Scielo RSS <![CDATA[Revista Brasileira de Educação Médica]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0100-550220200004&lang=pt vol. 44 num. 4 lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[Conhecimento de Estudantes de Medicina sobre Suporte Básico de Vida no Atendimento à Parada Cardiorrespiratória]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022020000400201&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: Introdução: A parada cardiorrespiratória (PCR) é caracterizada pela interrupção brusca da circulação sistêmica e da respiração. Devido à redução de oxigênio e de nutrientes para os tecidos corporais, há maior risco de morte do indivíduo, o que torna a PCR uma grave emergência médica. Nesse contexto, a correta realização do suporte básico de vida no atendimento pré-hospitalar (APH) é de fundamental importância para diminuir a taxa de mortalidade e as sequelas em vítimas de PCR. Considerando a importância do assunto no ensino médico, o presente estudo teve o objetivo de identificar os conhecimentos dos estudantes de medicina sobre o tema, de modo a verificar se os discentes reconhecem os sinais indicativos de parada cardiorrespiratória; a sequência de medidas aplicadas durante o atendimento pré-hospitalar de vítimas em PCR e as técnicas indicadas para prestação do atendimento. Método: Trata-se de uma abordagem observacional, exploratória, descritiva e quantitativa, com uma amostra constituída por 245 alunos do curso de medicina da Universidade Estadual do Pará. Na realização da coleta de dados foi utilizado um questionário contendo 18 questões, aplicado por meio da Plataforma Google Forms. Resultados: O conhecimento foi satisfatório, com acertos significativos nos semestres mais avançados do curso. Os conhecimentos mais limitados incluíram o manejo da técnica de compressão, uso correto do DEA e manobras de retificação das vias aéreas. Conclusões: Apesar da quantidade significativa de acertos, observou-se a necessidade de uma melhor abordagem do tema durante a formação médica, a fim de possibilitar a correta realização do atendimento pré-hospitalar às vítimas de PCR, haja vista sua importância nos cenários de urgência e emergência.<hr/>Abstract: Introduction: Cardiorespiratory Arrest (CRA) is characterized as an interruption or reduction of mechanical activity of the heart and breath activity. As a result of reduction of oxygen and nutrients for the corporal tissue, there is risk of death, which makes the CRA a severe medical emergency. In this context, the correct performance of basic life support in prehospital treatment is of fundamental importance to diminish the mortality rate and complications in CRA victims. Considering the importance of the topic in medical teaching, the present study was aimed at identifying the knowledge of medical students about the subject, in a way to verify whether the students know how to identify the signals that indicate a cardiorespiratory arrest, the sequence of measures applied during the prehospital care of CRA victims, and the adequate techniques for the medical procedure. Method: The present study adopted an observational, exploratory, descriptive and quantitative approach, with a sample of 245 students of the medicine course at Universidade Estadual do Pará. To collect the samples, one quiz containing 18 questions was used and applied with Google Forms. Results: The knowledge of the students was satisfactory, with significant increase of performance at later periods of the course. The more limited knowledge included the management of compression techniques; the correct use of the automated external defibrillator (AED) and airway management. Conclusions: Although there was a high amount of hits, the necessity of a better approach on the topic was observed during medical training, to enable the correct prehospital treatment of CRA victims, due to the importance of such procedure in medical emergency. <![CDATA[“Meu Sonho É Ser Compreendido”: Uma Análise da Interação Médico-Paciente Surdo durante Assistência à Saúde]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022020000400202&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: Introdução: A comunidade surda representa uma importante parcela da população brasileira que enfrenta inúmeras barreiras na acessibilidade à saúde. Falhas de comunicação aumentam as chances de diagnósticos equivocados, erros de prontuário, constrangimentos, não adesão ao tratamento, sofrimento e insatisfação do usuário. Este estudo teve como objetivos caracterizar os atendimentos de saúde aos surdos, na perspectiva dos profissionais médicos, dos internos de Medicina e dos próprios usuários, e discutir as estratégias desenvolvidas na interlocução e interação médico-paciente e as ferramentas para o aprimoramento da prática médica. Método: Trata-se de um estudo observacional, descritivo, com análise integrada de conteúdo. Participaram da pesquisa 181 indivíduos que foram divididos em três grupos: profissionais médicos (n = 46), graduandos de Medicina da quinta e sexta séries (n = 54) e indivíduos surdos (n = 81). Utilizaram-se dois instrumentos semiestruturados: um para médicos e internos e outro para surdos. Realizou-se uma análise descritiva das variáveis quantitativas com distribuições percentuais para variáveis categóricas e medida de tendência central e dispersão para variáveis numéricas. As respostas das questões dissertativas foram organizadas em três corpus textuais relacionados ao sentimento dos profissionais médicos, internos e surdos durante o atendimento. Em seguida, o material foi submetido à análise lexicográfica com auxílio do software IRaMuTeQ. Resultado: Dentre os médicos e acadêmicos, 76% afirmaram que já atenderam um paciente com surdez grave parcial ou severa. Embora 49% dos surdos tenham afirmado que já sentiram algum desconforto e também alguma segurança no atendimento, 55,5% mencionaram que já deixaram de ir ao médico por medo de não serem compreendidos ou relataram algum problema, como dor, desconforto ou angústia. A participação de acompanhantes como mediadores da relação médico-paciente foi a estratégia mais apontada por todos os participantes. Entre os entrevistados surdos, outras estratégias frequentes mencionadas foram leitura labial e Libras; no caso dos médicos, mímica e escrita; em relação aos internos, leitura labial e escrita. Todas as estratégias não são resolutivas. Conclusão: As percepções dos diferentes atores da interação médico-paciente analisados mostraram diferença de satisfação com o serviço e riscos à saúde dos surdos, o que significa que falta planejamento multimodal com estratégias de comunicação efetivas.