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Revista Brasileira de Enfermagem

Print version ISSN 0034-7167On-line version ISSN 1984-0446

Rev. Bras. Enferm. vol.72 no.5 Brasília Sept./Oct. 2019  Epub Sep 16, 2019

https://doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0850 

ARTIGO ORIGINAL

Diagnósticos da CIPE® de pessoas vivendo com AIDS e Indicadores Empíricos

Vinicius Lino de Souza NetoI 
http://orcid.org/0000-0001-8269-2634

Rayane Teresa da Silva CostaI 
http://orcid.org/0000-0002-5619-2166

Danyella Augusto Rosendo da Silva CostaI 
http://orcid.org/0000-0002-6765-6472

Sâmara Sirdênia Duarte de Rosário BelmiroI 
http://orcid.org/0000-0003-0048-6672

Maria Alzete de LimaI 
http://orcid.org/0000-0002-0288-1329

Richardson Augusto Rosendo da SilvaI 
http://orcid.org/0000-0001-6290-9365

IUniversidade Federal do Rio Grande do Norte. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil.


RESUMO

Objetivo:

Analisar a associação entre os Indicadores Empíricos e Diagnósticos de Enfermagem da CIPE® em pessoas vivendo com AIDS, bem como identificar os indicadores preditores para o estabelecimento desses diagnósticos.

Método:

Estudo transversal com 120 pessoas vivendo com AIDS, em um hospital no Nordeste do Brasil, realizado de agosto a setembro de 2015, seguindo as etapas: identificação e validação dos Indicadores Empíricos; elaboração e validação dos Diagnósticos de Enfermagem da CIPE®; e análise da associação entre os Indicadores Empíricos e os Diagnósticos de Enfermagem resultantes das duas etapas anteriores. Para análise dos dados, foi utilizada a regressão logística.

Resultados:

Identificaram-se 74 Indicadores Empíricos, sendo 31 validados. Elaboraram-se 55 diagnósticos e 19 foram validados, dos quais 16 obtiveram associação com os Indicadores Empíricos, identificando-se 31 preditores.

Conclusão:

Os diagnósticos apresentaram associações significativas com os Indicadores Empíricos. Além disso, observou-se que os fatores preditores desses diagnósticos envolveram as respostas humanas e complicações relacionadas à doença, as quais devem ser consideradas durante a assistência prestada pelo enfermeiro.

Descritores: Processos de Enfermagem; Cuidados de Enfermagem; Diagnóstico de Enfermagem; HIV; Síndrome de Imunodeficiência Adquirida

ABSTRACT

Objective:

To analyze the association between the empirical indicators and ICNP® nursing diagnoses in people living with AIDS, as well as to identify the predictive indicators for the establishment of these diagnoses.

Method:

A cross-sectional study with 120 people living with AIDS, in a hospital in Northeastern Brazil, conducted from August to September 2015, following the steps: identification and validation of Empirical Indicators; preparation and validation of the ICNP® Nursing Diagnoses; and analysis of the association between the Empirical Indicators and the Nursing Diagnoses resulting from the two previous steps. To analyze the data, we used logistic regression.

Results:

74 Empirical Indicators were identified, being 31 of which were validated. 55 diagnoses were elaborated and 19 were validated, of which 16 were associated with the Empirical Indicators, identifying 31 predictors.

Conclusion:

The diagnoses presented significant associations with the Empirical Indicators. In addition, it was observed that the predictive factors of these diagnoses involved the human responses and complications related to the disease, which should be considered during the care provided by the nurse.

Descriptors: Nursing Processes; Nursing Care; Nursing Diagnosis; HIV; Acquired Immunodeficiency Syndrome

RESUMEN

Objetivo:

Analizar la asociación entre los indicadores empíricos y diagnósticos de enfermería de la CIPE® en personas viviendo con Sida, así como identificar los indicadores predictores para el establecimiento de esos diagnósticos.

Método:

Estudio transversal con 120 personas viviendo con Sida, en un hospital en el Nordeste de Brasil, realizado de agosto a septiembre de 2015, siguiendo las etapas: identificación y validación de los indicadores empíricos; elaboración y validación de los diagnósticos de enfermería de la CIPE®; y análisis de la asociación entre los indicadores empíricos y los diagnósticos de enfermería resultantes de las dos etapas anteriores. Para el análisis de los datos se utilizó la regresión logística.

Resultados:

Se identificaron 74 indicadores empíricos, siendo 31 validados. Se elaboraron 55 diagnósticos y 19 fueron validados, de los cuales 16 obtuvieron asociación con los indicadores empíricos, identificándose 31 predicadores.

Conclusión:

Los diagnósticos presentaron asociaciones significativas con los indicadores empíricos. Además, se observó que los factores predictores de estos diagnósticos involucraron las respuestas humanas y complicaciones relacionadas con la enfermedad, las cuales deben ser consideradas durante la asistencia prestada por el enfermero.

