Trends in Psychiatry and Psychotherapy, Volume: 40, Issue: 3, Published: 2018
  • Early trauma, attachment experiences and comorbidities in schizophrenia Original Article

    Gabínio, Thalita; Ricci, Thaysse; Kahn, Jeffrey P.; Malaspina, Dolores; Moreira, Helena; Veras, André B.

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Objetivos Avaliar o padrão de apego em portadores de esquizofrenia e discutir a relação que tais padrões apresentam com a sintomatologia psicótica e as comorbidades dos pacientes investigados. Métodos Vinte pacientes diagnosticados com esquizofrenia de acordo com os critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição (DSM-5) foram submetidos a avaliação de sintomas retrospectivos e avaliação cuidadosa do número e modo de mudança de cuidador da infância. A Entrevista Diagnóstica para Psicoses e Transtornos Afetivos (DI-PAD) foi utilizada para avaliar sintomas relacionados à esquizofrenia (sintomas positivos e negativos), depressão e mania. As comorbidades de transtorno de ansiedade foram avaliadas pela Escala de Ansiedade Social de Liebowitz (LSAS), Escala de Sintomas Obsessivo-Compulsivos de Yale-Brown (Y-BOCS) e Entrevista de Pânico e Esquizofrenia (PaSI). Os instrumentos Questionário das Experiências nas Relações Próximas-Estruturas Relacionais (ECR-RS) e Inventário de Autorrelato de Trauma Precoce - Forma Curta (ETISR-SF) foram utilizados para avaliar padrões de apego e histórico traumático, respectivamente. Resultados Foram identificadas correlações significativas entre a ocorrência de traumas precoces e o apego do tipo ansioso. Também foi verificada a relação entre traumas gerais e sintomas de pânico, constatando-se que as crises de pânico antecipam surtos quando predominam sintomas ansiosos, somáticos, alucinações e ideias delirantes. Foi observado que a ocorrência de traumas precoces contribui para o pânico, elevando o risco de episódios psicóticos. Conclusão . Os resultados indicam que as adversidades ambientais na infância estão associadas com o risco de desenvolvimento de esquizofrenia e de outras psicoses mais tarde na vida.

    Abstract in English:

    Abstract Objective To evaluate attachment patterns in subjects with schizophrenia and their relationships to early traumatic events, psychotic symptoms and comorbidities. Methods Twenty patients diagnosed with schizophrenia according to criteria from the Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5th edition (DSM-5) underwent retrospective symptom assessment and careful assessment of the number and manner of childhood caregiver changes. The Diagnostic Interview for Psychosis and Affective Disorders (DI-PAD) was used to assess symptoms related to schizophrenia (positive and negative symptoms), depression and mania. Anxiety disorder comorbidities were assessed by the Liebowitz Social Anxiety Scale (LSAS), Yale-Brown Obsessions and Compulsions Scale (Y-BOCS) and Panic and Schizophrenia Interview (PaSI). Experience in Close Relationships – Relationship Structures (ECR-RS) and Early Trauma Inventory Self Report-Short Form (ETISR-SF) were used to assess attachment patterns and traumatic history, respectively. Results Moderate and significant correlations between attachment patterns and early trauma showed that greater severity of anxious attachment was predicted by a higher frequency of total early traumas (Spearman ρ = 0.446, p = 0.04), mainly general traumas (ρ = 0.526, p = 0.017; including parental illness and separation, as well as natural disaster and serious accidents). Among the correlations between early trauma and comorbid symptoms, panic attacks occurring before the onset of schizophrenia showed significant and positive correlations with ETISR-SF total scores and the sexual trauma subscale. Conclusion Children with an unstable early emotional life are more vulnerable to the development of psychopathology, such as panic anxiety symptoms. Traumatic events may also predict later schizophrenia.
  • Subjective well-being, religiosity and anxiety: a cross-sectional study applied to a sample of Brazilian medical students Original Article

    Machado, Leonardo; Souza, Camila Twany Nunes de; Nunes, Rosália de Oliveira; de Santana, Camila Novaes; Araujo, Camila Farias de; Cantilino, Amaury

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Objetivos: Avaliar associações entre bem-estar subjetivo (BES), religiosidade, ansiedade e outros fatores em uma amostra de estudantes brasileiros de medicina de uma universidade pública do nordeste do Brasil. Métodos: O presente estudo seguiu uma abordagem transversal, observacional, analítica. Os dados foram coletados por meio da aplicação de um questionário autoaplicável incluindo questões focadas em dados sociodemográficos e baseado na Escala de Satisfação com a Vida (SWL), Escala de Afeto Positivo e Afeto Negativo (PANAS), Questionário de Preocupação da Pensilvânia (PSWQ) e Índice de Religiosidade de DUKE (DUREL). Resultados: A amostra foi composta por 417 estudantes de medicina (73,54% de todos os alunos matriculados). Os estudantes avaliados apresentaram nível médio de satisfação com a vida, baixos níveis de emoções positivas e altos níveis de ansiedade/preocupação. Surpreendentemente, menor ansiedade e escores de religiosidade intrínseca (IR) foram associados com maiores pontuações nos dois parâmetros de BES (emoções positivas e satisfação com a vida). Além disso, os fatores atividades de lazer, boa qualidade do sono, apoio financeiro, idade e sexo foram associados aos maiores escores do BES (com componentes emocionais e cognitivos, ou apenas um deles). Conclusão: Os dados do presente estudo corroboraram a associação negativa entre BES e ansiedade; no entanto, contrariamente à literatura, eles também evidenciaram uma associação negativa entre BES e IR. Além disso, a presente pesquisa sinalizou a necessidade de criar programas de intervenção preventiva para aumentar o BES por meio de técnicas psicológicas positivas e/ou diminuir a ansiedade aplicando, por exemplo, paradigmas de terapia cognitivo-comportamental e/ou técnicas de mindfulness a estudantes de medicina.

