Scielo RSS <![CDATA[Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0101-471420200001&lang=pt vol. 28 num. lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[Introdução]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-47142020000100301&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[A ética do silêncio racial no contexto urbano: políticas públicas e desigualdade social no Recife, 1900-1940]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-47142020000100302&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Mais de meio século após o preconceito racial ter se tornado o principal alvo dos movimentos urbanos pelos direitos civis nos Estados Unidos e na África do Sul, e décadas depois do surgimento dos movimentos negros contemporâneos no Brasil, o conjunto de ferramentas legislativas criado no Brasil para promover o direito à cidade ainda adere à longa tradição brasileira de silêncio acerca da questão racial. Este artigo propõe iniciar uma exploração das raízes históricas desse fenômeno, remontando ao surgimento do silêncio sobre a questão racial na política urbana do Recife, Brasil, durante a primeira metade do século XX. O Recife foi e é um exemplo paradigmático do processo pelo qual uma cidade amplamente marcada por traços negros e africanos chegou a ser definida política e legalmente como um espaço pobre, subdesenvolvido e racialmente neutro, onde as desigualdades sociais originaram na exclusão capitalista, e não na escravidão e nas ideologias do racismo científico. Neste sentido, Recife lança luzes sobre a política urbana que se gerou sob a sombra do silêncio racial.<hr/>ABSTRACT More than half a century after racial prejudice became central to urban civil rights movements in the United States and South Africa, and decades after the emergence of Brazil’s contemporary Black movements, Brazil's internationally recognized body of rights-to-the-city legislation still adheres to the country's long historical tradition of racial silence. This article explores the historical roots of this phenomenon by focusing on the emergence of racial silence in Recife, Brazil during the first half of the 20th Century. Recife was and remains a paradigmatic example of the process through which a city marked by its Black and African roots came to be legally and politically defined as a poor, underdeveloped and racially neutral space, where social inequalities derived from capitalist exclusion rather than from slavery and scientific racism. As such, Recife's experience sheds light on the urban policies that were generated in the shadow of racial silence. <![CDATA[Estratégias de aquisição da casa própria: a trajetória de algumas famílias negras paulistanas nas décadas de 1920 a 1940]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-47142020000100303&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo No Brasil, há uma crença cultural de que a atitude mais sábia para garantir uma economia doméstica segura e estável é a aquisição da casa própria. Por gerações, o “sonho da casa própria” tem sido cultivado como um horizonte a se atingir. Confirmando essa tendência, desde a década de 1920, a “casa própria” torna-se uma noção mobilizada nos periódicos da imprensa negra, circulando em diversos artigos como uma aspiração desejável e uma orientação ao público dos jornais. Entre 1924 e 1937, dois dos principais jornais da imprensa negra paulista, O Clarim da Alvorada e A Voz da Raça, realizaram uma campanha em favor da casa própria, difundindo entre as famílias negras paulistanas a ideia da importância da aquisição imobiliária. Essas campanhas constituem um indício importante da relevância da aquisição residencial para as famílias negras do período. Neste trabalho, procuramos analisar essa importância como estratégia de seguridade social intergeracional, por meio da apresentação de três casos de famílias negras que realizaram esse objetivo entre as décadas de 1920 e 1940. Os depoimentos das famílias negras aqui reportados indicam precocidade, especificidades e estratégias que representam novos desafios para a reflexão sobre a formulação do problema da casa própria, a partir do ponto de vista racial.<hr/>ABSTRACT In Brazil, there is a cultural belief that property acquisition is the wisest attitude to ensure a safe and stable economy. For generations, the "dream of property ownership" has been cultivated as a horizon to be achieved. Confirming this tendency, since the 1920s, "casa propria" (home ownership) became a notion mobilized in the black press periodicals, circulating as a desirable aspiration and an orientation to the journals public. Between 1924 and 1937, two of the main newspapers of São Paulo black press, O Clarim da Alvorada and A Voz da Raça, carried out a campaign in favor of property ownership, spreading among paulista black families the importance of property acquisition. These campaigns are an important sign for the relevance of buying a property for black families at that time. In this paper, we seek to analyze it as an intergenerational social security strategy, through the presentation of three cases of black families that accomplished this goal between 1920s and 1940s. The black families testimonies reported here indicate precocity, specificities and strategies that represent new challenges for the formulation of property ownership problem, from a racial