Open-access Ficções do feminino no romance do século XVIII Roxana (1724), de Daniel Defoe, e A nova Heloísa (1761), de Jean-Jacques Rousseau

Certa tradição da história literária localiza o século XVIII como ponto de inflexão para a investigação acerca da delimitação especificamente moderna do gênero romanesco e da redefinição do estatuto da ficção. Nesse período, o romance (novel) é apresentado e afirmado como forma narrativa nova, ao mesmo tempo que é, porém, justificado pelos seus praticantes, na disputa com outros gêneros, como maneira mais eficaz de cumprir com os propósitos pedagógicos da longeva “instituição retórica”: educar e deleitar. É como parte desse duplo movimento que pretendemos investigar duas narrativas ficcionais desse período, que têm como tema a castidade feminina: uma inglesa, Roxana (1724), de Daniel Defoe, na qual a virtude é sacrificada à necessidade e à vaidade; e uma do genebrino Jean-Jacques Rousseau, que responde, a sua maneira, à discussão sobre o romance, com a pintura da devota protagonista Júlia em A nova Heloísa (1761). O artigo pretende mostrar como as duas formas distintas de retratar a mulher (como pintura do vício ou da virtude, respectivamente) correspondem a duas estratégias narrativas opostas que partilham uma mesma finalidade: a de aperfeiçoar moralmente o público feminino.

Palavras-chave
Daniel Defoe; Jean-Jacques Rousseau; romance moderno

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