    Abstract in English:

    Abstract Objective: To assess associations between subjective well-being (SWB), religiosity, anxiety and other factors in a sample of Brazilian medical students from a public university in northeastern Brazil. Methods: The present study followed a cross-sectional, observational, analytical approach. Data were collected by administering a self-applicable questionnaire composed of questions focused on sociodemographic data and based on the Satisfaction With Life Scale (SWL), Positive Affect and Negative Affect Scale (PANAS), Penn State Worry Questionnaire (PSWQ), and the Duke Religiosity Index (DUREL). Results: The sample comprised 417 medical school students (73.54% of all the enrolled students). The medical students assessed presented a medium level of satisfaction with life, low mean positive emotion levels and high anxiety/uneasiness levels. Surprisingly, lower anxiety and intrinsic religiosity (IR) scores were associated with higher scores in the two SWB parameters (positive emotions and satisfaction with life). Furthermore, the factors leisure activities, good sleep quality, financial support, age, and gender were associated with the highest SWB scores (with emotional and cognitive components, or with only one of these two components). Conclusions: Data in the current study corroborated the negative association between SWB and anxiety; however, in opposition to the literature, they also evidenced a negative association between SWB and IR. In addition, the present research signaled the need for creating preventive intervention programs to increase SWB through positive psychological techniques and/or to decrease anxiety by applying, for instance, cognitive-behavioral therapy paradigms and/or mindfulness techniques to medical students.
  • Community health services and risk of readmission in public psychiatric hospitals of Belo Horizonte, Brazil, 2005-2011 Original Article

    Volpe, Fernando Madalena; Braga, Isabela Pinto; da Silva, Eliane Mussel

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Introdução O fenômeno da reinternação psiquiátrica reflete não apenas a gravidade e cronicidade da doença de base, mas também a qualidade dos serviços de saúde. Ainda não há estudos incluindo a disponibilidade de recursos assistenciais extra-hospitalares como preditor da readmissão psiquiátrica, no contexto da reforma da assistência à saúde mental brasileira. Objetivo Correlacionar a disponibilidade de recursos de assistência extra-hospitalar das localidades de residência com o risco de readmissão psiquiátrica. Métodos Foram analisados todos os registros de internações ocorridas de 2005 a 2011 nos dois hospitais psiquiátricos públicos de Belo Horizonte (n=19.723). Foram coletadas variáveis relativas aos pacientes e às características da internação, e calculados indicadores de cobertura em saúde extra-hospitalar para cada localidade de residência e ano. O desfecho de interesse foi a reinternação precoce (<7 dias), de médio prazo (8-30 dias) e tardia (31-365 dias). A análise se deu por regressões de Cox. Resultados A cobertura de unidades básicas de saúde e de psiquiatras se associou a menores riscos de reinternação. A cobertura de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e de psicólogos não apresentou efeitos protetores. Pacientes jovens e do sexo masculino, assim como os residentes fora da capital, tiveram risco maior de reinternação precoce. Em comparação com outros transtornos psicóticos, os transtornos de humor e os transtornos neuróticos se apresentaram como fatores protetores para a reinternação. Conclusão A atenção regionalizada oferecida pelos CAPS não resultou em riscos reduzidos de reinternação.

    Abstract in English:

    Abstract Introduction The readmission phenomenon in psychiatry not only reflects the severity and chronicity of the underlying disorders, but also indicates the quality of mental healthcare. In the context of the Brazilian mental healthcare reform, no study has included the availability of outpatient care among the potential determinants for psychiatric readmission. Objective To correlate the availability of community healthcare resources at the place of residence with the risk of psychiatric readmission. Methods All admission records from 2005 to 2011 in the two public psychiatric hospitals of Belo Horizonte were included (n=19,723). Variables related to patients and characteristics of hospitalization were collected, and indicators of community healthcare coverage were calculated for each place of residence yearly. The outcome of interest was early (<7 days), medium-term (8-30 days) and late (31-365 days) readmissions. The analysis was based on Cox regressions. Results The coverage of basic health units and of psychiatrists was associated with lower readmission risks. Coverage of specialized centers for psychosocial attention (Centros de Atenção Psicossocial [CAPS]) and psychologists did not show any protective effects. Young, male patients and those residing outside the capital had greater risk of early readmission. Compared to other psychotic disorders, mood disorders and neurotic disorders were seen as protective factors for readmission. Conclusion Regionalized attention offered by the CAPS did not result in reduced readmission risks.
  • Quality of life in schizophrenic patients: the influence of sociodemographic and clinical characteristics and satisfaction with social support Original Article