Descriptores: Procesos de Enfermería; Cuidados de Enfermería; Diagnóstico de Enfermería; VIH; Síndrome de Inmunodeficiencia Adquirida

INTRODUÇÃO

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) caracteriza-se como um importante problema de saúde pública no mundo e no Brasil(1-2). Por ser considerada uma doença de caráter crônico, desde o advento dos antirretrovirais, requer dos envolvidos diretamente com o cuidado o reforço de ações que influenciem positivamente na vida das pessoas vivendo com AIDS. Nesse sentido, o enfermeiro, como profissional de saúde, possui um importante papel na atenção à saúde dessas pessoas, desenvolvendo habilidades técnico-científicas que favorecem a organização e sistematização do cuidado(3).

Considerando a necessidade de sistematizar a assistência de enfermagem para as pessoas vivendo com AIDS, destaca-se a importância da utilização de terminologias de enfermagem, uma vez que estas permitem a identificação e a documentação de padrões de cuidados. A Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE®) consiste em uma terminologia padronizada da linguagem de enfermagem. Sua estrutura de termos e definições permite a coleta, a descrição e a documentação sistemática dos elementos da Prática de Enfermagem – o que os enfermeiros fazem (intervenções de enfermagem) com relação a determinadas necessidades humanas (Diagnósticos de Enfermagem) para produzir resultados (resultados de enfermagem)(4).

A Enfermagem moderna utiliza os conhecimentos e procedimentos teoricamente sistematizados e reformulados para implementar a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE). A Resolução COFEN nº 358/2009 considera que a SAE organiza o trabalho profissional quanto ao método, pessoal e instrumento, tornando possível a aplicabilidade do Processo de Enfermagem. Este deve ser baseado em um suporte teórico que oriente a execução de suas cinco fases, quais sejam: investigação, diagnóstico, planejamento, implementação e avaliação de enfermagem(4-5).

Nesse contexto, a teoria das Necessidades Humanas Básicas (NHBs) de Wanda Horta contribui para dimensionar a satisfação das necessidades do paciente, seja no âmbito biológico, espiritual ou social. Os conceitos da referida teoria permeiam o PE em virtude de ter como foco o cuidado centrado no ser humano no atendimento de suas necessidades básicas, através da observação, interação e intervenção junto ao indivíduo(6).

Entretanto, essa teoria carece de Indicadores Empíricos (IEs), o que muitas vezes dificulta a identificação dos problemas e a elaboração de Diagnósticos de Enfermagem (DEs). Os IEs são proposições experimentais usadas para mensurar e fornecer evidências sobre os conceitos de uma teoria(7). Neste estudo, consideraram-se IEs as manifestações das NHBs alteradas das pessoas vivendo com AIDS.

Partindo-se da hipótese que os IEs subsidiam a identificação dos DEs e fornecem um maior embasamento científico para a prática assistencial do enfermeiro, torna-se necessário analisar a associação entre estes e os DEs como forma de facilitar a capacidade preditora do enfermeiro e a implementação das intervenções de enfermagem que serão mais adequadas às reais necessidades das pessoas vivendo com AIDS, demonstrando, assim, a relevância do presente estudo.

A partir desse contexto, emergiu o seguinte questionamento: Existe associação estatística entre os Indicadores Empíricos e Diagnósticos de Enfermagem da CIPE® em pessoas vivendo com AIDS? Quais os Indicadores Empíricos preditores para o estabelecimento de DEs da CIPE® de pessoas vivendo com AIDS?

OBJETIVO

Analisar a associação entre os Indicadores Empíricos e Diagnósticos de Enfermagem da CIPE® em pessoas vivendo com AIDS, bem como identificar os indicadores preditores para o estabelecimento desses diagnósticos.

MÉTODO

Aspectos éticos

Foram respeitados os preceitos éticos da Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde do Brasil. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com seres humanos, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN.

Desenho, local do estudo e período

Trata-se de um estudo transversal, com abordagem quantitativa, realizado em um hospital de referência em tratamento de doenças infectocontagiosas no Nordeste do Brasil, entre agosto e setembro de 2015.

População ou amostra; critérios de inclusão e exclusão

O cálculo da amostra das pessoas vivendo com AIDS pautou-se na média aritmética de pessoas assistidas entre 2010 e 2014 no referido hospital, totalizando 300. Assim, utilizou-se a fórmula para populações finitas, considerando o nível de confiança de 95% (Z∞=1,96), o erro amostral de 5% e o tamanho da população de 300, resultando em uma amostra de 120 pessoas(8).

A seleção foi por conveniência e de forma consecutiva, adotando-se os seguintes critérios de inclusão: ter sido diagnosticado com AIDS, possuir idade acima de 18 anos e estar internado no hospital no período de coleta de dados. Como critérios de exclusão, adotaram-se: pessoas que apresentavam algum tipo de transtorno mental, avaliado por meio do Mini Exame do Estado Mental(9).

