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"Um desejo infinito de vencer": o protagonismo negro no pós-abolição

Resumos

Ultimamente, diversos estudos têm explorado o tema do protagonismo negro em Santa Catarina no período posterior à abolição da escravatura. Esses trabalhos têm analisado personagens, agenciamentos políticos, conexões sociais, fluxos culturais e interlocuções raciais. O objetivo deste artigo é apresentar um balanço inicial dessa produção acadêmica e, ao mesmo tempo, apontar questões, discutir problemas e identificar os desafios dessa nova área de pesquisa.

protagonismo negro; historiografia brasileira; pós-abolição; Santa Catarina; Brasil


Lately, several studies have explored the role of black people in Santa Catarina in the period after emancipation. These works have analyzed characters, policy actions, social connections, cultural streams and racial dialogues. The aim of this paper is to present an initial inquiry about this academic out put and at the same time, to point out questions, discuss problems and identify the challenges of this new area of research.

black protagonism; Brazilian historiography; post-abolition; State of Santa Catarina; Brazil


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  • Antonio Luigi Negro e Sergio Silva As peculiaridades dos ingleses e outros artigos. Orgs.. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2001.
  • 1
    Cf. GARCIA, Fábio. Negras pretensões: a presença de intelectuais, músicos e poetas negros nos jornais de Florianópolis e Tijucas no início do século XX. Florianópolis: Umbutu, 2007, p. 51.
  • 2
    Disputando com os nomes dos abolicionistas José do Patrocínio e André Rebouças, o poeta negro João da Cruz e Souza foi a figura escolhida como patrono do Centro Cívico. Nascido na cidade de Nossa Senhora do Desterro, hoje Florianópolis, em 1861, era filho de Guilherme, um escravo, e Carolina Eva da Conceição, uma forra. Graças à ajuda do Marechal Guilherme Xavier de Sousa, estudou nas melhores instituições de ensino, época em que revelou seu pendor literário. Com o tempo, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde se projetou no mundo das letras. Considerado o inaugurador (e principal expoente) da poesia simbolista no Brasil, teve sua vida marcada pela incompreensão, pelas barreiras da cor e pelas constantes dificuldades financeiras. Faleceu em Minas Gerais, em 1898. A respeito de Cruz e Souza, ver MURICI, Andrade. Atualidade de Cruz e Sousa. In: SOUSA, Cruz e. Obra completa. Organização e introdução de Andrade Murici. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000.
  • 3
    Quanto ao suposto pioneirismo da Associação dos Homens de Cor ou do Centro Cívico Cruz e Souza na história do associativismo negro em Santa Catarina no pós-abolição, não há consenso entre os especialistas. Claudia Mortari e Paulino de Jesus Cardoso sustentam que a Sociedade 13 de Maio, fundada no município de Itajaí em 1906, foi a primeira agremiação negra de que se tem notícia no Estado (Cf. MORTARI, Claudia; CARDOSO, Paulino de Jesus. Territórios negros em Florianópolis no século XX. In: BRANCHER, Ana (Org.). História de Santa Catarina: estudos contemporâneos. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 1999, p. 93). Essa afirmação, porém, deve ser relativizada, pois há indícios de terem surgido agremiações do gênero desde o final do século XIX. Arselle de Andrade da Fontoura e Janine Gomes da Silva, por exemplo, identificaram a existência do clube Instrução e Beneficência, agremiação de negros criado na cidade de Joinville, em 1889, um ano depois da abolição da escravatura. Cf. FONTOURA, Arselle de Andrade; SILVA, Janine Gomes da. A presença negra em Joinville durante o século XIX. Série Pensamento Negro em Educação, NEN, Florianópolis, vol. 9, 2006, p. 49.
  • 4
    O relato de fundação do Centro Cívico Cruz e Souza baseou-se em MARCON, Frank Nilton. Visibilidade e resistência negra em Lages (1888-1918). Dissertação (Mestrado em História) - Programa de Pós-graduação em História, Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, 1999; e BRANCO, Mirian Adriana. Corpos nefastos - cidadania incerta. Em Lages, o Centro Cívico Cruz e Souza e a invenção da nação. Dissertação (Mestrado em História) - Programa de Pós-graduação em História, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2002.
