Percepção de docentes enfermeiros sobre a problemática ambiental: subsídios para a formação profissional em enfermagem

Percepción de los docentes de enfermería sobre la problemática ambiental: subsidios para la formación en enfermería

Cibelle Mello Viero Silviamar Camponogara Vanúzia Sari Graciele Erthal Sobre os autores

Resumos

O estudo objetiva compreender a percepção de docentes enfermeiros sobre a atual problemática ambiental, no intuito de obter subsídios para reflexões sobre a formação profissional em enfermagem. Trata-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa, do tipo descritivo-exploratória, realizada com docentes enfermeiros de um curso de enfermagem. Os dados foram coletados por meio de entrevista semiestruturada e analisados de acordo com as etapas da análise de conteúdo. Os docentes possuem uma concepção de meio ambiente como espaço de interação e local para existência humana. Também têm clareza acerca dos impactos da atual problemática ambiental sobre a vida humana, e suas consequências, inclusive para a saúde das pessoas. Compreendem que sua responsabilidade, no que tange as demandas ambientais é grande, havendo um entrelaçamento entre a esfera individual e profissional. Conclui-se que essas questões devem fazer parte da prática educativa, na formação de enfermeiros, no sentido de possibilitar a conscientização dos futuros profissionais.

Enfermagem; Educação em enfermagem; Docentes de enfermagem; Ecologia; Meio ambiente


El estudio pretende conocer la percepción de los docentes de enfermería sobre los problemas ambientales actuales con el fin de obtener subsidios para la reflexión sobre la formación profesional en enfermería. Se trata de un enfoque de investigación cualitativa con un estudio descriptivo-exploratorio, realizado con enfermeras en un curso de enfermería. Los datos fueron recolectados a través de entrevistas semi-estructuradas y analizados según los pasos de análisis de contenido. Los docentes tienen un concepto de medio ambiente como espacio de interacción y lugar para la existencia humana. También tienen claridad sobre el impacto de los actuales problemas del medio ambiente en la vida humana y sus consecuencias, incluso para la salud. Ellos entienden que su responsabilidad con respecto a las demandas del medio ambiente es grande, con una interrelación entre la esfera personal y profesional. Llegamos a la conclusión de que estas cuestiones deberían formar parte de la práctica educativa en la educación de enfermería, a fin de permitir la conciencia de los futuros profesionales.

Enfermería; Educación en enfermería; Docentes de enfermería; Ecología; Ambiente


The study aims to understand the perception of nurses-professors about the actual environmental problems in order to obtain subsidies for reflection on nursing professional training. This is a descriptive-explorative and qualitative research performed with nurses-professors from a Nursing Course. Data were collected through semi-structured interviews and analyzed according to the content analysis steps. The teachers consider the environment as the interaction space and place for human existence. Also, they have clarity about the impact of current environmental problems on human life and its consequences, including people´s health. They understand that their responsibility, in relation to the environmental demands, is great and there is an interlacing between individual and professional spheres. It is concluded that these issues must be part of the educational practice of nurses training in order to enable the awareness of future professionals.

Nursing; Nursing education; Nursing professors; Ecology; Environment


ARTIGO ORIGINAL

Percepção de docentes enfermeiros sobre a problemática ambiental: subsídios para a formação profissional em enfermagem

Percepción de los docentes de enfermería sobre la problemática ambiental: subsidios para la formación en enfermería

Cibelle Mello VieroI; Silviamar CamponogaraII; Vanúzia SariIII; Graciele ErthalIV

IEnfermeira. Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail: cibellemelloviero@gmail.com

IIDoutora em Enfermagem. Professora Adjunto da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail: silviaufsm@yahoo.com.br

IIIMestranda do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFSM. Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail: nuzia_sari@yahoo.com.br

IVMestranda do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFSM. Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail: gracieleerthal@gmail.com

Correspondência

RESUMO

O estudo objetiva compreender a percepção de docentes enfermeiros sobre a atual problemática ambiental, no intuito de obter subsídios para reflexões sobre a formação profissional em enfermagem. Trata-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa, do tipo descritivo-exploratória, realizada com docentes enfermeiros de um curso de enfermagem. Os dados foram coletados por meio de entrevista semiestruturada e analisados de acordo com as etapas da análise de conteúdo. Os docentes possuem uma concepção de meio ambiente como espaço de interação e local para existência humana. Também têm clareza acerca dos impactos da atual problemática ambiental sobre a vida humana, e suas consequências, inclusive para a saúde das pessoas. Compreendem que sua responsabilidade, no que tange as demandas ambientais é grande, havendo um entrelaçamento entre a esfera individual e profissional. Conclui-se que essas questões devem fazer parte da prática educativa, na formação de enfermeiros, no sentido de possibilitar a conscientização dos futuros profissionais.

Descritores: Enfermagem. Educação em enfermagem. Docentes de enfermagem. Ecologia. Meio ambiente.

RESUMEN

El estudio pretende conocer la percepción de los docentes de enfermería sobre los problemas ambientales actuales con el fin de obtener subsidios para la reflexión sobre la formación profesional en enfermería. Se trata de un enfoque de investigación cualitativa con un estudio descriptivo-exploratorio, realizado con enfermeras en un curso de enfermería. Los datos fueron recolectados a través de entrevistas semi-estructuradas y analizados según los pasos de análisis de contenido. Los docentes tienen un concepto de medio ambiente como espacio de interacción y lugar para la existencia humana. También tienen claridad sobre el impacto de los actuales problemas del medio ambiente en la vida humana y sus consecuencias, incluso para la salud. Ellos entienden que su responsabilidad con respecto a las demandas del medio ambiente es grande, con una interrelación entre la esfera personal y profesional. Llegamos a la conclusión de que estas cuestiones deberían formar parte de la práctica educativa en la educación de enfermería, a fin de permitir la conciencia de los futuros profesionales.

Descriptores: Enfermería. Educación en enfermería. Docentes de enfermería. Ecología. Ambiente.