Protocolo do estudo

A pesquisa foi realizada nas seguintes etapas: 1ª - Identificação e validação dos Indicadores Empíricos; 2ª - Elaboração e validação dos Diagnósticos de Enfermagem da CIPE®; e 3ª - Análise da associação entre os Indicadores Empíricos e os Diagnósticos de Enfermagem resultantes das duas etapas anteriores.

Para análise da condição de saúde para pessoas vivendo com HIV, adotou-se o Método Clínico Centrado na Pessoa (MCCP), que explora a experiência da doença, como também a experiência do problema vivido pela própria pessoa. Além disso, o método associa-se com as interfaces das Necessidades Humanas Básicas(10).

A coleta de dados ocorreu no período de agosto a setembro de 2015. Para tanto, utilizou-se um roteiro de entrevista e exame físico, estruturado a partir das NHBs de Wanda de Aguiar Horta que avaliavam a condição tegumentar, respiratória, abdominal, cardíaca e neurológica. O instrumento foi submetido a um processo de validação de conteúdo por seis enfermeiros especialistas em infectologia que atuavam como preceptores na instituição onde os dados foram coletados, com base nos critérios do sistema de pontuação proposto por Fehring(11). Os mesmos concordaram em participar do estudo, assinando o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Assim, verificaram se o conteúdo, aparência, clareza e aplicabilidade estavam adequados ao objetivo da pesquisa. Também foi solicitado que os mesmos apontassem sugestões e modificações consideradas pertinentes. Consideraram-se validados os itens que alcançaram um Índice de Concordância (IC) ≥0,80 entre os especialistas. As sugestões apontadas pelos especialistas foram contempladas no estudo. Para maior fidedignidade, realizou-se um pré-teste com 10% da amostra das pessoas vivendo com AIDS, para que, assim, fossem identificadas as possíveis lacunas, no entanto, não houve necessidade de modificações.

Em seguida, aplicou-se o instrumento para se identificar os IEs das NHBs nas pessoas vivendo com AIDS. Posteriormente, realizou-se um grupo focal com o objetivo de conhecer opiniões, completar informações e obter um consenso entre os seis especialistas que participaram da validação do instrumento de coleta, no que diz respeito à relação dos IEs com as NHBs identificadas no estudo. Foram considerados válidos os IEs com IC ≥0,80 entre os especialistas.

Após a identificação dos IEs e a categorização conforme as NHBs, os pesquisadores elaboraram os DEs da CIPE®, com base na versão 2015. Adotou-se o raciocínio diagnóstico de Gordon, que volta ao modelo Hipotético-Dedutivo, considerando a testagem preditiva da hipótese como a chave do processo diagnóstico(12). É valido colocar que os diagnósticos que apresentavam concordância entre os pesquisadores foram aceitos. Aqueles onde havia discordância eram reavaliados em suas histórias clínicas até que se obtivesse um consenso.

Elencados os diagnósticos, elaboraram-se 120 planilhas construídas pelos pesquisadores, cada uma referente a um paciente, dispostas da seguinte forma: Apresentação do paciente quanto aos dados sociodemográficos e clínicos, e a listagem dos DEs e seus respectivos IEs. Desse modo, cada planilha foi enviada para os enfermeiros especialistas para julgarem isoladamente se concordavam ou não com os DEs da CIPE® elencados para cada paciente, em cada uma das planilhas enviadas.

Os seis especialistas que participaram da validação do instrumento de coleta de dados passaram por um treinamento ministrado pelos pesquisadores com vistas à verificação da capacidade de inferência diagnóstica. O objetivo foi minimizar o viés no momento da inferência diagnóstica. Para tanto, abordaram-se os seguintes temas: Objetivos da pesquisa, método utilizado, julgamento clínico, Sistematização da Assistência de Enfermagem, CIPE®, Teoria das NHBs, IEs e explanação sobre operacionalização do processo de inferência diagnóstica.

Após o treinamento, foi realizada uma avaliação com os seis diagnosticadores, com o intuito de identificar quais profissionais possuíam maior capacidade de inferência diagnóstica. Para isso, foram elaborados 10 casos clínicos fictícios, envolvendo DEs da CIPE®. Nesses casos, foi narrada a história clínica com informações pertinentes ao processo de inferência diagnóstica. Então, a partir dos IEs, o diagnosticador deveria identificar os DEs. Os especialistas realizaram a inferência diagnóstica dos 10 casos, três vezes, alcançando um total de 30 avaliações por especialista.

Ao término, o desempenho de cada um foi avaliado por meio do Coeficiente Kappa para verificar a concordância entre pares. Frente aos resultados alcançados, observou-se que os coeficientes gerais do Kappa obtiveram concordâncias quase perfeitas para três especialistas, os quais foram selecionados como diagnosticadores. Por fim, na 3ª etapa, os pesquisadores analisaram a associação entre os IEs e os DEs por meio da estatística inferencial.

