Scielo RSS <![CDATA[Cadernos de Saúde Pública]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0102-311X20200013&lang=pt vol. 36 num. lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[Evidências científicas para subsidiar o debate]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001300101&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[Indicação de aborto por anomalia fetal: como abordar um assunto difícil]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001300301&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[O impacto da pobreza e da violência na saúde e nos direitos reprodutivos das mulheres em El Salvador]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001300501&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[Aborto por opção da mulher: a experiência portuguesa da implementação da Rede Nacional]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001300502&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[A produção de conhecimento especializado como eixo central na implementação do aborto legal na Colômbia]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001300503&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[Desafios e oportunidades para o acesso ao aborto legal e seguro na América Latina a partir dos cenários do Brasil, da Argentina e do Uruguai]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001300504&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[A Irlanda desde a revogação da Oitava Emenda]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001300505&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[A importância de discutir abertamente o problema do aborto para a proteção e promoção da saúde da mulher]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001300506&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[Aborto legal no Brasil: revisão sistemática da produção científica, 2008-2018]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001302001&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: Revisões anteriores sobre o aborto no Brasil estimaram um milhão de procedimentos anuais, porém, não abordaram o aborto legal. O objetivo desta revisão sistemática foi atualizar o conhecimento sobre o aborto legal, quanto ao perfil dos serviços, das mulheres atendidas, conhecimento de estudantes e médicos, situação de anencefalia e malformações graves. A busca de artigos foi via MEDLINE e LILACS, de 2008 a 2018, sem restrição de idiomas. A qualidade dos artigos foi avaliada com instrumentos do Joanna Briggs Institute. Busca, seleção, avaliação de qualidade e extração de dados foram feitas independentemente por duas pesquisadoras. Selecionaram-se 20 artigos, 11 sobre conhecimento e opinião de profissionais médicos (4 artigos) e estudantes de Medicina (7 artigos), revelando conhecimento aquém do ideal sobre o aborto legal e objeção de consciência elevada. Seis estudos sobre as mulheres atendidas identificaram que elas são jovens, solteiras e a principal demanda foi a gravidez decorrente de estupro. A demora em procurar atendimento ocorreu dentre as mais jovens, solteiras e quando o agressor era alguém próximo. Três estudos sobre malformações graves mostraram autorização judicial em torno de 40%. Nos casos sem autorização, a evolução da gravidez foi complicada e o parto foi cesáreo. Apenas um artigo abordou os serviços de aborto legal, apontando 37 dos 68 cadastrados em atividade, inexistência em sete estados e concentração nas capitais. O conhecimento sobre o aborto legal ainda é escasso, a demanda do procedimento é reprimida e a formação médica é deficiente no tema.<hr/>Resumen: Revisiones anteriores sobre el aborto en Brasil estimaron un millón de procedimientos anuales, sin embargo, no abordaron el aborto legal. El objetivo de esta revisión sistemática fue actualizar el conocimiento sobre el aborto legal, en cuanto al perfil de los servicios, de las mujeres atendidas, conocimiento de estudiantes y médicos, situación de anencefalia y malformaciones graves. La búsqueda de artículos fue vía MEDLINE y LILACS, de 2008 a 2018, sin restricción de idiomas. La calidad de los artículos se evaluó con instrumentos del Joanna Briggs Institute. La búsqueda, selección, evaluación de la calidad y extracción de datos fueron realizadas independientemente por parte de dos investigadoras. Se seleccionaron 20 artículos, 11 sobre conocimiento y opinión de profesionales médicos (4 artículos) y estudiantes de Medicina (7 artículos), revelando conocimiento inferior al ideal sobre el aborto legal y la objeción de conciencia. Seis estudios sobre las mujeres atendidas identificaron que se trata de jóvenes, solteras y la principal demanda fue el embarazo ocasionado por una violación. La tardanza en buscar atención se produjo entre las más jóvenes, solteras y cuando el agresor era alguien cercano. Tres estudios sobre malformaciones graves mostraron una autorización judicial en torno a un 40%. En los casos sin autorización, la evolución del embarazo fue complicada y el parto fue por cesárea. Solamente un artículo abordó los servicios de aborto legal, apuntando 37 de los 68 registrados en actividad, inexistencia en siete estados y concentración en las capitales. El conocimiento sobre el aborto legal todavía es escaso, la demanda de la intervención está reprimida y la formación médica es deficiente en el tema.<hr/>Abstract: Previous reviews on the subject of abortion in Brazil have estimated one million procedures per year but did not address legal abortion. This systematic review sought to update knowledge regarding legal abortion in terms of service and women’s profile, student and doctor knowledge, situations of anencephaly and severe malformations. We searched MEDLINE and LILACS for articles published in all languages between 2008 and 2018. Article quality was assessed using the Joanna Briggs Institute instruments. Search, selection, quality assessment and data extraction were carried out independently by two researchers. We selected 20 articles, 11 on the knowledge and opinion of medical professionals (4 articles) and students (7 articles) revealing a less-than-ideal level of knowledge and a high degree of objection of conscience. Six studies on women who use legal abortion services found that they are young, single and that the main demand was for pregnancy resulting from rape. When women were younger and single and when the aggressor was someone close to them, there were delays in seeking care. Three studies on severe malformation found around 40% of court authorizations. In cases for which no authorization was given, the evolution of pregnancies was complicated and deliveries were done through cesarean sections. Only one article addressed legal abortion services, showing that 37 of the 68 that had been registered were active, lack of services in seven states and concentration in capitals. Knowledge regarding legal abortion is still scarce, the demand for the procedure is repressed and medical training is deficient with regard to this subject. <![CDATA[Aborto inseguro no Brasil: revisão sistemática da produção científica, 2008-2018]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001302002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt O objetivo deste estudo é atualizar o conhecimento sobre o aborto inseguro no país. Foi realizada uma revisão sistemática com busca e seleção de estudos via MEDLINE e LILACS, sem restrição de idiomas, no período 2008 a 2018, com avaliação da qualidade dos artigos por meio dos instrumentos elaborados pelo Instituto Joanna Briggs. Foram avaliados 50 artigos. A prevalência de aborto induzido no Brasil foi estimada por método direto em 15% no ano de 2010 e 13% no ano de 2016. Prevalências mais elevadas foram observadas em populações socialmente mais vulneráveis. A razão de aborto induzido por 1.000 mulheres em idade fértil reduziu no período 1995-2013, sendo de 16 por 1.000 em 2013. Metade das mulheres referiu a utilização de medicamentos para a interrupção da gestação e o número de internações por complicações do aborto, principalmente complicações graves, reduziu no período 1992-2009. A morbimortalidade materna por aborto apresentou frequência reduzida, mas alcançou valores elevados em contextos específicos. Há um provável sub-registro de óbitos maternos por aborto. Transtornos mentais comuns na gestação e depressão pós-parto foram mais frequentes em mulheres que tentaram induzir um aborto sem sucesso. Os resultados encontrados indicam que o aborto é usado com frequência no Brasil, principalmente nas regiões menos desenvolvidas e por mulheres socialmente mais vulneráveis. O acesso a métodos mais seguros provavelmente contribuiu para a redução de internações por complicações e para a redução da morbimortalidade por aborto. Entretanto, metade das mulheres ainda recorre a outros métodos e o número de internações por complicações do aborto é ainda elevado.<hr/>El objetivo de este estudio es actualizar el conocimiento sobre el aborto inseguro en el país. Se realizó una revisión sistemática con búsqueda y selección de estudios vía MEDLINE y LILACS, sin restricción de idiomas, durante el período de 2008 a 2018, con una evaluación de la calidad de los artículos mediante instrumentos elaborados por el Instituto Joanna Briggs. Se evaluaron 50 artículos. La prevalencia de aborto inducido en Brasil se estimó por el método directo en un 15% durante el año 2010 y en un 13% durante el año 2016. Se observaron prevalencias más elevadas en poblaciones socialmente más vulnerables. La razón de aborto inducido por 1.000 mujeres en edad fértil se redujo durante el período de 1995-2013, siendo de 16 por 1.000 en 2013. La mitad de las mujeres informó sobre la utilización de medicamentos para la interrupción de la gestación y el número de internamientos por complicaciones del aborto, principalmente complicaciones graves, se redujo durante el período 1992-2009. La morbimortalidad materna por aborto presentó una frecuencia reducida, pero alcanzó valores elevados en contextos específicos. Existe un probable subregistro de óbitos maternos por aborto. Trastornos mentales comunes en la gestación y depresión posparto fueron más frecuentes en mujeres que intentaron inducir un aborto sin éxito. Los resultados encontrados indican que el aborto es usado con frecuencia en Brasil, principalmente en las regiones menos desarrolladas y por mujeres socialmente más vulnerables. El acceso a métodos más seguros probablemente contribuyó a la reducción de internamientos por complicaciones y a la reducción de la morbimortalidad por aborto. Sin embargo, la mitad de las mujeres todavía recurre a otros métodos y el número de internamientos por complicaciones del aborto es todavía elevado.