<hr/>Abstract: Introduction: The deaf community represents a significant portion of the Brazilian population that faces numerous barriers in access to health care. Communication failures increase the chances of misdiagnosis, errors in medical records, embarrassment, non-adherence to treatment, suffering and user dissatisfaction. The study aimed to characterize health care for deaf people from the perspective of medical professionals, medical interns and the patients themselves, discussing the strategies developed in the dialogue and physician-patient interaction, and the tools for the improvement of medical practice. Method: An observational, descriptive study based on integrated content analysis. A sample of 181 participants divided into three groups: medical professionals (n=46), medical students from the fifth and sixth year (n=54) and deaf individuals (n=81). Two semi-structured instruments were used, one for doctors and interns and one for the deaf. Descriptive analysis of the quantitative variables was performed with percentage distributions for categorical variables and measure of central tendency and dispersion for numerical variables. The answers to the essay questions were organized into three groups of texts and the material was submitted to lexicographic analysis with the support of IRaMuTeQ software. Results: 76% of doctors and academics said they had already treated a patient with severe or partial deafness. Although 49% reported discomfort, but also feeling secure when treating deaf patients, 55.5% of the deaf said they had already stopped going to the doctor, or reporting any problems, such as pain, discomfort or anguish, for fear of not being understood. The participation of caregivers as mediators of the doctor-patient relationship was the most frequent communicational strategy pointed out by all participants. Other frequent strategies identified by the deaf interviewees were lip reading and LIBRAS; by the doctors, mime and writing; and by the interns, lip reading and writing; all of which are non-resolving strategies. Conclusions: The perceptions of the different actors of the doctor-patient interaction analyzed showed differences in satisfaction with the service and health risks for the deaf, lacking multimodal planning with effective communication strategies. <![CDATA[Aprendizagem Baseada em Problemas em um Curso de Medicina: Desafios na sua Implementação]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022020000400203&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract: Introduction: Considering an integrated curriculum that is guided by dialogical competence according to the National Curriculum Guidelines, the Systematized Educational Unit (UES) and the Professional Practice Unit (UPP) constitutes the curriculum of a medical course in a municipality in the countryside of the state of São Paulo, Brazil. Problem-Based Learning (PBL) is used in the UES and the problematization is used in the Professional Practice Unit as teaching methodologies, seeking an organization that leads to a training that is coherent with the public health sector and the national education scenario. The UES is the focus of this study because we observed that there are divergences among teachers regarding their role as tutors. Thus, we observed that the teaching methodology currently employed at Famema led us to some questions: Do the teachers consider themselves qualified to work with the PBL method? How do evaluations contribute to the teaching-learning process? Thus, this study aimed to analyze the teachers’ understanding of their ability to work with the PBL and the relevance of evaluations for the teaching-learning process in the UES. Method: This is an exploratory-descriptive study with a qualitative approach. Data collection was carried out using a semi-structured interview with teachers who work with the 1st to 4th years in the UES of the medical course, and the selection of the participants was carried out from a non-probabilistic sample of intention, totaling 16 teachers, including four teachers of each of the first four years of the course. The analysis of the data was performed by Content Analysis in the thematic modality, which allowed the definition of two thematic axes: Challenges for teacher training and Potentials and limits of the implemented evaluation process. Results: The trajectory of the PBL in the teaching-learning process from the point of view of teachers showed us a variety of understandings. As for teacher training, weaknesses were identified in the development of the tutoring process, and that the strategies used for training need to be reviewed regarding their implementation and the inclusion of the professionals into the process. Regarding the evaluation, it was observed that the teachers demonstrate difficulties in carrying out an evaluation of the students while integrating the affective, cognitive and psychomotor dimensions. Conclusion: Therefore, regardless the time of the curriculum implementation, Permanent Education should constitute a powerful space for teacher training and process management.<hr/>Resumo: Introdução: Considerando um currículo integrado e orientado por competência dialógica de acordo com o exposto nas Diretrizes Curriculares Nacionais, a Unidade Educacional Sistematizada (UES) e a Unidade de Prática Profissional (UPP) compõem o currículo de um curso de Medicina de um município do interior paulista. Utilizam-se a Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) na UES e a problematização na UPP como metodologias de ensino, com o objetivo de buscar uma organização que conduza a uma formação coerente com o setor de saúde pública e o cenário de educação nacional. A UES é o foco deste estudo, pois notamos que há divergências entre os docentes sobre o papel do tutor. Com base nisso, a metodologia de ensino vigente na Faculdade de Medicina de Marília (Famema) nos levou aos seguintes questionamentos: “O professor se considera capacitado para atuar no método ABP?” e “De que forma as avaliações contribuem com o processo de ensino-aprendizagem?”. Assim, este trabalho teve por objetivo analisar a compreensão do docente acerca de sua capacitação para atuar na ABP e da pertinência das avaliações no processo ensino-aprendizagem na UES. Método: Trata-se de estudo do tipo exploratório-descritivo com abordagem de natureza qualitativa. A coleta de dados se deu pela realização de entrevista semiestruturada com professores que desenvolvem atividades na UES do primeiro ao quarto ano do curso de Medicina, selecionaram-se os participantes a partir de uma amostra não probabilística de intenção, totalizando 16 professores, sendo quatro de cada um dos quatro primeiros anos do curso.No exame dos dados, adotou-se a análise de conteúdo na modalidade temática que permitiu a definição de dois eixos temáticos: desafios para a formação docente e potencialidades e limites do processo de avaliação instituído. Resultados: A trajetória da ABP no processo de ensino-aprendizagem sob a ótica dos docentes nos mostrou uma variedade de compreensões. Em relação à formação docente, identificaram-se fragilidades no desenvolvimento do processo tutorial. Além disso, constatou-se que as estratégias utilizadas para a capacitação precisam ser revistas quanto à implementação e à inserção dos profissionais