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Scientiae Studia, Volume: 6, Issue: 1, Published: 2008
  • Editorial

    Mariconda, Pablo Rubén
  • Regimes de produção e difusão de ciência: rumo a uma organização transversaldo conhecimento Artigos

    Shinn, Terry

    Abstract in Portuguese:

    Este artigo é uma contribuição à perspectiva crítica da sociologia da ciência, introduzida e desenvolvida por Pierre Bourdieu. O artigo propõe uma teoria transversalista da produção e difusão da ciência e da tecnologia. Argumenta-se aqui que a ciência e a tecnologia são constituídas de múltiplos regimes. Cada regime tem sua base histórica, possui sua própria divisão de trabalho, seus próprios modos de produção cognitiva e de artefatos e tem audiências específicas. Os principais regimes incluem o regime disciplinar, o regime utilitário, o regime transitório e o regime de tecnologia de pesquisa. Conceitos, materiais e praticantes circulam entre os regimes. Embora cada regime seja autônomo, eles estão, simultaneamente, intimamente entrelaçados. Na ciência e na tecnologia, a autonomia não é antitética à interdependência e à reciprocidade. Este estudo demonstra, para os quatro regimes de produção e difusão especificados, que a diferenciação não é contrária à integração. Na ciência, diferenciação e integração são duas faces de uma mesma moeda. Esta análise concentra-se no regime de tecnologia de pesquisa, que constitui a principal estrutura de transversalidade que promove a convergência e a complementaridade nos regimes disciplinar, transitório e utilitário, por meio do movimento de travessia de fronteiras de instrumentação genérica cognitiva, material e epistemológica. Essa instrumentação genérica dá origem a uma "lingua franca" na ciência e à "universalidade pragmática".

    Abstract in English:

    This article is a contribution to the critical sociology of science perspective introduced and developed by Pierre Bourdieu. The paper proposes a transversalist theory of science and technology production and diffusion. It is here argued that science and technology is comprised of multiple regimes, where each regime is historically ground, possesses its own division of labour, modes of cognitive and artefact production and has specific audiences. The major regimes include the disciplinary regime, utilitarian regime, transitory regime and research-technology regime. Concepts, materials and practitioners circulate between the regimes. Though each regime is autonomous, they are simultaneously closely interlaced. In science and technology, autonomy is not antithetical to interdependence and reciprocity. This study demonstrates for the four specified regimes of production and diffusion that differentiation is not contrary to integration. In science, differentiation and integration comprise two sides to the same coin. This analysis focuses strongly on the research-technology regime, as it comprises the principal structure of transversality that promote convergence and complementarity on the disciplinary, transitory and utilitarian regimes by dint of the trans-boundary movement of cognitive, material and epistemological generic instrumentation. This generic instrumentation gives rise to a "lingua franca" in science and to "pragmatic universality".
  • Desencantamento da modernidade e da pós-modernidade: diferenciação, fragmentação e a matriz de entrelaçamento Artigos

    Shinn, Terry

    Abstract in Portuguese:

    Em muitos setores significativos, mudou apreciavelmente o tom e a substância do discurso sociológico sobre o passado, o presente e o futuro da cultura em geral, sobre as instituições, o conteúdo das aspirações e relações individuais, e também sobre a matéria e a organização da ciência, da tecnologia e da epistemologia. O discurso da sociedade pós-moderna e, correspondentemente, os fenômenos de suporte intelectual e social oferecem algum crédito para os argumentos de que o mundo de hoje e os prospectos de amanhã estão em contraste radical, e mesmo em assimetria, com o mundo dos últimos dois séculos e meio. O propósito deste artigo é triplo. Primeiro, é necessário identificar os domínios específicos nos quais as alegações pós-modernas diferem das noções dominantes da representação moderna da sociedade e da ciência. Quais são as maneiras pelas quais a pós-modernidade forja conceitos substitutos e repudia conceitos da modernidade ou, de modo alternativo, até que grau procura-se construí-los em vista das recentes mudanças cognitivas, tecnológicas e sociais, mesmo se situando, todavia, no interior do quadro referencial da modernidade? Segundo, o que constitui a mensagem fundamental, cultural e cognitiva, da pós-modernidade? Em que tal mensagem rompe autenticamente com a modernidade e onde ela procura distintamente destruir os próprios fundamentos do pensamento da modernidade? Quais são as implicações putativas para a ciência, a tecnologia e a própria epistemologia? Finalmente, propor-se-á aqui uma alternativa à análise pós-moderna, uma alternativa que depende de características básicas do pensamento moderno e que, entretanto, incorpora eventos que transformaram inegavelmente o homem, a máquina, o material e a epistemologia nas últimas décadas e que, desse modo, redesenha o mapa da modernidade especificando as componentes e os modos de interação e extensão alternativos. Essa hipótese pode ser vista como uma ponte entre a modernidade clássica e a pós-modernidade, e também como um desvio em relação a estas. Essa linha de pensamento pode ser, por ora, grosseiramente rotulada de "pós-pós-modernidade". A hipótese está baseada em uma "matriz de entrelaçamento", a qual mobiliza três noções fundamentais que são fortemente informadas pela experiência contemporânea na ciência e na tecnologia, embora não exclusivamente por esses domínios. O lugar central atribuído aqui ao conhecimento e à epistemologia não é despropositado, em vista de sua primazia no fluxo da ação hodierna (na inovação, na vida diária, na política).