<hr/>This study sought to update knowledge on unsafe abortion in Brazil. We carried out a systematic review with study search and selection on MEDLINE and LILACS, with no language restriction, from 2008 to 2018. We evaluated article quality using the Joanna Briggs Institute instruments. We evaluated 50 articles. The prevalence of induced abortion in Brazil was estimated by a direct method to be 15% in 2010 and 13% in 2016. Higher prevalences were observed in more socially vulnerable populations. There was a decrease in the ratio of induced abortions by 1,000 women of reproductive age in the period 1995-2013, reaching 16 per 1,000 in 2013. Half of all women reported using medications for terminating pregnancies and the number of hospital admissions due to complications from abortion, especially severe complications, decreased from 1992 to 2009. Maternal morbimortality from abortion had a reduced frequency but reached high values in specific contexts. It is likely that maternal deaths from abortion are under-reported. Common mental disorders during pregnancy and postpartum depression were more frequent among women who unsuccessfully attempted to induce an abortion. Findings indicate that abortion is frequently used in Brazil, especially in less-developed regions and by more socially-vulnerable women. Access to safer methods probably contributed to the reduction in hospitalizations due to complications and to the reduction in morbimortality from abortion. However, half of all women still resort to other methods and the number of admissions due to complications from abortion is still high. <![CDATA[Aborto e saúde no Brasil: desafios para a pesquisa sobre o tema em um contexto de ilegalidade]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001304001&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A pesquisa sobre o aborto impõe grandes desafios, que são redobrados em contextos onde a prática é ilegal. As mulheres tendem a omitir a interrupção voluntária da gravidez ou declarar o aborto como espontâneo, o que resulta em subestimação da sua ocorrência. A pesquisa sobre o tema é imprescindível, por permitir estimativas de incidência do aborto e de suas complicações, e a identificação de demandas insatisfeitas e de grupos mais vulneráveis de modo a embasar ações e políticas de saúde. Neste artigo pretendeu-se descrever os principais desafios enfrentados, a partir de uma revisão de estudos originais sobre o tema e da reflexão das autoras com base na realização de pesquisas empíricas. Discute-se as dificuldades para obtenção da informação, as estratégias e técnicas utilizadas para aumentar a acurácia e a confiabilidade, seus limites e vantagens, e para estimativas de ocorrência do aborto e de suas complicações, com o uso de métodos diretos (entrevistas e extração de dados de prontuários) e indiretos (fontes de dados secundários de morbidade e mortalidade). Na investigação das complicações do aborto, aborda-se os estudos de mortalidade e morbidade enfatizando-se as especificidades dos abortos entre as causas obstétricas. São apontados os principais indicadores utilizados e aspectos metodológicos para sua construção. Recomendações são feitas para superar problemas metodológicos e realizar novos estudos. Em conclusão, a relevância da pesquisa sobre o aborto e a necessidade de abordagens para contemplar sua complexidade são reiteradas.<hr/>La investigación sobre el aborto impone grandes desafíos, que son redoblados en contextos donde la práctica es ilegal. Las mujeres tienden a omitir la interrupción voluntaria del embarazo o declarar el aborto como espontáneo, lo que resulta en un subestimación de su ocurrencia. La investigación sobre este tema es imprescindible, al permitir estimaciones de incidencia del aborto y de sus complicaciones, y la identificación de demandas insatisfechas y de grupos más vulnerables, de modo que puedan fundamentar acciones y políticas de salud. En este artículo se pretendió describir los principales desafíos enfrentados, a partir de una revisión de estudios originales sobre el tema y de la reflexión de las autoras, en base a la realización de investigaciones empíricas. Se discuten las dificultades para la obtención de la información, las estrategias y técnicas utilizadas para aumentar la precisión y la confiabilidad, sus límites y ventajas, y para las estimaciones de ocurrencia del aborto y sus complicaciones, con el uso de métodos directos (entrevistas y extracción de datos de registros médicos) e indirectos (fuentes de datos secundarios de morbilidad y mortalidad). En la investigación de las complicaciones del aborto, se abordan los estudios de mortalidad y morbilidad enfatizándose las especificidades de los abortos entre las causas obstétricas. Se apuntan los principales indicadores utilizados y aspectos metodológicos para su construcción. Las recomendaciones se realizan para superar problemas metodológicos y realizar nuevos estudios. En conclusión, se reiteran la relevancia de la investigación sobre el aborto y la necesidad de abordajes para contemplar su complejidad.<hr/>Abortion research faces great challenges, even more so in contexts in which it is illegal. Women tend to omit the voluntary termination of pregnancy or to declare having miscarried, which results in an underestimation of abortions. Research on this subject is indispensable because it enables us to estimate the incidence of abortion and its complications, and to identify unmet demands and more vulnerable groups so as to subsidize health actions and policies. In this article, we seek to describe the main challenges faced by researchers through a review of original studies on abortion and our reflections based on empirical studies we have conducted. We discuss the difficulties in obtaining information, strategies and techniques used to increase accuracy and reliability and their limits and advantages, and strategies for estimating the occurrence of abortion and its complications, using direct (interviews and data from medical charts) and indirect (secondary data on mortality and morbidity) methods. When investigating abortion complications, we address studies on mortality and morbidity, emphasizing the specificities of abortion among obstetric causes. We discuss the main indicators used by researchers and methodological aspects of their construction. We make recommendations for overcoming methodological problems and conducting new studies. In the conclusion, we reiterate the relevance of research on abortion and the need for approaches that contemplate its complexity. <![CDATA[Avaliação da qualidade da atenção ao aborto na perspectiva das usuárias: estrutura dimensional do instrumento QualiAborto-Pt]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001304002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt As complicações do aborto são um importante problema de saúde pública e pesquisas para avaliar a qualidade da atenção requerem ferramentas de aferição adequadas. Este estudo dá sequência ao processo de refinamento de um instrumento para esse fim - QualiAborto-Pt. Utilizando-se dados de um inquérito com 2.336 mulheres internadas por complicações do aborto em 19 hospitais de três capitais do Nordeste brasileiro (Salvador - Bahia, Recife - Pernambuco e São Luís - Maranhão), implementou-se uma sequência de análises fatoriais exploratórias e confirmatórias com base em um protótipo de 55 itens. As análises apontam para uma estrutura de 17 itens em cinco dimensões: acolhimento, orientação, insumos/ambiente físico, qualidade técnica e continuidade do cuidado. Todos os itens do modelo final evidenciam confiabilidade aceitável, ausência de redundância de conteúdo, especificidade fatorial, e guardam coerência teórica com as respectivas dimensões. A solução também mostra validade fatorial discriminante. Ainda que persistam algumas questões a aprofundar e acertar, esta versão merece ser recomendada para uso no Brasil.<hr/>Las complicaciones del aborto son un importante problema de salud pública y las investigaciones para evaluar la calidad de la atención requieren herramientas de medición adecuadas. Este estudio da continuación al proceso de perfeccionamiento de un instrumento para este fin - QualiAborto-Pt. Se utilizaron datos de una encuesta con 2.336 mujeres internadas por complicaciones con el aborto en 19 hospitales de tres capitales del nordeste brasileño (Salvador - Bahia, Recife - Pernambuco e São Luís - Maranhão), se implementó una secuencia de análisis factoriales exploratorios y confirmatorios, a partir de un prototipo de 55 ítems. Los análisis apuntan una estructura de 17 ítems en cinco dimensiones: acogida, orientación, insumos/ambiente físico, calidad técnica y continuidad del cuidado. Todos los ítems del modelo final evidencian confiabilidad aceptable, ausencia de redundancia de contenido, especificidad factorial, y guardan coherencia teórica con sus respectivas dimensiones. La solución también muestra validez factorial discriminante. A pesar de que persistan algunas cuestiones por profundizar y acertar, esta versión merece ser recomendada para su uso en Brasil.<hr/>Abortion complications are a major public health problem, and studies to assess the quality of abortion care require adequate measurement tools. This study is a continuation of such an instrument’s refinement, the QualiAborto-Pt questionnaire. Using data from a survey of 2,336 women hospitalized for abortion complications in 19 hospitals in three state capitals in Northeast Brazil (Salvador - Bahia, Recife - Pernambuco, and São Luís - Maranhão), we implemented a series of exploratory and confirmatory factor analyses based on a 55-item prototype. The analyses indicate a structure with 17 items in five dimensions: reception, orientation, inputs/physical environment, technical quality, and continuity of care. All the items in the final model displayed acceptable reliability, absence of content redundancy, and factor specificity, as well as theoretical consistency with the respective dimensions. The solution also shows discriminant factor validity. Despite some persistent issues for further analysis and clarification, this version merits recommendation for use in Brazil. <![CDATA[Mulheres que fizeram aborto no Município do Rio de Janeiro, Brasil: aplicação de um modelo hierárquico bayesiano]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001304003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: Estimativas de mulheres que fizeram aborto provocado em localidades cujas leis são restritivas ainda são escassas na literatura científica, e a não coincidência de estimativas oriundas dos métodos hoje em uso clama pela aplicação de métodos inovadores, como novos métodos indiretos. Tal necessidade é especialmente aguda nas áreas mais densamente povoadas, como as capitais brasileiras, dada a magnitude do fenômeno e os danos e riscos daí decorrentes. O artigo objetiva estimar o número de mulheres que fez aborto provocado no Município do Rio de Janeiro, Brasil, em 2011, por meio de um modelo hierárquico bayesiano. Ele foi aplicado aos dados de um inquérito domiciliar que subsidiou a utilização do método network scale-up, no Município do Rio de Janeiro, um modelo hierárquico bayesiano utilizando as informações indiretas baseadas na rede de contatos dos participantes selecionados de forma aleatória da população. Das 1.758.145 mulheres de 15-49 anos residentes no Município do Rio de Janeiro (13.025; ICr95%: 10.635; 15.748) mulheres fizeram aborto provocado em 2011, resultando numa incidência acumulada média de 7,41 (ICr95%: 6,05; 8,96) para cada 1.000 mulheres de 15-49 anos. O estudo de autovalidação do modelo permitiu identificar padrões de subestimação em subpopulações estigmatizadas com baixa visibilidade social, como mulheres fizeram aborto provocado. O abortamento provocado é uma prática recorrente entre as mulheres no Município do Rio de Janeiro. Novos métodos de estimação indireta podem contribuir para a apreensão mais precisa do evento, considerando o contexto de ilegalidade, e contribuir para formulação de políticas de saúde.<hr/>Resumen: Las estimaciones de mujeres que tuvieron un aborto provocado en localidades cuyas leyes son restrictivas todavía son escasas en la literatura científica, y la no coincidencia de las estimaciones procedentes de los métodos hoy en uso reclama urgentemente la aplicación de métodos innovadores, como los nuevos métodos indirectos. Tal necesidad es especialmente acuciante en las áreas más densamente pobladas, como las capitales brasileñas, dada la magnitud del fenómeno y los daños y riesgos derivados de allí. El artículo tiene como objetivo estimar el número de mujeres que realizaron un aborto provocado en el Municipio de Río de Janeiro, Brasil, en 2011, a partir de un modelo jerárquico bayesiano. Este se aplicó a los datos de una encuesta domiciliaria que fomentó la utilización del método network scale-up, en el Municipio de Río de Janeiro, un modelo jerárquico bayesiano utilizando información indirecta, basada en la red de contactos de los participantes seleccionados de forma aleatoria en la población. De las 1.758.145 mujeres de 15-49 años, residentes en el Municipio de Río de Janeiro, 13.025 (ICr95%: 10.635; 15.748) mujeres tuvieron un aborto provocado en 2011, resultando en una incidencia acumulada media de 7,41 (ICr95%: 6,05; 8,96) para cada 1.000 mujeres de 15-49 años. El estudio de autovalidación del modelo permitió identificar patrones de subestimación en subpoblaciones estigmatizadas con baja visibilidad social, como las mujeres que tuvieron un aborto provocado. El aborto provocado es una práctica recurrente entre mujeres en el municipio de Río de Janeiro. Nuevos métodos de estimación indirecta pueden contribuir a la aprehensión más precisa de este evento, considerando el contexto de ilegalidad, y contribuir a la formulación de políticas de salud.