A convergência de referências na promoção da saúde

The convergence of references in health promotion

A constituição de um campo para a saúde pública de conhecimentos e práticas de promoção da saúde pode ser entendido pelo acúmulo histórico de contribuições da saúde comunitária, da medicina preventiva e da epidemiologia social, entre outros, que colaboraram para a conformação de uma abordagem da saúde de forma ampliada. Nesta confluência de referenciais variados, abordo neste artigo uma proposta de síntese entre algumas das principais questões que, radicalmente interligadas, conformariam os contornos da promoção da saúde. Postulo, desta forma, que o interesse na promoção da saúde seja justamente a construção desta interface entre a incorporação de boas práticas e questões para a saúde pública, fazendo, ao mesmo tempo, proposições articuladas e coerentes com o nosso momento histórico, marcado por um modelo neoliberal de globalização e pela hegemonia das tecnologias biomédicas. Este artigo está apoiado em três questões que considero fundamentais para abordar a promoção da saúde: as limitações do modelo biomédico, a ampliação do conceito de saúde e a diferença entre prevenção e promoção. Para tanto, recorro aos principais documentos históricos de referência à promoção da saúde para problematizar o que estamos discutindo como qualidade de vida, além das críticas ao "modismo" neoliberal que justificariam ideologicamente a retração do Estado e a culpabilização da população. Um caminho apontado a partir destas considerações é o de que a participação social na saúde pode oferecer um potencial para enfrentar os desafios e adequar o campo da promoção da saúde ao nosso contexto latino-americano.

Promoção da Saúde; Saúde Pública; Participação social


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