INTRODUÇÃO

Há algumas décadas tem se intensificado, em nível mundial, os debates em torno dos impactos econômicos, sociais, culturais, ecológicos, dentre outros, de uma crise ambiental de proporção planetária. Dessa forma, as consequências (esperadas e inesperadas) dessa crise trazem importantes impactos sobre o modo de vida das pessoas. Esse contexto tem sido alvo de reflexões por parte de diversos estudiosos.

De acordo com alguns sociólogos contemporâneos1-2 vivemos um período de modernidade reflexiva, em que sentimos os impactos negativos do projeto de avanço técnico-científico e econômico, propalado na era da modernidade. Nesse sentido, estamos em meio a uma sociedade de risco, os quais estão disseminados por todo o tecido social, atingindo a todos, indistintamente, não podendo ser controlados. Os riscos ambientais, denominados de riscos de alta conseqüência, são densamente abordados como representativos desse pensamento.

O conceito de reflexividade é central no discurso desses autores, e de acordo com eles, na condição de sujeitos contemporâneos, sofremos os impactos negativos do progresso técnico-científico, mas isso não significa que façamos uma reflexão a respeito de determinado tema, o que impede uma reordenação de práticas sociais.1-2 Essa questão se apresenta como fundamental no desencadear de um debate em torno da temática ambiental, tendo em vista que, enquanto parte de uma sociedade de risco, dentre eles os ambientais, precisamos refletir sobre esse assunto visando o estabelecimento de ações, em nível individual e coletivo, que resultem em medidas de contenção de tal crise.

É fato que a problemática ambiental é uma emergência, e se reflete em uma crise do ser no mundo, com manifestações nos espaços internos do sujeito, nas condutas sociais autodestrutivas, no processo de degradação da natureza e da qualidade de vida das pessoas. Tem a incerteza como essência e chama a atenção pela prevalência da racionalidade cognitivo-instrumental, que agravou a situação atual do planeta, disseminando a idéia de dominação da natureza e seu uso, num processo compartimentalizador de conhecimento e práticas sociais.3

Nesse sentido, cabe demarcar que, diante do emaranhado de informações veiculadas na mídia, em livros, filmes e discursos políticos diversos, a concepção de meio ambiente tem sido direcionada ora a um viés puramente biologicista e representativo de um paradigma científico ainda dominante no Ocidente, ora compreendido (e, diga-se, muito recentemente) em termos mais abrangentes, assumindo um ideário de complexidade e de interação global.

Adentrando por esse mundo de significados e conceituações, parece-nos que uma tomada de consciência acerca da problemática ambiental exige mais do que ofertar simples visibilidade e legitimidade a problemática em si, mais do que meramente "sentir seus reflexos". Exige "um pensar sobre e agir sobre", ou seja, um orientar-se por princípios de um ideário ecológico, coerentes com o que se denomina sujeitos ecológicos, aqueles com crenças e valores que apontem para um jeito ecológico de ser.4

Trata-se de reconhecer e assumir que, para apreender essa problemática ambiental, se faz imperativo o nutrir de um olhar sobre o meio ambiente, em que a natureza integre uma rede de relações não apenas naturais, mas também sociais e culturais. Daí porque, toda aprendizagem, como ato dialógico, requer a compreensão das mútuas relações entre a natureza e o mundo humano.4

Diante dessa problemática, percebe-se a necessidade do envolvimento de um conjunto de atores sociais, inclusive, do universo educativo em todos os níveis, na busca da potencialização de outras racionalidades. No âmbito da formação profissional, no cenário universitário, essa questão é de suma importância, no sentido de oportunizar uma interface entre os diversos aspectos que envolvem o processo formativo, dentre eles, os atrelados as demandas sociais e ambientais. Isso envolve a adoção de abordagens metodológicas interdisciplinares, baseadas em valores e práticas sustentáveis, indispensáveis para estimular o interesse e o engajamento de cidadãos e cidadãs na ação e na responsabilização.3

Contudo, embora tal temática deva ser discutida nos vários níveis de ensino, formal ou informal, sabe-se que no processo formativo ainda é pouco debatida; mesmo que tenha suma importância, particularmente, em termos de formação profissional em saúde. Isso, considerando que os impactos negativos da destruição e desequilíbrio ambiental afetam, direta e indiretamente, a condição de saúde e de doença das populações, trazendo novas demandas à prática do cuidado, para as quais os profissionais precisam estar preparados.

Estudos recentes5-6 apontam escassez na abordagem da questão ambiental, especialmente, por parte de pesquisadores enfermeiros. A produção científica nacional sobre o tema é modesta, orientada por um viés biologicista, calcada em estudos epidemiológicos, persistindo importantes lacunas sobre o assunto, sob o ponto de vista da formação profissional e do trabalho em saúde.

Dessa forma, a construção de conhecimentos que favoreçam semelhante discussão, no cenário da formação profissional de enfermeiros é de extrema relevância, especialmente pela possibilidade de subsidiar uma ampliação do debate sobre a importante relação entre saúde e meio ambiente. Isso, sem sombra de dúvidas, favorece o processo reflexivo e o alcance, por parte dos futuros profissionais, de uma consciência ecológica; oportunizando a construção de valores que orientem um pensar e um agir proativos no tocante as atuais demandas impostas pela crise ambiental.

Diante disso, compete ao setor da saúde, não só prevenir os riscos ambientais provendo respostas para os impactos causados pela problemática ambiental, mas também atuar na redução de suas vulnerabilidades sociais, por meio de mudanças no comportamento individual, social e político, por um mundo mais justo e mais saudável.7 Com base nestas afirmativas, buscou-se desenvolver este estudo com o objetivo de compreender a percepção de docentes enfermeiros sobre a atual problemática ambiental, no intuito de obter subsídios para reflexões sobre a formação profissional em enfermagem.

