MANGUEIRA: INFLUÊNCIA DO PORTA-ENXERTO E DA COPA NA PRODUÇÃO DE FRUTAS

Resumos

O objetivo deste trabalho foi o de estudar o comportamento de diferentes variedades pelos diversos porta-enxertos. Os dados foram tomados das produções de 1981, 1982 e 1983 quando 210 plantas tinham de 15 a 17 anos de idade. As variedades copas estudadas foram as seguintes: Extrema, Oliveira Neto, Carlota, Imperial, Pahiri e Bourbon. Os porta-enxertos usados foram Espada, Extrema, Oliveira Neto, Carlota, Coco, Pahiri e Bourbon.

mango; rootstock; crown


The aim of this paper was to study combinations of crown and rootstock for mango. Data on flowering and frutification were taken from 1981, 1982 and 1983, using 210 trees 15 year-old at the begining of the experiment. The varieties Extrema, Oliveira Neto, Carlota Imperial, Pahiri and Bourbon were used as crown, and Espada, Extrema, Oliveira Neto, Carlota, Coco, Pahiri and Bourbon were utilized as rootstock.

mango; rootstock; crown


MANGUEIRA: INFLUÊNCIA DO PORTA-ENXERTO E DA COPA NA PRODUÇÃO DE FRUTAS

S. SIMÃO1; D. BARBIN2; O. NYLANDER; B. OHASHI1

1Depto. de Horticultura-ESALQ/USP, C.P. 9, CEP: 13418-900 - Piracicaba, SP.

2Depto. de Matemática e Estatística-ESALQ/USP, C.P. 9, CEP: 13418-900 - Piracicaba, SP.

RESUMO: O objetivo deste trabalho foi o de estudar o comportamento de diferentes variedades pelos diversos porta-enxertos. Os dados foram tomados das produções de 1981, 1982 e 1983 quando 210 plantas tinham de 15 a 17 anos de idade. As variedades copas estudadas foram as seguintes: Extrema, Oliveira Neto, Carlota, Imperial, Pahiri e Bourbon. Os porta-enxertos usados foram Espada, Extrema, Oliveira Neto, Carlota, Coco, Pahiri e Bourbon.

Descritores: manga, porta-enxerto

INFLUENCE OF ROOTSTOCK AND CROWN IN THE PRODUCTION OF MANGO FRUITS

SUMMARY: The aim of this paper was to study combinations of crown and rootstock for mango. Data on flowering and frutification were taken from 1981, 1982 and 1983, using 210 trees 15 year-old at the begining of the experiment. The varieties Extrema, Oliveira Neto, Carlota Imperial, Pahiri and Bourbon were used as crown, and Espada, Extrema, Oliveira Neto, Carlota, Coco, Pahiri and Bourbon were utilized as rootstock.

Key Words: mango, rootstock, crown

INTRODUÇÃO

A mangueira (Mangifera indica L.) se constitui, hoje em dia, uma espécie de alto valor alimentar por sua riqueza em vitamina A, atingindo a 7000 UI.

O comércio mundial cresce a cada dia, sendo o Brasil o terceiro produtor mundial, precedido pela Índia e México.

A manga possui qualidades organolépticas que permite a sua utilização no preparo de doces, conservas e aguardente.

Apesar da manga ser considerada uma das mais importantes frutas tropicais do mundo, a literatura sobre o uso de porta-enxerto é muito limitada.

No Brasil, tem-se utilizado como porta-enxerto, exclusivamente as variedades Coco, Espadinha e Rosinha, tendo o presente trabalho a finalidade de se conhecer o comportamento das variedades comerciais, também como porta-enxerto, o que poderia facilitar em muito a obtenção de um maior número de sementes para porta-enxertos.

Baseado na possibilidade de utilizar sementes da própria variedade comercial como porta-enxerto, iniciamos a presente investigação.

A produção de fruto está relacionada a vegetação da mangueira. Quanto maior for a vegetação maior será o número de panículas e consequentemente maior deverá ser a produção de frutos. Segundo Simão (1960) a vegetação surge por surto, que se inicia a partir de agosto e prossegue até fins de fevereiro e início de março. Ruehle & Ledin (1955) referindo-se sobre os surtos vegetativos da mangueira, na Flórida, informam que eles ocorrem principalmente na primavera e verão, quando se desenvolvem 1 a 3 ou mais surtos.

Swawky & Zidan (1980), no Egito, notaram que a variedade Taimour, apresentava três surtos vegetativos, isto é, na primavera, verão e início do outono e aquele que produziu maior número de inflorescência era o do verão.