point of view. <![CDATA[A cor do Homem Nu: impasses de uma periferia branca diante do modernismo (Paraná, 1953)]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-47142020000100304&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Em meados dos anos 1950, a construção de um monumento em Curitiba colocou a elite local diante de um impasse: como ser moderno, no Brasil do pós-guerra, sem deixar de ser branco? Concebido como parte das comemorações de cem anos de criação do Paraná, o monumento do centenário deveria dominar a praça do Centro Cívico - um conjunto administrativo moderno projetado para simbolizar a súbita transformação do Paraná em um dos estados mais ricos da federação. Os 21 gigantes de pedra que formariam o monumento, entretanto, acabaram sendo reduzidos a apenas um, o Homem Nu, obra dos escultores Erbo Stenzel e Humberto Cozzo. Neste artigo, analiso os sentidos relacionados à adaptação, construção e repercussão do monumento do Homem Nu, incluindo os atritos entre agentes locais e profissionais de vanguarda (e outros nem tanto) que trabalhavam no Rio de Janeiro. Procuro mostrar os esforços de uma fração da elite empenhada em atualizar sua região periférica seguindo os ditames de um movimento moderno desenvolvido no centro da vida cultural nacional. Contra a resistência de uma fração reacionária da elite, os modernos do Paraná conseguiram assegurar projetos arquitetônicos significativos, para em seguida recuar quando descobriram que ser moderno e brasileiro, nos anos 50, significava tornar-se menos branco.<hr/>ABSTRACT In the mid-1950’s, the construction of a monument in Curitiba, Paraná, led the local elite to an impasse: how to be modern, in postwar Brazil, without giving up being white? Conceived as part of the centenary commemorations of the state of Paraná, the monument should dominate the Civic Center plaza - an administrative complex planned to symbolize the sudden transformation of Paraná into one of the richer states in the federation. However, the 21 stone giants that would comprise the monument ended up reduced to only one, the Naked Man, made by sculptors Erbo Stenzel and Humberto Cozzo. In this article, I analyze the meanings associated with the adaptation, construction and repercussion of the Naked Man, including the conflicts between local agents and modernist professionals that worked in the Brazilian capital, Rio de Janeiro. I trace the efforts of an elite group focused in updating their region according to the standards set by a modern movement developed in the centers of the nation’s cultural life. Facing resistance from a reactionary local elite group, the modern paranaenses were able to secure significant architectural projects, but only to retreat when they figured that being modern and Brazilian, in the postwar years, meant becoming less white. <![CDATA[O Largo da Banana e a presença negra em São Paulo]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-47142020000100305&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO O Largo da Banana está associado à história da população negra em São Paulo. Reconhecido como um dos “berços” do samba paulista, é sobretudo através dos próprios sambistas que essa história pode hoje ser conhecida. Localizado junto à antiga estação da Barra Funda, desde as primeiras décadas até meados do século passado, aquele espaço concentrou trabalhadores informais vinculados às atividades da ferrovia. Em meio a um cotidiano precário e instável, essa população realizava rodas de samba e de tiririca. Nos anos 1950, foi construído naquele local o Viaduto Pacaembu, que prolongava a avenida homônima para além da via férrea. A partir da década de 1960, o sambista negro Geraldo Filme compôs duas canções em que homenageava o Largo da Banana e lamentava seu desaparecimento após a inauguração do viaduto. Nessas e em outras composições, o artista registrou suas percepções sobre as condições de vida da população negra e sambista na cidade, suas sociabilidades, bem como sobre as transformações urbanas que testemunhou. Considerando que sua obra artística contribui para iluminar aspectos da realidade social, ela é adotada como fonte para analisar as formas de sociabilidade no Largo da Banana e a intervenção urbanística naquele local.<hr/>ABSTRACT The Largo da Banana relates to the history of the black population in São Paulo. Acknowledged as one of São Paulo’s “cradle” of samba, samba musicians are its main spokespersons. Largo da Banana used to be located near the former Barra Funda Railway Station. From the first decades to around half the Twentieth century, informal laborers in the railway logistics used to gather together in that space. Within a precarious and unsteady daily life, they used to play samba and tiririca. In the fifties, the municipality built the Pacaembu Viaduct in that area, aiming to extend the homonym avenue beyond the railway road. In the sixties, samba musician Geraldo Filme wrote two songs in which he paid homage to Largo da Banana and regretted its disappearance after the viaduct’s inauguration. In these and other of his songs, the artist recorded his perceptions on the life conditions of São Paulo’s blacks and samba musicians, their sociabilities, and also the urban changes he witnessed. Considering that his artistic work contributes to enlighten aspects of social reality, I analyze some of his