<hr/>Abstract: Estimates of number of women who have undergone induced abortion in jurisdictions with restrictive abortion laws are still scarce in the scientific literature, and the disparate estimates from currently used methods call for the application of innovative estimation techniques such as new indirect methods. This need is especially acute in more densely populated areas, such as Brazil’s state capitals, given the magnitude of unsafe abortions and the resulting risks and harms. The article aims to estimate the number of women who had induced abortions in the city of Rio de Janeiro in 2011, based on a Bayesian hierarchical model. The model was applied to data from a household survey that supported the use of the network scale-up method in the city of Rio de Janeiro, a Bayesian hierarchical model using indirect information based on the contact networks of randomly selected participants from the general population. Among the 1,758,145 women 15-49 years of age living in the city of Rio de Janeiro, 13,025 women (95%CrI: 10,635; 15,748) had induced abortions in 2011, resulting in a mean cumulative incidence of 7.41 (95%CrI: 6.05; 8.96) for every 1,000 women 15-49 years of age. The model’s self-validation process identified patterns of underestimation in stigmatized subpopulations with low social visibility, such as women who have undergone induced abortion. Induced abortion is a common practice among women in the city of Rio de Janeiro. New indirect estimation methods can contribute to more precise measurement of this event, considering the context of illegality, and thereby contribute to appropriate health policies. <![CDATA[Aborto no Brasil: o que dizem os dados oficiais?]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001305001&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Segundo a Organização Mundial da Saúde cerca de 55 milhões de abortos ocorreram no mundo, entre 2010 e 2014, e 45% destes foram inseguros. No Brasil, dados sobre aborto e suas complicações são incompletos. Dados assistenciais estão somente disponíveis para o setor público e dados de mortalidade dependem de investigação do óbito. O objetivo do estudo foi descrever o cenário do aborto no país, utilizando dados públicos disponíveis para acesso nos diversos Sistemas de Informação - SIM (mortalidade), SINASC (nascidos vivos) e SIH (internação hospitalar). No período entre 2008 e 2015, ocorreram cerca de 200.000 internações/ano por procedimentos relacionados ao aborto, sendo cerca de 1.600 por razões médicas e legais. De 2006 a 2015, foram encontrados 770 óbitos maternos com causa básica aborto no SIM. Houve discreta redução dos óbitos por aborto ao longo do período, com variações regionais. Esse número poderia ter um incremento de cerca de 29% por ano se os óbitos com menção de aborto e declarados com outra causa básica fossem considerados. Entre os óbitos declarados como aborto, 1% foi por razões médicas e legais e 56,5% como aborto não especificado. A proporção de óbitos por aborto identificados no SIH, em relação ao total de óbitos por aborto identificados no SIM, variou de 47,4% em 2008 para 72,2% em 2015. Embora os dados oficiais de saúde não permitam uma estimativa do número de abortos no país, foi possível traçar um perfil de mulheres em maior risco de óbito por aborto: as de cor preta e as indígenas, de baixa escolaridade, com menos de 14 e mais de 40 anos, vivendo nas regiões Norte, Nordeste e Centro-oeste, e sem companheiro.<hr/>Entre 2010 y 2014, según la Organización Mundial de la Salud, se produjeron en el mundo cerca de 55 millones de abortos, además un 45% de los mismos fueron inseguros. En Brasil, los datos sobre el aborto y sus complicaciones son incompletos. Los datos asistenciales se encuentran solamente disponibles para el sector público y los datos de mortalidad dependen de la investigación sobre el fallecimiento. El objetivo del estudio fue describir el escenario del aborto en el país, utilizando datos públicos disponibles para su acceso en los diversos Sistemas de Información - SIM (mortalidad), SINASC (nacidos vivos) y SIH (internamiento hospitalario). Durante el período entre 2008 y 2015, se produjeron cerca de 200.000 internamientos/año por intervenciones relacionadas con el aborto, siendo cerca de 1.600 por razones médicas y legales. De 2006 a 2015, se encontraron 770 óbitos maternos con el aborto como causa básica en el SIM. Se produjo una discreta reducción de los fallecimientos por aborto a lo largo del período, con variaciones regionales. Este número podría sufrir un incremento de cerca de un 29% por año, si se consideraran los fallecimientos donde se menciona el aborto y se declaran con otra causa básica. Entre los óbitos declarados como aborto, un 1% fue por razones médicas y legales y un 56,5% como aborto no especificado. La proporción de óbitos por aborto identificados en el SIH, en relación con el total de óbitos por aborto identificados en el SIM, varió de 47,4% en 2008 a un 72,2% en 2015. A pesar de que los datos oficiales de salud no permitan una estimación del número de abortos en el país, fue posible trazar un perfil de mujeres con mayor riesgo de fallecimiento por aborto: mujeres afrodescendientes e indígenas, con baja escolaridad, con menos de 14 años y más de 40, viviendo en las regiones Norte, Nordeste y Centro-oeste, y sin pareja.<hr/>According to the World Health Organization, from 2010 to 2014, there were around 55 million abortions worldwide, 45% of which were unsafe. In Brazil, data on abortion and its complications are incomplete. Health care data are only available for the public sector and mortality data depend on investigations of deaths. This study sought to describe the situation of abortion in the country using public data available in the different Information Systems - SIM (mortality), SINASC (live births) and SIH (hospitalization). From 2008 to 2015, there were around 200,000 hospitalizations/year for procedures related to abortion, 1,600 of which for medical and legal reasons. From 2006 to 2015, we found 770 maternal deaths in SIM whose underlying cause was abortion. There was a discreet reduction in the number of deaths from abortion in the period, with regional variation. This number could be increased by around 29% per year if deaths with mentions of abortion and declared with a different underlying cause were considered. Among the deaths reported as resulting from abortion, 1% were abortions due to medical and legal reasons and 56.5% were non-specified abortions. The proportion of deaths from abortion identified in SIH, in relation to the total number of deaths from abortion identified in SIM, varied between 47.4% in 2008 and 72.2% in 2015. Although official health data do not allow us to estimate the number of abortions in Brazil, we were able to establish the profile of women at higher risk for death from abortion: black and indigenous women, with low educational levels, under 14 and over 40 years of age, living in the North Northeast and Central regions, without a partner. <![CDATA[Narrativas pró-direito ao aborto no Brasil, 1976 a 2016]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001305002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt O artigo explora as narrativas pró-direito ao aborto no Brasil com base no narrative policy framework (NPF). Foram analisados documentos pró-direito ao aborto elaborados por ativistas feministas entre 1976 e 1988 e documentos de organizações feministas, projetos de leis e documentos de políticas públicas sobre aborto referentes ao período de 1989 a 2016. Foi feita uma análise de conteúdo dos dois conjuntos de documentos usando-se o software OpenLogos. Os resultados da pesquisa revelam que as feministas fizeram uma escolha estratégica por uma narrativa de saúde pública, de modo a expandir a coalizão pró-direito ao aborto por meio da inclusão de atores da área da saúde. A aliança com a saúde levou a conquistas para a coalizão, com a criação de serviços de aborto legal e a inclusão da anencefalia entre os casos em que o aborto é permitido. A narrativa de saúde pública foi, assim, institucionalizada, tornando-se tanto a principal narrativa da coalizão quanto a principal narrativa contida nos documentos de políticas públicas. Essa institucionalização é um objetivo da atuação das coalizões de militância, mas também impõe limites à sua atuação futura, já que seu abandono pode colocar em risco a coalizão, ao mesmo tempo em que demandas futuras têm de ser elaboradas com base na estrutura de políticas públicas já existentes.<hr/>El artículo investiga los relatos pro-derecho al aborto en Brasil, basándose en la narrative policy framework (NPF). Se analizaron documentos pro-derecho al aborto elaborados por activistas feministas entre 1976 y 1988 y documentos de organizaciones feministas, proyectos de leyes y documentos de políticas públicas sobre el aborto, referentes al período de 1989 a 2016. Se realizó un análisis de contenido de los dos conjuntos de documentos usando el software OpenLogos. Los resultados de la investigación revelan que las feministas escogieron estratégicamente un relato de salud pública para que se expandiera la coalición pro-derecho al aborto, mediante la inclusión de actores del área de la salud. La alianza con la salud condujo a conquistas para la coalición, con la creación de servicios de aborto legal y la inclusión de la anencefalia entre los casos en los que se permite el aborto. El relato de salud pública fue, de esta forma, institucionalizado, convirtiéndose tanto en el principal relato de la coalición, como en el relato principal contenido en los documentos de políticas públicas. Esta institucionalización es un objetivo de la actuación de las coaliciones de militantes, así como también impone límites a su actuación futura, ya que su abandono puede poner en riesgo la coalición, al mismo tiempo en que las demandas futuras se han de elaborar a partir de la estructura de políticas públicas ya existentes.<hr/>The article explores pro-abortion rights narratives in Brazil based on the narrative policy framework (NPF). I analyzed pro-abortion rights documents written by feminist activists from 1976 to 1988 and documents from feminist organizations, law proposals and policy documents regarding abortions produced between 1989 and 2016. I carried out a content analysis of both sets of documents using the OpenLogos software. Findings show that feminists made a strategic choice in favor of a public health narrative so as to expand the pro-abortion rights coalition through inclusion of actors from the health sector. The alliance with the health sector led to achievements, such as the creation of the first legal abortion services and the inclusion of anencephaly among the cases in which abortion is permitted. The public health narrative was, therefore, institutionalized, becoming both the main narrative employed by the coalition and the main narrative found in policy documents. This institutionalization is a goal for advocacy coalitions, but also imposes limits to their future work, since abandoning an institutionalized narrative may risk the coalition, while future demands must be formulated within the already-existing public policy structure. <![CDATA[Discursos sobre o aborto na epidemia de Zika: análise da cobertura dos jornais <em>O Globo</em> e <em>Folha de S.Paulo</em>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001305003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt O objetivo do estudo aqui apresentado foi analisar a cobertura da grande imprensa nacional sobre o aborto em caso de Zika e examinar se esta reforçou os discursos já associados à prática ou se ampliou e qualificou a discussão sobre o tema. Trata-se de pesquisa qualitativa realizada com base na análise de 43 notícias sobre Zika/microcefalia/aborto publicadas pelos jornais O Globo e Folha de S.Paulo entre novembro de 2015 e dezembro de 2016. Baseando-se em conceitos do Jornalismo e da Análise do Discurso, identificamos as fontes presentes na cobertura e analisamos os argumentos por elas usados para justificar suas posições, além de estratégias, saberes e valores mobilizados nesta argumentação. Constatamos que os dois jornais privilegiaram fontes especializadas - médicos na Folha de S.Paulo e advogados e juristas em O Globo - e silenciaram as vozes de mulheres diretamente afetadas. Quanto à argumentação, as fontes favoráveis ao direito ao aborto em caso de Zika denunciaram, sobretudo, as injustiças sociais, enquanto as contrárias à proposta reacionaram o discurso em defesa da vida. Observamos a predominância de saberes de crença e valores morais na arena discursiva analisada, marcada ainda por analogias carregadas de sentidos negativos nos dois polos do debate. Comparando nossos dados aos de outros estudos sobre o aborto na mídia, consideramos que a cobertura da grande imprensa sobre Zika/microcefalia/aborto desempenhou um papel relevante na reconfiguração do discurso midiático sobre o tema, caracterizada por um enfoque mais técnico, pela pluralidade de vozes e posicionamentos, e por maior espaço reservado a argumentos favoráveis baseados em princípios constitucionais.