nelas. Observou-se que os docentes demonstram dificuldades em realizar uma avaliação dos estudantes integrando as dimensões afetivas, cognitivas e psicomotoras. Conclusão: Assim, independentemente do tempo de implementação do currículo, a educação permanente deve se constituir como espaço potente para a capacitação docente e a gestão do processo. <![CDATA[Desafios do Feedback na Avaliação Formativa, no Programa Interinstitucional de Interação Ensino-Serviço-Comunidade: Perspectiva de Alunos]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022020000400204&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract: Introduction: This present study assesses the use of the feedback mechanism in the formative assessment during medical training, considering this instrument is of great importance for this training stimulation, which is based on active teaching methodologies. The study aims to characterize the application of this tool and to identify possible failures in its application in the daily routine of the PINESC module in the Anhanguera University (Uniderp) medical course. Method: This is a quantitative, sectional research, including students from the first to the eighth semesters of the medical course, attending the PINESC longitudinal module. In the data collection, a questionnaire was used with questions related to the formative assessment performed by the preceptors, which is reported to the students according to the sample calculation. The feedback is the core activity of the formative assessment and allows the development of reflective and self-evaluation capacities and the development of skills. However, the use of feedback still faces barriers, mainly due to the difficulty of the evaluators in listing negative points and capabilities of the evaluated individuals. Result: In this study, some shortcomings and positive points were reported regarding the application process of this tool, listing and suggesting improvements for a better use of feedback and thus a more favorable academic achievement. Conclusion: In conclusion, as the basis of formative evaluation, the feedback still shows many weaknesses regarding its form and application.<hr/>Resumo: Introdução: Este trabalho aborda a utilização do mecanismo de feedback na avaliação formativa durante a formação médica, visto que esse instrumento é de grande importância para o estímulo dessa formação que se pauta pelas metodologias ativas de ensino. O estudo tem como objetivos caracterizar a aplicação dessa ferramenta e identificar possíveis falhas na utilização dela no cotidiano do módulo Pinesc, no curso de Medicina da Universidade Anhanguera (Uniderp). Método: Trata-se de uma pesquisa quantitativa e seccional que abrange alunos do primeiro ao oitavo semestre inseridos no módulo longitudinal Pinesc. Na coleta dos dados, utilizou-se um questionário com perguntas relativas à avaliação formativa que é realizada pelos preceptores, o qual é repassado aos acadêmicos de acordo com o cálculo de amostragem. O feedback é a atividade central da avaliação formativa e possibilita o desenvolvimento da capacidade reflexiva e autoavaliativa e de habilidades. Contudo, a utilização do feedback ainda encontra obstáculos principalmente pela dificuldade de os avaliadores elencarem os pontos negativos e as facilidades dos avaliados. Resultado: Neste estudo, foram relatadas algumas falhas e pontos positivos no processo de aplicação desse instrumento. Por conta disso, elencam-se e sugerem-se aperfeiçoamentos para uma melhor utilização do feedback e um aproveitamento acadêmico mais favorável. Conclusão: Como base da avaliação formativa, o feedback ainda demonstra possuir muitas fragilidades quanto à sua forma e aplicação. <![CDATA[Qualidade de Vida de Acadêmicos de Medicina: Há Mudanças durante a Graduação?]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022020000400205&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: Introdução: O conceito de saúde está ampliado para além da ausência de doença e envolve atualmente todos os aspectos de qualidade de vida dos indivíduos, inclusive a percepção deles em relação à condição de vida, ao contexto cultural e ao sistema de valores sob os quais vivem. Método: Objetivou-se analisar a qualidade de vida dos acadêmicos de Medicina da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal) por meio do questionário World Health Organization Quality of Life abreviado (Whoqol-Bref) da Organização Mundial da Saúde. O Whoqol-Bref possui 26 questões, das quais duas são gerais sobre a qualidade de vida e a satisfação com a saúde, e 24 estão divididas em domínios: físico, psicológico, relações sociais e meio ambiente. As respostas são pontuadas de um a cinco, por grau de intensidade; após coleta, foram calculadas as médias dos escores e os domínios, os quais são convertidos em uma escala de 0 a 100. Resultados: Dos 188 acadêmicos, 62,03% consideraram sua qualidade de vida boa ou muito boa, enquanto 54,25% referiram estar nem satisfeitos nem insatisfeitos, insatisfeitos ou muito insatisfeitos com sua saúde. Além disso, nenhum dos grupos alcançou a “região de sucesso” na avaliação dos domínios, havendo diferença estatisticamente significante apenas do domínio físico (p = 0,02), em que se percebe uma melhora dos escores no decorrer do curso. Os alunos do primeiro e segundo anos tiveram pior avaliação nos domínios, demonstrando que a ansiedade e a expectativa sobre a graduação podem afetar negativamente a qualidade de vida. Em relação aos domínios, destaca-se o “sono e repouso” como a questão de pior avaliação, ocupando a “região de fracasso”, seguida da questão que avalia a oportunidade de lazer e recreação, provavelmente pelo fato de o processo de formação desgastante prejudicar também a saúde física, mental e emocional. Em relação ao sexo, as mulheres tiveram a pior avaliação em todos domínios e nas questões gerais, havendo diferença significativa no domínio psicológico (p = 0,04) e na satisfação com a saúde (p = 0,04). Conclusão: Portanto, faz-se necessário que se desenvolvam intervenções capazes de oferecer apoio aos acadêmicos de Medicina, de modo a ajudá-los a conseguir lidar com as dificuldades que enfrentarão durante o curso.