  • 5
    Cf. PEDRO, Joana Maria et al. Negro em terra de branco: escravidão e preconceito em Santa Catarina no século XIX. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1988, p. 62.
  • 6
    Ver CUNHA, Olívia Maria Gomes da; GOMES, Flávio dos Santos. Quase-cidadão: histórias e antropologias da pós-emancipação no Brasil. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007.
  • 7
    A partir de meados da década de 1950, um grupo de cientistas sociais e jovens pesquisadores (Roger Bastide, Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, Otavio Ianni, Renato Jardim Moreira, entre outros), da Universidade de São Paulo, desenvolveram estudos sobre as relações raciais no Brasil a partir de uma perspectiva analítica nova: a das desigualdades e das discriminações raciais, relacionadas à modernização e à situação das classes sociais no país. A esse grupo de pesquisadores convencionou-se chamar de "Escola Paulista de Sociologia".
  • 8
    Eis as fontes consultadas por Fernando Henrique Cardoso e Otavio Ianni para a reconstrução do passado: jornais, documentos oficiais da Câmara e da Presidência da Província (correspondência, atas das sessões, entre outros), relatórios e discursos dos Presidentes da Província, levantamentos estatísticos e censos demográficos, relatos de viajantes e cronistas. Quanto às fontes utilizadas para a caracterização da situação de contato inter-racial, durante a pesquisa, foram as seguintes: entrevistas, relatos e depoimentos, histórias de clubes, associações e instituições, descrições de bailes, observação da população de cor e questionário aplicado à população do ensino médio.
  • 9
    "É preciso ressaltar", assinala Cardoso, "que a violência, a repressão e a coerção apontadas como as principais formas do controle social do comportamento do escravo noutras áreas do Brasil encontravam {-se } igualmente", em Florianópolis, "seja a exercida pelos senhores, seja a exercida pelas autoridades policiais". Cf. CARDOSO, Fernando Henrique; IANNI, Otavio. Cor e mobilidade social em Florianópolis: aspectos das relações entre negros e brancos numa comunidade do Brasil Meridional. São Paulo: Editora Nacional, 1960, p. 133.
  • 10
    Em mais de uma vez, Fernando Henrique Cardoso é enfático ao argumentar que o "escravo negro" constituiu "um coeficiente relativamente pequeno" da população de Santa Catarina: "por causa do pouco desenvolvimento econômico da área no período colonial e nos primeiros cinqüenta anos da Independência, não emergiu nenhum setor importante de produção onde fosse compensadora a inversão de capitais na mão-de-obra escrava". Como o "escravo negro" era em número irrelevante, teria cumprido "um papel muito reduzido na atividade econômica de Santa Catarina". Cf. CARDOSO, Fernando Henrique; IANNI, Otavio. Cor e mobilidade social em Florianópolis, op. cit., p. 10.
  • 11
    Quando a pesquisa foi realizada em Florianópolis, em julho de 1955, Fernando Henrique Cardoso tinha 24 anos e, Otavio Ianni, por volta de 28.
  • 12
    "Mostramos", concluem os autores, "como a discriminação racial operava rigorosamente com relação aos negros e seus descendentes mestiços, tanto sob a forma de discriminação econômica como social ou legal". Cf. CARDOSO, Fernando Henrique; IANNI, Otavio. Cor e mobilidade social em Florianópolis, op. cit., p. 235.
  • 13
    Idem, ibidem, p. 139.
  • 14
    Idem, ibidem, p.183.
  • 15
    Idem, ibidem, p. 226.
  • 16
    Cf. PEDRO, Joana Maria et al. Negro em terra de branco, op. cit., p. 19. Fernando Henrique Cardoso e Otavio Ianni não foram os únicos intelectuais a subestimar a importância, inclusive numérica, dos negros em Santa Catarina. Vale a pena consultar, nesse sentido, os trabalhos de Patrícia Freitas (O Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina: espaço de saber "qualificado". Esboços, Revista do Programa de Pós-graduação em História da UFSC, Florianópolis, v. 4, n. 4, 1996, p. 9-21; Margem da palavra, silêncio do número: o negro na historiografia de Santa Catarina. Dissertação (Mestrado em História) - Programa de Pós-graduação em História, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 1997), que realizou uma pesquisa sobre a forma como os intelectuais do Instituto Histórico e Geográfico do Estado trataram a questão do negro. Considerando os escritos produzidos por dois de seus integrantes, Oswaldo Rodrigues Cabral e Walter Fernando Piazza, a autora revela como o discurso histórico oficial procurou minimizar, quando não obliterar, a importância dos afro-descendentes na formação de Santa Catarina.