<hr/>El objetivo del estudio aquí presentado fue analizar la cobertura de la prensa nacional de gran tirada sobre el aborto en caso de zika, y examinar si esta reforzó discursos ya asociados a la práctica o amplió y proporcionó otros matices a la discusión sobre el tema. Se trata de una investigación cualitativa, realizada a partir del análisis de 43 noticias sobre zika-microcefalia-aborto publicadas por los periódicos O Globo y Folha de S.Paulo, entre noviembre de 2015 y diciembre de 2016. En base a conceptos del Periodismo y del Análisis del Discurso, identificamos las fuentes presentes en la cobertura y analizamos los argumentos usados por ellas para justificar sus posiciones, además estrategias, saberes y valores movilizados con esa argumentación. Constatamos que los dos periódicos privilegiaron fuentes especializadas - médicos en la Folha de S.Paulo y abogados y juristas en O Globo - y silenciaron las voces de mujeres directamente afectadas. En cuanto a la argumentación, las fuentes favorables al derecho al aborto, en el caso del zika, denunciaron sobretodo las injusticias sociales, mientras que las contrarias a la propuesta reaccionaron con el discurso en defensa de la vida. Observamos la predominancia de saberes relacionados con creencias y valores morales en el terreno discursivo analizado, marcado todavía por analogías cargadas de opiniones negativas en los dos polos del debate. Comparando nuestros datos con los de otros estudios sobre el aborto en los medios, consideramos que la cobertura de la prensa de gran tirada sobre zika-microcefalia-aborto desempeñó un papel relevante en la reconfiguración del discurso mediático sobre el tema, caracterizada por un enfoque más técnico, por la pluralidad de voces y posicionamientos, y por un mayor espacio reservado a argumentos favorables basados en principios constitucionales.<hr/>The objective of this study was to analyze the national press coverage of abortion in cases of Zika infection and examine whether it reinforced discourses already associated with the practice or broadened and qualified the discussion of the subject. It is a qualitative study based on the analysis of 43 news stories on Zika/microcephaly/abortion published in the newspapers O Globo and Folha de S.Paulo between November 2015 and December 2016. Based on concepts from Journalism and Discourse Analysis, we identified the sources present in the coverage and analyzed the arguments they used in order to justify their positions, in addition to the strategies, types of knowledge and values they mobilized in the argumentation. We found that both newspapers privileged specialized sources - physicians in Folha de S.Paulo and lawyers and legal scholars in O Globo - and silenced the voices of women directly affected by the epidemic. As for the argumentation, sources that were favorable to the right to have an abortion in cases of Zika infection mainly denounced social injustices, while those who oppose it used a defense-of-life discourse. We observed the predominance of knowledge derived from beliefs and moral values in the discursive arena we analyzed, which was further marked by analogies loaded with negative meaning on both sides of the debate. Comparing our data with those from other studies on abortion in the media, we consider that the media coverage of Zika/microcephaly/abortion played a relevant role in reconfiguring the media discourse on the subject, characterized by a more technical focus, by a plurality of voices and positions and by a greater attention afforded to favorable arguments based on constitutional principles. <![CDATA[Conhecimento de médicos residentes em Ginecologia e Obstetrícia sobre o aborto medicamentoso]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001305004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt O aborto medicamentoso ou farmacológico tem demonstrado ser um meio eficaz para a interrupção da gravidez. Entretanto, o treinamento de provedores no uso do misoprostol tem sido limitado. O presente artigo tem como objetivo identificar o grau de conhecimento dos médicos residentes em Ginecologia e Obstetrícia sobre aborto medicamentoso. Realizou-se um estudo transversal multicêntrico com residentes regularmente inscritos no programa de residência em Ginecologia e Obstetrícia de vinte e um hospitais de ensino. Foi utilizado um questionário de autorresposta. As respostas corretas a cada uma das alternativas foram identificadas e uma variável de resposta binária (≥ P70, &lt; P70) foi definida pelo percentil 70 do número de perguntas sobre o misoprostol. Quatrocentos e sete médicos residentes devolveram o questionário, sendo que 404 estavam preenchidos e três em branco. A maioria (56,3%) dos residentes tinha até 27 anos de idade, era do sexo feminino (81,1%) e não vivia junto com um(a) companheiro(a) (70%). A maior proporção (68,2%) estava cursando o primeiro ou segundo ano da residência. Apenas 40,8% dos participantes acertaram 70% ou mais das afirmativas. Na análise múltipla, cursar o terceiro ano de residência ou superior (OR = 2,18; IC95%: 1,350-3,535) e ter participado do atendimento a uma mulher com abortamento induzido ou provavelmente induzido (OR = 4,12; IC95%: 1,761-9,621) mostraram-se associados a um maior conhecimento sobre o tema. Entre os médicos brasileiros residentes em Ginecologia e Obstetrícia, o conhecimento sobre o aborto medicamentoso é muito reduzido e constitui um obstáculo para o bom atendimento dos casos de interrupção legal da gestação.<hr/>El aborto con medicamentos o farmacológico ha demostrado ser un medio eficaz para la interrupción del embarazo. No obstante, la capacitación de los médicos en el uso del misoprostol ha sido limitada. El objetivo de este artículo es identificar el grado de conocimiento de los médicos residentes en Ginecología y Obstetricia sobre el aborto con medicamentos. Se realizó un estudio transversal multicéntrico con residentes regularmente inscritos en el programa de residencia en Ginecología y Obstetricia de veintiún hospitales de enseñanza. Se utilizó un cuestionario de autorrespuesta. Las respuestas correctas de cada una de las alternativas fueron identificadas y una variable de respuesta binaria (≥ P70, &lt; P70) se definió por el percentil 70 del número de preguntas sobre el misoprostol. Cuatrocientos siete médicos residentes devolvieron el cuestionario, siendo que 404 estaban cumplimentados y tres en blanco. La mayoría (56,3%) de los residentes tenía hasta 27 años de edad, eran de sexo femenino (81,1%); no vivía junto a un(a) compañero(a) (70%). La mayor proporción (68,2%) estaba cursando el primero o segundo año de residencia. Solamente un 40,8% de los participantes acertaron un 70% o más de las afirmaciones. En el análisis múltiple, estar en el tercer año de residencia o superior (OR = 2,18; IC95%: 1,350-3,535) y haber estado implicado en la atención a una mujer con aborto inducido o probablemente inducido (OR = 4,12; IC95%: 1,761-9,621) se mostraron asociados a un mayor conocimiento sobre el tema. Entre los médicos brasileños residentes en Ginecología y Obstetricia, el conocimiento sobre aborto con medicamentos es muy reducido y constituye en obstáculo para una buena atención de los casos de interrupción legal de la gestación.<hr/>Medical or drug-induced abortion has been proven as an effective means for termination of pregnancy. However, training of providers in the use of misoprostol has been limited. The current article aims to identify the degree of knowledge on medical abortion among Brazilian medical residents in Gynecology and Obstetrics. A multicenter cross-sectional study was performed with residents regularly enrolled in residency programs in Gynecology and Obstetrics in 21 teaching hospitals. A self-responded questionnaire was used. Correct responses to each of the alternatives were identified, and a binary response variable (≥ P70, &lt; P70) was defined by the 70th percentile of the number of questions on misoprostol. Four hundred and seven medical residents returned the questionnaire, of which 404 were completed and three were blank. The majority (56.3%) of the residents were 27 years or younger, females (81.1%), and single or not living with a partner (70%). Two-thirds (68.2%) were in the first or second year of residency. Only 40.8% of the participants answered 70% or more of the questions correctly. In the multivariate analysis, enrollment in the third year of residency or greater (OR = 2.18; 95%CI: 1.350-3.535) and having participated in treatment of a woman with induced or probably induced abortion (OR = 4.12; 95%CI: 1.761-9.621) were associated with better knowledge on the subject. Among Brazilian medical residents in Gynecology and Obstetrics, knowledge on medical abortion is very limited and poses an obstacle to proper care in cases of legal termination of pregnancy. <![CDATA[Objeção de consciência ou instrumentalização ideológica? Uma análise dos discursos de gestores e demais profissionais acerca do abortamento legal]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001305005&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: Este artigo objetivou compreender a objeção de consciência com base na análise das formações ideológicas que permeiam o acesso ao abortamento legal decorrente de violência sexual na concepção de trabalhadores e gestores que atuam em serviços de referência. Trata-se de uma pesquisa qualitativa mediante a participação de 20 trabalhadores (seis exerciam, também, a gestão) desses serviços a um roteiro de entrevista semiestruturado. O método de análise usado foi a análise do discurso. Os resultados evidenciam que a objeção de consciência emergiu como elemento discursivo central às mesmas. A análise contextualizada dos discursos evidenciou uma instrumentalização da prerrogativa por razões ideológicas, confluindo para a organização dos resultados nas seguintes categorias: a instrumentalização da objeção de consciência e a desarticulação da rede; e a instrumentalização da objeção de consciência a fim de vigiar e punir. Conclui-se que a objeção de consciência como formação discursiva foi ressignificada, a fim de compor um complexo e refinado sistema de sabotagem interna - consciente e inconsciente - dos serviços de atendimento à mulher em situação de violência sexual, apesar dos marcos e avanços legais.<hr/>Resumen: El objetivo de este artículo fue comprender la objeción de conciencia, a partir del análisis de las formaciones ideológicas que permean el acceso al aborto legal ocasionado por violencia sexual, en la concepción de trabajadores y gestores que actúan en servicios de referencia. Se trata de una investigación cualitativa mediante la participación de 20 trabajadores (seis ejercían, también, la gestión) de estos servicios en un guión de entrevista semiestructurado. El método de análisis utilizado fue el análisis del discurso. Los resultados evidencian que la objeción de conciencia emergió como elemento discursivo central a las mismas. El análisis contextualizado de los discursos evidenció una instrumentalización de la prerrogativa por razones ideológicas, confluyendo a la organización de los resultados en las siguientes categorías: la instrumentalización de la objeción de conciencia y la desarticulación de la red, así como la instrumentalización de la objeción de conciencia, a fin de vigilar y castigar. Se concluye que la objeción de conciencia como formación discursiva fue resignificada, con el fin de componer un complejo y refinado sistema de sabotaje interno - consciente e inconsciente - de los servicios de atención a la mujer en situación de violencia sexual, a pesar de los marcos y avances legales.