METODOLOGIA

A pesquisa tem abordagem qualitativa, caracterizando-se como um estudo exploratório-descritivo. Foi desenvolvida junto a docentes enfermeiras de um Curso de Enfermagem de uma Universidade Federal do Sul do país.

A coleta de dados foi realizada nos meses de agosto a setembro de 2010. Considerando-se o caráter de subjetividade dessa busca, optou-se pelo uso da entrevista semiestruturada, constituída aqui por questões, elaboradas pelos próprios pesquisadores, na área da temática pretendida e que favoreceram o alcance dos objetivos estabelecidos. O encerramento dessas entrevistas deu-se por saturação dos dados, sendo a coleta finalizada com a sexta docente entrevistada.

A análise desses dados teve início durante o período de coleta e estendeu-se até o mês de novembro de 2010, sendo efetivada logo após a transcrição das entrevistas e a organização dos achados. Tendo em vista tratar-se de um estudo qualitativo, adotou-se o referencial de análise de conteúdo,8 como forma de apreciação do material levantado.

A pesquisa proposta foi submetida à aprovação da direção institucional onde foram coletados os dados e do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CEP), da Universidade Federal constituída cenário da busca. A pesquisa foi aprovada, por meio de Carta de Aprovação (CAAE 0129.0.243.000-10). Os sujeitos selecionados participaram do estudo somente após leitura, aceite e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, em conformidade com o proposto pela Resolução nº 196/96, do Conselho Nacional de Saúde. Foi garantido a esses participantes o anonimato, mediante o uso de código alfanumérico para designar cada respondente.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Para melhor compreensão do presente estudo, os depoimentos obtidos e as reflexões que se seguiram foram subdivididos em categorias de análise, com inter-relacionamento entre si. Para a composição desse manuscrito, foram selecionadas três das categorias originadas, sendo elas: o meio ambiente como espaço de interação e local para existência humana; a atual problemática ambiental: impactos sobre a vida humana; e responsabilidade ambiental: entrelaçamento entre a esfera individual e a profissional. As demais, voltadas à análise da estrutura curricular do Curso de Enfermagem em estudo, fazem parte de outra publicação científica.

Num momento inicial e inaugurando o processo de interpretação, é conveniente destacar, como primeira categoria de análise aquela que se produz a partir dos depoimentos que remetem à concepção de meio ambiente. Esta compreensão, abordada e revelada sob o ponto de vista dos docentes faz emergir dois significados quando se pensa em meio ambiente, a saber: ‘o meio ambiente como espaço de interação e local para existência humana'. O depoimento a seguir é revelador dessa forma de pensamento: [...] eu entendo o meio ambiente não só como você está lá e eu estou aqui, eu estou dentro deste meio ambiente, eu faço parte do meio ambiente. Eu não posso estar separado senão eu vou estar dentro de uma visão cartesiana, até fragmentada. Eu estou aqui nesse meio ambiente, eu faço parte desse meio ambiente, e eu posso agregar pontos positivos nesse meio ambiente ou não, depende da forma como eu agir e que eu interagir com esse meio (D1).

Na sequência, outra docente manifesta sua percepção, agregando uma visão de maior interação à idéia de meio ambiente: [...] eu acho que meio ambiente não pode ficar restrito a floresta e ao pantanal, a gente tem uma visão ambientalista no sentido de flora e fauna. Eu acho que meio ambiente é tudo, onde a gente está e como a gente vive. Então as relações, ambiente de trabalho, a casa. Enfim, tudo, onde eu estou vivendo, onde eu habito, onde eu convivo, onde eu me relaciono, isso pra mim também é meio ambiente (D4).

Na tentativa de se interpretar essas afirmações pode-se notar um conceito que ultrapassa o reducionismo presente na percepção naturalizada de meio ambiente (fruto gerado de uma vertente positivista), não raras vezes, encontrada em pesquisas científicas. A revisão sistemática produzida sobre o tema evidenciou, na área da saúde, uma predominância de publicações com um enfoque epidemiológico e biologicista; nas quais se enquadram conceituações de ambiente como a natureza em si e como fator etiológico e/ou preponderante para algumas patologias, no sentido restrito de uma noção de causa e consequência.6

Cabe salientar que, muito comumente, essa tentativa de conceituação de meio ambiente, logo evoca as palavras natureza, vida biológica, flora e fauna. Tal noção é ratificada e propagada em muitos livros escolares e nas telecomunicações, reforçando um ideário fragmentado e reducionista. Essas significações estão longe de representar um retrato objetivo e neutro, pelo contrário, configuram uma lente "naturalizada" (destaque do próprio autor), que tende a ver a natureza como o mundo de ordem biológica, essencialmente boa, pacificada, equilibrada, estável em suas interações ecossistêmicas, autônoma e independe do mundo humano. Ou então, quando essa interação (homem-ambiente) é focada, a presença do homem parece ser sempre problemática e funesta ao meio.4

É fato que os resultados do estudo, trazidos nos depoimentos anteriores, vem na contramão desse viés, no instante em que tem no ser humano, não mais um intruso de uma natureza dita selvagem e intocada, mas que, contrariamente, adquire uma relação de pertencimento a ela, por ser tal meio, espaço para sua existência interdependente, na medida em que é parte dele. Ao demonstrarem semelhante compreensão, os docentes aproximam-se de uma abordagem que traz à tona um sentido de ambiente do tipo teia de relações, que integra e faz interagir o social, o cultural e o natural em uma mesma noção formalizada.

Essa lógica, ainda que incipiente, encontra fundamentação nas obras de autores que buscam demarcar essa inter-relação entre os diferentes elementos que compõem a existência humana. É exemplo, Fritjof Capra,9-10 que, com base na física moderna, expressa uma visão holística e ecológica do planeta, pautada em uma concepção de mundo globalmente interligado, no qual fenômenos biológicos, psicológicos, sociais e ambientais são e estão interdependentes. Seu pensamento demanda uma perspectiva ecológica, obviamente não abarcada pelo mecanicismo (ainda) vigente, desafiando com isso, as coerências historicamente estabelecidas pela ciência. O meio ambiente, em uma visão sistemática, deixa de ser visto como uma máquina composta de uma infinidade de partes, e passa a ser descrito como um todo dinâmico, indivisível e inter-relacionado.

