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Trans/Form/Ação, Volume: 34, Issue: 1, Published: 2011
  • Palavra do editor

  • Plato, Al-fârâbî and Averroes: the ruler’s essencial qualities Artigos Originais

    Pereira, Rosalie Helena de Souza

    Abstract in Portuguese:

    A filosofia política que se desenvolveu no mundo islâmico, entre os séculos IX e XII, apropriou-se de conceitos da filosofia grega, principalmente de Platão e de Aristóteles. A República e as Leis, de Platão, e a Ética Nicomaqueia, de Aristóteles, foram os textos que fundamentaram as concepções políticas dos filósofos de expressão árabe, desde as virtudes a serem buscadas individualmente até a ideia do melhor regime político. Com base nos textos gregos traduzidos para o árabe, esses filósofos delinearam os objetivos da vida política e o modo como o regime político deveria ser estruturado para alcançá-los. A cidade ideal platônica é o paradigma a ser realizado. O tópico das qualidades essenciais ao soberano faz parte de uma longa tradição que remonta aos "espelhos dos príncipes" de origem persa; está presente também na tradição religiosa e no Direito islâmico. Dois grandes expoentes da filosofia de expressão árabe, Al-Fârâbî e Averróis, retomam o tópico das qualidades essenciais ao filósofo-rei, enunciado na República, e o adaptam a seu universo histórico¹.

    Abstract in English:

    The political philosophy that developed in the Islamic world between the 9th and 12th centuries assumed ideas from Greek philosophy, mainly from Plato and Aristotle. Plato's Republic and Laws, and Aristotle's Nicomachean Ethics were the texts that laid the foundation for the political conceptions of the Arab philosophers, from the virtues to be sought after individually, to the idea of the best political regime. Based on the Greek texts translated into Arabic, these philosophers outlined the aims of political life, and the manner in which the political regime should be structured to achieve these aims. The ideal Platonic city is the paradigm to be realized. The topic of the ruler's essential qualities is part of a long tradition which remounts to the "mirrors of the princes" of Persian origin; it also appears in the Religious tradition and in the Islamic law. Two great exponents of the Arab-islamic philosophy, Al-Fârâbî and Averroes, retrieved the topic of the ruler's essential qualities of the king-philosopher uttered in the Republic, and adapted it to their historical universe.
  • Law and violence or legitimizing politics in Machiavelli Artigos Originais

    Ames, José Luiz

    Abstract in Portuguese:

    Uma das mais famosas e inovadoras teses de Maquiavel é a afirmação de que as boas leis nascem dos conflitos sociais, segundo o exemplo romano das oposições entre plebe e nobres. Os conflitos são capazes de produzir ordem por conter a força constritiva própria da necessidade, que impede a ambição de reinar. Contudo, a lei não neutraliza o conflito, mas apenas lhe dá uma ordenação. A lei está, pois, exposta à história, à contínua mudança, o que significa dizer que é potencialmente corruptível. Por causa desta possibilidade, Maquiavel afirma que um Estado somente mantém sua autoridade por meio de um retorno contínuo ao momento da origem, isto é, à revivência da experiência do "medo", do "terror" e da "punição" do acontecimento originário da fundação. Assim, na origem da lei está a violência, cuja função é proporcionar a legitimação de seu exercício pelo aparato estatal como única forma de preservar da ruína a vida política.

    Abstract in English:

    One of the Machiavelli's most famous and innovative thesis states that good laws arise from social conflicts, according to the Roman Empire example of the opposition between plebs and nobles. Conflicts are able to bring about order in virtue of the characteristic constrictive force of necessity, which prevents the ambition to prevail. Nonetheless, law does not neutralize the conflict; just give it a regulation. So, law is subjected to history, to the continuous change, which means that it is potentially corruptible. On this account, Machiavelli says that a State can only maintain its authority through a continuous return to the originary moment, viz. to the revival of the experiences of "fear", "terror" and "punishment" lived in the originary event of the foundation. For that reason, in the origin of law is also the violence, whose combined function is to provide legitimacy to its exercise by the State apparatus as the only form to preserve political life from ruin.
  • The liberal and republican model of freedom: a disjunctive choice? Artigos Originais