<hr/>Abstract: This article sought to understand objection of conscience based on an analysis of the ideological formations that permeate access to legal abortion in cases of sexual violence in the perspective of workers and managers who work at reference centers. It is a qualitative research with semi-structured interviews of 20 workers (six of whom were also managers) of these services. The study used discourse analysis. Results show that objection of conscience emerged as a central discursive element. The contextualized analysis of the discourses showed an instrumentalization of the prerogative according to ideological reasons, flowing toward the organization of the following categories: the instrumentalization of objection of conscience and the disarticulation of the network; and instrumentalization of the objection of conscience in order to surveil and punish. We conclude that objection of conscience as discursive formation was re-signified so as to compose a complex and refined system of internal sabotage - both conscious and unconscious - of the health care services for women victims of sexual violence, despite the existing legal framework and advancements. <![CDATA[Vulnerabilidade racial e barreiras individuais de mulheres em busca do primeiro atendimento pós-aborto]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001305006&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt As desigualdades sociais no Brasil se refletem na busca por atenção pelas mulheres com abortamento, as quais enfrentam barreiras individuais, sociais e estruturais, expondo-as a situações de vulnerabilidades. São as negras as mais expostas a essas barreiras, desde a procura pelo serviço até o atendimento. O estudo objetivou analisar os fatores relacionados às barreiras individuais na busca do primeiro atendimento pós-aborto segundo raça/cor. A pesquisa foi realizada em Salvador (Bahia), Recife (Pernambuco) e São Luís (Maranhão), Brasil, com 2.640 usuárias internadas em hospitais públicos. Foi realizada regressão logística para análise das diferenças segundo raça/cor (branca, parda e preta), considerando-se “não houve barreiras individuais na busca pelo primeiro atendimento” como categoria de referência da variável dependente. Das entrevistadas, 35,7% eram pretas, 53,3% pardas e 11% brancas. Mulheres pretas tinham menor escolaridade, menos filhos e declararam mais o aborto como provocado (31,1%), após 12 semanas de gestação (15,4%). Relataram mais barreiras individuais na busca pelo primeiro atendimento (32% vs. 28% entre pardas e 20,3% entre brancas), tais como o medo de ser maltratada e não ter dinheiro para o transporte. Na regressão, confirmou-se a associação entre raça/cor preta e parda e barreiras individuais na busca de cuidados pós-aborto, mesmo após o ajuste por todas as variáveis selecionadas. Os resultados confirmam a situação de vulnerabilidade das pretas e pardas. A discriminação racial nos serviços de saúde e o estigma em relação ao aborto podem atuar simultaneamente, retardando a ida das mulheres ao serviço, o que pode configurar uma situação limite de maior agravamento do quadro pós-abortamento.<hr/>Las desigualdades sociales en Brasil se reflejan en la búsqueda de atención sanitaria por parte de las mujeres que abortan, que enfrentan barreras individuales, sociales y estructurales, exponiéndolas a situaciones de vulnerabilidad. Las negras son las más expuestas a estas barreras, desde la búsqueda del servicio hasta la atención. El estudio tuvo como objetivo analizar los factores relacionados con las barreras individuales en la búsqueda de la primera atención post-aborto según raza/color. La investigación se realizó en Salvador (Bahia), Recife (Pernambuco) y São Luis (Maranhão), Brasil, con 2.640 pacientes internadas en hospitales públicos. Se realizó una regresión logística para el análisis de las diferencias según raza/color (blanca, mulata/mestiza y negra), considerándose “no tuvo barreras individuales en la búsqueda de la primera atención” como categoría de referencia de la variable dependiente. De las entrevistadas 35,7% eran negras, 53,3% mulatas/mestizas y 11% blancas. Las mujeres negras tenían menor escolaridad, menos hijos y declararon más el aborto como provocado (31,1%), tras 12 semanas de gestación (15,4%). Informaron más barreras individuales en la búsqueda de la primera atención (32% vs. 28% entre multas/mestizas y un 20,3% entre las blancas), tales como el miedo de ser maltratada y no tener dinero para el transporte. En la regresión se confirmó la asociación entre raza/color negro y mulato/mestizo y barreras individuales en la búsqueda de cuidados post-aborto, incluso tras el ajuste por todas las variables seleccionadas. Los resultados confirman la situación de vulnerabilidad de las negras y mulatas/mestizas. La discriminación racial en los servicios de salud y el estigma en relación con el aborto pueden actuar simultáneamente, retardando la ida de las mujeres al servicio de salud, lo que puede constituir una situación límite de mayor gravedad en el cuadro post-aborto.<hr/>Social inequalities in Brazil are reflected in women’s search for abortion care, when they face individual, social, and structural barriers and are exposed to situations of vulnerability. Black women are the most heavily exposed to these barriers, from the search for the service to the care itself. The study aimed to analyze factors related to individual barriers in the search for first post-abortion care according to race/color. The study was conducted in Salvador (Bahia State), Recife, (Pernambuco State) and São Luís (Maranhão State), Brazil, with 2,640 patients admitted to public hospitals. Logistic regression was performed to analyze differences according to race/color (white, brown, and black), with “no individual barriers in the search for first care” as the reference category in the dependent variable. Of the women interviewed, 35.7% were black, 53.3% brown, and 11% white. Black women had less schooling, fewer children, and reported more induced abortions (31.1%) and more second-trimester abortions (15.4%). Black women reported more individual barriers in the search for first care (32% vs. 28% in brown women and 20.3% in whites), such as fear of being mistreated and lack of money for transportation. Regression analysis confirmed the association between black and brown race/color and individual barriers in the search for post-abortion care, even after adjusting for all the selected variables. The results confirmed the situation of vulnerability for black women and brown women in Brazil. Racial discrimination in health services and abortion-related stigma can act simultaneously, delaying women’s access to health services, a limitation that can further complicate their post-abortion condition. <![CDATA[A cena da ultrassonografia na atenção ao aborto: práticas e significados em uma maternidade pública em Salvador, Bahia, Brasil]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001305007&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: O objetivo deste artigo é analisar as práticas e significados em torno da ultrassonografia obstétrica (USG) em mulheres com abortamento na maternidade pública em Salvador, Bahia, Brasil. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, etnográfica, que envolveu observação participante das interações entre mulheres, profissionais de saúde médicos e não médicos, na sala de USG de uma maternidade pública, durante três meses. A USG ocupa um lugar central no itinerário abortivo das mulheres e sua prática é incorporada à rotina institucional e definidora de condutas na atenção ao abortamento na maternidade em estudo. Nesse contexto, são produzidas categorias distintas de “mulheres com aborto”, cujo acionamento depende da interpretação da imagem ecográfica. A forma de significar o estado de saúde e a condição moral de uma mulher com suspeita de aborto se relaciona com a presença ou não de um feto vivo no seu útero, além da idade gestacional em que a tentativa ou efetivação do aborto aconteceu. Concluímos que, quando as evidências ecográficas indicam que houve (provavelmente) um aborto em estágios iniciais de uma gravidez, os próprios profissionais colaboram com as mulheres em desativar o processo semiótico que levaria à atribuição de um sentido de natureza humana ao concepto. Quanto mais tarde se interrompeu uma gestação, mais provável é que o processo de significação sobre as imagens sustente a ideia de que ali havia uma Pessoa. A moral hegemônica sobre aborto e sua criminalização modulam as construções simbólicas e as práticas em torno do exame de USG em mulheres com abortamento.<hr/>Resumen: El objetivo de este artículo es analizar las prácticas y significados en torno a la ultrasonografía obstétrica (USG) con mujeres que abortaron en la maternidad pública en Salvador, Bahía, Brasil. Se trata de una investigación cualitativa, etnográfica, que implicó observación participante de las interacciones entre mujeres, profesionales de salud médicos y no médicos, en la sala de USG de una maternidad pública, durante tres meses. La USG ocupa un lugar central en el itinerario abortivo de las mujeres y su práctica está incorporada a la rutina institucional y definitoria de conductas en la atención del aborto en la maternidad en estudio. En ese contexto, se producen categorías distintas de “mujeres que abortan”, cuyo inicio del proceso depende de la interpretación de la imagen ecográfica. La forma de dar significado al estado de salud y la condición moral de una mujer, sospechosa de abortar, se relaciona con la presencia o no de un feto vivo en su útero, además de la edad gestacional en la que la tentativa o realización del aborto se produjo. Concluimos que, cuando las evidencias ecográficas indican que hubo (probablemente) un aborto en estadios iniciales de un embarazo, los propios profesionales colaboran con las mujeres en desactivar el proceso semiótico que conduciría a la atribución de un sentido de naturaleza humana al concepto. Cuanto más tarde se interrumpió una gestación, lo más probable es que el proceso de significación sobre las imágenes sustente la idea de que allí había un ser humano. La moral hegemónica sobre el aborto y su criminalización modulan las construcciones simbólicas y las prácticas en torno al examen de USG en mujeres que abortaron.<hr/>Abstract: This article aims to analyze the practices and meanings involved in obstetric ultrasound (USG) in women undergoing abortion at public maternity hospital in Salvador, Bahia, Brazil. This is a qualitative ethnographic study that included three months of participant observation in the interactions between these women and medical and non-medical staff in the USG room of a public maternity hospital. USG has a central place in women’s abortion itinerary, and its practice is incorporated into the institution’s routine and the definition of approaches to abortion care at the maternity hospital studied here. In this context, distinct categories of “women with abortion” are produced and mobilized according to the interpretation of the USG images. The way the health condition and moral status of a woman with suspected abortion are defined depends on the presence or absence of a live fetus in her uterus, in addition to the gestational age at which the attempted or completed abortion occurred. We conclude that when the USG evidence indicates that there was (probably) an abortion in the initial stages of a pregnancy, the health professionals themselves help the women by disconnecting the semiotic process that would result in assigning a sense of human nature to the embryo. The later a pregnancy is terminated, the more likely the process of defining the images will sustain the idea that there was a person there. The hegemonic morals on abortion and its criminalization in Brazil modulate the symbolic constructions and practices involved in the USG test in women experiencing abortion. <![CDATA[Homens jovens e aborto: a perspectiva masculina face à gravidez imprevista]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001305008&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Trata-se de investigação socioantropológica que situa o aborto como evento inscrito no quadro mais amplo do exercício da sexualidade heterossexual, das relações entre gêneros, do manejo contraceptivo e da reprodução. O objetivo da pesquisa foi evidenciar a teia de relações sociais que engendram processos de negociação e de decisão em torno da interrupção de gestações imprevistas e formas de realização do aborto, com base em narrativas sobre trajetórias afetivo-sexual, contraceptiva e reprodutiva de mulheres e homens, de diferentes classes sociais e gerações. Neste artigo, o foco recai na posição dos homens jovens diante da gravidez e do aborto voluntário, adotando-se uma perspectiva relacional de gênero para se analisar o fenômeno. O material empírico reúne 13 entrevistas em profundidade com homens de 18 a 27 anos, de camadas populares e médias, residentes no Rio de Janeiro, Brasil. A complexidade das relações de poder estabelecidas entre o casal, seus familiares e amigos engendra distintos desfechos possíveis em relação à participação masculina no evento: ciência do aborto a posteriori, na medida em que não foi consultado; participação consensual na tomada de decisões frente à gestação e aborto; desacordo entre o casal, prevalecendo a decisão feminina, a despeito do parceiro; constrangimento por parte do parceiro na decisão tomada pela jovem. A participação masculina no âmbito da reprodução e do aborto tem sido uma lacuna da literatura científica a ser enfrentada. Assumir a tensão instaurada entre gêneros na questão do aborto, entre autonomia reprodutiva feminina e responsabilidade masculina, é uma tarefa central para os que pesquisam o tema nas ciências sociais e saúde.