Open-access A dinastia corporatista

The corporatist dinasty

Resumo

Este ensaio examina a trajetória das formas mais recentes da teoria corporatista, em especial de suas versões democráticas – denominadas neocorporatista. Experiências positivas no terreno político, econômico e social, em particular as desenvolvidas em países europeus, ajudaram o corporatismo a distanciar-se do forte estigma moldado pelo fascismo e a recuperar seu espaço nos estudos das ciências sociais. No Brasil, a conformação da câmara do setor automotivo no início dos anos 90 revelou a emergência de mecanismos neocorporatistas na indústria. Circunscritos setorialmente e em um nível intermediário. Essa experiência que demonstrou eficácia econômica e política, é aqui analisada em sua dimensão mesocorporatista.

neocorporatismo; mesocorporatismo; câmara setorial; concertação ; políticas públicas; organização de interesses


Abstract

This essay examines the most recent forms of the corporatist theory, especially its democratic patterns – called neo-corporatists. Positive experiences in the social, economic and political fields, particularly those developped in European countries, have drawn corporatism away from the strong stigma generated by fascist practice, regaining importance as a social sciences theme. In Brazil, the birth of the automobile sectoral chamber at the beginning of the nineties revealed the emergence of neo-corporatist mechanisms in the industry, sectorially limited in an intermediate level. This experience, politically and economically effective, is analysed as a mesocorporatist institucional arrangement.

neo-corporatism; meso-corporatism; sectoral chamber; concertation; public policy; interests association


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Depoimento de Luiz Adelar Scheuer, então presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (1994).

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Depoimento de Vicente Paulo da Silva (1994).

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Ver a esse respeito o estudo sobre a Inglaterra de Kevin Bonnett (1985).

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A expressão encontrase em Alan Cawson (1986).

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As estruturas a que nos referimos não se confundem com o modelo sindical corporativista, analisado em suas características básicas por: Rodrigues (1990); Boito (1991).

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A expressão foi emprestada do poeta Augusto de Campos.

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Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa; O grande dicionário etimológico- prosódico da língua portuguêsa (1964), registra o termo como: "doutrina política, fascismo, sindicalismo, etc".

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Por exemplo, na língua inglesa, o adjetivo corporative significa: Governed or organized in corporations, esp. of employers and employed, e tem como substantivo a palavra corporativism; encontramos também o adjetivo corporate, que significa: forming a corporation (corporate body), e tem corporatism como substantivo, segundo o The Oxford dictionary of current english (1990). De acordo com o Latin Dictionary (1987), no latim clássico encontramos o adjetivo corporativus, significando "de ou pertencente à formação de um corpo"; e o substantivo corporatus, "membro de uma corporação", que podem estar na origem da diferenciação ocorrida no inglês, alemão e espanhol, mas que não ocorreu no português.

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Essa formulação foinos gentilmente elaborada pelo Prof. Dr. Francisco da Silva Borba, do Departamento de Linguística da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP, do campus de Araraquara. Outros pesquisadores do corporatismo, como o Prof. Dr. Walter Belik, do Instituto de Economia da UNICAMP e Fernando Soto Baquero, doutor pela UNICAMP, utilizam-se do mesmo neologismo. A tradução da obra de Mihail Manoilesco, O Século do Corporativismo, realizada por Azevedo Amaral, em 1938, utiliza indistintamente os termos corporativismo e corporatismo.

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Mais de uma vez Hobbes alertou-nos para a impertinência dos organismos intermediários entre o Estado e o indivíduo, como os partidos, as associações e as corporações que agiam, segundo o pensador, "como vermes nas entranhas de um homem natural" (Hobbes, 1952, p. 152).

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Grifos nossos.

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Foram nomeados pelo autor: a Suécia, Suíça, Noruega, Áustria, Espanha, Holanda, Dinamarca, Portugal, Grécia, Brasil, México, Chile e Peru (Schmitter, 1974, p. 99).

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De acordo com Peter Williamson, este artigo foi originalmente publicado como um paper, em 1974, para um seminário da International Political Science Association.

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Pouco tempo depois, Alan Cawson retomaria e ampliaria a trilha aberta por Lehmbruch (cf. Cawson, 1985a).

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Uma análise acurada do papel desempenhado pelo Estado no estabelecimento das estruturas sindicais (de empregados e de empregadores), na determinação do monopólio de representação e na organização compulsória dos segmentos produtores pode ser encontrada em Leôncio Martins Rodrigues (1990 e 1991).

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O fato de que muitas metas foram modificadas, cumpridas de modo parcial ou simplesmente deixadas de lado, não interferem, neste momento, em nossa discussão.

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Especialmente o capítulo Sectors and a new model for the comparative study of capitalism.

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As atitudes unilaterais assumidas sempre provocaram distúrbio na câmara e na implementação das orientações, como mostraram, por exemplo, as decisões sobre o Fusca e o rebaixamento das alíquotas de importação.

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O que significa que outro setor do corpo estatal pode perder poder. As resistências de um setor da burocracia à instalação da câmara do transporte aéreo é ilustrativa desse processo.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Jan-Jun 1996

Histórico

  • Recebido
    Jul 1995
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