    Guedes de Pinho, Lara Manuela; Pereira, Anabela Maria de Sousa; Chaves, Cláudia Margarida Correia Balula

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Objetivo Avaliar a relação entre as características sociodemográficas e clínicas e a satisfação com o suporte social com a qualidade de vida dos doentes com esquizofrenia. Métodos A amostra do estudo é de 268 participantes. Foi realizada uma entrevista para obter os dados sociodemográficos e clínicos e aplicados dois questionários para avaliar a qualidade de vida (World Health Organization Quality of Life instrument-Abbreviated version – WHOQOL-Bref) e a satisfação com o suporte social (Escala de Satisfação com o Suporte Social – ESSS). Foram efetuadas análises descritivas e inferenciais. Resultados A maioria dos indivíduos era do gênero masculino (63,4%), com uma média de idade de 45,4 anos, solteiros (85,4%), vivendo com a família (62,3%) e desempregados (90,3%). Relativamente às características clínicas, 50,7% tinham a doença há menos de 20 anos, e 55,6% estiveram internados pelo menos uma vez nos últimos 5 anos. Os resultados demonstraram que estar empregado e não ter sido internado nos últimos 5 anos estão positivamente relacionados com um ou mais domínios da WHOQOL-Bref. A satisfação com a intimidade (p<0,001) e a satisfação com os amigos (p<0,001) foram independentemente associados ao escore total da WHOQOL-Bref. Conclusão Ter emprego, não ter hospitalizações nos últimos 5 anos e estar satisfeito com o suporte social são fatores que influenciam positivamente a qualidade de vida dos doentes com esquizofrenia. Por conseguinte, é crucial que esses fatores sejam levados em conta nos programas de reabilitação com o suporte social, aumentando a rede de suporte, evitando recaídas e promovendo atividades ocupacionais.

    Abstract in English:

    Abstract Objective To evaluate the relationship of sociodemographic and clinical characteristics and satisfaction with social support with the quality of life of schizophrenic patients. Methodology This study included a sample of 268 participants. An interview was conducted to obtain sociodemographic and clinical data, supplemented with two assessment tools used to evaluate quality of life (World Health Organization Quality of Life instrument-Abbreviated version – WHOQOL-Bref) and satisfaction with social support (Social Support Satisfaction Scale – SSSS). Descriptive and inferential analyses were performed. Results Most individuals were male (63.4%), with a mean age of 45.4 years, single (85.4%), living with their family (62.3%) and unemployed (90.3%). As for clinical characteristics, most had the disease for less than 20 years (50.7%), and 55.6% had at least one hospitalization within the last 5 years. Being employed and having had no hospitalization within the last 5 years were positively correlated with one or more WHOQOL-Bref domains. The results of the variables intimacy (p<0.001) and satisfaction with friends (p<0.001) were independently related to the total WHOQOL-Bref score. Conclusion Having a job, having had no hospitalization within the last 5 years and having greater satisfaction with social support are factors that positively influence quality of life among schizophrenics. It is therefore crucial that the psychosocial rehabilitation of patients with schizophrenia take these factors into account, increasing the support network, preventing relapses and promoting occupational activities.
  • The relationship between insight and affective temperament in bipolar disorder: an exploratory study Original Article

    Silva, Rafael de Assis da; Mograbi, Daniel C.; Camelo, Evelyn V. M.; Amadeo, Luiza Nogueira; Santana, Cristina M. T.; Landeira-Fernandez, Jesus; Cheniaux, Elie

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Introdução Nos últimos anos, a associação entre temperamento e características clínicas dos transtornos de humor tem sido estudada. A maioria dos pacientes bipolares apresenta déficits na consciência de sinais e sintomas. A relação entre temperamento afetivo e insight em pacientes bipolares não tem sido relatada na literatura até o momento. Objetivo Avaliar a relação entre temperamento afetivo e insight no transtorno bipolar. Métodos Um grupo de 65 pacientes bipolares foi acompanhado por um ano. Os pacientes foram submetidos a uma avaliação clínica utilizando os critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição (DSM-5). O insight foi avaliado através da Escala de Insight para Transtornos Afetivos (ISAD), e o temperamento afetivo, através da TEMPS-Rio de Janeiro. A relação entre temperamento afetivo e insight foi explorada usando correlações de Spearman entre os escores de cada item da ISAD e as subescalas da TEMPS-Rio de Janeiro. Resultados Nas fases eutímicas, os bipolares com temperamento depressivo relacionaram-se com maior nível de insight sobre as consequências do transtorno; quando em mania, apresentaram melhor insight sobre ter um transtorno afetivo, apresentar alterações psicomotoras e sofrer de culpa ou grandiosidade. Da mesma forma, bipolares com maiores escores de temperamento ansioso, quando em mania, tiveram melhor percepção sobre alterações na atenção. Bipolares com escores mais altos de temperamento hipertímico, quando em mania, mostraram o pior insight sobre o curso do pensamento. Conclusão O nível de insight em pacientes bipolares, além de ser determinado pela fase da doença e por diversos sintomas, é influenciado pelo temperamento afetivo.