<hr/>Abstract: Introduction: The concept of health has been broadened beyond the absence of disease and now involves all aspects of an individual’s quality of life, including their perception of the living conditions, cultural context and value system under which they live. Method: The objective of this study was to analyze the quality of life of medical students at the State University of Health Sciences of Alagoas (UNCISAL), through the abbreviated World Health Organization Quality of Life (WHOQOL-BREF) questionnaire. The BREF contains 26 questions, two of which are general about quality of life and health satisfaction, and 24 are divided into domains: physical, psychological, social relations and environment. Responses are scored from one to five, by degree of intensity. Once the raw data had been collected, mean scores and domains were calculated and converted on to a scale from 0 to 100. Results: Of the 188 students, 62.03% considered their quality of life good or very good, while 54.25% reported being neither satisfied nor dissatisfied, dissatisfied or very dissatisfied with their health. Furthermore, in the assessment of the domains none of the groups attained the “region of success”, with a statistically significant difference only in the physical domain (p = 0.02), in which an improvement in the scores over the course of the training is observed. First and second-year students were evaluated worse in the domains, showing that anxiety and expectation about undergraduate training can negatively affect quality of life. Regarding the domains, “sleep and rest” stands out as the worst evaluated issue, occupying the “region of failure”, followed by the question that evaluates the opportunity for leisure and recreation, probably due to the exhausting training also harming students’ physical, mental and emotional health. Regarding gender, women’s assessment was lower in all domains and general issues, with significant differences in the psychological domain (p = 0.04) and health satisfaction (p = 0.04). Conclusion: It is necessary to develop interventions capable of providing support to medical students, helping them to cope with the difficulties they will face during the course. <![CDATA[Níveis de <em>Burnout</em> e Bem-Estar de Estudantes de Medicina: um Estudo Transversal]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022020000400206&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract: Introduction: The presence of chronic stress, caused by the activities and demands of the medical course, can lead to what is called ‘burnout’, a syndrome characterized by three dimensions: emotional exhaustion, dehumanization (or depersonalization) and reduced professional achievement. Considering the increased incidence of burnout syndrome, anxiety and depression symptoms, suicide attempts and suicide rates among medical students, as a consequence of increasing demands for professional and financial success at the expense of physical and mental health, one understands the importance of studying the subject and proposing measures of prevention and control. The aim of this study was to evaluate and describe the levels of burnout and well-being of medical students at a Brazilian public university. Method: The stress and well-being levels of students from the first to the sixth year for the Medical Course at Universidade Federal de São Paulo were evaluated using MBI-SS and WHOQOL-BREF questionnaires, applied online on the REDCAP platform. Results: A total of 302 students completed the questionnaires. Regarding the MBI-SS, students showed a low value in the emotional exhaustion factor and high levels of professional disbelief and effectiveness, indicating a burnout that ranged from low to moderate. It was also observed that female students showed a greater tendency toward emotional exhaustion when compared to male ones, as well as the fact that students from the 1st and 2nd years showed higher values of professional effectiveness when compared with 3rd and 4th years, with no difference between genders. Based on the answers from WHOQUOL-BREF questionnaire, the students thought they had a good quality of life. Discussion: These results reinforce possible factors that might interfere with the students’ quality of life: excessive workload, teaching model based on extensive lectures, lack of stimulation, recognition for their efforts. Conclusion: The medical students evaluated in this study have a good quality of life and show low or moderate burnout levels.<hr/>Resumo: Introdução: A presença de estresse crônico, causado pelas atividades e exigências do curso de Medicina, pode levar ao que se chama de burnout, uma síndrome caracterizada por três dimensões: exaustão emocional, desumanização (ou despersonalização) e reduzida realização profissional. Diante do aumento da incidência de síndrome de burnout, sintomas de ansiedade e depressão, tentativas de suicídio e suicídio entre estudantes de Medicina, encarado como consequência de exigências cada vez maiores de alcance de sucesso profissional e financeiro em detrimento da saúde física e mental, entende-se a importância de estudar o assunto e propor medidas de prevenção e controle. Este estudo teve como objetivos avaliar e descrever os níveis de burnout e qualidade de vida dos estudantes de Medicina da Universidade Federal de São Paulo. Método: Foram avaliados os níveis de burnout e qualidade de vida dos alunos do primeiro ao sexto ano do curso de Medicina da Unifesp, a partir dos questionários MBI-SS e Whoqol-Bref, on-line, em plataforma REDCap. Resultados: Um total de 302 estudantes responderam aos questionários completos. Em relação ao MBI-SS, os estudantes apresentaram baixo valor no fator exaustão emocional e altos valores na descrença e eficácia profissional, indicando um burnout entre baixo e moderado. Observou-se também que estudantes do gênero feminino apresentaram maior tendência à exaustão emocional em comparação ao gênero masculino, bem como estudantes do primeiro e segundo anos apresentaram maiores valores de eficácia profissional quando comparados com os do terceiro e quarto anos, sem diferença entre os gêneros. A partir das respostas do Whoqol-Bref, os estudantes consideraram ter boa qualidade de vida. Esses resultados indicam possíveis fatores que podem interferir na qualidade de vida dos estudantes: a carga horária excessiva de atividades, modelo de ensino baseado em aulas expositivas extensas, ausência de estímulo e reconhecimento pelos seus esforços. Conclusão: Os estudantes de Medicina avaliados neste estudo têm boa qualidade de vida e níveis baixos ou moderados de burnout, atentando-se para as diferenças entre anos de curso e características sociodemográficas. <![CDATA[Educação Nutricional: uma Lacuna na Formação Médica]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022020000400301&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract: Introduction: The role of nutrition in medicine has changed from a passive function, from an adjuvant therapy, to a proactive and sophisticated therapy that prevents various health problems and changes the natural history of the disease. Recent studies show up that medical education does not sufficiently and efficiently address the patient’s nutritional aspects, thus training physicians who are not confident in providing nutritional care to their patients. This study aimed to analyze and describe scientific studies that have evaluated nutrition education in medical schools, seeking within this context to find nutrition topics important for undergraduate medical education. Methods: This research was conducted through a cross-sectional, descriptive, scoping review after searching for synonyms using MeSH (Medical Subject Headings) and DeCS (Health Sciences Descriptors) tools. Results: We initially found 1.057 publications that underwent sequential screening until reaching a total of 16 articles, which achieved the scope of this research. Most articles are from the United States of America (50%), assessed a total of 860 medical students and 243 medical schools using different approaches regarding the teaching of nutrition. Final considerations: In this review, we have shown that despite several studies ratifying the well-established association between nutrition and prevention/treatment of diseases that require outpatient care, or at the hospital level, nutrition education in undergraduate medical school has not accompanied this evidence and, for many years, the subject has been underestimated. In Brazil, no studies were found on this topic with the used descriptors.