    Ramos, Cesar Augusto

    Abstract in Portuguese:

    Este artigo tem por objetivo apresentar duas maneiras de compreender a liberdade: a liberdade negativa do liberalismo, definida como a esfera do livre agir do indivíduo pela ausência de impedimentos externos, e que se norteia pelo paradigma jurídico dos direitos individuais; e a liberdade política do republicanismo, que se define como não-dominação e se orienta pelo paradigma das virtudes cívicas da cidadania. Um outro propósito consiste em mostrar que a oposição entre o ponto de vista jurídico-liberal e o republicanismo não está na aceitação ou na recusa da liberdade e dos direitos individuais. A divergência repousa, antes, sobre a maneira pela qual essa liberdade e direitos podem ser fundamentados: se pela via do individualismo e subjetivismo, que subordina a sociedade e o direito como instrumentos para a realização e proteção dos direitos individuais, ou pela via comunitarista e cívica. Desse modo, o conceito republicanismo de liberdade, sem abandonar a conquista liberal do pluralismo e da liberdade negativa, pode contribuir para uma efetiva ampliação e garantia dos princípios democráticos de uma sociedade moderna.

    Abstract in English:

    The purpose of this article is presenting two ways of understanding freedom: the negative freedom of liberalism, defined as the sphere of the individual's freewill by the absence of improper external obstacles, oriented by the juridical paradigm of the individual rights; and the political freedom of republicanism, defined as no-domination and oriented by the paradigm of the citizenship's civic virtues. Another purpose is to show that opposition between the juridical-liberal point of view and the republicanism is not on the acceptance or in the refuse of freedom and individual rights. The distinction lies on the way which these liberty and rights can be founded: through the way of the individualism and subjectivism that subordinate society and law as instruments for the fulfillment and protection of individual rights, or through the communitarist and civic way. Being thus, the republican concept of freedom, without abandoning the liberal conquer of pluralism and negative freedom, may contribute for an effective enlargement and guarantee of the democratic principles of a modern society.
  • Language and formation in hegel´s theory of consciousness Artigos Originais

    Lima, Erick C. de

    Abstract in Portuguese:

    O trabalho pretende expor, em suas linhas gerais, a ligação, presente na teoria da consciência desenvolvida por Hegel, na Filosofia do Espírito de Jena, entre a formação da consciência, compreendida no bojo dos processos de individualização e desenvolvimento das capacidades prático-cognitivas, e a pré-articulação linguística da cognição. Para isso, o ponto de partida é a exposição dos aspectos gerais da teoria hegeliana da consciência, nessa fase. Em seguida, interpreta-se essa teoria da consciência, relacionando-a a processos societários de desenvolvimento de capacidades prático-cognitivas. A partir disso, procura-se então delinear os aspectos fundamentais da relação entre razão teórica e linguagem. Finalmente, discute-se a recuperação da consideração sobre a linguagem, no processo de formação da consciência.

    Abstract in English:

    This paper aims at presenting the connection between formative processes and the linguistic structure of cognition in Hegel´s theory of consciousness, developed in the Philosophy of Spirit (1803/04). First I consider the general aspects of Hegel´s above-mentioned theory of consciousness. Then I attempt to interpret this theory as related to formative processes of practical-cognitive capacities. After this the paper focuses on the relation of language and theoretical reason, as it is presented by Hegel in his Philosophy of Spirit. Finally, I analyze the linguistic structuration of cognition within the context of social processes of consciousness development.
  • Classes of tropes as Ersatz universals

    Marambio, José Tomás Alvarado

    Abstract in Spanish:

    Este trabajo considera el programa de reducción de universales por clases de tropos semejantes. Diversas cuestiones surgen acerca de la relación de semejanza: (1) ¿Presuponen los "respectos" de semejanza un universal? (2) ¿Induce un regres vicioso el hecho de que la relación de semejanza sea una relación? (3) Si hay diferentes respectos de comparación entre tropos, entonces hay espacio para las dificultades tradicionales contra el nominalismo de semejanza: la "comunidad imperfecta" y la "compañía". ¿Pueden ser manejados estos problemas con clases de tropos semejantes? (4) La relación de semejanza requerida es una "semejanza perfecta", esto es, una relación de semejanza transitiva, sin margen para grados y sin variación en los respectos de comparación entre tropos. ¿Hay clases de tropos exactamente semejantes? Después de consideradas estas cuestiones, parece que el defensor de los tropos tiene respuestas para las cuestiones (1), (2) y (3), pero parece no haber respuestas plausibles para la cuestión (4). Las clases de semejanza perfecta que van a reemplazar a los universales deben ser clases de tropos posibles y no hay formas razonables de explicar los hechos modales requeridos para estos tropos.

    Abstract in English:

    This work considers the program of reduction of universals by classes of resembling tropes. Several questions appear concerning the relation of resemblance: (1) Does not the "respects" for resemblance presuppose a universal? (2) Does not the fact that the relation of resemblance is a relation induce a vicious regress? (3) If there are different respects of comparison between tropes, then there is space for the traditional difficulties against resemblance nominalism: the "imperfect community" and the "companionship" difficulties. Can these problems be handled by classes of tropes? (4) The relation of resemblance required is "perfect resemblance", that is, a relation of resemblance transitive, with no margin for degrees, and with no variation in the respects of comparison between tropes. Are there any perfect resembling tropes? After consideration, it appears that the defender of tropes seems to have answers for the questions (1), (2) and (3), but it seems that there are no plausible answers for the question (4). The classes of exact resemblance that are going to replace the universals should be classes of possible tropes and there are no reasonable ways of explaining the modal facts required for these tropes.
  • The constitutive dimension of power in Hannah Arendt’s thought Artigos Originais

    Aguiar, Odílio Alves

    Abstract in Portuguese:

    O artigo investiga a concepção do poder em Hannah Arendt. O pano de fundo dessa reflexão, na autora, é o mal inerente às práticas de extermínio dos governos totalitários. A nossa exposição ressalta a dimensão constituinte do poder, na qual o poder está associado à capacidade de iniciar e de fundar ações com os outros. Nesse sentido, distancia-se da dimensão constituída do poder: Estado, governo e soberania. Em Arendt, poder diferencia-se de dominação. Os termos que compõem nossa abordagem são: mundo comum, condição humana, ação, espaço público, desobediência civil e potência.

    Abstract in English:

    This article investigates Hannah Arendt's conception of Power. She addressed this issue against the backdrop of the notion that practices of extermination performed by totalitarian regimes were inherently tainted by evil. This account is focused on the constitutive dimension power in that it associates power to the capacity of originating and founding actions performed together. State, government and sovereignty are not particularly analyzed here because they are derivative dimensions of power and not constitutional ones. Hannah Arendt defended a clear distinction between power and domination. The most important terms present in this work are: common world, human condition, action, public sphere, civil disobedience and potency.
  • Formula. A Bergsonian approach to utterance’s conditions

    Ruiz Stull, Miguel

    Abstract in Spanish:

    Tomada desde Artaud por Deleuze ya desde la redacción de Lógica del sentido (1969), la expresión de cuerpo sin órganos (CsO) no deja de causar al menos perplejidad. En su enunciación se traman puntos cruciales de la filosofía de Deleuze desde su teoría del acontecimiento y de la diferencia, pasando por una definición y una analítica del deseo, hasta una determinada noción de vida que articularía el proceso de su generación. Sin desestimar lo anterior y los profusos usos y determinaciones actuales que ha cobrado esta noción, nuestro propósito es vincular al CsO con la concepción de vida, que según nuestra lectura, se halla en la base de su formulación. Esto permanece en el texto como subyacente, y nuestra propuesta se inscribe en determinar el grado de influjo que posee el vitalismo de Bergson en la concepción de esta fórmula: desde este punto de vista es plausible sostener que el CsO es una operación que se funda de modo crucial en una lectura atenta al élan vital de bergsoniano. En suma, si el CsO es una involución creadora por definición de su proceso, no es sino porque su puesta en marcha significa y se efectúa en una constante y radical lucha que implica cada vez el desmontaje o desmembramiento de la idea de organismo.