Análise dos resultados e estatística

Após o recebimento das 120 planilhas, os pesquisadores analisaram estatisticamente o grau de concordância entre os diagnosticadores no que se refere aos DEs, assim optou-se pelo Índice de Validade de Conteúdo (IVC) e o Índice de Fidedignidade (reliability) ou concordância interavaliadores (IRA), que obtiveram o valor igual ou superior a 0.80, e o teste binomial, utilizando-se o programa Statistical Package for the Social Science (SPSS), versão 20.0.

Para verificar a associação entre os DEs e IEs validados, foram empregados o Teste Qui-Quadrado de Pearson e o Teste Exato de Fisher. Por fim, utilizou-se a regressão logística pelo método stepwise para identificar os IEs preditivos dos DEs que influenciavam o processo de estabelecimento das respostas humanas apresentadas por pessoas vivendo com AIDS. Considerou-se nível de significância de 5%.

RESULTADOS

Participaram do estudo 120 pessoas vivendo com AIDS, com idade mínima de 35 anos e máxima de 45 anos (67,75%). Na maioria eram homens (57,78%), casados (63,85%), autônomos (41,33%), brancos (54,21%) e católicos (85,74%). Foram identificados 74 Indicadores Empíricos, apenas 31 apresentaram o IC≥0.80, sendo considerados validados, conforme mostra o Quadro 1.

Quadro 1 Distribuição dos Indicadores Empíricos em pessoas vivendo com AIDS, conforme as Necessidades Humanas Básicas 

Indicadores Empíricos/Valores de Kappa Necessidades Humanas Básicas
Respiração ruidosa (0.81); cianose periférica e central (0.80) Oxigenação
Desidratação (0.87); Prega do turgor (0.84) Hidratação
Emagrecido (0.81); disfagia (0.80); lesões na naso e orofaringe (0.84) Nutrição
Diarreia (0.85); Sonda Vesical de Demora (0.80); disúria (0.82); constipação (0.80) Eliminação
Uso de medicações para o sono (0.80); fadiga (0.85) Sono e repouso
Seborreia (0.80) Cuidado corporal
Hiperemia em região sacral (0.80) Integridade cutaneomucosa
Média de temperatura de 39,5º C (0.88) Regulação térmica
Disartria (0.80) Regulação neurológica
Edema periférico e central (0.80) Regulação eletrolítica
Infecções recorrentes, leucocitose/leucopenia (CD4/CD8) (0.80) Regulação imunológica
Frequência cardíaca alterada (0.84) Regulação vascular
Abandono do uso dos antirretrovirais (0.87) Terapêutica
Tristeza (0.84); fácies de tristeza (0.84); medo (0.80) medo de expor suas ideias (0.80) Segurança emocional
Afasia (0.80) Comunicação
Vive(m) sozinho(s) (0.92); falta de apoio familiar (0.90) Gregária
Sem perspectivas de futuro (0.85) Autorrealização
Choro fácil (0.80); falta de autoconfiança (0.88) Autoestima
Mudanças corporais (0.84) Autoimagem
Uso abusivo do álcool e drogas (0.80) Atenção psicossocial

É valido acrescentar que a distribuição das Necessidades Humanas Básicas pautou-se na distribuição do instrumento de coleta de dados. A partir dos 31 IEs validados, foram elaborados 55 DEs, para tal, buscou-se um termo do eixo foco e julgamento da CIPE® versão 2015. No entanto, só 19 DEs foram considerados validados, pois atingiram os escores estabelecidos, o que decorreu da concordância entre os enfermeiros especialistas, sendo categorizados conforme as NHBs, como demonstrado na Tabela 1.

Tabela 1 Distribuição de Diagnósticos de Enfermagem para pessoas com AIDS, conforme as Necessidades Humanas Básicas 

Necessidades Humanas Básicas Diagnóstico de Enfermagem IVC
≥ 0.80
IRA
≥ 0.80
Valor de p
Oxigenação Dispneia 1.0 0,898 0,004
Hidratação Desidratação 1.0 0,824 0,001
Nutrição Deglutição prejudicada 0.8 0,837 0,000
Caquexia 0.8 0,971 0,001
Eliminação Eliminação vesical espontânea prejudicada 0.9 0,827 0,003
Frequência intestinal excessiva 0.8 0,897 0,000
Sono e Repouso Insônia 0.91 0,841 0,000
Cuidado corporal Higiene do couro cabeludo prejudicada 0.85 0,919 0,001
Integridade cutaneomucosa Integridade da pele prejudicada 0.80 0,958 0,000
Regulação térmica Hipertermia 0.80 0,804 0,000
Regulação neurológica Tremor 0.90 0,989 0,005
Regulação vascular Sangramento 1.0 0,835 0,000
Terapêutica Regime terapêutico prejudicado 0.80 0,897 0,001
Segurança emocional Medo de morrer 0.80 0,871 0,00
Comunicação Comunicação prejudicada 0.82 0,914 0,000
Gregária Solidão 0.81 0,949 0,001
Autoestima Baixa autoestima 0.90 0.975 0,00
Atenção Psicossocial Abuso de álcool e tabaco 0.90 0,947 0,000
Uso de drogas 0.84 0,898 0,003

Nota - IRA - Índice de Fidedignidade (reliability) ou concordância interavaliadores; IVC - Índice de Validação de Conteúdo; Teste Binominal - p <0,05.