<hr/>Resumo: Introdução: O papel da nutrição na medicina tem sido modificado de uma função passiva, de uma terapia adjuvante, para uma terapia proativa e sofisticada, que previne diversos agravos à saúde e modifica a história natural da doença. Estudos recentes observam que a educação médica não contempla, de maneira suficiente e eficiente, os aspectos nutricionais do cuidado destinado ao paciente, formando médicos pouco confiantes em promover cuidados nutricionais a seus pacientes. Este estudo teve como objetivos analisar e descrever estudos científicos que tenham avaliado a educação nutricional nas escolas médicas, buscando, neste contexto, encontrar temas em nutrição importantes para a graduação em Medicina. Método: Esta pesquisa foi realizada por meio de uma scoping review (revisão de escopo), do tipo transversal, descritiva, após pesquisa de sinônimos utilizando as ferramentas Medical Subject Headings (MeSH) e Descritores em Ciências da Saúde (DeCS). Resultados: Encontraram-se inicialmente 1.057 publicações que passaram por triagens sequenciais até chegarmos a um total de 16 artigos que alcançavam o escopo desta pesquisa. A maioria dos artigos é dos Estados Unidos (50%) e avaliou de maneiras diferentes um total de 860 alunos de Medicina e 243 escolas médicas em relação ao ensino da nutrição. Conclusões: Nesta revisão, evidenciamos que, a despeito dos vários estudos que ratificam a relação bem estabelecida da nutrição na prevenção e no tratamento de doenças em nível ambulatorial ou hospitalar, a educação nutricional na formação médica não acompanhou essas evidências, e, por muitos anos, o assunto foi subestimado. No Brasil não foram encontrados estudos sobre esse tema com os descritores utilizados. <![CDATA[Saúde Mental de Alunos de Medicina Submetidos à Aprendizagem Baseada em Problemas: Revisão Sistemática da Literatura]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022020000400302&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: Introdução: O curso de Medicina possui fatores potencialmente estressantes que podem gerar adoecimento psíquico nos alunos. Métodos curriculares alternativos ao sistema tradicional, como aAprendizagem Baseada em Problemas (ABP), podem ter impacto na saúde mentaldos discentes. O objetivo deste estudo foirealizar uma revisão sistemática de estudos que avaliaram a saúde mental de estudantes de Medicina submetidos ao método ABP. Método: Realizou-se uma busca de alta sensibilidade nas principais bases de dados científicas associadas àsaúde mental (CochraneLibrary, Medline via PubMed, Portal Regional da Biblioteca Virtual em Saúde(BVS), Eric e Embase) com inserção até 22 de setembro de 2019. Os descritos indexados e os termos de identificação foram definidos por especialistas e avaliados pelo grupo de tecnologia da informação da Universidade Estadual do Pará.Os critérios de inclusão para os estudos obtidos por meioda busca foram: artigos apresentados na íntegra, escritos em qualquer língua, publicados no período de 1998 a 2018, com foco na saúde mental de alunos do curso de Medicina submetidos ao método ABP. Excluíram-se os trabalhos que não avaliaram a saúde mental, os artigos em que a amostra não foi submetida à metodologia de ensino ABP e aqueles de revisão literária. Após a seleção, os artigos foram avaliados duplamente por revisores independentes quanto ao risco de viés e à qualidade de evidência mediante a ferramenta Robins-I. Resultados: Identificaram-se 1.261 estudos, dos quais se excluíram 1.251 conforme orientaçãodoprotocolo Prisma, restando dezartigos ao final, os quais foram sintetizados de forma descritiva. Em geral, os estudos têm mostrado que o método de ABP, em comparação com o método tradicional, promove melhor desempenho acadêmico, bem como estimula atividades práticas, fato que gera certo grau de satisfação. Conclusão: Os discentes de Medicina submetidos ao método ABP são associados a resultados adequados de aprendizado e desempenho médico-científico. Entretanto,metodologias científicas mais assertivas, baseadas em critérios metodológicos mais rigorosos,são necessárias para elucidar de forma mais abrangente os benefícios e danos dessa metodologia pedagógica.<hr/>Abstract: Introduction: Medical students are subjected to potentially stressful factors that can lead to psychological illness. Alternatives to traditional training methods, such as Problem-Based Learning (PBL), can impact on students’ mental health. The aim of this study was to carry out a systematic review of studies that evaluate the mental health of medical students submitted to the Problem-Based Learning (PBL) method. Method: A highly sensitive search was carried out in the main scientific databases associated with mental health (Cochrane Library, MEDLINE via PUBMED, Regional Health Portal (VHL), Eric and EMBASE) with inclusion up to September 22, 2019. Indexed descriptions and identification terms were defined by specialists and evaluated by the information technology group of the StateUniversity of Pará. The inclusion criteria for the study search were: articles presented in full, written in any language, published in the period from 1998 to 2018, focusing on the mental health of medical students submitted to the PBLmethod. Articles that did not assess mental health, articles in which the sample was not submitted to PBL, andreview articleswere excluded. After selection, the articles were assessed twice by independent reviewers for risk of bias and quality of evidence using the ROBINS-I tool. Results: 1261 studies were identified, of which 1251 were excluded following the PRISMA protocol, leaving a final sample of ten articles, which were descriptively summarized.In general, studies have shown that PBL, compared to traditional teaching methods, promotes better academic performance, as well as stimulating practical activities, a fact that generates a certain degree of satisfaction. Conclusion: Medical students submitted to the PBL method are more likely to be associated with better learning outcomes and medical-scientific performance. However, better study designs, based on rigorous systematic methodologies are required in order to elucidate the benefits and harms of this educational