenagem devido ao efeito sobre a oxigenação e taxa de difusão dos gases. Alerta que, muitas vezes, a baixa concentração de oxigênio na rizosfera pode promover a parada completa do crescimento das raízes das plantas.

Com relação à baixa fertilidade natural do solo, observa-se na TABELA 3, onde estão relacionados os resultados das análises químicas, que ela é resultante da baixa capacidade de troca de cátions (valor T) em todo o perfil, inclusive no horizonte Ap (0 a 0,2 m) onde está concentrada a quase totalidade do sistema radicular. Chama a atenção nessa TABELA, a alta saturação por bases (valor V) pouco comum nos solos desse ecossistema a qual, neste caso, é reflexo dos baixos teores de alumínio e hidrogênio. A baixa acidez observada elimina qualquer possibilidade de que uma possível superficialização das raízes tenha relação com a existência de barreira química à penetração do sistema radicular. Sob condições de elevada acidez, situação muito comum em solos de tabuleiro, onde é possível encontrar saturação por alumínio em torno de 80%, é provável que haja participação relevante desse fenômeno na distribuição do sistema radicular em profundidade. Segundo Souza (1997), a pobreza em nutrientes e a alta saturação por alumínio traduzem-se, via de regra, em impedimento químico ao aprofundamento das raízes, em muitas classes de solo dos tabuleiros costeiro.

Os resultados da distribuição do tamanho de partículas, apresentados na Figura 2, permitem pressupor indícios da existência de uma camada coesa no solo (redução e aumento, em torno de 13%, dos teores de areia e argila, respectivamente, entre os horizontes Ap e BA), os quais podem estar relacionados a uma das teorias utilizadas para explicar a gênese dos horizontes coesos. Nesta teoria, atribui-se à migração da argila da camada superficial para a subjacente (neste caso do Ap para o BA) a formação de camadas coesas devido às alterações que esta migração promove na macroporosidade e densidade do solo (Reunião Técnica sobre Solos Coesos dos Tabuleiros Costeiros, 1996a). Vale lembrar que não foi feito a análise mineralógica da argila depositada nos horizontes subsuperficiais, a partir da qual seria possível detectar a sua origem, se transportada ou proveniente do material original do solo.

Figura 2
- Distribuição do tamanho de partículas do solo, por profundidade.

Quanto ao fracionamento da areia, verifica-se na Figura 3, a predominância das frações intermediárias (areias grossa, média e fina) com diâmetros entre 1,0 e 0,1 mm, em todo o perfil do solo sendo, no entanto, bastante superior, em todos os horizontes, a quantidade de areia com diâmetro médio (entre 0,5 e 0,25 mm). Nas três frações a redução é acentuada entre os horizontes Ap e Bt, a partir do qual os teores caem mais lentamente. Os percentuais de areia muito grossa (2 a 1 mm) e de areia muito fina (0,1 a 0,05 mm) são muito baixos e, praticamente, não sofrem alteração ao longo do perfil. É possível, no entanto, que parte da areia muito fina possa estar incluída no percentual de silte, o qual aumenta bastante a partir do horizonte Bt (Figura 2). Souza (1997) ressalta que o predomínio das frações mais finas na areia total (frações com diâmetro médio entre 0,5 e 0,25 mm) associado à densidade elevada do solo, baixa porosidade total, baixa macroporosidade e alto grau de argila dispersa em água, é um dos fatores que contribuem para aumentar a susceptibilidade dos solos de tabuleiro à erosão e de reduzir a sua capacidade em suprir oxigênio às plantas, por facilitar a formação das camadas coesas e de zonas periódicas de encharcamento.

Figura 3
- Distribuição do tamanho da fração areia, por profundidade.

A possibilidade da existência de uma camada coesa no solo estudado, que se apresentava como um indício na Figura 2, pode ser confirmada através da análise da Figura 4. Tomando-se como referência a densidade do solo do horizonte Ap (1,52 kg dm-3), observa-se na Figura 4a que houve um aumento em torno de 17% na densidade entre os horizontes Ap e BA, permanecendo elevada no Bt, o que caracteriza a presença de uma camada coesa bastante extensa com inicio a, aproximadamente, 0,2 m da superfície e término em algum ponto do Bt. Esses resultados combinam com as observações feitas por Jacomine (1996) de que o caráter coeso dos solos podzolizados além de estar presente logo abaixo do horizonte A, pode atingir grande profundidade no B e que as camadas coesas estão, em geral, localizadas nos horizontes de transição. Da mesma forma, a camada coesa típica, descrita por Ribeiro (1991) abrange aproximadamente os horizontes de transição AB ou BA apresentando-se dura e compacta forçando as raízes, que se desenvolvem no horizonte sobreposto, a distribuírem-se horizontalmente.