No que tange à associação entre os IEs e os DEs, nem todas foram estatisticamente significativas. Assim, a Tabela 2 revela as associações que foram significativas entre os DEs e os IEs.

Tabela 2 Associação dos Indicadores Empíricos e os Diagnósticos de Enfermagem da CIPE® para pessoas com AIDS 

Diagnóstico de Enfermagem Indicadores Empíricos Valor de p*
Dispneia Respiração ruidosa 0,0411
Desidratação Prega de Turgor 0,0122
Deglutição prejudicada Emagrecido 0,0012
Lesões na naso e orofaringe 0,0011
Disfagia 0,0011
Eliminação vesical espontânea prejudicada Sonda Vesical de Demora 0,0031
Disúria 0,0322
Frequência intestinal excessiva Diarreia 0,0012
Emagrecido 0,0011
Integridade da pele prejudicada Média de temperatura de 39,5º C 0,0011
Emagrecido 0,0402
Hiperemia em região sacral 0,0012
Higiene do couro cabeludo prejudicada Seborreia 0,0101
Hipertermia Média de temperatura de 39,5º C 0,0012
Regime terapêutico prejudicado Abandono do uso dos antirretrovirais 0,0011
Tremor Uso do álcool e drogas 0,0041
Insônia Uso de medicações para o sono 0,0012
Fadiga 0,0022
Abuso de álcool e tabaco Uso do álcool e drogas 0,0011
Solidão Vive(m) sozinho(s) 0,0101
Medo de expor suas ideias 0,0041
Comunicação prejudicada Disartria 0,0012
Medo de morrer Medo 0,0012
Baixa autoestima Choro fácil 0,0011
Tristeza 0,0231
Falta de autoconfiança 0,0011
Mudanças corporais 0,0342

Nota:

1Teste Exato de Fisher;

2Teste Qui-Quadrado de Pearson;

*p <0,05.

Apesar de alguns IEs parecerem ser insuficientes para determinarem a presença do DEs, como por exemplo, o IE “Vive sozinho” e o DE “Solidão”, o IE “Choro fácil” e o DE “Baixa autoestima”, os testes utilizados demostraram associações estatisticamente significativas entre os IEs e os DE da CIPE® para pessoas com AIDS.

Logo após os testes de associação, realizou-se uma regressão logística, para que fossem identificados os IEs preditores de cada DE, conforme revela a Tabela 3, logo abaixo.

Tabela 3 Distribuição dos fatores preditores dos Diagnósticos de Enfermagem identificados em pacientes com AIDS 

Fatores Preditores (Indicadores Empíricos) Diagnósticos de Enfermagem Valor de p Cox & Snell Nagelkerke
Presente (%) Ausente (%) R2 R2
Respiração ruidosa Dispneia
Presente 80,5 3,5 0,002 0,627 1,000
Ausente 0,0 16,0
Prega de Turgor Desidratação
Presente 44,2 21,3 0,001 0,705 1,000
Ausente 25,3 9,2
Emagrecido Deglutição prejudicada
Presente 31,8 26,7 0,015 0,749 1,000
Ausente 21,9 19,6
Lesões na naso e orofaringe
Presente 53,9 2,6 0,038
Ausente 0 43,5
Disfagia
Presente 52,2 8,8 0,001
Ausente 1,8 37,2
Sonda Vesical de Demora Eliminação vesical espontânea prejudicada
Presente 52,2 8,8 0,004 0,649 1,000
Ausente 1,8 37,2
Disúria
Presente 52,2 8,8 0,001
Ausente 1,8 37,2
Diarreia Frequência intestinal excessiva
Presente 52,2 8,8 0,001 0,649 1,000
Ausente 1,8 37,2
Emagrecido
Presente 52,2 8,8 0,002
Ausente 1,8 37,2
Média de temperatura de 39,5º C Integridade da pele prejudicada
Presente 31,8 26,7 0,098 0,749 1,000
Ausente 21,9 19,6
Emagrecido
Presente 53,9 2,6 0,038
Ausente 0 43,5
Hiperemia em região sacral
Presente 52,2 8,8 0,005
Ausente 1,8 37,2
Seborreia Higiene do couro cabeludo prejudicada
Presente 80,5 3,5 0,002 0,627 1,000
Ausente 0,0 16,0
Média de temperatura de 39,5º C Hipertermia
Presente 80,5 3,5 0,001 0,627 1,000
Ausente 0,0 16,0
Abandono do uso dos antirretrovirais Regime terapêutico prejudicado
Presente 80,5 3,5 0,001 0,627 1,000
Ausente 0,0 16,0
Uso do álcool e drogas Tremor
Presente 80,5 3,5 0,002 0,627 1,000
Ausente 0,0 16,0
Uso de medicações para o sono Insônia
Presente 52,2 8,8 0,005 0,649 1,000
Ausente 1,8 37,2
Fadiga
Presente 52,2 8,8 0,002
Ausente 1,8 37,2
Uso do álcool e drogas Abuso de álcool e tabaco
Presente 52,2 8,8 0,004 0,649 1,000
Ausente 1,8 37,2
Vive(m) sozinho(s) Solidão
Presente 52,2 8,8 0,005 0,649 1,000
Ausente 1,8 37,2
Medo de expor suas ideias
Presente 52,2 8,8 0,002
Ausente 1,8 37,2
Disartria Comunicação prejudicada
Presente 80,5 3,5 0,002 0,627 1,000
Ausente 0,0 16,0
Medo Medo de morrer
Presente 80,5 3,5 0,002 0,627 1,000
Ausente 0,0 16,0
Choro fácil Baixa autoestima
Presente 31,8 26,7 0,001 0,749 1,000
Ausente 21,9 19,6
Tristeza
Presente 53,9 2,6 0,038
Ausente 0 43,5
Falta de autoconfiança
Presente 52,2 8,8 0,001
Ausente 1,8 37,2
Mudanças corporais
Presente 52,2 8,8 0,012
Ausente 1,8 37,2