songs to interpret the sociabilities at Largo da Banana, as well as the urban intervention in that location. <![CDATA[Arte contemporânea em diálogo com a tradição visual: Cardoso, Zocchio e Navas (São Paulo, 1887-2016)]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-47142020000100450&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Estruturado em três segmentos, o artigo comenta em um primeiro momento ensaios visuais dos artistas contemporâneos Patrícia Cardoso, Marcelo Zocchio e Thiago Navas que tomam a cidade de São Paulo e suas representações como questão, em ações que tensionam aspectos como memória, autoria, autoridade e tradição visual. Em seguida, é apresentado um percurso historiográfico sobre a obra de Militão Augusto de Azevedo (Rio de Janeiro, 1837-São Paulo, 1905), produtor visual em destaque na reflexão operada naqueles ensaios. Surge ali como referência em diferentes graus e modos o Álbum comparativo da cidade de S. Paulo (1862-1887), o mais extenso conjunto imagético sobre a cidade ao final da década de 1880. Busca-se destacar como as imagens de Militão foram percebidas e mobilizadas no processo de construção de uma memória urbana local ao longo do século XX e, por fim, na própria constituição do campo da história da fotografia brasileira. O artigo retorna ao final à análise dos ensaios de Cardoso, Zocchio e Navas, comentando como operam sobre princípios estruturais como o recurso comparativo entre fotografias, as funções documentais, representacionais, etc. O artigo enfoca especialmente as temporalidades articuladas pela narrativas imagéticas no álbum de Militão e nas apropriações posteriores, e como uma potente reflexão sobre esses aspectos se realiza no segmento da arte contemporânea, permitindo expor as dinâmicas que submeteram a iconografia histórica local a agendas diversas.<hr/>ABSTRACT The article, structured in 3 segments, comments some visual essays by contemporary artists Patrícia Cardoso, Marcelo Zocchio and Thiago Navas, which take the city of São Paulo and its representations as subject, working with aspects as memory, authorship, authority and visual tradition. Following the article presents a historiographical panorama about the work of Militão Augusto de Azevedo (Rio de Janeiro, 1837-São Paulo, 1905), a prominent visual producer, whose images are central for those essays. Militão Azevedo’s Álbum comparativo da cidade de S. Paulo (1862-1887), the most extensive imagery set about the city at the end of the 1880s, is a reference in different degrees and modes in such contemporary artworks. This paper seeks also to highlight how the images of Militão were perceived and mobilized throughout the 20th century in the process of building a local urban memory and in the very constitution of the field of the history of Brazilian photography. The article concludes with the analysis of Cardoso, Zocchio and Navas’ works, commenting the ways they operate on structural principles such as the comparative resource between photographs, documentary and representational functions etc. The text focuses on the temporalities articulated by the imagetic narratives in Militão's album and the later appropriations, and seeks to feature the potent reflection that takes form in the segment of contemporary art, which reveals the dynamics that had subjected the local historical iconography to different agendas. <![CDATA[Paradoxos da “identidade nacional” nos discursos arquitetônicos de Lucio Costa e Sylvio de Vasconcellos]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-47142020000100451&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO No debate em torno do período e do estilo arquitetônico que representassem a identidade nacional na historiografia da arquitetura brasileira, nas primeiras décadas do século XX, diferentes agentes tomaram lugar na consolidação do ideário patrimonial arquitetônico. Figuras marcantes às políticas de preservação cultural, tais como Rodrigo Melo Franco de Andrade e Mário de Andrade, integraram o espaço público ressaltando suas posições de intelectuais inerentes às políticas culturais. Tendo em vista tal fato, este artigo se debruça sobre a consolidação no imaginário social da arquitetura setecentista enquanto efetiva representação da arquitetura nacional, concretizando-se enquanto estilo/período com o maior número de edificações tombadas até 1970. Compreendendo os diferentes sujeitos envolvidos nesse processo, centra-se, assim, na efetiva ação política de Lucio Costa e Sylvio Vasconcellos na defesa em torno do patrimônio colonial, a partir de textos e intervenções nas cidades tombadas Brasil afora, conformando e consolidando suas estratégias em torno de um ideário de patrimônio e nação. Além disso, busca-se compreender a relação direta estabelecida por ambos os agentes entre a arquitetura “eleita” patrimônio nacional e os preceitos do novo fazer arquitetônico vinculado ao Movimento Moderno, ao qual eram adeptos. Justificando o novo a partir do primitivo, numa relação perfeita em que tudo se explica e se encaixa, a arquitetura eclética foi tratada como cópia de estilos, exacerbação de ornamentos e vinculação ao estrangeirismo, se opondo assim ao projeto de nação pleiteado. Devemos sempre rever conceitos e diretrizes, tratando de forma mais verdadeira e justa o nosso patrimônio eclético, e em consequência, nossa historiografia arquitetônica.