    Abstract in English:

    In many significant quarters, the tone and substance of sociological discourse on the past, present and future of culture at large, institutions, content of individual pursuits and relations, and about the matter and organization of science, technology and epistemology has changed appreciably. Post-modern society discourse, and correspondingly supportive intellectual and social phenomena, offer some credence to arguments that the world of today and the prospects of tomorrow stand in radical contrast or even asymmetry with the world of the past two and a half centuries. The purpose of this article is threefold. First, it is necessary to identify the specific domains in which post-modern claims differ from dominant notions of the modernity representation of society and science. In what ways do post-modernity portrayals substitute and repudiate modernity concepts, and alternatively, to what degree do they instead seek to build on them taking into account recent cognitive, technological and societal shifts, yet still within a modernity framework? Second, what constitutes the foundational cultural and cognitive message of post modernity? Where does the message authentically break with modernity, and where does it distinctly seek to destroy the very foundations of modernity thinking? What are the putative implications for science, technology, and for epistemology itself? Finally, an alternative to post-modern analysis will here be advanced, an alternative that draws on basic features of modernist thinking, yet which incorporates events that have undeniably transform man, machine, material and epistemology over the last several decades, and which thus redraws the modernity map by specifying alternative components and modes of interaction and extension. This hypothesis may be interpreted as a bridge and deviation from both classical and post modernity. This line of thought may be clumsily labeled for the moment "post post modernity". The hypothesis is ground on an "interlacing matrix". This interlacing matrix mobilizes three fundamental notions which are strongly informed by contemporary experience in science and technology, although not exclusively from those domains. The pivotal place accorded here to learning and epistemology is not unwarranted, in view of their primacy in today's stream of action (innovation, daily life, and politics).
  • Aspectos cognitivos e sociais das práticas científicas Artigos

    Lacey, Hugh

    Abstract in Portuguese:

    Será um aspecto constitutivo dos juízos de aceitabilidade cognitiva de teorias o fato de serem feitos sob certas relações sociais que incorporam valores sociais específicos cultivados pelos pesquisadores (Helen Longino)? Ou será que fazer juízos corretos desse tipo é apenas uma conseqüência de interações sociais que ocorrem sob essas relações (Philip Kitcher)? Embora de maneira geral subscreva o segundo ponto de vista, faço uma distinção, ausente dos escritos de Longino e Kitcher, entre aceitação correta e endossamento (endorsement) de uma teoria, e defendo a tese de que a concepção de Longino aplica- se ao endossamento.

    Abstract in English:

    Is it constitutive of making judgments of the cognitive acceptability of theories that they are made under certain social relations that embody specific social values that have been cultivated among investigators (Helen Longino)? Or is making sound judgments of this kind just a consequence of social interactions that occur under these relations (Philip Kitcher)? While generally endorsing the latter view, I make a distinction, not made by the philosophers under discussion, between sound acceptance and endorsement of a theory, and argue that Longino's view applies to endorsement.
  • Neutralidade da ciência, desencantamento do mundo e controle da natureza Artigos

    Oliveira, Marcos Barbosa de

    Abstract in Portuguese:

    O objetivo deste ensaio é explorar o auto-controle como alternativa às práticas de controle ou dominação da natureza, no contexto dos problemas ecológicos, primeiro pelos indivíduos, depois pela sociedade e, por fim, pela ciência. O ponto de partida é uma análise em três componentes da tese da neutralidade da ciência, uma das quais a tese da neutralidade factual reflete o caráter puramente descritivo das proposições científicas e tem uma estreita ligação com o controle da natureza. A supervalorização do controle da natureza característica da modernidade, por sua vez, é vista como parte das causas dos problemas ecológicos, cuja superação demonstra a necessidade da adoção do auto-controle, não apenas pelos indivíduos, mas ainda mais crucialmente pela sociedade, sendo o auto-controle social incompatível com a dinâmica do sistema capitalista. Na seção final, identifica-se o auto-controle no domínio da ciência com a autonomia, mostra-se como a reivindicação tradicional da autonomia, baseada na neutralidade, não mais se sustenta, em virtude dos processos de mercantilização a que a ciência é submetida. Como conclusão, propõe-se uma modalidade alternativa de autonomia, em que a ciência é colocada não acima, mas ao lado de outras formas de conhecimento e outras instituições sociais.

    Abstract in English:

    The aim of this essay is to investigate self-control as an alternative to the practices of control, or domination of nature, in the context of ecological problems, first by individuals, then by society, and finally, by science. The starting point is an analysis of the thesis of the neutrality of science into three components, one of which the thesis of factual neutrality reflects the descriptive character of scientific propositions, and is strongly linked to the control of nature. The high value attributed to the control of nature characteristic of modernity is in turn seen as one of the causes of ecological problems. In order to overcome those problems, it is argued that the adoption of practices of self-control is needed, not only by individuals, but also, and more crucially, by society, and that social self-control is incompatible with the dynamics of the capitalist system. In the final section, self-control in the domain of science is identified with autonomy, and it is shown that the traditional claim of autonomy, made on the basis of neutrality, is no longer tenable, given the processes of commodification to which science is subjected to. To conclude, an alternative kind of autonomy is suggested, in which science is placed not above, but at the side of other forms of knowledge and other social institutions.
  • Formas do vivo e no vivo: imitar e/ou reproduzir a vida Artigos

    Marcovich, Anne

    Abstract in Portuguese:

    As questões relativas às formas e à morfologia adquiriram depois do século xviii uma posição central nas ciências e, particularmente, na biologia. Desde 1890, as formas surgiram na bioquímica a partir da noção de especificidade (fala-se da adequação entre moléculas como daquela entre uma chave e uma fechadura). As diferentes orientações na biologia (particularmente depois da revolução da biologia molecular, do desenvolvimento da biologia sistêmica, da biologia sintética e dos trabalhos claramente orientados para as escalas nanométricas) produziram significações diferenciadas das noções de forma e de especificidade. As diferentes perspectivas, nas quais elas são utilizadas, principalmente, na questão das fronteiras entre vivo e não vivo, entre natureza e artifício, ou, ao contrário, nas quais elas são eliminadas, substituídas, por exemplo, pelas noções de informação e de código, poderiam fornecer a chave para compreender a epistemologia profunda da pesquisa nesses domínios e os "paradigmas" que congregam pesquisadores que trabalham originalmente em comunidades científicas distintas. As análises aqui propostas apóiam-se principalmente na idéia de invariabilidade dos conceitos e das idéias que, mais ou menos explicitamente, possam assemelhar-se a princípios organizadores das atividades científicas.

    Abstract in English:

    Questions related to forms and morphology acquired a central position in the sciences after the xviii th century, particularly in biology. Since 1890, forms entered into biochemistry starting from the notion of specificity (fit among molecules is said to be like that of key and lock). Different orientations in biology (particularly after the molecular biology revolution and the development of systemic biology, synthetic biology and works clearly oriented to the nanometric scales) have attributed different meanings to the notions of form and specificity. The different perspectives on the one hand, those in which these notions are used, mainly in connection with the question of boundaries between the living and the non-living, and between nature and artificial and, on the other hand, those in which they are eliminated, replaced, for example, by the notions of information and code could provide the key to understanding the deep epistemology of research in these areas, and the "paradigms" that bring together researchers who begin their work in distinct scientific communities. The analysis proposed here is mainly based on the idea of invariability of concepts and ideas that, more or less explicitly, can resemble organizing principles of scientific activities.
  • Entrevista com Terry Shinn Entrevista

    Mariconda, Pablo Rubén
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