Simão (1960) verificou que os ramos vegetativos que apresentavam maior porcentagem de inflorescência eram aqueles com mais de 12 meses de idade e os menos produtivos eram os surtos com 3 a 4 meses, ou aqueles surgidos a partir do início de março. Simão (1960) diz que o florescimento ocorre de maio a outubro, sendo mais intensos aqueles que ocorrem de junho a agosto.

Em Viçosa, MG, Rodrigues et al. (1977) verificaram que a época de florescimento de 10 cultivares de manga, tem o seu início em junho prolongando-se até outubro.

Na Flórida, Ruehle & Ledin (1955), observaram que as inflorescências são produzidas de dezembro a março (inverno) dependendo das condições climáticas e da variedade.

Swawky & Zidan (1980) dizem que a baixa frutificação ocorre quando a mangueira não floresce totalmente.

A frutificação da mangueira depende de inúmeros fatores: variedade, clima, produção anterior, presença de oídio e antracnose e precipitação durante o período de florescimento (Simão, 1971).

Segundo Brunini & Alfonsi (1980), a mangueira para florescer necessita de um período seco e segundo Wolfe et al. (1969) deve continuar até o início do desenvolvimento do fruto e que o número de frutos por planta varia muito, dependendo do tamanho e peso do fruto, tamanho da copa e da variedade.

MATERIAL E MÉTODOS

A pesquisa foi conduzida no pomar do Departamento de Horticultura da ESALQ/USP. O solo segundo Ranzani et al. (1966) pertence ao grupo Latossolo, série "Luiz de Queiroz" com topografia levemente ondulada. Longitude 47°38'00 W, latitude 22°42'09 S, altitude 540m.

Pela classificação climática de Köppen, o clima da região é CWA, isto é, sub-tropical úmido com estiagem no inverno, com a temperatura média, do mês mais quente, superior a 22°C e a do mês mais frio inferior a 18°C, também denominado de tropical de altitude.

Foram utilizadas como copa seis variedades: Extrema, Pahiri, Imperial, Oliveira Neto, Carlota e Bourbon enxertadas sobre: Carlota, Coco, Bourbon, Espada, Extrema, Oliveira Neto e Pahiri. Todas estas variedades foram descritas por Simão (1955). O procedimento experimental adotado foi o de blocos casualizados, em parcelas subdivididas com 42 tratamentos e 5 repetições. Como parcela, foram usadas copas e como sub-parcelas os porta-enxertos. O espaçamento utilizado foi 10x10m e usou-se uma planta por parcela. O experimento foi avaliado em pomar instalado em 1966.

Durante a condução do experimento os dados de florescimento e produção foram registrados para avaliação da combinação copa x porta-enxerto, influenciando a produção, nos anos de 1981, 1982 e 1983. A porcentagem de vegetação foi feita por observação, atribuindo-se nota de acordo com a presença de vegetação nova.

As panículas foram contados a partir de maio até setembro e os frutos contados em outubro de cada ano.

A porcentagem de fruto foi calculada por:

onde NF é o número de frutos e NP o número de panículas. A relação panícula/fruto foi calculada dividindo-se o número de panículas pelo número de frutos.

A superfície lateral (SL) baseia-se na fórmula:

onde: h = altura; R = raio inferior; r = raio superior; p @ 3,1416 e o índice de frutificação é obtido dividindo-se o número de frutos pela superfície lateral.

Os dados foram submetidos a análise estatística para modelos não balanceados, empregando-se o programa LSMLCP (Least-Squares, Maximum Likelihood General Purpose) de Harvey, citado por Barbin (1977). É um programa flexível dando opção para o uso do "Processo de Absorção" empregado no ajustamento de somas de quadrados. Para análise estatística, o número de frutos foi transformado através da , enquanto os outros parâmetros foram analisados sem transformação.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foi anotado que durante os três anos de acompanhamento do florescimento, que a maior floração ocorreu no período de julho a agosto, o que concorda com Simão (1960), Rodrigues et al. (1977) e Silva (1982).

Ruehle & Ledin (1955), em condições do hemisfério Norte observaram resultados semelhantes, ocorrendo nos meses de dezembro a maio, correspondendo ao inverno.

A TABELA 1, mostra a média de produção de panículas e frutos e a porcentagem de vegetação durante os anos de 1981, 1982 e 1983.

Em 1981, grande foi a fixação de frutos, produção esta atribuída a baixa precipitação. Segundo Simão (1960) dos elementos do clima, a chuva durante o florescimento é a mais desfavorável, prejudicando a polinização.

Em 1982, apesar da temperatura durante os meses de junho e agosto ter sido favorável ao florescimento e frutificação, as mangueiras apresentaram um maior vigor vegetativo e portanto, menor foi a produção de panículas e consequentemente de frutos. Este resultado concorda com os de Buell & Hons (1964), Simão (1960), Maranca (1980).

