Scielo RSS <![CDATA[Trabalhos em Linguística Aplicada]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0103-181320110002&lang=en vol. 50 num. 2 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <link>http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-18132011000200001&lng=en&nrm=iso&tlng=en</link> <description/> </item> <item> <title><![CDATA[<b>Revelation or understanding</b>: <b>some ideas about the translation of religious texts</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-18132011000200002&lng=en&nrm=iso&tlng=en O trabalho sugere que existem pelo menos duas estratégias bastante distintas para abordar a tradução de textos religiosos: a primeira busca dar acesso ao leitor em termos de entendimento, aproximando o texto religioso da cultura para a qual ele está sendo traduzido. A segunda estratégia é nutrida por uma ênfase na iluminação, na revelação, numa clarividência que não necessariamente passa pelo raciocínio, mas que pode ser proporcionada pela transmissão de características da língua que não pertencem ao campo dos sentidos e têm a ver com a materialidade da língua: ritmo, assonâncias, aliterações. As duas estratégias, numa primeira análise, parecem não só se opor diametralmente, mas também reforçar uma dicotomia talvez tão ou mais antiga que os próprios textos em estudo: aquela que opõe espírito (ou conteúdo) a letra (forma). No entanto, como já poderíamos suspeitar, as coisas não são tão simples assim... O trabalho apresentará algumas manifestações dessas duas tendências ao longo da história, problematizando a dicotomia e buscando delimitar que éticas informaram cada esforço de tradução.<hr/>This paper suggests the existence of at least two very different strategies in the translation of religious texts: one is based on understanding and aims at accommodating the religious text to the culture into which it is translated. The second strategy is nourished by an emphasis on illumination, on revelation, on an insight that does not necessarily demand reasoning, but rather the transmission of certain linguistic characteristics not belonging to the realm of meaning: rhythm, assonances, alliterations. At first sight, the two strategies are radically different, stressing a dichotomy that is perhaps even older than the texts being studied " that opposing spirit to letter (or content to form). However, as one might expect, things are not so simple. The work will present some manifestations of these two tendencies along history, questioning the dichotomy itself and trying to identify what kind of ethic informed each translation effort. <![CDATA[<b>Reading and interpreting images for translating</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-18132011000200003&lng=en&nrm=iso&tlng=en Desde la noción de paratraducción como fundamento traductológico, la imagen puede ser considerada en traducción como un paratexto icónico cuya lectura e interpretación simbólicasrequieren de una cierta disciplina metodológica paratraductiva a la hora de cultivar el sentido de la mirada del traductor.A través de dos corpus diferentes, por una lado, las imágenes dibujadas de unos supuestos «pictogramas» de la Xunta de Galicia y, por otro, las «nuevas caras» de los estuches de Kinder Chocolate, José Yuste Frías demuestra en este artículo que la imagen en traducción no es universal. La manipulación de la imagen, conlleva no sólo implicaciones simbólicas, sino también, ideológicas, políticas, sociales y culturales que influyen enormemente en la presentación final de los productos de la traducción.<hr/>From the translatological standpoint of paratranslation, images can ben considered in translation as iconic paratexts whose symbolic reading and interpretation call for a certain methodological and paratranslational discipline regarding the creation and development of the translator's perspective. Based on two different corpora, -on the one hand the sketchs of would-be "pictograms" by Xunta de Galicia, on the other, the "new faces" of Kinder Chocolate boxes- José Yuste Frías shows in this paper that images in translation are not universal. Manipulation of images entails not only symbolic implications, but also ideological, political, social and cultural questions that have a key import in the final presentation of the products of translation. <![CDATA[<b>Bates's translations</b>: <b>two naturalists in the Amazon River</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-18132011000200004&lng=en&nrm=iso&tlng=en Neste trabalho analisam-se duas traduções do relato da viagem do naturalista Henry Walter Bates pela Amazônia, uma publicada em 1944 na Coleção Brasiliana feita pelo naturalista Candido de Mello-Leitão, outra editada em 1979 na Coleção Reconquista do Brasil, assinada por Regina Regis Junqueira. O objetivo do artigo é problematizar a demarcação de limites nítidos entre uma ética da diferença e uma ética da igualdade, pois, em ambos os textos, tanto ocorre um movimento no sentido de preservar a alteridade do texto e do autor, quanto no de domesticar o texto. A análise busca também evidenciar que cada tradução, realizada a partir de diferentes projetos editoriais e tradutórios, acaba por suscitar diferentes imagens do naturalista e dos lugares por ele visitados.