    Abstract in English:

    Taken from Artaud by Deleuze and from the writing of Logic of Sense (1969), the expression of a body without organs (BwO) continues to cause at least perplexity. In his statement plots crucial points in the philosophy of Deleuze from his theory of the event and the difference, to an analytical definition and the desire, to a certain concept of life that would articulate the process of their conception. Without underestimating the above and the profuse use and current measurements that has claimed this, our aim is to link the BwO with the conception of life, which according to our reading, is at the source of their formulation. This remains the underlying text, and our proposal settle on to determine the degree of influence that has the vitalism of Bergson in the design of this formula: From this point of view is plausible that the CSO is an operation that is based on crucially on a careful reading of the bergsonian élan vital. In brief, if the BwO is an involution of their creative process by definition, is merely because their start-up means and takes place in a constant struggle and radical increasingly involves the subtraction or dismantling of the idea of organism.
  • Princípios do Direito da Guerra Tradução

    Becker, Evaldo

    Abstract in Portuguese:

    O texto Princípios do Direito da Guerra de Rousseau, integraria a segunda parte da obra maior planejada pelo autor e que se chamaria: Instituições Políticas. Neste texto Rousseau desenvolve uma rigorosa análise acerca do direito da guerra, na qual se contrapõe aos posicionamentos de Hobbes e de Grotius, autores que em seu entender, fizeram de tudo agradar aos poderosos e para despojar os povos de seus direitos, favorecendo o despotismo e a violência.

    Abstract in English:

    Rousseau's Principles of the Right of War were meant to be placed in the second part of the greatest work planned by him, which would have been called Political Institutions. In this text, Rousseau develops a thorough analysis concerning the right of war, in order to oppose the positions stated by Hobbes and Grotius, which, according to him, did everything they could to please the powerful and deprive the peoples of their rights, favoring despotism and violence.
  • Nietzsche como destino da filosofia e da humanidade? interpretação contextual do § 1 do capítulo "por que sou um destino", de ecce homo Tradução

    Stegmaier, Werner

    Abstract in Portuguese:

    A tradução que se segue é uma versão resumida e revisada do artigo "Schicksal Nietzsche? Zu Nietzsches Selbsteinschätzung als Schicksal der Philosophie und der Menschheit (Ecce Homo, Warum ich ein Schicksal bin §1)" - publicado originalmente em Nietzsche-Studien 37 (2008) - que foi especialmente preparada para ser apresentada em palestra organizada pelo Grupo de Pesquisa Spinoza & Nietzsche (SpiN), na Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 14/09/2009. No texto, o autor faz uso de sua própria metodologia filológico-hermenêutica, denominada interpretação contextual, com vistas a esclarecer os conceitos do primeiro aforismo de "por que sou um destino", de Ecce Homo no seu contexto próprio, no contexto de Ecce Homo e no contexto da obra de Nietzsche como um todo.

    Abstract in English:

    The following translation is a reduced and revised version of the paper Schicksal Nietzsche? Zu Nietzsches Selbsteinschätzung als Schicksal der Philosophie und der Menschheit (Ecce Homo, Warum ich ein Schicksal bin §1)" - originally published in Nietzsche-Studien 37 (2008) - which was specially prepared to be presented in lecture organized by the Grupo de Pesquisa Spinoza & Nietzsche (Spinoza & Nietzsche research group - SpiN), in the Universidade Federal do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro's Federal University), on September 14, 2009. In the text, the autor employs his own philological-hermeneutical methodology, which is called contextual interpretation, in the purpose to clarify the concepts of the first aphorism from "Why I am a destiny", from Ecce Homo, in its own context, in the context of Ecce Homo and in the context of the entire work from Nietzsche.
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