É a ciência a razão em ação ou ação social sem razão?

Este artigo rechaça a proposta da sociologia cognitiva da ciência de explicar a ciência, inclusive o conteúdo de suas teorias, como subproduto de causas sociais. Além do mais, examina por que há um claro e total descasamento entre a visão de ciência, fortemente internalista, perfilhada pela maioria dos cientistas naturais, e o modo externalista - tudo na ciência se explica por causas sociais - com que é reconstruída pelos defensores do socioconstrutivismo. Este artigo esposa a tese de que a abordagem adotada pela sociologia cognitiva da ciência introduz implicitamente o conceito manheimiano de desmascaramento, ao desqualificar a compreensão que os cientistas têm do que fazem: são determinados por causas em suas rotinas de pesquisas, mas se vêem movidos por razões. A retomada dessa velha tradição em ciências sociais - de desmascarar o modo com que os agentes veem a si mesmos e atribuem significado e razões a suas ações - precisa ser avaliada criticamente por uma metaciência interessada em descobrir os modos típicos com que pode se dar a interação entre razões e fatores e em evitar a tentação de reduzir o epistêmico ao social.

Razões epistêmicas; Fatores psicossociais; Ação humana; Desmascaramento; Função manifesta; Função latente


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