methodology. <![CDATA[O Prático Visual: o Infográfico como Ferramenta Facilitadora do Aprendizado no Curso de Medicina]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022020000400401&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract: Introduction: In the context of medical school, the development of methodologies that stimulate the students’ search for learning, autonomy and creativity are essential for medical education in Brazil. The study aims to describe the construction of infographics as a pedagogical proposal for the learning of organic human aging processes by medical students. Method: Medical students attending the 4th period at a Higher Education Institution built infographics, as a requirement for the practical content of the Aging Process module. The static-type infographic was adopted, following criteria such as the definition of the target audience; definition of the objective; choice of topic; selection of the most relevant information (focus); direct and accessible language; organized information; choices of color palettes and style and; infographic sketch. The entire creation process was supervised by the teacher in charge of the project, and evaluation criteria were previously established. Results: The class was divided into seven groups, resulting in the production of an infographic with a specific topic per group. The human aging topics were: Degenerative Joint Diseases, Bone Weakness, Pneumonia in the Elderly, Acute Myocardial Infarction, Vascular Dementia, Atherosclerosis and Herpes Zoster. It is worth noting that in addition to the creation, each group presented the final product to the other colleagues, explaining each item included in the static infographic. Conclusions: We observed that the students satisfactorily met the proposed evaluation requirements, demonstrating their involvement in the construction of infographics and, above all, in simple, creative and objective learning, using a powerful visual tool. We also add that the printed material will be used as aid in the histology laboratory and in extramural activities.<hr/>Resumo: Introdução: No contexto das graduações médicas, o desenvolvimento de metodologias que estimulam a busca do aprendizado, a autonomia e a criatividade dos discentes é essencial para a formação médica no Brasil. O estudo visa descrever a construção de infográficos como proposta pedagógica para o aprendizado dos processos orgânicos do envelhecimento humano por estudantes de Medicina. Método: Os discentes do quarto período do curso de Medicina de uma instituição de ensino superior construíram infográficos como requisito de conteúdo prático do módulo “Processos de Envelhecimento”. Adotou-se o infográfico do tipo estático, seguindo critérios como: definição do público-alvo; definição do objetivo; escolha do tema; seleção das informações mais relevantes (foco); linguagem direta e acessível; informações organizadas; escolhas das paletas de cores e estilo; e esboço do infográfico. Todo processo de elaboração foi supervisionado pelo docente responsável, sendo previamente estabelecidos os critérios de avaliação. Resultados: A turma foi dividida em sete grupos, resultando na produção de um infográfico com uma temática específica por grupo. Os temas do envelhecimento humano foram: doenças articulares degenerativas, enfraquecimento ósseo, pneumonia no idoso, infarto agudo do miocárdio, demência vascular, aterosclerose e herpes-zóster. É válido salientar que, além da criação, cada grupo apresentou aos demais colegas o produto final, explicitando cada item inserido no infográfico estático. Conclusões: Foi possível observar que os alunos cumpriram de forma satisfatória os requisitos avaliativos propostos, demonstrando envolvimento na construção dos infográficos e, sobretudo, no aprendizado simples, criativo e objetivo, utilizando uma poderosa ferramenta visual. Acrescenta-se também que o material impresso servirá de apoio no laboratório de histologia e em atividades extramuros. <![CDATA[Design Thinking na Reestruturação do Sistema de Avaliação de Disciplina em um Curso de Medicina]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022020000400402&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: Introdução: A construção de conhecimento é facilitada pela utilização de metodologias inovadoras, centradas no estudante e que lhes permitam participar da elaboração de propostas para soluções de problemas reais. O design thinking (DT) é um processo que propõe a busca, de forma empática, colaborativa e criativa, de soluções para problemas complexos. Neste relato de experiência, aplicou-se o DT à educação médica como um recurso para que a comunidade acadêmica participasse diretamente da qualificação do ensino. Método: Trata-se de relato de experiência com a utilização do DT na reestruturação do sistema de avaliação de uma disciplina em um curso de graduação em Medicina. Resultado: Foi possível viabilizar soluções a partir da prototipagem, de maneira compartilhada e colaborativa, que resultaram na otimização da qualidade do processo avaliativo da disciplina, com a adoção de novos métodos. Conclusão: O DT aplicado ao campo da educação médica permitiu a reflexão sobre um processo inovador e a operacionalização dele na reestruturação da avaliação do conteúdo programático de uma disciplina no curso de graduação em Medicina.<hr/>Abstract: Introduction: Innovative, student-centered methodologies help knowledge construction, allowing students to participate in developing proposed solutions for real problems. Design thinking (DT) is a process that searches for complex problems solutions in an empathetic, collaborative, and creative way. In our report, DT was applied to medical education, as a strategy for the academic community to participate directly qualifying the training. Method: We used the DT process in an experience report to restructure the assessment system used in a discipline of a medical course. Results: A shared and collaborative form of prototyping allowed for the identification of solutions that resulted in optimized quality of the assessment process of the discipline, with the adoption of new methods. Conclusions: DT applied to the field of medical education allows one to reflect on and operationalize an innovative process in the restructuring of the evaluation of the programmatic content of a discipline in the undergraduate medical course. <![CDATA[De Médico de Família a Preceptor de Estudantes no Sistema Único de Saúde: Relato de Experiência]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022020000400403&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract: Introduction: This article reports the experience of a physician, specialist in Family and Community Medicine, who works in a Basic Health Unit in the southern region of the city of São Paulo, in the Primary Health Care of the Unified Health System, when he became a Preceptor of Medical students at Universidade São Caetano do Sul. Method: The students learned about the