O artigo explora os significados dos toldos e colunas na procissão de Corpus Christi de Lisboa durante os reinados de dom João V e dom José I. Frequentemente usados na Europa desde o século XVI, toldos e colunas tornaram-se sistematicamente utilizados com o suporte da Coroa portuguesa e outros agentes. A discussão parte da ideia de que os toldos, com as colunas, eram símbolos sagrados da reforma da procissão durante o século XVIII. Objetiva-se analisar os debates ocorridos no período sobre a forma e a composição material dos toldos, assim como sua conservação, uso, peso político e financeiro para a Câmara Municipal, a Coroa e os artesãos. Este artigo também discute a reforma da procissão, que excluía práticas tradicionais e populares e introduzia aqueles elementos materiais, tornando a performance mais solene. A análise focaliza a trajetória de alguns agentes envolvidos no processo.
Palavras-chaves:
Corpus Christi; Toldos; Religião material