    Abstract in English:

    Abstract Introduction In recent years, the association between temperament and clinical characteristics of mood disorders has been studied. Most bipolar patients show deficits in their awareness of signs and symptoms. The relationship between affective temperament and insight in bipolar patients has not been carried out in the literature so far. Objective To evaluate the relationship between affective temperament and insight in bipolar disorder. Method A group of 65 bipolar patients were followed during a year. Patients underwent a clinical assessment and were diagnosed using criteria from the Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5th edition (DSM-5). Insight was evaluated through the Insight Scale for Affective Disorders (ISAD), and affective temperament, through the TEMPS-Rio de Janeiro. The relationship between affective temperament and insight was explored with Spearman rho correlations between scores on each item of the ISAD and on the TEMPS-Rio de Janeiro subscales. Results In euthymic phases, bipolars with depressive temperament were associated with a higher level of insight about the consequences of the disorder; when in mania, patients showed better insight about having an affective disorder, presenting psychomotor alterations, and suffering from guilt or grandiosity. Similarly, bipolar patients with higher scores of anxious temperament, when in mania, had better insight on alterations in attention. Bipolar patients with higher scores of hyperthymic temperament, when in mania, showed the worst insight about thought disorder. Conclusion In addition to being determined by the phase of the disease and several varying symptoms, the level of insight in bipolar patients is also influenced by affective temperament.
  • Approaching patients with hyperreflectivity and perplexity: an empirical qualitative investigation Original Article

    Arnfred, Sidse Marie; Møller, Paul; Davidsen, Annette Sofie

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Objetivo A perplexidade e a hiper-reflexão são consideradas aspectos importantes dos desordens do self em pacientes com esquizofrenia, porém o conhecimento sobre o tipo mais apropriado de psicoterapia para esses pacientes é escasso. Nosso objetivo foi explorar como psicologistas fenomenológicos ou psiquiatras descrevem suas abordagens a pacientes aos pacientes e sua própria resposta emocional, quando a hiper-reflexão e a perplexidade emergem durante a terapia ou as consultas. Métodos Quatro entrevistas feitas por e-mail com pesquisadores clínicos experientes na área de fenomenologia e esquizofrenia foram examinadas usando análise qualitativa dupla hermenêutica. Resultados Os informantes ofereceram confiança via autoridade e motivação para compartilhar experiências, interligadas, no início da terapia. Subsequentemente, eles seguiram relacionando expressões de hiper-reflexão e perplexidade a emoções, eventos de vida e objetivos. Eles descreveram sentimentos de admiração e reconhecimento profissional juntamente com preocupação, insegurança e tristeza. Conclusão A lista de tópicos primários engloba o que poderiam parecer intervenções terapêuticas muito básicas. No entanto, a forma cuidadosa e aberta como essas intervenções foram conduzidas é digna de nota. A tarefa dupla de estar atento às reflexões aéreas do paciente e, ao mesmo tempo, quando o paciente está pronto, cuidadosamente estabelecer relações com os domínios de sua vida diária, foi claramente moldada para pacientes com vínculo frágil.

    Abstract in English:

    Abstract Objective Perplexity and hyperreflectivity are considered important aspects of self-disorders in patients with schizophrenia, yet knowledge of the appropriate psychotherapy for these patients is sparse. We aimed to explore how phenomenological psychologists or psychiatrists described their approach to these patients and their own emotional response when hyperreflectivity and perplexity emerged in therapy or consultations. Methods Four e-mail interviews with experienced clinical researchers within the field of phenomenology and schizophrenia were examined using a double hermeneutic qualitative analysis. Results The informants offered reassurance by authority and the encouragement of sharing of experiences interlaced in the beginning of therapy. Later they went on relating expressions of hyperreflectivity and perplexity to emotions, life events and goals. They described feelings of admiration and professional recognition along with worry, insecurity and sadness. Conclusion The list of primary themes covers what might seem very basic therapeutic interventions. However, the careful and open-minded manner in which these were carried out was noteworthy. The double task of staying closely attuned to the patient’s airy reflections and, at the same time, when the patient was ready for it, carefully making links to domains of the patient’s everyday life, was clearly molded to patients with fragile attachment.
  • Impact of resilience on the improvement of depressive symptoms after cognitive therapies for depression in a sample of young adults Original Article

    Konradt, Caroline Elizabeth; Cardoso, Taiane de Azevedo; Mondin, Thaíse Campos; Souza, Luciano Dias de Mattos; Kapczinski, Flavio; da Silva, Ricardo Azevedo; Jansen, Karen