Assim, os IEs preditores identificados foram: Para o DE Dispneia – Respiração ruidosa; para o DE Desidratação – Prega de Turgor; para o DE Deglutição prejudicada – Emagrecido, Lesões na naso e orofaringe e Disfagia; para o DE Eliminação vesical espontânea prejudicada – Sonda Vesical de Demora e Disúria; para o DE Frequência intestinal excessiva – Diarreia, Emagrecido; para o DE Integridade da pele prejudicada – Média de temperatura de 39,5º C, Emagrecido, Hiperemia em região sacral; para o DE Higiene do couro cabeludo prejudicada – Seborreia; para o DE Hipertermia – Média de temperatura de 39,5º C; para o DE Regime terapêutico prejudicado – Abandono do uso dos antirretrovirais; para o DE Tremor – Uso do álcool e drogas; para o DE Insônia – Uso de medicações para o sono; Fadiga; para o DE Abuso de álcool e tabaco – Uso do álcool e drogas; para o DE Solidão – Vive(m) sozinho(s), Medo de expor suas ideias; para o DE Comunicação prejudicada – Disartria; para o DE Medo de morrer – Medo; para o DE Baixa autoestima – Choro fácil, Tristeza, Falta de autoconfiança e Mudanças corporais.

Na discussão, foram priorizados apenas os DEs que obtiveram associações estatisticamente significativas com os seus respectivos Indicadores Empíricos na regressão logística.

DISCUSSÃO

A assistência de enfermagem a pessoas vivendo com AIDS requer do enfermeiro a identificação das respostas humanas alteradas para proporcionar atendimento às suas Necessidades Humanas Básicas, já que todas essas necessidades estão inter-relacionadas, em maior ou menor intensidade, e sofrem alterações quando há o desequilíbrio de alguma delas(13).

As necessidades psicobiológicas e psicossociais são comuns a todos os seres vivos, em diferentes aspectos da complexidade orgânica; já as psicoespirituais são características únicas do ser humano. Dentro das psicobiológicas, está a necessidade de oxigenação, na qual o indivíduo precisa obter o oxigênio por meio da ventilação; de difusão de oxigênio e do dióxido de carbono entre os alvéolos e o sangue; de transporte de oxigênio para os tecidos periféricos e da remoção do dióxido de carbono; e de regulação da respiração, com o objetivo de produzir energia e manter a vida(14).

No campo da Necessidade de Oxigenação, o IE preditor para o DE “Dispneia” foi a “Respiração ruidosa”. Em pessoas vivendo com AIDS, as mudanças no processo de inspiração e expiração decorrem de diversos fatores, como doenças, dentre elas a tuberculose, que modifica a composição do parênquima pulmonar, fazendo com que as células pulmonares produzam mais secreção, acumulando-se, afetando assim a perfusão sistêmica e aumentando o risco de desenvolver bronquiectasia(15). Diante disso, a oxigenioterapia deve ser implementada pelo enfermeiro para melhorar a condição de ventilação e perfusão, porém com bastante cautela(16).

Para o DE “Desidratação” o IE preditor foi a “Prega de Turgor”, já para o de “Deglutição prejudicada” os preditores foram “Emagrecido”, “Lesões na naso e orofaringe” e “Disfagia”. Nota-se que esses dois diagnósticos relacionam-se, pois a incapacidade de deglutir afeta o equilíbrio hídrico e eletrólito de pessoas vivendo com AIDS. As causas para tal situação podem estar relacionadas à presença de lesões na cavidade da orofaringe, decorrentes de infeções, como as causadas pela Cândida albicans(16).