Além disso, há de se acrescer que na ocasião em que se aborda o meio ambiente sob uma óptica inter-relacional e de complexidades, abre-se caminhos que direcionam o vivenciado e trazido pelos docentes, para uma perspectiva socioambiental.4 Isso, na medida em que eles gestam um ideário de ambiente não somente enquanto local para a existência humana, mas também como esse espaço de e para inter-relação entre a cultura, a sociedade e a base física e biológica dos processos vitais.

Assim, esse ambiente não é mais alheio à vida social humana, mas é completamente penetrado e reordenado por ela. Atualmente, o que é natural está tão imbricadamente confundido com o que é social a ponto de não poderem mais ser afirmados como um ou outro, mas como um mesmo.2 Ou seja, propaga-se uma idéia de sociobiodiversidade enquanto tentativa de apreender a interação complexa entre sociedade e natureza, associando biodiversidade (diversidade biológica da vida natural) e sociodiversidade (diversidade social formada pelos diferentes grupos sociais e culturais que habitam o planeta).

Portanto, uma noção de meio ambiente socializada significa mais do que estar, o mundo natural, sendo marcado pela humanidade, e está além da ideia de que a natureza é independente do humano (natureza personificada). Ao contrário, significa que, esse meio, é também produto da decisão humana, influencia e é por ela influenciado.2 É um mergulho no diálogo entre sociedade e natureza, tomado como uma interação permanente, em que as partes se modificam mutuamente.4

Assim sendo, pode-se dizer que, entre os docentes pesquisados, há uma concepção que busca ultrapassar o mecanicismo cartesiano, na definição de meio ambiente, por apropriarem-se de discursos mais ampliados e sistêmicos. Obviamente, no entanto, conceitos não esgotam o mundo, e nunca abarcam a totalidade do real. Pelo contrário, são como lentes em nossa visão de realidade, não representando a única tradução desse mundo. Constituem-se, antes sim, em modos de recortá-lo, enquadrá-lo e, assim, tentar compreendê-lo.4 Daí porque a existência de uma definição mais abrangente não implique, necessariamente, uma capacidade prática nessa proporção, mas representa em si, pontos que direcionam a mutações, ao diferente, a lógicas mais abertas, sistêmicas e sociais de se ver e compreender o meio ambiente, exigindo aos poucos, ações que ultrapassem o abstracionismo para tornarem-se concretas.

Seguindo essa linha de pensamento, emergiu a partir dos depoimentos dos docentes, outra categoria relacionada ‘a atual problemática ambiental: impactos sobre a vida humana'. Essa categoria abarca depoimentos que fazem referência ao confronto dos docentes com a atual crise ambiental, daí sobrevindo um confronto com suas consequências e a dificuldade de tomada de consciência por parte das pessoas.

Por certo, a humanidade enfrenta hoje uma séria crise ambiental, de proporções imensas e capaz de afetar a globalidade planetária, não se limitando mais a pontos isolados do planeta. Uma crise que, nos últimos anos, tem sido evidenciada, particularmente, pela veiculação diária de informações em torno de catástrofes, esperadas e inesperadas, e de seus impactos ecológicos, sociais e sobre a saúde.

Esta divulgação acaba por levar a coletividade a sentir-se impactada e, até, amedrontada, na medida em que, há a compreensão de que tais catástrofes não representam meras evidências ou "probabilidades de"; mas sim ameaças reais e potenciais à vida. Daí o porquê da necessidade e da importância de discussões, debates e questionamentos em torno da questão ambiental, adentrando inclusive (e necessariamente) o âmbito da área da saúde.

Nesse sentido, há uma ênfase crescente em torno dessa problemática ambiental por parte de vários setores da sociedade moderna. Isso tem lógica, nas evidências de que a vida na Terra e da Terra está ameaçada por uma série de fatores, decorrentes do processo de degradação ambiental, dentre os quais: o aquecimento global, a extinção de espécies animais e vegetais e o aumento no número de eventos climáticos catastróficos, existindo, inclusive, o risco de um colapso planetário.11

À primeira vista, todos esses perigos ecológicos que enfrentamos, na modernidade, podem parecer semelhantes às vicissitudes da natureza, encontradas em épocas pré-modernas. O contraste, contudo, é muito nítido. Hoje, as ameaças ecológicas resultam de um conhecimento socialmente organizado (ou seja, da própria ação humana), mediado pelo impacto do industrialismo sobre os recursos naturais, configurando um novo perfil de risco introduzido pelo advento da modernidade.12

Essa crise e os riscos que dela decorrem não podem ser solucionados através de medidas simples e localizadas já que suas consequências também não são pontuais ou restritas, mas, atingem todo o planeta e são muito danosas. Assim sendo, é imperativa a construção de uma concepção de ecologia e meio ambiente que ultrapasse o mundo biológico, adentrando por dimensões filosóficas, sociais, culturais e econômicas.11

Considerando que esses riscos são parte da vivência dos docentes entrevistados, a problemática ambiental é sentida/captada por esses indivíduos no seu cotidiano, conforme expresso a seguir: [...] eu acho que é uma situação delicada e eu acho que a maioria das pessoas não esta sensibilizada. Agente acha que isso acontece com o outro, noutro lugar, que não é nosso o problema (D3).

Os sujeitos pesquisados denotam terem consciência (no sentido de verem e compreenderem) da complexidade que a crise ambiental abarca, e de como estão afetados pelos seus impactos, no dia-a-dia. [...] a nossa inserção nesse espaço ao modificar, produz também efeitos colaterais [...] o que a gente verifica é um consumo exagerado das nossas reservas energéticas, seja ela a água, seja o petróleo, seja ela a questão do ar, a poluição sonora, a poluição é... Enfim, todos os tipos de poluição (D6).