<hr/>Two translations of the travel writing by the naturalist Henry Walter Bates in the Amazon are analyzed in this work: one published in 1944 in the Brasiliana Collection by the naturalist Candido de Mello-Leitão, and another edited in 1979 in the Reconquista do Brasil Collection, signed by Regina Regis Junqueira. The purpose of this study is to examine the delimitation of clear boundaries between an ethics of difference and an ethics of equality, since the two texts present a movement that both preserves the otherness of the text and the author and domesticates the text. The analysis also aims to evidence that each translation, carried out from different editorial and translational projects, ultimately projects different images of naturalist and the places visited by him. <![CDATA[<b>The translators working at Casa do Arco do Cego and the enlightened science</b>: <b>conciliation through words</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-18132011000200005&lng=en&nrm=iso&tlng=en Entre 1799 e 1801, funcionou em Lisboa a Casa Literária do Arco do Cego. Voltada para a publicação de obras científicas e didáticas ligadas à aplicação das ciências naturais, a Arco do Cego foi dirigida pelo frei José Mariano da Conceição Veloso, naturalista brasileiro e tradutor incansável. Para realizar o objetivo de trazer o progresso para o reino português por meio da instrução, as atividades da Arco do Cego ocorreram dentro de um sistema de mecenato em que a coroa portuguesa arcava com as despesas dos projetos. Essas despesas incluíam aquelas referentes ao pagamento dos tradutores recrutados por Frei Veloso, como Manoel Jacinto Nogueira da Gama, matemático, filósofo naturalista e professor que traduziu obras nas áreas de matemática e engenharia. As traduções publicadas sob a supervisão de Veloso eram introduzidas por dedicatórias e prefácios de tom laudatório escritos pelos tradutores, que assim reconheciam seu débito com a monarquia e declaravam sua fidelidade à Coroa e às tradições portuguesas. O objetivo deste trabalho é mostrar que esses paratextos funcionaram como instrumentos para a aceitação dos princípios científicos iluministas, pois as ideias progressistas eram apresentadas aos leitores portugueses por discursos comprometidos com as tradições do antigo regime português e com a retórica escolástica.<hr/>Between 1799 e 1801, the publishing house Casa Literaria do Arco do Cego was fully active in Lisbon and dedicated to publishing scientific and didactic works regarding the application of natural scientific knowledge. It was run by Friar José Mariano da Conceição Veloso, a Brazilian naturalist and tireless translator. To accomplish its aim of bringing progress to the Portuguese kingdom through instruction, Arco do Cego held its activities within a system of patronage in which the Portuguese crown would pay for all of its expenses, including the payment of the translators working for Veloso. One of these translators was Manoel Jacinto Nogueira da Gama, a mathematician, naturalist and lecturer who translated works in the areas of mathematics and engineering. The translations published under Veloso's supervision were introduced by dedicatories and prefaces written in a laudatory tone by the translators, who through such paratexts acknowledged their debt to the Crown and declared their loyalty to the monarchical regime and traditions of the Portuguese society. In this paper, the aim is to show that the translators' paratexts worked as tools for the acceptance of the enlightened scientific principles, because the progressive ideas were presented to the Portuguese readers by discourses written in accordance with the scholastic tradition. <![CDATA[<b>The distinctive lexis of translation</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-18132011000200006&lng=en&nrm=iso&tlng=en Ao lermos uma tradução, é comum termos a clara noção de que estamos perante um texto traduzido, ao contrário do que acontece quando lemos um texto original, produzido sem as limitações impostas por um texto-fonte escrito num idioma diferente. Uma das características que poderá conferir esta sensação de diferença em relação às traduções é a frequência fora do comum de determinado léxico. Pesquisas existentes comparando a frequência de certas palavras em traduções e em textos que não são traduções revelam diferenças de distribuição significativas. A maioria dos estudos em causa tem como base uma abordagem de baixo para cima. Seleciona-se uma dada palavra específica, cuja frequência é então comparada em textos traduzidos e não traduzidos. No presente estudo, invertemos essa metodologia e adotamos uma abordagem exploratória de cima para baixo. Começamos com um corpus de textos literários em português traduzido e português não traduzido e, a partir daí, procuramos identificar palavras sobre e sub-representadas nas traduções. Os resultados obtidos não só reforçam a nossa intuição relativamente ao léxico característico da tradução, como também revelam uma série de contrastes inesperados, que provavelmente não teriam sido detectados se não se tivesse utilizado a presente metodologia.