A prega do Turgor caracteriza-se por uma prática que verifica a elasticidade da pele, que, em pessoas com perda corporal de água, apresenta-se modificada, como foi identificado em pessoas vivendo com AIDS. No que tange ao DE “Eliminação vesical espontânea prejudicada”, os IEs preditores foram “Sonda Vesical de Demora” (SVD) e “Disúria”. Já, do diagnóstico “Frequência intestinal excessiva”, identificaram-se diarreia e emagrecido(16-17).

A disúria em pessoas vivendo com AIDS decorre geralmente de Infecções do Trato Urinário (ITUs), devido ao uso de drogas nefrotóxicas visando ao tratamento de infecções oportunistas. Essas lesões levam ao comprometimento da função renal, ocasionando modificações no sistema vesicomotor, reduzindo a taxa de filtração glomerular, apresentando quadros de anúria, ou oligúria(16).

Diante disso, deve-se realizar a passagem da SVD, obedecendo-se à técnica correta, a fim de evitar complicações como: abscessos e fístulas uretrais, incrustações no cateter, ITU, pielonefrite, sepsemia e morte. Assim, o enfermeiro deve realizar práticas seguras, como também o exame físico geniturinário, além de incentivar a ingesta hídrica e realizar um balanço hídrico rigoroso(16-17).

Em relação aos IEs preditores do DE “Frequência intestinal excessiva”, identificaram-se a diarreia e o emagrecimento. Nota-se que a diarreia corrobora para o emagrecimento, pois as pessoas com AIDS apresentam na fase aguda quadro de diarreia grave que afeta a osmolaridade sanguínea. Além disso, pode estar voltada à Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SRIS), como no uso dos antirretrovirais, levando, assim, à perda progressiva de determinadas substâncias, como aminoácidos, proteínas e íons, afetando a composição corporal(18).

Dessa forma, o enfermeiro pode implementar intervenções como: a mensuração do Índice de Massa Corpórea (IMC), solicitação de avaliação nutricional, orientação quanto aos hábitos alimentares saudáveis e alimentos irritantes. Além disso, é relevante a suplementação por meio de uma dieta rica em proteínas, dosando a ingestão e a perda(19).

Para o DE “Integridade da pele prejudicada”, os IEs preditores foram a “Média de temperatura de 39,5º C”, “Emagrecido” e “Hiperemia em região sacral”. Observa-se que todos estão relacionados, pois o aumento da temperatura que decorre da deficiência da imunocompetência leva à perda progressiva de proteínas e substâncias iônicas que afeta a textura dérmica. Outro fator volta-se à SRIS, que afeta o processo anabólico fisiológico, levando-a a uma fase catabólica intensa, com perda de massa muscular e um quadro de adinamia. Assim, cabe ao enfermeiro realizar intervenções, como avaliação bioquímica, suplementação nutricional em conjunto com a equipe nutricional e exame físico musculoesquelético(20).

Para o DE “Higiene do couro cabeludo prejudicada”, o IE preditor foi “Seborreia”, que é decorrente do acúmulo de sujidade no couro cabeludo, como também pela presença da Malassezia sp, um fungo que afeta a pilosidade capilar, e está presente em pessoas vivendo com AIDS, devido à imunidade comprometida. Assim, o enfermeiro deve realizar a avaliação diária do couro cabeludo, e a higienização com o uso de substâncias apropriadas(21).

No que tange ao DE “Regime terapêutico prejudicado”, o IE preditor foi “Abandono do uso dos antirretrovirais”, cujas causas estão voltadas à baixa escolaridade, à complexidade do tratamento, às reações adversas aos medicamentos, à falta de apoio, aos distúrbios psicológicos e ao uso de álcool e drogas(22). Destaca-se que este último foi um IE preditor para o DE “Abuso de álcool e tabaco”.

No presente estudo, identificou-se que alguns pacientes apresentaram o DE “Tremor”, cuja causa pode estar relacionada a diversos fatores etiológicos, dentre eles a abstinência ao álcool e drogas, provocando uma excitabilidade sináptica, quadros de hipertensão, taquicardia e sudorese; como também alterações no estado de ânimo ou comportamento e na articulação das palavras, ou seja, “Disartria”, IE preditor do DE “Comunicação prejudicada”. É importante frisar que a nicotina do tabaco altera a viscosidade do sangue e o álcool leva à perda do juízo crítico, do comportamento, da concentração e consciência. Já as drogas ilícitas, como a cocaína e a maconha, acarretam a uma exacerbação sintomatológica, como taquicardia, convulsão, arritmias ventriculares, tremores e alucinações, afetando a qualidade do sono de tal clientela(23).