<hr/>Se trata de una investigación socioantropológica que sitúa al aborto como un evento inscrito en un cuadro más amplio del ejercicio de la sexualidad heterosexual, de las relaciones entre géneros, de la gestión contraceptiva y de la reproducción. El objetivo de la investigación fue evidenciar la tela de relaciones sociales que engendran procesos de negociación y de decisión, en torno a la interrupción de embarazos imprevistos y formas de abortar, basándose en narraciones sobre trayectorias afectivo-sexuales, contraceptivas y reproductivas de mujeres y hombres, de diferentes clases sociales y generaciones. En este artículo, el objetivo se centra en la posición de los hombres jóvenes ante el embarazo y el aborto voluntario, adoptándose una perspectiva de relación de género para analizar el fenómeno. El material empírico reúne 13 entrevistas en profundidad con hombres de 18 a 27 años, de capas populares y medias, residentes en Río de Janeiro, Brasil. La complejidad de las relaciones de poder establecidas entre la pareja, sus familiares y amigos, engendra distintos desenlaces posibles, en relación con la participación masculina en el evento: conciencia del aborto a posteriori, en la medida en que no fue consultado; participación consensuada en la toma de decisiones frente a la gestación y aborto; desacuerdo entre la pareja, prevaleciendo la decisión femenina, a pesar de su pareja; restricciones por parte del compañero sentimental, respecto a la decisión tomada por la joven. La participación masculina en el ámbito de la reproducción y del aborto ha sido una laguna en la literatura científica que debe abordarse. Asumir la tensión instaurada entre géneros en la cuestión del aborto, entre autonomía reproductiva femenina y responsabilidad masculina, es una tarea central para quienes investigan este tema en las ciencias sociales y de salud.<hr/>This is a social-anthropological study that situates abortion as an event inscribed within the broader framework of heterosexual sexuality, gender relationships, contraceptive and reproductive control. Its objective was to reveal the network of social relationships that engender negotiation and decision-making processes surrounding the interruption of unplanned pregnancies and the manners of carrying out abortions based on narratives on the affective-sexual, contraceptive and reproductive trajectories of women and men from different social classes and generations. The focus of this article is young men’s position in the face of pregnancy and abortion. We adopt a relational gender perspective in order to analyze the phenomenon. The empirical material comprises 13 in-depth interviews with lower- and middle-class men aged between 18 and 27 years living in Rio de Janeiro, Brazil. The complexity of the power relations established between the couple, their family members and friends engenders different possible outcomes with regard to male participation in the event: after-the-fact awareness of the abortion, due to not having been consulted; consensual participation in pregnancy and abortion-related decision-making; disagreement between the couple, with the woman’s decision prevailing over the man’s objections; the woman’s decision being coerced by her partner. Male participation in the sphere of reproduction and abortion is a gap in the scientific literature that must be confronted. To take on the tension that abortion creates between genders, between female reproductive autonomy and male responsibility, is a central task for those who research the subject in the social sciences and health fields. <![CDATA[Itinerários de solidão: aborto clandestino de adolescentes de uma favela da Zona Sul do Rio de Janeiro, Brasil]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001305009&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: O artigo apresenta os resultados da pesquisa qualitativa realizada por meio de entrevistas semiestruturadas em profundidade com dez adolescentes moradoras de uma favela da Zona Sul do Rio de Janeiro, Brasil, com idades entre 15 e 17 anos, e com experiência de aborto ilegal praticado entre 12 e 17 anos. Buscou-se examinar de modo mais efetivo a questão do aborto ocorrido na adolescência e as estratégias usadas pelas adolescentes para concretizá-lo em contexto ilegal. Foram evidenciados os métodos utilizados, os locais de realização e a maneira pela qual aconteceu o processo de realização do aborto. Os abortos foram realizados em clínicas clandestinas; no apartamento do amigo de um dos parceiros; e por meio do uso do remédio Cytotec (misoprostol). Os valores pagos variaram entre R$ 500,00 e R$ 2.500,00, e todos foram realizados sem o conhecimento ou participação dos responsáveis pelas adolescentes. Uma adolescente teve de recorrer a um serviço de saúde por conta de complicações resultantes do aborto. As entrevistadas contaram com amigas e/ou parceiros, e quase todas se encaminharam sozinhas para realizar o aborto, o que deve motivar uma reflexão sobre os riscos corridos e a solidão dessas adolescentes para a realização de um ato inseguro e ilegal. Conclui-se que o estudo sobre o aborto nesse momento da vida representa contribuições importantes para a compreensão da sexualidade e reprodução na adolescência.<hr/>Resumen: El artículo presenta los resultados de la investigación cualitativa, realizada mediante entrevistas semiestructuradas en profundidad, con diez adolescentes residentes en una favela de la zona sur de Río de Janeiro, Brasil, con edades entre 15 y 17 años, y con experiencia de aborto ilegal, practicado entre los 12 y 17 años. Se buscó examinar de modo más efectivo la cuestión del aborto ocurrida en la adolescencia y las estrategias usadas por las adolescentes para concretizarlo en un contexto ilegal. Se evidenciaron los métodos utilizados, los locales de realización y la manera mediante la cual se dio el proceso de realización del aborto. Los abortos se realizaron en clínicas clandestinas; en el apartamento del amigo de uno de las parejas; y a través del uso del medicamento “Cytotec” (misoprostol). Los valores pagados variaron entre BRL 500,00 y BRL 2.500,00 y todos se realizaron sin el conocimiento o participación de los responsables de las adolescentes. Una adolescente tuvo que recurrir a un servicio de salud, debido a las complicaciones resultantes del aborto. Las entrevistadas contaron con amigas y/o parejas y casi todas se dirigieron solas a abortar, lo que debe motivar una reflexión sobre los riesgos asumidos y la soledad de estas adolescentes para la realización de un aborto inseguro e ilegal. Se concluye que el estudio sobre el aborto en ese momento de la vida representa contribuciones importantes para la comprensión de la sexualidad y reproducción en la adolescencia.<hr/>Abstract: This article presents the results of a qualitative study based on semi-structured in-depth interviews with ten adolescents, aged between 15 and 17 years, who live in a favela in the South Zone of Rio de Janeiro, Brazil, and who had experienced an illegal abortion between the ages of 12 and 17. We sought to examine more effectively the issue of abortion in adolescence and the strategies employed by adolescents in order to have an abortion within an illegal context. We unveiled the methods that were used, the locations where abortions took place and the manner in which the process of having an abortion happened. The abortions took place at clandestine clinics; at the apartment of a partner’s friend; and using the medication “Cytotec” (misoprostol). The values paid for the abortion ranged between BRL 500.00 and BRL 2,500.00 and all took place without the knowledge or participation of the adolescents’ legal guardians. One adolescent had to seek out a health service due to complications from the abortion. Informants relied on friends and/or partners and almost all were alone when they had their abortions, which should motivate a reflection regarding the risks taken and the solitude experienced by these adolescents in order to undergo an unsafe and illegal act. We conclude that the study of abortion at this life stage makes an important contribution to understanding sexuality and reproduction in adolescence. <![CDATA[Prevalência e fatores associados ao aborto induzido no ingresso em uma coorte de mulheres vivendo com HIV/aids, Rio de Janeiro, Brasil, 1996-2016]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001305010&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt O objetivo deste estudo é verificar a prevalência e os fatores associados ao aborto induzido no ingresso em uma coorte de mulheres vivendo com HIV/aids, no Município do Rio de Janeiro, Brasil, no período 1996-2016. O critério de elegibilidade para o ingresso na coorte era ser do sexo feminino ao nascimento, ter mais de 18 anos de idade e ter infecção comprovada pelo HIV. Na visita inicial, dados sobre aspectos sexuais, reprodutivos, comportamentais e da infecção pelo HIV foram obtidos durante entrevista face a face com o médico assistente. Foi calculada a prevalência de aborto induzido na vida e verificados os fatores associados ao aborto induzido por meio de regressão logística múltipla, para o total de mulheres e entre aquelas com gestação prévia. Do total de mulheres, 30,4% referiram algum aborto induzido na vida, sendo este valor de 33,5% em mulheres com gestação prévia. A frequência de aborto induzido relatado apresentou queda significativa no período analisado (41,7% de 1996-2000 vs. 22,5% de 2011-2016, p &lt; 0,001). Os fatores associados ao aborto induzido, tanto para o total de mulheres quanto para aquelas com gestação prévia, foram o aumento da idade, escolaridade mais elevada, número de parceiros sexuais na vida ≥ 5, gestação na adolescência, uso de qualquer droga ilícita na vida e período de ingresso na coorte após 2005. Mudanças no perfil socioeconômico, sexual, reprodutivo e da infecção pelo HIV são explicações possíveis para a redução da prática do aborto no período. Estudos que utilizem métodos de aferição direta do aborto devem ser conduzidos em outras populações, para confirmar a tendência de queda do aborto induzido no país e seus determinantes.<hr/>El objetivo de este estudio es verificar la prevalencia y los factores asociados al aborto inducido en el ingreso en una cohorte de mujeres, que viven con VIH/sida, en el municipio de Rio de Janeiro, durante el período 1996-2016. El criterio de elegibilidad para el ingreso en la cohorte era ser del sexo femenino al nacer, tener más de 18 años de edad y sufrir una infección comprobada por VIH. En la visita inicial, datos sobre aspectos sexuales, reproductivos, comportamentales y de infección por el VIH se obtuvieron durante la entrevista cara a cara con el médico asistente. Se calculó la prevalencia del aborto inducido en la vida y se verificaron los factores asociados al aborto inducido mediante regresión logística múltiple, para el total de mujeres y entre aquellas con gestación previa. Del total de mujeres, un 30,4% refería algún aborto inducido en la vida, siendo ese valor de un 33,5% en mujeres con gestación previa. La frecuencia de aborto inducido relatado presentó una caída significativa durante el período analizado (un 41,7% en el período 1996-2000 vs. 22,5% en el período 2011-2016, p &lt; 0,001). Los factores asociados al aborto inducido, tanto para el total de mujeres, como para aquellas con gestación previa, fueron el aumento de la edad de la mujer, escolaridad más elevada, número de parejas sexuales en la vida ≥ 5, gestación en la adolescencia, consumo de cualquier droga ilícita en la vida y período de ingreso en la cohorte tras 2005. Cambios en el perfil socioeconómico, sexual, reproductivo y de infección por VIH son explicaciones posibles para la reducción de la realización de abortos durante el período. Se deben llevar a cabo estudios que utilicen métodos de medición directa del aborto en otras poblaciones para confirmar la tendencia de caída del aborto inducido en el país y sus determinantes.