<hr/>It is a well-known fact that translated texts read differently from texts that have been written without the constraints imposed by source texts from another language. One of the features that can confer a distinctive feel to translations is the frequency with which certain lexical items are represented in them. Previous research has compared the frequency of specific words in translations and in texts that are not translations and unveiled substantial differences in their distributions. Most of these studies adopt a bottom-up approach. Their starting point is a given word whose frequency in translated and non-translated texts is then compared. In the present study, we adopt an explorative, top-down approach instead. We begin with a Portuguese language corpus of translated and non-translated literary texts and attempt to identify lemmas which are markedly over and under-represented in the translations. Our results not only appear to support existing bottom-up intuitions regarding distinctive lexical distributions, but also disclose a number of unexpected contrasts that would not have been discernible without recourse to corpora. <![CDATA[<b>Translation practices redefined by linguistic relations in the informational economy</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-18132011000200007&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este trabalho tem por objetivo apresentar um panorama das relações linguísticas no mundo globalizado via internet, refletindo sobre a crescente ruptura da associação entre língua e cultura e sua influência para a prática de tradução na contemporaneidade. A partir da descrição das principais mudanças na contratação da tradução na atualidade, discute-se como a preferência pela padronização da língua de origem, especialmente o inglês, dos materiais textuais em formato eletrônico colabora para a manutenção dessa língua em sua "posição dominante" ao mesmo tempo em que desloca o ônus da tradução para aqueles que não a conhecem. Conforme argumento, é essa língua híbrida e sem vínculo com sua cultura de origem que, na maioria das vezes, serve de ponto de partida para a tradução de materiais textuais para as mais diversas línguas e posterior divulgação em meio eletrônico.<hr/>The purpose of this paper is to present an overview of the linguistic relations in the globalized world via internet, considering the growing dissociation between language and culture and its influence on the contemporary practice of translation. From the description of the main changes in the way translation services are currently hired, we discuss how the preference for standardization of the original language, mainly English, of textual materials in electronic format collaborates in maintaining this language at its "dominant position", whereas it dislocates the burden of translation to those who cannot speak it. As we argue, this "hybrid" language with no ties to its original culture is mostly used as a source for the translation of textual materials into different languages and subsequent dissemination in electronic medium. <![CDATA[<b>Author's cinema for the visually impaired</b>: <b>the audiodescription of O Grão (The Grain)</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-18132011000200008&lng=en&nrm=iso&tlng=en A audiodescrição (AD) é a tradução em palavras dos elementos visuais de uma produção audiovisual, tais como filmes, peças de teatro, jogos esportivos, obras de arte, dentre outros. A AD torna acessíveis essas produções audiovisuais a pessoas com deficiência visual. A pesquisa em AD de filmes vem se destacando dos demais tipos de AD, envolvendo tanto estudos descritivos quanto exploratórios. Este trabalho tem o objetivo de apresentar os resultados de um desses estudos desenvolvidos pelo grupo de estudo LEAD (Legendagem e Audiodescrição) na Universidade Estadual do Ceará (UECE), no âmbito do projeto de cooperação entre a UECE e a UFMG (PROCAD). O estudo em questão abordou a recepção de pessoas com deficiência visual ao filme O Grão, do cineasta cearense Petrus Cariry (2007). O filme fez parte de duas mostras de cinema acessível realizadas pelo LEAD, que cuidou do roteiro, gravação e edição. O LEAD também produziu O Grão em DVD, contendo menu com audionavegação, audiodescrição, legenda para surdos e janela de LIBRAS. A metodologia compreendeu uma dimensão descritiva, que classificou e analisou as inserções das descrições contidas no roteiro de AD, e outra exploratória, que aplicou um teste de recepção sobre a AD do filme com dois grupos de pessoas com deficiência visual, sendo um grupo com cegueira congênita e total e o outro com baixa visão. Após assistir ao filme, o participante com deficiência visual fazia um relato livre sobre sua compreensão do enredo do filme. Por fim, respondia a um questionário versando sobre a opinião deles sobre a AD. Todo o processo era filmado para que também as reações ao filme pudessem fazer parte dos protocolos de análise. Foram consideradas duas variáveis: o espectador com deficiência visual e o gênero do filme. Os resultados mostraram que não houve diferença de recepção entre os dois grupos analisados, visto que os quatro participantes entenderam e apreciaram O Grão, considerado difícil para a maioria dos espectadores, pois foge à narrativa clássica do cinema de Hollywood. Os dados sugeriram que mesmo o cinema de autor pode ser apreciado por uma audiência com deficiência visual por meio da AD.