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Introdução Poucos estudos têm avaliado medidas positivas de resposta terapêutica. Assim, o objetivo deste estudo foi verificar os efeitos da resiliência na severidade dos sintomas depressivos e ansiosos após psicoterapia cognitiva breve para depressão. Métodos Trata-se de um estudo de intervenção clínica aninhado a um ensaio clínico com dois diferentes modelos de terapia cognitiva. A Resilience Scale foi aplicada no baseline, enquanto que a Hamilton Anxiety Rating Scale e a Hamilton Depression Rating Scale foram utilizadas no baseline, após a intervenção e no acompanhamento de seis meses. Resultados Sessenta e um pacientes foram avaliados no baseline, no pós-intervenção e no acompanhamento de seis meses. Os escores de resiliência foram significativamente diferentes entre as avaliações de baseline e pós-intervenção (p<0,001), bem como no baseline vs. acompanhamento de seis meses (p<0,001). Observamos uma correlação negativa fraca entre os escores de resiliência no baseline e os escores de sintomas depressivos no pós-intervenção (r=-0,295; p=0,015) e em seis meses de acompanhamento (r=-0,354; p=0,005). Além disso, observamos uma correlação negativa fraca entre os escores de resiliência e sintomas ansiosos no pós-intervenção (r=-0,292; p=0,016). Conclusão Indivíduos com maiores escores de resiliência na avaliação pré-tratamento apresentaram uma menor severidade de sintomas no pós-intervenção e no acompanhamento de seis meses.

    Abstract in English:

    Abstract Introduction Few studies have evaluated positive measures for therapeutic response. Thus, the objective of this study was to assess the effects of resilience on severity of depressive and anxious symptoms after brief cognitive psychotherapy for depression. Methods This was a clinical follow-up study nested in a randomized clinical trial of cognitive therapies. The Resilience Scale was applied at baseline. The Hamilton Anxiety Rating Scale (HARS) and the Hamilton Depression Rating Scale (HDRS) were used at baseline, post-intervention, and at six-month follow-up. Results Sixty-one patients were assessed at baseline, post-intervention and at six-month follow-up. Resilience scores were significantly different between baseline and post-intervention assessments (p<0.001), as well as at baseline and at six-month follow-up (p<0.001). We observed a weak negative correlation between baseline resilience scores and HDRS scores at post-intervention (r=-0.295, p=0.015) and at six-month follow-up (r=-0.354, p=0.005). Furthermore, we observed a weak negative correlation between resilience scores and HARS scores at post-intervention (r=-0.292, p=0.016). Conclusion Subjects with higher resilience scores at baseline showed a lower severity of symptoms at post-intervention and at six-month follow-up.
  • Socioeconomic diversities and infant development at 6 to 9 months in a poverty area of São Paulo, Brazil Original Article

    Tella, Patricia; Piccolo, Luciane da Rosa; Rangel, Mayra Lemus; Rohde, Luis Augusto; Polanczyk, Guilherme Vanoni; Miguel, Euripides Constantino; Grisi, Sandra Josefina Ferraz Ellero; Fleitlich-Bilyk, Bacy; Ferraro, Alexandre Archanjo

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Introdução Os efeitos das disparidades socioeconômicas no desenvolvimento cognitivo tendem a surgir no início da primeira infância e a se ampliar ao longo da infância, e podem perpetuar-se mais tardiamente. Embora estudos mostrando os efeitos deletérios de um menor nível socioeconômico (NSE) no desenvolvimento na primeira infância tenham aumentado nos últimos 20 anos, muitos desses efeitos ainda permanecem desconhecidos, especialmente durante o primeiro ano de vida. Objetivo Investigar a influência do NSE e da escolaridade materna no desenvolvimento linguístico, motor e cognitivo do bebê. Método Foram avaliadas as habilidades cognitivas, linguísticas e motoras de 444 lactentes com 6 a 9 meses de idade selecionados em um bairro de baixo NSE na zona oeste de São Paulo, Brasil, utilizando-se as Escalas Bayley de Desenvolvimento Infantil. Um questionário também foi administrado para coletar dados sobre o background socioeconômico das famílias das crianças participantes. Resultado Foi observada uma associação positiva entre NSE e o desempenho dos lactentes nas escalas de linguagem e desenvolvimento motor. Adicionalmente, maior educação materna esteve associada a escores mais altos nas escalas de desenvolvimento linguístico e cognitivo. Conclusão Os resultados deste estudo indicam que os efeitos do NSE são detectáveis muito cedo na primeira infância. Este resultado tem implicações para o timing de avaliações e intervenções que possam ajudar as crianças a superar as consequências de viver na pobreza.

    Abstract in English:

    Abstract Introduction The effects of socioeconomic disparities on cognitive development tend to emerge early in infancy and to widen throughout childhood, and may perpetuate later in life. Although the study of how poverty affects early childhood has increased in the last 20 years, many of the effects remain largely unknown, especially during the first year of life. Aim To investigate the influence of socioeconomic status (SES) and maternal education on infants’ language, motor and cognitive development. Methods The cognitive, language and motor skills of 444 infants aged 6 to 9 months selected from a poor neighborhood in São Paulo, Brazil, were evaluated using the Bayley Scales of Infant Development. A questionnaire on socioeconomic background was administered to the participants’ families. Results A positive association was found between SES and infants’ performance on language and motor scales. Additionally, higher maternal education was associated with higher language and cognitive scores. Conclusion Our findings indicate that SES effects are detectable very early in infancy. This result has implications for the timing of both screening and intervention efforts to help children overcome the consequences of living in poverty.
  • The overprescription of antidepressants and its impact on the elderly in Australia Brief Communication