<hr/>The aim of this study was to verify the prevalence of induced abortion and associated factors at the time of inclusion in a cohort of women living with HIV/AIDS in the city of Rio de Janeiro, Brazil, from 1996 to 2016. Eligibility criteria for inclusion in the cohort were female sex at birth, age 18 years and older, and confirmed HIV infection. At the baseline visit, data on sexual, reproductive, and behavioral aspects and HIV infection were obtained through a face-to-face interview with the attending physician. Lifetime prevalence of induced abortion was calculated, and factors associated with induced abortion were verified by multiple logistic regression for all the women and for those with previous pregnancy. In the entire cohort of women, 30.4% reported a history of induced abortion, compared to 33.5% in women with previous pregnancy. Frequency of reported induced abortion showed a significant reduction during the period (41.7% in 1996-2000 versus 22.5% in 2011-2016, p &lt; 0.001). Factors associated with induced abortion, both for the entire cohort and for the women with previous pregnancy, were age, schooling, ≥ 5 lifetime sexual partners, teenage pregnancy, lifetime use of any illicit drug, and inclusion in the cohort after the year 2005. Changes in the socioeconomic, sexual, reproductive, and HIV infection profile are possible explanations for the reduction in abortions during the period. Studies that use direct methods to measure abortion should be conducted in other populations to confirm the downward trend in induced abortion and its determinants in Brazil. <![CDATA[Relato de experiência sobre ampliação do acesso ao aborto legal por violência sexual no Município do Rio de Janeiro, Brasil]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001306001&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Trata-se de relato de experiência desenvolvida na Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-RJ), para ampliar o número de maternidades municipais que atendem ao aborto legal por estupro. No Brasil, existem três permissivos legais para realização do aborto: risco à vida da gestante, estupro e anencefalia do feto. Diante da alta ocorrência de violência sexual contra as mulheres, os profissionais que atuam no Sistema Único de Saúde precisam estar qualificados para este atendimento e potencial desfecho em aborto, caso seja esta a escolha da mulher. Apesar das normas e diretrizes, ainda existem barreiras importantes no acesso a este direito, sendo a alegação da objeção de consciência pelos profissionais um dos principais obstáculos enfrentados. O objetivo do trabalho é apresentar uma metodologia de sensibilização de profissionais de saúde, para qualificar o atendimento às vítimas de violência sexual e ampliar o acesso ao aborto legal nas maternidades municipais. A metodologia contou com três etapas: oficina de trabalho, sensibilizações nas maternidades e monitoramento. Esta experiência foi acompanhada pelo aumento do número de maternidades que realizam o aborto legal por estupro, passando de duas unidades em 2016 para dez em 2019. Também fortaleceu diretrizes para melhoria no atendimento, como priorização dos casos no acolhimento e classificação de risco, oferta de atendimento multiprofissional e garantia da presença do acompanhante na internação. Fatores que favoreceram este trabalho foram: vontade política da gestão da SMS-RJ; aposta em ações descentralizadas de educação permanente; envolvimento dos profissionais de saúde.<hr/>Se trata de un relato sobre una experiencia, desarrollada en la Secretaría Municipal de Salud de Río de Janeiro (SMS-RJ), para ampliar el número de maternidades municipales que atienden abortos legales por violación. En Brasil, existen tres supuestos legales para abortar: riesgo para la vida de la gestante, violación y anencefalia del feto. Ante la alta ocurrencia de violencia sexual contra las mujeres, los profesionales que actúan en el Sistema Único de Salud (SUS)necesitan estar cualificados para este tipo de atención y desenlace potencial en aborto, en caso de que esta sea la elección de la mujer. A pesar de las normas y directrices, todavía existen barreras importantes en el acceso a este derecho, siendo la alegación de objeción de conciencia -por parte de los profesionales- uno de los principales obstáculos a los que se hace frente. El objetivo del trabajo es presentar una metodología de sensibilización para profesionales de salud, con el fin cualificar la atención a las víctimas de violencia sexual y ampliar el acceso al aborto legal en las maternidades municipales. La metodología contó con tres etapas: taller de trabajo, sensibilizaciones en maternidades y supervisión. Se realizó un seguimiento de esta experiencia, debido al aumento del número de maternidades donde se permite el aborto legal por violación, pasando de dos unidades en 2016 a diez en 2019. También se fortalecieron las directrices para la mejora en la atención, como la priorización de los casos en la acogida y clasificación de riesgo, la oferta de atención multiprofesional, así como la garantía de la presencia de un acompañante durante el internamiento. Los factores que favorecieron este trabajo fueron: voluntad política de la unidad de gestión de la SMS-RJ; la apuesta en acciones descentralizadas de educación permanente, así como la implicación de los profesionales de salud.<hr/>The article reports on an experience developed by the Rio de Janeiro Municipal Health Department (SMS-RJ) to expand the number of municipal maternity hospitals that provide legal abortion for rape victims. Brazil’s legislation allows legal abortions in three cases: risk to the woman’s life, rape, and fetal anencephaly. Given the high rate of sexual violence against Brazilian women, health professionals working in the Brazilian Unified National Health System (SUS) need to be trained for such care with abortion as the potential outcome if that is the woman’s choice. Despite the legal provisions and guidelines, Brazilian women still experience important barriers when attempting to access this right. One of the main obstacles is health professionals’ claim of conscientious objection. The study aims to present an awareness-raising methodology for health professionals to improve the care for victims of sexual violence and expand access to legal abortion in the municipal maternity hospitals. The methodology involved three stages: a workshop, awareness-raising in the maternity hospitals, and monitoring. This experience resulted in an increase in the number of maternity hospitals that perform legal abortion for rape victims, from two hospitals in 2016 to ten in 2019. The experience also strengthened the guidelines for the improvement of care, such as prioritization of cases for reception of patients and risk classification, supply of multidisciplinary care, and safeguards for the presence of an accompanying person during the patient’s hospital stay. Factors that favored this work included political determination by the administration of the SMS-RJ, the wager on decentralized activities in permanent education, and the health professionals’ direct involvement. <![CDATA[Direito ao aborto: caminhos traçados no Brasil - entrevista com Margareth Arilha]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001307501&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Trata-se de relato de experiência desenvolvida na Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-RJ), para ampliar o número de maternidades municipais que atendem ao aborto legal por estupro. No Brasil, existem três permissivos legais para realização do aborto: risco à vida da gestante, estupro e anencefalia do feto. Diante da alta ocorrência de violência sexual contra as mulheres, os profissionais que atuam no Sistema Único de Saúde precisam estar qualificados para este atendimento e potencial desfecho em aborto, caso seja esta a escolha da mulher. Apesar das normas e diretrizes, ainda existem barreiras importantes no acesso a este direito, sendo a alegação da objeção de consciência pelos profissionais um dos principais obstáculos enfrentados. O objetivo do trabalho é apresentar uma metodologia de sensibilização de profissionais de saúde, para qualificar o atendimento às vítimas de violência sexual e ampliar o acesso ao aborto legal nas maternidades municipais. A metodologia contou com três etapas: oficina de trabalho, sensibilizações nas maternidades e monitoramento. Esta experiência foi acompanhada pelo aumento do número de maternidades que realizam o aborto legal por estupro, passando de duas unidades em 2016 para dez em 2019. Também fortaleceu diretrizes para melhoria no atendimento, como priorização dos casos no acolhimento e classificação de risco, oferta de atendimento multiprofissional e garantia da presença do acompanhante na internação. Fatores que favoreceram este trabalho foram: vontade política da gestão da SMS-RJ; aposta em ações descentralizadas de educação permanente; envolvimento dos profissionais de saúde.<hr/>Se trata de un relato sobre una experiencia, desarrollada en la Secretaría Municipal de Salud de Río de Janeiro (SMS-RJ), para ampliar el número de maternidades municipales que atienden abortos legales por violación. En Brasil, existen tres supuestos legales para abortar: riesgo para la vida de la gestante, violación y anencefalia del feto. Ante la alta ocurrencia de violencia sexual contra las mujeres, los profesionales que actúan en el Sistema Único de Salud (SUS)necesitan estar cualificados para este tipo de atención y desenlace potencial en aborto, en caso de que esta sea la elección de la mujer. A pesar de las normas y directrices, todavía existen barreras importantes en el acceso a este derecho, siendo la alegación de objeción de conciencia -por parte de los profesionales- uno de los principales obstáculos a los que se hace frente. El objetivo del trabajo es presentar una metodología de sensibilización para profesionales de salud, con el fin cualificar la atención a las víctimas de violencia sexual y ampliar el acceso al aborto legal en las maternidades municipales. La metodología contó con tres etapas: taller de trabajo, sensibilizaciones en maternidades y supervisión. Se realizó un seguimiento de esta experiencia, debido al aumento del número de maternidades donde se permite el aborto legal por violación, pasando de dos unidades en 2016 a diez en 2019. También se fortalecieron las directrices para la mejora en la atención, como la priorización de los casos en la acogida y clasificación de riesgo, la oferta de atención multiprofesional, así como la garantía de la presencia de un acompañante durante el internamiento. Los factores que favorecieron este trabajo fueron: voluntad política de la unidad de gestión de la SMS-RJ; la apuesta en acciones descentralizadas de educación permanente, así como la implicación de los profesionales de salud.