<hr/>Audiodescription (AD) is the translation into words of the visual elements of an audiovisual production, such as films, plays, sportive events, and paintings, among others. AD makes these audiovisual productions accessible to people with visual impairment. Research on AD has been focusing on films, involving both descriptive and exploratory studies. This paper aims to present the results of one of these studies developed by the research group LEAD (legendagem and audiodescrição) at the State University of Ceará (UECE) under the cooperation project between the Federal University of Minas Gerais (UFMG) and UECE (PROCAD). This study approached the reception of the visually impaired to the movie O Grão (The Grain) by the Brazilian filmmaker Petrus Cariri (2007). The film was part of two film festivals made accessible by LEAD, who handled its script, recording and editing. LEAD also produced The Grain on DVD with audionavigation menu, subtitling for the deaf, audiodescription and Sign Language interpreting. The methodology included a descriptive dimension, which classified and analyzed the description insertions contained in the AD script, and one exploratory, in which a reception test was applied with two groups of visually impaired participants. The first was formed by born blind subjects, and the second, low vision participants. After watching the film, the visually impaired participants made a free report about their understanding of the film plot. Then, they answered a questionnaire dealing with their opinion about the AD. The whole process was filmed for the reactions to the film to be part of the analysis protocols. Two variables were considered: the type of visual impairment and the film genre. The results showed no difference in reception between the two groups analyzed, since the four participants understood and enjoyed The Grain, a film regarded as difficult by most viewers, because it is different from the typical classical narrative presented by Hollywood. The data suggested that even an author's film can be enjoyed by a visually impaired audience by means of AD. <![CDATA[<b>The "drifts" of a concept in its translations</b>: <b>the case of Freudian's Trieb</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-18132011000200009&lng=en&nrm=iso&tlng=en Recentemente os direitos sobre a obra de Sigmund Freud caíram em domínio público. Como conseqüência disso, após décadas de intensas críticas à única e indireta versão disponível em língua portuguesa, temos finalmente três projetos de tradução sendo desenvolvidos no Brasil a partir do original alemão. A intenção deste artigo, portanto, é a de discutir as escolhas feitas para a tradução de Trieb, um dos mais centrais dos conceitos freudianos.<hr/>Recently the rights over Sigmund Freud's work went into the public domain. As a consequence, after decades of intense critics on the only and indirect translation available in Portuguese, we finally have in Brazil three translation projects of his writings being developed directly from the original in German. The aim of this article is therefore to discuss the choices made to translate Trieb, one of the most important of Freudian concepts. <![CDATA[<b>The translation of Jacques Lacan's seminars</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-18132011000200010&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo objetiva mostrar algumas das dificuldades levantadas pela tradução dos textos de Jacques Lacan. Buscando compreender que repercussões seu percurso teórico pode ter sobre a constituição de seus textos, traça, na primeira parte, um breve histórico da trajetória do psicanalista francês e da construção de sua obra e debruça-se sobre as questões de sua transcrição e estabelecimento. Em um segundo momento, o artigo detém-se no estilo lacaniano, especialmente nos Seminários, marcados por uma série de especificidades que o colocam na fronteira do discurso especializado e não-especializado: linguagem oral, variação de registros, recursos de linguagem, entre outros. A terceira parte dedica-se a mostrar o papel do significante no construto psicanalítico e sua apropriação pelo teórico para materializar sua teoria. Por fim, para ilustrar as dificuldades com que se depara o profissional da tradução que se depara com tais textos, a quarta e última parte apresenta uma amostra das criações lexicais de Lacan, classificadas quanto à sua formação e função. Esta pequena seleção permite visualizar não só os problemas enfrentados, mas também salientar a exigência de uma interlocução cada vez maior entre psicanalistas e tradutores para que a tradução dessa obra atinja seus objetivos de transmissão.