  • 17
    Para Frank Nilton Marcon, "o fato de a historiografia tradicional do estado ter identificado um número menor de escravos em relação a outras províncias no período Imperial, não é argumento suficiente para associarmos que tais números correspondessem a toda a população negra da região, pois faz-se necessário reconhecermos que houve um significativo número de descendentes de africanos livres ou libertos em Santa Catarina". Cf. MARCON, Frank Nilton. Visibilidade e resistência negra em Lages (1888-1918), op. cit., p. 5.
  • 18
    Cf. MAMIGONIAN, Beatriz Gallotti. Africanos em Santa Catarina: escravidão e identidade étnica (1750-1850). In: FRAGOSO, João Luis Ribeiro; FLORENTINO, Manolo Garcia; SAMPAIO, Antonio Carlos Jucá; CAMPOS, Adriana Pereira (Orgs.). Nas rotas do império: eixos mercantis, tráfico e relações sociais no mundo português. Lisboa: Instituto de Investigações Científicas Tropicais; Vitória: EDUFES, 2006, p. 609-644.
  • 19
    Ver CARDOSO, Paulino de Jesus Francisco. Negros em Desterro: experiências de populações de origem africana em Florianópolis, 1860-1888. Tese (Doutorado em História) - Programa de Pós-graduação em História, Pontifícia Universidade Católica, São Paulo, 2004.
  • 20
    Ver HASENBALG, Carlos Alfredo. Discriminação e desigualdades raciais no Brasil. Rio de Janeiro: Graal, 1979; e TELLES, Edward. Racismo à brasileira: uma nova perspectiva sociológica. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2003.
  • 21
    Maria das Graças Maria já havia apresentado os resultados parciais de sua pesquisa em artigo publicado em 1995. Ver MARIA, Maria das Graças. Memória subterrânea: construção das representações de identidade do negro em Florianópolis. Esboços, Revista do Programa de Pós-graduação em História da UFSC, Florianópolis, vol. 2, n. 2, 1995, p. 58-69.
  • 22
    Cf. MARIA, Maria das Graças. Imagens invisíveis de Áfricas presentes: experiência das populações negras no cotidiano da cidade de Florianópolis (1930-1940). Dissertação (Mestrado em História) - Programa de Pós-graduação em História, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 1997. José Ribeiro dos Santos, por exemplo, dirigente do clube de negros Brinca Quem Pode, teria laços de amizade com o governador Nereu Ramos, fato que proporcionava prestígio social a ele e ao clube. Segundo a autora, a presença do governador "no clube era freqüente, principalmente nos bailes de gala. {... } O Chefe do Executivo era presidente do Partido Liberal, que era o mesmo partido de José Ribeiro dos Santos, presidente do Clube. As relações entre o governador e o Clube eram muito amistosas. Isso pode ser evidenciado nas falas de algumas pessoas que representavam aquela entidade". Cf. MARIA, Maria das Graças. Imagens invisíveis de Áfricas presentes, op. cit., p. 154 e 204.
  • 23
    Disponível em <http://biblioteca.ibge.gov.br> {Nota do Editor }.
  • 24
    Cf. MARCON, Frank Nilton. Visibilidade e resistência negra em Lages (1888-1918), op. cit., p. 19-20.
  • 25
    Como pondera Marcon, a fundação de uma sociedade para os "homens de cor" em Lages "fora imbuída pelo caráter cívico, por ocorrer num momento em que o civismo estava latente no meio intelectual, no meio das elites, e até mesmo entre alguns setores populares. A comemoração e exaltação de datas cívicas pelos descendentes de africanos demonstrara o seu desejo de participar ativamente de um novo projeto de nação e inserirem-se como sujeitos históricos desse processo, como parte do seu todo. A percepção, por parte dos negros, de que a Abolição da Escravatura e a constituição republicana não os colocara efetivamente em igualdade de oportunidades econômicas e sociais em relação aos outros elementos nacionais, por carregarem o estigma da inferioridade racial, amadurecera progressivamente, durante as primeiras décadas da República, o sentimento de alteridade em relação a outros grupos sociais". Cf. MARCON, Frank Nilton. Visibilidade e resistência negra em Lages (1888-1918), op. cit., p. 135.
