Os desafios do saneamento como promoção da saúde da população brasileira

Jaime Lopes da Mota Oliveira Simone Cynamon Cohen Débora Cynamon Kligerman Telma Abdalla de Oliveira Cardoso Rafaela dos Santos Facchetti Vinhaes Assumpção Paulo Rubens Guimarães Barrocas Sobre os autores

EM PLENO SÉCULO XXI, O BRASIL AINDA APRESENTA enormes desafios em relação à oferta dos serviços de saneamento. Os dados de 2017 do Sistema Nacional de Informação sobre o Saneamento (SNIS) mostram que 83,5% da população brasileira tem acesso à rede de abastecimento de água, 46,0% são atendidos por coleta e tratamento dos seus esgotos gerados11 Brasil. Ministério de Desenvolvimento Regional. Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos 2017 [internet]. Brasília, DF: MDR; 2019. [acesso em 2019 nov 14]. Disponível em: http://www.snis.gov.br/diagnostico-agua-e-esgotos/diagnostico-ae-2017.
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e 98,8% têm coleta regular de resíduos sólidos urbanos22 Brasil. Ministério de Desenvolvimento Regional. Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). Diagnóstico do Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos 2017 [internet]. Brasília, DF: MDR ; 2019. [acesso em 2019 nov 14]. Disponível em: http://www.snis.gov.br/diagnostico-residuos-solidos/diagnostico-rs-2017.
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. Apesar desses números representarem um avanço em relação aos anos anteriores, ainda temos mais de 30 milhões de brasileiros que não possuem água em qualidade e quantidade adequadas para suas necessidades básicas, e mais de 100 milhões descartam seus esgotos in natura no ambiente. Este deficit está intimamente ligado à incidência de diferentes tipos de agravos à saúde, tais como dengue, diarreias e helmintoses, as quais fazem parte das Doenças Relativas ao Saneamento Ambiental Inadequado (DRSAI)33 Landau EC, Moura L, Ferreira AM. Doenças relacionadas ao saneamento inadequado no Brasil. In: Landau EC, Moura L, editoras. Variação geográfica do saneamento básico no Brasil em 2010: domicílios urbanos e rurais. Brasília, DF: Embrapa; 2016. p. 189-212.. Além disso, o lançamento inadequado de esgotos em corpos d'água e a gestão imprópria dos resíduos sólidos favorecem a poluição e a degradação ambiental, que, por sua vez, contribuem para as mudanças climáticas44 Lins GA. Impactos Ambientais em Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs). [dissertação]. Rio de Janeiro: Escola Politécnica, Universidade Federal do Rio de Janeiro; 2010. 285 f.. Portanto, a falta de saneamento impacta negativamente na saúde da população e do meio ambiente.

Diante desse cenário, foi elaborado este número temático especial, fruto do compromisso institucional do Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental (DSSA), da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), visando divulgar o conhecimento científico produzido por pesquisas desenvolvidas nos campos do saneamento e da saúde ambiental, suas interfaces e impactos na qualidade de vida e saúde da população brasileira.

Para a construção deste periódico especial, foi realizada uma chamada aberta, que possibilitou a participação de diversas instituições de ensino e pesquisa em saneamento e saúde coletiva do Brasil. Ao todo, foram submetidos 53 artigos para esta chamada. Primeiramente, foi realizada uma triagem desses artigos por uma equipe de editores associados convidados que avaliou a sua associação aos diferentes temas propostos no número especial. Os artigos selecionados foram então submetidos à avaliação por pares, pesquisadores especialistas de cada área temática (peer review). Essa avaliação foi realizada sob diferentes perspectivas teóricas e abordagens metodológicas, espelhando de forma exitosa a produção de conhecimento nessa área no âmbito nacional.

Este número temático especial conta com 15 artigos que abordam assuntos relativos à: água; esgotos; resíduos sólidos; drenagem e manejo de água pluviais; planejamento e políticas de desenvolvimento urbano sustentável; saúde urbana; biossegurança e bioterrorismo e; mudanças climáticas e desastres.

A expectativa dos organizadores é que os trabalhos aqui publicados, a partir dos estudos realizados pelos diferentes grupos de pesquisa, sirvam para uma reflexão sobre a importância do saneamento e da saúde ambiental para uma vida plena e saudável da população brasileira. Espera-se ainda que tanto a academia quanto a sociedade se apropriem deste número temático como ferramenta de apoio na tomada de decisões e implementações de políticas públicas observando a interface entre o saneamento e a saúde pública. Tais ações são de extrema importância para a superação das adversidades de contexto socioambiental e político, tendo por base o conhecimento analítico-crítico-reflexivo e socialmente participativo e engajado.

Desfrutem da leitura e sejam bem-vindos aos campos do saneamento e da saúde ambiental.

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    Orcid (Open Researcher and Contributor ID).

Referências

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    Brasil. Ministério de Desenvolvimento Regional. Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos 2017 [internet]. Brasília, DF: MDR; 2019. [acesso em 2019 nov 14]. Disponível em: http://www.snis.gov.br/diagnostico-agua-e-esgotos/diagnostico-ae-2017
    » http://www.snis.gov.br/diagnostico-agua-e-esgotos/diagnostico-ae-2017
  • 2
    Brasil. Ministério de Desenvolvimento Regional. Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). Diagnóstico do Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos 2017 [internet]. Brasília, DF: MDR ; 2019. [acesso em 2019 nov 14]. Disponível em: http://www.snis.gov.br/diagnostico-residuos-solidos/diagnostico-rs-2017
    » http://www.snis.gov.br/diagnostico-residuos-solidos/diagnostico-rs-2017
  • 3
    Landau EC, Moura L, Ferreira AM. Doenças relacionadas ao saneamento inadequado no Brasil. In: Landau EC, Moura L, editoras. Variação geográfica do saneamento básico no Brasil em 2010: domicílios urbanos e rurais. Brasília, DF: Embrapa; 2016. p. 189-212.
  • 4
    Lins GA. Impactos Ambientais em Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs). [dissertação]. Rio de Janeiro: Escola Politécnica, Universidade Federal do Rio de Janeiro; 2010. 285 f.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    13 Jan 2020
  • Data do Fascículo
    Dez 2019
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