<hr/>ABSTRACT In the debate about the period and the architectural style that represented the national identity in the historiography of Brazilian architecture, in the first decades of the twentieth century, different agents took place in the consolidation of the architectural heritage idea. Important characters in cultural preservation policies, such as Rodrigo Melo Franco de Andrade and Mário de Andrade, integrated the public space emphasizing their positions of organic intellectuals in cultural policies. Given this fact, this article focuses on the consolidation in the social imaginary of eighteenth-century architecture as an effective representation of national architecture, consolidating itself as a style/period with the largest number of buildings listed until 1970. Understanding the different subjects involved in this process, this article focuses on the effective political action of Lucio Costa and Sylvio Vasconcellos on the defense of colonial heritage, based on texts and interventions in the overturned cities throughout Brazil, shaping and consolidating their strategies around an ideology of heritage and nation. In addition, we seek to understand the direct relationship established by both agents between the “elected” national heritage architecture and the precepts of the new architectural practice linked to the Modern Movement, to which they were adherents. Justifying the new from the primitive, in a perfect relationship where everything can be explained and fitted, the eclectic architecture was treated as a copy of styles, exacerbation of ornaments and link to foreignism, in opposition at the claimed nation project. We should always review concepts and guidelines, dealing more truthfully and fairly with our eclectic heritage, and consequently with our architectural historiography. <![CDATA[Descolonizar o pensamento museológico: reintegrando a matéria para re-pensar os museus]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-47142020000100501&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO O artigo apresenta uma reflexão com bases teóricas sobre as estruturas coloniais dos museus, considerando historicamente o desenvolvimento dessas instituições no Brasil desde a criação do Museu Nacional do Rio de Janeiro, em 1818. Propõe a descolonização do pensamento museológico por meio do reconhecimento crítico de suas bases no Iluminismo e na reiteração material do sujeito racional como sujeito ontológico herdado desde o cogito cartesiano. Abordando a crítica decolonial, identifica na separação entre sujeito e objeto e entre pensamento e matéria - estruturantes do pensamento filosófico ocidental - o principal traço do colonialismo nos regimes museais e patrimoniais. Entendendo os museus como dispositivos de “materialização”, segundo o conceito de Judith Butler, o artigo propõe a reintegração da matéria ao pensamento na teoria museológica como caminho para re-pensar as práticas museais em regimes pós-coloniais.<hr/>ABSTRACT The article presents a theoretical reflection on the colonial basis of the museum, considering its historical development in Brazil, since the creation of the National Museum (Museu Nacional) in Rio de Janeiro, in 1818. It proposes the decolonization of museological thinking by critically recognizing its foundations in the Enlightenment and in the reiteration of the rational and material subject, the ontological subject inherited since the cartesian cogito. In a decolonial approach, it identifies as the main trace of colonialism in museums and in cultural heritage the breach between subject and object, and between thinking and matter, which are structural of philosophical thinking in the West. Comprehending museums as devices for “materialization”, based on the concept by Judith Butler, the paper proposes the reintegration of matter into thinking in museological theory as a path to re-thinking museum practice in post-colonial regimes. <![CDATA[Museu integral, museu integrado: a especificidade latino-americana da Mesa de Santiago do Chile]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-47142020000100502&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Muito se menciona sobre a Mesa de Santiago do Chile como um dos eventos internacionais marcantes para os museus e para a Museologia, seja pelo protagonismo latino-americano, seja pela tônica dos debates ali traçados e seus claros desdobramentos naquilo que se convencionou chamar de “Nova Museologia”. Pouco sabemos ou temos acesso à documentação produzida na ocasião, mas as fontes disponibilizadas nos indicam a preocupação sobre temas relacionados ao desenvolvimento econômico e social da região: urbanização, industrialização e migração, entre outros. É nessa seara que se procurou pensar o papel dos museus, considerando questões específicas das realidades de um território (con)formado historicamente numa clivagem moderno-colonial. Nesse sentido, revela-se primordial contextualizar a Mesa de Santiago do Chile numa miríade de acontecimentos e de ideias que nos oferecem uma perspectiva sobre a expressiva dimensão do evento e a potência do “Museu Integral” em contraposição ao termo “Museu Integrado” quando pensados sobre e a partir da América Latina.