A Comarca Lagunera, no norte do México, constitui um nó metropolitano e um centro agroindustrial dominado pela indústria biotecnológica, particularmente pela pecuária leiteira. Este modelo produtivo sustenta-se na sobreexploração e na contaminação da água subterrânea, na medida em que a extração dos aquíferos supera a sua capacidade de recarga natural, principalmente devido ao cultivo intensivo de forragens. Uma de suas consequências mais graves é a presença de hidroarsenicismo crônico endêmico, com impactos significativos na saúde pública. Este artigo, a partir de um estudo de caso, analisa a ideia de progresso associada à agrobiotecnologia e sua relação com a realidade sociológica regional e suas consequências socioambientais. A investigação baseia-se em uma metodologia qualitativa que incorpora uma análise fenomenológica de entrevistas realizadas com atores-chave, centrada em suas experiências e representações sociais em torno da água. Os resultados situam a sobreexploração hídrica como eixo estruturante de um modelo neoextrativista, caracterizado pela transferência dos direitos de água de formas de propriedade social para esquemas de propriedade privada. Da mesma forma, o estudo evidencia a centralidade do poder econômico na configuração das regulações, o que contribui para a persistência da crise hídrica e para a deterioração ecológica da região.
Palavras-chave:
Hidroarsenismo; Agroindústria leiteira; Superexploração da água; Ecología política; Crítica do desenvolvimento
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Fuente: Elaboración propia.