<hr/>Le présent article tente de mettre à jour certaines difficultés observées dans la traduction des textes du psychanalyste français Jacques Lacan. Dans le but de comprendre les répercussions de son parcours théorique sur la constitution de ses textes, la première partie de ce travail retrace un bref historique de sa trajectoire pour réfléchir aux questions de la transcription et de l'établissement de son Œuvre. La deuxième partie se penche sur les spécificités qui marquent notamment les Séminaires et situent le style lacanien à la frontière entre le discours spécialisé et le discours non spécialisé : langage oral, variation de registres, ressources de langage, entre autres. Dans la troisième partie, l'accent est mis sur le rôle du signifiant dans la construction psychanalytique et son appropriation par l'auteur pour matérialiser sa théorie. Pour illustrer les difficultés auxquelles doit faire face le professionnel de la traduction, la quatrième et dernière partie présente finalement un échantillonnage des créations lexicales de Lacan, classées du point de vue de leur formation et de leur fonction. Cette petite sélection ne permet pas seulement de visualiser les problèmes rencontrés, elle montre également la nécessité d'un échange toujours plus grand entre psychanalystes et traducteurs, afin que la traduction de cette Œuvre atteigne pleinement ses objectifs de transmission. <![CDATA[<b>The translator</b>: <b>the inescapable hôte of the Other´s language</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-18132011000200011&lng=en&nrm=iso&tlng=en A partir de algumas concepções de língua, tradução e hospitalidade desenvolvidas pelo filósofo francês Jacques Derrida, pretende-se, neste trabalho, estabelecer uma relação entre as considerações derridianas sobre a tradução do termo francês hôte, palavra que designa tanto o anfitrião quanto o hóspede, e o trabalho do tradutor. Na primeira parte, veremos como a ideia da língua do hôte influenciou o pensamento derridiano e trouxe, já no início, a questão da tradução. Na segunda parte, será abordada a tradução 'propriamente dita' do termo hôte, enfatizada por Derrida em sua leitura do conto L'hôte, de Camus, e a relação do tradutor como hôte do texto do Outro. Pretende-se, assim, mostrar que a discussão sobre a tradução de hôte encena a impossibilidade de uma hospitalidade incondicional e desvela as relações por meio das quais o significado é constituído, em um jogo de múltiplas línguas que interagem no processo tradutório.<hr/>Building on certain concepts of language, translation, and hospitality formulated by French philosopher Jacques Derrida, this essay aims to establish a relationship between Derrida's consideration of the translation of the French term hôte-a word that designates both the host and the guest-and the work of translators. The first part explores how the idea of the language of the hôte influenced Derridean thinking and brought forward, from early on, the issue of translation. The second part deals with the translation itself of the term hôte, as emphasized by Derrida in his own reading of Camus's short story L'hôte, as well as with the translator's relationship as hôte of the Other's text. The aim is to show that the discussion of the translation of hôte stages the impossibility of an unconditional hospitality and unveils the relationships through which meaning is formed, in a play of multiple languages that interact in the translation process. <![CDATA[<b>Second-hand hands?</b> <b>(In)direct translation and the matter of relation</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-18132011000200012&lng=en&nrm=iso&tlng=en Na última década, algumas editoras brasileiras passaram a investir em novas traduções de clássicos da literatura estrangeira, especialmente daqueles que já há muito circulam em língua portuguesa, mas em traduções ditas indiretas. São exemplares, nesse sentido, os casos mais recentes de novas traduções da literatura russa e alemã. Os números são significativos e podemos reconhecer aí uma nova tendência, mas cum grano salis. As estatísticas também mostram que esses números não são tão expressivos a ponto de podermos generalizar a tendência como regra para todo o campo editorial brasileiro, nem mesmo se restrito ao mercado literário. Para os estudos da tradução, no entanto, essa tendência reacende a discussão sobre as várias questões implicadas nessa modalidade de tradução. Este trabalho tem em vista pontuar os limites e as possibilidades da tradução direta e indireta e refletir sobre suas implicações para a crítica da tradução literária.<hr/>In the last decade, some Brazilian publishers invested in new translations of classics of foreign literature, especially those who have long been circulating in Portuguese, but in so called indirect translations. The most recent cases of new translations of Russian and German literature are exemplary in this sense. The numbers are significant and we can recognize there a new trend, but cum grano salis. Statistics also show that these numbers are not as expressive as to allow a generalization the trend as a rule for all the Brazilian publishing field, even if restricted to the literary market. For translation studies, however, this trend gives new life to the discussion on the various issues involved in this kind of translation. This papers aims to point out the limits and possibilities of direct and indirect translation and to reflect on their implications for the critique of literary translation. <![CDATA[<b>Interpreter, you will