<hr/>The article reports on an experience developed by the Rio de Janeiro Municipal Health Department (SMS-RJ) to expand the number of municipal maternity hospitals that provide legal abortion for rape victims. Brazil’s legislation allows legal abortions in three cases: risk to the woman’s life, rape, and fetal anencephaly. Given the high rate of sexual violence against Brazilian women, health professionals working in the Brazilian Unified National Health System (SUS) need to be trained for such care with abortion as the potential outcome if that is the woman’s choice. Despite the legal provisions and guidelines, Brazilian women still experience important barriers when attempting to access this right. One of the main obstacles is health professionals’ claim of conscientious objection. The study aims to present an awareness-raising methodology for health professionals to improve the care for victims of sexual violence and expand access to legal abortion in the municipal maternity hospitals. The methodology involved three stages: a workshop, awareness-raising in the maternity hospitals, and monitoring. This experience resulted in an increase in the number of maternity hospitals that perform legal abortion for rape victims, from two hospitals in 2016 to ten in 2019. The experience also strengthened the guidelines for the improvement of care, such as prioritization of cases for reception of patients and risk classification, supply of multidisciplinary care, and safeguards for the presence of an accompanying person during the patient’s hospital stay. Factors that favored this work included political determination by the administration of the SMS-RJ, the wager on decentralized activities in permanent education, and the health professionals’ direct involvement. <![CDATA[Domingues RMSM, Fonseca SC, Leal MC, Aquino EML, Menezes GMS. Aborto inseguro no Brasil: revisão sistemática da produção científica, 2008-2018. Cad Saúde Pública 2020; 36 Suppl 1:e00190418.]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001309001&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Trata-se de relato de experiência desenvolvida na Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-RJ), para ampliar o número de maternidades municipais que atendem ao aborto legal por estupro. No Brasil, existem três permissivos legais para realização do aborto: risco à vida da gestante, estupro e anencefalia do feto. Diante da alta ocorrência de violência sexual contra as mulheres, os profissionais que atuam no Sistema Único de Saúde precisam estar qualificados para este atendimento e potencial desfecho em aborto, caso seja esta a escolha da mulher. Apesar das normas e diretrizes, ainda existem barreiras importantes no acesso a este direito, sendo a alegação da objeção de consciência pelos profissionais um dos principais obstáculos enfrentados. O objetivo do trabalho é apresentar uma metodologia de sensibilização de profissionais de saúde, para qualificar o atendimento às vítimas de violência sexual e ampliar o acesso ao aborto legal nas maternidades municipais. A metodologia contou com três etapas: oficina de trabalho, sensibilizações nas maternidades e monitoramento. Esta experiência foi acompanhada pelo aumento do número de maternidades que realizam o aborto legal por estupro, passando de duas unidades em 2016 para dez em 2019. Também fortaleceu diretrizes para melhoria no atendimento, como priorização dos casos no acolhimento e classificação de risco, oferta de atendimento multiprofissional e garantia da presença do acompanhante na internação. Fatores que favoreceram este trabalho foram: vontade política da gestão da SMS-RJ; aposta em ações descentralizadas de educação permanente; envolvimento dos profissionais de saúde.<hr/>Se trata de un relato sobre una experiencia, desarrollada en la Secretaría Municipal de Salud de Río de Janeiro (SMS-RJ), para ampliar el número de maternidades municipales que atienden abortos legales por violación. En Brasil, existen tres supuestos legales para abortar: riesgo para la vida de la gestante, violación y anencefalia del feto. Ante la alta ocurrencia de violencia sexual contra las mujeres, los profesionales que actúan en el Sistema Único de Salud (SUS)necesitan estar cualificados para este tipo de atención y desenlace potencial en aborto, en caso de que esta sea la elección de la mujer. A pesar de las normas y directrices, todavía existen barreras importantes en el acceso a este derecho, siendo la alegación de objeción de conciencia -por parte de los profesionales- uno de los principales obstáculos a los que se hace frente. El objetivo del trabajo es presentar una metodología de sensibilización para profesionales de salud, con el fin cualificar la atención a las víctimas de violencia sexual y ampliar el acceso al aborto legal en las maternidades municipales. La metodología contó con tres etapas: taller de trabajo, sensibilizaciones en maternidades y supervisión. Se realizó un seguimiento de esta experiencia, debido al aumento del número de maternidades donde se permite el aborto legal por violación, pasando de dos unidades en 2016 a diez en 2019. También se fortalecieron las directrices para la mejora en la atención, como la priorización de los casos en la acogida y clasificación de riesgo, la oferta de atención multiprofesional, así como la garantía de la presencia de un acompañante durante el internamiento. Los factores que favorecieron este trabajo fueron: voluntad política de la unidad de gestión de la SMS-RJ; la apuesta en acciones descentralizadas de educación permanente, así como la implicación de los profesionales de salud.<hr/>The article reports on an experience developed by the Rio de Janeiro Municipal Health Department (SMS-RJ) to expand the number of municipal maternity hospitals that provide legal abortion for rape victims. Brazil’s legislation allows legal abortions in three cases: risk to the woman’s life, rape, and fetal anencephaly. Given the high rate of sexual violence against Brazilian women, health professionals working in the Brazilian Unified National Health System (SUS) need to be trained for such care with abortion as the potential outcome if that is the woman’s choice. Despite the legal provisions and guidelines, Brazilian women still experience important barriers when attempting to access this right. One of the main obstacles is health professionals’ claim of conscientious objection. The study aims to present an awareness-raising methodology for health professionals to improve the care for victims of sexual violence and expand access to legal abortion in the municipal maternity hospitals. The methodology involved three stages: a workshop, awareness-raising in the maternity hospitals, and monitoring. This experience resulted in an increase in the number of maternity hospitals that perform legal abortion for rape victims, from two hospitals in 2016 to ten in 2019. The experience also strengthened the guidelines for the improvement of care, such as prioritization of cases for reception of patients and risk classification, supply of multidisciplinary care, and safeguards for the presence of an accompanying person during the patient’s hospital stay. Factors that favored this work included political determination by the administration of the SMS-RJ, the wager on decentralized activities in permanent education, and the health professionals’ direct involvement. <![CDATA[Menezes GMS, Aquino EML, Fonseca SC, Domingues RMSM. Aborto e saúde no Brasil: desafios para a pesquisa sobre o tema em um contexto de ilegalidade. Cad Saúde Pública 2020; 36 Suppl 1:e00197918.]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2020001309002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Trata-se de relato de experiência desenvolvida na Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-RJ), para ampliar o número de maternidades municipais que atendem ao aborto legal por estupro. No Brasil, existem três permissivos legais para realização do aborto: risco à vida da gestante, estupro e anencefalia do feto. Diante da alta ocorrência de violência sexual contra as mulheres, os profissionais que atuam no Sistema Único de Saúde precisam estar qualificados para este atendimento e potencial desfecho em aborto, caso seja esta a escolha da mulher. Apesar das normas e diretrizes, ainda existem barreiras importantes no acesso a este direito, sendo a alegação da objeção de consciência pelos profissionais um dos principais obstáculos enfrentados. O objetivo do trabalho é apresentar uma metodologia de sensibilização de profissionais de saúde, para qualificar o atendimento às vítimas de violência sexual e ampliar o acesso ao aborto legal nas maternidades municipais. A metodologia contou com três etapas: oficina de trabalho, sensibilizações nas maternidades e monitoramento. Esta experiência foi acompanhada pelo aumento do número de maternidades que realizam o aborto legal por estupro, passando de duas unidades em 2016 para dez em 2019. Também fortaleceu diretrizes para melhoria no atendimento, como priorização dos casos no acolhimento e classificação de risco, oferta de atendimento multiprofissional e garantia da presença do acompanhante na internação. Fatores que favoreceram este trabalho foram: vontade política da gestão da SMS-RJ; aposta em ações descentralizadas de educação permanente; envolvimento dos profissionais de saúde.<hr/>Se trata de un relato sobre una experiencia, desarrollada en la Secretaría Municipal de Salud de Río de Janeiro (SMS-RJ), para ampliar el número de maternidades municipales que atienden abortos legales por violación. En Brasil, existen tres supuestos legales para abortar: riesgo para la vida de la gestante, violación y anencefalia del feto. Ante la alta ocurrencia de violencia sexual contra las mujeres, los profesionales que actúan en el Sistema Único de Salud (SUS)necesitan estar cualificados para este tipo de atención y desenlace potencial en aborto, en caso de que esta sea la elección de la mujer. A pesar de las normas y directrices, todavía existen barreras importantes en el acceso a este derecho, siendo la alegación de objeción de conciencia -por parte de los profesionales- uno de los principales obstáculos a los que se hace frente. El objetivo del trabajo es presentar una metodología de sensibilización para profesionales de salud, con el fin cualificar la atención a las víctimas de violencia sexual y ampliar el acceso al aborto legal en las maternidades municipales. La metodología contó con tres etapas: taller de trabajo, sensibilizaciones en maternidades y supervisión. Se realizó un seguimiento de esta experiencia, debido al aumento del número de maternidades donde se permite el aborto legal por violación, pasando de dos unidades en 2016 a diez en 2019. También se fortalecieron las directrices para la mejora en la atención, como la priorización de los casos en la acogida y clasificación de riesgo, la oferta de atención multiprofesional, así como la garantía de la presencia de un acompañante durante el internamiento. Los factores que favorecieron este trabajo fueron: voluntad política de la unidad de gestión de la SMS-RJ; la apuesta en acciones descentralizadas de educación permanente, así como la implicación de los profesionales de salud.<hr/>The article reports on an experience developed by the Rio de Janeiro Municipal Health Department (SMS-RJ) to expand the number of municipal maternity hospitals that provide legal abortion for rape victims. Brazil’s legislation allows legal abortions in three cases: risk to the woman’s life, rape, and fetal anencephaly. Given the high rate of sexual violence against Brazilian women, health professionals working in the Brazilian Unified National Health System (SUS) need to be trained for such care with abortion as the potential outcome if that is the woman’s choice. Despite the legal provisions and guidelines, Brazilian women still experience important barriers when attempting to access this right. One of the main obstacles is health professionals’ claim of conscientious objection. The study aims to present an awareness-raising methodology for health professionals to improve the care for victims of sexual violence and expand access to legal abortion in the municipal maternity hospitals. The methodology involved three stages: a workshop, awareness-raising in the maternity hospitals, and monitoring. This experience resulted in an increase in the number of maternity hospitals that perform legal abortion for rape victims, from two hospitals in 2016 to ten in 2019. The experience also strengthened the guidelines for the improvement of care, such as prioritization of cases for reception of patients and risk classification, supply of multidisciplinary care, and safeguards for the presence of an accompanying person during the patient’s hospital stay. Factors that favored this work included political determination by the administration of the SMS-RJ, the wager on decentralized activities in permanent education, and the health professionals’ direct involvement.