O artigo investiga as primeiras comemorações das Independências do Brasil na imprensa do Maranhão, incorporado ao Império em 28 de julho de 1823. Os anos seguintes à Independência assistiram à construção do estado imperial, também do ponto de vista simbólico. Já em 1823, o 7 de setembro e o 12 de outubro emergiram como marcos da emancipação recém-conquistada, datas a que se somaram variantes provinciais, como o 28 de julho. No Maranhão, entre a aclamação do Imperador em 1826 e a abdicação, em 1831, as comemorações dessas três datas pautaram as disputas pelo passado a ser rememorado, com a predominância do 12 de outubro até 1829, tempo de emergência do 28 de julho. A comparação com as comemorações no Rio de Janeiro e, em menor proporção, na Bahia com o 2 de julho, reforçam a perspectiva de “mosaico” que orienta a abordagem. Em suma, é plausível supor que as comemorações de cunho nacional referenciadas no conjunto de episódios ocorridos em 1822/1823 também tenham o formato de “mosaico”, chave conceitual para pensar um território enorme e díspar, cujas peças mal se acomodavam, de modo assimétrico, na emergência de um estado distinto do português e que, aos poucos, ganhava operacionalidade.
PALAVRAS-CHAVE
memória; independências; império do Brasil