Em cartas, crônicas e tratados escritos sobre a América Portuguesa entre os séculos XVI e XVIII, a fauna e a flora tornaram-se assuntos recorrentes e em geral, este território passou a ser admirado pela diversidade do seu mundo natural. Entre os autores responsáveis pelas narrativas em língua portuguesa houve um grande número de católicos que, em meio às informações sobre as missões evangelizadoras e a edificação de conventos e igrejas, dedicou-se a tratar das plantas e animais avistados nos trópicos. Neste estudo, voltar-nos-emos às impressões dos letrados católicos sobre os pescados brasílicos. Além de contemplarmos as descrições e tentativas dos portugueses em compreender as espécies nativas, exploraremos as preocupações morais de padres, freis e homens leigos sobre o consumo de alguns peixes ao longo dos períodos de abstinência sugeridos pela Igreja Católica. Assim, nosso intuito é abordar as recomendações, advertências e escrúpulos de homens católicos que foram atribuídos aos peixes-boi, tartarugas, jabutis e outras espécies durante os primeiros séculos de colonização portuguesa.
PALAVRAS-CHAVES:
América Portuguesa; Igreja Católica; natureza