<hr/>ABSTRACT Many often the Santiago de Chile Event was mention as one of the most important international events for museums and Museology, both for Latin American protagonism and for the tone of the debates there and their clear developments in what has been called "New Museology". Less we know or have access to the documentation produced at the time, but the available sources presents the concern about issues related to the economic and social "development" of the continent: urbanization, industrialization, migration, among others. It is in this area that we tried to think about the role of museums, considering specific questions of the realities of a territory historically formed in a modern-colonial cleavage. In this sense, it is essential to contextualize the Santiago de Chile Event in a myriad of events and ideas that offer us a perspective on the expressive dimension of the event and the power of the "Integral Museum" as opposed to the term "Integrated Museum" thought by researches from Latin America. <![CDATA[Gestão de museus a partir da aplicação da Avaliação Pós-Ocupação. O caso do Museu Histórico e Cultural de Jundiaí, São Paulo]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-47142020000100503&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO No Brasil há poucas pesquisas sobre espaços museológicos que contribuem efetivamente para a gestão destes espaços e muito menos pesquisas com base em levantamentos in situ que priorizam o ponto de vista dos usuários dos museus, sejam estes visitantes, sejam funcionários, como importante estratégia para a conservação, a manutenção e a operação do edifício, do acervo e dos ambientes externos, mitigando, dessa forma, os riscos envolvidos. O artigo parte desse pressuposto e descreve como a Avaliação Pós-Ocupação (APO), um conjunto de métodos e técnicas que abrange a aferição da satisfação dos usuários e a verificação do desempenho físico dos ambientes, pode contribuir na formulação de diagnósticos e de recomendações com vistas à manutenção e à conservação consistentes para o caso de ambientes internos e externos antigos e que abrigam acervos. Para tanto, adotou-se como objeto de estudo exploratório o Museu Histórico e Cultural de Jundiaí - o Solar do Barão - para demonstrar a aplicabilidade da APO no caso de edifícios e espaços exteriores patrimoniados e colocar em discussão seus procedimentos metodológicos como alternativa de planejamento estratégico para museus, relacionando a conservação do edifício, do acervo e dos ambientes externos, com o acolhimento e a sensação de pertencimento dos usuários. Ao final e como resultados da APO aplicada em 2018 nesse caso em particular, apresenta-se um conjunto de recomendações técnico-espaciais e construtivas, para o conjunto edificado e ajardinado em questão e faz-se uma reflexão crítica sobre a necessidade de incorporar procedimentos de manutenção e de uso de espaços museológicos em suas rotinas operacionais e também utilizar esses resultados, sistematicamente organizados, para realimentar futuras readequações do próprio estudo de caso e, de forma ampliada, diretrizes para projetos arquitetônicos. Nessa perspectiva, o artigo destaca a importância do arquiteto especialista nas equipes que desenvolvem os projetos destinados ao restauro e à modernização desses espaços, bem como naquelas equipes que realizam a sua gestão, no decorrer do uso.<hr/>ABSTRACT In Brazil, there are few researches about museums that contribute more effectively to the management of these facilities and much less researches based on in situ surveys that priorize museum users, whether visitors or staff as an important conservation and maintenance strategy of the building, the collection and the outdoor environments, thus mitigating the risks involved. The article starts from this assumption and describes how Post-Occupancy Evaluation (POE), a set of methods and techniques that encompasses the measurement of user perception and satisfaction and the verification of the physical performance of environments can contribute to address diagnoses and recommendations for consistent maintenance and upkeep for older indoor and outdoor collections (including the building itself). To this end, the Jundiaí Historical and Cultural Museum - Solar do Barão - sited at the State of São Paulo, Brazil, was adopted as an exploratory study object to demonstrate the applicability of POE in the case of heritage buildings and their outdoor spaces and to discuss its methodological procedures as an alternative to strategic planning for museums, relating the conservation of the building, the collection and the external environments, with the welcome and the sense of belonging of the visitors and staff. To sum up and as a result of the POE applied in 2018 in this particular case, we present a set of technical-spatial and constructive recommendations based on research, for the built and landscaped set in question and a critical reflection on the need for incorporate procedures for the maintenance, use and operation of museum on daily basis and also use these results, systematically organized, to feedback future readjustments of the case study itself and, broadly, guidelines for architectural designs. In this perspective, the article highlights the importance of the expert architect in the teams that develop the designs for the restoration and modernization of these environments, as well as in those teams that manage them during their use. <![CDATA[Who are the visitors