Em 1983, houve uma alta relação panícula/frutos. A grande produção de inflorescência se deve em parte à baixa produtividade do ano anterior e a maior porcentagem de vegetação e reservas de nutrientes para a safra de 1983. Segundo Avilan (1971) e Maranca (1980), durante o ciclo de produção existe uma alternância na frutificação, decorrente da variação dos níveis de nutrientes.

A umidade relativa acima de 80% reduz a presença de oídio e entre 64 e 71% favorece. Temperatura entre 7,3°C até 27,9°C é favorável ao desenvolvimento do fungo, e quanto maior o número de dias de chuva menor é a presença de oídio.

Devido a baixa precipitação e umidade relativa favorável à presença do oídio, a frutificação foi prejudicada.

Na TABELA 2, verifica-se através do índice de frutificação, de acordo com a classificação de Avilán (1980), que todos os tratamentos com exceção da "Carlota", como copa, apresentaram índice de frutificação baixo. Os melhores índices foram obtidos por Carlota sobre Carlota e Carlota sobre Oliveira Neto.

Pelo índice de frutificação fica claro que as variedades tradicionais utilizadas como porta-enxerto, Espada e Coco, podem ser substituídas por outras variedades, pois as mesmas não apresentaram nenhuma diferença que indicasse o seu uso exclusivo, podendo-se utilizar-se da variedade copa, como porta-enxerto.

Na TABELA 3, onde apresentamos o número de frutos do ano de 1981, o teste F foi significativo ao nível de 1% de probabilidade para as copas, entretanto, não houve significância para porta-enxertos e interação copa x porta-enxerto.

A variedade Pahiri como copa sofreu durante o experimento 51,4% de perda e a variedade Bourbon como porta-enxerto levou a morte 43,3% das copas da variedade sobre ela enxertadas, razão pela qual foram eliminadas para efeito de análise estatística.

A comparação das médias pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade (TABELA 4), mostra que as variedades que mais produziram frutos foram Carlota e Oliveira Neto. Entretanto, Simão (1960) relata que Carlota foi uma das menos produtivas entre doze variedades estudadas.

No ano de 1982 não houve significância para efeito de copa na produção de frutos TABELA 5, entretanto, o teste F foi significativo ao nível de 1% de probabilidade para porta-enxertos; não houve significância para a interação copa x porta-enxertos.

O teste de Tukey para as médias do número de frutos para o ano de 1982 TABELA 6, mostra que os melhores porta-enxertos foram `Carlota', `Extrema', `Oliveira Neto' e "Pahiri".

De acordo com Simão (1960), as variedades Extrema e Pahiri, são muito suscetíveis a oídio; no presente experimento, essas variedades não diferiram estatisticamente ao nível de 5% de probabilidade, das variedades Carlota e Oliveira Neto que segundo aquele autor, são pouco suscetíveis a doença, e que este caráter, não foi transferido do porta-enxerto para a copa através da enxertia.

A análise de variância da raiz quadrada do número de frutos do ano de 1983 TABELA 7, indicou resultado semelhante ao do ano de 1981.

Estes dados mostram claramente que variedades copas podem ser utilizadas como porta-enxertos, com resultados superiores aos porta-enxertos tradicionais Coco e Espada.

As médias da raiz quadrada do número de frutos comparadas através do teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade, para o ano de 1983, mostraram um resultado semelhante ao do ano de 1981, quando as variedades mais produtivas, com exceção da Extrema que se revelou em 1983, como uma das mais produtivas devido talvez a menor incidência de oídio e a maior porcentagem de vegetação ocorrida em 1982 e 1983 (TABELA 8).

CONCLUSÕES

- Oliveira Neto e Carlota foram as variedades copas as mais produtivas.

- Os porta-enxertos que influenciaram a uma maior produção foram Carlota e Oliveira Neto.

- A variedade Pahiri, como copa, apresentou mortalidade elevada, o mesmo ocorrendo com a Bourbon quando utilizada como porta-enxerto.

- As variedades Coco e Espada tradicionalmente utilizadas como porta-enxertos mostraram produções inferiores as das variedades copas utilizadas como porta-enxertos.

- Os resultados obtidos neste estudo indicam que se pode utilizar como porta-enxerto a mesma variedade copa.

Recebido para publicação em 08.06.95

Aceito para publicação em 20.08.97

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    03 Fev 1999
  • Data do Fascículo
    Set 1997

Histórico

  • Recebido
    08 Jun 1995
  • Aceito
    20 Ago 1997
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