  • 26
    Idem, p. 146.
  • 27
    Cf. BRANCO, Mirian Adriana. Corpos nefastos - cidadania incerta. Em Lages, o Centro Cívico Cruz e Souza e a invenção da nação. Dissertação (Mestrado em História) - Programa de Pós-graduação em História, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2002, p. 17 e 32.
  • 28
    Ver SILVA, José Bento Rosa da. Do porão ao convés: estivadores de Itajaí (SC) - entre a memória e a história. Tese (Doutorado em História) - Programa de Pós-graduação em História, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2001.
  • 29
    Em 2009, Júlio César Rosa iniciou seu mestrado em História, na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), com o projeto de pesquisa intitulado Resistência e territorialidade: a construção de clubes e associações de afrodescendentes no Sul de Santa Catarina nos anos de 1930 a 1970.
  • 30
    "Estrategicamente", afirma Nunes, "Antonieta de Barros não apenas circulou, mas aliou-se ao que tudo indica, aos mais proeminentes nomes das oligarquias catarinenses não os confrontando. Pelo contrário, aspirando e reproduzindo os ideais de uma elite burguesa {... }. Como uma estrategista mesmo, evidenciando muita competência, soube jogar, articular, manejar habilmente as peças daquele imenso tabuleiro chamado 'vida' e conseguiu sobreviver ardilosa, não só ao seu tempo e à sua história, mas ao nosso tempo também, marcando com a sua trajetória as páginas da História Catarinense". Cf. NUNES, Karla Leonora Dahse. Antonieta de Barros: uma história. Dissertação (Mestrado em História) - Programa de Pós-graduação em História, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2001, p. 58.
  • 31
    Ver SCHIMDT, Benito Bisso. A biografia histórica: o "retorno" do gênero e a noção de "contexto". In: GUAZELLI, César Augusto Barcelos et al. Questões de teoria e metodologia da História. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2000, p. 121-129.
  • 32
    "Nossa trajetória pessoal na vida", afirma Nunes, "implica escolhas, quando nos decidimos por uma, imediatamente estamos renunciando outras noventa e nove. Talvez o segredo esteja em não lamentar as perdas e possibilidades das noventa e nove que deixamos para trás e assumir os riscos de nossa escolha. Antonieta {de Barros } escolheu aliar-se ao poder e assumiu-o, por certo estava ciente de sua decisão. Assim, se traçou um objetivo para sua vida e se este estava ligado à ideia de destacar-se, atingiu-o plenamente". Por isso, pondera a autora em outro momento, Maria da Ilha não conseguiu "manter-se fiel às suas convicções e às suas origens. Quando talvez tenha pressentido que seus ideais pessoais lhe escapavam, era tarde demais para revê-los, pois a morte já estava à espreita". Cf. NUNES, Karla Leonora Dahse. Antonieta de Barros: uma história, op. cit., p. 59 e 140.
  • 33
    Em 1987, o Grêmio Recreativo e Cultural Escola de Samba Acadêmicos do Samba prestou uma homenagem a Antonieta de Barros, fazendo de sua história tema do desfile carnavalesco daquele ano. Em 2001, comemorou-se o centenário de seu nascimento. Proposto pela então deputada Ideli Salvatti, o evento caracterizou-se por discursos apologéticos e sacralizadores de Maria da Ilha, de modo que o movimento negro catarinense resolveu elegê-la como heroína. Em seu trabalho, Karla Nunes relata um fato interessante. Para comemorar (ou marcar) o final do século XX, "o grupo RBS (Rede Brasil Sul, empresa que coordena atividades de comunicação em rádio, jornais e televisão) em parceria com a Telesc Brasil Telecom (empresa de telefonia) lançou um concurso para homenagear os nomes que 'ajudaram a construir a história de Santa Catarina'; por este, a população do Estado deveria eleger os 'Vinte Catarinenses Que Marcaram o Século XX'. Era uma lista extensa composta por cinqüenta nomes selecionados pelos pesquisadores Celestino e Sérgio Sachet, dentre os quais, o de Antonieta de Barros. Segundo nota do jornal Diário Catarinense, mais de um milhão de pessoas participaram da escolha. Figuraram nomes de empresários, esportistas, religiosos, educadores, artesãos, entre outros. Antonieta de Barros foi uma das vinte personalidades que marcaram, senão o século, pelo menos a vida, a lembrança ou a curiosidade dos que a elegeram". Cf. NUNES, Karla Leonora Dahse. Antonieta de Barros: uma história, op. cit., p. 70-71.