of the art museums. Particularities of the publics of the weekends at the Art Museum of Tigre (Argentina)]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-47142020000100504&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMEN Saber quiénes son sus visitantes es una de las principales tareas de los museos en la actualidad, en la medida en que fluctúan entre ajustarse a las imposiciones del sistema capitalista y convertirse en instituciones democráticas y participativas. No obstante, este aspecto resulta aun más dificultoso en los museos de arte, en virtud de los atributos particulares de su estructura y actores. El presente trabajo tiene como objetivo aproximar algunos criterios que permitan conocer quiénes son los visitantes de los museos de arte creados en Argentina desde el inicio del nuevo milenio. Dada la magnitud del desafío, se procura, con el foco puesto en un caso particular, trazar algunos lineamientos sostenidos en los enfoques teórico-críticos aplicados a la museología y en los estudios de públicos. En cuanto a lo metodológico, se recurrió a un estudio de visitantes que apeló a orientaciones cuantitativas y cualitativas, realizado en el Museo de Arte de Tigre durante 2017, centrado en los públicos del fin de semana. Se considera que, al indagar los rasgos singulares de esta entidad patrimonial, pueden identificarse algunos indicios que permitan comenzar a trazar un perfil, tanto general como específico, de los visitantes de los museos de arte.<hr/>ABSTRACT Knowing who its visitors are is one of the main tasks of museums today, as they fluctuate between conforming to the impositions of the capitalist system and becoming democratic and participatory institutions. However, this aspect is even more difficult in the arts museums because of the particular attributes of their structure and its diverse actors. The present work has as main object to bring near some criteria that may allow to know who are the visitors of the art museums in Argentina since the beginning of the new millennium. Given the extent of the challenge, we’ll try, focusing in a particular case, draw some guidelines sustained in the theorical-critical approaches applied to museology and studies of the publics. In terms of methodology, a visitor study was carried out at the Tigre Art Museum in 2017, using both quantitative and qualitative guidelines, focusing on weekend audiences. It is considered that, when we question the singularities of this entity, there are some indications that a general and specific profile of visitors to art museums can begin to be identified.<hr/>RESUMO Saber quem são seus visitantes é uma das principais tarefas dos museus na atualidade, na medida em que flutuam entre amoldar-se às imposições do sistema capitalista e converter-se em instituições democráticas e participativas. Não obstante, este aspecto resulta ainda mais dificultoso nos museus de arte, devido aos atributos particulares de sua estrutura e atores. O presente trabalho tem por objetivo aproximar alguns critérios que permitam conhecer quem são os visitantes dos museus de arte criados na Argentina desde o início do novo milênio. Dada a magnitude do desafio, e com o foco posto em um caso particular, buscou-se traçar alguns lineamentos sustentados nos enfoques teórico-críticos aplicados à museologia e nos estudos de públicos. Quanto à metodologia, a pesquisa teve como base um estudo de visitantes que apelou a orientações quantitativas e qualitativas, realizado no Museu de Arte de Tigre durante o ano de 2017, focado nos públicos de fim de semana. Considera-se que, ao indagarmos os traços singulares desta entidade, podem ser identificados alguns indícios que permitam começar a esboçar um perfil, tanto geral quanto específico, dos visitantes dos museus de arte. <![CDATA[Restauro e integridade: do concreto ao efêmero]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-47142020000100701&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Um dos caminhos para o entendimento da noção de integridade é a teoria do restauro por visar à unidade potencial de um bem. A integridade é uma condição para a conservação do patrimônio e vem sendo alvo de debates nas últimas décadas, mas, quando o objeto de análise são os jardins históricos, somos remetidos a outra realidade - a ausência de um aprofundamento teórico e, consequentemente, de uma metodologia para sua verificação. Tal problemática impulsionou a escrita desde artigo que traz um panorama de como a integridade está sendo pensada e discutida e como os jardins históricos estão sendo considerados ante sua efemeridade, já que o elemento principal é o vegetal.<hr/>ABSTRACT One of the ways to understand the notion of integrity is the theory of restoration because it aims at the potential unity of cultural heritage. Integrity is a condition for the conservation of cultural heritage and has been the subject of debate in the last decades, but when the object of analysis is the historical gardens, we are referred to another reality - the absence of a theoretical deepening and, consequently, of a methodology for its verification. This problematic has driven writing since an article that provides an overview of how integrity is being thought and discussed and how historical gardens are being considered in view of their ephemerality since the main element is the vegetation.