Diante de tudo isso, os docentes demonstram compreender a gravidade e a multidimensionalidade da problemática ambiental, razão pela qual apontam estratégias (embora tímidas) para o seu enfrentamento, elegendo a sensibilização e o processo reflexivo sobre o tema como passos essenciais para concretizar mudanças. Essas colocações são comprovadas em seus depoimentos: [...] meio ambiente já que ele é tudo e ele está sendo afetado no seu todo, no ar que respiramos, no assoreamento dos rios, nas chuvas torrenciais, que antes não aconteciam, nos vendavais, isso é uma resposta que o meio ambiente está dando ao mau uso dos homens. Se não houver uma conscientização das pessoas que também fazem parte desse meio ambiente, para mim, fazem parte desse meio ambiente, se não houver uma consciência mais crítica, mais ecológica de que cada um tem seu papel na conservação desse ambiente, a Terra realmente vai acabar (D1).

Dessa forma, há o reconhecimento da complexidade dessa situação e do quanto ela exige a sensibilização de indivíduos e coletividades, no sentido de promoverem-se ações que possam amenizar/reverter seus efeitos danosos. A natureza já está nos mostrando que há uma problemática bastante séria, justamente em relação ao clima, chuvas, secas, coisas que não aconteciam em nosso país. Hoje acontecem, tornados, chuvas intensas, regiões de seca. A natureza já está mostrando que a problemática é bastante acentuada e que é preciso fazer alguma coisa. Nós temos bastante coisa pra fazer, em relação ao ambiente (D2).

No entanto, o fato de haver esse confronto com a atual problemática ambiental e, inclusive, a identificação de situações ameaçadoras a vida do planeta e das pessoas, não significa que os sujeitos contemporâneos promovam um reordenamento de suas práticas sociais a ponto de provocar mudanças (de estilo de vida, por exemplo) em prol do desenvolvimento de ações de minimização do impacto ambiental.

A vida moderna é mais bem compreendida como um problema de contemplação rotineira, onde se pensa os riscos como possíveis de serem medidos e estimados com precisão, de jeito que o "futuro e seus riscos" não são mais do que o por vir, embora estejam reflexivamente organizados no presente, em termos de conhecimento de sua possibilidade.12 A questão é que estar continuamente "lembrando" dos riscos não faz disso um ato de reflexão, mas sim, um "reflexo" do que é possível ocorrer, com tendência a tornar-se, simplesmente, uma rotina.

Além de tudo isso, cabe refletir sobre a concepção histórica de meio ambiente, que tem norteado os rumos da humanidade, a qual centrada nos aspectos biológicos, mantém um distanciamento entre o natural e social, entre ser humano e natureza. Soma-se a isso a ideia de que, quando há um processo interativo, ele se dá com ênfase na noção de domínio do mundo natural. Assim sendo, a natureza é tão só extensão e movimento; é passiva, eterna e reversível, e ao humano cabe, conhecê-la e desvendá-la para dominá-la e controlá-la.13

Diante do exposto, surge a necessidade de que novos pressupostos orientem o olhar (ou os olhares) sobre este meio ambiente complexo, no sentido de valorizar sua complexidade sistêmica e social, integrando humano e natural. Isso tudo leva a entender que a problemática ambiental deve ser apreendida de acordo com o contexto em que está inserida, a partir do olhar dos múltiplos atores que com ela interatuam, buscando, por meio dos diversos saberes, construir uma nova racionalidade, que conceba o ambiente como parte da vida, como a própria existência humana.11

Nesse sentido e nessa direção, o que se deduz das colocações dos docentes é a tentativa de "fazer diferente", de agir diferente, que existe em alguns aspectos concretos (embora de maneira bastante limitada), ultrapassando o mero discurso. A esse respeito, vale ressaltar que, quando os sujeitos da pesquisa foram indagados acerca das ações ambientais realizadas em seu cotidiano, foram unânimes em relação ao descarte e separação do lixo em suas residências, conforme relato: [...] eu faço separação dos meus resíduos, eventualmente quando tem, algum material que eu acho que é possível ser passado para catadores que fazem a reciclagem eu faço dentro do meu espaço doméstico (D6).

Há que se considerar que, pelo fato de o lixo doméstico, em geral, não conter componentes perigosos, o método mais difundido para sua disposição final, uma vez privado de seus componentes recicláveis, é a acomodação em aterros sanitários. Contudo, não podemos deixar de discutir que, a eficiência de sua reciclagem depende e muito da coleta seletiva (que, infelizmente, não é muito difundida no Brasil) e mais ainda, de conscientização da sociedade em torno da imprescindibilidade desta reciclagem.14 Sem dúvida, há muito ainda o que se fazer em melhorias de técnicas para a questão do lixo, e isso exige, da sociedade e dos órgãos governamentais, um comprometimento dada à seriedade dessa questão.

Outra categoria emergida refere-se à ‘responsabilidade ambiental: entrelaçamento entre a esfera individual/social e a profissional', revelando que, para os docentes, ela se mostra de grande importância, inclusive na formação profissional, como está expresso abaixo: enquanto docente, enquanto cidadã, enquanto enfermeira, enquanto mãe, enquanto qualquer papel social que a gente desempenha. A responsabilidade ambiental, ela é coletiva, e a gente precisa pensar nisso, e nós enquanto órgão formador, formador de opinião, nós temos na mão um potencial pra disseminar essa responsabilidade (D4).

Como visualizado anteriormente, os docentes manifestaram no decorrer das entrevistas um entrelaçamento entre sua responsabilidade de cidadão e de profissional, enquanto professor. A preocupação com a formação de futuros enfermeiros, comprometidos com a causa ecológica, por meio de um olhar crítico-reflexivo é bastante evidenciada: eu tenho muita responsabilidade, não só como docente, mas enquanto ser humano [...]. Como docente, a minha responsabilidade seria maior em função da formação. Hoje dependendo do que a gente fala e forma são as pessoas de amanhã que serão outros formadores [...] tem que ver toda questão da preservação, de suscitar no aluno a discussão sobre isso e fazer com que ele repense, de forma crítica e reflexiva a questão do meio ambiente para ele poder ser um futuro preservador (D5).