    Alduhishy, Muath

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Introdução Os psicofármacos estão entre as medicações mais frequentemente prescritas no mundo todo, tornando o assunto da prescrição excessiva um assunto polêmico na medicina e na psiquiatria nos dias atuais. Método Foi feita uma revisão da literatura para investigar o tópico das prescrições dos medicamentos psicotrópicos. O escopo pretendido aqui é especificamente o uso de antidepressivos, ou melhor, seu uso excessivo, na Austrália, mas ele pode ser comparado ao uso de outros medicamentos psicotrópicos na maioria dos países ocidentais. O foco é direcionado ao grupo mais vulnerável de pacientes: os idosos. Resultados As últimas décadas testemunharam um aumento no uso de drogas psicotrópicas, principalmente antidepressivos, na Austrália e no mundo todo. Isso tem várias razões e também consequências, especialmente nos membros vulneráveis da sociedade. Conclusão Tem sido sugerido que a prescrição excessiva de antidepressivos é motivada pelo aumento na incidência de depressão, stress e ansiedade, ou devido à forma como as medicações psicotrópicas são comercializadas. No entanto, independentemente da validade das razões apontadas, outra explicações poderia ser sugerida: transtornos psiquiátricos, especialmente depressão, têm sido sobrediagnosticados em uma escala considerável, provavelmente levando a uma lista de consequências adversas significativas que afetam principalmente os grupos mais vulneráveis de pacientes. Afinal, pesquisas rigorosas deveriam ser conduzidas para examinar a extensão e o custo da prescrição excessiva de medicamentos psicotrópicos na sociedade.

    Abstract in English:

    Abstract Introduction Psychopharmaceutical medications are noted for being one of the most commonly prescribed drugs worldwide, which makes the issue of overprescribing them such a heated topic in medicine and psychiatry today. Method A literature review was made to investigate the topic of psychotropic medication prescriptions. The scope intended here is specific to antidepressant use, or rather overuse, in Australia, but it can be compared to the use of other psychotropic drugs in most western countries. The focus is directed towards the most vulnerable group of patients: the elderly. Results The past few decades have witnessed a surge in the use of psychotropic drugs, most notably antidepressants, in Australia and worldwide. This has numerous reasons as well as consequences, especially on vulnerable members of society. Conclusion It has been suggested that overprescription of antidepressants is fueled by the increase in the incidence of depression, stress and anxiety, or due to the way psychotropic medications are marketed. However, regardless of the validity of the said reasons, another explanation could be suggested: psychiatric disorders, namely depression, are being overdiagnosed on a considerable scale, probably leading to a list of significant adverse consequences that mostly affect the most vulnerable groups of patients. At the end, further rigorous research should certainly be undertaken to examine the extent and cost of overprescription of psychotropic drugs in society.
  • Characterization of neurological soft signs in a Brazilian sample of stable patients with schizophrenia Brief Communication

    Pedroso, Vinicius Sousa Pietra; Teixeira, Antônio Lúcio; Salgado, João Vinícius

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Introdução: Sinais neurológicos sutis (SNS) têm sido considerados características básicas e potenciais endofenótipos na esquizofrenia. O presente estudo procurou caracterizar os SNS em uma amostra de pacientes com esquizofrenia crônica e compará-los com indivíduos controles saudáveis. Métodos: Neste estudo, avaliamos a presença de SNS em uma amostra de pacientes estáveis (n = 24) com o diagnóstico de esquizofrenia de acordo com os critérios do DSM-IV, recrutados no Ambulatório de Esquizofrenia do Instituto Raul Soares, Belo Horizonte, MG, Brasil. A avaliação foi realizada com a Escala Motora Breve (BMS) e sinais extrapiramidais (SEP) foram observados com a Escala de Simpson-Angus (SAS) e a Escala de Movimentos Involuntários Anormais (AIMS). Um grupo controle (n = 21) também foi submetido à mesma bateria de testes. Resultados: Observamos uma diferença significativa em relação aos escores da BMS e da SAS (p < 0,0001), revelando que indivíduos com esquizofrenia apresentam mais SNS e SEP que indivíduos saudáveis. Os escores da BMS se correlacionaram positivamente com os da SAS (r = 0,495, p = 0,014), mas não com os da AIMS, indicando que os SNS podem ser influenciados pela intensidade de SEP. No entanto, observamos que essa relação permaneceu somente para as tarefas de coordenação motora (r = 0,550, p = 0,005), enquanto as tarefas de sequenciamento motor não foram influenciadas pelos SEP (r = 0,313, p = 0,136). Conclusão: Os resultados sugerem que os SNS são mais frequentes em pacientes com esquizofrenia e que tarefas de sequenciamento motor podem ser mais específicas na síndrome.

