Tumores indiferenciados de cabeça e pescoço: contribuição da técnica imunoistoquímica para o diagnóstico diferencial

CONTEXTO: As neoplasias indiferenciadas em cabeça e pescoço e base do crânio não são raras. Ocorrem tanto em mucosas como em glândulas salivares, em partes moles e em linfonodos. O diagnóstico histopatológico preciso é fundamental na conduta terapêutica ideal e na caracterização do prognóstico de cada caso. OBJETIVOS: Avaliar a ocorrência destas neoplasias em nosso serviço, sua distribuição conforme o padrão celular, a idade do paciente e a localização do tumor, avaliando-se a freqüência dos casos em que o exame imunoistoquímico foi decisivo para o diagnóstico diferencial conclusivo. TIPO DE ESTUDO: Estudo de corte transversal. LOCAL: Hospital das Clínicas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, São Paulo, Brasil. PARTICIPANTES: Foram estudadas 43 biópsias de neoplasias indiferenciadas diagnosticadas no ambulatório da Disciplina de Otorrinolaringologia, no período de 1990 a 1997. PROCEDIMENTOS: Aplicou-se um painel imunoistoquímico conforme o método complexo avidina-biotina-peroxidase (ABC), dependendo da idade dos pacientes, da localização do tumor e do padrão citoarquitetural das células neoplásicas. O laudo final foi emitido após nova análise conjunta com as lâminas coradas pela técnica da hematoxilina e eosina. VARIÁVEIS ESTUDADAS: Distribuição das neoplasias indiferenciadas de cabeça e pescoço, conforme o padrão celular, a idade do paciente e a localização do tumor. RESULTADOS: Os locais de ocorrência mais comuns foram os linfonodos, 20.9%; faringe e pescoço, 16.3%; seios paranasais, 14.0% e cavidade nasal, 11.6%. Estas neoplasias foram mais prevalentes na sétima década de vida (34.9%), sendo duas vezes mais prevalentes em homens que em mulheres. O exame imunoistoquímico permitiu o diagnóstico conclusivo em 60.5% dos tumores e o sugeriu em 20.9%. Os padrões citoarquiteturais mais comuns foram: células redondas, 51.2%; células epitelióides, 20.9%; células fusiformes, 16.3%; mixóides, 9,30% e células pleomórficas, 2.3%. CONCLUSÃO: Esses achados demonstram o papel fundamental do exame imunoistoquímico no diagnóstico conclusivo nestas neoplasias.

Imunoistoquímica; Neoplasias indiferenciadas; Diagnóstico; Cabeça e pescoço; Avidina-biotina peroxidase


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