No que se refere à responsabilidade ambiental, seja no campo da ética, da moral e no da educação, todos os processos e atividades educacionais e humanas revelam (e propõem) um conhecimento para ações e deveres de cidadania. O despertar para essa responsabilidade remete a interligação de paradigmas educacionais, com base no pensamento filosófico e crítico, de maneira a abordar valores, conceitos, crenças e saberes para um desenvolvimento ao mesmo tempo humano, social e ambiental.15 Sob esta ótica, cada professor pode contribuir para a construção desse entrelaçamento entre saúde e meio ambiente dentro da sua própria disciplina, levando em consideração a atual problemática ambiental e a urgência da formação de uma consciência sensível à garantia da sobrevivência da humanidade.16

Assim, há o intento de que reflexões acerca da responsabilidade profissional e sobre o processo educativo, numa lógica que inter-relacione saúde/meio ambiente, possam ampliar o pensamento, a capacidade de conhecer o mundo, de tomar decisões, fazer escolhas e de transformação de todos os envolvidos. Esse sentido de responsabilidade, que permeie a conduta do indivíduo enquanto cidadão, produzindo uma reflexão interior, conjuntamente com a prática docente, oportuniza uma ampliação/transformação do processo de formação profissional em enfermagem, rumo à construção da consciência ambiental, sendo, isso, o pretendido e o desejado para a necessária transformação social e construção da sustentabilidade ambiental.

Obviamente, é importante destacar que, a demarcação, dessa questão, como uma política institucional explícita, também é condição indispensável para a concretização de práticas educativas coadunadas com a busca do desenvolvimento da responsabilidade socioambiental no processo formativo. A preocupação com essa questão é evidente entre os docentes: eu acho que, como professora, nós temos uma responsabilidade de instigar nossos alunos a ampliar as lentes com as quais eles olham o mundo, e nessa ampliação, necessariamente, a questão ambiental é uma delas (D6).

De uma maneira geral, depreende-se dos discursos proferidos que, a noção de responsabilidade ambiental deve perpassar as esferas do "ser indivíduo-cidadão" e do "ser profissional", de tal forma que as práticas educativas, no processo de formação profissional em enfermagem, sejam coerentes com uma concepção de meio ambiente como espaço de inter-relação entre sociedade e natureza, e de prática de enfermagem com potencial para a sustentabilidade ambiental do planeta. Para tanto, tornam-se necessárias práticas educativas capazes de integrar ações sociais de caráter colaborativo, construídas com e não para os sujeitos, aliando saberes e práticas sociais cotidianas de intervenção na realidade local. Além disso, devem estar alicerçadas na criticidade dos educandos, com vista à transformação de comportamento e atitudes frente ao meio ambiente.3

Isso implica em mudança de paradigma, de percepção e de valores, no sentido de gerar um saber solidário e um pensamento complexo, aberto às indeterminações, à diversidade, à possibilidade de construir e reconstruir num processo contínuo de novas leituras e interpretações, configurando novas possibilidades de ação. O diálogo de saberes é a premissa que deve nortear essa estratégia, possibilitando a construção "de um pensamento crítico, criativo e sintonizado com a necessidade de propor respostas para o futuro, capaz de analisar as complexas relações entre os processos naturais e sociais e de atuar no ambiente em uma perspectiva global, respeitando as diversidades socioculturais".3:67

Nessa vertente, a prática formativa só encontrará adequada expressão num processo educativo em que o aluno e o professor tenham condições de, reflexivamente, descobrir-se e conquistar-se como sujeitos de sua própria destinação histórica (incluindo-se aí, os aspectos social, cultural e ambiental). Por isso, a discussão com os educandos, sobre o impacto ecológico nas ações cotidianas, enquanto cidadãos e profissionais da saúde é extremamente salutar para a formação acadêmica, no sentido de fazer-se um movimento capaz de tornar as pessoas mais conscientes de si e mais responsáveis com o ambiente, permitindo que a Terra permaneça habitável e sustentável para as gerações presentes e futuras.17

Dessa forma, a abordagem do meio ambiente passa a ter um papel articulador, religando conhecimentos e ressignificando conteúdos, uma vez que, "ao interferir no processo de aprendizagem sobre as condutas cotidianas que afetam a qualidade de vida, em todas as formas e dimensões, a educação ambiental promove saberes e fazeres para novas leituras da realidade".3:71

Isso se fundamenta na idéia da educação como caminho para tornar os docentes e os acadêmicos mais competentes, através do desenvolvimento da capacidade de aprender a aprender e saber pensar. Essas ações possibilitam, aos seres envolvidos, tomar decisões comprometidas com a sociedade que os constitui e que eles próprios contribuem para construir.18 Em geral, a idéia defendida é de que, a responsabilidade ambiental, quando verdadeiramente impregnada na prática educacional durante o processo formativo pode impulsionar a discussão de novas formas de entender as relações do homem com o meio, promovendo novas ações comportamentais.19

Num contexto de inseguranças e riscos, ao optar por uma "educação emancipatória e colaborativa, o/a professor/a pode potencializar a sua ação educativa, ao colocar-se a favor do diálogo, da participação, do respeito às diferentes opiniões e necessidades, de práticas educativas abertas, em currículos cotidianos que dialoguem com as demandas sociais e culturais da realidade local e planetária".3:77 A prática educativa, precisa igualmente ressaltar a importância de uma ética de vida sustentável, o que deve fazer parte das instituições de ensino superior, no intuito de alcançar-se a fundamental modificação de atitudes e comportamento dos seres humanos.20

Dessa forma, ao repensar o debate sobre a interface saúde e meio ambiente na formação de enfermeiros, é fundamental discutir acerca dessa responsabilidade ambiental, considerando-a um valor primordial para uma prática profissional ambientalmente correta. A responsabilidade ambiental, na medida em que gera mudança de postura, deve fazer parte não só da prática profissional, mas também do cotidiano das pessoas. Assim sendo, o papel docente, ambientalmente responsável e comprometido com sua prática, está atrelado a proposição de reflexões, de novos hábitos e novas posturas, que possibilitem, ao educando-futuro enfermeiro, o aprendizado de valores essenciais para a promoção da saúde e de melhor qualidade de vida às pessoas e para a preservação do planeta.