    Abstract in English:

    Abstract Introduction: Neurological soft signs (NSS) have been considered one of the target features and a potential endophenotype for schizophrenia. The present study aimed to characterize NSS in a sample of patients with chronic schizophrenia and to compare them with healthy control individuals. Methods: In this study, we evaluated the presence of NSS in a sample of stable patients (n = 24) diagnosed with schizophrenia according to DSM-IV criteria, recruited at the Schizophrenia Outpatient Clinic of Instituto Raul Soares, Belo Horizonte, state of Minas Gerais, southeastern Brazil. Assessment was made with the Brief Motor Scale (BMS), and extrapyramidal symptoms (EPS) were evaluated with the Simpson-Angus Scale (SAS) and the Abnormal Involuntary Movement Scale (AIMS). A control group (n = 21) was also submitted to the same battery of tests. Results: We observed a significant difference in relation to BMS and SAS scores (p < 0.0001), revealing that individuals with schizophrenia present more NSS and EPS than healthy ones. BMS total scores correlated positively with SAS scores (r = 0.495, p = 0.014), but not with AIMS scores, indicating that NSS could be influenced by the intensity of EPS. Nevertheless, we observed that this relationship remained only for motor coordination tasks (r = 0.550, p = 0.005), while motor sequencing tasks were not influenced by EPS (r = 0.313, p = 0.136). Conclusion: The results suggest that NSS are more frequent in patients with schizophrenia and that motor sequencing tasks could be more specific to the syndrome.
  • Temporal discounting and attention-deficit/hyperactivity disorder in childhood: reasons for devising different tasks Brief Communication

    Utsumi, Daniel Augusto; Miranda, Mônica Carolina

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Introdução: O desconto do futuro (DF) é um processo no qual uma determinada recompensa é vista como menos valiosa à medida que sua entrega é postergada. Existem dois tipos principais de tarefas de DF, hipotéticas e reais, sendo que ambas usam recompensas monetárias. Nos últimos anos, no entanto, variantes dessas tarefas têm sido adaptadas para avaliar grupos clínicos de crianças que apresentam comportamento impulsivo, como no caso do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH). Objetivo: Revisar e discutir os estudos realizados nos últimos 10 anos sobre o uso de tarefas de DF na avaliação de pacientes pediátricos com TDAH. Método: Para esta revisão de literatura, os artigos foram selecionados de forma não sistemática nas bases de dados PubMed, MEDLINE e SciELO, de forma a incluir estudos experimentais sobre o uso de ao menos um paradigma de DF para a avaliação e distinção de grupos com e sem TDAH. Resultados: Dos estudos avaliados, 76,19% utilizaram tarefas hipotéticas, seguidas de tarefas reais (28,57%) e, finalmente, de tarefas com diferentes tipos de recompensa, como brinquedos ou atividades recompensadoras (14,28%). Conclusões: Embora avaliadas em poucos estudos, tarefas reais e alternativas parecem ser eficazes na diferenciação de grupos clínicos e adequadas para investigação de funções executivas quentes na infância.

    Abstract in English:

    Abstract Introduction: Temporal discounting (TD) describes how a certain reward is seen as less valuable the more its delivery is postponed. There are two main types of TD tasks, hypothetical and real, both of which use monetary rewards. Over the last few years, however, variants of these tasks have been adjusted to assess clinical groups of children showing impulsivity as found in attention-deficit/hyperactivity disorder (ADHD). Objective: To review and discuss studies conducted over the last 10 years on the use of TD tasks in the assessment of pediatric patients with ADHD. Method: For this literature review, articles were non-systematically selected from PubMed, MEDLINE and SciELO databases to include experimental studies on the use of at least one TD paradigm to assess and distinguish ADHD and non-ADHD groups. Results: Of the studies assessed, 76.19% used hypothetical tasks, followed by real tasks (28.57%), and, finally, tasks using different types of reward, such as toys or rewarding activities (14.28%). Conclusions: Although assessed in few studies, real and alternative tasks appeared to be effective in differentiating clinical groups and suitable for investigating hot executive functions in childhood.
  • Suicide risk and childhood trauma in individuals diagnosed with posttraumatic stress disorder Brief Communication

    Bach, Suelen de Lima; Molina, Mariane Acosta Lopez; Jansen, Karen; da Silva, Ricardo Azevedo; Souza, Luciano Dias de Mattos

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Introdução O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) desenvolve-se após exposição a evento traumático grave. É uma condição clínica que pode levar ao desenvolvimento de comportamentos de risco, e sua detecção precoce é um aspecto relevante a ser considerado. O objetivo deste estudo foi verificar a associação entre trauma na infância e risco de suicídio em indivíduos com TEPT. Método Este foi um estudo transversal conduzido com indivíduos de 18 a 60 anos de idade avaliados em um ambulatório de pesquisa e extensão em saúde mental. O diagnóstico do TEPT e a identificação do risco de suicídio foram realizados através dos módulos específicos da Mini International Neuropsychiatric Interview (MINI-Plus). O Childhood Trauma Questionnaire (CTQ) foi utilizado para avaliar eventos traumáticos na infância. Resultados Dos 917 indivíduos avaliados, 55 foram diagnosticados com TEPT. A prevalência de risco de suicídio em indivíduos com TEPT foi de 63,6%. Os escores de negligência emocional e abuso emocional mostraram tendência a estarem mais elevados no grupo com risco de suicídio (p<0,2). Conclusão Nossos achados mostram a alta prevalência de risco de suicídio em indivíduos com TEPT e suportam a hipótese de que a investigação de experiências traumáticas na infância, especialmente a negligência e o abuso emocionais, poderá auxiliar na identificação precoce do risco de suicídio em indivíduos com TEPT.