  • 34
    Idem, p. 9.
  • 35
    João Rosa Júnior foi maestro, regendo diversas bandas musicais, militares e civis, tanto em Santa Catarina quanto no Rio Grande do Sul. Quando o glaucoma agravou-se e ele perdeu a visão, por volta de 1920, Rosa Júnior fixou residência em Florianópolis. Consta, a partir dessa fase, sua dedicação ao ofício literário e à publicação de livros. Trajano Margarida e Ildefonso Juvenal da Silva, por seu turno, formaram "parceria em diferentes momentos de suas trajetórias profissionais. Juntos inauguraram a Associação dos Homens de Cor, em 1915, o Centro Cívico e Recreativo José Boiteux em 1920 e o Centro Catarinense de Letras, em 1925. Ainda no ano de 1915, Trajano Margarida apareceu como colaborador no jornal literário Folha Rosea, de propriedade de Ildefonso Juvenal. Além das instituições fundadas, ambos editaram, entre 1914-19, livros poéticos, peças teatrais e de história". Cf. GARCIA, Fábio. Negras pretensões: a presença de intelectuais, músicos e poetas negros nos jornais de Florianópolis e Tijucas no início do século XX. Florianópolis: Umbutu, 2007, p. 16-17. Uma curiosidade: Ildefonso Juvenal - que fez carreira na Força Pública, sendo nomeado 2ª. Tenente da corporação, em 1923 - foi informante, em 1955, da pesquisa de Fernando Henrique Cardoso e Otavio Ianni, da qual resultou a publicação do livro Cor e mobilidade social em Florianópolis. Como forma de gratidão, os sociólogos lhe dirigiram as seguintes palavras na "Introdução" do livro: "Agradecemos a colaboração sempre muito pronta e eficiente do grupo que investigamos, para o qual esperamos que este trabalho possa ter alguma valia". Cf. CARDOSO, Fernando Henrique; IANNI, Otavio. Cor e mobilidade social em Florianópolis, op. cit., p. XL.
  • 36
    Cf. GARCIA, Fábio. Negras pretensões, op. cit., p. 15.
  • 37
    Ver SILVA, José Bento Rosa da. Do porão ao convés: estivadores de Itajaí (SC) - entre a memória e a história. Tese (Doutorado em História) - Programa de Pós-graduação em História, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2001.
  • 38
    Idem.
  • 39
    "Tanto o Cruz e Sousa quanto o Humaitá foram extintos nos anos trinta, ficando os afrodescendentes de Itajaí órfãos de um território negro, de interação social, até a década de cinqüenta, quando novamente os trabalhadores portuários (estivadores), em sua maioria afrodescendentes, fundaram a Sociedade Cultural e Beneficente Sebastião Lucas, que permanece até os dias atuais, agora aberta a todos os segmentos étnicos, embora com a maior presença dos afrodescendentes". Cf. SILVA, José Bento Rosa da. Do porão ao convés, op. cit., p. 105.
  • 40
    Cf. GARCIA, Fábio. Negras pretensões, op. cit., p. 40.
  • 41
    "Análises cruzadas de relações raciais, étnicas e de classe", salientava Silvia Hunold em 1998, "permitem redimensionar as abordagens tradicionalmente empreendidas por historiadores e cientistas sociais, propõem novas questões, problematizam paradigmas explicativos e levam à investigação em novas fontes ou mesmo à releitura de fontes já utilizadas anteriormente". Cf. LARA, Silvia Hunold. "Blowin' in the wind": E. P. Thompson e a experiência negra no Brasil. Projeto História, São Paulo, n. 12, 1995, p. 36.