typical structure of a Basic Health Unit. They learned how to acquire the medical history during anamnesis, under supervision, and the physical examination, as they acquired the necessary skills. They also learned how to request complementary examinations. With this training, they learned how to apply the clinical method during practice. The students also learned the competence to apply the clinical method in uncontrolled environments through the home visit, which also made it possible to know the reality of the patient in loco. The follow-up of families and the index cases for a few years gave the students the opportunity to experience the different care cycles of the Family Health Strategy, including the question of death, which started in the socio-family context. They also participated and carried out assistance and knowledge transmission groups for the community, in which students were able to train communication and adaptation at the population level. They met and participated in the team meetings, which allowed showing the weekly planning of activities, the interdisciplinary discussion of more complex cases and the created strategies. Results: The promising results of the Active Methodologies based on student autonomy, in relation to the learning process, are applied to the teaching of Medicine in clinical practice environments, since the contact with reality improves learning, challenges the students to research and reflect with autonomy to think about what they must do with the established learning goals and teaches them to use previous experiences to interrelate new knowledge with previous information through Evidence-Based Medicine and reflect on medical practice. Conclusion: Comments are also made on the National Curricular Guidelines, which request the inclusion of the medical student within the scope of the Unified Health System, aimed mainly at Primary Health Care learning.<hr/>Resumo: Introdução: Neste artigo, é relatada a experiência de um médico especialista em Medicina de Família e Comunidade, que trabalha em uma unidade básica de saúde da região sul do município de São Paulo, na atenção primária à saúde do Sistema Único de Saúde, ao se tornar preceptor de estudantes de Medicina da Universidade São Caetano do Sul. Método: Os estudantes conheceram a estrutura típica de uma unidade básica de saúde e treinaram a confecção da entrevista médica, sob supervisão, e do exame físico, à medida que adquiriam as competências necessárias. Treinaram ainda o pedido de exames complementares. Com isso aprenderam na prática a aplicar o método clínico. Os estudantes também treinaram a competência de aplicar o método clínico em ambientes não controlados por meio da visita domiciliar, o que lhes permitiu também conhecer a realidade do paciente in loco. Por meio do acompanhamento de famílias e de casos-índice realizado durante alguns anos, os estudantes puderam conhecer os diferentes ciclos de atendimento da Estratégia Saúde da Família, inclusive a questão da morte, que se inicia no contexto sociofamiliar. Os discentes também atuaram em grupos de orientação e transmissão de conhecimento para a comunidade e puderam treinar a comunicação e a adaptação referentes à população atendida. Participaram de reuniões de equipe, nas quais vivenciaram o planejamento semanal das atividades, a discussão interdisciplinar de casos mais complexos e as estratégias criadas. Resultados: Obtiveram-se resultados promissores com o uso das metodologias ativas que se baseiam na autonomia do estudante ante o processo de aprendizagem. Essas metodologias são aplicadas ao ensino da Medicina em ambientes de prática clínica, pois o contato com a realidade melhora o aprendizado, desafia o aluno a pesquisar com autonomia a fim de entender com clareza o que fazer com os objetivos de aprendizagem estabelecidos, ensina a usar experiências pregressas para inter-relacionar novos conhecimentos com os conhecimentos prévios, por meio da Medicina Baseada em Evidências, e refletir sobre a prática médica. Conclusão: De acordo com as Diretrizes Nacionais Curriculares, a inserção do estudante de Medicina no âmbito do Sistema Único de Saúde é imprescindível para que ele possa adquirir os conhecimentos necessários para atuar sobretudo na atenção primária à saúde. <![CDATA[A Importância do Emprego da Terminologia Anatômica nas Ciências da Saúde]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022020000400601&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract: Introduction: This article reports the experience of a physician, specialist in Family and Community Medicine, who works in a Basic Health Unit in the southern region of the city of São Paulo, in the Primary Health Care of the Unified Health System, when he became a Preceptor of Medical students at Universidade São Caetano do Sul. Method: The students learned about the typical structure of a Basic Health Unit. They learned how to acquire the medical history during anamnesis, under supervision, and the physical examination, as they acquired the necessary skills. They also learned how to request complementary examinations. With this training, they learned how to apply the clinical method during practice. The students also learned the competence to apply the clinical method in uncontrolled environments through the home visit, which also made it possible to know the reality of the patient in loco. The follow-up of families and the index cases for a few years gave the students the opportunity to experience the different care cycles of the Family Health Strategy, including the question of death, which started in the socio-family context. They also participated and carried out assistance and knowledge transmission groups for the community, in which students were able to train communication and adaptation at the population level. They met and participated in the team meetings, which allowed showing the weekly planning of activities, the interdisciplinary discussion of more complex cases and the created strategies. Results: The promising results of the Active Methodologies based on student autonomy, in relation to the learning process, are applied to the teaching of Medicine in clinical practice environments, since the contact with reality improves learning, challenges the students to research and reflect with autonomy to think about what they must do with the established learning goals and teaches them to use previous experiences to interrelate new knowledge with previous information through Evidence-Based Medicine and reflect on medical practice. Conclusion: Comments are also made on the National Curricular Guidelines, which request the inclusion of the medical student within the scope of the Unified Health System, aimed mainly at Primary Health Care learning.