be</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-18132011000200013&lng=en&nrm=iso&tlng=en País bilíngue, fundamental no campo dos Estudos da Tradução por suas pesquisas em Terminologia e em Tradução jurídica, o Canadá promoveu e promove inúmeras iniciativas públicas, através de seu Bureau de Traduction, dentre outros organismos, para responder às diversas necessidades nacionais internas. O presente trabalho apresentará um acórdão da Corte Suprema da Nova-Escócia, província do Canadá, conhecido na jurisprudência canadense como o Acórdão Tran (1994), importante documento que estabeleceu pela primeira vez critérios para a fundamentação da "boa interpretação" no meio judicial. Tal decisão da Corte canadense foi incorporada ao Guia para Intérpretes Judiciários, do Ministério da Justiça do Quebec - Direção Geral dos Serviços de Justiça e dos Registros (janeiro de 2001, com edição revista em 2008), traduzido e adaptado por Pierrette Richard, Intérprete Judiciária no Palácio de Justiça de Montreal, do Freelance Court Interpreter's (1995), produzido pelo Serviço de Interpretação Judiciária do Ministério do Procurador Geral de Ontario.<hr/>A bilingual country, essential in the Translation Studies field for its research on Terminology and Legal Translation, Canada has promoted in the past, and still does, multiple public initiatives, through its Bureau de Traduction, among other bodies, in order to respond to its various national internal needs. This work will present an appellate decision to the Supreme Court of Nova Scotia, a Canadian province, referred in case law as the Tran Decision (1994), an important document which for the first time has set forth the criteria for the grounds of "good interpretation" in the judicial milieu. Such decision from the Canada Court was included in the Guide for Court Interpreters, issued by the Quebec Ministry of Justice - General Direction of Justice and Registration Services (January 2001, revised in 2008), translated and adapted by Pierrette Richard, Court Interpreter in the Palace of Justice of Montreal, from the Freelance Court Interpreter's (1995) produced by the Service of Court Interpretation of the Ontario Attorney General Office. <![CDATA[<b>Truth in translation</b>: <b>a testimony of the pain of words</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-18132011000200014&lng=en&nrm=iso&tlng=en O objetivo da Comissão de Verdade e Reconciliação (CVR), instituída na África do Sul em julho de 1995 e estendendo-se até agosto de 1997, é possibilitar uma reconciliação nacional, evitando o banho de sangue e instaurando a paz civil. Dizer a verdade, a full disclosure, é o que se exige de cada um que pede a anistia. Não se trata, portanto, de uma anistia geral, concedida de forma automática. Uma vez que a comissão sustenta que é possível "fazer coisas com as palavras", busca-se nas narrativas e nos testemunhos de todos os envolvidos uma verdade suficiente para produzir um consenso, o reconhecimento do passado e a assunção dos crimes, em oposição a uma cultura de impunidade. Nesse contexto, minha proposta é pensar a relação entre tradução e testemunho, pensar o intérprete tradutor como testemunha, sublinhando o fato de que a língua da Comissão, o inglês, é uma língua de tradução, não é a língua das vítimas nem dos torturadores.<hr/>The Truth and Reconciliation Commission (TRC) was established in South Africa in July 1995 and worked until August 1997, and its main goal is to provide national reconciliation, thus preventing a bloodbath and establishing civil peace. Each one who asks for amnesty is required to speak the truth in a full disclosure context. Therefore, it's not the case of a global amnesty which is automatically granted. Once the commission insists upon the possibility of "doing things with words", there is, amid the testimonies and narratives, a quest for some truth that would be enough to provide a consensus, to the acknowledgement of the past and to the assumption of the crimes committed. In such context, I propose a reflection on the relation between translation and testimony, as well as on the role played by the interpreter as witness, stressing the fact that the English language, which was adopted in the context of the commission, is a language used for translation purposes and is neither the language spoken by the victims nor by the torturers. <![CDATA[<b>Translation and impropriety</b>: <b>a reading of Claude Bleton's les Nègres du Traducteur</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-18132011000200015&lng=en&nrm=iso&tlng=en A hilária trama de Les nègres du traducteur, romance de Claude Bleton publicado na França em 2004, permite-nos explorar as relações que tradutores estabelecem com seus autores e originais. O texto de Bleton é particularmente útil para uma discussão de algumas noções relacionadas a teorias contemporâneas do texto e da tradução que giram em torno da noção nietzschiana de "morte do autor". Aaron Janvier, narrador e protagonista de Bleton, é um escritor frustrado que consegue se transformar em um importante tradutor de romances espanhóis para o francês, cujo gosto pelas estratégias domesticadoras de tradução faz dele uma figura poderosa nos círculos editoriais de Paris, Madri e Barcelona. À medida que conquista mais e mais influência no mundo editorial, Janvier não hesita em transformar os autores que traduz em seus "nègres", ou seja, em ghostwriters encarregados de escrever os "originais" que devem ser estritamente fiéis às "traduções" que ele lhes envia. Quando alguns dos autores começam a questionar essa situação peculiar, Janvier os elimina sumariamente. Por meio de um exame detalhado da caracterização que Bleton faz do tradutor como um assassino, este artigo propõe uma reconsideração de alguns clichês que estão associados ao tradutor, ao seu trabalho e à suposta impropriedade de sua íntima relação com textos e autores.