  • 42
    Cf. CARDOSO, Fernando Henrique; IANNI, Otavio. Cor e mobilidade social em Florianópolis, op. cit., p. 139-140.
  • 43
    Cf. MARIA, Maria das Graças. Imagens invisíveis de Áfricas presentes, op. cit., p. 170.
  • 44
    Idem, p. 65-66 e 195.
  • 45
    Ver SILVA, Joselina da. União dos Homens de Cor (UHC): uma rede do movimento social negro, após o Estado Novo. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) - Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2005.
  • 46
    Cf. MORTARI, Claudia; CARDOSO, Paulino de Jesus. Territórios negros em Florianópolis no século XX, op. cit., p. 97-100.
  • 47
    Quando Karine Pereira Goss empreendeu, entre 2001 e 2003, uma pesquisa sobre as trajetórias dos ativistas do Núcleo de Estudos Negros (NEN) - organização anti-racista criada em Florianópolis na década de 1980 -, ela observou que "praticamente não havia bibliografia sobre o movimento negro em Florianópolis". Cf. GOSS, Karine Pereira. Trajetórias militantes em uma organização do movimento negro de Florianópolis (SC). Série Pensamento Negro em Educação, NEN, Florianópolis, vol. 9, 2006, p. 145. Se, por um lado, não é possível concordar totalmente com o diagnóstico de Goss, por outro, vale registrar que, durante décadas, predominou o silêncio historiográfico em torno do tema da resistência negra em Santa Catarina no pós-abolição. Ao se perguntar sobre os caminhos (e descaminhos) palmilhados pela sociedade 24 de Maio, pelo Grêmio da Mocidade, de 1910; pela Associação dos Homens de Cor, de 1915; pelo Centro Cívico e Recreativo José Boiteux, de 1920, e pela sucursal da União dos Homens de Cor, não se tem ainda respostas qualificadas. Isto para mencionar apenas algumas agremiações da capital na primeira metade do século XX, pois, se abrangêssemos as agências afro-brasileiras de todo o Estado, ao longo de todas as décadas do pós-abolição, esse número se multiplicaria.
  • 48
    Uma das informantes de Maria das Graças Maria alega que, nos primeiros anos das escolas de samba em Florianópolis, as mulheres negras eram proibidas de desfilarem, barreira que só foi quebrada em 1952. Cf. MARIA, Maria das Graças. Imagens invisíveis de Áfricas presentes, op. cit., p. 161.
  • 49
    É escusado dizer que Antonieta de Barros é uma retumbante exceção, pois os trabalhos de Josefina da Silva (Antonieta de Barros - Maria da Ilha: discurso e catequese. Dissertação (Mestrado em Teoria Literária) - Programa de Pós-graduação em Teoria Literária, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 1991), Maria das Graças Maria (Imagens invisíveis de Áfricas presentes, op. cit.) e Karla Leonora Dahse Nunes (Antonieta de Barros: uma história, op. cit.) exploram, direta ou transversalmente, o itinerário dessa personagem. Mas o registro histórico de uma única afro-catarinense é pouco. Urge, portanto, pesquisar outras mulheres negras, sejam elas "ilustres" (como foi o caso de "Maria da Ilha"), sejam elas anônimas, procedentes de Florianópolis, ou das cidades do interior.
  • 50
    Cf. FONTOURA, Arselle de Andrade; SILVA, Janine Gomes da. A presença negra em Joinville durante o século XIX. Série Pensamento Negro em Educação, NEN, Florianópolis, vol. 9, 2006, p. 49.
  • 51
    Ver BRANCO, Mirian Adriana. Corpos nefastos - cidadania incerta, op. cit.
  • 52
    Ver LINHARES, Juventino. O que a memória guardou. Itajaí: Ed. Univali, 1997.