Figura 4
- Densidade do solo (a) e porosidade total calculada (b), por profundidade.

Na Figura 4b observa-se uma das principais consequências negativas da camada coesa no solo estudado a qual está relacionada aos seus efeitos sobre o volume total de poros. Verifica-se uma queda de 7% na porosidade total, entre os horizontes Ap e BA, a qual representa redução de 17% na porosidade total entre estes horizontes, tomando-se como referência a porosidade de 41% do horizonte Ap. Esta redução no volume total de poros é acompanhada, provavelmente, de redução similar no percentual de macroporos, uma vez que em solos adensados os poros originalmente grandes são obstruídos promovendo aumento no número de poros de menor tamanho. Hillel (1970) ressalta, no entanto, que os microporos posicionados dentro dos agregados parecem ser inatingidos pelos processos que ocorrem no solo, somando-se aos que são criados quando ocorre adensamento, o que aumenta, desta forma, o volume total de poros muito pequenos nas camadas coesas. Vale ressaltar que qualquer alteração na porosidade afetará a atividade biológica e o movimento de água no solo, como também a capacidade de retenção de água e sua disponibilidade para as plantas (Freitas & Blacaneaux, 1988). É de se esperar, portanto, que a redução do espaço poroso observado na Figura 4b tenha efeito marcante sobre o aumento da resistência mecânica do solo à penetração das raízes, durante a estação seca, e na baixa difusão de oxigênio durante a estação chuvosa, quando os microporos devem ficar cheios de água durante grande período de tempo.

A aplicação da teoria do fluxo de água em solo não saturado, tanto no campo como em laboratório, requer o conhecimento da condutividade hidráulica e das características de retenção da água no solo (Klute, 1972). Entre as alternativas para medição do fluxo proposto pelo autor, encontra-se a utilizada neste trabalho onde o teor de água no solo foi estimado com base na curva de retenção de água a partir dos potenciais mátricos obtidos no campo. Além desta utilização, primordial para caracterização do movimento de água no solo, as curvas de retenção permitem realizar inferências importantes sobre as características do solo e seu comportamento hidráulico.

Na Figura 5 é possível observar o comportamento diferenciado entre os horizontes quanto à retenção de água. Enquanto nos horizonte Ap e Btx2 as curvas tem maior declividade em relação aos outros horizontes, o que significa queda mais acentuada no teor de água com o aumento da tensão aplicada, as curvas dos horizontes BA, Bt e Btx1 são mais suaves denotando redução gradual da umidade com o aumento da tensão. Essas diferenças exercem grande influência no comportamento hidráulico do solo e estão, provavelmente, associadas à distribuição do tamanho das partículas do solo e à estrutura de cada horizonte.

Figura 5
- Curvas de retenção de água, por horizonte, na área experimental.

CONCLUSÕES

Com base nos resultados e nas discussões realizadas, pode-se afirmar, com certo grau de segurança, que a capacidade do solo avaliado em suprir água e nutrientes para as plantas é regido, principalmente, pelas suas características físicas, bastante peculiares. A presença de uma camada adensada e extensa, próxima à superfície do solo, associada ao regime climático característico da unidade geoambiental estudada, é uma indicação de que deverão ocorrer grandes alterações no potencial de água, temperatura, resistência à penetração das raízes e aeração do solo com graves reflexos no movimento de água e sobre o sistema radicular dos citros que, nestas circunstâncias, deverá ficar restrito a um pequeno volume de solo próximo à superfície e, portanto, bastante vulnerável às variações climáticas.

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Recebido para publicação em 24.10.97

Aceito para publicação em 27.03.98

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  • 1
    Parte da tese de doutoramento do primeiro autor, ESALQ/USP.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    14 Maio 1999
  • Data do Fascículo
    1998

Histórico

  • Recebido
    24 Out 1997
  • Aceito
    27 Mar 1998
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