<hr/>The hilarious plot of Claude Bleton's novel, Les nègres du traducteur, published in France in 2004, allows us to explore the relationships that translators are often perceived to establish with their authors and originals. Bleton's text is particularly helpful for a discussion of some notions that are usually related to contemporary theories of text and translation that revolve around the post-Nietzschean notion of the "death of the author". Aaron Janvier, Bleton's narrator and protagonist, is a frustrated writer who manages to become a prominent translator of Spanish novels into French, and whose taste for domesticating translation strategies turns him into a powerful figure in the publishing circles of Paris, Madrid and Barcelona. As Janvier gets increasingly influential in the publishing world, he does not hesitate to turn the authors he should be translating into his "nègres", that is, into ghostwriters who are in charge of writing the "originals" that are expected to be strictly faithful to the "translations" he sends them. When some of his authors begin to reconsider their peculiar arrangement, Janvier simply kills them off. Through a close examination of Bleton's characterization of the translator as killer, this essay proposes to rethink some recurrent clichés associated with translators, their craft, and the alleged impropriety of their close relationship with texts and authors. <![CDATA[<b>Da tranquilidade à intranquilidade</b>: <b>Traduzir o <i>joual</i> literário</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-18132011000200016&lng=en&nrm=iso&tlng=en O objetivo deste artigo é analisar as questões levantadas pelas principais estratégias de tradução mobilizadas entre 1964 e 1984 para traduzir as representações romanescas do joual - a saber, o socioleto, fortemente anglicizado e linguisticamente empobrecido falado pelas classes populares de Montreal - para leitores anglo-canadenses inquietos com o avanço do movimento independentista no Quebec e com a chegada ao poder, em 1976, do Partido Quebequense. Após apresentar as características sociolinguísticas do joual, assim como o duplo uso, político e literário, que dele fizeram alguns escritores a partir de 1960, trata-se de identificar os problemas de ordem lexical propostos aos tradutores e as diversas soluções que estes preconizaram. Isso nos permitiu descobrir 1) as imagens de si e do outro que essas soluções veiculam; 2) a natureza dos processos de domesticação que elas subscrevem; 3) a maneira como essas soluções contribuíram para reforçar ou, excepcionalmente, subverter as expectativas do público anglo-canadense; 4) a presença, inevitável, de marcadores de re-enunciação que, inscritos em certas escolhas lexicais, dependem da subjetividade do tradutor e, consequentemente, do conflito das enunciações subjacentes a toda reescritura. Sob essa ótica, uma atenção particular é dada às duas traduções (1964; 1984) do romance Le Cassé de Jacques Renaud (1964), procurando levantar questões mais gerais sobre a não tradução, a retradução, a equivalência e a criatividade tradutórias, questões reveladoras da maneira como o Canadá inglês conhecia, desconhecia ou ignorava não apenas a sociedade e a cultura quebequenses da época, mas as zonas de contato linguísticas inerentes a sua própria língua. Sendo assim, constata-se certa evolução das práticas tradutórias do joual na direção da construção de imagens voluntariamente "intranquilas" tanto da Revolução dita tranquila quanto da identidade quebequense contemporânea.<hr/>Cet article a pour objectif d'analyser les enjeux soulevés par les principales stratégies traductionnelles qui ont été mobilisées entre 1964 et 1984 pour traduire les représentations romanesques du joual - à savoir le sociolecte, fortement anglicisé et linguistiquement appauvri, parlé par les classes populaires de Montréal - pour un lectorat anglo-canadien inquiet par la montée du mouvement indépendantiste au Québec et l'arrivée au pouvoir, en 1976, du Parti Québécois. Après avoir rappelé les caractéristiques sociolinguistiques du joual, ainsi que le double usage politique et littéraire qu'en ont fait certains écrivains à partir de 1960, il s'agit d'identifier les problèmes d'ordre lexical qu'il a posés aux traducteurs et les diverses solutions que ces derniers ont préconisées. Cela permet de mettre au jour 1) les images du soi et de l'autre que ces solutions véhiculent; 2) la nature des processus de domestication que celles-ci cautionnent; 3) la manière dont ces solutions ont contribué à renforcer