    Abstract in English:

    Abstract Introduction Posttraumatic stress disorder (PTSD) develops after exposure to a potentially traumatic event. Its clinical condition may lead to the development of risk behaviors, and its early detection is a relevant aspect to be considered. The aim of this study was to assess the association between childhood trauma and suicide risk in individuals with PTSD. Method This was a cross-sectional study conducted with individuals aged 18 to 60 years who were evaluated at a mental health research outpatient clinic. PTSD diagnosis and suicide risk identification were performed using specific modules of the Mini International Neuropsychiatric Interview (MINI-Plus). The Childhood Trauma Questionnaire (CTQ) was used to evaluate traumatic events in childhood. Results Of the 917 individuals evaluated, 55 were diagnosed with PTSD. The suicide risk prevalence in individuals with PTSD was 63.6%. Emotional neglect and emotional abuse scores tended to be higher in the suicide risk group (p<0.2). Conclusion Our findings showed a higher prevalence of suicide risk in individuals with PTSD and support the hypothesis that the investigation of childhood traumatic experiences, especially emotional neglect and abuse, may help in the early detection of suicide risk in individuals with PTSD.
  • Coping strategies among caregivers of people with Alzheimer disease: a systematic review Review Article

    Monteiro, Alexandre Magno Frota; Santos, Raquel Luiza; Kimura, Nathália; Baptista, Maria Alice Tourinho; Dourado, Marcia Cristina Nascimento

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Introdução Cuidadores de pessoas com doença de Alzheimer relatam mais estresse, sobrecarga e depressão em comparação com cuidadores de pessoas com outras patologias, especialmente quando os sintomas neuropsiquiátricos são proeminentes. Estratégias adequadas de enfrentamento podem modificar o impacto de situações estressantes e aumentar a qualidade de vida do cuidador. Objetivo Revisar sistematicamente as diferentes estratégias de enfrentamento utilizadas pelos cuidadores para lidar com sintomas neuropsiquiátricos. Método Foi realizada busca eletrônica em artigos publicados entre janeiro de 2005 e julho de 2017 nos bancos de dados MEDLINE (PubMed), SciELO, Web of Knowledge Cross Search (Thomson Scientific/ISI Web Services) e PsycINFO. Os termos utilizados foram coping, caregivers, strategy, onset, adaptation, family, behavior, dementia and Alzheimer. Os artigos avaliados foram categorizados em estratégias de enfrentamento focadas na resolução do problema, na emoção e estratégias disfuncionais. Resultados Foram encontrados 2.277 artigos. Após aplicação dos critérios de exclusão, foram incluídos 24 artigos. A estratégia de enfrentamento mais utilizada foi a focada na emoção. O uso desta estratégia associada a religião e espiritualidade pode reduzir sintomas de depressão e ansiedade dos cuidadores. As estratégias de enfrentamento focadas na resolução do problema utilizaram principalmente intervenções baseadas no enfrentamento ativo. A resolução de problemas reduz o impacto dos estressores psicológicos agudos sobre a atividade procoagulante. As estratégias disfuncionais estavam associadas ao aumento da sobrecarga dos cuidadores. Conclusão Os estudos mostraram que o desenvolvimento e uso de estratégias de enfrentamento pode aliviar sintomas depressivos, ansiosos e sobrecarga do cuidador. No entanto, ainda são necessários estudos longitudinais que descrevam claramente o tipo de estratégia de enfrentamento utilizada em relação aos desfechos das pesquisas.

    Abstract in English:

    Abstract Introduction Caregivers of people with Alzheimer disease (PwAD) report significant stress, burden and depression compared to caregivers of people with other dementias, especially when neuropsychiatric symptoms are prominent. Adequate coping strategies can modify the impact of stressful situations and increase the caregivers’ quality of life. Objective To systematically review the different coping strategies used by caregivers of PwAD to manage neuropsychiatric symptoms. Method We carried out electronic searches using MEDLINE (PubMed), SciELO, Web of Knowledge Cross Search (Thomson Scientific/ISI Web Services) and PsycINFO databases to select studies on coping in PwAD caregivers published from January 2005 to July 2017. The search terms were coping, caregivers, strategy, onset, adaptation, family, behavior, dementia and Alzheimer. The studies were organized in three categories: problem-focused, emotion-focused and dysfunctional coping strategies. Results We found 2,277 articles. After application of exclusion criteria and exclusion of redundant references, 24 articles were analyzed. Emotion-focused coping was the most commonly used strategy among PwAD caregivers. The use of this strategy associated with religion and spirituality may help reduce symptoms of depression and anxiety. Problem-focused coping strategies were mostly used with active coping interventions. Problem-solving coping may have buffered the impact of acute psychological stressors on procoagulant activity. Dysfunctional coping strategies were associated with increase of caregiver burden. Conclusion The evaluated studies showed that the use and development of coping strategies may have ameliorated the depressive symptoms, anxiety and burden of caregivers. However, longitudinal studies are still needed that clearly describe the type of coping strategy used in relation to the presented results.
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