Variação de cortisol plasmático em pacientes deprimidos após tratamento com eletroconvulsoterapia bilateral

Daniel Fortunato Burgese Débora Pastore Bassitt Sobre os autores

Introdução:

Mais de 60 anos após a introdução da moderna psicofarmacologia, a eletroconvulsoterapia (ECT) continua essencial para o tratamento de distúrbios mentais, mas seu mecanismo de ação ainda não é totalmente conhecido. Certos hormônios têm um papel fundamental no desenvolvimento e expressão de uma série de alterações comportamentais. Um aspecto da influência dos hormônios nos comportamentos é sua contribuição potencial para a patofisiologia dos distúrbios psiquiátricos e o mecanismo de ação de psicotrópicos e da ECT.

Objetivo:

Os níveis do hormônio cortisol no sangue foram medidos em pacientes com depressão unipolar classificados de acordo com a 4ª edição do Manual Estatístico e Diagnóstico de Transtornos Mentais (DSM-IV), e os resultados foram comparados com os níveis encontrados em adultos saudáveis.

Métodos:

Os níveis de cortisol no sangue foram medidos antes do início do tratamento com ECT, na sétima e na última sessão, após a conclusão do tratamento. Os sintomas de depressão foram avaliados usando o Inventário de Depressão de Beck (BDI).

Resultados:

Os níveis de cortisol permaneceram estáveis tanto nos pacientes masculinos quanto femininos entre a sétima e a última sessão de ECT; os valores variaram 0,686±9,6330 g/ dL entre as pacientes femininas, e houve uma diminuição de 5,825±6,0780 g/dL (p = 0,024). O número médio de sessões de ECT foi 12. Após a sétima e a última sessão de ECT, os níveis de cortisol nos pacientes com depressão e nos indivíduos no grupo controle foram semelhantes, enquanto os resultados da escala BDI permaneceram diferentes.

Conclusão:

Os níveis de cortisol diminuíram durante o tratamento com ECT. A ECT parece atuar como reguladora do eixo hipotalâmico-hipofisário-adrenal.

Depressão; cortisol; ECT; distúrbios endócrinos; eixo hipotalâmico-hipofisário-adrenal


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