<hr/>Resumo: Introdução: Neste artigo, é relatada a experiência de um médico especialista em Medicina de Família e Comunidade, que trabalha em uma unidade básica de saúde da região sul do município de São Paulo, na atenção primária à saúde do Sistema Único de Saúde, ao se tornar preceptor de estudantes de Medicina da Universidade São Caetano do Sul. Método: Os estudantes conheceram a estrutura típica de uma unidade básica de saúde e treinaram a confecção da entrevista médica, sob supervisão, e do exame físico, à medida que adquiriam as competências necessárias. Treinaram ainda o pedido de exames complementares. Com isso aprenderam na prática a aplicar o método clínico. Os estudantes também treinaram a competência de aplicar o método clínico em ambientes não controlados por meio da visita domiciliar, o que lhes permitiu também conhecer a realidade do paciente in loco. Por meio do acompanhamento de famílias e de casos-índice realizado durante alguns anos, os estudantes puderam conhecer os diferentes ciclos de atendimento da Estratégia Saúde da Família, inclusive a questão da morte, que se inicia no contexto sociofamiliar. Os discentes também atuaram em grupos de orientação e transmissão de conhecimento para a comunidade e puderam treinar a comunicação e a adaptação referentes à população atendida. Participaram de reuniões de equipe, nas quais vivenciaram o planejamento semanal das atividades, a discussão interdisciplinar de casos mais complexos e as estratégias criadas. Resultados: Obtiveram-se resultados promissores com o uso das metodologias ativas que se baseiam na autonomia do estudante ante o processo de aprendizagem. Essas metodologias são aplicadas ao ensino da Medicina em ambientes de prática clínica, pois o contato com a realidade melhora o aprendizado, desafia o aluno a pesquisar com autonomia a fim de entender com clareza o que fazer com os objetivos de aprendizagem estabelecidos, ensina a usar experiências pregressas para inter-relacionar novos conhecimentos com os conhecimentos prévios, por meio da Medicina Baseada em Evidências, e refletir sobre a prática médica. Conclusão: De acordo com as Diretrizes Nacionais Curriculares, a inserção do estudante de Medicina no âmbito do Sistema Único de Saúde é imprescindível para que ele possa adquirir os conhecimentos necessários para atuar sobretudo na atenção primária à saúde. <![CDATA[A Pandemia da Covid-19: Repercussões do Ensino Remoto na Formação Médica]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022020000400602&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract: Introduction: This article reports the experience of a physician, specialist in Family and Community Medicine, who works in a Basic Health Unit in the southern region of the city of São Paulo, in the Primary Health Care of the Unified Health System, when he became a Preceptor of Medical students at Universidade São Caetano do Sul. Method: The students learned about the typical structure of a Basic Health Unit. They learned how to acquire the medical history during anamnesis, under supervision, and the physical examination, as they acquired the necessary skills. They also learned how to request complementary examinations. With this training, they learned how to apply the clinical method during practice. The students also learned the competence to apply the clinical method in uncontrolled environments through the home visit, which also made it possible to know the reality of the patient in loco. The follow-up of families and the index cases for a few years gave the students the opportunity to experience the different care cycles of the Family Health Strategy, including the question of death, which started in the socio-family context. They also participated and carried out assistance and knowledge transmission groups for the community, in which students were able to train communication and adaptation at the population level. They met and participated in the team meetings, which allowed showing the weekly planning of activities, the interdisciplinary discussion of more complex cases and the created strategies. Results: The promising results of the Active Methodologies based on student autonomy, in relation to the learning process, are applied to the teaching of Medicine in clinical practice environments, since the contact with reality improves learning, challenges the students to research and reflect with autonomy to think about what they must do with the established learning goals and teaches them to use previous experiences to interrelate new knowledge with previous information through Evidence-Based Medicine and reflect on medical practice. Conclusion: Comments are also made on the National Curricular Guidelines, which request the inclusion of the medical student within the scope of the Unified Health System, aimed mainly at Primary Health Care learning.<hr/>Resumo: Introdução: Neste artigo, é relatada a experiência de um médico especialista em Medicina de Família e Comunidade, que trabalha em uma unidade básica de saúde da região sul do município de São Paulo, na atenção primária à saúde do Sistema Único de Saúde, ao se tornar preceptor de estudantes de Medicina da Universidade São Caetano do Sul. Método: Os estudantes conheceram a estrutura típica de uma unidade básica de saúde e treinaram a confecção da entrevista médica, sob supervisão, e do exame físico, à medida que adquiriam as competências necessárias. Treinaram ainda o pedido de exames complementares. Com isso aprenderam na prática a aplicar o método clínico. Os estudantes também treinaram a competência de aplicar o método clínico em ambientes não controlados por meio da visita domiciliar, o que lhes permitiu também conhecer a realidade do paciente in loco. Por meio do acompanhamento de famílias e de casos-índice realizado durante alguns anos, os estudantes puderam conhecer os diferentes ciclos de atendimento da Estratégia Saúde da Família, inclusive a questão da morte, que se inicia no contexto sociofamiliar. Os discentes também atuaram em grupos de orientação e transmissão de conhecimento para a comunidade e puderam treinar a comunicação e a adaptação referentes à população atendida. Participaram de reuniões de equipe, nas quais vivenciaram o planejamento semanal das atividades, a discussão interdisciplinar de casos mais complexos e as estratégias criadas. Resultados: Obtiveram-se resultados promissores com o uso das metodologias ativas que se baseiam na autonomia do estudante ante o processo de aprendizagem. Essas metodologias são aplicadas ao ensino da Medicina em ambientes de prática clínica, pois o contato com a realidade melhora o aprendizado, desafia o aluno a pesquisar com autonomia a fim de entender com clareza o que fazer com os objetivos de aprendizagem estabelecidos, ensina a usar experiências pregressas para inter-relacionar novos conhecimentos com os conhecimentos prévios, por meio da Medicina Baseada em Evidências, e refletir sobre a prática médica. Conclusão: De acordo com as Diretrizes Nacionais Curriculares, a inserção do estudante de Medicina no âmbito do Sistema Único de Saúde é imprescindível para que ele possa adquirir os conhecimentos necessários para atuar sobretudo na atenção primária à saúde.