ou, exceptionnellement, à subvertir les attentes du public anglo-canadien; 4) la présence, inévitable, de marqueurs de ré-énonciation qui, inscrits dans certains choix lexicaux, relèvent de la subjectivité du traducteur et, partant, du conflit des énonciations sous-jacent à toute réécriture. Dans cette optique, une attention particulière est accordée aux deux traductions (1964; 1984) du roman Le Cassé de Jacques Renaud (1964), en vue de soulever des questions plus générales portant sur la non traduction, la retraduction, l'équivalence et la créativité traductionnelles, questions à leur tour révélatrices de la manière dont le Canada anglais connaissait, méconnaissait ou ne connaissant pas non seulement la société et culture québécoises de l'époque, mais les zones de contact linguistiques inhérentes à sa propre langue. Ce faisant, on constate une certaine évolution des pratiques traductives du joual vers la construction d'images volontairement "intranquilles" tant de la Révolution dite tranquille que de l'identité québécoise contemporaine. <![CDATA[<b><i>Ecolalias</i></b>: <b><i>sobre o esquecimento das línguas</i></b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-18132011000200017&lng=en&nrm=iso&tlng=en O objetivo deste artigo é analisar as questões levantadas pelas principais estratégias de tradução mobilizadas entre 1964 e 1984 para traduzir as representações romanescas do joual - a saber, o socioleto, fortemente anglicizado e linguisticamente empobrecido falado pelas classes populares de Montreal - para leitores anglo-canadenses inquietos com o avanço do movimento independentista no Quebec e com a chegada ao poder, em 1976, do Partido Quebequense. Após apresentar as características sociolinguísticas do joual, assim como o duplo uso, político e literário, que dele fizeram alguns escritores a partir de 1960, trata-se de identificar os problemas de ordem lexical propostos aos tradutores e as diversas soluções que estes preconizaram. Isso nos permitiu descobrir 1) as imagens de si e do outro que essas soluções veiculam; 2) a natureza dos processos de domesticação que elas subscrevem; 3) a maneira como essas soluções contribuíram para reforçar ou, excepcionalmente, subverter as expectativas do público anglo-canadense; 4) a presença, inevitável, de marcadores de re-enunciação que, inscritos em certas escolhas lexicais, dependem da subjetividade do tradutor e, consequentemente, do conflito das enunciações subjacentes a toda reescritura. Sob essa ótica, uma atenção particular é dada às duas traduções (1964; 1984) do romance Le Cassé de Jacques Renaud (1964), procurando levantar questões mais gerais sobre a não tradução, a retradução, a equivalência e a criatividade tradutórias, questões reveladoras da maneira como o Canadá inglês conhecia, desconhecia ou ignorava não apenas a sociedade e a cultura quebequenses da época, mas as zonas de contato linguísticas inerentes a sua própria língua. Sendo assim, constata-se certa evolução das práticas tradutórias do joual na direção da construção de imagens voluntariamente "intranquilas" tanto da Revolução dita tranquila quanto da identidade quebequense contemporânea.<hr/>Cet article a pour objectif d'analyser les enjeux soulevés par les principales stratégies traductionnelles qui ont été mobilisées entre 1964 et 1984 pour traduire les représentations romanesques du joual - à savoir le sociolecte, fortement anglicisé et linguistiquement appauvri, parlé par les classes populaires de Montréal - pour un lectorat anglo-canadien inquiet par la montée du mouvement indépendantiste au Québec et l'arrivée au pouvoir, en 1976, du Parti Québécois. Après avoir rappelé les caractéristiques sociolinguistiques du joual, ainsi que le double usage politique et littéraire qu'en ont fait certains écrivains à partir de 1960, il s'agit d'identifier les problèmes d'ordre lexical qu'il a posés aux traducteurs et les diverses solutions que ces derniers ont préconisées. Cela permet de mettre au jour 1) les images du soi et de l'autre que ces solutions véhiculent; 2) la nature des processus de domestication que celles-ci cautionnent; 3) la manière dont ces solutions ont contribué à renforcer ou, exceptionnellement, à subvertir les attentes du public anglo-canadien; 4) la présence, inévitable, de marqueurs de ré-énonciation qui, inscrits dans certains choix lexicaux, relèvent de la subjectivité du traducteur et, partant, du conflit des énonciations sous-jacent à toute réécriture. Dans cette optique, une attention particulière est accordée aux deux traductions (1964; 1984) du roman Le Cassé de Jacques Renaud (1964), en vue de soulever des questions plus générales portant sur la non traduction, la retraduction, l'équivalence et la créativité traductionnelles, questions à leur tour révélatrices de la manière dont le Canada anglais connaissait, méconnaissait ou ne connaissant pas non seulement la société et culture québécoises de l'époque, mais les zones de contact linguistiques inhérentes à sa propre langue. Ce faisant, on constate une certaine évolution des pratiques traductives du joual vers la construction d'images volontairement "intranquilles" tant de la Révolution dite tranquille que de l'identité québécoise contemporaine.