Diante disso, é oportuno fazer-se referência ao importante legado deixado por Florence Nightingale, precursora da enfermagem, que demonstrou, em sua prática, a relevância da interação entre ser humano e natureza, como forma de promoção do processo de cura e reabilitação. A retomada de seus pressupostos pode se constituir em estratégia para a solidificação do debate sobre a interface saúde e meio ambiente, no âmbito da formação em enfermagem, ampliando a reflexão sobre o tema e subsidiando práticas de cuidado aos seres humanos mais aderidas a pressupostos humanistas e sustentáveis.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo possibilitou compreender qual é a percepção nutrida por docentes enfermeiros em torno da atual problemática ambiental, no intuito de obter subsídios para reflexões sobre a formação profissional em enfermagem. Verifica-se que, a concepção encontrada, ultrapassa o reducionismo presente na percepção naturalizada de meio ambiente, aproximando-se de uma abordagem que traz à tona uma teia de relações, que integra e faz interagir o social, o cultural e o natural. Assim, pode-se dizer que, entre os docentes pesquisados, há um transpor do mecanicismo cartesiano, na definição de meio ambiente, por apropriarem-se de discursos mais ampliados e sistêmicos.

Em relação à problemática ambiental, os docentes demonstraram compreender sua gravidade e apontaram estratégias, ainda que tímidas para o enfrentamento dessa questão; elegendo a sensibilização e o processo reflexivo como passos essenciais para concretizar mudanças. Sendo assim, tratar sobre a relação saúde-meio ambiente no processo de formação profissional faz-se necessário, já que, sem dúvida, a sobrevivência e a saúde da humanidade estão na dependência de uma mudança de paradigma, no modo se relacionar com o meio ambiente.

A internalização da noção de responsabilidade ambiental, enquanto cidadão e docente, também observada entre os sujeitos, é fundamental para o desenvolvimento de práticas educativas, na formação de enfermeiros, que possibilitem a reflexão crítica sobre o tema, instigando o despertar de valores e posturas direcionados a um agir ambientalmente correto. A realização de estudos que aprofundem esse processo reflexivo, particularmente no que tange ao desenvolvimento de metodologias educativas em enfermagem, direcionadas a sensibilização dos futuros enfermeiros com relação à temática ambiental é fundamental, para que a profissão se coadune com importante tarefa de promover a sustentabilidade ambiental.

REFERÊNCIAS

1. Giddens A. As consequências da modernidade. São Paulo (SP): Unesp; 1991.

2. Beck U, Giddens A, Lash S. Modernização reflexiva: política, tradição e estética na ordem social moderna. São Paulo(SP): Unesp; 1997.

3. Jacobi PR, Tristão M, Franco MIGC. A função social da educação ambiental nas práticas colaborativas: participação e engajamento. Cad Cedes. 2009 Jan-Abr; 29(77):63-79.

4. Carvalho ICM. Educação ambiental: a formação do sujeito ecológico. São Paulo (SP): Cortez; 2004.

5. Camponogara S, Kirchhof ALC, Ramos FRS. Enfermagem e ecologia: abordagens e perspectivas. Rev Enferm UERJ. 2006 Jul-Set; 14(3):398-404.

6. Camponogara S, Kirchhof ALC, Ramos FRS. Uma revisão sistemática sobre a produção científica com ênfase na saúde e meio ambiente. Ciênc Saúde Colet. 2008; 13(2):427-39.

7. Organização Mundial da Saúde. Mudança climática e saúde humana - riscos e respostas. Brasília (DF): Organização Pan-Americana da Saúde; 2008.

8. Bardin L. Análise de conteúdo. Lisboa (PT): Edições 70; 2007.

9. Capra F. O ponto de mutação. São Paulo (SP): Cultrix; 1982.

10. Capra F. As conexões ocultas: ciência para uma vida sustentável. São Paulo (SP): Cultrix; 2002.

11. Camponogara S. Um estudo de caso sobre a reflexividade ecológica de trabalhadores hospitalares [tese]. Florianópolis (SC): Universidade Federal de Santa Catarina. Programa de Pós-Graduação em Enfermagem; 2008.

12. Guiddens A. Modernidade e identidade. Rio de Janeiro (RJ): Jorge Zahar; 2002.

13. Santos BS. A gramática do tempo: para uma nova cultura política. São Paulo(SP): Cortez; 2006.

14. Pinotti R. Educação ambiental para o século XXI: noBrasil e no mundo. 1ª ed. São Paulo (SP): Blucher; 2010.

15. Miranda DJP. Educação e percepção ambiental: o despertar consciente do saber ambiental para a ação do saber ambiental para a ação do homem na natureza. Rev eletrônica Mestr Educ Ambient. 2007 Jul-Dez [acesso 2010 Out 4]; 19:157-64. Disponível em: http://www.remea.furg.br/edicoes/vol19/art01v19a12.pdf

16. Viana PAMO, Oliveira JE. A inclusão do tema meio ambiente nos currículos escolares. Rev. eletrônica Mestr. Educ. Ambient. 2006 Jan-Jun [acesso 2010 Set 29] ;16:1-17. Disponível em: http://www.remea.furg.br/edicoes/vol16/art01v16.pdf

17. Siqueira-Batista R, Rôças G, Gomes AP, Albuquerque VS, Araújo FMB, Messeder, JC. Ecologia na formação do profissional de saúde. Rev Bras Educ Méd. 2009; 33(2):71-5.