  • 53
    Cf. ILHA, Maria da {Antonieta de Barros }. Farrapos de ideias. 3.ed. Florianópolis: Imprensa Oficial do Estado de Santa Catarina, 2001 {1937 }, p. 159, 162 e 203. Como já comentado, Antonieta de Barros foi professora da rede de ensino de Florianópolis. Isto permite supor a presença de mulheres negras no magistério catarinense nas primeiras décadas do século XX? Talvez. Pelo menos para o período coevo, essa suposição vem ganhando força. Em pesquisa de 2006, Elizabete Paulina Gomes procurou reconstituir a trajetória discente e docente de quatro mulheres negras - Osvaldina da Rosa Vieira, Maria Eulália de Freitas Silva, Valdeonira Silva dos Anjos e Maria de Lourdes Costa Gonzaga -, pela via da história oral. Nascidas em Florianópolis entre 1927 e 1938, essas mulheres ingressaram no magistério nas décadas de cinquenta e sessenta, "em escolas isoladas, passando pelas reunidas e encerrando em grupos escolares". Mais do que apontar aspectos da infância, da formação primária e secundária, do casamento, da família e do lazer de quatro mulheres negras, a autora almeja demonstrar a efetiva participação desse segmento populacional na "construção da história da educação em Florianópolis". Ver GOMES, Elizabete Paulina. Professoras primárias: a construção profissional de alfabetizadoras negras em Florianópolis (1950-1970). Dissertação (Mestrado em Educação) - Programa de Pós-graduação em Educação, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2006.
  • 54
    Cf. GILROY, Paul. O Atlântico negro: modernidade e dupla consciência. São Paulo: Editora 34, 2001, p. 20.
  • 55
    Cf. SILVA, José Bento Rosa da. Do porão ao convés, op. cit.
  • 56
    Idem.
  • 57
    Idem.
  • 58
    Cf. MARIA, Maria das Graças. Imagens invisíveis de Áfricas presentes, op. cit., p. 157 e 178.
  • 59
    A título de exemplo, seria interessante investigar como a criação do Movimento Negro Unificado (MNU) em São Paulo, em 1978, com sua proposta afrocêntrica de afirmação cultural e identitária, foi difundida, apropriada e reapropriada pela mobilização racial em Santa Catarina.
  • 60
    Os documentos iconográficos permitiram a Maria das Graças Maria surpreender as populações negras em Florianópolis, no seu cotidiano, nos vestígios da sua cultura afro-diaspórica, nas suas relações de poder e de gênero. "As fotografias", argumenta Maria "auxiliaram na promoção da visibilidade dessas populações, pelo registro histórico inegável da presença e das experiências vividas". Cf. MARIA, Maria das Graças. Memória subterrânea: construção das representações de identidade do negro em Florianópolis, op. cit., p. 22.
  • 61
    Cf. PEDRO, Joana Maria et al. Negro em terra de branco, op. cit., p. 56; e PEDRO, Joana Maria et al. Escravidão e preconceito em Santa Catarina: história e historiografia. In: LEITE, Ilka Boaventura (Org.). Negros no Sul do Brasil: invisibilidade e territorialidade. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 1996, p. 240.
  • 62
    Cf. MORTARI, Claudia; CARDOSO, Paulino de Jesus. Territórios negros em Florianópolis no século XX, op. cit., p. 92.
  • 63
    Se é verdade que desde a abolição da escravatura, em 1888, e a proclamação da República, em 1889, todos os brasileiros passaram a ser considerados iguais perante a lei, com os direitos republicanos garantidos, não é menos verdade que os indivíduos, nas relações sociais, políticas e culturais concretas, eram avaliados e classificados com base na sua cor. "O que se vai perceber no período é que, para as populações de origem africana, as oportunidades de sobrevivência, principalmente no espaço urbano, tornaram-se cada vez mais difíceis". CfPEDRO, Joana Maria et al. Escravidão e preconceito em Santa Catarina: história e historiografia, op. cit., p. 242.
  • 64
    Ver COOPER, Frederick; HOLT, Thomas C.; SCOTT, Rebecca J. Além da escravidão: investigações sobre raça, trabalho e cidadania em sociedades pós-emancipação. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.
  • 65
    Ver LEITE, Ilka Boaventura. Descendentes de africanos em Santa Catarina: invisibilidade histórica e segregação. In: __________. (Org.). Negros no Sul do Brasil: invisibilidade e territorialidade. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 1996, p. 50.
  • 66
    Cf. BHABHA, Homi K. O local da cultura. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1998, p. 257.
  • 67
    Ver THOMPSON, Edward P. As peculiaridades dos ingleses e outros artigos. Orgs. Antonio Luigi Negro e Sergio Silva. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2001.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Jul-Dec 2011
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