No DE “Insônia”, os IEs preditores foram o “Uso de medicações para o sono” e para a “Fadiga”. A causa da má qualidade do sono pode estar relacionada ao uso de antirretrovirais, bem como à abstinência de álcool e drogas. É válido mencionar que pacientes que fazem uso de medicações diariamente tendem a ter o seu ciclo circadiano modificado(2,18-23). Além disso, a fadiga, que se caracteriza pelo acúmulo de ácido láctico nos miócitos, pode corroborar com tal quadro. Assim, o enfermeiro deverá implementar condutas assistenciais, como colocar o quarto em penumbra, oferecer alimentos e chás que estimulem o sono, mas em que não ocorra interação com a medicação prescrita, realizar massagens relaxantes e um dar banho morno antes de dormir, pois libera grande quantidade de neurotransmissores relaxantes, como a endorfina(24).

Para o DE “Solidão”, os IEs preditores foram “Vive(m) sozinho(s)” e “Medo de expor suas ideias”. Já para o DE “Medo de morrer”, identificou-se o IE “Medo” e, para o DE “Baixa autoestima”, os IEs preditores foram “Choro fácil”, “Tristeza”, “Falta de autoconfiança” e “Mudanças corporais”. É válido colocar que tais IEs preditores se inter-relacionam, pois o estigma e preconceito em torno da AIDS levam ao isolamento social, solidão, tristeza, ansiedade, depressão, alterações na sexualidade e até à exclusão da prática do lazer do seu cotidiano. As pessoas que têm mais dificuldade de aceitar a doença reagem ao tratamento com sentimento de tristeza, desânimo, desinteresse e culpa, levando à presença de intenso sofrimento psíquico e depressão. O diagnóstico precoce da depressão é de extrema importância para manter a adesão ao tratamento com antirretrovirais e, consequentemente, para um prognóstico melhor da infecção pelo HIV e para a melhora da qualidade de vida. Além disso, por ser uma doença que não possui cura, provoca nessas pessoas sentimentos, como o medo da morte, baixa autoestima e incerteza em relação ao futuro(25).

Diante disso, o enfermeiro deve otimizar ações que promovam a autorealização a essa clientela, como forma de estimulá-la a estabelecer novos objetivos e planos futuros, desenvolver talentos e cultivar os seus potenciais. O adulto autorrealizado mostra-se satisfeito com a sua vida e vivencia uma sensação de plenitude e contentamento. Nesse sentido, o enfermeiro pode promover medidas de socialização como roda de conversas, terapia em grupo, tendas de contos, e principalmente inserir a família nesse contexto(26).

Limitações do estudo

Como limitação deste estudo, aponta-se o viés de memória de alguns entrevistados quanto a algumas informações relacionadas ao diagnóstico e tratamento da doença. Outras limitações voltam-se ao processo de identificação dos DEs, caracterizada por ser uma análise subjetiva, na qual imperam ferramentas indutivas e dedutivas dos pesquisadores, associada à AIDS. Porém, o estudo apresenta inovações quanto à inserção nas novas tecnologias de enfermagem, como a utilização de IEs para o estabelecimento de DEs da CIPE®, para que os enfermeiros da prática, gestão, ensino e pesquisa possam inserir nos seus modelos de assistência à saúde.

Contribuições para a área da Enfermagem, Saúde ou Política Pública

As associações identificadas neste estudo são apresentadas como contribuição para a Prática de Enfermagem no cuidado mais qualificado às pessoas vivendo com AIDS, pois permitiram a análise das respostas humanas desses indivíduos em função de suas condições socioeconômicas e clínicas, proporcionando melhor focalização do cuidado direcionado às necessidades reais desta clientela. Com base nesta análise, os enfermeiros devem atentar para as necessidades sociais das pessoas vivendo com AIDS ao planejarem seus cuidados, para respeitar os aspectos individuais de cada cliente e eliminar, ou minimizar, as respostas humanas nessa população.

CONCLUSÃO

O estudo permitiu identificar 74 IEs, porém só 31 foram validados, sendo elaborados 55 Diagnósticos de Enfermagem. No entanto, só 19 foram considerados validados, pois atingiram os escores estabelecidos. Destaca-se que 16 DEs obtiveram associações estatisticamente significativas com os seus respectivos IEs. De maneira geral, os IEs identificados como possíveis preditores envolveram as respostas humanas específicas, condições clínicas e complicações relacionadas à doença, as quais permitem a identificação precoce dos DEs da CIPE® de pessoas vivendo com AIDS.

Nesse sentido, nota-se que o estudo permitiu identificar os IEs preditores para o estabelecimento de DEs da CIPE® para essa clientela, o que poderá determinar clareza e assertividade no estabelecimento de intervenções visando atingir resultados positivos.

FOMENTO

O projeto foi financiado pelo edital universal de vigência 10/11/2016-30/11/2020, processo nº 402978/2016.1. Projeto “Diagnósticos/resultados e intervenções de enfermagem da CIPE® para pessoas vivendo com aids: estruturação de um subconjunto terminológico”.

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Recebido: 12 de Junho de 2017; Aceito: 04 de Fevereiro de 2018

Autor Correspondente: Vinicius Lino de Souza Neto E-mail: vinolino@hotmail.com

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