18. Galiazzi MC. A pauta do professor na sala de aula com pesquisa. Rev eletrônica Mestr. Educ. Ambient. 2005 Jan-Jun [acesso 2010 Ago 15]; 14: 18-36. Disponível em: http://www.remea.furg.br/edicoes/vol14/art03.pdf

19. Adão NML. A práxis na educação ambiental. Rev. eletrônica Mestr. Educ. Ambient. 2005 Jan-Jun [acesso 2010 Set 10]; 14: 74-6. Disponível em: http://www.remea.furg.br/edicoes/vol14/art06.pdf

20. Santos SSC. O ensino educativo sobre o desenvolvimento sustentável na enfermagem: reflexões.Texto Contexto Enferm. 2002 Jul-Set;11(3):88-95.

  • Correspondência:
    Cibelle Mello Viero
    Rua Amaro Souto, 1057, ap. 02
    97590-000 – Centro, Rosário do Sul, RS, Brasil
    E-mail:
  • Recebido: 21 de Março de 2011

    Aprovação: 22 de Maio de 2012

    • 1. Giddens A. As consequências da modernidade. São Paulo (SP): Unesp; 1991.
    • 2. Beck U, Giddens A, Lash S. Modernização reflexiva: política, tradição e estética na ordem social moderna. São Paulo(SP): Unesp; 1997.
    • 3. Jacobi PR, Tristão M, Franco MIGC. A função social da educação ambiental nas práticas colaborativas: participação e engajamento. Cad Cedes. 2009 Jan-Abr; 29(77):63-79.
    • 4. Carvalho ICM. Educação ambiental: a formação do sujeito ecológico. São Paulo (SP): Cortez; 2004.
    • 5. Camponogara S, Kirchhof ALC, Ramos FRS. Enfermagem e ecologia: abordagens e perspectivas. Rev Enferm UERJ. 2006 Jul-Set; 14(3):398-404.
    • 6. Camponogara S, Kirchhof ALC, Ramos FRS. Uma revisão sistemática sobre a produção científica com ênfase na saúde e meio ambiente. Ciênc Saúde Colet. 2008; 13(2):427-39.
    • 7
      Organização Mundial da Saúde. Mudança climática e saúde humana - riscos e respostas. Brasília (DF): Organização Pan-Americana da Saúde; 2008.
    • 8. Bardin L. Análise de conteúdo. Lisboa (PT): Edições 70; 2007.
    • 9. Capra F. O ponto de mutação. São Paulo (SP): Cultrix; 1982.
    • 10. Capra F. As conexões ocultas: ciência para uma vida sustentável. São Paulo (SP): Cultrix; 2002.
    • 11. Camponogara S. Um estudo de caso sobre a reflexividade ecológica de trabalhadores hospitalares [tese]. Florianópolis (SC): Universidade Federal de Santa Catarina. Programa de Pós-Graduação em Enfermagem; 2008.
    • 12. Guiddens A. Modernidade e identidade. Rio de Janeiro (RJ): Jorge Zahar; 2002.
    • 13. Santos BS. A gramática do tempo: para uma nova cultura política. São Paulo(SP): Cortez; 2006.
    • 14. Pinotti R. Educação ambiental para o século XXI: noBrasil e no mundo. 1ª ed. São Paulo (SP): Blucher; 2010.
    • 15. Miranda DJP. Educação e percepção ambiental: o despertar consciente do saber ambiental para a ação do saber ambiental para a ação do homem na natureza. Rev eletrônica Mestr Educ Ambient. 2007 Jul-Dez [acesso 2010 Out 4]; 19:157-64. Disponível em: http://www.remea.furg.br/edicoes/vol19/art01v19a12.pdf
    • 16. Viana PAMO, Oliveira JE. A inclusão do tema meio ambiente nos currículos escolares. Rev. eletrônica Mestr. Educ. Ambient. 2006 Jan-Jun [acesso 2010 Set 29] ;16:1-17. Disponível em: http://www.remea.furg.br/edicoes/vol16/art01v16.pdf
    • 17. Siqueira-Batista R, Rôças G, Gomes AP, Albuquerque VS, Araújo FMB, Messeder, JC. Ecologia na formação do profissional de saúde. Rev Bras Educ Méd. 2009; 33(2):71-5.
    • 18. Galiazzi MC. A pauta do professor na sala de aula com pesquisa. Rev eletrônica Mestr. Educ. Ambient. 2005 Jan-Jun [acesso 2010 Ago 15]; 14: 18-36. Disponível em: http://www.remea.furg.br/edicoes/vol14/art03.pdf
    • 19. Adão NML. A práxis na educação ambiental. Rev. eletrônica Mestr. Educ. Ambient. 2005 Jan-Jun [acesso 2010 Set 10]; 14: 74-6. Disponível em: http://www.remea.furg.br/edicoes/vol14/art06.pdf
    • 20. Santos SSC. O ensino educativo sobre o desenvolvimento sustentável na enfermagem: reflexões.Texto Contexto Enferm. 2002 Jul-Set;11(3):88-95.

    Correspondência: Cibelle Mello Viero Rua Amaro Souto, 1057, ap. 02 97590-000 – Centro, Rosário do Sul, RS, Brasil E-mail: cibellemelloviero@gmail.com

    Datas de Publicação

    • Publicação nesta coleção
      08 Jan 2013
    • Data do Fascículo
      Dez 2012

    Histórico

    • Recebido
      21 Mar 2011
    • Aceito
      22 Maio 2012
    Universidade Federal de Santa Catarina, Programa de Pós Graduação em Enfermagem Campus Universitário Trindade, 88040-970 Florianópolis - Santa Catarina - Brasil, Tel.: (55 48) 3721-4915 / (55 48) 3721-9043 - Florianópolis - SC - Brazil
    E-mail: textoecontexto@contato.ufsc.br