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EDITORIAL

Ao tornarmos público o número um do sexto volume de Trabalho, educação e saúde, não poderíamos deixar de mencionar que, em janeiro, este periódico foi selecionado para ser indexado em mais uma base de dados, a saber, a LILACS - Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde. A nossa satisfação com esse fato deve-se a vários motivos, dentre eles o fortalecimento da circulação da revista, garantindo, ainda mais, a nossa inserção internacional no cenário da divulgação da produção acadêmica.

É bom ressaltar que, a exemplo da grande maioria dos periódicos, a nossa função política e social é a divulgação de conhecimentos científicos, compreendida na dimensão constitutiva de uma prática de reflexão da ciência que visa a contribuir para a educação de trabalhadores em geral e, no específico, de trabalhadores da saúde.

Como dito em números anteriores, a concepção deste periódico tem como "télos que o pensamento não sucumba ao fetiche da totalidade fechada, à vida social alienada, às várias formas que a dominação assume em nossa época". Os textos reunidos neste número partilham dessa finalidade, sendo constituída e ajudando a construir as diversas correntes do pensamento crítico.

O ensaio Notas sobre as inflexões da Teoria Crítica na formação técnica na saúde, de Isabel Brasil Pereira, relaciona a herança da Teoria Crítica, o problema da educação para a emancipação e a formação dos trabalhadores dos serviços de saúde, em contexto do capitalismo desigual e combinado. Com base em reflexões de Theodor Adorno, que tratam de explicitar as dificuldades de emancipação, a autora reflete a respeito do 'educar para o difícil' na formação dos trabalhadores da saúde - mediante uma sociedade marcada pela heteronomia - em contraponto a um processo de 'semiformação' promovida no âmbito da 'sociedade administrada'.

O artigo de Roberta Lobo, Tecnologia e desafios da educação brasileira contemporânea, remete à discussão conceitual sobre tecnologia. A partir da relação entre educação, cultura e tecnologia, o estudo volta-se para as mudanças do estatuto epistemológico da educação nos séculos XX e XXI. Com referência teórica centrada no pensamento de Herbert Marcuse, em especial em seus conceitos de 'racionalidade crítica' e 'racionalidade tecnológica', são analisadas possibilidades de a educação preparar os jovens para a participação no mundo da cultura através da exploração da imaginação histórica e estética, tendo como referência a produção audiovisual.

Auxiliares e técnicos da enfermagem na Saúde da Família: perfil sociodemográfico e necessidades de qualificação, de Francisco Rosemiro G. Ximenes Neto et al., tem por objetivo realizar um estudo exploratório-descritivo a respeito do trabalho realizado por técnicos de enfermagem que atuavam na Estratégia Saúde da Família, em alguns municípios do estado do Ceará, no período de março a abril de 2005, e as suas necessidades de qualificação.

O artigo O sofrimento no trabalho docente: o caso das professoras da rede pública de Montes Claros, Minas Gerais, de autoria de Maria Márcia Bicalho Noronha, Ada Ávila Assunção e Dalila Andrade Oliveira, faz uma reflexão sobre o adoecimento dos professores, partindo da identificação de possíveis interseções entre o excesso e o rigor das cobranças que não vêm acompanhadas das condições necessárias para a realização do seu trabalho e os relatos de frustração presente entre os professores.

Luciane Prado Kantorski, Fernanda Barreto Mielke, Sidnei Teixeira Júnior são os autores do artigo O trabalho do enfermeiro nos centros de atenção psicossocial, que almeja, no âmbito do contexto da reforma psiquiátrica brasileira, explicitar o processo de trabalho de serviços de saúde mental, no caso os centros de atenção psicossocial (Caps), e características dos pacientes, clientela e composição da equipe, com destaque para o perfil e as atividades desenvolvidas pelos enfermeiros.

O artigo de Roseli Figaro, Atividade de comunicação e de trabalho, discute o binômio comunicação e trabalho, concentrando-se na perspectiva da ergologia. O texto examina os conceitos de comunicação e de trabalho, propondo uma abordagem de pesquisa que permita melhor compreender esse binômio.

No artigo A importância do ergodesign na avaliação de CD-ROM sobre dengue e doença de Chagas na educação em saúde, os autores Denise Nacif Pimenta et al. realizam levantamento e análise/avaliação dos materiais digitais disponíveis no Brasil e em algumas instituições internacionais sobre dengue e doença de Chagas.

Paulo Gilberto Simões Dávila et al. relatam, no texto Avaliação da proposta de construção de um currículo interdisciplinar numa escola técnica de saúde, uma experiência que reflete espaços para a formação dos professores para o ensino na saúde, a partir da prática por eles desenvolvida na escola e o entendimento sobre as diferentes formas e níveis de integração curricular.

Neste número, Trabalho, educação e saúde traz entrevista realizada com Carmen Teixeira, professora associada do Instituto de Saúde Coletiva, da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA).

Por fim, o leitor dispõe de duas resenhas, sobre os livros Riqueza e miséria do trabalho no Brasil, por Vivian Aranha Sabóia, e Recursos críticos: história da cooperação técnica Opas-Brasil em recursos humanos para a saúde (1975-1988), por Maria Lúcia de Barros Mott.

Isabel Brasil

Angélica Ferreira Fonseca

Carla Macedo Martins

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    18 Out 2012
  • Data do Fascículo
    Jun 2008
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